Relatorio 1
Relatorio 1
Aliado aos problemas internos, a conjuntura internacional joga o seu papel. Os preços de
combustível estão aumentando cada dia que passa tendo atingido cerca de 150 USD por barril em
Julho de 2008 contra os 68 USD em meados de 2007 e 50 USD em 2005. Estes aumentos dos
preços de combustível têm causado o aumento de preços de bens alimentares e não alimentares.
O aumento no custo de vida reflectido em quase todas áreas das economias familiares, fez com
que em 5 de Fevereiro de 2008, o anúncio do aumento no preço de transporte urbano (vulgo
Chapa 100) em 50% (5 para 7.5 e 7.5 para 10 Mt), a população se revoltasse o que resultou em
avultados danos materiais ao património da Cidade de Maputo e privado.
São várias causas que podem estar por detrás desta manifestação, podendo ser algumas,
(i) o encurtamento das rotas por parte dos transportadores semi-colectivos nas viagens intra-
urbanas e inter-urbanas, fazendo com que o cidadão pague muito mais para a sua deslocação; (ii)
a falta de recursos financeiros para a deslocação aos locais de trabalho agravada com o aumento
das tarifas; (iii) a falta de um serviço de transporte eficiente e funcional providenciado pelo
Estado, o que cria de certa forma um monopólio de algumas rotas por transportadores privados; e
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(iv) a dependência da população do transporte público e privado rodoviário para se deslocarem
aos seus locais de trabalho e de outros afazeres, etc. .
1. INTRODUÇÃO
Os transportes e o desenvolvimento económico de uma nação estão fortemente ligados. No
livro de provérbios diz-se “o meu povo morre por falta de visão”. Este provérbio é
particularmente verdadeiro em África, onde, para alguns, a visão dos políticos tem sido a do curto
prazo. Hoje, considera-se fundamental que o sistema de transportes esteja assente num
planeamento integrado, dado o profundo inter-relacionamento com as demais actividades
económicas e sociais, devendo obedecer a um plano global estratégico (visão), que não se
compadece com visões a curto prazo. Assiste-se na actualidade, em várias cidades do mundo, a
diferentes experiências de regulação do transporte urbano utilizando meios colectivos como o
metro, o comboio, o autocarro, o eléctrico e meios privados como a bicicleta, o táxi e o
automóvel particular, sendo consensua l que é necessário incorporar estas diversas formas de
transporte numa rede eficiente e integrada. Em fóruns internacionais, é comum abordar-se a
questão da acessibilidade aos locais de emprego, lazer e residências, através do transporte público
urbano, como essencial para o desenvolvimento económico das comunidades urbanas. Em muitas
cidades, procura fazer-se um uso eficiente da terra, combinando residências, emprego, escolas,
comércio e serviços de saúde mais próximos uns dos outros, por forma a evitar grandes
deslocações. É necessário criar alternativas que disponibilizem sistemas de transporte efectivos e
que criem mais oportunidades e benefícios ao cidadão que não usufrui dessas oportunidades no
seu distrito urbano ou cidade.
Múltiplos estudos demonstram que os países com baixo ou médio rendimento per capita
não possuem boas estradas em quantidade suficiente para incentivarem o crescimento das suas
economias e dos seus cidadãos. Os transportes urbanos de passageiros oferecidos às populações,
nos países mais pobres, são caracterizados pela falta de segurança e confiança dos seus utentes,
sendo utilizados apenas por falta de alternativas viáveis ou ainda pelos baixos rendimentos das
suas populações. Ao nível rural dos países mais pobres estima-se que dos 3,000 milhões de
pessoas que vivem nessas áreas, 900 milhões não possuem acesso rodoviário em bom estado e
300 milhões não têm nenhuma conexão com o resto dos seus países [Wolfensohn, 2001]. As
dificuldades, quer no transporte de mercadorias quer no de pessoas, são assim severamente
acentuadas, degradando ainda mais as condições de vida dessas populações, já de si, difíceis de
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suportar. O problema não é somente rural. O crescimento junto dos grandes centros urbanos fará
com que cidadãos de baixo salário possam vir a ter que despender cerca de três horas por dia, em
média, ou gastar até 40% do seu salário, em viagem de e para o trabalho [Wolfensohn, 2001].
Pode constatar-se que não são muitas as alternativas tecnológicas passíveis de serem
utilizadas nos transportes em países em desenvolvimento. A principal restrição é a financeira.
Dificilmente os países pobres terão capacidade de suportar, na escala desejável, os investimentos
necessários à implantação dos modernos sistemas de transporte de massa. Por outro lado, as
novas tecnologias não poluidoras estão muito longe de permitir o seu emprego de modo
significativo para a melhoria dos padrões ambientais. Estas questões, a par das tecnologias
multimodais para os transportes urbanos de passageiros, têm sido o “parente pobre” da
cooperação para o desenvolvimento. Assim, ao alcance imediato dos países em desenvolvimento
estão essencialmente as opções rodoviárias, que possibilitam um amplo conjunto de melhorias
operacionais em relação ao quadro predominante na grande maioria dos países.
2. OBJECTIVOS
Com esta consultoria pretende-se realizar um estudo que possa informar sobre as questões
de transporte e a urbanização da Cidade de Maputo. O trabalho será dividido em duas partes,
sendo que :
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Análises de Políticas (DEP) na análise das matérias ligadas à urbanização e transporte colectivo
de passageiros.
3. TRABALHOS REALIZADOS
Uma das prioridades da administração pública é proporcionar ao cidadão o direito de ir e
vir – através, por exemplo, do transporte rodoviário de passageiros – que é sua principal
preocupação. Neste âmbito vários estudos foram sendo solicitados a instituições e consultores, ao
longo dos ultimos anos, por forma a adopção, pelas autoridades competentes, de um sistema
efeciente de transporte de passageiros. Acreditamos que este sistema muito contribuirá para a
redução efectiva da pobreza, um dos pilares estratégicos do plano do governo de Moçambique.
A listagem dos trabalhos efectuados por esta consultoria até à data da entrega deste
relatório da fase 1, é o seguinte:
o Publicado em 2006 pela USAID, o relatório intitulado “Urban Transport Policy for
Greater Maputo”;
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o Publicado em 2005, artigos intitulados “Transporte colectivo de passageiros em Maputo.
