E-Book 3
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ISBN
978-972-742-522-8
DATA
2022
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DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
DEDICADO
3
AGRADECIMENTOS
Aos formandos, futuros formadores, que participaram nos módulos e nas ações de capacitação do
Projeto Educação Inclusiva - coordenado pelo Ministério de Educação (ME), através da Direção-Geral
da Educação (DGE), da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), da Inspeção-Geral da
Educação e Ciência (IGEC) e da Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional I.P. (AN-
QEP) - agradecemos a confiança no trabalho realizado e a disponibilidade em doar tempo, opiniões
e impressões nos distintos momentos da formação. A versão final deste e-book só existe pela vossa
participação e pelas pertinentes sugestões de melhoria.
Por fim, à Ana Rosa Trindade, à Maria Manuela Alves, à Ana Maria Ferreira, à Ana Cláudia Cohen, à
Ana Tomás, ao André Matias, ao Augusto Viola, à Célia Mercê, ao David Rodrigues, à Helena Carona,
à Isabel da Cunha, à Isabel Lourenço, ao José Fradique, à Laura Espírito Santo, à Lina Júlio, à Filomena
Rodrigues, à Raquel Rei, à Bento Cavadas, à Filomena Ferreira e à Isilda Pereira pela valiosa troca de
conhecimentos e saberes no processo de composição deste e-book.
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DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
PREFÁCIO
Assumindo claramente uma orientação inclusiva, o Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, vem reforçar o
direito de cada um dos alunos a uma educação consentânea com as suas potencialidades, expetativas e
necessidades, num conjunto de respostas planeadas no âmbito de um projeto educativo comum e plural,
que proporcione a todos a participação e o sentido de pertença em verdadeiras condições de equidade.
A abordagem multinível, entendida como um modelo compreensivo de ação, de âmbito educativo ao nível
da escola, orienta-se para o sucesso de todos e de cada um dos alunos através da organização de um con-
junto integrado de medidas de suporte à aprendizagem.
Por seu lado, o desenho universal para a aprendizagem apresenta-se como uma opção que responde à
necessidade de organização de medidas universais orientadas para todos os alunos. Definindo-se como
um modelo estruturante e orientador na construção de ambientes de aprendizagem acessíveis e efetivos
para todos os alunos, constitui uma ferramenta essencial no planeamento e ação em sala de aula. Trata-se
de uma abordagem curricular que assenta num planeamento intencional, proativo e flexível das práticas
pedagógicas, considerando a diversidade de alunos em sala de aula. Reconhecendo que a forma como cada
aluno aprende é única e singular, uma abordagem curricular única e inflexível não permite garantir oportu-
nidades de aprendizagem para todos os alunos.
Neste sentido, as práticas pedagógicas sustentadas no desenho universal para a aprendizagem oferecem
oportunidades e alternativas acessíveis para todos os alunos em termos de métodos, materiais, ferramen-
tas, suporte e formas de avaliação, sem alterar o nível de desafio e mantendo elevadas expetativas de
aprendizagem. Pretende-se, assim, identificar e remover as barreiras à aprendizagem e à participação, e
maximizar as oportunidades de aprendizagem para todos os alunos.
A implementação de práticas pedagógicas em sala de aula tendo por base o desenho universal para a apren-
dizagem implica uma abordagem flexível e personalizada por parte dos docentes, na forma como envolvem
e motivam os alunos nas situações de aprendizagem, no modo como apresentam a informação e na forma
como avaliam os alunos, permitindo que as competências e os conhecimentos adquiridos possam ser ma-
nifestados de maneira diversa.
Filomena Pereira
Direção-Geral da Educação
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MÓDULO 3: DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM
ÍNDICE GERAL
ABREVIATURAS, ACRÓNIMOS E SIGLAS 07
ENQUADRAMENTO GERAL 09
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS 19
1. APRESENTAÇÃO: QUEM SOMOS? 21
1.1. Quais as vossas expetativas? 23
2. DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM 25
2.1. Desenho Universal para a Aprendizagem: origem, conceitos e fundamentos 26
2.2. Quadro teórico que sustenta o Desenho Universal para a Aprendizagem 32
2.3. Blocos funcionais, redes neuronais e aprendizagem 36
2.4. Princípios orientadores do Desenho Universal para a Aprendizagem 44
2.4.1. Práticas pedagógicas geradoras de múltiplos meios de envolvimento, de repre- 46
sentação e de ação e expressão
2.5. Aportes teóricos da psicologia da educação inspiradores de um ensino multimodal 55
2.5.1. Fatores que facilitam ou impedem o progresso dos alunos 84
2.6. O Desenho Universal para a Aprendizagem e a promoção de estratégias de gestão 99
flexível do currículo e aquisição de competências definidas no Perfil dos Alunos à Saída
da Escolaridade Obrigatória
2.6.1. Abordagem multinível no acesso ao currículo e Desenho Universal para a 108
Aprendizagem: estratégias apoiadas no desenvolvimento neuropsicológico
2.7. Planeamento com intencionalidade estratégica e pedagógica da implementação do 114
Desenho Universal para a Aprendizagem
2.8. Aplicação colaborativa dos princípios subjacentes ao Desenho Universal para 128
a Aprendizagem
2.9. Contributo do Desenho Universal para a Aprendizagem na construção de ambientes 142
inclusivos e que combatam as desigualdades entre os alunos
2.10. Diversificação e adequação de procedimentos, técnicas e instrumentos de avalia- 160
ção em consonância com o Desenho Universal para a Aprendizagem
2.10.1. A avaliação formativa no apoio à implementação do Desenho Universal para 167
a Aprendizagem.
2.11. O papel das lideranças na promoção e operacionalização do Desenho Universal 172
para a Aprendizagem
3. PARA CONCLUIR... 179
4. AUTOAVALIAÇÃO 185
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 188
APÊNDICES 192
6
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
ABREVIATURAS, ACRÓNIMOS E SIGLAS
7
SPO – Serviço de Psicologia e Orientação
UNESCO – United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization
VARK – Visual, Auditory, Reading (and write) and Kinesthetic
ZDP – Zona de Desenvolvimento Proximal
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DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
ENQUADRAMENTO GERAL
O Conjunto de Materiais apresentados neste terceiro e-book enquadra-se, pois, no ponto i) Produção de re-
cursos de apoio à Educação Inclusiva e procura gerar reflexão e iniciativas concretas de ação e envolvimento
de diferentes interlocutores das comunidades educativas, através de lentes multidimensionais correspon-
dentes aos pontos de vista e experiências de que são portadores (Brussino, 2021; Cerna et al., 2021).
1 Financiado no âmbito do Programa Operacional Capital Humano (POCH) e do Eixo Prioritário - 4 - Qualidade e inovação no
sistema de educação e formação e da Prioridade de Investimento - 10.i - Redução e prevenção do abandono escolar precoce
e estabelecimento de condições de igualdade no acesso à educação infantil, primária e secundária, incluindo percursos de
aprendizagem formais, não formais e informais para a reintegração no ensino e formação, o Projeto Educação Inclusiva dispõe
de uma estrutura de coordenação composta pela (DGE), pela (DGEstE), pelo (PNPSE) e pela (ANQEP).
9
Apostar numa escola inclusiva, onde todos e cada um dos alunos, encontram respostas que lhes pos-
sibilitam a aquisição de um nível de informação e educação facilitadores da sua plena inclusão social,
exige que a escola reconheça a mais-valia da diversidade e que se reorganize de modo a responder às
potencialidades, expetativas e necessidades no âmbito de um projeto educativo comum e plural, que
proporcione a todos a participação e o sentido de pertença.
A Educação Inclusiva tem vindo a ser reconhecida como uma meta a atingir pelos sistemas educativos
em todo o mundo. Tal exige ajustes, algumas mudanças, não só na forma de perspetivar o papel e as
funções da escola, do currículo, dos docentes e dos outros atores no processo educativo, mas também
na forma de desenvolver práticas pedagógicas eficazes que garantam a aprendizagem de todos, numa
lógica de corresponsabilização.
Neste terceiro e-book, o nosso foco será relacionar os resultados do relatório da European Agency for
Special Needs and Inclusive Education (2022) com as opções metodológicas subjacentes aos diplomas
legais da Educação Inclusiva, nomeadamente, o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e a
abordagem multinível no acesso ao currículo, de forma a que o Perfil dos Alunos à Saída da Escolarida-
de Obrigatória seja atingido por todos.
É sabido que o DUA e os seus princípios se baseiam no conhecimento resultante de pesquisas e práticas
oriundas de várias áreas do saber: a educação, a psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem,
as ciências cognitivas e as neurociências. Esta abordagem, multifacetada, para além de estruturante
e orientadora agrega visões de várias áreas do saber e integra-as para criar intencionalidade na ação
pedagógica na sala de aula. Apresenta-se, portanto, como um formato que organiza medidas univer-
sais orientadas, de acordo com as características e necessidades, valorizando as potencialidades de
todos os alunos e não apenas de alguns. Por conseguinte, o DUA procura definir objetivos educativos
e equacionar estratégias, materiais e formas de avaliação personalizadas e adequadas, o que impli-
ca que os docentes demonstrem flexibilidade na forma como envolvem os alunos nas situações de
aprendizagem, no modo como apresentam a informação e na forma como os avaliam, permitindo que
evidenciem as competências e os conhecimentos adquiridos de diferentes formas.
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DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
VÍDEO 1
Enquadramento do Projeto Educação Inclusiva
Maria João Horta, Subdiretora Direção-Geral de Educação
https://youtu.be/NdckFJvQNPQ
VÍDEO 2
Enquadramento do Projeto Educação Inclusiva
Susana Colaço, Coordenação da equipa da ESSE do IPSantarém no Projeto Educação Inclusiva
https://youtu.be/v8EoEl-A0-0
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Quais os pressupostos gerais deste Conjunto de Materiais?
Todas as menções ao Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, devem ser assumidas com referência à
sua redação atual, ou seja, alterado pela Lei n.º 116/2019, de 13 de setembro; o mesmo se verifica
para as menções ao Decreto-Lei n.º 55/2018, retificado pelo Decreto-Lei n.º 70/2021, de 3 de agosto.
Estes diplomas são documentos nucleares a considerar.
Não partindo do zero, realizamos todo um trabalho de pesquisa sobre o que já estava publicado acer-
ca do DUA, a nível nacional e internacional, selecionámos e compilámos a informação com exemplos
ilustrativos, sendo as nossas referências, essencialmente, as seguintes: Para uma Educação Inclusiva
- o Manual de Apoio à Prática - Para uma Educação Inclusiva (Pereira et al., 2018)... ; o Dossier Te-
mático Desenho Universal para a Aprendizagem: Trilhos inclusivos rumo ao sucesso educativo (Alves
et al., 2018); o manual de Desenho Universal da Aprendizagem: Princípios Orientadores, traduzido
e adaptado de CAST (Wakefield, 2011); o relatório da OCDE (2022)2 Review of Inclusive Education:
Country Background Report for Portugal; o Desenho de um Sistema de Monitorização da Implemen-
tação do Regime Jurídico da Educação Inclusiva em Portugal (European Agency for Special Needs and
Inclusive Education, 20223); UDL Playbook for School and District Leaders (Novak & Woodlock, 2021);
a documentação orientadora já elaborada e disponibilizada pela DGE, sobretudo, os conteúdos de
diversas formações realizadas que visavam o DUA; entre outras.
São considerados os seguintes documentos orientadores, projetos ou programas: O Perfil dos Alu-
nos à Saída da Escolaridade Obrigatória; Aprendizagens Essenciais; Estratégia Nacional de Educação
para a Cidadania; Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (OCEPE); Programa Nacio-
nal de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE); Projeto MAIA - Monitorização, Acompanhamento e
Investigação em Avaliação Pedagógica.
Optaríamos pela utilização de linguagem não discriminatória, com exceção, naturalmente, das cita-
ções, tendo em conta o ambiente multicultural e multilingue de um contexto educativo onde pode-
mos, de várias formas, promover a igualdade, equidade e o respeito pela diversidade. Na linha de
várias resoluções e leis, nacionais e internacionais, e de manuais publicados (Conselho Económico
e Social, 2021), procuraríamos variar as alternativas ao uso do universal masculino tanto quanto
possível e parecesse mais pertinente - essa seria a nossa posição e fá-lo-íamos sem anulação da di-
versidade de estilos discursivos e em respeito pela estética da linguagem, procurando não dificultar
a leitura e a compreensão dos documentos (evitando, por exemplo, excessivas repetições das barras
2 OCDE (2022). Review of Inclusive Education in Portugal, Reviews of National Policies for Education, OECD Publishing, Paris,
https://doi.org/10.1787/a9c95902-en
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DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Priorizamos o uso do termo “medidas de apoio à aprendizagem” e, sempre que utilizamos o termo
“necessidades educativas”, este deverá ser “lido” em prol de uma categoria mais alargada que in-
tegre a diversidade das pessoas, contemplando a multiplicidade das suas dimensões e a interação
entre as mesmas.
O termo “escola” é utilizado como referência a agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas,
escolas profissionais e estabelecimentos de educação pré-escolar e do ensino básico e secundário
das redes privada, cooperativa e solidária.
Utilizamos um design acessível tendo em consideração o modo como as informações apresentadas po-
dem ser compreendidas e interpretadas por todos os leitores. Assim, procuramos empregar recursos que
facilitam a acessibilidade e inclusão, através de diversas estratégias, nomeadamente o código da ColorA-
DD, cores e contrastes percetíveis para diversos daltonismos, uso de fontes sem serifa, espaçamentos,
padrão de leitura da esquerda para a direita, simetrias, utilização de gráficos, infografias e ícones.
13
Que opções foram tomadas na organização deste Conjunto de Materiais?
A principal preocupação da equipa que organizou este e-book foi, por um lado, produzir um conjunto
de recursos que possam, de facto, ser úteis aos seus utilizadores, do ponto de vista prático, estando
conscientes dos desafios diários com que os profissionais de educação se deparam no dia a dia nas es-
colas, na procura de formas eficazes, inovadoras, práticas e exequíveis de agir, para pelejar contra todas
as barreiras que interferem com o potencial de desenvolvimento global e a aprendizagem das crianças
e dos jovens. Por outro lado, a equipa teve a preocupação de partir do trabalho de grande qualidade
que já se faz nas escolas, escolhendo questões/temas para discussão conjunta numa perspetiva de
coconstrução de conhecimento sustentado na prática.
Não se ambiciona cobrir nem aprofundar todos os temas da Educação Inclusiva, pois nunca consegui-
ríamos abordar tudo o que se aspiraria, mas focarmo-nos em aspetos cruciais para a operacionalização
no terreno. Portanto, este Conjunto de Materiais é mais uma proposta que se apresenta, de que o lei-
tor se pode servir, selecionando, processando e interiorizando a informação, adaptando os recursos de
que necessitar, com a intencionalidade de transformar essa informação em práticas eficazes (Donnelly
et al., 2018).
Estes materiais não têm o intuito de prescrever “receitas”. Colocam-se questões conducentes a uma
reflexão aprofundada, fundamentada e crítica, individualmente ou em grupo, sobre várias dimensões
da inclusão, do ambiente educativo e das práticas pedagógicas que podem facilitar ou colocar obs-
táculos à participação e ao envolvimento de todos (e.g., ambiente social, ambiente físico, materiais,
comunicação, etc.). Sintetizamos, abaixo, a metodologia que elegemos e alguns dos nossos objetivos.
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DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
A NOSSA METODOLOGIA OBJETIVOS DESTES
REFLEXIVA MATERIAIS
Internacionalmente, este tema é foco central da - Valorizar o que se faz bem, ou seja,
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável o trabalho com empenho e eficiência
que é desenvolvido na comunidade
das Nações Unidas, que compromete os países a ga-
educativa em prol da Educação Inclu-
rantirem uma Educação Inclusiva e de qualidade, e siva e de qualidade.
a promoverem oportunidades de aprendizagem ao
longo da vida para todas as pessoas. - Divulgar práticas bem-sucedidas que
podem servir de inspiração a outros
Estes materiais convidam, precisamente, a conside- agentes educativos.
rar como podem as escolas desenvolver estratégias - Estimular a inovação, promovendo
para proporcionar uma educação efetiva para todas a reflexão sobre novas formas de agir
as suas crianças e jovens. em contexto educativo, suportadas em
redes de trabalho e apoio, recursos e
Perante algumas propostas de textos, visionamento práticas já experimentadas no terreno.
de vídeos, perguntas, exemplos ilustrativos, os leito-
- Aumentar a motivação e o sucesso
res são convidados a refletir, anotar e fundamentar dos agentes educativos e, consequen-
as suas respostas com situações ou atividades reais. temente, das crianças e jovens!.
Não menos importante é encorajar a identificação das mudanças necessárias nas escolas, para se de-
finirem prioridades, pese embora muitas questões já tenham sido avançadas. Não estamos a criar
ex nihilo (OCDE, 2022a). Efetivamente, Portugal tem feito um percurso notável em matéria de inclu-
são: em poucos anos, passámos de uma escola segregadora para uma escola onde todos participam e
aprendem de acordo com as suas potencialidades, adequando as respostas às necessidades educativas
de cada aluno - inclusão.
Este e-book pretende, pois, identificar possibilidades para que as escolas possam criar oportunidades
com vista a mais e melhores estratégias de operacionalização inclusivas, não ignorando as dificuldades e
desafios concretos enfrentados, mas lançando, sobre estas dificuldades e desafios, novos olhares, com
vista à implementação de abordagens contextualizadas de resolução de problemas em que tudo e todos
são recursos. É, também, mobilizado um conjunto de testemunhos de pessoas de diversas áreas e sa-
beres, recolhidos anonimamente, que oferecem diferentes perspetivas sobre a vida das/nas escolas. Os
textos e atividades apresentados refletem os sentires, as ideias e as experiências de muitas pessoas do
terreno (profissionais, encarregados de educação, alunos, outros parceiros e entidades da comunidade).
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Estes materiais não devem ser considerados como “acabados”; assumem, outrossim, uma natureza di-
nâmica, em construção, pois estão abertos a propostas das escolas, seus profissionais, crianças, jovens
e famílias, para complementar futuramente o seu conteúdo.
Segue-se, assim, uma opção metodológica de um contínuo crescente de aprofundamento dos conteú-
dos e estratégias que orientem a reflexão, a discussão, a ação e a decisão de todos. A partir do que se
apresenta, salvaguardando a autonomia individual e coletiva, poderão os leitores proceder a adapta-
ções e ajustes que considerarem adequados às suas realidades e especificidades.
Os materiais foram construídos para serem usados com flexibilidade. Naturalmente, podem selecio-
nar-se as secções e as atividades mais importantes para um determinado grupo de participantes ou
contextos educativos, assim como diversificar estratégias de dinamização das mesmas.
Apesar de as atividades propostas terem sido desenhadas como exercícios que visam, num primei-
ro momento, estimular a reflexão individual sobre o conteúdo apresentado, sugere-se a aplicação de
métodos ativos de formação, nomeadamente, trabalhos de pares ou em pequenos grupos. Embora os
conteúdos possam ser usados para formações em grande grupo, a exposição formal deverá ser evitada
e os agentes de capacitação poderão adaptar e utilizar o que for oportuno e relevante para o contexto.
2. Partindo do que já é desenvolvido nas escolas e do conhecimento que estas e os seus atores pos-
suem, coconstrução de guiões (e-book) de suporte à formação a ser realizada a nível nacional.
Assim, o Módulo 3 – Desenho Universal para a Aprendizagem surge com o objetivo de desenvolver com-
petências para o planeamento do processo de ensino e de aprendizagem e a respetiva operacionalização.
Pretende-se, pois, um enfoque na gestão flexível do currículo através da resposta às necessidades, ex-
petativas e potencialidades de todos e de cada um, considerando por que aprendem, o que aprendem
e como aprendem.
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DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
A avaliação formativa no apoio à implementação do DUA.
OS CONTEÚDOS A EXPLORAR
Cremos que, nesta fase, as escolas se apropriaram e compreendem a mais-valia dos valores da Edu-
cação Inclusiva, embora reconhecendo e sentindo dúvidas de várias ordens. Nesse sentido, procura-
remos disponibilizar sínteses e materiais sobre os conteúdos norteadores, a par de questões às quais
cada leitor poderá responder num exercício de maior consciencialização e de monitorização de passos
possíveis a dar, no sentido de melhorar as suas práticas de Educação Inclusiva.
Este módulo inicia-se com este enquadramento geral, uma lista dos acrónimos e abreviaturas, um índice,
uma introdução e objetivos desta publicação. De seguida, vão-se desenvolvendo as secções e subsecções,
em que se apresenta: o quadro teórico, evidenciando a origem, conceitos e fundamentos do DUA; a
relação das neurociências ou e os princípios orientadores do DUA; a promoção de gestão flexível do cur-
rículo e de práticas pedagógicas diferenciadas geradoras de múltiplos meios de representação, de ação e
expressão e de envolvimento; condições que facilitam ou impedem o progresso dos alunos; a abordagem
multinível na organização das medidas de apoio à aprendizagem e o lugar das medidas na realidade do
DUA; contributo do DUA no planeamento com intencionalidade estratégica e a importância do traba-
lho colaborativo na construção de ambientes inclusivos; uma reflexão sobre o papel das lideranças na
promoção e operacionalização do DUA; e, por último, a secção onde se aborda a avaliação incidindo,
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sobretudo, na informação da avaliação formativa que permite reformular as estratégias de ensino e
de aprendizagem, e na ideia de que a aplicação do DUA é, em si, um processo que vive da avaliação
formativa para ir recolhendo feedback constante.
Ao longo das diversas secções e subsecções, vão surgindo, em paralelo, as propostas: “Expetativas”,
“Em destaque”, “(N)A prática”, “Para saber mais”, “Explorar, Refletir, (Re)Criar”, indutoras de aprofun-
damento da temática e reflexões integradas. Por último, na conclusão, retorna-se às questões iniciais,
apresentando-se uma síntese de pistas para um processo que se crê em constante desenvolvimento e,
por isso, inacabado, e uma autoavaliação, na qual são propostos recursos para avaliar as aprendizagens
face aos conteúdos abordados .
Numa educação que se pretende inclusiva, que desafios se colocam às práticas dos docentes quando
procuram que todos os alunos aprendam? Como respeitar e, simultaneamente, responder à diversida-
de existente em qualquer grupo/turma, de modo a incluir todos os alunos no processo de ensino e de
aprendizagem? Como desenvolver práticas inclusivas na sala de aula?
Este e-book tem uma extensão mais longa que os anteriores (Pappámikail & Beirante, 2022; Pappá-
mikail, Beirante & Cardoso, 2022), porque se optou por apresentar sínteses operatórias de muitas
áreas contributivas; a denominação das secções e subsecções, porém, ajudará a identificar esses te-
mas, pelo que, supomos, cada formando lerá, apenas, os tópicos em que sentir carecer de aprofunda-
mento. Remetemos, ainda, para apêndices alguma informação de apoio.
Esperamos que este Conjunto de Materiais possa ser útil e ajudar quem o lê a aprender com as estra-
tégias pautadas nos pressupostos do DUA e da colaboração, ferramentas potencializadoras no desen-
volvimento de ações condizentes com a diversidade.
Susana Colaço e Isabel Piscalho
Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém
Se quiser(em) partilhar ou sugerir algo sobre este e-book, pode(m) contactar-nos para o seguinte en-
dereço: [email protected].
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DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Módulo 3 – desenho universal para a aprendizagem
VÍDEO 3
Introdução ao Módulo 3 - Desenho Universal para a Aprendizagem
Isabel Piscalho - Coordenação da equipa da ESE do IPSantarém no Projeto Educação Inclusiva
https://www.youtube.com/watch?v=m4V2U0rRG3Q
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
O Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 116/2021, de 13 de
setembro, enuncia um conjunto de princípios, práticas e condições de operacionalização da Educação
Inclusiva que resultam de opções teóricas e metodológicas, designadamente a abordagem multinível e
o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). Estas abordagens devem ser consideradas de forma
integrada, articulada e flexível, constituindo-se como guias de apoio à ação das escolas promotoras da
inclusão educativa de todos e de cada um dos alunos, ao nível sala de aula, da escola e da comunidade.
O DUA assenta, como já foi referido, num planeamento intencional e proativo das práticas pedagógi-
cas. Valorizando e considerando a diversidade, esta abordagem reconhece que cada criança e jovem
aprende e progride de modo único e singular, ou seja, compreende, processa a informação e expres-
sa-se de forma diferente.
19
O DUA aplica-se ao currículo e norteia-se por três princípios básicos (Figura 1), que suportam um con-
junto de orientações para tornar os contextos de aprendizagem acessíveis a todos os alunos:
Para além de um olhar mais conceptual, este módulo procurará trazer à discussão como se faz e como
se avalia o resultado da implementação do DUA, de forma diferenciada, em sala de aula.
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DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Este módulo procurará responder às seguintes questões:
Num contexto de formação, devemos privilegiar o momento de apresentação; assim, haverá um maior
envolvimento e compromisso e a relação entre todos (formandos e formador) ficará mais individuali-
zada. As atividades a desenvolver, em formação, com este propósito podem assumir inúmeras formas
e dimensões: simples ou complexas, curtas ou longas, ativas ou passivas, seguidas (ou não) por obser-
vadores, realizadas individualmente, em pequenos ou em grandes grupos, etc.
Considerarmo-nos como alunos pode ajudar a melhorar a nossa aprendizagem, a compreender melhor
as crianças e jovens e a dar um maior apoio às suas aprendizagens. Antes de iniciarmos este módulo,
Reservamos um momento para uma atividade de apresentação ou propomos uma atividade de apresen-
tação que visa, justamente, ajudar os participantes a refletirem sobre si próprios, enquanto aprendentes.
21
Atividade 1 – Boas-Vindas e apresentação dos participantes4 EXPLORAR
REFLETIR
1. Quem somos?
(RE)CRIAR
Pedir aos participantes que
escolham uma fotografia fotografia/imagem que ilustre a sua perspetiva de inclusão, ou escolher
uma fotografia/imagem que espelhe uma prática pedagógica promotora de inclusão (a partir de
materiais disponibilizados ou pesquisa virtual), entre outras.
Partilha em grande grupo ou em mural coletivo (com recurso a post-it, por exemplo, ou recursos
educativos digitais, se em formato a distância).
2. Dediquem alguns minutos a encarar-vos como alunos. (Por exemplo, como aprenderam a andar
de bicicleta ou a guiar um carro? Ainda se lembram de como aprenderam a ler?)
Pistas de dinamização:
- Registo individual e posterior partilha em pequenos/grandes grupos: “Sobre o Desenho Universal para a
Aprendizagem, sistematizámos para partilhar...”
- Construção de um mural coletivo (com recurso a post-it e papel cenário, por exemplo, se em formato presen-
cial, ou através de um recurso educativo digital, se em formato a distância).
4 Adaptado de UNESCO (1993). Teacher education resource pack: special needs in the classroom. UNESCO.
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DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
1.1. Quais as vossas expetativas?
O DUA constitui-se como uma ferramenta útil para apoiar os docentes na conceção e implementação
de pedagogia, currículo e avaliação inclusivos. Baseado em investigação científica, o DUA sustenta-se
em princípios e orientações claras sobre tornar o processo de ensino e de aprendizagem mais flexível
e eficaz para as diversas necessidades dos alunos (CAST, 2018; Brussino, 2021).
23
Atividade 2 – Expectativas EXPLORAR
REFLETIR
1. Sobre o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA):
(RE)CRIAR
O que já sabemos?
O que pensamos?
Que experiências conhecemos?
O que já fazemos?
Pistas de dinamização:
- Desafiamos-vos a usar a ferramenta 5W2H para refletirem sobre estas questões detonadoras:
- Registo individual e posterior partilha em pequenos/grandes grupos: “Sobre o Desenho Universal para a
Aprendizagem, sistematizámos para partilhar...”
- Construção de um mural coletivo (com recurso a post-it e papel cenário, por exemplo, se em formato pre-
sencial, ou através de um recurso educativo digital, se em formato a distância).
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DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
2. DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM
25
2.1. Desenho Universal para a Aprendizagem: origem, conceitos e fundamentos
O Desenho Universal para a Aprendizagem5 (DUA) começou como um projeto do Centro Nacional de
Acesso ao Currículo Geral (NCAC) e e,́ geralmente, atribuído a David Rose, Anne Mayer e seus colegas6
do Center for Applied Special Technology (CAST), apoiado pelo Escritório de Programas de Educação
Especial do Departamento de Educação dos Estados Unidos, em 1999, em Massachusetts.
O CAST começou a investigar, desenvolver e articular os princípios e as práticas do DUA, mas o termo
sofreu uma forte influência do Desenho Universal concebido pela arquitetura7, que teve expressão
direta na conceção pedagógica que preconiza, já que faz parte do ato de planear removendo barreiras
que previamente se conseguem identificar. O conceito inicial teve como objetivo criar ambientes físicos
acessíveis e ferramentas que pudessem ser utilizados pelo maior número de pessoas possível, inde-
pendentemente das suas necessidades físicas e cognitivas. Um exemplo clássico do Desenho Universal
são as rampas das calçadas: ainda que originalmente fossem planeadas para pessoas que usassem ca-
deiras de rodas, atualmente são usadas por todos, desde pessoas com carrinhos de compras, a pessoas
com carrinhos de bebés e crianças, entre outras.
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DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
PARA SABER
Acessibilidade Portugal
http://acessibilidade-portugal.blogspot.com/
Acessibilidade.gov.pt
https://www.acessibilidade.gov.pt/
Centro de Avaliação em Novas Tecnologias de Informação e Comunicação
http://cantic.org.pt/
European Assistive Technology Information Network
http://www.eastin.info/home.aspx?pg=searches2007&ln=en
Instituto Nacional para a Reabilitação
http://www.inr.pt
World Health Organization - International Classification of Functioning, Disability and Health (ICF)
http://www.who.int/classifications/icf/en/
Sítios da Internet Acessibilidade.net
http://www.acessibilidade.net/
Mais recentemente, o Desenho Universal tem sido aplicado à educação (Alves, Ribeiro & Simões,
2013a, p. 125). Com o tempo, compreendeu-se que a aprendizagem implicava um desafio específico
na área concreta de atuação e, para que o aprender acontecesse, deviam eliminar-se as barreiras,
mantendo os desafios necessários.
