Tectónica de Placas: Uma Teoria Com Raízes Antigas
Tectónica de Placas: Uma Teoria Com Raízes Antigas
A. M. Galopim de Carvalho
Desde há meio século, a TECTÓNICA DE PLACAS, entendida como
uma visão da dinâmica interna da Terra, à escala global, é base de
toda a investigação geológica que se pratica nos dias de hoje.
Ideia precursora
do calor interno da
Terra, essencial à
movimentação das
placas tectónicas.
(Séc. I)
anteciparam e influenciaram as de
Alberto Magno (1206-1280), Jean
Buridan (1300-1360), e Leonardo da
Vinci (1452-1519).
na transição para o
Renascimento, séc. XIV, Jean
Buridan (1300-1360), filósofo
francês e reitor da Universidade
de Paris, recuperando a
sabedoria deixada pelos
“Irmãos da Pureza”, escreveu:
17 séculos, depois de
Eratóstenes, Leonardo
da Vinci (1452-1519) fez
a mesma observação.
Reafirmação do mobilismo
1ª grande contribuição
em consequência de eventos, à escala
global, que imaginou catastróficos, mas
cuja força motriz não soube explicar.
(Séc. XVII)
Para René Descartes (1596-1650), o globo terrestre, arrefecido
exteriormente, começara por ser liso em superfície. Segundo ele, a formação
das montanhas resultara do arrefecimento do planeta e consequente redução do
seu volume, uma ideia conhecida por Teoria da Contracção.
3ª grande contribuição
Eduard Suess (1831-1914), geólogo austríaco, levantou o
problema da mobilidade dos blocos continentais, com base no
estudo de Glossopteris, planta que viveu há cerca de 300
milhões de anos, na América do Sul, na África, na Índia e da
Antárctida.
Segundo Suess, estes
territórios do Sul estiveram
unidos num único
supercontinente, a que deu o
nome de Gonduana, em Gonduana
referência à região do mesmo
nome, na Índia, onde
Glossopteris foi encontrada
pela primeira vez.
Placa euro-asiática
Thetys
Thetys
Thetys
Placa africana
Suess reflectiu sobre a relação entre a África e a Europa e admitiu, e bem, que as
camadas de rochas que constituem a Cadeia Alpina se tinham formado no fundo de um
oceano, a que deu o nome de Thetys, e que os Mares Mediterrâneo, Negro e Cáspio são
o que resta desse oceano a caminho do seu fecho.
(Séc. XIX)
4ª grande contribuição
Em Inglaterra, o eclesiástico Osmond
Fisher (1817-1914) ficou na história da
ciência mobilista as ao conceber, em1881, as
continente
descendentes sob oceano
os continentes,
numa notável
antecipação
à
Teoria da Tectónica de Placas.
As correntes de convecção térmica, apontadas como principais responsáveis
pela tectónica de placas, são hoje motivo de intensa discussão entre os
geocientistas. A conjugação destas correntes com a existência, cada vez mais
comprovada, de plumas mantélicas, originárias da fronteira manto/núcleo e
geradoras, à superfície, dos chamados “pontos quentes, está na agenda do dia
destes especialistas.
Segundo Fisher, alguns continentes ter-se-iam
contraído, formando montanhas nas suas margens.
6ª grande contribuição
Conhecedor das ideias de Ortels e Snider-Pellegrini - as costas de
África e da América do Sul uniam-se como num puzzle - Wegener
reuniu elementos científicos que demostravam este encaixe.
Era o mobilismo a
anunciar o fim do fixismo.
Em 1911, Wegener deparou com um artigo
científico, no qual se afirmava que fósseis de
antigos animais (Cynognatus e Lystrosaurus,
Cynognatus
répteis mamalianos do Triásico, e
Mesosaurus, do Pérmico), e de plantas,
como Glossopteris, do Pérmico, haviam sido
encontrados em lados opostos do Atlântico.
Mesosaurus
Lystrosaurus
Glossopteris
Geocronologia isotópica
8ª grande contribuição
Esta descoberta permitiu conceber o processo geodinâmico conhecido por
subducção, uma porção da litosfera oceânica mergulha ao longo de um
plano inclinado a que foi dado o nome de zona de Benioff-Wadati, uma
das fronteiras de placas sobre as quais assenta a tectónica global.
(Séc. XX) Em 1939, o geofísico americano
David Tressel Griggs (1911-1974)
explicava a formação das
montanhas (orogénese) pela
existência de correntes de
convecção do manto tal como as
definira Arthur Holmes, oito anos
antes..
9ª grande contribuição
Segundo ele, a convecção criava a bacia de sedimentação e a
isóstase, ao elevar os sedimentos ali acumulados, gerava a
correspondente cadeia montanhosa. A resposta às grandes
interrogações dos geólogos dos séculos XVIII e XIX - a elevação
de uma cadeia de montanhas - estava finalmente dada.
Esta formulação de Griggs permitiu associar as dorsais oceânicas às
directrizes coincidentes com faixas de encontro de correntes de convecção
ascendentes, e as zonas de subducção, às faixas de encontro das
correntes de convecção descendentes.
Griggs admitia que, numa faixa de convergência, no lado descendente deste tipo de
correntes se formava uma depressão alongada que se enchia de sedimentos
oriundos das terras emersas de ambos os lados e, portanto, menos densa (na
ordem de 2,7) do que o substrato oceânico (com uma densidade na ordem de 2,9)
em que se afundava.
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11ª grande contribuição
(Séc. XX) Baseando-se nos seus estudos sobre arcos insulares, anomalias
gravíticas no substrato marinho e nos trabalhos de Holmes, Griggs,
Hess formulou, em 1960, a sua hipótese
Heezen, Dietz e outros,
de expansão dos fundos oceânicos.
Saturday Review.
(Séc. XX) 13ª grande contribuição
No artigo que publicaram, online, na revista Geology, em 2013, são revelados os primeiros
indícios de transformação da margem sudoeste ibérica (uma margem passiva, do tipo
atlântico) numa margem activa, do tipo pacífico.
Agradeço ao Prof. Rui Dias, da Universidade de Évora, meu
brilhante ex-aluno, a revisão crítica deste documento de ensino.