Que soluções organizacionais?”, “Análise à semaforização na área metropolitana de
Maputo” e “Importância dos Transportes de Passageiros na luta contra a Pobreza”.
Autores: António Matos, Armando Bembele e Adelino Carrilho;
o Publicado em 1982, um trabalho intitulado “Urban Transport Study for Maputo and Beira
- Household Survey”, realizado por HOFF&OVERGAARD: Planning Consultants
(Dinamarca - Compenhaga) e pela VIAK AB: Consulting Enginneers and Surveyors
(Estocolmo – Suécia), por solicitação do Ministério dos Portos e Transporte de Superfície
da Republica Popular de Moçambique.
OBJECTIVO DO ESTUDO
o O objectivo geral deste trabalho é o de Criar, até 2018, um mercado nacional de transporte
de passageiros e de carga que inspire confiança em termos de funcionalidade e segurança.
o Melhorar o acesso, segurança e qualidade dos serviços de transporte rodoviário para
garantir a livre circulação de pessoas e bens nos próximos 10 anos, orientado pela visão –
“POR UM TRANSPORTE REGULAR E SEGURO”;
o Prover o serviço de Transporte Rodoviário eficaz, eficiente e seguro, tornando-se um dos
modos de transporte mais competitivo e potencial contribuinte na economia nacional e
facilitador da integração regional;
o Incentivar, melhorar e priorizar o transporte colectivo de passageiros, quer nos centros
urbanos quer nas zonas rurais, atraves do aumento da capacidade , seguranca e melhoria
dos servicos prestados;
o Assegurar o transporte Público de passageiros nos grandes centros urbanos, através de
empresas públicas e privadas, atendendo ao caracter social da sua operação e definir uma
política tarifária consentânea.
o Incentivar a transformação do transporte semi-colectivo de passageiros em empresas de
transporte colectivo devidamente estruturadas;
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o Promover a criação de empresas de transporte interurbano, para oferecer serviços de
qualidade e seguros;
o Criar uma base de dados para a recolha e troca de informações entre DNTS e as entidades
licenciadoras, por forma a evitar que um veiculo tenha mais de uma licença;
o Estabelecer o limite de licenças de transporte satisfazendo a procura do mercado;
o Assegurar que o transporte internacional seja realizado com base no previsto nos acordos
celebrados com os países Vizinhos;
o Garantir a segurança rodoviária com maior enfoque no transporte de passageiros;
o Desenvolver a indústria de transporte de carga para garantir o escoamento da produção e
bens de consumo.
o Promover o uso do transporte não motorizado principalmente nas zonas rurais, para
facilitar a mobilidade de pessoas e bens;
o Melhorar a actividade de oficinas de manutenção e reparação de veículos automóveis e
apetrechamento em máquinas e ferramentas apropriadas, para oferecer serviço rápido,
eficiente e de qualidade
o Incentivar e capitalizar os representantes de marcas a instalarem-se em todo o país, com o
aprovisionamento de peças e sobressalentes;
o Adoptar medidas de controle de qualidade de peças e acessórios de automóveis
comercializados no mercado nacional;
o Incentivar a importação de peças genuínas para assistência técnica do parque automóvel;
o Melhorar as condições, meios e as infra-estruturas para circulação de pessoas e bens, com
particular atenção para a promoção e criação de terminais de passageiros e de mercadorias
ao longo do país;
o Introduzir mecanismos de controlo da jornada laboral dos condutores profissionais;
o Reforçar e garantir o cumprimento de medidas de segurança, de maneira a proteger vidas
humanas e bens
DIAGNÓSTICO
Ambiente do Transporte Rodoviário
o Infra-estrutura rodoviária deficiente;
o Ocupação de passeios e bermas para outros fins
o Mudança na dinâmica da ocupação do espaço
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Meio Circulante
o Indisciplina e insegurança no transporte semi-colectivo de passageiros;
o Fraca capacidade de fiscalização dos transportes rodoviarios;
o Pouca oferta de transporte rodoviário
o Fraca capacidade de gestão por parte dos operadores
o Mau estado técnico dos veículos
o Indisciplina e insegurança no transporte semi-colectivo de passageiros;
o Fraca capacidade de fiscalização dos transportes rodoviários;
o Pouca oferta de transporte rodoviário
o Fraca capacidade de gestão por parte dos operadores;
o Mau estado técnico dos veículos;
o Inexistência de inspecções periódicas obrigatórias;
o Falta de implementação do seguro obrigatório;
o Fraca assistência técnica agravada pela proliferação de peças sobressalentes de baixa
qualidade
o Concorrência desleal perpetrada pelos transportadores não profissionalizados
Ser Humano
o Violação do Código de Estrada e seu regulamento
o Sistema de formação e avaliação dos condutores ineficaz;
o Fraca organização dos transportes de passageiros;
o Insuficiente preparação técnica dos intervenientes no sistema de transporte rodoviário
o Fraca formação do pessoal de oficinas automóveis
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Ao Nível estrutural
o Educação continua
o Ambiente rodoviário
o Revisão do quadro legal e sua aplicação
o Criação de um fundo para o desenvolvimento do transporte rodoviário.
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Ao Nível operacional
o Aumentar a atractividade dos transportes colectivos e semi-colectivos de passageiros,
tornando-os mais confortáveis, seguros, substituindo gradualmente veículos de 15 lugares
por outros com capacidade igual ou superior a 25 lugares;
o Criar terminais de passageiros
o Criar maior segurança para os utentes do transporte
o Combater a fadiga na condução
o Estimular mais e melhorar a utilização de dispositivos de segurança
o Criar infra-estruturas rodoviárias mais seguras e melhor sinalizadas;
o Melhorar o sistema de socorro em casos de acidentes de viação;
o Promover a formação dos gestores dos transportes de passageiros e de mercadorias;
o Melhorar o sistema de socorro em casos de acidentes de viação;
o Harmonizar procedimentos e taxas de licenciamento;
o Adoptar políticas consentâneas para o desenvolvimento sustentável do transporte
rodoviário.