O DUA implica, por isso, o planeamento prévio tendo em conta a diversidade e não apenas a adapta-
ção da realidade – conceito de acessibilidade (CAST, 2018).
27
EM DESTAQUE
Uma definição precisa do DUA foi proporcionada pelo governo dos EUA e incluída na Lei de Opor-
tunidades em Educação Superior (Higher Education Opportunity Act), de 2008, mencionando que o
termo diz respeito a uma série de referências cientificamente válidas para guiar a prática educativa:
a) proporcionando flexibilidade nas formas como as informações são apresentadas, nos modos
como os alunos respondem ou demonstram os seus conhecimentos e competências, e na maneira
como estes são motivados e se comprometem com o seu próprio processo de aprendizagem;
DERRUBAR BARREIRAS
Ainda em relação a estas barreiras, esta encarregada de educação afirma que “Não
é as pessoas não terem perfil, mas sim a falta de formação (o principal fator)”.
[N]A PRÁTICA
28
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
EXPLORAR
Atividade 3 – Relação dialética e dinâmica REFLETIR
(RE)CRIAR
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo.
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos.
- Elaboração, colaborativa, de uma grelha organizada de exemplos.
PARA SABER
SOBRE DESENHO UNIVERSAL E ACESSIBILIDADE, ALGUNS SÍTIOS:
29
Em síntese, o DUA é uma abordagem concebida em função dos princípios pelos quais o cérebro se de-
senvolve e pretende ser uma abordagem dependente da figura do docente (Caine et al., 2006, citado
por Alves, Ribeiro & Simões, 2013b, p. 6). Tendo em vista uma educação holística, significativa e de
base humanista, estabelece como objetivos:
Fonte: http://madewithangus.com/portfolio/equality-vs-equity/
VÍDEO 4
Um resumo do DUA
https://www.youtube.com/watch?v=fsYuXqqiQRA
*Ativar legendas automáticas em português
30
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
EXPLORAR
Atividade 4 – “Por cuatro esquinitas de nada”, de Jérôme Ruillier
REFLETIR
(RE)CRIAR
VÍDEO 4
Por cuatro esquinitas de nada
https://www.youtube.com/watch?v=IikZuOFfar4&t=0s
Nesta história, um quadrado tenta participar num mundo de círculos coloridos. A porta de entrada
não lhe serve. Apresenta-se, então, um desafio. O que mudar? Quem deve mudar? O que deve
mudar? Quanto «custa» mudar? Estas são as grandes questões que esta história (aparentemente)
simples nos coloca. Pensando que os quadrados podem ser os nossos alunos…
1. Que relações podemos estabelecer entre esta história (e o seu desfecho) e o DUA?
2. Que importância tem, na vossa perspetiva, o trabalho colaborativo para o DUA? Como pode ser
potenciado esse trabalho?
3. Como se pode contrariar o isolamento relativo que muitos docentes sentem na gestão da diversi-
dade em sala de aula?
4. O que pode significar, em termos de DUA, “por quatro esquinitas de nada”, atendendo ao argu-
mento, frequente, de que estas abordagens pedagógicas representam um ónus para os docentes?
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo.
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos.
31
PARA SABER
VÍDEO 5
Desenho Universal para a Aprendizagem
https://www.youtube.com/watch?v=dRPBJuuAyiA
*Ativar legendas automáticas em português
32
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Nas escolas, como na sociedade aliás, a diversidade dos indivíduos é a norma e não a exceção. Na
verdade, com o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e as Aprendizagens Essenciais, os
currículos poderão facilitar a gestão dessa diversidade, das oportunidades de igualdade e de participa-
ção, dos princípios e da justiça de todos e de cada um, sem alterar o nível de desafio.
O DUA procura dar resposta aos alunos tendo em conta diferentes capacidades, antecedentes esco-
lares, motivações e contextos familiares, oferecendo alternativas acessíveis em termos de objetivos,
métodos, materiais, ferramentas e formas de avaliação flexíveis, de modo a proporcionar-lhes os meios
adequados às respetivas necessidades e expetativas (CAST, 2011).
O quadro conceptual que fundamenta o DUA ancora-se, sobretudo, nas obras de Piaget, Vygotsky,
Bruner, Ross, Wood e Bloom, que adotaram princípios semelhantes para entender as diferenças in-
dividuais e as pedagogias requeridas para cada caso, circundando em conceitos como: a tutoria ou
mentoria; a modelagem; a Zona de Desenvolvimento Proximal; o “andaime” do conceito construtivista,
também chamado de progresso gradual ou scaffolding9.
PARA SABER
Desenho Universal para Aprendizagem - Lista de reprodução (6 vídeos) (Legendas em Inglês)
https://www.youtube.com/watch?v=hwPuJ4l_ukE&list=PLEVdYHEH5JvMbG5R32VRYtKJIRhWoui4g
DUA: Princípios e Práticas - Lista de reprodução (6 vídeos) (Legendas em Inglês)
https://www.youtube.com/watch?v=pGLTJw0GSxk&list=PLDD6870F2D42327F3
8 O cubo de Rubik com Braille é uma solução tecnicamente acessível porque um aluno com deficiência visual poderia usá-lo.
Trata-se de uma resposta para tornar acessível algo que não foi pensado numa lógica DUA. A imagem mais à direita será mais
inclusiva na medida em que se trata de uma versão acessível, simultaneamente, a utilizadores com deficiência visual, normo-
visuais e daltónicos.
9 A título de exemplo, Vygotsky dava relevo a um dos pontos-chave do curriculum do Desenho Universal para a Aprendizagem
– a importância do progresso gradual (uso dos andaimes com retirada gradual de apoios). Reconhecendo a sua utilidade para
o iniciante, podem ser eliminados gradualmente à medida que o aluno adquire habilidades. Aprender gradualmente é uma
prática que remonta aos primórdios da humanidade e se aplica a qualquer domínio de aprendizagem, desde aprender a andar
de bicicleta sem ajuda ou mesmo saber pilotar um avião.
33
EXPLORAR
Atividade 5 – Questões para reflexão
REFLETIR
(RE)CRIAR
A partir da análise do Anexo 7 – Exemplo de instrumento para
autorreflexão – Desenho Universal para a Aprendizagem do
Manual de Apoio à Prática - Para uma Educação Inclusiva (Pereira et al., 2018):
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de lista de propostas a implementar a partir da discussão em pequenos grupos
Se o objetivo geral do DUA é a conceção de ambientes planeados para que sejam inclusivos e favoráveis
à aprendizagem de todos, então, a única forma de este objetivo ser concretizável é conhecer o pro-
cesso através do qual esta ocorre (Al Hazmi & Ahmad, 2018; Edyburn, 2010; Alves, Ribeiro & Simões,
2013a; Alves, Ribeiro & Simões, 2013b; Nunes & Madureira, 2015; Rose, Gravel & Gordon, 2014). Partir
deste conhecimento para o planeamento pedagógico aumenta a probabilidade de as práticas serem
favoráveis ao maior número de alunos (mesmo sendo previsível e expectável a realização de diferencia-
ções pedagógicas em todos os contextos de aprendizagem). Para compreender o processo através do
qual a aprendizagem ocorre, é essencial conhecer o funcionamento do órgão que a opera – o cérebro.
34
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Será partindo do conhecimento das neurociências que se entenderão os princípios subjacentes à cons-
trução dos ambientes pedagógicos preconizados pelo DUA (Rose & Meyer, 2002) citado em Alves,
Ribeiro & Simões, 2013a).
PARA SABER
Como aprende o cérebro?
VÍDEO 6
O papel das ciências cognitivas na educação
https://www.youtube.com/watch?v=vEI0UbsDjlE&feature=emb_title
*Ativar legendas automáticas em português
VÍDEO 7
A relação entre as neurociências e o DUA
https://www.youtube.com/watch?v=hpAHFnSJWt8
35
A psicologia da educação histórico-cultural redefine o papel do equipamento biológico e da maturação
nos processos de aprendizagem da pessoa. Ao invés de situar a maturação fisiológica e a prontidão
neuropsíquica como elementos básicos ou pré-requisitos à aprendizagem, Luria (2006, p. 194) assegu-
ra que “os processos psicológicos surgem não no ‘interior’ da célula viva, mas nas suas relações com o
meio circundante, na fronteira entre o organismo e o mundo exterior”. Ou seja, o social “não apenas
‘interage’ com o biológico, ele é capaz de criar novos sistemas funcionais que engendram novas formas
superiores de atividade consciente” (ibidem).
No site do CAST (2022) é enfatizado que o cérebro organiza o seu desenvolvimento (aprendizagem)
fazendo uso de três blocos funcionais distintos, cujas redes neuronais se encontram envolvidas em três
funções principais (Figura 9). Não pretendemos, obviamente, substituir as leituras da especialidade,
mas trazer alguns contributos que poderão servir para revermos e, eventualmente, ampliarmos conhe-
cimentos que podem ser consequentes na nossa ação.
Fonte: https://udlguidelines.cast.org/
36
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
A rede afetiva relacionam-se com “o porquê” da aprendizagem, enfatizando como os aprendentes se
envolvem e permanecem motivados, como eles são desafiados, como se entusiasmam e se interessam
(Al Hazmi & Ahmad, 2018; Alves, Ribeiro & Simões, 2013a; Alves, Ribeiro & Simões, 2013b; Nunes &
Madureira, 2015; Santos, 2015; Meyer et al., 2014); refere-se ao princípio do envolvimento. Segundo
Nunes e Madureira (2015, p. 10), “na realidade, não há um meio de envolvimento e de motivação ideal
para todos os alunos em todos os contextos, por isso é essencial implementar múltiplas opções para
envolver e motivar os alunos na aprendizagem”.
Estas redes neuronais relacionam-se (e ativam-se) de forma muito direta com a qualidade da relação
entre os alunos e entre estes e os docentes (Alves et al., 2018). O modo como investimos na criação
de um clima da sala de aula positivo, seguro e acolhedor, apresenta uma relação direta com este bloco
(que será alvo de maior aprofundamento no Módulo 4 - A inclusão na sala de aula).
Práticas Pedagógicas
Fomentar a curiosidade
Treinar o princípio da dúvida
Aceitar o caos controlado
Planear e, in loco orientar a aula atendendo às curvas atencionais
Treinar a elaboração de perguntas
Permitir o “cochicho”, oportuna e controladamente
Promover o espanto face à realidade e aos objetos da aprendizagem
Treinar o estabelecimento de metas
Treinar o bem-estar, o humor, a leveza e a convivência positiva
Treinar o agir
As redes de reconhecimento apontam para “o quê” – o que é que se pode reconhecer e aprender: como
recolhemos factos e categorizamos o que vemos, ouvimos e lemos; como identificamos letras, palavras.
Todas estas ações referem-se ao princípio da representação em que se valoriza a flexibilidade na forma de
trabalhar os conteúdos, ou seja, na apresentação do mesmo conteúdo de maneiras diversificadas no que
tange aos princípios, às abordagens, aos recursos (Al Hazmi & Ahmad, 2018; Alves, Ribeiro & Simões, 2013a;
Alves, Ribeiro & Simões, 2013b; Nunes & Madureira, 2015; Santos, 2015; Meyer et al., 2014).
37
Práticas Pedagógicas
Diversificar modalidades de apresentação da informação
Diversificar modalidades de retenção da informação
Operacionalizar práticas de organização significativa do processo de aprendizagem
Reconhecer, identificar e saber responder a diferentes padrões de aprendizagem
Reconhecer, identificar e saber responder a diferentes estilos de ensino e de aprendizagem
Mobilizar formas de ensino multimodal
Desenvolvimento da análise e observação
Desenvolvimento da flexibilidade mental
Desenvolvimento do planeamento
Desenvolvimento de estratégias de esquecimento
Práticas Pedagógicas
Desenvolvimento do controlo e gestão emocional
Desenvolvimento da persistência e resiliência
Desenvolvimento do foco e atenção sustentada
Desenvolvimento da monitorização
Desenvolvimento do pensamento categorial e crítico
Desenvolvimento da cooperação
Desenvolvimento da análise e observação
Desenvolvimento da flexibilidade mental
Desenvolvimento do planeamento
Desenvolvimento de estratégias de esquecimento
…
Se estivermos atentos ao que nos causa curiosidade, talvez consigamos identificar diferentes tipos.
Analisemos o seguinte quadro:
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
39
A aprendizagem, enquanto processo ativo e promotor de competências (e não apenas reprodutivo),
está altamente dependente da organização orquestrada do trabalho simultâneo destas três redes neu-
ronais (Alves et al., 2018). Para atingir, o objetivo de construir um ambiente que favoreça o maior
número de alunos, no âmbito do DUA, é necessário conhecer como o cérebro aprende. O cérebro
aprende quando a atividade da criança e jovem vai integrando, paulatinamente, as três redes neu-
ronais responsáveis pelo processo de aprendizagem: quando recebe, organiza e armazena de forma
lógica e sustentável a informação que lhe chega do exterior (rede de reconhecimento); quando regula
o seu comportamento, quando o monitoriza e verifica, quando planeia a sua atividade, quando gere as
suas emoções (rede estratégica); quando se deixa envolver e se consegue envolver na aprendizagem,
quando persiste e resiste, quando questiona, quando pergunta (rede afetiva).
Figura 10. Cérebro original versus Cérebro “learn to be ready” (LTBR) (adaptado de Faria, 2020)
Sabemos que é a atividade da pessoa que estrutura o seu cérebro, mas que atividade é essa? Materia-
liza-se em quê? Sabemos que a mente se estrutura dentro das relações da pessoa com o mundo, mas
que relações são essas?
40
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
... SOBRE A MENTE
A mente não nos é dada, ela é adquirida, e esta aquisição está totalmente dependente dos outros.
PARA SABER
VÍDEO 8
O poder da mente
https://www.youtube.com/watch?v=Nu7wEr8AnHw&t=548sbe.com/watch?v=Nu7wEr8AnHw&t=548s
Ao longo da nossa vida, a estruturação da nossa mente acontece em associação com as relações que
estabelecemos com os outros, com os nossos diferentes cuidadores. A mente tem a forma ou da mente
de quem nos cuidou (Faria, 2020) e, ainda que com diferentes ênfases e protagonismos, as influências
chegam-lhe, tendencialmente, a partir de: pais (ou primeiros cuidadores); pares e docentes; parceiros;
quando e se necessário, psicólogos, pedopsiquiatras, terapeutas, entre outros.
Tudo o que a mente é capaz de realizar, que não tenha vindo na sua estrutura original (aparelho ce-
rebral inato), terá sido adquirido através da atividade do indivíduo, devidamente mediada ou, sim-
plesmente, resultante da interação com os outros, de forma a garantir a eficácia do processo. Neste
sentido, uma boa mediação garante que a atividade ocorreu da forma mais ajustada à eficácia.
41
É o agir da pessoa que reorganiza a forma como o cérebro se organiza. Mas, se ainda está em momen-
to de estruturar um conhecimento, uma capacidade, uma atitude, esse processo é ainda frágil e com
erros. O cérebro não o saberá fazer em total autonomia. Por isso, a atividade carece de mediação, algo
exterior ao aluno que suporta o processo através do qual ele realiza a sua atividade, por exemplo, o
docente, um objeto, uma situação, um par...
Ensinar para o cérebro aprender implica que o docente, assumindo o papel de facilitator da aprendiza-
gem, invista um esforço significativo em práticas pedagógicas, que:
EXPLORAR
Atividade 7 – Redes neuronais e acessibilidade REFLETIR
A acessibilidade preconizada pelo DUA só é possível mediante um
(RE)CRIAR
domínio considerável das três redes neuronais envolvidas
na aprendizagem. Tenham por base o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, no-
meadamente no que diz respeito à área de desenvolvimento pessoal e autonomia através do
processo de integração do pensamento, emoção e comportamento, na realização desta atividade.
https://dge.mec.pt/sites/default/files/Curriculo/Projeto_Autonomia_e_Flexibilidade/perfil_dos_alunos.pdf)
Pistas de dinamização:
42
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
EM DESTAQUE
Para uma aprendizagem baseada no funcionamento do cérebro (Boss, 2011; Caine et al., 2006,
citado por Alves, Ribeiro & Simões, 2013b):
a) criar um clima seguro para aprender - stress, ameaças, medo e ansiedade, muitas vezes
como resultado de momentos de avaliação, bloqueiam a aprendizagem. Devemos to-
mar medidas para que o ambiente da sala de aula se torne num habitat amigável;
c) fornecer feedback – com ele, conseguimos estimular a atitude questionadora dos alu-
nos, essencial numa aula curiosa. Mas é necessário fornecê-lo de forma que encoraje e
não desencoraje, para garantir um clima seguro de partilha;
e) começar cedo – destaca a importância das primeiras idades e de uma intervenção atem-
pada, quando necessário, salientando essencialmente o impacto da educação pré-escolar;
43
2.4. Princípios orientadores do Desenho Universal para a Aprendizagem
O DUA suporta-se num conjunto de orientações para tornar os ambientes de aprendizagem mais aces-
síveis a todos os alunos (Al Hazmi & Ahmad, 2018; Alves, Ribeiro & Simões, 2013a; Alves, Ribeiro &
Simões, 2013b; Alves et al., 2018; CAST, 2022; Nunes & Madureira, 2015; Meyer et al., 2014).
44
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
45
O objetivo da educação não é simplesmente auxiliar os alunos a dominar um determinado campo do
conhecimento ou um conjunto específico de competências, mas ajudá-los a dominar a aprendizagem
em si mesma. Ou seja, o objetivo de um currículo baseado no DUA é o desenvolvimento de aprenden-
tes avançados, algo em que todos se podem tornar (Sebastián-Heredero, 2020). Na perspetiva do DUA,
os aprendentes avançados apresentam três características principais:
a) aprendentes com recursos e conhecimentos e que usam os saberes prévios para aprender coisas
novas, ativando esse conhecimento para identificar, organizar, priorizar e assimilar novas informações;
reconhecem as ferramentas e os recursos que podem ajudá-los a encontrar, estruturar e lembrar novas
informações, sabendo transformar novas informações em conhecimento útil e significativo;
b) aprendentes estratégicos, focados nos objetivos, que criam planos de aprendizagem; idealizam es-
tratégias e táticas eficazes para aperfeiçoar as aprendizagens; organizam recursos e ferramentas para
facilitar a aprendizagem; monitorizam os seus progressos; reconhecem seus pontos fortes e fracos
como estudantes; abandonam planos e estratégias que são ineficazes;
c) aprendentes determinados, motivados e desejosos por aprender coisas novas, que anseiam o do-
mínio da aprendizagem orientada para atingir os seus objetivos; sabem como estabelecer metas de
aprendizagem que representem desafios; conseguem manter o esforço e a força necessários para atin-
gir as suas metas; podem regular e controlar as suas reações emocionais que seriam impedimentos ou
distrações para uma boa aprendizagem.
[N]A PRÁTICA
46
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
2.4.1. Práticas pedagógicas geradoras de múltiplos meios de envolvimento, de representação e de
ação e expressão
Como já foi referido, as linhas de orientação encontram-se organizadas de acordo com os três princí-
pios: (auto)envolvimento, apresentação (representação) e ação e expressão. Estes estruturam-se de
maneira diferente, dependendo do objetivo da apresentação, pois o conteúdo deve ser consistente.
Para fornecer mais detalhes, cada linha tem um conjunto de pontos para verificação (checkpoints),
numa hierarquia de detalhe apresentadas adiante.
Aconselha-se a que as linhas de orientação não sejam apenas aplicadas a uma parte do currículo ou
utilizadas apenas para uns quantos alunos. Poderão, sim, ser utilizadas de forma antecipada para con-
ceber, operacionalizar e avaliar as aprendizagens, de modo a criar um ambiente acessível de aprendi-
zagem para todos (CAST, 2022).
PRINCÍPIO 1.
Linhas orientadoras de práticas pedagógicas para apoiar a aprendizagem afetiva
- proporcionar múltiplos e flexíveis meios de (auto) envolvimento e interesse dos alunos -
Reconhecendo que os alunos diferem nos seus interesses e na forma como podem ser envolvidos e mo-
tivados para a aprendizagem, os docentes organizam o processo de ensino e aprendizagem equacio-
nando múltiplas opções para envolver e motivar os alunos (Al Hazmi & Ahmad, 2018; Alves et al., 2018;
Lohmann, Hovey & Gauvreau, 2018).
A afetividade representa um elemento crucial na aprendizagem e os alunos diferem nos modos como se
envolvem e motivam para aprenderem. Há uma diversidade de razões que podem influenciar o afeto e
influenciam um indivíduo na aprendizagem e que incluem aspetos neurológicos, culturais, de personali-
dade, de subjetividade, background de conhecimentos, assim como outros fatores.
Alguns alunos motivam-se por fatores de espontaneidade ou pela novidade, enquanto outros se mos-
tram desinteressados, desligados, indiferentes ou até assustados, preferindo não sair de determinada
rotina ou zona de conforto. Observamos alunos que preferem trabalhar sozinhos, enquanto outros prefe-
rem trabalhar com os seus pares. Na realidade, não existe uma única forma de envolvimento ótimo para
todos e para todos os contextos. É crucial que surjam múltiplas maneiras de envolver os alunos.
Em resumo, podemos considerar que o DUA proporciona uma flexibilidade nos modos como a informa-
ção é apresentada, como os alunos respondem ou demonstram os conhecimentos e competências e
também na forma como se motivam (CAST, 2022; Meyer et al., 2014).
47
EXPLORAR
Atividade 8 – Mapas mentais
REFLETIR
(RE)CRIAR
1. Este mapa mental pode ser utilizado na(s) sala(s) de aula(s)?
Como o adaptariam?
Figura 13. Princípio 1. Linhas orientadoras de práticas pedagógicas para apoiar a aprendizagem afetiva - proporcio-
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de lista de propostas a implementar a partir da discussão em pequenos grupos
48
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
PRINCÍPIO 2.
Linhas orientadoras de práticas pedagógicas para apoiar a aprendizagem de reconhecimento
- proporcionar múltiplos e flexíveis meios de representação -
Considerando que os alunos diferem no modo como apreendem a informação, não existe um meio
de representação ideal para todos os alunos. Cada turma é constituída por alunos que apresentam
características diversas, nomeadamente em termos de background cultural, de compreensão da infor-
mação, de formas privilegiadas para aceder e processar a informação (auditiva, visual, cinestésica), que
traduzem necessidades diferentes de acesso aos conteúdos. Assim, para tornar a informação acessível,
é essencial fornecer múltiplas opções relacionadas com a representação e apresentação da informação
(Al Hazmi & Ahmad, 2018; Alves et al., 2018; Lohmann, Hovey & Gauvreau, 2018).
A título de exemplo, os alunos com limitações sensoriais (cegueira ou surdez), dificuldades de aprendi-
zagem (dislexia), com língua materna ou background cultural diferentes, têm necessidades diferentes
de acesso aos conteúdos disciplinares. Outros poderão apreender a informação de forma mais rápida
e eficaz através de formatos visuais ou auditivos do que em formato de texto. De igual modo, a trans-
ferência do conhecimento ocorre quando se utilizam modos múltiplos de apresentação, porque permi-
tem que os alunos estabeleçam as relações com e entre conceitos.
PRINCÍPIO 3.
49
EXPLORAR
Atividade 9 – Mapas mentais
REFLETIR
(RE)CRIAR
1. Este mapa mental pode ser utilizado na(s)
sala(s) de aula(s)? Como o adaptariam?
Figura 14. Princípio 2 - Linhas orientadoras de práticas pedagógicas para apoiar a aprendizagem de reconhecimento
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de lista de propostas a implementar a partir da discussão em pequenos grupos
50
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
PRINCÍPIO 3.
Linhas orientadoras de práticas pedagógicas para apoiar a aprendizagem estratégica
- proporcionar múltiplos meios de ação e de expressão -
Este princípio pressupõe que os alunos diferem no modo como podem participar nas situações de apren-
dizagem e expressar o que aprenderam. Por exemplo, a realização de atividades de escrita manual para
alguns alunos que apresentem limitações motoras pode constituir uma barreira à sua participação e
aprendizagem. Outros alunos que revelem dificuldades de organização necessitarão de diferentes supor-
tes à aprendizagem. Assim, é necessário que o docente possibilite a utilização de processos e meios di-
versificados que permitam a participação dos alunos nas situações de aprendizagem, bem como a mani-
festação das competências aprendidas. Neste contexto, o processo de avaliação deve ser coerente, quer
com o modo como cada um se envolve na aprendizagem, quer com a forma como revela o que aprendeu
(Al Hazmi & Ahmad, 2018; Alves et al., 2018; Lohmann, Hovey & Gauvreau, 2018).
Os alunos diferem nos modos como se orientam no ambiente de aprendizagem e como expressam o
que sabem. Por exemplo, indivíduos com limitações motoras (paralisia cerebral), os que se debatem
com dificuldades de organização e estratégia (deficiência funcional de execução), os que não têm o
domínio da língua desempenham de modo diverso as tarefas. Alguns poderão expressar-se bem atra-
vés da escrita e não da fala, e vice-versa. Tem de se reconhecer que a ação e a expressão requerem
capacidade de estratégia, prática e organização, área em que cada um é diferente.
A biologia humana e a saúde são temas nucleares no currículo das Ciências Naturais no ensino básico.
O projeto “Biologia Humana Inclusiva”, do curso de Educação Básica da Escola Superior de Educação do
Instituto Politécnico de Santarém, visa que os estudantes (futuros educadores de infância ou professo-
res do ensino básico), num contexto de formação inicial de professores, criem modelos anatómicos de
órgãos do corpo humano, com diferentes materiais. O objetivo é que esses modelos possam ser usados
por alunos com cegueira ou baixa visão para a aprendizagem da anatomia humana.
[N]A PRÁTICA
51
EXPLORAR
Atividade 10 – Mapas mentais REFLETIR
(RE)CRIAR
1. Este mapa mental pode ser utilizado na(s)
sala(s) de aula(s)? Como o adaptariam?
Figura 15.Princípio 3. Linhas orientadoras de práticas pedagógicas para apoiar a aprendizagem estratégica - propor-
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de lista de propostas a implementar a partir da discussão em pequenos grupos
52
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Este vídeo mostra-nos uma sala de aula e o envolvimento dos alunos com vários materiais, a apren-
derem em grupo.
VÍDEO 9
Design Universal para a Aprendizagem - Princípios e Práticas
https://www.youtube.com/watch?v=ejY9Eeyy60Q
[N]A PRÁTICA
Simplificando...
As aulas atualmente podem ser mais diversificadas, flexíveis e heterogéneas. Os docentes devem pla-
nificar, previamente, para acomodar/adequar/adaptar as necessidades de cada aluno. O DUA é uma
estrutura que usa uma variedade de métodos de ensino para eliminar barreiras e aumentar o acesso à
aprendizagem e oferece a todos os alunos - incluindo, mas não se limitando a alunos com deficiência -
oportunidades iguais de aprender e ter sucesso.
“Tenho uma menina especial, com imensas dificuldades, que anda o ano inteiro à espera do ca-
lendário de natal, segundo a mãe! Para ela tenho enunciados mais simples por baixo das imagens.
Combinei com a mãe fazer, a partir de agora, um para todos os meses, já que ela gosta tanto disto!”
https://app.tuerchen.com/RlA4a5KBJx5YPjQI
53
EXPLORAR
REFLETIR
Atividade 11 - Os alunos sabem por que é que vão aprender (RE)CRIAR
1. Partam das vossas práticas e identifiquem o que já fazem e o que não fazem.
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de lista de práticas
O DUA permite pensar os sistemas de forma dinâmica, considerando o aluno, o ambiente, os recursos
e a tarefa ao planificar e implementar as atividades.
54
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
2.5. Aportes teóricos da psicologia da educação inspiradores de um ensino multimodal
Atualmente, e cada vez mais, a diversidade é a norma nas escolas do século XXI (Figura 17). A compreensão
dessa diversidade em muito se enriquece através de diferentes ângulos e perspetivas de análise (Faria, 2020).
Cada aluno é único, resultado de uma combinação genética única, ritmos individuais de maturação,
experiências de vida pessoais, habilidades e capacidades singulares e, ainda, estilos de aprendizagem e
de processamento de informação próprios. Necessita, por isso, de uma educação que respeite e com-
preenda a sua individualidade e lhe permita alcançar o seu máximo potencial.
Para asseguramos uma resposta educativa inclusiva, de qualidade, eficiente e integral à diversidade, é im-
prescindível a utilização de uma abordagem metodológica flexível, personalizada. Na essência do DUA en-
contramos, precisamente, essa flexibilidade. Só dessa forma se conseguem diminuir as barreiras que obsta-
culizam o acesso dos alunos à aprendizagem, proporcionando uma resposta às necessidades de todos e de
cada um individualmente, cujo enfoque seja no limite do potencial de cada um e não nas suas limitações.
Não se procura uma adaptação do conteúdo curricular, mas sim a sua flexibilização, orientando o de-
senho de currículos diferenciados e flexíveis, alinhados com as três redes neuronais envolvidas nos
processos de ensino e de aprendizagem (Alves et al., 2018).