REQUISITOS / DESAFIOS
o Capacitar os operadores nacionais de modo a tornar o transporte rodoviário mais
competitivo, eficiente e regular, permitindo-se assim enfrentar os desafios da
regionalização, investindo em veículos de qualidade para a promoção do turismo, viagens
de longo curso e serviços de táxi mais atractivos;
o Potenciar os operadores nacionais para ter acesso ao mercado de transporte regional;
o Incentivar os operadores nacionais para aquisição de veículos de carga especial;
o Reforçar medidas de fiscalização para combater a cabotagem e outras irregularidades;
o Incentivar a organização de transportadores em empresas e associações.
o Investir no aumento da frota de transporte colectivo e de carga;
o Mobilização de meios financeiros
o Sistema integrado de indicadores de desempenho do Transporte Rodoviário
o Criação de um sistema de gestão e valorização da opinião dos utentes
o Cometimento das entidades ligadas ao ramo, dirigentes e técnicos
o Capacitação e apetrechamento institucional.
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prima e produtos acabados e acondicionamento dos parâmetros de actividades de recreação e
lazer. Os transportes urbanos em particular tem uma função social inegável pois ampliam ou
restrigem o acesso ao trabalho, à educação, à saúde e ao bem estar do cidadão em geral,
transformando assim o acesso ao transporte público em um direito.
a) Tempo de consulta;
b) Verificação de viablidade técnica, económica e social;
c) Harmonização inter e intra-sectorial;
d) Recolha de experiências de outros países que possam servir de referência para uma
política e estratégia exequível.
OBJECTIVOS
O documento, focaliza a sua abordagem nos seguintes objectivos: (i) Assegurar a
mobilidade dos utentes e a acessibilidade ao transporte; (ii) Garantir uma administração do
trânsito que regule o fluxo de veículos evitando desequilíbrios e congestionamentos; (iii)
Minimizar as distâncias e o tempo; (iv) Combater a segregação social; e (v) Garantir uma gestão
coerente e integral que possa buscar melhoramentos contínuos e adaptação proactiva às
mudanças do ambiente circundante de transportes.
A realização destes objectivos, assenta-se nas seguintes linhas estratégicas: (i) Mobilidade
e Acessibilidade; (ii) Administração de trânsito; (iii) Minimização das distâncias e tempo; (iv)
Atenção especial aos grupos mais vulneráveis; e (v) Gestão de transportes públicos.
ÂMBITO
O documento faz uma abordagem clara sobre a necessidade da intervenção e participação
muito activa e dinâmica do sector privado e arrola um conjunto de elementos que podem correr
para melhorar a eficiência dos transportes públicos.
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O documento arrola ainda um conjunto de medidas interventivas a serem tomadas,
envolvendo o Governo, os municípios e o sector privado.
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Scott Wilson: Reestruturação dos Serviços de Transporte Semi-Colectivo de Passageiros em Maputo
António dos Santos Matos (Universidade Eduardo Mondlane): Relatório Sobre Transporte Público de Passageiros,
Cidade de Maputo
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adstrita ao risco de pôr em perigo vidas humanas, património e sobrevivência da própria empresa
transportadora. A isto se acresce o perigo de congestionamento de tráfego que traz consigo o
desconforto dos passageiros e demais transeuntes, atrasos ao destino e diminuição da
produtividade.
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Deste modo o Conselho de Ministros determina que os serviços de transportes públicos
urbanos passam a ser exercidos por duas empresas nomeadamente a Transportes públicos da
Matola e Transportes públicos de Maputo Cidade. Estas duas empresas estarão sob
responsabilidade total dos respectivos Municípios e vão fazer o transporte exclusivamente nas
zonas indicadas. O sistema de organização interna e os procedimentos administrativos destas
empresas serão discutidos e implantados de acordo com a organização municipal.
PASSOS DE IMPLEMENTAÇÃO
Para a implementação das medidas estratégicas aqui adoptadas, se propõe um processo
imediato, gradual, efectivo e sufucientemente flexível para as adaptações e correcções que sejam
necessárias. Para isso, é necessário ter em atenção os seguintes passos:
À margem da necessidade da resposta aos actuais problemas que afectam o sector, urge
conceber e implementar medidas estratégicas de alcance de longo termo. Estas medidas se
dividem em 4 componentes, nomeadamente (i) Infra-estruturas; (ii) Tecnologia; (iii)
Combustíveis e (iv) transporte alternativo.
Infra-estruturas
A pressão exercida pelo actual parque automóvel levanta a necessidade de adopção de medidas
no ramo de redimensionamento e reabilitação das terminais, paragens, bem como as estações
ferroviárias e as pontes cais nas principais travessias.
Tecnologia
A diversificação arbitrária das marcas de autocarros tem sido uma das principais razões da
ineficiência dos sistemas de gestão da manutenção, pelo que afigura-se como um dos problemas a
erradicar. A Direcção da unidade de manutenção e assistência técnica deverá ser responsável pela
elaboração de termos de referência do equipamento a ser adquirido, tendo em consideração a sua
utilização e a especificidade da nossa rede rodoviária, assim como a nossa situação geográfica.
Dado que os custos de combustíveis representam uma grande componente na estrutura dos custos
operacionais e por forma a gerir melhor os seus consumos torna-se necessário introduzir o
sistema de abastecimento automatizado (denominado “fuel master”) que permite um maior
controle dos abastecimentos assim como o seu registo automático em uma rede informatizada,
em tempo real.
Combustíveis
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No que se refere à combustíveis alternativos, aposta-se na expansão do uso de autocarros a gás e
outras fontes de energia menos onerosas e mais sustentáveis. Actualmente, o país está a
implementar, com sucesso, um projecto piloto de autocarros movidos a gás.
Transporte alternativo
Para fazer face aos frequentes aumentos dos combustiveis fosseis, urge encontrar mecanismos de
massificar a utilização quer de combustíveis alternativos, quer de meios de transporte de baixo
custo, como bicicletas e motorizadas. Para o efeito, está a ser analisada uma proposta dos
empresários ligados a importação e venda de bicicletas e motorizadas, na qual solicitam a
actualização da legislação de impostos deste ramo, com vista a popularização destes meios. O
Ministério da Indústria e Comércio deve incentivar a criação de fábricas de montagem de
bicicletas e motorizadas no país e os municípios devem estudar formas de organização das vias
urbanas para acomodar a circulação destes tipos de transporte.
Em Fevereiro de 2008, a população de Maputo saiu à rua num uníssono protesto contra a
subida das tarifas. O desenfreado crescimento urbano colocaram as pessoas mais longe do
mercado de trabalho. A população pobre enfrenta restrições á mobilidade pois a elas é imposta
um segmento de 9 km com uma única tarifa. Ir e voltar iriam constituir no mínimo 3 segmentos
de 7.5 Meticais (MT) [cerca de 0.94 USD/dia], contra os anteriores 5 MT por segmento.
FORMA DE COBRANÇA
A cobrança das tarifas tem por base, regra geral, os seguintes dois casos:
o Tipo de trajecto realizado.
o Distância percorrida pelo utente (tarifa quilométrica ou por secção ou
segmento)
o Comprimento da linha (tarifa por linha)
o Área geográfica (Tarifa por zona)
o Horário (Horas de pico e entre picos)
o Não depende do trajecto, horário ou distância. É uma tarifa única, dentro do
espaço circunscrito, dependendo, em regra, do modo de transporte utilizado.
FORMAS DE PAGAMENTO
Este trabalho aborda os Métodos de determinação da tarifa, as opções de pagamento da tarifa,
destacando-se, para este ultimo caso, as seguintes opções de pagamento:
o Bilhete 2 unitário: dá direito a uma única viagem ou acesso a uma rede integrada de
transporte. Ainda é a opção de pagamento mais utilizada e, geralmente, é a unidade de
aquisição mais cara.
2
Usa-se aqui o termo “bilhete” podendo no entanto ser em papel, fichas de metal ou plástico, cartões magnéticos ou
com ship e ainda pagamento com moeda.
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o Passe temporal: usando os bilhetes magnéticos ou cartões com ship, oferece a
possibilidade de um número ilimitado de viagens dentro de certo período de tempo (mês,
semana, dia, hora). Pode considerar-se o pagamento de complemento tarifário no caso de
transferência entre modos de transporte (por exemplo, de autocarro para comboio ou
barco ou outro qualquer) ou em viagens entre áreas diferentes de uma região
metropolitana.
o Crédito antecipado: o cartão com ship é carregado com determinado valor ou quantidade
de créditos, i.e., a cada viagem o valor da tarifa é deduzido do saldo disponível. A opção é
adequada aos sistemas com tarifas diversificadas.
o Serviço pós-pago : nesta opção, rara no exterior, o utente utiliza serviços de transporte que
são controlados por meio de um cartão e cobrados posteriormente por uma conta enviada
à sua residência ou escritório.
POLITICA TARIFÁRIA
A politica tarifária é abordada neste trabalho destacando que a implementação de uma politica
tarifária compreende um conjunto de acções que se prende não só com o valor da tarifa mas
sobretudo com as eventuais distinções entre utentes e os beneficiários directos, as formas de
cobrança da tarifa (estrutura e métodos), subsídios, contribuições sociais, etc. que dão corpo aos
objectivos estratégicos. Há ainda a considerar, nesta politica tarifária, os descontos ou isenções
(gratuidades) oferecidos a determinados grupos de utentes
Assim, os elementos centrais de uma política tarifária são os seus objectivos, que
normalmente podem ser classificados em quatro grupos principais [ANETU, 2005] :
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o Sociais : relativos à redistribuição da renda; à melhoria das oportunidades de deslocamento
para os grupos menos favorecidos e à facilidade para compra e utilização de bilhetes.
o Ambientais: ligados ao desestímulo aos movimentos para áreas de risco ambiental; à
redução do congestionamento de tráfego e dos acidentes e à redução da poluição sonora e
do ar.
o Económico- financeiros: referem-se à cobertura dos custos; ao estímulo ao uso mais
intenso da capacidade instalada e à economia de factores.
o Operacionais : voltados para a facilidade de aquisição e cancelamento de créditos; a
redução da evasão de receitas e de fraudes e o incentivo à melhoria do desempenho
administrativo.
Como se pode verificar estes objectivos são conflituantes. Na óptica estritamente financeira o
ideal seria ter a tarifação pelo custo médio do serviço. Na óptica social cada utente deveria ser
cobrado de acordo com a sua capacidade de pagamento. A política tarifária é assim o resultado do
grau de importância de cada objectivo.
3
As sociedades formadas têm sempre um propósito específico que advém das negociações com o poder municipal
aqui também referido como poder público. Este poder não é circunscrito a um único município, podendo ser o
conjunto de dois ou mais municípios vizinhos que compartilham mesmo espaço e gerem as suas “responsabilidades”
de acordo com as politicas traçadas. Esta sociedade pode ser formada por empresas profissionais do ramo (por
exemplo, resultantes de uma união entre transportadores da UNICOTRAMA ou FEMATRO, etc), com
personalidade jurídica própria e dedicada exclusivamente à concessão em disputa.
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1. Operação da rede por linha. Trata-se do caso mais comum na grande maioria das cidades
brasileiras por exemplo [NTU, 2004]. Nas cidades pequenas e de médio porte é comum a
existência de uma única empresa na operação de todas as linhas do sistema de transporte
de passageiros. Neste caso cada empresa é responsável pela operação de uma linha, ou de
um conjunto de linhas, de forma independente umas das outras. Este sistema pode
provocar sobreposição de serviços de diferentes empresas operadoras, diminuindo a
concorrência. As empresas operadoras têm dificuldade em optimizar os seus serviços,
dificultando ainda a criação de novas linhas em locais onde não havia previsão de
procura. Por estas e outras razões esta operação está a cair em desuso;
2. Operação da rede por grupo de linhas. Normalmente agrupam-se linhas por lotes sendo
que estas se situam numa mesma região ou bacia 4 . Porém, para não eliminar a
concorrência é permitida que nessa bacia ou região haja a operação de mais que uma
empresa ou consórcio ou sociedades. Assim, os utentes podem escolher as linhas que
querem usar mas não podem escolher a empresa;
3. Operação da rede por área geográfica. Trata-se de uma opção adoptada com vista à
diminuição da concorrência predatória entre empresas ou operadores. Normalmente
adoptada para grandes cidades com um numero de passageiros superior a 1 milhão por
dia, circunscreve-se a uma área geográfica especifica e atende normalmente um problema
especifico. Esta organização dos serviços tem o defeito de gerar dificuldades na expansão
ou introdução de melhorias dos serviços (dificulta a criação de linhas periféricas entre
bacias), principalmente quando tais iniciativas oferecem possibilidades de alteração do
equilíbrio da exclusividade;
4. Operação da rede por lotes de veículos. Normalmente não é explorada esta hipótese.
Consiste na prestação de serviços por diferentes tipos e tamanhos de veículos. Facilita a
manutenção e a organização interna da empresa, i.e., é possível termos empresa que se
envolva em serviços especializados;
5. Operação da rede por rede. Compreende um conjunto de linhas integradas constituído por
serviços troncais, alimentadores, circulares, complementares ou selectivos e operado por
uma empresa ou grupo de empresas;
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A bacia operacional corresponde a determinada área urbana referenciada a uma via arterial radial que canaliza as
viagens provenientes do sistema viário secundário ao sistema viário estrutural e da periferia ao centro da cidade.