55
Deste modo, preconizamos:
VÍDEO 10
Estruturas para a prática inclusiva
https://www.youtube.com/watch?v=zCdbMZhl12U
56
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Se as necessidades, interesses, expectativas, estilos de aprendizagem dos alu-
nos são múltiplas, terão, igualmente, que ser diversas as respostas em termos
de abordagem e estratégias do docente e da escola. A este propósito vejam-se
dois testemunhos que remetem para questões relacionadas com necessidades
dos alunos e as respostas encontradas pela escola:
Testemunho 1
Uma professora de uma das minhas filhas, a que tem 11 anos, disse-lhe para ela
ir para fora da sala pois estava muito agitada e estava a perturbar a aula.
Fiquei enfurecida.
Mas, antes de falar com a professora, perguntei à minha filha como ela se sentiu.
Ela respondeu que não gostou da forma como a professora falou, mas adorou ir
lá para fora porque o seu corpo precisava de fazer rodas e pinos.
Quando uma criança se senta, o corpo dela entra em contagem decrescente:
5, 4, 3, 2, 1 e logo tem uma vontade visceral de mexer o seu corpo, virar-se ao
contrário, levantar-se, saltar, correr, espreguiçar-se.
Não. Uma criança que mexe o seu corpo constantemente não tem nenhum pro-
blema de hiperatividade.
Talvez esteja apenas demasiado tempo em efeito de panela de pressão, acumu-
lando energia que deveria sair naturalmente.
As escolas, os professores, os pais esquecem-se que temos mais de 300 articula-
ções e mais de 700 músculos que servem para nos movimentarmos fluidamente
em todas as direções.
Esquecem-se do básico:
O corpo de uma criança precisa de constante movimento com pequenos perío-
dos de pausa.
E o que lhe damos na escola?
Longos períodos de pausa com curtíssimos momentos de movimento
É claro que existe um problema.
Mas não é na criança.
[N]A PRÁTICA
57
Testemunho 2
A escola onde tenho os meus filhos, para além da componente de música do currículo oficial, oferece a pos-
sibilidade de, após o período das aulas, os alunos que querem se inscreverem numa Academia de Música.
Esta inscrição é paga, assim como as aulas de instrumento, e professores externos vão à escola dar aulas de
canto, piano, guitarra, violino, saxofone, flauta transversal, bateria, etc. Independentemente de estarem ins-
critos nas aulas de instrumento, todos os alunos do primeiro ciclo fazem parte de uma Orquestra de Bombos.
Têm ensaios semanais com o professor de música da escola nos quais extravasam energia e alegria a bater
em tambores de todos os tamanhos. Fazem várias atuações coletivas anuais, nos momentos festivos da esco-
la, festas de Natal, fim de ano, dia aberto, Dia da Família, etc. Atuam, ainda, com os alunos da Academia de
música em um ou dois recitais anuais que costumam acontecer fora da escola, num auditório municipal que
enche com todos os familiares e amigos que são convidados pelas crianças. No último dia aberto da Escola,
as famílias foram convidadas para um concerto na escola e tiveram também uma aula e oportunidade de
experimentarem os bombos. As crianças adoram; é, sem dúvida, uma boa iniciativa da escola!
Ainda a propósito destes relatos de encarregados de educação, aconselhamos o visionamento do vídeo abai-
xo, que consideramos inspirador sobre momentos em que o olhar atento de um docente às nossas singulari-
dades e potencialidades pode ser decisivo na nossa motivação, no nosso sucesso educativo e na nossa vida:
VÍDEO 11
Seja um Senhor Jensen
https://www.youtube.com/watch?v=4p5286T_kn0
Este vídeo (em língua inglesa, mas com possibilidade de tradução automática), apresenta-nos o testemunho
na primeira pessoa de alguém que, aos 10 anos, se cruzou com um professor que viu nele o que mais ne-
nhum outro viu, tendo conseguido alterar o seu percurso escolar de forma inspiradora.
[N]A PRÁTICA
58
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
À semelhança do nosso próprio processo de construção do conhecimento, também a produção de saber
científico passa por um processo evolutivo de amadurecimento no seio das áreas de saber de confluência, já
consolidadas ou em emergência. Nesse processo, tem-se verificado que um número significativo de teorias
que foram sendo apresentadas, têm sido, são e poderão vir a ser, objeto de análise, escrutínio, crítica ou re-
futação. Tem sido esse o caso com algumas teorias no âmbito da psicologia da educação, com defensores e
opositores, com argumentos igualmente consistentes em ambos os lados. Não obstante, procurámos neste
capítulo fornecer elementos-síntese sobre algumas teorias que podem ajudar os docentes e formadores,
embora reconhecendo que, certamente, já têm conhecimento e acesso a informação sobre as mesmas. Pre-
tendemos, tão-só, disponibilizar uma síntese.
É neste contexto que merece a pena revisitar algumas teorias que abordam as diferentes formas de
processamento da informação, contribuindo para uma maior inspiração para as nossas práticas peda-
gógicas, possibilitando um ensino multimodal, pretendendo-se a criação de “abordagens diversifica-
das e flexíveis de apresentação e expressão da informação, dado que uma abordagem única cria, for-
çosamente, barreiras no acesso ao currículo” (Alves et al., 2018, p. VII). Salientamos que fornecemos
alguns elementos-síntese sobre teorias da psicologia da educação, que podem ajudar os docentes e
formadores, embora reconhecendo que, certamente, já têm conhecimento e acesso a informação so-
bre esta temática. Pretendemos, tão-só, disponibilizar uma síntese.
Gostaríamos, ainda, de ressalvar que as questões das inteligências múltiplas e dos estilos de aprendi-
zagem têm sido alvo de alguma polémica na comunidade científica, mas é assim que o próprio conhe-
cimento evolui. Em qualquer teoria que se sujeite a críticas ou refutação, conseguimos encontrar argu-
mentos dos dois lados. Nesse sentido, estamos cientes da diversidade de estudos que se contradizem.
É verdade que um dos exemplos de neuromito citado na literatura defende que a aprendizagem pode
ser melhorada se os alunos forem classificados de acordo com seu estilo de aprendizagem preferido.
Não obstante, essa crença baseia-se em evidências científicas válidas, nomeadamente de que informa-
ções visuais, auditivas e cinestésicas são, efetivamente, processadas em diferentes partes do cérebro.
Sabemos, igualmente, que essas estruturas no cérebro são altamente interconectadas e que existe
uma profunda ativação cross-modal e transferência de informações entre as modalidades sensoriais.
Deste modo, poderá não ser muito correto supor que apenas uma modalidade sensorial se encontra
envolvida no processamento da informação. Embora os indivíduos possam ter preferências pela moda-
lidade pela qual recebem informações [motivo pelo qual se apresentaram neste e-book estas diferen-
tes teorias], o debate científico situa-se ao nível do facto das crianças e jovens processarem, ou não, as
informações de maneira mais eficaz quando são educadas de acordo com seu estilo de aprendizagem
preferido. Mas uma evidência é inegável: os alunos têm preferências sobre como gostam de aprender
e existem evidências de que o uso de diferentes recursos com diferentes modalidades (seja ao nível
das redes de reconhecimento, seja ao nível das de ação e expressão), pode funcionar, não porque se
conforme aos seus diferentes estilos de aprendizagem, mas porque mantém efetivamente os alunos
59
envolvidos (ao nível das redes afetivas). E é isso que se pretende no DUA: para conseguirmos tornar o
ensino multimodal, principalmente no que se refere às redes estratégicas e de reconhecimento, preci-
samos de diversificar. Portanto, o nosso propósito, neste e-book, não se destina a validar a existência
dos estilos de aprendizagem preferenciais e procurar comprovação científica, mas tão somente des-
pertar para os seus possíveis contributos, no sentido de nos podermos inspirar relativamente às nossas
práticas multimodais de ação e representação e de expressão.
O reconhecimento destas inteligências justifica processos de ensino mais individualizados, que ajudem o aluno
a compreender os conteúdos nos quais têm mais dificuldade, a partir da sua inteligência mais desenvolvida.
Vejamos com maior detalhe as características de cada uma das inteligências propostas, assim como
alguns indicadores ou comportamentos que nos podem ajudar a identificá-las nos nossos alunos. Atra-
vés das práticas pedagógicas sugeridas para cada inteligência, encontramos ao nosso dispor uma va-
riedade de possibilidades que facilitam a conceção de métodos múltiplos e flexíveis de apresentação
dos conteúdos, de ação e de expressão e de envolvimento, em consonância com os princípios do DUA
(Quadro 5). É igualmente importante olharmos para esta teoria com o pressuposto de que o cérebro
funciona em rede, sendo, por isso, possível e desejável concebermos atividades que consigam conjugar
e mobilizar mais do que um tipo de inteligência.
60
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
TIPO DE
CARACTERÍSTICAS COMO RECONHECER? PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
INTELIGÊNCIA
Capacidade para gerir e estrutu- Gostam muito de ler e, embora te- • Apresentação oral e escrita de
rar os significados, bem como as nham as suas preferências por de- trabalhos ou temas
funções das palavras e da lingua- terminados assuntos, preferem ler • Resolução de jogos de palavras
gem; melhores capacidades de qualquer coisa a não ler nada. São • Participação em palestras
escrita e oralidade; gosto pela usualmente alunos que conversam • Elaboração de diários ou artigos
leitura, pelas rimas e jogos com animadamente, discutem, leem, de jornal
palavras; gosto em ouvir apre- recitam versos, lengalengas, jogos • Criação de um noticiário para a
Verbal- sentações orais; habilidade para de palavras ou outras brincadeiras rádio ou televisão
-Linguística aprender línguas, tendo como verbais. • Participação oral espontânea
sistema simbólico e de expres- • Conceção de materiais publici-
são a linguagem fonética. tários
• Participação ou dinamização de
debates
• Criação de podcasts
• Apresentação expositiva de
conteúdos
• ...
Capacidade para compreender Gostam de arte, de pintar e de de- • Elaboração de mapas de con-
com precisão o mundo visual e senhar e apreciar desenhos, mesmo ceitos
espacial (leitura fácil de mapas, que não se considerem bons dese- • Construção de fluxogramas
diagramas e esquemas gráficos); nhadores. São frequentemente alu- • Elaboração de modelos tridi-
para reconhecer e manipular os nos que adoram história e geografia mensionais
padrões de um espaço amplo e viajam pelo tempo, contando coi- • Participação em ensaios foto-
Visuo- assim como de áreas restritas; sas que veem ou leem sobre outros gráficos
-espacial efetuar transformações nas per- tempos e outros lugares. • Utilização da pintura, colagem e
ceções iniciais dos objetos, ela- outras artes visuais
borar representações mentais • Resolução de labirintos e que-
de objetos complexos. Inerentes bra-cabeças visuais
a este tipo de atividade estão o • ...
sistema simbólico e a linguagem
ideográfica.
Engloba competências na reali- São pessoas que apreciam muito ou- • Criação de melodias
zação, composição e apreciação vir música e danças, mesmo que não • Associar melodias antigas a con-
de formas musicais, bem como saibam fazê-lo. Tendem a ser alunos ceitos
a habilidade para discriminar, que vivem a assobiar ou a cantaro- • Criação de canções ou poesias
transformar e expressar padrões lar e, quando podem, fazem de uma associadas ao conteúdo
Musical musicais, assim como a sensi- mesa ou caixa de fósforos um instru- • Memorização ou criação de
bilidade ao ritmo, ao tom e ao mento para “produzir” sons. mnemónicas musicais
timbre. • Utilização de música de fundo
• ...
61
Capacidade para aceder aos pró- São pessoas tendencialmente tole- • Elaboração de uma agenda re-
prios sentimentos e distinguir as rantes relativamente às suas limita- flexiva
emoções íntimas; metacognição; ções e que possuem uma autoesti- • Manutenção de um diário
forte sentido de independência ma satisfatória. Podem ser alunos • Escrita de ensaios sobre figuras
e vontade; perceção realista das que prefiram ficar na sala de aula, históricas ou literárias
Intrapessoal suas capacidades e debilidades; mas a solidão não os entristece nem • Redação de editoriais
comodidade em trabalhar sozi- incomoda, gostam de fazer diários, • Redação de esboços autobio-
nhos. ouvir outras pessoas, passear sozi- gráficos
nhos observando o mundo que se • ...
agita ao seu redor.
Capacidade para compreender São pessoas que tendencialmente • Resolução de problemas com os
intenções, motivações e desejos pensam nos outros e, quando al- colegas
de outras pessoas e, consequen- guém muito próximo se encontra • Envolvimento como tutores ou
temente, lidar com os outros com um problema, são capazes de mentores dos colegas
de forma adequada e eficaz. A se preocupar mais do que a pessoa • Participação em atividades de
sua presença é apreciada pe- diretamente envolvida. São alunos aprendizagem cooperativa
los seus companheiros, atuam que raramente estão sozinhos, gos- • Realização de entrevistas
Interpessoal como líderes espontaneamente; tam de orientar colegas e, mesmo • Desempenho de funções de li-
aconselham os colegas quanto à quando não solicitados, dão conse- derança
resolução de problemas. lhos, propõem ajuda e sugerem so- • Criação e participação em clu-
luções para problemas pessoais. bes académicos
• Mediação de conflitos
• Envolvimento na comunidade
• ...
Capacidade para compreender São pessoas que adoram receber e • Participação em atividades de
e desenvolver experiências com dar flores e sentem que um dos seus jardinagem
o mundo natural, através da ob- lazeres preferidos é passear pelo • Elaboração e preenchimento de
servação, planeamento e testa- campo, ouvir a música dos pássaros grelhas de observação
gem de hipóteses relativas aos e sentir a brisa no rosto. Tendem • Observações de fenómenos na-
fenómenos naturais; perícia no a ser alunos que, quando podem, turais
Naturalista reconhecimento e classificação procuram lugares abertos, falam de • Conceção de percursos/cami-
das espécies do meio ambiente. plantas e da natureza, aderem a pro- nhadas ao ar livre
jetos ecológicos, gostam de ciências • Elaboração de uma estação me-
naturais e convidam amigos para teorológica na sala de aula
campanhas ambientais ou campis- • Participação ou elaboração de
mo nos fins de semana ou nas férias. atividades de classificação
• ...
A partir da Teoria das Inteligências Múltiplas, tomamos consciência de que os alunos (e todos nós)
aprendemos de forma diferente, mas, em simultâneo, ficamos mais cientes de que a escola tende
a privilegiar o desenvolvimento das inteligências lógico-matemática e linguística, em detrimento das
restantes. Se olharmos para a diversidade de ações em que podemos ser melhores, conseguimos en-
contrar formas alternativas de ensinar e de aprender.
Tendo por base estas diferentes inteligências e respetivas características, podemos conceber estraté-
gias multimodais para apresentar de forma diferenciada os diversos conteúdos académicos.
62
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
EM DESTAQUE
Observemos um exemplo prático de planificação de um conteúdo, tendo por base a Teoria das Inte-
ligências Múltiplas:
63
De modo semelhante à apresentação multimodal de conteúdos, mas colocando o enfoque na avalia-
ção das aprendizagens, também se podem conceber múltiplas formas de expressão, “assentes numa
amplitude multidimensional e numa diversidade de instrumentos de recolha de evidências relacio-
nadas com as diversas formas de os alunos demonstrarem o que sabem, portanto, num conjunto de
produtos de aprendizagem” também eles diversificados (Alves et al., 2018, p.XVII).
Identifique as inteligências mais e menos representadas na sua sala de aula. Consegue identifi-
cá-las nos seus alunos?
2. Equipas “multimodais”
Escolham um conteúdo para ser apresentado através de diferentes modalidades.
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de lista de propostas a implementar a partir da discussão em pequenos grupos
64
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
PARA SABER
Vídeos:
O presente vídeo (em língua espanhola), apresenta-nos uma entrevista a Howard Gardner, no
âmbito da cerimónia de entrega do Prémio Príncipe de Asturias em Ciências Sociais, que decor-
reu em Avilés, em 2011. Os aspetos-chave debatidos neste vídeo remetem para as questões da
diversidade, das características individuais, das distintas capacidades cognitivas e da educação
personalizada.
VÍDEO 12
Das inteligências múltiplas à educação personalizada
https://www.youtube.com/watch?v=DUJL1V0ki38
O vídeo seguinte (também em língua espanhola, mas com possibilidade de tradução automáti-
ca), apresenta-nos um conjunto de 56 atividades para potenciar o nível de desenvolvimento de
cada uma das oito inteligências, concebidas como a “linguagem que facilita o nosso relaciona-
mento e comunicação com o mundo”.
VÍDEO 13
Inteligências múltiplas (56 atividades para desenvolver
https://www.youtube.com/watch?v=hLr0U4EGxQs&t=8s&ab_channel=Reddetalleresintegralesmultidisciplinarios
65
Estilos de aprendizagem
À semelhança da Teoria das Inteligências Múltiplas, também a compreensão dos diferentes estilos de
aprendizagem possibilita aos docentes uma planificação mais flexível e diversificada de todo o proces-
so de ensino e de aprendizagem no sentido do DUA.
Entende-se por estilos de aprendizagem o conjunto de traços cognitivos, afetivos e fisiológicos que
refletem a forma pessoal como os alunos processam a informação, os sentimentos e comportamentos
em situações de aprendizagem. Referem-se a preferências e tendências individualizadas, duradouras,
que assumem maior predominância na forma como cada aluno aprende e que se referem à forma de
se apropriarem da informação, de a processarem e de construírem novos conhecimentos.
VÍDEO 14
Na sala de aula
https://www.youtube.com/watch?v=EPeQEDStmYU
Podemos identificar diferentes modelos que nos apresentam diversas formas de identificação e ca-
racterização dos estilos de aprendizagem dos indivíduos; entre os mais referenciados, encontram-se:
o modelo de Kolb, o modelo de Felder e Soloman, o modelo de Fleming e Mills, o modelo VARK e o
modelo de padrões de aprendizagem LCI (Learn Connections Inventory). Seguidamente, apresentamos
uma sinopse de cada um.
66
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Modelo de Kolb
Para uma melhor organização dos diferentes estilos de aprendizagem, Kolb (1984) apresenta-nos um
modelo de aprendizagem dependente de quatro habilidades: experiência concreta, observação refle-
xiva, experimentação abstrata e experimentação ativa.
67
Kolb caracteriza, ainda, quatro estilos de aprendizagem (Quadro 7), que reforçam a necessidade de
continuarmos a enfatizar a diversidade, equidade e inclusão:
O estilo divergente (reflexivos) implica a conjugação da experiência concreta Para estes alunos, a melhor forma de
e da observação reflexiva. Caracteriza-se pelo estudo, observação, reflexão e aprendizagem ocorre através da ob-
análise, sendo o ponto forte a imaginação. São pessoas que gostam de obser- servação e organização, com tarefas
var uma experiência de diferentes perspetivas, reunindo dados com detalhe, bastante claras e prazos bem estabele-
analisando-os, pensando em alternativas antes de decidir e agir. Tendem a ser cidos.
observadores, pacientes, ponderados e prudentes antes de realizar algo.
O estilo assimilador (teóricos) implica a conjugação da conceptualização abs- Para estes alunos, a melhor forma de
trata e da observação reflexiva. Caracteriza-se, essencialmente, pela procura aprendizagem é através da exploração
de soluções lógicas, racionais e objetivas e pela utilização de um pensamento de tarefas complexas, que exijam reso-
indutivo. São pessoas que tendem a desempenhar as suas tarefas de forma luções metódicas e sistemáticas.
metódica e estruturada, estabelecendo princípios e modelos coerentes e ma-
nifestando dificuldades em atividades de natureza subjetiva ou ambígua. São
tendencialmente disciplinados, perfecionistas, sintéticos e organizados.
O estilo convergente (pragmáticos) implica a conjugação da conceptualização Para estes alunos, a melhor forma de
abstrata e da experimentação ativa. Caracteriza-se por colocar em prática ideias, aprendizagem é através de tarefas prá-
pela experimentação e por um pensamento hipotético-dedutivo. Os pragmáti- ticas e da associação de conteúdos a
cos são pessoas práticas e realistas, que atuam com rapidez e aplicam na prática situações reais.
ideias tangíveis. Tendem a ser experimentadores, diretos, decididos, organiza-
dos e impacientes quando se encontram perante pessoas que teorizam.
Sensorial/Intuitiva, que se refere à forma como a informação é percecionada (o tipo de informação que
recebemos é intuitiva ou sensorial? Apreciamos mais dados e experimentação, ou teorias e conceitos?);
Visual/Verbal, que indica o modo de retenção da informação (assimilamos mais o que vemos ou o
que ouvimos ou lemos?);
Ativo/Reflexivo, que revela a maneira de processar a informação (somos mais ativos e experimenta-
dores ou mais reflexivos e observadores?);
Sequencial/Global, que apresenta a forma de organização da informação (somos mais holísticos ou
preferimos organizar a informação de forma linear, passo a passo?).
68
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo - Registo individual e posterior partilha em
pequenos grupos
69
Modelo VARK
Entre as várias propostas que fazem um inventário dos Estilos de Aprendizagem, caracterizados por
comportamentos cognitivos, afetivos e psicológicos, e indicam como os aprendentes percebem, inte-
ragem e respondem ao ambiente de aprendizagem pode apontar-se o modelo VARK (Visual, Auditory,
Read, Kinesthetic), desenvolvido por Neil Fleming (Fleming & Mills, 1992). Estes autores propõem uma
classificação das preferências de aprendizagem das pessoas, inspirada nos três sistemas de represen-
tação da programação neurolinguística: visual, auditivo e cinestésico (Figura 23).
Figura 23. Três sistemas de representação: visual, auditivo e cinestésico (Programação neurolinguística)
De acordo com este modelo, podemos identificar estes 4 diferentes estilos de aprendizagem: Visual (V),
Auditivo (A), Leitor/Escritor (R) e Cinestésico (K) (Figura 24). Estes quatro estilos permitem uma aborda-
gem de diferentes estratégias de apropriação e organização da informação, assim como de estudo.
70
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Visual
Alunos que apresentam uma predominância deste estilo assimilam melhor os conteúdos que são apre-
sentados visualmente (através de infográficos, mapas, diagramas, tabelas, esquemas visuais de uma for-
ma geral), tendendo a prestar mais atenção ao que está a ser escrito no quadro ou ao livro do que ao que
o professor diz. É vantajoso anotarem alguns esquemas visuais para estruturarem as suas ideias ou du-
rante os períodos de exposição teórica, para recorrer aos mesmos mais tarde, em momentos de estudo.
Auditivo
As pessoas que apresentam uma predominância deste estilo tendem a reter melhor os conteúdos que
escutam, principalmente se houver variações no tom de voz do interlocutor. Tratando-se de alunos, be-
neficiam das explicações dadas pelos docentes, apreendendo melhor os conteúdos através da leitura
em voz alta, palestras, conversas, vídeos, podcasts e discussões. Em momentos de estudo individual,
uma boa estratégia passa pela criação de resumos e sua gravação num telemóvel, para posteriormente
ouvir, porque aprendem igualmente com o som da sua própria voz.
Leitor/Escritor
Os alunos que aprendem preferencialmente através da leitura e da escrita têm mais facilidade em
aprender lendo e registando os conteúdos, através da escrita. Por esse motivo, costumam copiar o
que o professor escreve no quadro e tirar apontamentos do que é explicado de forma oral. Os livros,
artigos, powerpoints, a internet, revistas, dicionários assumem-se como instrumentos facilitadores.
Cinestésico
Alunos com este estilo predominante têm mais facilidade de aprender com estímulos que envolvam
movimento corporal. Têm dificuldade em permanecer quietos, sendo frequente alguma irrequietude
na cadeira, manipulação dos materiais escolares ou rabiscos no caderno. Manifestam uma clara
preferência por aulas práticas, nas quais possam utilizar diferentes recursos, e aprendem melhor atra-
vés de experiências ou demonstrações em que se consigam relacionar fisicamente com os conteúdos
que estão a ser ensinados.
Podemos ter uma ou duas destas preferências como dominantes ou podemos ter múltiplas preferên-
cias, sendo que, neste caso, temos um estilo Multimodal (pessoas que não têm nenhuma preferência
forte em especial, que se estima cerca de 50 a 70% da população). Uma vez mais, olhando para estas
diferentes preferências, podemos conceber não só uma multiplicidade de formas de apresentação dos
conteúdos como estar atentos às diferentes formas de nos apropriarmos dos mesmos (Figura 25).
71
Figura 25. Como aprender com diferentes estilos
Abordar a temática dos Estilos de Aprendizagem não é uma tarefa simples, dada a diversidade do corpo
teórico relacionado. A literatura a este respeito tem vindo a constituir-se ao longo do tempo e diferen-
tes autores avançam tipologias de estilos de aprendizagem, interpretando formas individualizadas de
aprender do ser humano. Estilo de Aprendizagem, neste contexto, constituirá o método mais apropria-
do, utilizado por uma pessoa para adquirir conhecimento.
Na prática, o docente ao conhecer o estilo de aprendizagem dos alunos poderá desenvolver e utilizar
metodologias e técnicas de ensino que possam ser mais diversificadas, motivadoras e significativas no
que diz respeito à eficácia, e, assim, gerar melhores resultados, indo ao encontro dos princípios do DUA.
Segundo a proposta destes autores, os perfis dos alunos são detetados por meio de questionários
pré-estabelecidos, facto que tem levado ao surgimento de críticas, pois a resposta aos questionários
exige níveis cognitivos e de autoconhecimento consideráveis. Não obstante, podem ser um instrumen-
to interessante a explorar.
PARA SABER
QUESTIONÁRIO VARK
https://vark-learn.com/questionario-vark-2/
(versão traduzida pelo Professor Luís Valente, Assistente no Instituto de Educa-
72
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Este vídeo (em língua inglesa, mas com possibilidade de tradução automática) apresenta
um conjunto de trechos de uma entrevista a Daniel Pennac, onde mobiliza recordações de
infância, da escolaridade, e do papel e influência dos docentes no processo de ensino e de
aprendizagem e no desenvolvimento das crianças e jovens.
VÍDEO 15
Testemunho de Daniel Pennac
https://www.youtube.com/watch?v=RMH2snBmkaA&ab_channel=anamargaridarosemberg
Este modelo conjuga padrões de cognição (inteligência, aptidão, experiências, níveis de abstração), de
intencionalidade (ritmo, autonomia, competências naturais) e, ainda, afetivos (sentido de identidade,
valores e gama de emocional) (Faria 2020). Apresenta-nos, então, quatro tipos: sequencial, técnico,
preciso e confluente (Quadro 8).
Pesquisa, faz muitas perguntas, quer saber sempre mais. Contesta ideias e toma notas, escreve muito
Preciso e fala muito. Procura estar correto e validar isso mesmo. Gosta do detalhe e, na ausência dele, pode
perder-se e bloquear. Dificuldade em ver o todo.
Procura a relevância concreta e útil das coisas; sem a encontrar, dificilmente se mobiliza. É pouco
teórico e utópico. Põe mãos à obra. Só gosta da informação absolutamente imprescindível, nada de
Técnico
extras, até porque selecionar o extra do essencial pode ser-lhe difícil. Gosta de saber como as coisas
funcionam, gosta de fazer sozinho; os outros, às vezes, atrapalham.
Lê como ninguém nas entrelinhas, é intuitivo. Pensa fora da caixa, faz ligações que, às vezes, os outros
Confluente não fazem. Corre riscos, sente-se confortável com a falha. Não gosta de rigidez nem regras sem sentido
e imutáveis. Gosta de desafios, repetição pode ser cansativa.
73
Atividade 14 - Observação “Learning Connections Inventory”
EXPLORAR
REFLETIR
1. Analisem a grelha de observação “Learning Connections Inventory” (RE)CRIAR
(Apêndice A) e preencham-na colocando-se no lugar de aluno,
numa oportunidade de melhor conhecerem os vossos próprios padrões de aprendizagem.
2. Equacionem a possibilidade de, pelo menos numa turma, aplicar a grelha de observação “Lear-
ning Connections Inventory” (Apêndice A) e debater, com os alunos, os resultados. Que ganhos
vislumbrariam?
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de lista de propostas a implementar a partir da discussão em pequenos grupos
Para além dos estilos de aprendizagem, existem outras ferramentas que nos podem ajudar a tornar
as nossas práticas mais diferenciadas, flexíveis e eficientes, permitindo-nos estar mais atentos a dife-
rentes dimensões dos nossos alunos. Algumas destas ferramentas aparecem numa lógica piramidal,
pressupondo a existência de diferentes níveis que se organizam de forma hierárquica. Não obstante,
estando cada vez mais cientes da nossa enorme diversidade enquanto seres aprendentes, sugerimos
um olhar dinâmico sobre as mesmas, aberto à possibilidade de se poderem estabelecer diferentes
percursos “piramidais”.
Algumas destas ferramentas podem trazer contributos diferenciados, consoante a sua natureza: a taxo-
nomia de Bloom, mais direcionada para um contributo no âmbito dos diferentes níveis de complexida-
de que podemos atribuir aos objetivos de aprendizagem, articulando-se com as redes estratégicas e de
reconhecimento; a teoria das necessidades de Maslow, mais orientada para um olhar direcionado às
diferentes necessidades que os alunos podem manifestar e às formas como a escola lhes pode respon-
der, articulando-se de forma mais evidenciada com as redes afetivas; a pirâmide de aprendizagem de
William Glasser, cujos contributos remetem para as estratégias de aprendizagem, articulando-se com
as redes estratégicas e de reconhecimento.
74
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
A Taxonomia de Bloom (criada por Benjamin Bloom em 1956) surge como uma das primeiras ferramentas
que estabelece objetivos de aprendizagem nos domínios cognitivo, afetivo e psicomotor, contribuindo,
desse modo, para a planificação do processo de ensino e de aprendizagem. É adotada como referência
para a evolução dos objetivos de aprendizagem do ponto de vista cognitivo, do desenvolvimento do
conhecimento e das capacidades, categorizando-os em seis categorias: conhecimento, compreensão,
aplicação, análise, síntese e avaliação (Figura 26).