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As explorações por bacia, grupo de linhas ou área geográfic a é sempre possível ter
empresas que compartilhem a operação de diferentes linhas. Nestes casos é requerida uma maior
organização da receita (depositada numa caixa única) e maior articulação na utilização da frota.
Nestes casos é sempre recomendável a formação de consórcios ou sociedades para que exista
menos atrito na divisão da receita, segundo critérios previamente acordados aquando da formação
desse mesmo consórcio. Neste caso todos os actores, público, governo e operadores, ganham.
A composição de consórcios pode incluir, para além das empresas do ramo de transporte
de passageiros, outras empresas dos sectores da construção civil industria, actividades bancárias,
desenvolvimento urbano entre outros, podendo até evoluir para a constituição de uma sociedade
de propósito especifico sobre controle dos consorciados.
Neste trabalho é proposto um Modelo empresarial para Maputo. De facto, o modo como
as empresas operadoras do transporte colectivo urbano estruturam as suas funções e se
interrelacionam para operar, para realizar a gestão do negócio, para solucionar conflitos e
distribuir custos e receitas caracterizam o modelo de organização. Neste momento cada “chapa” é
uma empresa. Este actual cenário é inaceitável para os desafios e a evolução natural do negócio
de transporte de passageiros. Na verdade, a cidade de Maputo apresenta sinais visíveis de
congestionamento e dificuldades de acessibilidade, quando comparada com a situação há uma
dezena de anos atrás. A paz alcançada em 1994 contribuiu para profundas mudanças em vários
sectores da sociedade, entre as quais se destacam o aumento relativo do parque automóvel e o
crescimento abrupto e de alguma forma desorganizado, dos transportes colectivos de passageiros.
O desenvolvimento económico, social e tecnológico, o crescimento sistemático da taxa de
motorização e a consequente apropriação pelo veículo automóvel do espaço público destinado
aos diferentes utilizadores, aliado às alterações funcionais do espaço urbano, à fixação de novas
actividades, de novas zonas habitacionais, à criação de novos conceitos de espaços de lazer e
culturais, são factores que colocam novos problemas à mobilidade das pessoas. As maiores
dificuldades prendem-se com o estado das vias de comunicação, o tipo e estado dos veículos de
transporte de passageiros utilizados, a segurança dos passageiros, a indisciplina dos condutores,
os acidentes, as tarifas e os acessos. Os congestionamentos existentes devem-se não só à
sobrecarga das antigas redes viárias, mas essencialmente a uma gestão insatisfatória do tráfego. O
actual cenário é propício à criação de cartéis, embora existam regulamentos, normas, postura de
trânsito e fiscais na rua. A visão deve ser de evolução e não de insistência neste velho e
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tradicional modelo, onde cada chapa é uma empresa (nem sempre legalizada e com os impostos
em dia, como reclama a FEMATRO) e cada empresa é um problema de gestão para o município
e para o cidadão (aos níveis da frota, manutenção, pessoal e rede). Estes cartéis, terão na mão,
indevidamente, um papel para os quais não estão habilitados nem mandatados, tendo inclusive a
possibilidade de paralisar as actividades económicas no município e determinar e fomentar uma
concorrência desleal e predatória.
Cada vez existe menos a situação de um único dono, planeador, regulador e operador de
uma companhia de autocarros e muito menos o cenário do “governo-patrão”. As concessões
começam a assumir-se uma forma de organização implicando um diálogo entre o governo e as
associações de transporte. Ao governo cabe assim representar os interesses das populações e
proteger o seu bem-estar. No que respeita aos serviços de transporte de passageiros, isto significa
que cabe ao governo criar um ambiente que permita e assegure um adequado e eficiente serviço
de transporte colectivo de passageiros a preços razoáveis. A tendência de organizar estes serviços
apenas com base no operador público (neste caso os TPM), deverá ser de paulatina extinção (até
um máximo de 5 anos), mantendo, no entanto, o poder público um forte pendor na regulação e
fiscalização das actividades dos operadores privados e devidamente estruturados.
Verificando que cada empresa tem sempre três áreas principais, nomeadamente a
administrativa, a operacional e a de manutenção, é importante escolher um modelo
organizaciona l que seja sustentável, optimizado e que deva ser guiada pelas condições locais,
cultura, objectivos e recursos. O foco da área operacional está intimamente ligado ao modelo
regulatório e de fiscalização do sistema adoptado. Nestas circunstâncias a maior preocupação é a
questão da frota (quantidade e tipo de veículo), seguindo-se a avaliação do mercado. Há casos em
que as empresas também participam na organização da oferta sendo a produtividade considerada
para efeitos de remuneração [ver capitulo 6.6]. As áreas administrativa e de manutenção apresentam
estruturas semelhantes nas empresas fruto do amadurecimento de gestão. A profissionalização do
quadro de pessoal, a utilização de tecnologias de informação e comunicação, o domínio de
técnicas de pesquisa de mercado e até mesmo do planeamento estratégico e marketing são áreas
de referência das empresas [NTU,2004 b].
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PRODUÇÃO DE SERVIÇOS
No que respeita à produção de serviços de transporte colectivo de passageiros, a forma
mais tradicional é a que presentemente temos, i.e., operação individualizada por linhas (carreiras)
ou por regiões. Neste modelo, cada empresa (no caso de Maputo para o sector privado é o mesmo
que dizer-se cada operador, cada chapa) é responsável pela oferta de transporte na sua área de
actuação. Nas áreas comuns (corredores e áreas centrais) competem com os demais pela captação
da oferta. Nas negociações, é típico este tipo de organização dos serviços, discutir com o poder
público3 essencialmente o va lor das tarifas.
Desta forma, o sistema proposto atenderá, inicialmente, demandas da ordem de 2.000 a 3.000
passageiros, por hora e por sentido, operando com autocarros médios, (oferta considerada
adequada para Maputo para os próximos 6 anos) podendo atender, apenas com a expansão das
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estações de embarque, o crescimento da demanda com a utilização de autocarros articulados e
biarticulados, até níveis de 10.000 a 12.000 passageiros por hora e por sentido. Durante este
período o País terá que tomar decisões sérias nomeadamente a opção gás natural para os veículos
rodoviários e opção trólei-carros 5 (movido a energia eléctrica que nós próprios produzimos) e/ou
metro de superfície ou subterrâneo, de forma a atender requisitos ecológicos e preços galopantes
das tarifas, basicamente. A este propósito refira-se que “o local onde as redes de troleicarros
melhor se adaptam são as cidades consolidadas de média dimensão, em que a procura de
transportes é suficientemente elevada para viabilizar um sistema de transportes públicos
urbanos”6 .
AUTORIDADE DE TRANSPORTES
Existem demasiados interesses no âmbito da aplicação de qualquer que seja a politica dos
transportes públicos de passageiros. Garantir estabilidade e confiança num sistema de transportes
públicos de passageiros só podem ser atingidos se os diferentes actores (Estado, Público, Privado,
Parcerias, etc) estiverem juntos na elaboração dos planos Directores de desenvolvimento para um
horizonte mínimo de 10 a 15 anos. Há demasiados factores de ordem técnica e especializada que
induz a necessidade urgente na criação deste órgão, capaz de gerir acções ao nível táctico e
operacional do sistema. Por exemplo, baixar as tarifas introduz uma visão mais abrangente, uma
integração tarifária, uma procura de soluções tecnológicas (bilhete electrónico, gestão de frotas
por GRPS, combustíveis, etc.) e um significativo aumento da eficiência operacional e qualidade
dos serviços de transporte público de passageiros. Soluções pontuais, de magra visão e que não
contemplem a inserção de outros modos de transporte, outras fontes de combustível e utilização
potencial dos mecanismos na lei para uma maior assistência ao público não servem para o
patamar tecnológico actual. Maputo já tem cerca de 2 milhões de habitantes, sendo que a
população economicamente activa depende largamente deste meio de transporte. Este órgão é
ainda necessário porque constituiria o garante da prestação de serviços públicos, que sejam
5
No espaço lusófono fala-se também em ómnibus eléctricos sendo no anglófono conhecido por trolleybus. “Um
troleicarro é um veículo de transporte colectivo rodoviário alimentado directamente por um motor eléctrico, pelo que
não necessita do consumo de qualquer tipo de combustível nem da acumulação de energia no veículo. A alimentação
eléctrica é feita por uma linha aérea, através de um cabo metálico condutor de energia, designado por catenária”
[Seco, Álvaro : http://www.ofigueirense.com/seccao.php?id_edi=42&id_sec=1, 23/08/08, 11h25]. Ver mais
informação em http://ehgarde.no.sapo.pt/trolleybus/troleis.htm , sendo o Engº Emídio Garde um grande entusiasta e
pesquisador desta área de TCP.
6
Segundo um artigo Internet da autoria do presidente da Metro Mondego, Álvaro Maia Seco., e de uma bolseira de
investigação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) Carla Galvão. :
http://www.ofigueirense.com/seccao.php?id_edi=42&id_sec=1
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eficazes na protecção do mercado (monopólios, etc.) e, ao mesmo tempo, utilizaria os necessários
instrumentos para compartilhar o risco e o compromisso financeiro entre o sector privado e
público. Se desenvolvido no correcto ambiente político, este órgão também iria contribuir para
um maior investimento nas infra-estruturas de transporte que possam ter efeito na redução da
pobreza, sendo um estímulo na criação de oportunidades de crescimento. Os objectivos,
principais actividades e resultados da Autoridade Transportes Públicos de Passageiros de
Moçambique (ATP – MOZ) poderão ser, na fase inicial os seguintes:
Numa segunda fase, caberia a este órgão realizar, entre outras, a tradução da politica e da
estratégia do governo, neste domínio, elaborando documentos que consubstanciem e dêem forma
ao futuro PDTPM - Plano Director de Desenvolvimento dos Transportes Públicos de
Moçambique. A regulação e a fiscalização, incluindo a continua pesquisa de opinião e de outros
estudos do sector serão igualmente actividades regulares do ATP – MOZ.
NOVAS TECNOLOGIAS
Este trabalho aborda ainda o impacto das novas tecnologias na tarifa. Essas tecnologias
geram informações sobre o número de viagens realizadas, o cumprimento dos horários destas
viagens, o cumprimento dos itinerários, as paragens dos veículos, etc., podendo ser:
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a) Transmissor no veículo e receptor na via: todos os veículos são equipados com um
transmissor, em geral com uma mensagem pré- gravada das informações do veículo
(em alguns casos, traz informações também da linha). Os receptores ficam localizados
na via, em pontos estratégicos, de forma que na passagem do veículo pelo ponto de
controle, o sinal emitido com as informações disponíveis é registrado pelo receptor,
que o transmite, on-line ou posteriormente, a uma central de controle.
b) Transmissor na via e receptor no veículo: nesse caso os pontos de controle são
equipados com transmissores com informações pré-gravadas sobre a localização do
ponto. O veículo é equipado com um receptor que é accionado toda vez que ele passa
pelo ponto de controlo. As informações são armazenadas em um dispositivo
inteligente e posteriormente transferidas para a central de processamento de dados.