Fonte: https://www.ulisboa.pt/info/ferramentas-online-e-objetivos-de-aprendizagem
Toda a aprendizagem requer o domínio de níveis cognitivos mais elementares (lembrar e entender) e de
níveis mais avançados (aplicar, analisar, avaliar e criar). Esta compreensão abre a possibilidade de se con-
ceberem diferentes atividades, mantendo-se o mesmo tema de trabalho, assumindo-se, por este motivo,
como uma boa ferramenta para docentes. Deste modo, as atividades são concebidas num comprometi-
mento real com o desenvolvimento de competências e todas as competências devem ter “um plano de
acomodações” ao nível do processo (algo que pode e deve ser progressivamente alterado e otimizado
com o conhecimento da comunidade de aprendizagem) – conceito de Aprendizagem Mediada.
75
Observemos o exemplo de aplicação da Taxonomia de Bloom num
exercício para avaliar a compreensão da leitura de uma história.
Não menos importante, merece ainda a pena uma referência à Teoria das Necessidades de Maslow,
elaborada por Abraham Maslow (1943), tendo por base o conjunto de necessidades pessoais e profis-
sionais que o ser humano deve satisfazer.
Trata-se de um esquema que concebe uma divisão hierárquica das necessidades, no que se refere à sua
prioridade, desde as mais básicas até às mais complexas. Segundo esta teoria, cada pessoa realiza uma
“subida” hierárquica numa escala de necessidades para atingir o seu pleno crescimento e realização,
necessitando de satisfazer as necessidades mais básicas (as fisiológicas e de segurança) antes das secun-
dárias (sociais, de estima e de autorrealização). É compreensível que o ser humano, antes de se sentir
motivado para o estabelecimento de relações sociais com os outros, necessite de saciar a fome e a sede,
de assegurar a qualidade do seu sono e de manter equilibrados os seus processos homeostáticos.
Cada nível desta pirâmide pode ter uma expressão diferente consoante o contexto em que nos inse-
rimos. Em contexto escolar, é importante os docentes estarem atentos às diferentes necessidades e,
considerando a diversidade de alunos que têm e os seus diferentes níveis de motivação, encontrar
estratégias que possam de alguma forma responder às mesmas (Figura 27).
76
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Ainda no que respeita a necessidades, Haerens et al. (2015), Ng et al. (2016), Sanchez-Oliva et al. (2017),
referem a teoria das necessidades básicas identificada por Deci e Ryan (2000), que pressupõe que os in-
divíduos tendem a satisfazer três necessidades essenciais ao bem-estar: a autonomia, a competência e o
relacionamento, que determinam a qualidade da participação em um determinado ambiente.
Por fim, partindo do conhecimento de que nem todos aprendem da mesma forma, nem ao mesmo rit-
mo, surgiu, mais recentemente, a pirâmide da aprendizagem, de William Glasser também conhecida como
“cone da aprendizagem” (Figura 28). Trata-se de um modelo gráfico que representa a taxa de assimilação
da informação através de diferentes modalidades de estudo, desde as formas de aprendizagem mais passi-
vas às formas mais ativas.
77
Segundo este modelo, quando os alunos se encontram numa postura mais passiva face à aprendiza-
gem (lendo, ouvindo ou vendo, em aulas predominantemente expositivas), o nível de retenção do
conhecimento é menor, comparativamente a um papel mais ativo (discutindo, fazendo ou ensinando
alguém), em que a probabilidade de integrar os conteúdos aumenta significativamente.
Na base desta teoria, encontra-se o pressuposto de que as metodologias mais ativas no processo de
ensino e de aprendizagem incentivam o cérebro a ativar as suas redes cognitivas e sensoriais, possibi-
litando um processamento e armazenamento do conhecimento mais eficiente.
Tendo em consideração estes distintos prismas e recorrendo a estas diferentes lentes sobre a realidade
do processo de ensino e aprendizagem, cabe ao docente encarar estes contributos com flexibilidade,
sustentando a sua prática na diferenciação e na multiplicidade do input (reconhecimento – O QUÊ), do
output (ação e expressão – O COMO) e do envolvimento (afetividade - O PORQUÊ) dos alunos.
78
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
A EKUI é uma metodologia multissensorial de Desenho Universal para a Aprendizagem e, por isso,
inclusiva. Angariou recentemente um prémio mundial - o Global Collection 2023, da HundrED - que
reconhece as melhores inovações do mundo na área da educação. É a única metodologia no mundo
que combina quatro formas de comunicação:
VÍDEO 16
EKUI
https://www.youtube.com/watch?v=QR_4dEB2RxY
Usa pistas (inputs) visuais, auditivas e cinestésicas e estas pistas, quando trabalhadas ao mesmo tem-
po, ativam diferentes áreas no cérebro, fazendo com que a aprendizagem seja mais rápida e mais
motivadora. Por outro lado, as crianças aprendem a comunicar numa nova língua (a Língua Gestual)
e num código – o braille. Foi pensada para ajudar a estimular, avaliar e intervir nas competências iniciais
necessárias para a aprendizagem da leitura e da escrita:
Competências linguísticas (consciência dos sons da fala e dos movimentos necessários à sua articu-
lação);
Competências percetivas (perceção visual, auditiva, tátil – cinestésica; perceção espacial, de figura-
-fundo, temporal e perceção análise-síntese);
Competências psicomotoras (coordenação e equilíbrio, esquema corporal, lateralidade e organiza-
ção espácio-temporal);
Competências cognitivas (linguagem, atenção, memória, processamento);
Competências emocionais (autoconhecimento, autorregulação, motivação, tolerância e empatia).
Consultar: https://ekui.pt/
[N]A PRÁTICA
79
PARA SABER
MAKATON
Comunicar com a ajuda de sinais é uma técnica que pode ser usada em contexto escolar, sobre-
tudo na creche e no jardim de infância, dando às crianças um impulso educacional, independen-
temente de terem ou não necessidades especiais.
O Makaton apresenta-se como um programa linguístico que utiliza sinais e símbolos para ajudar
as pessoas a comunicar, apoiando a linguagem falada. Os sinais são utilizados juntamente com a
fala, na mesma ordem que as palavras faladas. Pode ajudar pessoas que têm uma fala limitada
ou cuja fala não é clara.
Acredita-se que ensinar língua gestual ou Makaton nas escolas promove a inclusão daqueles
que, dentro da escola, bem como na comunidade em geral, dependem da língua gestual.
Nas escolas, de um modo geral, todas as crianças podem beneficiar do recurso ao Makaton na
medida em que o uso de sinais reduz a velocidade do discurso dos docentes. Além disso, a natu-
reza visual do uso de sinais também tende a ser apreciada pelas crianças, o que pode encorajar
comunicadores mais relutantes, bem como aqueles com necessidades educativas. Isto torna a
comunicação mais inclusiva.
Pais e docentes podem recorrer a formação sobre Makaton, havendo recursos disponíveis online.
VÍDEO 17
Aprender Makaton online – Formação com Prit Chouchan.
https://www.youtube.com/watch?v=FxOgmmKeg28
O canal Singing Hands YouTube ensina a comunicar com Makaton, com utilizadores de todas as
idades. Suzanne e Tracy são tutoras de Makaton e cofundadoras de “Mãos Cantantes”. São tam-
bém mães de crianças com limitações, que são sua a inspiração.
80
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
VÍDEO 18
Makaton Topic - TRANSPORT - Singing Hands
https://www.youtube.com/watch?v=9K0xRXF62F0
http://www.facebook.com/SingingHands
Mr. Tumble - um programa televisivo (BBC/UK) que traduz a abordagem do DUA e da Inclusão e
que é um sucesso junto de crianças pequenas (2 a 4 anos, sobretudo) serve, inclusive, para apren-
der inglês e língua gestual. Foi concebido em 2003 para Something Special, um programa para
crianças com dificuldades de aprendizagem. Foi o primeiro palhaço que podia fazer malabarismos,
andar de monociclo e usar Makaton (um sistema de sinalização e símbolos usados para ajudar no
desenvolvimento da linguagem). O programa teve imediatamente sucesso, muito para além do
seu escopo. Crianças com todos os tipos de capacidades respondem a essa força inabalável de
energia benigna. Décadas passaram desde que foi para o ar, mas “Mr. Tumble” ainda recebe cartas
diárias de pais, cujos filhos falaram pela primeira vez depois de assistir a este programa.
VÍDEO 19
Mr. Tumble
https://www.youtube.com/watch?v=-vsFoHxg7uY
81
Atividade 15 – Questões para reflexão
EXPLORAR
REFLETIR
Leiam-se os seguintes testemunhos: (RE)CRIAR
“Os alunos possuem diferentes preferências sensoriais e estilos de aprendizagem e respondem
de formas distintas durante a aprendizagem. É um erro interpretar como falta de atenção e
desmotivação as necessidades individuais de cada aluno. Os docentes tendem a ensinar da forma
como eles próprios foram ensinados e revelam, ainda, a tendência para ensinar do mesmo modo
como eles próprios preferem aprender, pelo que alunos com a mesma preferência ou estilo serão
beneficiados e terão maior facilidade em apreender certos conteúdos.
(...). Os docentes devem privilegiar estratégias multimodais, diversificadas, que recorram à combi-
nação de várias modalidades sensoriais e estilos de aprendizagem, na planificação das suas aulas.”
Sou professor há mais de 20 anos e a minha forma de pensar sobre a escola e os alunos tem-se
alterado muito ao longo dos tempos. Dou aulas numa escola profissional e, de há uns anos para
cá têm-nos chegado cada vez mais alunos com diagnósticos de dislexia moderada a severa. Lem-
bro-me de um aluno que, se fosse avaliado de forma “tradicional”, teria seguramente resultados
muito fracos. Pequenos exercícios em sala de aula que envolvessem ler uma frase, que fosse,
eram penosos para ele e para quem assistia. Num estágio curricular em que esteve envolvido
teve que fazer um relatório. Era suposto ser um relatório escrito e foi o que ele apresentou, ainda
que com pouco texto. No entanto, adicionalmente, fez a mais fantástica apresentação visual que
já vi num documento destes. Fotografou e filmou pormenores que não lembrariam a ninguém e
que me fizeram, a mim próprio, olhar para a realidade de forma diferente. Quando apresentou
à turma o relatório final foi igualmente original e brilhante. Filmou-se a si próprio no estúdio de
vídeo da escola, fez uma montagem e, na apresentação final combinou o filme com o discurso. E
tudo da cabeça original dele! Poderia falar de outros casos. Aprendi a respeitar muito este tipo
de inteligências diferentes na sala de aula. Soube, entretanto, que este aluno em concreto entrou
num curso superior de Educação Social, concluiu-o, e está a trabalhar na área e, atrevo-me a dizer
que, será seguramente bom no que faz!
Testemunho de um professor
82
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de lista de propostas a implementar a partir da discussão em pequenos grupos
83
2.5.1. Fatores que facilitam ou impedem o progresso dos alunos
O enquadramento legislativo em Educação Inclusiva defende que não basta ao aluno ter oportunidade
de acesso à escola, é necessário poder participar e ter acesso à aprendizagem. Para isso, são neces-
sárias condições de natureza diversificada, todas elas importantes, desde as mais materiais e visíveis
(como instalações, acessibilidades, equipamentos…), até às mais ocultas e pessoais, que apontam para
o papel determinante das características emocionais dos alunos.
Quando nos propomos a pensar uma prática pedagógica inclusiva, são vários os desafios que se colo-
cam. Práticas pedagógicas, recursos didáticos, recursos humanos, estrutura física, características dos
alunos serão, sempre, elementos essenciais a (re)considerar para o sucesso do processo de ensino-
-aprendizagem. Considerando todos estes elementos, o DUA apresenta-se como um quadro concep-
tual de possível resposta aos desafios da implementação da Educação Inclusiva, tratando-se de uma
abordagem curricular e não de uma metodologia de ensino.
Nesta abordagem, uma prática pedagógica inclusiva tem como ponto de partida a natural diversidade
dos alunos. O trabalho do docente decorre desta diversidade, sendo que isso envolve compromisso/
mobilização e eventuais mudanças nas suas práticas pedagógicas.
em-prol-da-valorizacao-da-diversidade
[N]A PRÁTICA
84
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
O compromisso ou mobilização face aos ideais da Educação Inclusiva podem ter como entraves iniciais
atitudes e crenças enraizadas face ao processo educativo. Ainda que seja difícil encontrar alguém que
se oponha aos ideais da Educação Inclusiva e aos princípios do DUA, sabemos que as realidades das es-
colas podem levar a algum ceticismo, desconfiança ou sentimentos de impotência perante estes ideais.
A mudança de atitude face à Educação Inclusiva, por parte de toda a comunidade escolar, será um
primeiro pressuposto para a implementação de novas abordagens, como o DUA (Figura 32). Conside-
rar que a escola e a educação escolar sempre estiveram em mudança, e que essa mudança faz parte
também do presente e do futuro da escola, pode constituir um fator facilitador da necessidade da
introdução de novas abordagens do processo educativo.
Segue-se uma apresentação muito inspiradora sobre o que fazem na Escola Técnico-
-Profissional da Moita
VÍDEO 20
Mosaico da Educação e Formação: Que Coordenadas para o sistema de educação e formação profissional?
https://www.youtube.com/watch?v=9srkZBHo4uc
[N]A PRÁTICA
85
Independentemente da abordagem educacional, diversos fatores, económicos, sociais, institucionais,
afetivos, psicológicos, emocionais, familiares, de saúde, desenvolvimentais, ambientais, entre outros, po-
dem influenciar, negativa ou positivamente, o progresso dos alunos. Não haverá forma de hierarquizar a
influência de cada um destes fatores; no entanto, individual ou coletivamente, reconhece-se que podem
ser altamente influenciadores do processo de ensino e de aprendizagem, e da experiência de cada crian-
ça ou jovem face à educação escolar. De uma forma global, uma revisão da literatura sobre a investigação
das variáveis associadas ao insucesso/abandono escolar (Miguel et al., 2014) identifica e categoriza esses
fatores de risco em três categorias fundamentais: familiares, escolares e do próprio aluno.
O contexto familiar constitui o primeiro e mais significativo ambiente de aprendizagem a que crianças e
jovens estão expostos e, logicamente, tem uma enorme influência na experiência e progresso escolar.
Desde logo, o progresso dos alunos pode ser influenciado pela qualidade dos cuidados primários da
família, de resposta tanto às necessidades físicas como psicológicas da criança ou jovem. Além disso,
condições habitacionais, de higiene e de nutrição, bem como as respostas às necessidades afetivas e
emocionais são, igualmente, condicionadoras da aprendizagem do aluno na escola e fora dela. Esta-
tuto socioeconómico, nível de escolaridade dos pais, características ou constrangimentos familiares,
características do meio envolvente e modelos educativos serão variáveis a considerar pela escola no
momento em que se criam expetativas para um envolvimento parental na vida escolar dos seus fi-
lhos. A comunicação da escola para a família, por exemplo, deverá considerar a diversidade familiar e
adequar-se, no conteúdo e na forma, à realidade das famílias (conforme se argumentou no e-book 1,
Pappámikail & Beirante, 2022). Do mesmo modo, as expetativas face ao envolvimento parental, bem
como projetos e atividades escolares, existindo, devem ser pensados numa lógica de adequação uni-
versal a todas as realidades familiares.
PARA SABER
Miguel, C. (2021). Educação Inclusiva: Guia para Pais. Instituto de Apoio à Criança - Humanização
dos Serviços de Atendimento à Criança.
https://iacrianca.pt/wp-content/uploads/guia-educacao-inclusiva-digital.pdf?fbclid=IwAR1n-Dm8-TDSZ0oZiI3FoT-v-
DfRHdPDdoHeuIS6d22WNxs9pJSjksurMhOE
86
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Trabalhos de casa, trabalhos para casa!
“Tenho três filhos em idade escolar que passam o fim de semana a fazer “TPC”!
Até compreendo as professoras. Com tantos alunos na sala, imagino que preci-
sem de ajuda. Não quero parecer desconsiderar a escola, mas é demasiado. A
mais nova está no primeiro ano. Vem para casa com trabalhos que demoram ho-
ras a fazer. Fico sem perceber como os consegue fazer sozinha na escola! Ainda
não sabe ler e sou eu quem a está a ensinar a fazer as letras, mas tenho dúvidas
sobre como o deva fazer. Depois, tenho um filho no 3.º ano. Esse é todo autóno-
mo, mas emperra em algumas coisas. Pede ajuda, por exemplo, na matemática.
Claro que eu sei fazer contas, mas aprendi de forma diferente e o meu receio é
baralhá-lo mais. Em relação ao mais velho, já não consigo mesmo acompanhar.
A escola comunica apenas por um portal eletrónico e eu já tenho portais a mais
na minha vida para gerir!”
[N]A PRÁTICA
Tempo, disponibilidade, contexto habitacional, composição e conhecimento das famílias serão aspetos
da maior importância quando se trata de pensar a relação escola-família. O DUA deverá, assim, acau-
telar que as atividades propostas ou expetativas face à família não criem situações de desigualdade.
87
Atividade 16 – A tabela da discórdia
EXPLORAR
REFLETIR
1. Leitura dos dois testemunhos seguintes: (RE)CRIAR
Testemunho 1
A título de exemplo de uma atividade muitas vezes desenvolvida em contexto escolar, que não se
adequará a todas as realidades familiares, veja-se o relato de um encarregado de educação:
“O meu filho ficou sem a mãe aos 4 anos e meio… Aos 5 anos, mudou de jardim de infância e conheceu
uma nova educadora. Achei que tinha tido sorte pois era uma senhora já em fim de carreira, mãe e avó. No
entanto, comecei a perceber que havia alguma insensibilidade em relação a alguns aspetos relacionados
com a realidade da nossa família. Aconteceram várias coisas, mas uma delas, que jamais poderei esquecer,
foi o presente para o Dia da Mãe. Quando se aproximou a data, fui falar com a educadora e expliquei-lhe
que achava que iria ser muito difícil para o meu filho assinalar a data na escola. Sugeri que ele faltasse nos
dias em que ela planeasse fazer alguma coisa. A educadora disse que não seria necessário, que iria passar
despercebido… Entretanto, fui ouvindo comentários do meu filho. Dizia que ia para outra sala quando os
colegas estavam a fazer a prenda do Dia da Mãe! A dada altura, ele já sabia que estava a ser afastado in-
tencionalmente e por que motivo. Voltei a falar com a educadora, chocado com a falta de cuidado. Desva-
lorizou, dizendo que ele estava a lidar muito bem com a situação e até já tinha contado aos colegas que a
mãe tinha morrido, aparentemente numa partilha em grupo, com a educadora a orientar. Fiquei ainda mais
chocado! Fui falar com o Diretor para fazer uma queixa. O que ele me disse foi que, no agrupamento, por
estarem cientes das realidades familiares, tinham decidido, já há vários anos, deixar de assinalar o Dia do
Pai ou da Mãe e passar a assinalar o Dia da Família, com um piquenique no parque, onde participava quem
queria. No entanto, algumas professoras tinham dificuldade em abandonar certas práticas que elas próprias
valorizavam para si…”
Testemunho 2
“Na minha família, sou eu, a minha mulher, o nosso filho de 2 anos e os três filhos do primeiro casamento
da minha mulher: um rapaz com 10 anos e duas raparigas, gémeas, de 6, que acabaram de entrar na escola.
O primeiro trabalho que trouxeram para fazer em casa foi de Estudo do Meio e era uma tabela que tinham
que preencher para caracterizar a Família. No quadro, havia uma linha para a Mãe, outra para o Pai e ainda
outras duas, para um Irmão e uma Irmã. Era preciso indicar a cor do cabelo e a cor dos olhos. Foi uma dor
de cabeça preencher esse quadro! Elas vivem comigo desde os dois anos e não têm, sequer, memórias de
outra vida. No entanto, sabem quem é o pai delas, apesar de, por diversas circunstâncias, terem muito pou-
co contacto com ele. Nos últimos três anos, tê-lo-ão visto quatro vezes, no máximo. Mas no quadro estava
a palavra pai e o irmão mais velho, que as estava a ajudar, achava que era a cor de cabelo do pai que devia
ser assinalada e, em relação ao irmão a escolher, seria ele próprio, por ser filho do mesmo pai. Ficariam de
fora o irmão mais novo e eu, já que não havia mais linhas (para meios-irmãos ou padrastos). Além disso,
88
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
como eu tenho cabelo e olhos cinzentos, nem haveria como escolher essa cor! A minha mulher acabou por
intervir dizendo que achava que fazia mais sentido descrever as pessoas com quem elas vivem. Que pode-
ríamos escrever padrasto por cima de pai e pronto. E foi o que fizemos. Escrevi padrasto em cima de pai e
acrescentei uma linha para mais um irmão. Uma das gémeas, que é toda perfecionista, amuou e disse: “não
gosto assim (manuscrito)… não está bem. A professora vai dizer que eu tenho a minha família toda mal…”
1. Em relação ao primeiro testemunho, vimos que a atividade em causa (Dia da Mãe) já tinha sido alvo
de questionamento, tendo sido encontrada uma solução universal. Quanto à atividade mencionada no
segundo testemunho (Caracterização da Família), como a poderíamos propor, respondendo à mesma
lógica universal?
Pistas de dinamização
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de lista de propostas a implementar a partir da discussão em pequenos grupos
89
vez que alguns dos fatores, como o estatuto socioeconómico ou a dimensão da escola, são estáticos.
Pensando na abordagem proposta pelo DUA, alguns aspetos podem aqui ser acautelados, sobretudo
pelas lideranças ou quem, na escola, tenha poder ou influência de decisão.
As respostas dos alunos são muito variáveis no processo de ensino e de aprendizagem. As diferenças
individuais são evidentes e ocupam um lugar de destaque nos resultados. No entanto, essas diferenças
individuais, geralmente, são tratadas como fontes incómodas de erros e como distração dos principais
efeitos. O DUA, por outro lado, trata essas diferenças individuais como foco de atenção. De facto, quan-
do olhados através do referencial do DUA, esses resultados são essenciais para entender e projetar um
ensino eficaz (Sebastián-Heredero, 2020).
Figura 33. Sobre os colegas diferentes na turma
Sem qualquer dúvida, o aluno desempenha um papel ativo no seu processo de aprendizagem, logo,
as suas características pessoais estão, também, associadas ao seu progresso escolar. Pelo papel que
desempenham na abordagem do DUA, estas características merecem aqui particular atenção.
Sabemos que, para o DUA, o conhecimento das características pessoais dos alunos se afigura como
necessário e essencial para o planeamento e definição de atividades e estratégias pedagógicas por
parte do docente. Estas características, que podem ser entendidas como capital individual de resposta
às exigências escolares, podem agrupar-se, simplificadamente, em variáveis sociodemográficas, cogni-
tivas, emocionais, sociais, motivacionais, comportamentais, entre outras.
90
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Quanto a características ou variáveis cognitivas, emocionais, sociais, motivacionais, comportamentais, é
descrita pela literatura (Miguel et al., 2014) uma relação, significativa e persistente, entre perceções negati-
vas de conceitos como autoconceito académico, autoeficácia escolar, atribuições de sucesso e insucesso, e
o rendimento escolar e comportamentos pessoais e interpessoais com forte impacto no progresso escolar.
No quadro seguinte (Miguel et al., 2014), apresentam-se alguns fatores cognitivos, comportamentais
e interpessoais com forte impacto no insucesso escolar e suas formas de manifestação. Apresenta-se
uma descrição da forma como o aluno, tipicamente, se sente ou age perante diferentes dimensões da
sua experiência face à escola.
O aluno com insucesso considera que tem menos competência escolar que os seus
Autoconceito escolar pares, o que se expressa na perceção de que é menos inteligente ou possui menos
capacidades do que os outros.
Os alunos com insucesso acreditam que, mesmo que se esforcem, não serão capa-
Autoeficácia escolar zes de realizar convenientemente a tarefa, o que leva à diminuição do investimento
escolar.
Ausência de Os alunos com insucesso escolar não costumam estudar ou fazer os trabalhos de
rotinas de estudo casa por iniciativa própria, fazendo apenas se forem obrigados.
Nos alunos com insucesso escolar, é frequente a atribuição dos seus maus resulta-
Atribuições de sucesso
dos quer à figura do docente (e.g.: “tive más notas porque o professor embirra co-
e insucesso migo”) ou devido à sorte/azar (e.g.: “tive boa nota naquele teste porque calhou”).
Relações interpessoais Nos alunos que manifestam insucesso escolar, é frequente a experiência de rejei-
e integração social ção pelos pares (como crítica, desinteresse, evitamento, ou o bullying).
Quadro 9. Fatores cognitivos, comportamentais e interpessoais com forte impacto no insucesso escolar e nas suas formas
O aluno, com as suas características únicas e circunstanciais, estabelece uma relação com a escola e
com a aprendizagem. Abordámos, no e-book 2 (Pappámikail, Cardoso & Beirante, 2022), a natureza
desta relação individual do aluno com o saber e vimos como dessa relação dependem os recursos
acionados e o impacto que têm, na relação em si, no clima de sala de aula, na motivação e na per-
sistência do aluno. Veremos adiante como podemos potenciar a ativação e envolvimento das redes
neuronais afetivas criando mais e melhores condições para tirar partido de características emocionais
como curiosidade, análise, criatividade ou resiliência.
91
A título de exemplo, a investigação de Duckworth (2007), focada no sucesso dos alunos e nos fatores
que para ele contribuem, concluiu que a característica que diferencia dos outros os alunos que atingem
o sucesso não é o quociente de inteligência, idade, género, nível socioeconómico ou características da
escola; a grande diferença está na persistência de cada aluno. A resiliência, que é uma «resposta posi-
tiva destes aos desafios» (Yaegar & Dweck, 2012, p. 302), é referida como um fator importante para a
“relação com saber”, que é complexa, dinâmica, evolutiva, pessoal e social, e pedagogicamente mode-
lada. A noção-chave é a de ‘moldura mental’ [mindset], ou ‘teorias implícitas’, acerca da maleabilidade
das características humanas que têm impacto significativo na sua resiliência académica e social.
Ainda que a resiliência e a perseverança sejam efetivamente características pessoais, o mesmo não
implica que sejam imutáveis ou insensíveis a variáveis de caráter social e cultural. Se acreditássemos
nisso, este e-book não faria sentido e corríamos o risco de nos «desresponsabilizarmos» do nosso pa-
pel enquanto atores promotores, não apenas do processo de ensino e de aprendizagem, como (funda-
mentalmente) do envolvimento dos alunos no mesmo. Impõe-se, assim, a necessidade de continuar a
busca de abordagens e metodologias que permitam o acesso e a participação de todos.
Projeto Art’themis+
http://artthemis.umarfeminismos.org/
T8EOem_CVKiYPmXWcojv21IZ0H3fjxQ9WeIdyueIk
Movimento Transformers
https://www.movimentotransformers.org/
[N]A PRÁTICA
92
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
PARA SABER
Trata-se de um documentário, com duas partes, sobre uma escola, onde a teoria e a prática se en-
contram, frente a frente, com um especialista em educação (Dylan Wiliam), numa sala de aula ex-
perimental. Durante um período, com uma turma do 8.º ano de escolaridade, são testadas ideias
com o objetivo de melhorar a participação, empenho, disciplina dos alunos, entre outros aspetos.
VÍDEO 21
A experiência da Sala de Aula (Parte 1)
https://www.youtube.com/watch?v=J25d9aC1GZA
VÍDEO 22
A experiência da Sala de Aula (Parte 2)
https://www.youtube.com/watch?v=1iD6Zadhg4M
Recurso a estratégias diferenciadas e atividades dinâmicas, atuais, adequadas aos interesses dos alu-
nos, criando oportunidades para a participação de todos os alunos, seleção de exercícios que concor-
ram para o entendimento dos assuntos abordados, linguagem acessível, capacidade e disponibilidade
para explicar e tirar dúvidas ao aluno, boa gestão da turma enquanto grupo são características ou
estratégias associadas a docentes que, com flexibilidade e equilíbrio, facilitam a aprendizagem, que
poderão levar a sua turma a progredir com mais facilidade.
93
Exemplo de Projeto (Laboratório dos Sentidos), destinado, numa primeira fase, a alu-
nos do 1.º e 2.º CEB. Trata-se de uma iniciativa em que se pretende, com sensores
digitais, renovar o modo como se aprendem os números, nos seus múltiplos signifi-
cados e representações, as palavras e as competências da literacia da informação em
ambientes contextualizados e motivadores.
VÍDEO 23
Projeto “Laboratório dos Sentidos”
https://www.ccems.pt/laboratorio-dos-sentidos/videos/
[N]A PRÁTICA
94
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Para que a aprendizagem aconteça, tanto o adulto como a criança necessitam de sentir interesse, ou
seja, motivação. Motivar, no contexto da sala de aula, significará predispor o aluno para um estado em
que se disponha a iniciar e a continuar o processo de aprendizagem, pelo interesse sugerido por algum
assunto. Torna-se, aqui, evidente, o papel e a importância da natureza do currículo, da abordagem
pedagógica e da correspondência entre aquilo que se pretende transmitir e o mundo experiencial,
passado, presente ou futuro, do aluno.
Gostar do professor!
Poder-se-ia pensar que, no 11.º ano de escolaridade, já não é assim tão importante «gostar» do pro-
fessor para se gostar da disciplina, uma vez que as motivações para o estudo desta ou daquela área ou
disciplina são alimentadas por expectativas e motivações diferentes, mais pessoais e alicerçadas num
projeto de futuro. No entanto, não é bem assim, quem sabe se mesmo para a maioria dos alunos.
Uma encarregada de educação partilhou que, no final do 10.º ano, o filho andava infeliz. Dizia que, se
calhar, queria mudar de área. Odiava Física e Química, que aquilo não era para ele. Foram semanas
de angústia em casa: insiste-se? Desiste-se? Custava, à família, que o filho mudasse de área por causa
da má experiência com a professora: que as aulas eram muito «chatas», a professora muito rígida,
não percebia nada daquilo, além de que «ela não pode comigo». Foram feitas algumas diligências ao
longo do ano para perceber o que se passava, sem sucesso e com resultados pobres: 8 na pauta. No
final do ano, e como a retenção voluntária e mudança de área era arriscada em termos de vagas na
área alternativa, acabou por permanecer no mesmo curso. No ano seguinte, mudou de professora à
disciplina. Parece outro, diz a EE: vem entusiasmado, “a professora”, diz o filho, “é fascinante e explica
super bem”; agora até fica na escola até mais tarde para assistir a palestras sugeridas pela professora.
Quando lhe pergunta sobre a mudança de área, diz agora: ainda bem que não mudei.
[N]A PRÁTICA
Para o docente, o quotidiano escolar apresenta-se repleto de exigências e a sua atuação, reconhe-
cemos, não se restringe à sala de aula ou até à escola. Raros serão os docentes que não levam o
seu trabalho e os problemas dos seus alunos e famílias para casa. Estar atento às especificidades de
cada aluno, conduzindo em simultâneo a turma, cumprindo o currículo e as regras institucionalizadas,
muitas vezes não sentindo o apoio de uma rede de parceiros e pensando não ter a estrutura física ou
materiais adequados, pode levar o docente a desenvolver uma atitude negativa face ao alcance da
sua intervenção, a sentimentos de impotência, insegurança, insatisfação que, em casos mais graves,
poderão ter impacto direto na sua saúde física e mental e, consequentemente, nos resultados do seu
trabalho. Como se sublinhou no e-book 1 (Pappámikail & Beirante, 2022), a evidência demonstra, de
facto, que a crença no impacto do trabalho do docente é um ingrediente fundamental da «escola efi-
caz» (Seabra et al, 2014).
95
On/Off?
Faz parte da realidade da profissão docente lidar com a diversidade e, com fre-
quência, o docente confronta-se com situações que o interpelam ou afetam
de forma profissional e pessoal. Sobre a dificuldade que os docentes têm em
“deixar os problemas na sala de aula” e a “complexidade da realidade na sala
de aula”, vejam-se os testemunhos de uma professora de matemática (direto-
ra de turma) e de uma diretora de escola:
“Como diretora de turma eu não tenho fins de semana… não tenho descan-
so mental! Perceber os alunos… aquele está com um olhar triste… aquele não
come de manhã… aquela pede para falar no fim e chora… a outra que fica ansio-
sa se tem menos de 90%… ou a mãe que manda dizer que a menina não pode
fazer educação física… e o professor de educação física pergunta «porquê?»…
A mãe a dizer mal do professor… Eu, no fogo cruzado… Tudo isto é falado nas
reuniões, mas muito vagamente, não há humanamente tempo para tudo. Não
levamos ou largamos todo o peso nas reuniões… saber das tareias, da violência
doméstica, dos processos… os professores chegam a chorar…”
Tal como os alunos, os docentes são pessoas com características individuais que mobilizam, com maior
ou menor sucesso, no desempenho das suas funções docentes; e alguns parecem conseguir ser mais
eficazes que outros. O que nos diz a investigação sobre este assunto?
Com o objetivo de se conhecer a perceção dos dois principais intervenientes do processo de ensino e
de aprendizagem acerca do significado de “bom professor”, consubstanciado, na prática, pelas caracte-
96
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
rísticas do docente eficaz, merece a pena referenciar um estudo de natureza qualitativa, numa amostra
de alunos e docentes (Albuquerque, 2010).
Os depoimentos foram categorizados com o auxílio de uma matriz teórica que incorporava as seguintes
dimensões: a) conhecimento específico; b) comunicação e linguagem; c) relacionamento; d) exigência;
e) motivação; f) valores pessoais; g) cordialidade; h) recursos didáticos; e i) avaliação da aprendizagem.
Sintetizando os resultados, na opinião dos alunos, constatou-se que “relacionamento”, (“compreensão
das necessidades do aluno” , “empatia”, “promoção de interação no grupo”, “amizade”, “disponibilida-
de para receber o aluno” e “ausência de discriminação”) foi a dimensão mais evidenciada como estan-
do associada às características que o docente deve apresentar para ser considerado um bom professor,
reforçando a importância da dimensão afetiva e relacional da aprendizagem, e destacando-se o papel
do docente como crítico no processo de filiação do aluno à escola e à escolarização, argumento aliás já
sublinhado no e-book 2 (Pappámikail, Cardoso & Beirante, 2022)
EXPLORAR
Atividade 17 – Trabalho colaborativo com o(s) aluno(s)
REFLETIR
(RE)CRIAR
Exemplo de opinião de um aluno do ensino secundário que
ilustra a importância do relacionamento:
“Ser bom professor significa ser capaz de construir uma boa relação com os alunos, com amizade
e sem discriminação ...”
2. Pensem num docente que, em todo o vosso percurso escolar, vos tenha marcado de forma mais
positiva. Qual seria o primeiro adjetivo que utilizariam para o descrever?
2.1. Para que dimensão (científica, pedagógica, institucional, relacional, outra), remeteriam essa carac-
terística ou atributo? Coincidem com as características que associou a um bom docente no ponto 1.?
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de lista de propostas a implementar a partir da discussão em pequenos grupos
97
Para além das conclusões deste estudo em particular (Albuquerque, 2010), indicando a importância
que, para os alunos, certas variáveis subjetivas parecem revelar, as revisões da literatura sobre as ca-
racterísticas do docente eficaz apontam igualmente para a importância do domínio, por parte deste,
do conteúdo e metodologia, do envolvimento e da apropriação da realidade dos alunos, e o carácter
reflexivo do trabalho docente.
EXPLORAR
Atividade 18 – Fatores que afetam de forma significativa REFLETIR
o progresso e o desenvolvimento do aluno
(RE)CRIAR
1. Escolham um caso de aluno com necessidades educativas que conheça (por razões de privaci-
dade, não mencione nomes de aluno ou escola).
2. Analisem o instrumento do Manual de Apoio à Prática – Para uma Educação Inclusiva (anexo
16 do Manual/PDF/DOC), e procurem identificar quais os fatores que afetam de forma signifi-
cativa o progresso e desenvolvimento do aluno em questão.
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de um mapa de conceitos, diagrama ou mural (com recurso a post its, por exem-
plo, ou a uma ferramenta digital
98
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
2.6. O Desenho Universal para a Aprendizagem e a promoção de estratégias de gestão fle-
xível do currículo e aquisição de competências definidas no Perfil dos Alunos à Saída da
Escolaridade Obrigatória
Pensar o currículo como realidade socialmente construída que caracteriza a escola como instituição em
cada época implica tomar consciência da mutabilidade da realidade e abandonar uma visão estática e
irrealista das instituições educativas e das suas funções (Roldão & Almeida, 2018). Como tal, surge a
necessidade de perspetivar o currículo enquanto processo de gestão curricular. Ainda que possamos con-
ceptualizar diferentes níveis de gestão e decisão curricular (macro, meso e micro), cabe aos docentes a
efetivação do currículo em sala de aula, através da relação pedagógica, na interação com os alunos.
Para além do currículo prescrito, predefinido e a implementar de forma generalizada, há que conside-
rar igualmente que, na escola, não se ensina apenas o que está formalmente definido (Apple, 1999;
Pinto, 1995). Há ensinamentos e aprendizagens que acontecem de forma implícita, ou seja, nas entre-
linhas das relações que se estabelecem no ambiente escolar. Tratar-se-á de um currículo oculto que
remete para a dinâmica e características da sala de aula e da forma como está estruturado o ensino,
a noção de autoridade, organização espacial, temporal e disciplina. Ou seja, todos aqueles aspetos do
ambiente escolar que, não fazendo parte do currículo oficial, explícito, contribuem, de forma implícita,
para aprendizagens sociais relevantes.
Ora, a reflexão sobre o papel do currículo oculto e dos seus impactos na educação e na sociedade é
importante na medida em que este currículo também formata as identidades dos alunos e as suas
formas de ver e de se relacionarem com o mundo. Vimos isso, justamente, quando, no e-book 2, nos
99
debruçámos sobre racismo na escola e sobre gestão de expetativas e seus impactos no desempenho
dos alunos (Efeito Pigmalião) (Pappámikail, Beirante & Cardoso, 2022). Se, com o currículo oculto, são
aprendidos comportamentos, atitudes, valores e orientações que a sociedade determina que são fun-
damentais para que crianças e jovens se ajustem ao momento presente e se alinhem com os ideais de
futuro, fazer parte de um ambiente em que todos têm lugar, independentemente das suas característi-
cas, capacidades e potencialidades, onde se observa a preocupação do docente em trabalhar com cada
um, poderá levar o aluno a interiorizar que as instituições se podem formar numa lógica de ética da
inclusão e cuidado. E isto, de acordo com os valores que defendemos, terá, inegavelmente, um impacto
muito positivo na construção das identidades das gerações futuras.
“Se a minha filha estiver todo o dia com pessoas da mesma idade e diferen-
tes, só lhe pode fazer bem, a ela e aos colegas, e também aprende. Vou-lhe
dar um exemplo. A minha filha teve algumas experiências, apenas nas férias,
numa instituição para pessoas com deficiências. E, todos os dias, ela vinha
de lá a gritar. E porquê? Porque lá era o que ela ouvia a acontecer! Se os
outros fazem, ela imita. Ela pode aprender outras coisas em outro ambien-
te. Tudo é absorvido. Logo, só faz bem, estar envolvido, em contacto. E isto
aplica-se a todos os grupos que possam precisar de medidas de inclusão. A
ostracização não é boa. E não é dizer que “eles” não querem ser incluídos!
Nós somos ricos pela diferença… E, quando me vêm dizer que estas crianças
e jovens têm que estar numa escola para deficientes, eu digo não, eles têm
que estar numa escola. (…)”
Mais à frente acrescenta, quando instada a refletir no que diria a quem não
acredita na inclusão:
“Que devem pensar na sua própria experiência! Se não tivessem tido acesso
à educação e à escola regular, como e onde estariam? Tentem colocar-se no
lugar destas crianças e jovens. Se dizem que eles não estão ali a fazer nada,
o que será a experiência deles? Para onde irão? Onde irão buscar aquilo que
os vai moldar? Em que ambientes? Se todos estiverem na escola regular,
conhecerão as diferenças, saberão que todos existem.”
[N]A PRÁTICA
100
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Os princípios e estratégias do DUA permitem ao docente definir objetivos de ensino e criar materiais
e formas de avaliação que se adequem a todos os alunos, de modo que todos possam aprender na
via comum de educação (CAST, 2014). Para um currículo ser eficaz na sala de aula, tem de contemplar
diversas maneiras de ativar os alunos, diversas maneiras de apresentar sequências, diversas maneiras
de apresentar os conteúdos. Um currículo, em suma, deve permitir vários itinerários que conduzam a
mesma meta global, dando resposta às questões: Quem podem eles ensinar; Que podem eles ensinar.
[N]A PRÁTICA
101
O processo usual para tornar os currículos existentes mais acessívelis é fazer adaptações que os tor-
nem mais praticável. Para todos os alunos. Alguns docentes tentam ajustar os elementos curriculares
inflexíveis, do tipo “tamanho único para todos”, que não foram projetados para atender à diversidade
individual dos alunos, e geram barreiras não intencionais para o acesso à aprendizagem. Perante a
discrepância entre a diversidade de alunos que frequenta atualmente a escola e o currículo “tamanho
único” (Katz, 2013, p.34), que caracteriza a intervenção pedagógica em muitos contextos educativos,
torna-se pertinente a introdução de uma nova abordagem ao currículo. Nesse sentido, o DUA pode ser
uma resposta possível, já que facilita o acesso ao currículo, a atividades de aprendizagem e à vida social
da sala de aula a todos os alunos (Katz, 2012).
Adaptado de Ministry of Education (2022), OECD Review for Inclusive Education: Country Background Report for Portugal.
O DUA permite criar propostas flexíveis, desde o início, apresentando opções variadas e personalizá-
veis que consentem a todos os alunos progredir a partir de onde eles estão, e não de onde nós imagi-
namos que estejam (Sebastián-Heredero, 2020). Esta abordagem a partir do DUA sensibiliza o docente
para que seja capaz de começar por analisar as limitações na gestão do currículo, em vez de sublinhar
as limitações dos alunos.
102
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Reconhecer a necessidade de criar oportunidades para que todos os alunos possam ser incluídos no
currículo e em atividades realizadas no ensino regular implica desenvolver práticas que permitam múl-
tiplos meios de envolvimento, de representação e de expressão. Com efeito, a finalidade do currículo
do DUA não é simplesmente ajudar os alunos a dominar um conjunto de conhecimentos e desenvolver
um conjunto de competências, mas também a dominarem a aprendizagem e a tornarem-se “alunos es-
pecialistas”, isto é, orientados por objetivos, por estratégias e por competências, serem conhecedores
e motivados para aprenderem mais ao longo da vida.
Recebi, no meu grupo, este ano, algumas crianças ucranianas refugiadas... é importante todas
participarem em todas as dinâmicas. Assim, a solução mais imediata que adotei foi andar sem-
pre de telemóvel ao pescoço para usar o tradutor “sonoro”. Além disso, cantávamos todos os
dias, no momento da reunião de acolhimento, canções infantis da Ucrânia, facilmente acessíveis
por Youtube. Os olhos de todas as crianças brilhavam, as que as (re)conheciam e as que começa-
vam a aprendê-las, apesar de serem numa língua que não a nossa. Pequenos gestos, acessíveis,
e que ajudam as crianças a fazer “casa”, a sentirem-se em casa.
Aos alunos de uma turma do ensino básico, os testes de avaliação sumativa são apresentados
numa ou mais folhas, impressas frente e verso, fonte pequena, sem espaços. Imaginamos que
o objetivo seja poupar papel. Um aluno com perturbação de hiperatividade e deficit de atenção
(PHDA) sistematicamente salta perguntas e tem, claramente, dificuldade em ler os textos de
apoio até ao fim. A mancha visual perturba-o e dificulta o seu desempenho. Apesar das medidas
universais que foram definidas, a EE não vê evidências da sua aplicação, pelo menos nos testes
[N]A PRÁTICA
103
desta disciplina, apesar dos alertas. O aluno é instruído a redobrar a sua atenção, sendo que esta
é, de forma comprovada, reduzida. Há pouco papel, respondem.” Mais uma vez, um aspeto ir-
relevante para a avaliação do conteúdo em causa (a forma como as perguntas são apresentadas
ao aluno) condiciona o seu desempenho e, consequentemente, o acesso ao currículo.
Um Diretor de Escola falava-nos de medidas que tomou no sentido de solucionar alguns proble-
mas, beneficiando toda a comunidade escolar. Conseguimos, com muito esforço, falando com
as famílias das comunidades ciganas, convencê-las a colocar as crianças no jardim-de-infância,
que facilitaria bastante a sua entrada no 1.º CEB. Apesar de os espaços serem partilhados, na
educação pré-escolar temos uma organização diferente. Os intervalos e as horas de almoço são
desfasados dos alunos do 1.º CEB. Decidimos, então, que os alunos do 1.º ano de escolaridade
deveriam ter um intervalo da manhã, em simultâneo, com as crianças do pré-escolar. Desta for-
ma, criou-se um ambiente onde têm a oportunidade de interagir com a educadora que tiveram
nos anos anteriores, com quem têm uma ligação e as famílias também. Ora, isso não acontece
nas outras escolas.
“Toda a vida achei que não tinha jeito para desenho e para coisas manuais. Era péssima em re-
cortes e coisas de rigor, como aquelas com réguas e tinta-da-china, embora me fascinasse e me
esforçasse imenso. Era uma frustração enorme: aquilo ficava sempre meio borrado… os recortes
nunca ficavam na linha… Já em adulta percebi que o problema não era eu. Eram as tesouras
inadequadas para uma canhota como eu, e as réguas com os números ao contrário. A mão
esquerda que passa por onde escreve e borra tudo. Foi como uma revelação. Construí a minha
identidade a achar que era péssima nisso, mas se calhar até não era. Claro que há situações mais
graves e com impactos maiores, mas é um bom exemplo de como pequenas coisas, associadas
à ignorância e falta de sensibilidade, têm impacto na vida das pessoas. Lá está um exemplo de
barreira à inclusão.”
[N]A PRÁTICA
104
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Como o DUA se relaciona com o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória?
O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória pretende assegurar a qualidade da Educação
Inclusiva possibilitadora da aprendizagem ao longo da vida, envolvendo currículo e educação para a ci-
dadania, de uma forma intencionalmente integrada. Este documento orientador, dinâmico e flexível visa
assegurar que, independentemente das trajetórias escolares, todas as aprendizagens sejam norteadas
por princípios, visão, valores e áreas de competências comuns. Neste sentido, estabelece uma visão de
escola, constituindo-se para a sociedade em geral como um referencial que enuncia os princípios funda-
mentais em que assenta uma educação de qualidade.
Professores, educadores, gestores, decisores políticos e também todos os que, direta ou indiretamente,
têm responsabilidades na educação ,encontram neste documento a matriz para a tomada de decisão sobre
as opções de desenvolvimento curricular, consistentes com a visão de futuro definida como relevante
para os jovens portugueses do nosso tempo (Ministério da Educação/Direção-Geral da Educação, 2017).
No nosso entender, o DUA permite aprofundar o que o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obri-
gatória concretiza ao referir as diferentes tarefas que a escola pode e deve fomentar na atividade do
aluno, de forma a que esta seja promotora não apenas de saberes, mas também de capacidades e
atitudes. Esta complementaridade entre o DUA e o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obriga-
tória materializa, ainda, a forma como a atividade do aluno deve ser concebida, visando a construção
progressiva da mente (ao longo de 12 anos) e não apenas “cérebros reprodutores”.
A mente desenvolve-se de forma constante, necessitando, para tal, da apropriação de diferentes com-
petências (conhecimento, capacidades e atitudes e valores).
O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória é a matriz comum para todas as escolas, ofer-
tas e modalidades educativas e formativas no âmbito da escolaridade obrigatória, designadamente
ao nível curricular, contribuindo para a convergência e a articulação das decisões inerentes às várias
dimensões do desenvolvimento curricular: o planeamento e a realização do ensino e da aprendizagem,
bem como a avaliação interna e externa das aprendizagens dos alunos. Ao estar comprometido com a
acessibilidade planeada, ensina para a consecução efetiva das aprendizagens, atendendo à diversida-
de, de forma permeável à flexibilidade.
O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e as Aprendizagens Essenciais são, assim, docu-
mentos integradores do currículo, ao nível do ensino básico e do ensino secundário, através de percursos
diferenciados, mas de igual valor formativo. É, pois, indispensável que a sua articulação seja ela também
integradora (dos elementos enunciados), coerente (com os princípios assumidos) e consistente com o
modelo de currículo implícito no articulado do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória.
105
Trata-se, pois, de identificar de forma clara e essencial o que se pretende que o aluno aprenda, sendo
o docente um elemento-chave mediador das aprendizagens dos alunos. As Aprendizagens Essenciais,
enquanto elemento do Referencial Curricular articulado com o Perfil dos Alunos à Saída da Escolarida-
de Obrigatória: identificam conceitos a abordar ao longo dos vários anos de escolaridade; explicitam
as aprendizagens que o aluno deve revelar; fornecem indicações metodológicas e indicam áreas de
competência definidas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória.
EM DESTAQUE
Estes são os princípios que orientam, justificam e dão sentido ao Perfil dos Alunos à Saída da
Escolaridade Obrigatória (Ministério da Educação, 2017):
A. Base humanista – A escola prepara os jovens com saberes e valores para a construção de
uma sociedade mais justa, centrada na pessoa, na dignidade humana e na ação sobre o mundo
enquanto bem comum a preservar.
106
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Figura 39. Relação entre o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e as Aprendizagens Essenciais
O quê?
▪ Conhecimentos
▪ Capacidades
▪ Atitudes
Como?
▪ Aproveitando a diversidade
▪ Preocupando-se com a acessibilidade dos ambientes de aprendizagem
▪ Removendo barreiras
▪ Planeando medidas de apoio à aprendizagem com base na evidência
107
PARA SABER
VÍDEO 24
DUA - Princípios e Prática e sua articulação com o currículo.
https://www.youtube.com/watch?v=pGLTJw0GSxk
2.6.1. Abordagem multinível no acesso ao currículo e Desenho Universal para a Aprendizagem: estra-
tégias apoiadas no desenvolvimento neuropsicológico
Como já foi mencionado, o Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, com as alterações introduzidas
pela Lei n.º 116/2021, de 13 de setembro, enuncia um conjunto de princípios, práticas e condições
de operacionalização da Educação Inclusiva que resultam de opções teóricas e metodológicas, desig-
nadamente a abordagem multinível, que permite o acesso ao currículo ajustado às potencialidades e
dificuldades dos alunos, com recurso a diferentes níveis de intervenção, e o Desenho Universal para a
Aprendizagem. Estas abordagens assentam em modelos curriculares flexíveis para acompanhamento
sistemático da eficácia de intervenções sucessivas, para que cada aluno adquira um conjunto comum
de competências-chave, centradas nas suas capacidades e interesses. Ou seja, devem ser consideradas
de forma integrada e articulada, constituindo-se como guias de apoio à ação das escolas na operacio-
nalização do diploma ao nível da comunidade, da escola e da sala de aula.
108
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
A abordagem multinível, de base sistémica, adota uma visão articulada que reconhece a complexidade,
multiplicidade e interconectividade de fenómenos educativos como a aprendizagem e o comportamento.
Consubstancia-se através da aplicação de Medidas de Suporte à Aprendizagem e à Inclusão, através de
medidas universais, medidas seletivas e medidas adicionais. Entendida como um modelo compreensivo
de ação, de âmbito educativo ao nível da escola esta abordagem, orienta-se para o sucesso de todos e de
cada um dos alunos através da organização de um conjunto integrado de medidas de suporte à aprendi-
zagem.
Partindo dos princípios de base à abordagem multinível, importa identificar as suas principais caracte-
rísticas distintivas:
109
Figura 40. Representação piramidal das medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão
NÍVEL 1 - Medidas universais: dirigidas a todos os alunos, e não apenas aos que evidenciam maiores
dificuldades, de forma a promover a participação e a melhoria da aprendizagem;
poderá aplicar no seu dia a dia. Além disto, reforçou-se o autoconceito positivo
e criatividade, que também são importantes para as situações do quotidiano. [N]A PRÁTICA
110
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
[N]A PRÁTICA
111
de apoio à aprendizagem e inclusão, devendo ser explicitadas no Relatório Técnico-Pedagógico.
São muitos os docentes que, quando falam do quotidiano da sua profissão, referem as «grelhas» como
uma das principais barreiras ao investimento efetivo no trabalho pedagógico e científico. Cremos, con-
tudo, que o problema não está necessariamente nas grelhas, mas na forma como são construídas
(decalcadas acriticamente de modelos pré-estabelecidos) e são (ou não) apropriadas pelos docentes
no seu trabalho numa perspetiva pragmática. Ou seja, a operacionalização da Educação Inclusiva e de
uma abordagem curricular como o DUA pressupõe inevitavelmente tanto processos de planeamento
e planificação, como de produção e análise de evidências significativas, a partir de grelhas ou outros
documentos, elaborados em função das necessidades do(s) docente(s) e dos alunos.
Estas «grelhas» ou outros documentos não devem ser vistos como meros procedimentos administrativos,
mas sim trabalho pedagógico essencial, e são condição necessária à monitorização da eficácia da imple-
mentação de medidas ou práticas pedagógicas. Os modelos existem, e partilhamo-los abaixo para refe-
rência, mas devem despoletar processos de ajustamento e (re)construção de formas úteis, significativas
e pragmáticas de produzir a informação necessária, não reduzindo a complexidade e riqueza da Educação
Inclusiva a cruzes feitas em série, em documentos que não servem os propósitos para que foram criados.
É importante ressaltar, então, que o enquadramento normativo se afasta de uma visão de que é preciso
categorizar para intervir. Pelo contrário, apoia a ideia de que todos os alunos podem atingir um perfil
de competências e aptidões no final do percurso escolar obrigatório, mesmo que sigam percursos de
aprendizagem diferentes. Assim, considera modelos curriculares flexíveis, acompanhamento sistemá-
tico da eficácia das intervenções implementadas e diálogo permanente entre docentes e encarregados
de educação, ou outros, como as respostas educativas necessárias para que cada aluno adquira uma
PARA SABER
Instrumentos constantes no Manual de apoio à prática - Para uma Educação Inclusiva (2018):
Instrumento de reflexão acerca das condições de base à abordagem multinível (Anexo 10)
Um exemplo de instrumento:
Reflexão sobre o processo de avaliação das aprendizagens (Apêndice H)
Vídeos:
Uma introdução à abordagem multinível
https://www.youtube.com/watch?v=tZq9s2W8ysM
Abordagem multinível
https://www.youtube.com/watch?v=hM_qktVeNAU
112
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Atividade 19 – Acessibilidade e Medidas de Apoio à Aprendizagem EXPLORAR
REFLETIR
Revisitando o conceito de acessibilidade, esta só será possível, eficaz (RE)CRIAR
e verdadeira quando se permitem as diferenciações, as acomodações,
as adaptações... A acessibilidade pronta e fechada só seria possível
num mundo imutável de pessoas imutáveis. Uma acessibilidade efetiva (de qualidade) vive das mu-
danças e das dinâmicas da realidade. Por isso, não há́ acessibilidade sem adaptações, sem medidas
que permitam conhecer a realidade, adaptarmo-nos a ela, e, posteriormente, com esse conheci-
mento, criar novas formas de acessibilidade. É preciso, no entanto, sublinhar que uma sinalização,
identificação ou mesmo diagnóstico não pode ser uma sentença, pois muitas vezes contribui-se
inadvertidamente para uma estigmatização que marca a criança ou jovem para sempre no seu
autoconceito como aluno. Isto significa que devemos assumir que identificar uma necessidade e
propor ajustamentos, acomodações ou adaptações são processos dinâmicos e, idealmente, rever-
síveis, ajustados ao longo do tempo através de uma lógica dialética entre práticas e aprendizagens.
1. Identifiquem no vosso contexto barreiras que sejam obstáculos à progressão dos vossos alunos.
113
base comum de competências, valorizando as suas potencialidades e interesses.
A forma como os alunos são ensinados afeta o que os alunos aprendem e como eles aprendem. Com
o DUA, regista-se uma mudança no pensamento e na abordagem pedagógica, pautada por valores e
objetivos de diversidade e inclusão, que assenta num planeamento das práticas pedagógicas dos do-
centes comprometidas com a acessibilidade.
Importa clarificar conceptualmente, nesta secção, que entendemos o termo “pedagogia” como “padrões
repetidos ou conjuntos de práticas de ensino e de aprendizagem que moldam a interação entre docentes
e alunos” (Peterson et al., 2018, p.8). Mas não só. As pedagogias, por estudarem métodos, estratégias e
procedimentos didáticos, são importantes para promover diversas dimensões da aprendizagem do aluno,
além dos desempenhos académicos, como valores, hábitos e competências socioemocionais.
Ao explicar a necessidade da(s) pedagogia(s) inclusiva(s), Brussino (2021) destaca três elementos-chave
para projetar e implementar o ensino inclusivo em sala de aula: o que os docentes ensinam (currículo),
como ensinam (pedagogia) e como monitorizam a aprendizagem dos alunos (avaliação). Compreender
como cada um desempenha um papel no desenvolvimento do ensino inclusivo é essencial para promo-
ver o bem-estar de todos de forma eficaz. A forma como ensinamos (pedagogia) afeta o que os alunos
114
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
EM DESTAQUE
Quando nos reportamos ao planeamento com intencionalidade estratégica e pedagógica a partir dos
pressupostos do Desenho Universal para a Aprendizagem, referimo-nos ao conceito de transforma-
bilidade. Este conceito assenta na pedagogia inclusiva e no princípio de que a capacidade de todas
as crianças e jovens para aprender pode mudar e ser mudada para melhor, como resultado do que
acontece e do que as pessoas fazem no presente (Hart, Dixon, Drummond & Mclntyre, 2004). Implica
pensar na relação docente/aluno de duas formas: o presente é determinante para o futuro em termos
de ação e “nada é neutro” em termos da relação pedagógica. É esse processo relacional que é a fonte
115
de transformabilidade (Hart el al.,2004, citado em Florian & Linklater,2010, p. 170).
Figura 43. Se os alunos não aprendem da forma como ensinamos, ensinemos da forma como eles aprendem.
A pedagogia inclusiva é, assim, uma forma de responder às diferenças entre os alunos, ampliando e dis-
ponibilizando para todos as estratégias e atividades que, normalmente, são realizadas no quotidiano
e na rotina da sala de aula. Parte dos seguintes pressupostos: a diversidade (dos alunos e do contexto)
deve ser reconhecida como um elemento essencial do desenvolvimento humano em qualquer situa-
ção de aprendizagem; os docentes devem acreditar (podem ser convencidos) de que são capazes de
ensinar todos os alunos; a profissão docente deve desenvolver continuamente novas formas criativas
de trabalhar com as crianças e jovens, orientadas para a construção do conhecimento (e não para a sua
reprodução) (Florian & Sprat, 2013).
Quando nos reportamos ao planeamento com intencionalidade estratégica e pedagógica a partir dos
Reprodução do número de março de 2007 de Expectations, o boletim da Minnesota Parents of Blind Children.
Nota do Editor: Carrie Gilmer é uma mãe empreendedora e eloquente, dirigente da National Organization of
Parents of Blind Children (Organização Nacional de Pais de Crianças Cegas, EUA). Neste editorial, originalmente
chamado “O Poder das Expectativas”, Carrie examina a importância das expectativas mesmo em acontecimentos
banais da vida diária que, na altura em que acontecem, parecem inconsequentes. Diz Carrie:
116
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Minnesota Parents of Blind Children
Cinco palavrinhas apenas, “Tu não precisas de fazer...” Que prejuízo pode advir de uma tão inocente com-
placência? No fundo, ela provém da mais genuína e generosa intenção, correto? Esta tarefa, seja ela qual
for, é difícil para ti, por isso, não precisas de a fazer. Pacífico e justo.