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mecânicos da catraca em impulsos eléctricos que são transmitidos ao microcomputador de
bordo e armazenados. No final da operação os dados são descarregados em um
microcomputador na garagem, que faz um pré-processamento e os transfere para uma
central de controlo. Nesse caso, é controlada a quantidade de passageiros pagantes; no
entanto, não é possível identificar o tipo (estudante, trabalhador, etc.) e nem registrar os
passageiros gratuitos.
o Viagens realizadas;
o Distribuição dos headways efectivamente praticados;
o Horários cumpridos;
o Tempo de percurso das viagens;
o Velocidade média comercial;
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o Total de passageiros transportados por viagem;
o Passageiros gratuitos por viagem, por tipo de gratuidade;
o Movimentação de passageiros nas linhas;
o Quantificação de incidentes (acidentes, congestionamentos, avarias, etc.), com
informações sobre causas e tempo perdido em função deles;
o Acções operacionais praticadas com motivo e resultados.
FINANCIAMENTO E TARIFA
A viabilidade de um sistema de transportes adequado e sustentável está directamente
ligada ao seu sistema de financiamento que passa em geral por criar um sistema gerador de
receitas suficientes para superar as despesas. Neste âmbito, , as tarifas constituem o valor mais
relevante das receitas das companhias de transporte, para além das receitas provenientes da
publicidade nos autocarros, entre outros, desempenhando, nestas circunstâncias, um papel
essencial na viabilidade económica de qualquer empresa do ramo. A tendência actual é
maximizar a exploração dos percursos considerados economicamente rentáveis, e operar de uma
forma prudente no que respeita aos recursos envolvidos.
Relativamente à tarifa única e diferenciada, o autor entende que esta é uma questão
estratégica. Cobrar a mesma tarifa (única) para qualquer deslocamento na rede de transporte
público urbano é uma estratégia inerente à política tarifária, estando intimamente ligada à rede,
tipo de operadores, de concessão adoptadas e tecnologia de gestão utilizada. Tal como qualquer
outra estratégia também esta tem os seus pontos positivos e negativos. De facto ter a mesma tarifa
afigura-se simples, do ponto de vista operacional, permite um melhor controlo das receitas sendo
também fácil de perceber pelo utente destes serviços. Porém, realizada uma análise mais
profunda, verifica-se que alguém estará a subsidiar as viagens, i.e., os que usam a rede para
viagens de pequena distância suportam custos adicionais em relação aos que usam a rede para
realizar viagens mais longas (em regra estes últimos estão conotados como os mais necessitados
desta rede por viverem na periferia da cidade). Embora estas deduções teóricas sejam
verdadeiras, a verdade é que a rede de TCP é utilizada basicamente para viagens longas, i.e., a
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nossa população da cidade e província de Maputo é caracterizada por percorrer longas distâncias
a pé (até 4 a 5 km), ao contrário dos cenários tipicamente urbanos. Assim, no caso vertente de
Maputo, pode-se afirmar com alguma propriedade, face aos diferentes estudos já realizados, que
as deslocações entre origens e destinos no “grande Maputo” são caracterizadas por serem
superiores a 14 km. A distância média da rede actual7 é de 23 km. Se esta tarifa única for elevada
em relação ao salário dos trabalhadores 8 haverá certamente redução acentuada da receita.
A outra aposta estratégica é fazer aplicar a diversificação tarifária, i.e., criar várias tarifas de
forma a ter em conta as diferenças entre utentes, a qualidade dos serviços, a extensão das viagens
ou o momento em que são realizadas. Para que esta estratégia seja eficiente é preciso tomar em
consideração o seguinte:
o Pela qualidade dos serviços: serviços selectivos ou que utilizam tecnologias veiculares
distintas, como por exemplo os chapas ou comboio terem preços diferenciados dos
serviços comuns;
o Pela extensão da viagem: tarifa proporcional à distância percorrid a ou por secção;
o Por período: tarifa diferenciada segundo o período ou momento da viagem (dia da
semana, hora do dia, feriado, período de férias, etc.)
o Tarifas especiais destinadas a grandes eventos desportivos, feiras, exposições, etc., com
razoável potencial de atracção de nova procura.
7
Em Fevereiro de 2008 os TPM operavam em 23 linhas, incluindo Boane e Marracuene.
8
É mais ou menos consensual que as despesas mensais de transporte público não ultrapassem os 10% do salário do
trabalhador. Há países que fixaram 6% como referencia para atribuição do subsidio de transporte ao trabalhador,
cativo do sistema de transporte publico de passageiros.
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Relaciona-se com critérios relativos às condições sociais das pessoas (pessoas e famílias
carentes) e à maneira de sua inserção no mercado (maior conforto, serviços expressos, etc.).
Por outro lado, onde todos mais sentem este problema do financiamento do transporte
público (na sua operação que é visível para os utentes) a questão principal é se devemos optar
pelo financiamento através da receita global gerada, pela combinação de fontes diversas,
incluindo as comerciais (publicidade em veículos e aluguer de espaços, etc.), pelas compensações
governamentais específicas (via tarifas reduzidas ou por obrigações sociais ou gratuidades, etc.)
e/ou pela remuneração extraordinária paga pelo poder público para garantir que determinados
níveis de serviço sejam atingidos.
9
Em importantes países europeus, verificam-se taxas de cobertura dos custos operacionais pela receita tarifária das
seguintes ordens: Itália (40%), França (50%) e Grã Bretanha (68 %), conforme dados da International Union of
Public Transport (UITP). Nas cidades norte-americanas, a receita tarifária tem coberto, em média, apenas 35% do
custo dos serviços de transporte público, outras receitas operacionais respondem por 14% e os subsídios públicos
(divididos entre os três níveis de governo) por pouco mais da metade do custo (51 %), segundo informa a American
Public Association (APTA). No Brasil, à excepção dos sistemas metro-ferroviários, os custos operacionais do
transporte público, vêm sendo cobertos quase que exclusivamente pela receita tarifária.
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índices de pobreza, a contribuição dos transportes públicos como importante, necessária e
imprescindível no contexto da luta contra a pobreza?
Parece claro que a tarifa levada não é saudável, não responde aos anseios da população e
não atende ao problema dos cativos de transporte público urbano que, para o caso de Maputo, é
de cerca de 85%. Uma tarifa elevada introduz ainda a “expulsão” de utentes da rede de TCP dada
terem salários baixos 10 ou que estão no desemprego.
a) Contribuição de beneficiários não usuários dos serviços de TCP. Esta ideia parte do
pressuposto que todos devem apoiar os serviços desta natureza uma vez que todos se
beneficiam dele, directa ou indirectamente.
b). Compensações por externalidades negativas. Baseia-se no princípio que aqueles que
geram externalidades negativas devem compensar a comunidade pela imposição desses custos
sociais (congestionamentos, poluição, por exemplo)11 .