Recentemente o meu filho Jordan foi dispensado de um trabalho escolar com as palavras “Tu não precisas
de fazer.” A turma tinha de ver um filme e responder a algumas perguntas escritas numa folha, à medida
que iam vendo o vídeo. Foi uma tarefa acrescentada à última hora para tentar prender a atenção dos alu-
nos, ultimamente algo agitados. Consequentemente, o questionário não estava disponível em Braille.
O Jordan vê o suficiente para acompanhar um filme num ecrã separado. Com a cara praticamente colada ao
ecrã, ele tenta acompanhar o que consegue — o que não é muito. Também consegue ler texto normal com
ampliação (tal como o referido questionário), embora a sua leitura seja muito lenta.
Julgando que seria muito difícil para o Jordan ler o texto e, ao mesmo tempo, acompanhar o filme no ecrã
— e considerando que o Jordan é uma criança responsável e muito atenta –, a professora decidiu dispensar
o Jordan do questionário.
A sua proposta: “Todos estão a fazer este questionário, Jordan, mas eu sei que tu prestas atenção e sei que
é difícil para ti, por isso não precisas de fazer se não quiseres.”
O Jordan, pelo seu lado, adotou de imediato esta lógica e aceitou de bom grado a oferta de “não ter
que fazer”.
De início, pensei que ele tivesse sido dispensado devido à falta do texto em Braille. Quando a professora
explicou o que se passara (numa conferência ocorrida poucos dias depois de sabermos do incidente), o meu
marido e eu indicámos à professora que compreendíamos e aceitávamos a explicação dada, de que o texto
a tinta poderia de facto desviar do filme a atenção do Jordan. O assunto ocupou uma boa parte do tempo
da conferência e, assim, depois de ouvir da professora a sua versão da sequência de acontecimentos, fomos
andando. Foi só depois de partirmos que me debrucei mais a fundo sobre o assunto.
Comecei por me questionar sobre algumas coisas. Não teriam os outros estudantes que tirar os seus olhos
do filme para ler as perguntas e escrever as suas respostas? E não poderia isto levar também os alunos nor-
movisuais a perder partes do filme ao concentrarem-se na resposta às perguntas? É certo que o poderiam
fazer mais rápido que o Jordan, mas ainda assim ...
Dei por mim a imaginar o que poderiam o Jordan ou a professora ter decidido fazer se a ideia de que “ele
não precisa de fazer” fosse completamente impensável ou inaceitável – nem mesmo no campo das pos-
sibilidades. E se, logo no início, um colega tivesse lido as perguntas ao Jordan para ele as anotar no seu
BrailleNote? Teria levado menos de cinco minutos a fazer isto. Com isto, o Jordan poderia “colar-se” ao ecrã
e seguir o filme sem interrupções, lendo a linha Braille e escrevendo com as mãos no Braillenote. Ele teria,
aí, as melhores condições, em toda a turma, para se concentrar a fundo no filme.
E se ele tivesse levado a folha para casa e respondesse às perguntas ao fim do dia, com a memória do filme
ainda fresca?
117
Tudo isto me estava a perturbar, e eu transmitia ao Jordan essa preocupação, achando que ele devia estar
ainda mais incomodado do que eu. Afinal, fora ele quem fora roubado. Eu disse roubado? Sim, roubado!
Apesar de a intenção da professora ao criar a tarefa ter sido, apenas, a de motivar a turma para prestar
atenção ao filme, ela acabou por se tornar numa excelente oportunidade de aprendizagem. Ao cumprir a
tarefa, os alunos tiveram de se concentrar no filme, analisá-lo e construir as respostas. Isto envolve uma
série de competências. Todos tiveram oportunidade para trabalhar essas competências, mesmo sem es-
tarem conscientes disso. Todos menos o Jordan. Ele limitou-se a assistir passivamente ao filme. Não teve
estímulo que o levasse a analisar algum aspeto mais profundamente, nem oportunidade para praticar a
exposição das suas ideias. Ele foi dispensado por uma falsa ideia de sentido de justiça, mas que, na reali-
dade, lhe roubou uma oportunidade de aprendizagem.
Para além disso, que ideia transmitiu aos colegas de turma do Jordan “ele não precisar de fazer”? Esta
questão acabou por tocar o Jordan e ele reconheceu que tinha, afinal, grande importância. Como podem
os colegas ver-te como igual se tu “não precisas de fazer” porque, seja lá o que for que não precises de
fazer, é (ou parece ser) difícil para ti?
Quantas vezes encontrei crianças que não precisavam de usar as suas bengalas, atar os sapatos, aprender
a ler Braille, ser pontual, ou, no geral, terem que fazer as mesmas coisas no mesmo tempo que as outras
crianças da mesma idade ou capacidade? Lamento ter de dizer que não foram poucas as vezes. Eles não
precisavam de fazer... por isso, não faziam!
Quer criar uma criança cega capaz de competir com os seus pares? Então, risque as palavras “tu não pre-
cisas de fazer” do seu vocabulário.
Fim do documento.
2. No texto sobressai a ideia de que Inclusão não deve ser sinónimo de facilitismo. Quais são as vossas
perspetivas sobre este assunto?
4. Em que outras dimensões da diversidade este tipo de práticas pode estar presente?
5. Que medidas/propostas para combater essas práticas no âmbito do Desenho Universal para a
Aprendizagem?
118
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Atividade 21 – “As cores das flores”
EXPLORAR
REFLETIR
1. Visionamento da curta-metragem “As cores das flores”. (RE)CRIAR
VÍDEO 25
As cores das flores
https://www.youtube.com/watch?v=s6NNOeiQpPM
(Caso tenha realizado a Atividade 20 – “Tu não precisas de fazer...”, previamente, sugerimos que
possa relacioná-la com a questão seguinte.)
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de um mapa de conceitos, diagrama ou mural (com recurso a post its, por exem-
plo, ou a uma ferramenta digital)
119
A pedagogia inclusiva destaca valores e aspetos relacionais; a crença, o facto de o docente acreditar
que o aluno pode aprender, promove a sua autoestima e a autoconfiança, facilitando a emergência de
igual crença no seu processo de aprendizagem. Assim, estabelece-se uma “aliança pedagógica” facili-
tadora do clima de confiança determinante no processo de aprendizagem.
O que se pode observar nas práticas inclusivas? Como fazer? Desenvolvendo práticas com diferentes
finalidades: afetivas, sociais e intelectuais.
A pedagogia inclusiva sustentada no DUA assume três princípios pedagógicos-chave: coagência; con-
fiança e todos.
É importante ressaltar que esses elementos/estratégias de ensino inclusivo devem ser implementados
em conjunto com a preparação e o apoio do docente para se envolver em processos de reflexão crítica
e enfrentar os seus próprios preconceitos inconscientes, se quiser criar espaços de aprendizagem onde
a diversidade seja valorizada e a inclusão seja promovida.
120
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
“Ao nível das minhas crenças e atitudes enquanto professora, acredito que todos podem
aprender. Acredito no potencial do indivíduo para aprender, e para aprender melhor. De-
vemos agir como facilitadores para o conhecimento, assumindo a criança (ou o jovem) a
responsabilidade pela sua própria aprendizagem.
[N]A PRÁTICA
São precisamente currículos inflexíveis que geram barreiras não intencionais para o acesso à apren-
dizagem. Os alunos que estão nos extremos, por exemplo, são particularmente vulneráveis, mas um
desenho curricular deficitário poderá também não atender a todas as necessidades de aprendizagem,
incluindo os alunos “considerados” na média (Sebastián-Heredero, 2020). O desafio do DUA não é
modificar ou adaptar os currículos para alguns de uma maneira especial, mas planeá-los desde o início,
intencional, eficaz e sistematicamente, para abordar as diferenças individuais.
A aplicação em sala de aula baseada no DUA, contribui para a criação de ambientes de aprendizagem
acessíveis e desafiantes para todos os alunos, pelo que devem ser considerados na planificação das
aulas. Sublinha-se a análise das barreiras na gestão do currículo, por oposição às limitações e défices
dos alunos, como fundamental no processo de planificação de aulas com base no DUA.
121
que integra, na segunda fase, estas componentes do currículo.
Figura 44. Processo de planeamento de aulas para todos os alunos, tendo por base o DUA - Adaptado de Meo, 2008 (p.24)
Os alunos conseguem ir desenvolvendo as suas competências de uma forma abrangente e global, pos-
sibilitando diversas formas de demonstração da aquisição dos conhecimentos, capacidades, atitudes e
valores, mas o papel do docente é determinante. Exemplificando, se definirmos o objetivo «escrever
à mão um texto sobre as férias, usando, pelo menos, 20 palavras», provavelmente alguns alunos com
limitações motoras terão dificuldade em atingi-lo. Mas, se definirmos o objetivo de um modo mais
abrangente, por exemplo: «escrever um texto de 20 palavras», alunos com limitações diversas podem
participar e progredir, usando outros recursos para além da escrita manual (e.g. recorrendo ao uso do
computador, ou a símbolos pictográficos para a comunicação). Hitchcok e colegas (2002) realçam que
122
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Na disciplina de geografia, ilustrações sobre migração que poderiam ser modificadas
para incluir um foco nos fatores de empurrar e puxar que levam diversos grupos popu-
lacionais, a migrar dentro e entre países. É sabido que grande parte dos movimentos
migratórios acontecem por questões económicas ou políticas. No entanto, há quem
emigre para fugir do controlo social exercido nos seus ambientes de origem, como acon-
tece, por exemplo com pessoas que se identificam como LGBTQI+, ou quem emigre para
aceder a um modo de vida mais consentâneo com os seus ideais ou valores.
Nas aulas de matemática do 1.º CEB, a redação dos problemas pode ser modificada para
refletir a identidade de género como forma de promover a diversidade e a inclusão para
diversos grupos populacionais.
[N]A PRÁTICA
Também as estratégias de ensino no DUA devem ser acessíveis, flexíveis e diferenciadas de modo a pro-
porcionarem experiências de aprendizagem adequadas e desafiantes para todos os alunos (Hitchcock
et al., 2002), sendo, para tal, importante ter um conhecimento detalhado dos alunos e dos contextos
onde se desenrola o processo de ensino e aprendizagem. Nesse sentido, o National Center on Universal
Design for Learning (2014) considera que o docente deve ter em atenção: i) os diferentes modos como
os alunos se envolvem e realizam as tarefas propostas, ii) os recursos sociais e emocionais a que recor-
rem, iii) a avaliação dos progressos, e iv) o ambiente de sala de aula.
Na mesma ordem de ideias, os materiais e recursos a usar devem ser variados e flexíveis, de modo a
oferecer os meios e os apoios necessários para que os alunos possam aceder, analisar, organizar e sin-
tetizar os conteúdos estudados, demonstrando a sua compreensão.
A avaliação das aprendizagens deve ser suficientemente flexível, de modo a permitir a recolha siste-
mática e contínua de informação clara sobre o progresso dos alunos (National Center on Universal
Design for Learning, 2014). Como referem Hichcock e colegas (2002), é fundamental compreender os
progressos individuais de cada aluno e “recolher informação que ajude os docentes a ajustar o seu
ensino e a maximizar a aprendizagem” (p. 13). Em termos do progresso individual dos alunos, importa,
123
sobretudo, avaliar se estes realizaram as aprendizagens pretendidas, independentemente do processo
usado para tal. Pensando no exemplo anteriormente apresentado sobre a escrita, o que importa ava-
liar é se o aluno conseguiu ou não escrever o texto de 20 palavras, sendo irrelevante o processo usado
para tal (escrita manual ou no computador).
● Implicam um bom domínio da diversidade, tanto ao nível dos alunos como dos
Estratégias de ensino contextos.
● Devem ter um carácter ativo para que o aluno seja capaz de desenvolver capaci-
dades e atitudes e não apenas reter conhecimentos.
● Devem ser previamente evocados, de forma a que a integração dos novos sabe-
res possa beneficiar de redes neuronais já estabelecidas.
Conhecimentos prévios
● Esta “ancoragem” de novos conceitos em conceitos prévios não pode ser ocasio-
nal e obrigatoriamente requer intencionalidade por parte do docente.
124
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
● Deve ser suficientemente flexível, de modo a permitir a recolha sistemática e
contínua de informação clara sobre o progresso dos alunos.
● Expresso não só na excelência da nota dos testes e exames, mas também, e so-
bretudo, na superação individual.
Sucesso
● O sucesso é progresso e não só o alcance de um objetivo normativo.
Vejamos, agora, alguns exemplos de grelhas de planificação da aula tendo por base os princípios do
DUA. É fundamental que a planificação espelhe a operacionalização das medidas universais, para
responder às necessidades de todos os alunos para a melhoria das práticas inclusivas. Mais uma vez
reforçamos que a consulta destes ou de outros instrumentos/documentos e deve ser encaradas como
trabalho pedagógico essencial, mas devidamente adaptados à realidade dos contextos de cada um.
125
PARA SABER
(Sugestões: Observe os alunos. Escute (Sugestões: Materiais a utilizar ou a (Sugestões: Fotos, registos de apren-
o que dizem. Fale com as famílias. Pro- introduzir, visitantes a convidar, es- dizagem, desenhos, tentativas de
cure a informação em livros, websites, tratégias, palavras relacionadas com o escrita, debates, portefólios, diários,
visitas…) interesse/acontecimento…) encontros com pais)
Vamos descobrir as propriedades da água (no site da DGE/Apoio às Escolas, existem várias pla-
nificações para as diferentes áreas disciplinares e anos de escolaridade)
https://apoioescolas.dge.mec.pt/recursos/modelo-de-planificacao-de-atividades-de-ciencias-naturais-5o-ciclo-
vamos-descobrir
Crónica - Língua Portuguesa (no Portal do Professor do Brasil existem vários planos de aula)
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000016791.PDF
Fractals, an Inquiry (CAST/UDL tem uma plataforma Lesson Builder com mais de 2 000 planos de
aula partilhados por docentes)
http://lessonbuilder.cast.org/explore.php?op=static&pid=fractals_1
Sea Level Rise: The Ocean’s Uplifting Experience (MIT Blossoms reúne planos baseados em vídeo)
https://blossoms.mit.edu/videos/lessons/sea_level_rise_ocean%E2%80%99s_uplifting_experience
126
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
VÍDEO 26
Diretrizes na prática
https://www.youtube.com/watch?v=pUXMuQFJZdY&t=181s
*Ativar legendas automáticas em português
[N]A PRÁTICA
2. Expliquem como adaptariam este plano de aula/atividade para uma versão online, que es-
tratégias e ferramentas adotariam e que orientações a distância dariam ao(s) aluno(s) que dela
necessitasse(m).
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de um plano de aula
127
2.8. Aplicação colaborativa dos princípios subjacentes ao Desenho Universal para a Aprendizagem
Quando nos referimos à aplicação dos princípios subjacentes ao DUA, utilizaremos mais frequente-
mente o conceito de colaboração, em detrimento do conceito de cooperação. Convém clarificar que
ambos os conceitos podem ser encarados como “duas versões da mesma coisa” (Freitas & Freitas,
2003, p. 23) ou usados distintamente em função do grau de divisão do trabalho.
Figura 45. O trabalho colaborativo como um alicerce para as (des)construções e para a (s) mudança(s)
Clarificando conceptualmente os dois conceitos, o termo “colaborar” é mais vasto e amplo do que o
termo “cooperar”. A cooperação é uma estrutura de interação social delineada com a finalidade de fa-
cilitar o cumprimento de um objetivo ou produto final. Tem por base princípios definidos que orientam
as técnicas a serem utilizadas no trabalho de grupo. Por sua vez, a colaboração é percebida como uma
filosofia de interação e estilo de vida pessoal. Está ligada aos princípios da solidariedade e de empatia
sem um compromisso obrigatório explícito (Pereira, Santos & Piscalho, 2015).
128
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
EM DESTAQUE
Cooperação e Colaboração
Ao conceito de colaboração subjaz a noção de que uma atitude promotora do diálogo, da ação e da
reflexão entre diferentes pessoas possibilitará a criação de uma nova comunidade, podendo potenciar
transformação em contexto de educação, especialmente quando docentes se reúnem pela melhoria da
sua prática, produção de conhecimento e transformação (Goulet, Krentz & Christiansen, 2003).
São reportadas algumas dificuldades na implementação do DUA nas nossas escolas, pelo
que a dinamização de espaços e tempos de reflexão, partilha e planificação conjunta
são imprescindíveis. Mas também há relatos de docentes que têm consciência das suas
potencialidades na eliminação de barreiras à aprendizagem e na criação e promoção de
percursos de sucesso de TODOS os alunos. (...). Será oportuno abordar a questão do tra-
balho colaborativo.
[N]A PRÁTICA
129
Atividade 23 – Trabalho colaborativo EXPLORAR
1. Convidamo-lo a assistir ao vídeo “A árvore”. REFLETIR
(RE)CRIAR
VÍDEO 27
A árvore
https://www.youtube.com/watch?v=GPeeZ6viNgY&t=55s
2. A partir das seguintes premissas, que reflexões podem ser feitas sobre o trabalho colaborativo
no que diz respeito a:
- lidar com um problema para reunir informações e progredir em conjunto;
- melhorar a comunicação entre os membros da equipa;
- descobrir o valor dos recursos individuais e em grupo de uma equipa?
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
130
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
1. Algumas destas sugestões já são uma realidade na vossa escola? Quais estão a ser pensadas?
Quais poderiam ser equacionadas?
2. Que outras estratégias/eixos para criar um ambiente colaborativo podem ser implementados
nas escolas?
Pistas de dinamização:
Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
Construção colaborativa de uma grelha de propostas/estratégias para criar ambientes mais colaborativos
131
EM DESTAQUE
Gigantes da tecnologia
Fonte: https://www.greatplacetowork.com/certified-company/1000103
Muita gente tem, de facto, curiosidade em saber como é a rotina de trabalho em lugares
como Google, Facebook, Netflix, etc. Quando pensamos nessas empresas, assumimos que es-
ses lugares oferecem flexibilidade de horário, salas de descanso, lanches e frutas à disposição,
entre outros benefícios. No entanto, o que que essas empresas têm em comum e o que as tor-
nou líderes e referência mundial foi o ambiente de trabalho colaborativo.
Os docentes poderão aprender a trabalhar mais coletivamente, a trabalhar mais uns com os outros, a
trabalhar não só no interior da sala da aula, mas também trabalhar mais com os seus colegas (Nóvoa,
2016). Para tal, urge pensar e incentivar formas colaborativas de aprendizagem profissional em dife-
rentes contextos. Estes são:
i. dentro da(s) escola(s) de pertença, em grupos de várias naturezas, para promover o desenvol-
vimento de políticas e práticas;
ii. como parte de cursos em serviço ou oficinas para docentes e outros agentes educativos;
iii. em projetos de pesquisa-ação colaborativa envolvendo escolas que trabalham com o apoio de
instituições de ensino superior;
iv. nos cursos de formação inicial de professores.
132
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Na sua definição, os Planos de Ação Estratégicos são, ou deveriam ser, construídos numa lógica bottom-
-up, ou seja, as suas medidas são definidas pelas escolas e podem abranger diferentes áreas tendo em
conta as fragilidades identificadas na promoção do sucesso escolar. As ações estratégicas delineadas pe-
las diferentes escolas sugerem, sobretudo, modelos de flexibilidade organizacional e curricular, trabalho
colaborativo (nomeadamente, articulação curricular e supervisão pedagógica), intervenções sociocom-
portamentais (com destaque para a ação de equipas multidisciplinares integradas e no apoio tutorial
específico), enriquecimento curricular, apoio à aprendizagem e envolvimento dos pais (OCDE, 2022).
133
Atividade 25 – A Associação de Professores de Alberta: Atividades EXPLORAR
de aprendizagem profissional para o crescimento profissional REFLETIR
(RE)CRIAR
Em Alberta, Canadá, a Associação de Professores de Alberta (ATA)
apresenta várias atividades de formação profissional que os docentes podem realizar, incluindo
a leitura de revistas profissionais, a implementação de novas práticas na sala de aula e a adesão
a organizações profissionais. As atividades de formação profissional podem ser realizadas indivi-
dualmente ou em colaboração, como parte de um plano de formação profissional. A Associação
de Professores de Alberta afastou-se da formação profissional focada no desenvolvimento indivi-
dual para atividades baseadas na escola, como coaching, parcerias e desenvolvimento de equipa/
grupo. Algumas das atividades de formação profissional oferecidas pela ATA incluem:
- Visita à sala de aula/escola: A ATA incentiva os docentes a visitar colegas que ensinam em outras
salas de aula para observar práticas de ensino inovadoras e expandir e refinar as suas próprias
estratégias pedagógicas. No entanto, para que isso aconteça, as direções escolares devem estar
preparadas para mobilizar docentes substitutos.
- Mapeamento de currículo: a ATA incentiva os docentes a usar mapas de currículo na sua forma-
ção. Os mapas curriculares são ferramentas para organizar o ensino. Descrevem uma sequência
para a entrega de conteúdo e fornecem um projeto claro para o que deve ser ensinado a todos os
alunos conforme o especificado no currículo. Um mapa curricular também pode servir como uma
ferramenta para recolher dados sobre o currículo implementado numa determinada. Ao mapear
134
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
o que é realmente ensinado e quando, e alinhando-o com os dados da avaliação, os docentes po-
dem adaptar as estratégias de ensino.
Fonte: The Alberta Teachers’ Association (n.d.[96]), Professional learning activities for professional growth
https://www.teachers.ab.ca/
1. Considerando esta prática, que foi monitorizada e teve bons resultados, seria possível transferi-
-la para os vossos contextos? Como se poderia operacionalizar?
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de propostas/estratégias de implementação
A colaboração no âmbito da Educação Inclusiva pode ser estabelecida sob a forma de diversos mode-
los, designadamente, a “consultoria” colaborativa pelo docente/profissional da EMAEI, a codocência,
na qual diversos profissionais trabalham com os docentes do ensino regular na sala de aula, a intervi-
são, entre outros (Almeida et al., 2015).
Argüeles et al. (2000) referem que o trabalho colaborativo pode diminuir distinções dos papéis exercidos
pelos profissionais, mas também pode ajudar a definir tais papéis, contribuindo para um bom funciona-
mento da equipa envolvida. Por conseguinte, a colaboração envolverá o compromisso de todos - docen-
tes, diretores da escola e da comunidade - para identificar as dificuldades e potencialidades apresentadas
no contexto (aprendizagem, comportamentos, outros aspetos). Contudo, a exequibilidade de tal perspe-
tiva implica, naturalmente, encarar o processo enquanto um projeto coletivo que assenta na lógica de
compromisso e responsabilidade compartilhada e alicerçada numa cultura colaborativa entre a escola, as
famílias e outros atores sociais, educativos e formativos (Nunes, Dias, & Orvalho, 2015).
135
A criação de dinâmicas colaborativas sobre e nas práticas em contexto escolar, fazendo emergir as difi-
culdades sentidas no quotidiano do exercício da função docente, é uma forma de inovar. A observação
de aulas entre pares interdisciplinares, por exemplo, permite ter em sala de aula alguém que com-
preende e reconhece essas dificuldades e, em pé de igualdade, está disponível a refletir em conjunto, a
partilhar práticas, a investigar na e para a ação, a encontrar as melhores respostas para as ultrapassar,
constituindo-se como motor de inovação e de desenvolvimento profissional e organizacional (Carva-
lho & Moreno, 2018). A exequibilidade de tal perspetiva implica, naturalmente, encarar a educação
e formação enquanto um projeto coletivo que assente na lógica de compromisso e responsabilidade
compartilhada e alicerçada numa cultura colaborativa entre a escola, as famílias e outros atores sociais,
educativos e formativos (Nunes, Dias, & Orvalho, 2015).
Assim, o modelo colaborativo implica que cada um dos participantes envolvidos contribua de formas
diversas para a mudança, assumindo uma postura de respeito por si próprio, pelo outro e pelo projeto
em si, ouvindo outras ideias e opiniões, reconhecendo outras formas de estar e de trabalhar e a sua
importância para o cumprimento de um objetivo comum (Carvalho & Moreno, 2018).
O trabalho colaborativo em contexto escolar permite, segundo Lieberman (1986), a criação de uma
estrutura para docentes que facilita a reflexão e a ação, interligando indivíduos, na medida em que
privilegia a interação. É, assim, importante realçar que, ao validar o conhecimento prático de todos
os intervenientes no processo, se contribui para a redução do desfasamento muitas vezes existen-
te entre o trabalho prévio de pesquisa e reflexão e a implementação dos resultados obtidos. Deste
modo, poder-se-á afirmar que as criações de estruturas de natureza colaborativa em contexto escolar
contribuem para a diminuição do isolamento no desenvolvimento da prática educativa, muitas vezes
experienciado pelos vários atores, promovendo, simultaneamente, um compromisso permanente com
a aprendizagem e formação contínua em contexto (Lieberman, 2000), podendo, desta forma, haver lu-
gar à constante expressão de deias e pensamentos. Ao adotar e disseminar uma postura colaborativa,
o docente experimenta uma constante atualização do conhecimento pedagógico, didático e científico
que impactará nas práticas, métodos e recursos educativos.
A partilha de experiências, sucessos e inquietações pedagógicas é uma forma de ser e de estar profis-
sionalmente que, se alicerçada em processos de problematização, análise, reflexão e negociação de sig-
nificados, favorece a emergência de propostas e soluções educativas mais pertinentes. A colaboração
nas escolas conduz à regulação partilhada, centrada nas práticas e no contexto de problemas a resolver,
incrementando, de facto, o desenvolvimento profissional (e não só) de todos, na ótica de Canário (2014).
O trabalho colaborativo pode ocorrer ao longo do ano letivo ou durante períodos de tempo a definir tendo
em conta as estratégias, o currículo curricular e as necessidades e características dos contextos. Para que
isto seja possível, os horários poderão ser pensados para neles caberem estes momentos de interação.
136
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Caso se opte por uma colaboração mais pontual, Kampwirth (2003) propõe que esta deve ser desen-
volvida em etapas, por exemplo:
Encaminhamento, que deve ser iniciado pelo docente que necessite de apoio e, para isso, o “consul-
tor” deve inteirar-se ao máximo dos vários elementos relevantes para a análise do contexto do caso;
Discussão inicial com o docente titular de turma;
Observação na sala de aula, seguida de reflexão, pois os problemas de aprendizagem ou de compor-
tamento exigem um tempo maior de observação, sendo necessário atentar-se em aspetos referentes à
dinâmica do comportamento e do processo de ensino e de aprendizagem;
Avaliação e encaminhamento dos alunos;
Plano de intervenção - neste ponto, o “consultor” deve rever todos os outros encaminhamentos: a
fala com o docente e encarregado de educação; a observação do(s) aluno(s) e da turma, as possibilida-
des de discussão entre os envolvidos no processo. Munido com o plano, definido prévia e colaborativa-
mente, e tendo feito todas as reflexões, recomenda-se que o enfoque colaborativo seja realizado junto
com o “consultado”, para poder desenvolver o plano para intervenção;
Monitorizar a intervenção, pois a avaliação deverá ser formativa e acumulativa, ou seja, baseada no
processo, para determinar as metas da consultoria.
Esta colaboração contribui para possíveis mudanças nas práticas pedagógicas, para o acesso a novas
ideias, conhecimentos e, de um modo especial, para a aprendizagem de como iniciar e consolidar mu-
danças educativas inclusivas.
A perspetiva da Educação Inclusiva apresenta-se como uma área que valoriza, intrinsecamente, o
potencial humano e as respetivas práticas. De facto, a experiência dos profissionais em colaboração,
como revelam Almeida e colegas (2015), é fundamental em situações de aprendizagem em sala de
aula, no estudo de comportamentos e de estratégias para resolução de problemas, na observação do
aluno com relação ao seu posicionamento diante de dúvidas e do seu rendimento nas avaliações e de-
senvolvimento escolar. Nesta ocasião, especificamente, pode observar-se o que os docentes realizaram
no âmbito dessa colaboração em todos os sentidos (necessidades, planificação, intervenção, avaliação
e monitorização), quando observadas as atividades em salas de aula, numa lógica de intervisão.
Além de observações, outras estratégias podem ser desenvolvidas e utilizadas neste apoio para o de-
sempenho escolar do aluno com NE, como acomodações na sala de aula, adaptações de acesso ao cur-
rículo, reestruturação do sistema escolar, trabalho com a família e com a comunidade. Estratégias estas
que podem ser concretizadas através de parcerias com outras instituições educativas, nomeadamente,
instituições de ensino superior, nacionais e internacionais. Este trabalho colaborativo contribuirá, de-
certo, para a efetivação, crescimento e divulgação desta modalidade, que parece estar no caminho
para a resolução de alguns desafios apresentados na área da Educação Inclusiva.
137
Atividade 26 – Intervisão EXPLORAR
REFLETIR
Considerem-se os seguintes testemunhos de duas professoras, (RE)CRIAR
sobre a questão do trabalho colaborativo nas suas escolas:
Testemunho 1
“Trabalho colaborativo? Claro! Da maior importância, mas, outra falha. As pessoas não estão mo-
tivadas. Cumprem horário. Estão descontentes. Uma carga de trabalho que não lembra a nin-
guém… justificar faltas, ter que estar sempre atenta às faltas, as atas, as reuniões, os relatórios
para a CPCJ, para o tribunal, arrumar processos, papelada, muito dossier de turma, plano de
turma, tudo no papel… o articular, verdadeiramente, é uma utopia… Não temos horários sincro-
nizados e temos que articular!”
Testemunho 2
“A nossa Escola está aberta a toda a comunidade educativa, mas especialmente para aqueles
que nada têm a não ser a Escola, todas as quartas-feiras das 18h00 às 19h30. Neste espaço, pais
e filhos podem contar com um vasto conjunto de serviços/apoios/respostas/desafios: apoio psi-
cológico, serviço social, apoio TIC, Oficina do Saber (apoio escolar), Oficina do Fazer (partilha de
saberes entre mães), Clube Ubuntu...”
Testemunho de uma professora de ensino básico num fórum de formação no âmbito da formação
do Projeto “Educação Inclusiva”
2. Em termos ideais, que lugar deveria ter o trabalho colaborativo entre pares na escola? E na
melhoria das práticas pedagógica? Poderão refletir sobre:
Papel ou atividades dos intervenientes;
Responsabilidades assumidas;
Benefícios para os envolvidos;
Ideia de colaboração subjacente.
138
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de uma grelha de propostas/estratégias para criar ambientes mais colaborativos
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de uma grelha de propostas/estratégias para criar ambientes mais co-
laborativos
139
Por isso, o trabalho colaborativo entre docentes titulares de turma/conselhos de turma, outros profis-
sionais de educação, família, comunidade, suportado por um maior conhecimento dos alunos, contri-
buirá decisivamente para a tomada de consciência coletiva da pertinência e importância dos pressu-
postos e princípios orientadores em que assenta o paradigma de Inclusão proposto (Alves et al., 2018).
Como se encontram organizadas na vossa escola? Qual o seu modo de funcionamento e articula-
ção, virtudes e limitações?
Indiquem quais os serviços/apoios/medidas adotadas pela sua escola, considerando o tipo, inten-
sidade e frequência da intervenção, com base no anexo 11 do manual/PDF.
140
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
PARA SABER
Piper
https://www.youtube.com/watch?v=qAIRXIckfMA
The present
https://www.youtube.com/watch?v=WjqiU5FgsYc&t=173s
A joy story
https://www.youtube.com/watch?v=iR-JFks6uI0
Partly cloudy
https://www.youtube.com/watch?v=PfyJQEIsMt0
141
2.9. Contributo do Desenho Universal para a Aprendizagem na construção
de ambientes inclusivos e que combatam as desigualdades entre os alunos
Como já havíamos mencionado, o DUA foi importado da arquitetura com base na conceção de que não
existe um “utilizador normal”, apresentando como objetivo central a acessibilidade para todos (Berg-
man e Johnson, 1995; Dinnebeil et al., 2013). Analogamente, os docentes necessitarão de projetar
ambientes e currículos inclusivos de uma aprendizagem para todos (Moreno Díaz et al., 2021).
2. O que vos diz a vossa experiência face à perspetiva de mudança atual e futura?
Figura 51. Exemplos de diferentes ambientes de sala de aula ao longo dos tempos.
http://www.escultorfsa.pt/ebouteiro/
https://erte.dge.mec.pt/ambientes-educativos-inovadores
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
142
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Figura 52. Diversidade rima com oportunidade adaptado de CAST (2014) e Rapp (2014)
EM DESTAQUE
A escola vai ser muito diferente. Esta escola que nós conhecemos, esta escola normalizada, num
prédio escolar, numa sala da aula, com o professor dando aulas para um conjunto de alunos,
parados, sentados e imóveis ... tudo isto já pertence ao passado.
A sala de aula, a escola que nós queremos hoje, é uma sala, uma escola de trabalho coletivo,
onde os alunos estão em pequenos grupos, a estudar, muitas vezes com o suporte digital, outras
vezes com os seus colegas, numa atividade de cooperação, em que o professor continua a ter
um papel muito importante, para organizar as aprendizagens, para organizar o estudo. Vai ser
muito mais um lugar de estudo e de trabalho do que um lugar onde se dão aulas.
Mas [a escola] vai continuar a ter, felizmente, um papel muito importante para o futuro. (...)
Transcrição do vídeo do Professor António Nóvoa, realizado no âmbito de um ciclo de palestras do Instituto Ayrton
Senna e do Instituto Singularidades, publicado no dia 1 de agosto de 2016, sobre os desafios na educação do século XXI.
Um dos principais inimigos da escola é a própria escola, quando ela impõe rotinas no lugar das atividades,
quando ela passa a ser símbolo de repetição e chatice em vez de terreno de aventura intelectual. Face a esta
escola, estão certos os alunos e docentes que tentam subverter a escola, desescolarizá-la (Charlot, 2008).
143
Trazendo o conceito do DUA para o interior da escola, o docente pode ser aquele que cria ambientes e ferra-
mentas pedagógicas com a intenção de que todos possam participar nas atividades, garantido a equidade, de
modo a que o conhecimento de cada um e de todos possa avançar, ser ressignificado e ampliado. Ou seja, é
desejável que se atue na perspetiva do Desenho Universal, com intencionalidade pedagógica.
Segundo Dinnebeil e colegas (2013), todas as crianças e jovens, independentemente das suas capacidades,
necessidades ou património cultural, devem ter acesso a um ambiente rico de aprendizagem, desenhado
para ajudá-las a adquirir as competências de que precisam para ter sucesso na escola e na vida.
Na primeira imagem (A), o aluno com deficiência visual simula a observação da célula e
cebola no microscópio.
Na segunda imagem (B), o aluno observa a diferenciação celular das células da cebola e
cortiça através de texturas.
[N]A PRÁTICA
144
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Ora, o DUA, em complementaridade com a intervenção multinível, assumem um papel central e determi-
nante, requerendo uma maior flexibilidade tanto a nível organizacional como pedagógico, problematizan-
do novas formas de ensinar e de aprender, com respeito por percursos individualizados de aprendizagem.
Para tal, é necessário o (re)ajuste nos espaços e tempos, na organização dos alunos e dos modos de tra-
balho dos docentes, e na gestão do currículo, uma (re)organização e clarificação dos princípios, métodos
e estratégias de ensino e de aprendizagem, incluindo os processos avaliativos (Alves et al., 2018).
VÍDEO 28
Ambientes favoráveis à aprendizagem
https://www.youtube.com/watch?v=ORyseYOJLDY&list=PLnlVD1Xxht1x98aAxdW4IBLftsF2S8DyR
O DUA, com a sua abordagem centrada no aluno, assenta em pressupostos construtivistas, que se
cruzam com o conceito de aprendizagem ativa, isto é, quando os alunos se envolvem, participam e
refletem sobre o que estão a fazer.
Por conseguinte, a aplicação em sala de aula dos três princípios expressos no DUA contribui para a
criação de ambientes de aprendizagens acessíveis e desafiantes, em que cada aluno possa tornar-se
num aluno especialista e os meios para lá chegar devem ser flexíveis, pelo que devem ser considerados
na planificação das aulas.
As tecnologias digitais aplicadas e enquadradas nos princípios do DUA facilitam e tornam mais eficaz a
personalização do currículo de forma a ir ao encontro das necessidades dos alunos. Muitas tecnologias
têm incorporadas funcionalidades que ajudam os alunos a compreender, navegar e a motivá-los no
ambiente de aprendizagem.
145
A tecnologia está presente na nossa economia e cultura, e os alunos necessitam de um vasto leque de
competências e literacias para lidarem com uma sociedade em mudança. O conhecimento das tecno-
logias também permite equacionar outras opções que não as envolvam. A tecnologia pode ser usada
diariamente por/com todos os alunos. Existem recursos específicos para alunos que precisam de apoio
adicional para aceder ao currículo e melhorar a participação. Mas o simples facto de se usar tecnologia
na sala de aula não significa que se está a implementar o DUA e muitas tecnologias têm os mesmos
problemas de acessibilidade de opções não tecnológicas. Ou seja, a tecnologia também tem de ser
planeada e incorporada no currículo (CAST, 2011).
PARA SABER
Sobre aprendizagem ativa:
Porém, as tecnologias não são o único meio para pôr em prática o DUA; os docentes podem recorrer
a muitas soluções (low-tech) para flexibilizar os ambientes de aprendizagem de modo a que sirvam a
diversidade de alunos. Existem várias metodologias pedagógicas que promovem uma aprendizagem
ativa, tais como trabalho colaborativo em sala de aula, discussão e brainstorming, aprendizagem ba-
seada em problemas e/ou em projetos, aula invertida (flipped class), estudo de casos, experiências em
laboratório, aprendizagem com simuladores e com jogos, e muitos outros métodos de aprendizagem.
146
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Apresentamos dois exemplos de atividades escolares que recorrem a uma abordagem
ativa, experimental, envolvendo várias formas de representação.
[N]A PRÁTICA
147
Criar um clima escolar inclusivo, fomentando experiências práticas que permitam que os alunos “apren-
dam – fazendo”, praticando a autoconsciência e a autoconfiança, enquanto despertam a curiosidade,
parece ser o ideal.
VÍDEO 29
Aula de Educação física
https://www.youtube.com/watch?v=mVGSZP4TjVY
[N]A PRÁTICA
148
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
O clima escolar é um conceito amplo e multidimensional, que pode relacionar-se com todos os aspetos
da experiência escolar. Num clima escolar positivo, os alunos sentem-se física e emocionalmente segu-
ros; os docentes são solidários, entusiasmados e recetivos; as famílias participam voluntariamente nas
atividades escolares; a comunidade escolar é construída em torno de relações saudáveis, respeitosas e
cooperativas; e todos cuidam das instalações da escola e trabalham juntos para desenvolver um espí-
rito escolar construtivo (OCDE, 2022).
Com base em pesquisas existentes, a OCDE identificou quatro áreas principais, algumas das quais são cober-
tas pelo PISA 2018 (OCDE, 2019): segurança; ensinar e aprender; comunidade escolar; ambiente institucional.
A promoção de ambientes escolares inclusivos é fundamental para a Educação Inclusiva, pois os alunos, do-
centes e outos atores passam grande parte do tempo na escola. Entre outros elementos, uma escola inclusiva
é aquela em que todos se sentem seguros, valorizados e a que pertencem (Pappámikail & Beirante, 2022).
Muitas escolas portuguesas implementam projetos para promover a inclusão e a competência global.
Também organizam o espaço escolar para criar um ambiente institucional acolhedor para todos.
[N]A PRÁTICA
149
Agrupamento de Escolas João de Deus
Numa escola do agrupamento, em Faro, há paredes repletas de imagens de defensores dos
direitos humanos de todo o mundo. Cada imagem fornece textos curtos sobre as ações do
defensor, como defender os direitos de grupos étnicos minoritários ou defender a liberdade
de expressão. O agrupamento dispõe, ainda, de uma sala com material de filmagem, onde
os alunos podem criar conteúdo visual com alunos com deficiência auditiva para conscien-
cializar sobre o uso da língua gestual portuguesa.
150
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Agrupamento de Escolas Castro Verde
VÍDEO 30
Prática de Diferenciação Pedagógica em Sala de Aula
https://www.youtube.com/watch?v=Kba_HeaBnMQ
As decisões curriculares e pedagógicas a tomar pelos docentes, bem como os projetos e ativi-
dades a desenvolver pela escola, devem ter em consideração os contextos de cada comunidade
escolar como parte integrante do currículo.
VÍDEO 31
DUA e Autonomia e flexibilidade Curricular
https://youtu.be/ga1w8SaPJBY
[N]A PRÁTICA
151
As formas pelas quais as crianças e os jovens melhor assimilam o conhecimento são cada vez mais ob-
servadas, estudadas e expostas, e o resultado disso são as mais variadas práticas pedagógicas que se
aplicam nas escolas hoje em dia.
A aprendizagem mediada assume um papel fundamental no desenvolvimento das aptidões dos alunos,
pois garante que a aprendizagem das diferentes competências (conhecimentos, capacidades e atitu-
des) ocorre mediante a automatização de procedimentos ajustados e eficazes. A mediação desperta
confiança nos alunos, criando a sua autonomia. Desse modo, as ações são percebidas e realizadas pelo
docente, através do contato, interação e troca.
Para Vygotsky (1991), o docente é um mediador por excelência, a figura essencial do saber, por represen-
tar um elo qualificado e intermediário entre o aluno e o conhecimento disponível no ambiente. O docen-
te, assim, agrega a mediação direcionada ao ensino, à aprendizagem e ao desenvolvimento de todos os
alunos, na maior extensão possível, sem a necessidade de adaptação ou projeto específico (ONU, 2006).
Deixar o aluno resolver problemas por tentativa e erro ou mostrar-lhe e treinar com ele?
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
152
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
O protagonismo precisa, então, de ser dividido. É aqui que entra a chamada metodologia ativa, por exemplo.
Existem três elementos fundamentais para uma boa mediação: a primeira é a intencionalidade e
reciprocidade (o docente quer ensinar e conquista a vontade de aprender do aluno); a segunda é
a transferência (o aluno aprende numa situação e consegue aplicar em qualquer outra); a terceira é
a mediação do significado (o docente ajuda o aluno a interligar as informações construídas).
VÍDEO 32
A Panela de Lorenzo
https://www.youtube.com/watch?v=nSh_KGiYjqk&t=18s
1. O que nos transmite esta história? Como a podemos relacionar com o Desenho Universal para
a Aprendizagem na construção de ambientes inclusivos, refletindo sobre o nosso papel?
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
A forma mais positiva de adquirir conhecimento é com mediação, incitando a motivação; mediar gera
o desenvolvimento, que gera o conhecimento. Esta é uma visão do processo de ensino e de aprendiza-
gem como um procedimento colaborativo.
A aprendizagem mediada tem como foco o processo de mediação no desenvolvimento das ações men-
tais, garantindo, dessa forma, a estruturação cerebral das mesmas, mediante procedimentos que as
fazem resultar em aptidões (e não em barreiras). O ensino presume que a inteligência já está desenvol-
vida e que o domínio da matéria é o principal objetivo. A mediação está preocupada em fazer com que
153
os alunos dominem o próprio processo de raciocínio (Faria, 2018). A ausência da mediação da apren-
dizagem pode provocar a estagnação do desenvolvimento, porém, a função principal do mediador é
tornar-se cada vez menos necessário, ou seja, fazer com que o aluno possa caminhar sozinho.
PARA SABER
Quando falamos de DUA, não nos podemos desligar do conceito de diferenciação pedagógica nem da con-
tribuição das Medidas Universais para a promoção da equidade de oportunidades de acesso e participação
em contexto educativo, contribuindo, assim, para a qualidade do ensino.
Não existe um consenso sobre a definição do termo “pedagogia diferenciada”, que pode ser entendido
como um instrumento, uma atitude, uma abordagem, uma filosofia, uma estratégia de adaptação do
currículo ou um modelo de gestão de sala de aula. O objetivo é considerar a diversidade dos alunos e
dar a todos a chance de aprender.
A pedagogia diferenciada é, por isso, uma resposta que resulta de uma análise pró-ativa e constante da
relação entre o aluno e a atividade, mediada pelo docente.
De acordo com Tomlinson (2004), existem quatro aspetos a diferenciar em sala de aula: conteúdo, pro-
cesso, produção e ambiente de aprendizagem. Os conteúdos representam o que os alunos deveriam
154
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
aprender e compreender, bem como os materiais e os mecanismos necessários para obter resultados.
O processo são todas as atividades que ajudam os alunos a desenvolver competências; as produções
são o meio pelo qual os alunos podem demonstrar e reforçar a sua aprendizagem; o ambiente de
aprendizagem é a forma como os alunos aprendem e como se sentem.
EM DESTAQUE
A aprendizagem tem mais probabilidades de ser conseguida quando existem ações pedagógicas
que visam a constante necessidade de equilibrar as competências do aluno e as exigências da
atividade em consonância com o DUA. Seguem-se alguns exemplos, entre outros, de aborda-
gens que contribuem para contextos educativos mais inclusivos:
Design thinking
Story Grammar Marker®
Mapas mentais e construção de esquemas
Storytelling
Trabalho de projeto
Uso intencional do processo de mediação (mediadores interculturais, tutoria, mentoria,
uso de guiões, planos individuais de trabalho, instrumentos de regulação do comporta-
mento, post-its, uso de código de cores, pistas visuais e conectores)
Promoção da avaliação criterial – uso de rubricas – para dar feedback no processo, entre outras
Oportunidade de demonstração, prática e reflexão sobre a prática
Diferenciação nas modalidades de expressão das competências
Diversidade de atividades, com vários graus de sofisticação, em diversos períodos de tempo
Uso de instruções por patamares
Modos flexíveis de organizar os grupos/alunos
Uso de testes automonitorizados
PARA SABER
Sobre pedagogia diferenciada:
https://webinars.dge.mec.pt/webinar/diferenciacao-pedagogica-0
https://www.youtube.com/watch?v=s0SkT6xT8SU&t=7s
https://www.apagina.pt/?aba=7&cat=542&doc=14893&mid=2
155
Atividade 31 – Mediação intercultural EXPLORAR
REFLETIR
No Colorado, Estados Unidos, o Departamento de Educação faz uso (RE)CRIAR
de mediadores culturais para facilitar a comunicação bem-sucedida
com alunos e famílias. Um mediador cultural é um indivíduo que ajuda na comunicação entre a
escola e a família da criança, para melhorar a compreensão da cultura do ambiente escolar, por
exemplo, compartilhar informações e criar um relacionamento que apoie as famílias como partici-
pantes plenos no processo de avaliação e prestação de serviços educacionais. Um mediador cultu-
ral deve ter experiência no campo da educação, ter conhecimento sobre desenvolvimento infantil
e políticas/procedimentos de educação especial, estar disponível regularmente e não deve ser um
membro da família da criança. Um mediador cultural é um indivíduo que é um membro valioso da
comunidade, com uma compreensão da língua e da cultura da família-alvo. Eles devem ser profi-
cientes na língua oral e escrita da cultura dominante, bem como na língua do aluno. Um mediador
cultural deve estar disposto a assumir a liderança e manter a confidencialidade, além de ser aceite
pela família (e comunidade) e ter habilidade nas relações interpessoais.
Esses programas também podem ser encontrados em organizações comunitárias, como igrejas,
locais de encontro na comunidade e organizações de serviços. Tarefas específicas que, normal-
mente, requerem mediadores culturais em ambientes escolares são reuniões, observações, ins-
trução e testes, bem como serviços psicológicos, de saúde, sociais e de apoio.
Colorado Department of Education (s/d), www.cde.state.co.us (accessed on 24 outubro 2022); Moore, Beatty and
Pérez- Méndez (Moore and Bell, 2017), The Right to Be Racist in College: Racist Speech, White Institutional Space, and
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
156
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
O projeto ADN 8 – Aprende a Descobrir a Natureza, para a disciplina de Ciências Naturais do
8.º ano, distinguido com uma medalha de prata no concurso BELMA (Best European Lear-
ning Materials), em 2022, é um bom exemplo de expressão do DUA (Desenho Universal
para a Aprendizagem).
O manual ADN 8 proporciona vários instrumentos de envolvimento do aluno, associados
à sua estrutura interna coerente, promotora do estudo autónomo. Isto contribui para
que os alunos tenham um papel ativo no seu percurso de aprendizagem.
Cada tema apresenta uma atividade de diagnóstico e de mobilização dos conhecimentos
prévios dos alunos e cada capítulo inicia-se com uma questão essencial, que apresenta o
grande objetivo a atingir no final desse percurso. Esta questão é retomada no final do ca-
pítulo, o que permite que os alunos comparem aquilo que sabiam com o que aprenderam.
Todos os capítulos abrem com um “Guia de apoio ao aluno”, que apresenta os objetivos
de aprendizagem a alcançar e os respetivos conceitos-chave, e terminam com duas sec-
ções: “Organiza o que aprendeste”, que sintetiza a informação essencial, e “Verifica o que
aprendeste”, que leva os alunos a mobilizar os conhecimentos/competências, resolven-
do exercícios diversificados. Esta última secção inclui a rubrica “Precisas de ajuda?”, que
orienta o aluno para o estudo em caso de dificuldade, remetendo-o para as páginas em
que os conteúdos foram abordados, o que promove a autorregulação das aprendizagens.
O manual ADN 8 apresenta ainda vários meios de representação da informação: textos,
esquemas, tabelas, fotografias, infografias, ilustrações científicas e ícones. Por exemplo,
os conceitos-chave de cada capítulo são destacados com um ícone específico, que permi-
te ao aluno identificá-los facilmente (Figura 53).
Figura 53. Apresentação de informação numa dupla-página do manual ADN 8 (pp. 2-3).
[N]A PRÁTICA
157
No manual ADN 8, apresentam-se ao aluno várias propostas de ação e de expressão,
como atividades laboratoriais e outras atividades (algumas das quais práticas) que mo-
bilizam diferentes competências, presentes nas rubricas “Ciência agora”, “Pensamento
crítico”, “Resolução de problemas” ou “Cidadania e sustentabilidade”. Esta última rubrica
tem como objetivo fomentar a consciência cívica e a responsabilidade social dos alunos
e motivá-los a agir. Para tal, sugere-se, por exemplo, a criação de mensagens que alertam
para problemáticas ambientais. A comunicação oral é valorizada através da sugestão de
propostas de trabalho que solicitam ao aluno a apresentação, aos colegas e docente, das
conclusões, recorrendo a diferentes meios.
Os alunos podem aceder, através da aplicação ADN 8 (disponível em todas as lojas vir-
tuais para todo o tipo de dispositivos móveis), a conteúdos digitais de realidade aumen-
tada associados a páginas específicas do manual: vídeos de cientistas a explicarem a sua
atividade, fotografias em 360° e animações. Esta funcionalidade visa facilitar a compreen-
são dos conteúdos e enriquecer a experiência educativa dos alunos. O projeto ADN 8
contempla, ainda, mais de 200 recursos multimédia, construídos de raiz, para apresenta-
ção de informação, para revisão e consolidação das aprendizagens, para interação (como
simuladores) e para avaliação.
O dossiê do docente apresenta a secção “Ciência inclusiva”, na qual constam propostas
de atividades adaptadas a alunos com necessidades específicas. O dossiê do docente in-
clui, ainda, outros instrumentos de diferenciação pedagógica, como fichas de ampliação
e fichas de recuperação das aprendizagens essenciais.
[N]A PRÁTICA
158
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Atividade 32 – Diversidade rima com oportunidade
EXPLORAR
REFLETIR
Partilha de uma docente num fórum de discussão no âmbito (RE)CRIAR
da formação “Projeto de Educação Inclusiva”:
“(...). Entenda-se que “não ficar de fora” não significa simplesmente o “estar dentro”. Pois, neste
momento, recebemos todos, mas será que estamos a assegurar a todos as condições de aprendi-
zagem e de sucesso educativo?”
2. Que aspetos concretos da vossa prática pretendem melhorar a partir destas discussões/reflexões?
3. Poderão essas mesmas medidas ajudar os alunos da vossa turma e combater as desigualdades?
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de uma grelha de medidas a implementar com vista à melhoria de práticas
Quando falamos em Educação Inclusiva e, especificamente, no DUA, muitas são as associações que
surgem à ideia das adaptações e das acomodações. Como respeitar o ritmo de aprendizagem de cada
criança ou jovem sem cair no “facilitismo”? O importante é encontrar um ritmo que seja adequado às
necessidades e às expetativas dos alunos e, também, à realização do seu pleno potencial. Esta visão faz
falta e, eventualmente, ajudará os docentes, sobretudo, a pensarem nisto no âmbito do DUA. Vejamos
o seguinte testemunho:
159
Respeitar o ritmo da criança não é não haver ritmo nenhum
[N]A PRÁTICA
Os decretos-lei n.ºs 54 e 55, ambos de 2018, contribuíram para clarificar a importância do processo de
avaliação das competências desenvolvidas pelos alunos bem como a sua operacionalização, que está
em harmonia com o DUA.
160
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
EM DESTAQUE
Neste sentido, uma avaliação ao serviço das aprendizagens, em detrimento de uma mera avaliação
das aprendizagens (Fernandes, 2021), constitui um forte elo com o DUA, pois assenta no pressuposto
do respeito pelo ritmo de aprendizagem de cada aluno, enquanto requer uma abordagem flexível e
personalizada por parte dos docentes. Tal abordagem é materializada na utilização de métodos e téc-
nicas avaliativas ajustadas às dificuldades e expetativas dos alunos, assim como o uso de materiais,
ferramentas, suportes e formas de avaliação diferenciadas e, portanto, de índole inclusiva (DGE, 2022).
O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e as Aprendizagens Essenciais, ambas em ar-
ticulação com a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, avocam que o foco da avaliação se
alargou a vários domínios do saber-saber e do saber estar, permitindo uma maior diferenciação e fle-
xibilidade, tanto numa vertente pedagógica como avaliativa, dos dispositivos conducentes ao sucesso
escolar como é atualmente definido, medido e objetivado (Pappámikail; Beirante, & Cardoso, 2022).
No quadro do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE), cabe precisamente às
comunidades educativas conhecer os seus contextos, assim como as suas dificuldades e potencialida-
des, a fim de conceberem planos de ação estratégica ajustados à realidade de cada escola, com o fito
de melhorar as aprendizagens dos alunos nas vertentes supramencionadas. Não obstante o sucesso
escolar surgir de uma multiplicidade de fatores internos ou externos à escola, é crucial entender a
nível local e regional como a comunidade educativa estabelece um compromisso com o propósito de
valorizar a aprendizagem.
161
No articulado destes projetos de intervenção com o DUA, deve ficar assegurado o cumprimento da missão
da Escola Pública, que é o de garantir a melhoria das práticas educativas e avaliativas em prol do acesso
universal aos saberes, atitudes e comportamentos necessários à vida em sociedade de todos os alunos.
Em termos gerais, os objetivos da avaliação não assentam unicamente nas aprendizagens curriculares,
mas num conjunto de competências que incluem uma presença mais robusta da educação para a cida-
dania com o propósito fundamental de assegurar uma conduta cívica dos futuros adultos que privilegie
a igualdade nas relações interpessoais, a integração da diferença, o respeito pelos Direitos Humanos e
a valorização de valores e conceitos de cidadania nacional.
Por outro lado, uma avaliação assente num modelo mais humanista e integrador, permite aumentar
as possibilidades de sucesso para todos os alunos, representando, em simultâneo, um desafio para
as escolas, em termos de implementação e responsabilização. Ora, pelo facto de estas orientações
serem ainda recentes, as definições e as práticas de avaliação diferem muito entre escolas em termos
de maturidade da aplicação dos projetos. Assim, embora algumas escolas estejam a tomar medidas
para valorizar a avaliação formativa, outras ainda se encontram muito orientadas para dar resposta
aos resultados dos exames nacionais como indicadores do sucesso do aluno (quando não da própria
definição de sucesso escolar), especialmente ao nível do ensino secundário, onde a avaliação tem sido
encarada como um meio de orientar os alunos para o ingresso no ensino superior. Por esta razão, ou
seja, porque a avaliação gera perplexidades e dúvidas, são considerados prioritárias a realização de
ações de formação contínua sobre diferenciação e avaliação para a inclusão (European Agency for Spe-
cial Needs and Inclusive Education, 2022).
162
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Nesta secção, a partir das referências estruturais do DUA, partilharemos alguns exemplos práticos de
grelhas de avaliação para diferentes níveis de escolaridade, visando incrementar o desenvolvimento
de formas de avaliação pertinentes, justas e rigorosas para todos os alunos e não apenas para alguns,
envolvendo-os diretamente no processo avaliativo (CAST, 2014).
Estes instrumentos são passíveis de serem testados e adaptados para as vossas escolas, constituindo
propostas válidas para posterior análise e reflexão, no sentido de discutir a sua utilidade e eficácia para
o desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas (Alves et al., 2018).
Hoje dispomos de evidências, conhecimentos e instrumentos que permitem ampliar mudanças na es-
trutura da escola e torná-la muito mais inclusiva, abrangente, eficaz e eficiente. Uma dessas transfor-
mações passa, necessariamente, pelas alterações nos procedimentos avaliativos.
EM DESTAQUE
A avaliação deverá:
163
O DUA, ao traduzir-se na aquisição de conhecimentos, competências e meios que permitem o en-
volvimento dos alunos no processo de avaliação, emergentes nos ambientes de aprendizagem mais
díspares, particularmente na dinâmica da sala de aula, possibilita uma avaliação ajustada ao desen-
volvimento de cada aluno. Esta forma participada de avaliação contínua tem um impacto direto no
desenvolvimento da autonomia e na autoestima dos mesmos. Avaliações mais frequentes e interativas
parecem ser mais adequadas para atender às diversas necessidades dos alunos e ao (re)ajuste de mé-
todos e técnicas pedagógicas por parte dos docentes (OCDE, 2018a).
[N]A PRÁTICA
164
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Na Escola do século XXI, inclusiva e equitativa, aprendemos a avaliar criando compromissos e planos
pessoais de aprendizagem, utilizando a capacidade individual, a persistência e a motivação para su-
perarmos as dificuldades e introduzirmos novas ferramentas, atentas aos processos e aos produtos,
presentes em todos os cenários de aprendizagem (Alves et al., 2018). De acordo com estes autores,
a avaliação e a aprendizagem formam uma entidade indissociável, caminham juntas, coordenando as
mudanças na metodologia, no desenvolvimento das experiências e no papel dos alunos e docentes.
Avaliar não é um processo que protagoniza os resultados (finais), é a ponte que regula o processo de
estruturação e construção do conhecimento desde o início da aprendizagem.
Ao planificar a avaliação para as aprendizagens, os docentes devem levar em conta as diversas neces-
sidades dos alunos na sala de aula. A mudança de um paradigma avaliativo das aprendizagens, para
um outro cujo foco é avaliar para as aprendizagens, só pode ser concretizado quando a avaliação é
autêntica, sem equívocos, diferenciadora e inclusiva.
A avaliação é o “gatilho da planificação” (Alves et al., 2018, p. XVIII) e permite a máxima personalização
da aprendizagem e, portanto, coloca a tónica na flexibilidade curricular.
165
Avaliação das aprendizagens diferenciadas
Qualquer aluno pode ter adaptações e diferenciação nos processos de avaliação. Por
exemplo eu posso decidir instrumentos de avaliação sumativa diferentes para alguns alu-
nos, embora obedecendo aos mesmos domínios de avaliação.
Testemunho de um professor do 2.º CEB num fórum de formação num fórum de formação
no âmbito do Projeto de Educação Inclusiva
[N]A PRÁTICA
2. Avaliação formativa versus avaliação sumativa: Como equilibrar e utilizar da forma mais apro-
priada ambos os procedimentos de avaliação? Como assegurar que os alunos não são princi-
palmente “treinados” para passarem no exame nacional?
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de uma grelha de propostas/estratégias para criar ambientes mais colaborativos
166
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
PARA SABER
Aceder aqui:
https://afc.dge.mec.pt/projeto-maia-introducao
Como anteriormente destacado, o DUA coaduna-se com uma avaliação para as aprendizagens, onde a
avaliação formativa assume o papel central ao integrar o próprio processo de ensino e de aprendiza-
gem (Perrenoud, 2008). A abertura para este tipo de avaliação, uma mais-valia para o desenvolvimento
de uma Escola Inclusiva (Pappámikail & Beirante, 2022), assenta no feedback e na reflexão, e é uma
força que permite conhecer a forma como se ensina e como se aprende, fundamentando a adoção e
o ajustamento de medidas e estratégias pedagógicas que devem ter características formativas, reflexi-
vas, comunicativas, abertas e flexíveis (Alves et al., 2018).
167
Figura 56. A avaliação formativa
Esta lógica avaliativa tem vindo a ser gradualmente implementada através documentos orientadores,
projetos ou programas como: o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória; Autonomia e
Flexibilidade Curricular; Aprendizagens Essenciais; Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania;
Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar; Programa Nacional de Promoção do Sucesso
Escolar; Projeto MAIA - Monitorização, Acompanhamento e Investigação em Avaliação Pedagógica.
Similarmente, o Despacho Normativo n.º 1-F/2016, de 5 de abril, privilegia a avaliação formativa como
modalidade principal de avaliação e de adaptação aos contextos, que alimenta a regulação das apren-
dizagens de modo contínuo e sistemático, apoiada numa diversidade de formas de recolha de informa-
ção, técnicas e instrumentos (Artigo 10.º).
A avaliação formativa é, assim, uma oportunidade de aprendizagem que caracteriza um paradigma
pedagógico flexível e inclusivo como o DUA, no qual tanto alunos como docentes compartilham a res-
ponsabilidade da aprendizagem em comunidade. Entender que somos diferentes, que aprendemos de
maneiras diversas e na mediação com outros, implica uma avaliação com ferramentas desiguais e for-
mas de representação contínuas e protagonizadas por TODOS. A avaliação é um percurso compartilha-
do e assessorado, um acordo que concede autonomia para que alunos e docentes orientem o processo
interativo e comunicativo com o objetivo de se tornarem mais responsáveis, autónomos e criativos, da
sua própria aprendizagem e da sua vida.
168
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Monitorizar de forma contínua a aprendizagem é essencial para uma maior compreensão das necessi-
dades dos alunos. A implementação do currículo pelos docentes e as respetivas estratégias de ensino
devem considerar o modo como os alunos aprendem, bem como a previsão de uma avaliação formati-
va e formadora capaz de ser a via de melhoria e o instrumento de balanço dos resultados conseguidos
(Roldão et al., 2018).
A avaliação formativa, através de um processo sistemático de feedback, faculta aos docentes, alunos
e encarregados de educação, dados individuais e holísticos da aprendizagem dos alunos, que consti-
tuem, por sua vez, informação estratégica para atender todos os alunos, tanto aqueles que apresentam
situações de risco, dificuldades cognitivas, como atributos de sobredotação.
Contudo, há que desfazer o mito de que a implementação do DUA radica na necessidade de persona-
lizar o ensino para cada aluno, elevando o trabalho dos docentes a um expoente de tal forma elevado
que se torna impossível de concretizar. Na verdade, basta diversificar as estratégias de ensino para
chegar à maioria dos alunos e permitir que todos mostrem o seu potencial. Todavia, conseguir adequar
em tempo oportuno o trabalho dos profissionais às exigências dos alunos é um dos grandes desafios
da escola inclusiva.
2. De que modo podem os alunos assumir maior responsabilidade no “controlo” dos seus pro-
gressos?
3. Como fazer a gestão e organização do trabalho em sala de aula de modo a conseguir encontrar
tempo para dar atenção a cada um dos alunos, tendo por base a implementação do DUA?
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
169
Este é, sem dúvida, um dos grandes desafios da escola, atualmente, e com o qual os seus atores se confron-
tam diariamente, em particular as suas lideranças, como teremos oportunidade discutir na secção seguinte.
No que respeita à avaliação no âmbito do Desenho Universal para a Aprendizagem, a investigação na área
da psicologia e das neurociências evidencia dois resultados interessantes: os seres humanos tendem a cen-
trar-se mais na elaboração de juízos avaliativos acerca dos objetos que os rodeiam do que na descrição des-
ses mesmos objetos; a formulação de juízos avaliativos e a formulação de juízos descritivos parecem estar
associadas a diferentes áreas do cérebro (Fernandes, 2013). Estes resultados parecem sugerir que, para os
seres humanos, avaliar é uma função mais básica e prioritária do que descrever o que se passa à sua volta,
ou seja, parece que, antes do mais, olhamos para o mundo de um ponto de vista avaliativo.
170
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Atividade 35 – Diversificação e adequação de procedimentos, EXPLORAR
técnicas e instrumentos de avaliação em consonância com o REFLETIR
Desenho Universal para a Aprendizagem (RE)CRIAR
2. Em que medida os docentes e outros profissionais colaboram para proporcionar apoio indivi-
dualizado?
3. De que forma estão os líderes escolares envolvidos na gestão e no apoio educativo aos alunos?
4. As vozes dos alunos e das famílias1 são respeitadas e consideradas, ou seja, são envolvidos no
planeamento e avaliação dos recursos e apoios necessários?
5. Como são consideradas as opiniões dos alunos e das famílias no planeamento e avaliação das
acomodações curriculares, recursos ou apoios?
7. Existem mecanismos claros para assegurar a avaliação, progressão e certificação para todos os
alunos?
9. Em que medida todos os alunos têm acesso aos resultados da aprendizagem e à respetiva cer-
tificação?
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de uma grelha de propostas/estratégias para criar ambientes mais colaborativos
1 É necessário prestar uma atenção especial para chegar às famílias em situação de maior vulnerabilidade (Desenho
de um sistema de monitorização da implementação do regime jurídico da Educação Inclusiva em Portugal, 2022).
171
2.11. O papel das lideranças na promoção e operacionalização do Desenho
Universal para a Aprendizagem
As lideranças podem e devem vincular-se ao DUA como abordagem pedagógica de referência, assumin-
do um papel de relevo no incentivo e apoio às práticas, assim como na disponibilização das condições ne-
cessárias para a resposta à diversidade e à promoção de uma educação de qualidade, o que, em primeiro
lugar, pode passar por assegurar, na medida do possível, as condições necessárias, materiais (instalações,
acessibilidades, equipamentos…), ou outras, como uma elaboração de horários mais consentânea com o
tempo que, realmente, as diversas tarefas ocupam, criando oportunidades para o trabalho colaborativo,
numa aferição que escute todos os envolvidos – pois, vimos nos e-books 1 e 2, isso também é praticar
a inclusão. Sabe-se hoje que uma liderança eficaz e de matriz ética potencia o envolvimento de toda a
comunidade escolar na construção de ambientes educativos inclusivos, de acordo com uma perspetiva
holística da escola (Pappámikail & Beirante 2022; Pappámikail, Beirante & Cardoso, 2022).
Sabemos já que uma escola inclusiva pressupõe um conjunto de respostas planeadas no âmbito de
um projeto educativo comum e plural, que proporcione a participação e o sentido de pertença em
verdadeiras condições de equidade. Estes pressupostos devem ter por base o Perfil dos Alunos à Saída
da Escolaridade Obrigatória, as Aprendizagens Essenciais, a Autonomia e Flexibilidade Curricular, do
ensino básico e secundário, a avaliação e a promoção do sucesso escolar.
Segundo Novak e Woodlock (2021), quando uma escola está empenhada em implementar o DUA como
quadro conceptual, os princípios fundamentais devem informar o seu desenvolvimento tendo por base
a visão, a missão e um conjunto de valores fundamentais.
Ainda segundo os mesmos autores, o DUA reforça-nos a importância de eliminar as barreiras que impe-
dem as escolas de construir condições de Educação Inclusiva e de facilitar uma cultura que apoie os seus
aprendentes (Figura 58). Discutiremos como o desenvolvimento de uma cultura de aprendizagem avan-
çada precisa de começar pelo seu líder. Se quisermos criar ambientes em que os docentes possam crescer
e mudar, os seus líderes têm de proporcionar/impulsionar esse movimento. Como diretor de escola, é
crucial envolver os docentes, funcionários não docentes, alunos a fazer o mesmo e, para isso, é neces-
sário trabalhar afincadamente para criar condições de educação verdadeiramente inclusiva e universal.
172
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Nesta secção, retomaremos o standards e indicadores da European Agency for Special Needs and Inclusive
Education (DeStefano et al., 2022), sobre a implementação do Regime Jurídico da Educação Inclusiva em Por-
tugal, cruzando com o DUA e o papel das lideranças, em particular, com o standard cinco, sobre a eficácia e
acessibilidade da formação e desenvolvimento profissional, nomeadamente, o indicador 10, onde se verifica
se oferta de formação contínua/desenvolvimento profissional é assegurada, no que diz respeito à inclusão.
Uma das conclusões deste relatório indica que os participantes nos estudos mostraram-se confiantes
quanto ao facto dos líderes das escolas incentivarem ativamente o desenvolvimento profissional dos do-
centes em Educação Inclusiva. Acresce ainda que, nas escolas, o papel das lideranças, tem-se mostrado
fundamental na planificação/promoção de atividades de desenvolvimento profissional e de mentoria dos
profissionais sobre inclusão (European Agency for Special Needs and Inclusive Education, 2022). A adoção
de práticas de avaliação formativa de forma contínua, a estabilidade do corpo docente, o comprometi-
mento e a qualidade das lideranças de topo e intermédias, o trabalho por projetos e a existência de uma
cultura contínua de autoavaliação e melhoria, emergem como fatores essenciais para a construção de
uma escola inclusiva.
173
Atividade 36 – Liderança(s) e DUA EXPLORAR
REFLETIR
1. Colocando-se no papel de líder, como podem criar um melhor (RE)CRIAR
desenvolvimento profissional para os docentes no âmbito do DUA?
Elaborámos uma lista de cinco passos para vos ajudar neste processo, (lembrem-se, não poderão alterar
completamente o Plano de Desenvolvimento Profissional da noite para o dia) .
1. Deixar os docentes ter uma voz verdadeiramente ativa na comunidade educativa. Toda a frustração,
queixa, ou questão é válida. Deixe que os seus docentes lhe digam do que precisam para o desenvol-
vimento profissional, a fim de alcançarem os objetivos de avaliação. Proporcione aos seus docentes
um fórum de partilha. No espírito do DUA, deixe-os escolher a melhor forma de comunicar consigo.
Os docentes também têm que ser, todos, incluídos.
2. Definir os objetivos. Quando planeamos uma sessão de Desenvolvimento Profissional, precisamos
de ter em mente quais são os objetivos. Construir envolvimento, conhecimento ou inspirar /motivar
os docentes para a ação? Está a lançar uma nova iniciativa ou a construir sobre os conhecimentos
existentes? Lembre-se de que DUA é sempre sobre “objetivos firmes, meios flexíveis”. Um grande
auxílio é alinhar estes objetivos com o sistema de avaliação de desempenho dos docentes.
3. Remover as barreiras. Durante a etapa um, os docentes definem as barreiras que enfrentam para
uma Educação Inclusiva. Agora é a vez de pensar noutras barreiras que podem interferir com as
capacidades dos docentes para serem bem-sucedidos. Pense em múltiplos caminhos para abordar
essas barreiras. Certifique-se de que deverá reservar os recursos apropriados (tempo/cronograma e
financiamento) para aliviar/derrubar algumas dessas barreiras. Diga aos seus docentes que as suas
preocupações foram ouvidas e o que planeia fazer. Mesmo dar pequenos passos pode ajudar a mos-
trar aos docentes que valoriza as suas opiniões e que está a trabalhar no seu melhor interesse.
4. Proporcionar escolhas. Os docentes devem ter opções, tal como os seus alunos, na forma como
aprendem. Ao proporcionar desenvolvimento profissional, deve-se fornecer múltiplos meios de en-
volvimento, múltiplos meios de representação e múltiplos meios de ação e expressão. Deste modo,
serão eliminadas automaticamente muitas barreiras.
5. Obter feedback regular. Ouvir/escutar faz parte do processo de aprendizagem e, quando isto é feito
regularmente, pode-se aprender e compreender o que está a resultar melhor, ou não, e fazer ajus-
tes ao processo em curso. O objetivo é continuar a remover barreiras à aprendizagem, mesmo as
que não estavam previstas inicialmente. Criar uma comunidade de docentes em que o feedback e a
comunicação aberta sejam bem-vindos e considerados pode ser um excelente instrumento para se
operacionalizar este processo.
174
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Pistas de dinamização:
- Discussão em pequenos grupos e partilha em grande grupo
- Registo individual e posterior partilha em pequenos grupos
- Construção colaborativa de uma grelha de propostas para melhorar o desenvolvimento profissional
PARA SABER
Machado, Joaquim, Matias Alves, José (coords.). (2014). Coordenação, supervisão e liderança
– Escola, projetos e aprendizagens. Universidade Católica Editora.
De acordo com o relatório da OCDE (2022), Review of Inclusive Education in Portugal, as atividades
de monitorização são da total responsabilidade das escolas. Tendo em conta o nº 2, do artigo 33º do
Decreto-Lei nº 54/2018: “As escolas devem, por isso, incluir, nos seus relatórios de autoavaliação, as
conclusões do processo de monitorização da implementação de medidas curriculares, recursos e estru-
turas de apoio à Educação Inclusiva”.
Ainda de acordo com este relatório, embora os líderes das escolas sejam responsáveis pela alocação
de fundos e monitorização dos gastos, eles não são responsáveis por assinalar as realizações especifi-
camente geradas pelas medidas de apoio adicionais disponibilizadas aos alunos. O impacto dessas me-
didas é avaliado por indicadores genéricos usados para avaliar o sucesso educacional e o desempenho
geral das escolas e do sistema educacional.
175
As ações estratégicas delineadas pelas escolas sugerem, sobretudo, modelos de flexibilidade organizacional
e curricular, trabalho colaborativo (nomeadamente articulação curricular e supervisão pedagógica), inter-
venções sociocomportamentais (com destaque para a ação de equipas multidisciplinares integradas e para
o apoio tutorial específico), enriquecimento curricular, apoio à aprendizagem e envolvimento dos pais.
A forma de recolher evidências para esses indicadores é quantitativa e qualitativa, usando estratégias e
instrumentos diversificados (por exemplo, análise de estatísticas coletadas pelas escolas, análise de atas
e relatórios, questionários, entrevistas), e, geralmente, centralizada na equipa de autoavaliação/avaliação
interna das escolas. Os resultados são reportados periodicamente à Estrutura de Missão do PNPSE.
As escolas devem incluir nos seus documentos de orientação as linhas de ação para a criação de uma
cultura escolar na qual todos encontrem oportunidades de aprender e as condições para a plena rea-
lização desse direito. Os documentos de orientação, como o projeto educativo, os regulamentos in-
ternos ou os planos anuais e plurianuais (Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de abril) devem promover a
implementação de medidas que visem responder às necessidades de cada aluno, valorizando a diver-
sidade e promovendo a equidade e a não discriminação no acesso ao currículo.
Deve ser dada prioridade à criação, na escola, de tempos e espaços onde os alunos tenham voz, inter-
vindo livre e responsavelmente.
O Desenho Universal para a Aprendizagem reconhece que a aprendizagem dos alunos não é de todo
uma proposta de “one size fits all”. A aprendizagem depende do envolvimento holístico do aluno, que
vive num mundo único, rodeado de família e amigos, bem como de uma comunidade e cultura pró-
prios. Como docentes, precisamos de explorar esse mundo, aproveitá-lo e estimular o aluno para ter
sucesso no seu desenvolvimento e, consequentemente, nas suas aprendizagens.
Ora, tendo o DUA como objetivo primeiro o aluno, consequentemente, há necessidade de envolver
todas as famílias e as comunidades, e, para isso, derrubar barreiras que possam impedir um envolvi-
mento significativo, construindo parcerias, em que os pais ajudem a escola a melhorar a educação dos
seus filhos. A participação dos pais nos diversos órgãos das escolas, Conselho Geral, Representantes
de Pais, Associação de Pais e em projetos da escola que aproximem as famílias, promovam e incenti-
vem a participação destas nas atividades da escola e da comunidade, são também responsáveis pelas
interações entre os pais, responsáveis das comunidades escola e, por isso, fundamentais para criar e
consolidar laços entre estes diferentes interlocutores.
No entanto, este envolvimento nem sempre é fácil. De acordo com Novak (2017), existem inúmeras
barreiras que podem impedir o envolvimento das famílias com a escola. No trabalho que desenvolveu
com docentes são frequentemente citadas as seguintes barreiras: falta de tempo devido a horários de
176
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
trabalho desfasados com os da escola, falta de transporte, falta de dispositivos de comunicação, falta
de interesse em estabelecer parcerias com escolas devido a uma menos boa experiência anterior, bar-
reiras linguísticas, entre outras. É, ainda, referido que a escola, ao conceber e proporcionar experiên-
cias que envolvam pais na comunidade educativa, deve procurar assegurar que todas as comunicações,
atividades e oportunidades de envolvimento sejam significativas, autênticas e relevantes e, também
elas pensadas de acordo com os princípios do DUA.
Claro que a diversidade das escolas não se centra exclusivamente nos alunos, mas sim em toda a comu-
nidade escolar. E se pensarmos agora na diversidade dos docentes?
Num estudo da Comissão Europeia de 2015, Study on the Diversity within the Teaching Profession
with Particular Focus on Migrant and/or Minority Background, é dado particular destaque a evidências
(provas documentais) sobre como uma maior diversidade de docentes pode contribuir para o desem-
penho dos alunos. Entre outros fatores, este relatório fornece provas de que os professores de comu-
nidades migrantes ou minoritárias podem compensar as expetativas, por vezes negativas, dos docen-
tes da generalidade sobre o desempenho dos alunos destas comunidades e aumentar a consciência
intercultural, em particular para construir pontes com os pais e comunidades migrantes/minoritárias, e
podem servir de modelos a alunos de diversas origens. Nesse mesmo relatório, é sublinhado que uma
possível resposta política da UE a estas questões poderá passar por as instituições europeias aumen-
tarem o seu enfoque numa política de equidade educativa, em particular para os jovens com origem
nestas comunidades migrantes ou minoritárias.
A orquestração de toda esta diversidade compete, em última instância, à liderança da escola, que deve
mobilizar, motivar e gerir os recursos para que o DUA seja, de facto, uma realidade. Embora, ao lon-
go desta secção, nos tenhamos confrontado com situações nem sempre fáceis de contornar, autores
como Novak e Woodlock (2021) deixam-nos uma mensagem de grande esperança, quando dizem que,
apesar de, por vezes, os líderes nas funções que desempenham sentirem que começam por tomar ini-
ciativas de mudança sozinhos, deparando-se com docentes que não acreditam em recomeços ou em
percursos de flexibilização, se continuarem a concentrar-se no que é extremamente importante, em
breve, terão colegas ao seu lado, dispostos a juntarem-se a este trabalho crucial.
A mobilização e motivação de toda a comunidade educativa será um dos mais importantes desafios a
abraçar. No que toca aos docentes, nas suas diversidades que remetem para características pessoais,
profissionais, de estatuto na carreira, área curricular, formação, entre outras, o desafio pode ser con-
siderável. No entanto, se há uma característica que podemos associar à escola é a sua capacidade de
mudança, transformação, reinvenção. E, sabemos, os docentes também mudam, de atitudes, de com-
portamentos de visão. Com informação, formação, persuasão, modelos, demonstração, isso aconte-
cerá. Comprometa-se a ser um aprendiz experiente e comece com valores essenciais como a empatia,
177
criação de modelos e aprendizagem profissional qualificada e, equidade e inclusão requerem colabora-
ção. Acolha e inclua os novos docentes e seja atento às suas necessidades de inclusão, na profissão, na
escola, na sala de aula e fora dela. Garanta que a Educação Inclusiva e o DUA são algo em que acredita
e pratica, e não uma aspiração.
[N]A PRÁTICA
178
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
3. PARA CONCLUIR
(Relvas, 2009)
No final deste módulo será que já conseguimos responder a algumas questões relativamente ao DUA?
PARA SABER
Tecnologia Assistida e DUA: Estratégias Práticas para Professores em Sala de Aula (Inglês)
https://www.youtube.com/watch?v=JfO5Ie_5AJI&feature=youtu.be
Como usar o CAST UDL Book Builder (text-to-speech) para a aula (Inglês)
https://www.youtube.com/watch?v=_dc85OCgG-k
179
PARA SABER
180
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
A organização deste Conjunto de Materiais sobre o DUA deve ser encarada como um contributo para
conhecer melhor os quadros concetuais que o enquadram e fundamentam, e as suas potencialidades
na resposta à diversidade dos alunos, nas decisões ao nível da gestão e organização do processo de en-
sino e de aprendizagem e na relação pedagógica na sala de aula. Pretende ser um ponto de partida e de
entusiasmo para que cada um dos leitores possa pesquisar e desenvolver níveis de conhecimento au-
tónomo mais abrangentes e aprofundados, tanto individual como colaborativamente, para o desenvol-
vimento de uma educação e de uma escola inclusiva nos seus contextos de prática (Alves et al., 2018).
Tomando como referência os princípios e práticas da inclusão apresentados por Nunes e Madureira
(2015), com base nas perspetivas de Ainscow e Miles (2013) e Font (2012), reconhecemos a impor-
tância da garantia de respostas efetivas às duas dimensões da Inclusão, a saber:
181
Figura 60. Sobre o Desenho Universal para a Aprendizagem
Em jeito de conclusão e síntese, o DUA é uma abordagem pedagógica e curricular que se estrutura com
base nos conhecimentos da neurociência, procurando identificar cientificamente os sistemas/redes
que comprovam a diversidade de processos de aprendizagem e as implicações pedagógicas nas formas
de ensinar e aprender.
182
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
Ao longo deste e-book, sublinhou-se a necessidade e a importância dos docentes desenvolverem pro-
cessos de planificação da intervenção pedagógica que valorizem a “díade” docente/aluno, enfatizando
a importância dos aspetos relacionais para uma Pedagogia Inclusiva; problematizarem a inclusão, pelo
(re)aparecimento de questões pedagógicas que, não sendo novas, importa repensar; disponibilizarem
formas diversificadas de motivação e envolvimento das crianças e jovens; equacionarem múltiplos
processos de apresentação de conteúdos a apreender; e, por último, possibilitarem a utilização de
diversas formas de ação e expressão por parte dos alunos.
VÍDEO 33
Above beyond
https://www.youtube.com/watch?v=WspNeCNgpts
*Ativar legendas automáticas em português
183
EM DESTAQUE
O DUA revela-se essencial para que possamos dar uma resposta efetiva aos princípios orienta-
dores do regime legal da Educação Inclusiva, quanto:
Esperamos ter contribuído para superar alguns dilemas da prática pedagógica e da gestão educativa,
bem como a procura de evidências e argumentos sobre a pertinência e exequibilidade do DUA em
contextos específicos. É nosso entendimento que o DUA constitui, sem sombra de dúvida, um valor
acrescentado para a Escola Inclusiva, equitativa e de qualidade, através do desenvolvimento de for-
mas flexíveis de aprendizagem para os alunos; criação de um ambiente participativo na sala de aula;
manutenção de elevadas expetativas para todas as crianças e jovens, mas permitindo várias formas de
as atender; capacitação dos docentes para pensarem de forma diferente; concentração nos resultados
educativos de todos, incluindo os alunos com deficiência (Johnstone, 2014).
À semelhança de Alves et al., (2018, p. XIX), situamo-nos e revemo-nos neste paradigma organizacional
e pedagógico, em que os (novos) ambientes de aprendizagem e respetivos requisitos estruturais, ins-
trumentais e físicos, curriculares e pedagógicos assumem a centralidade na operacionalização de uma
Educação Inclusiva em pleno, emergindo com as competências e o perfil que são expectáveis que os
alunos tenham à saída do ensino obrigatório e lhes permitam responder às exigências do século XXI.
Segundo Freire, ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria
construção. Então, é preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que, num dado
momento, o nosso discurso coincida com a nossa prática. Fica a provocação!
Esperamos que os materiais sejam um apoio de qualidade que cada um poderá reorganizar e reformu-
lar “à medida”.
184
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
4. AUTOAVALIAÇÃO
Costuma dizer-se que os diagnósticos estão todos feitos; mais difícil e complexa é a ação/intervenção.
Não sendo inteiramente verdade, pois, no campo educativo, o diagnóstico é um exercício permanente,
sem dúvida que é sempre mais confortável identificar os problemas do que nos implicarmos na sua
resolução. Este módulo procurou, acima de tudo, colocar questões e facilitar processos de reflexão
(colaborativa, idealmente) com vista a espoletar processos de intervenção e melhoria da Educação
Inclusiva nas escolas portuguesas.
Por esta razão, é fundamental, em qualquer processo de aprendizagem, fazer um balanço dos contri-
butos que se recolheu (revendo os principais conteúdos e as aprendizagens), perspetivar os posicio-
namentos e as emoções face àquilo que se trabalhou, encontrar um sentido e um significado para os
contributos identificados, adotando uma lógica de compromisso com a ação futura, no curto e médio
prazo, nos respetivos contextos de atuação.
185
Atividade 37 – Autoavaliação EXPLORAR
REFLETIR
Em jeito de balanço global: (RE)CRIAR
1. Como avaliam o vosso percurso neste processo formativo sobre o DUA? O que aprenderam? De
que é que mais gostaram? De que é que não gostaram?
2. Quais os principais contributos que recolhem deste módulo em termos de (novas) aprendiza-
gens e conhecimentos?
186
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
PARA SABER
187
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191
APÊNDICES
APÊNDICE A
Nome ______________________________________________________________________
Parte I
Esta é uma forma de descobrir como realizas tarefas relacionadas com a aprendizagem. Há 28 afirma-
ções, cada uma seguida de cinco frases que dizem: “nunca” “quase nunca” “às vezes” “quase sempre”
e “sempre”.
Diretrizes
Aqui está o que deves fazer: 1) lê com atenção cada frase; 2) Decide o quanto se adequa cada frase com
a forma como aprendes; 3) Circula a frase que corresponde ao que decidiste. Certifica-te de que circu-
las apenas uma frase para cada afirmação; 4) Completa as três perguntas de resposta curta o melhor
que conseguires. Escreve até sentires que respondeste à pergunta. Vamos praticar!
Exemplos de afirmações
Palavras de Apoio: Utiliza o tempo que precisares e considera cuidadosamente as tuas respostas. Embora
não haja respostas certas ou erradas, há respostas que se adequam mais a ti do que outras. Selecionar res-
postas de cada categoria fornece uma imagem mais precisa dos teus processos específicos de aprendizagem.
Escolher respostas nem sempre é fácil. É frequente, decidires selecionar como resposta “Às vezes”,
como um compromisso. Em vez de fazeres isso, recomendamos-te que alteres a forma como a frase
está escrita ou que adiciones informação que consideres pertinente para que possas selecionar uma
resposta que te descreva melhor. Fica à vontade para escrever qualquer alteração no questionário. O
mais importante é divertires-te, relaxares e aproveitares para aprender mais sobre ti mesmo.
192
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
1. Gosto de tarefas nas quais uso equipamentos mecânicos / técnicos.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
2. Preciso de entender muito bem as expectativas dos professores para me sentir à vontade para fazer
uma tarefa.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
3. Fico frustrado quando é preciso esperar que o professor termine de dar instruções.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
4. Acho que ler informações é a minha forma favorita de aprender sobre um assunto.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
8. Não gosto de fazer o meu trabalho da forma que os professores dizem, principalmente
quando tenho uma ideia melhor que gostaria de experimentar.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
10. Limpo a minha área de trabalho e coloco as coisas de volta no seu lugar, sem precisar que me digam
para o fazer.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
12. Reajo rapidamente a tarefas e perguntas sem pensar nas minhas respostas.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
193
13. Os outros dizem que sou muito organizado.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
14. Faço mais perguntas do que a maioria das pessoas porque simplesmente gosto de saber as coisas.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
18. Preciso de fazer listas e desenvolver um plano antes de iniciar uma tarefa.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
21. Sinto-me melhor quando tenho tempo para rever as minhas respostas.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
23. Gosto de ter ideias totalmente diferentes, em vez de fazer as coisas como todos os outros.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
25. Prefiro fazer um teste utilizando um papel e lápis para mostrar o que sei.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
194
DESENHO UNIVERSAL
PARA A APRENDIZAGEM M3
26. Gosto da sensação de utilizar ferramentas mecânicas na minha mão.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
28. Estou disposto a arriscar e oferecer novas ideias, mesmo face ao desânimo.
Nunca Quase nunca Às vezes Quase sempre Sempre
Parte II
Responde a cada uma das perguntas que se seguem, utilizando o espaço fornecido. Escreve o que for
necessário, até sentires que respondeste à pergunta.
Se pudesses escolher, o que farias para mostrar ao teu professor o que aprendeste?
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________
O que gostas de fazer por diversão? Como ensinarias o teu amigo a fazer isso?
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________
195
196