Para o caso de Maputo e pensando no comboio e no barco outra questão que se levanta é a
integração modal. A integração modal é importante para o passageiro e acentua uma excelente
visão integrada das políticas urbanas. No entanto três aspectos têm que se ter em conta:
A remuneração dos operadores pode ser efectuada com base no custo do serviço prestado
(custo do quilómetro) ou por acesso de passageiros. Neste último caso, define-se um valor
unitário que é multiplicado pela quantidade total de acessos computados (um passageiro poderá
aceder duas ou mais linhas num mesmo deslocamento). A remuneração por custo do quilómetro
percorrido estimula os operadores a aumentar a sua produção
o A integração tarifária deve ser observada como uma segurança do investimento, não
podendo ser equacionada sem a necessária contrapartida governamental e diferenciação
tarifária (opção de serviço 12 ou medidas de diferenciação 13 ).
13
Por exemplo, cobrar tarifas menores para deslocamentos locais.
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integração política, o princípio de reflexão ecossistémica e o princípio de cooperação e
parceria;
o A rede estruturante dos Transportes Públicos de Maputo recomenda-se que seja do tipo
mista (radial e transversal) com ligações entre origens/destinos sempre que necessário.
Recomenda-se três terminais principais na área central urbana de Maputo (Museu, Praça
dos Trabalhadores e Anjo Voador) e outros quatro terminais externos à coroa de
Maputo 14 , como sejam, Drive In, Praça Juventude, Cidade da Matola e Malhanpswene.
Este cenário, tendo em conta uma distância média de 19km entre as origens e destinos da
cidade, deveria ser suportado com pelo menos 90 a 110 autocarros por forma a permitir
uma maior frequência nas linhas (tempos de espera de 20 a 30 minutos, na forma de ciclos
para atender aos períodos de pico) e ter uma reserva de 5 a 10% da frota disponível;
o Sendo claro que o objectivo do subsidio operacional é o de reduzir o valor da tarifa paga
pelos utentes … há então que evitar que este importante valor de subsidio seja usado para
cobrir ineficiências da planificação ou prejuízos das empresas resultantes da má gestão;
o Qualquer subsídio deve ser concedido sob a forma de contrato entre as autoridades e os
operadores, e devem ser abertos a todos os operadores de uma forma competitiva;
o A remuneração dos operadores deveria ser efectuada com base no acesso de passageiros.
Neste caso, define-se um valor unitário que é multiplicado pela quantidade total de
acessos computados (atenção que um passageiro poderá aceder duas ou mais linhas num
mesmo deslocamento).
o Os valores tarifários praticados nos últimos tempos pelo mundo fora, cada vez mais
dissociados da capacidade de pagamento das camadas mais pobres, são reconhecidos
como causas da redução da mobilidade dessa parcela da população, o que remete à
questão da responsabilidade sobre o financiamento da operação;
14
[Os distritos urbanos 3, 4 e 5 são os mais necessidatos sendo igualmente os mais populosos]
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o Não há e nem deve haver modelo único para políticas tarifárias. Cada sistema deve
construir e aprimorar seu próprio modelo. Contudo, a tendência aponta para o caminho da
diferenciação tarifária (especialmente por hora, dia e outros factores). Ainda persiste forte
resistência no sector de transportes à integração tarifária e à diferenciação de tarifas
baseada principalmente no forte receio de se desequilibrar economicamente o sistema;
o Poder viajar a um preço único, com um número ilimitado de ligações seja em que
operador for na mesma área geográfica previamente definida, é bom para o utente. Com a
tarifa integrada também se explora melhor o potencial da rede, reduzindo não só os custos
da viagem como também os tempos de viagem. Assim, os trechos mais carregados são
evitados, os trajectos de menor tempo são preferidos, etc.
O Transporte Público Urbano de passageiros, sempre mereceu muita atenção, quer por
parte do Governo quer por parte do Sector Privado, dada a sua influencia na vida económica e
social da Cidade, seus residentes e todos quanto visitam as Cidade de Maputo, Matola e
arredores.
De acordo com estudo que temos vindo a citar, o transporte público urbano de passageiros
pode PROVIR do sector público ou privado; os veículos podem ter diferentes capacidades sendo
pequenos, médios e grandes -articulados; o sistema de operação pode ser baseado no
cumprimento da tabela horária estabelecida ou por completar a lotação; o tamanho das empresas
pode ser grandes ou pequenas; as rotas podem ser monopólio ou concessionadas. O modelo que
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funciona melhor num país pode falhar noutro país. Nos EUA, um pais largamente aberto á
economia de livre mercado, todo o transporte público urbano de passageiros é publico, operado
como monopólio pelos municípios.
A qualidade de vida numa cidade depende em grande medida de como está organizado o
sistema de transporte, foi nessa esteira que o sector privado, representado pela CTA –
Confederação das Associações Económicas de Moçambique, encomendou o estudo, visando
encontrar uma forma de melhorar os padrões de prestação de serviço.
OBJECTIVO DO ESTUDO
Ajudar o Sector privado e o Governo de Moçambique a desenvolver uma politica do
transporte público urbano de passageiros com maior ênfase na Região Metropolitana do Grande
Maputo, nomeadamente. Neste âmbito este trabalho aborda a situação actual e futura relativa à
necessidade de Transporte Público Urbano de Passageiros no Grande Maputo, apresenta a
politica de transporte e seu impacto na resolução dosproblemas, descreve as melhores praticas
interna cionais que poderiam ser aplicáveis para Moçambique e recomenda os próximos passos,
incluindo estudos e mudanças legais.
METODOLOGIA
• Encontros com os provedores de serviço de transporte, as partes interessadas, incluindo
Conselhos Municipais, Associações de transportadores, CTA, FEMATRO,
Representantes do Banco Mundial e ISAID;
• Observação directa do transporte urbano, tráfego e transporte público em diferentes
períodos do dia;
• Revisão dos estudos anteriores, em particular Plano Director das Estradas na Cidade de
Maputo, conduzido pela JICA;
• Estudos internacionais e relatórios sobre transporte público e experiência profissional
acumulada pelo consultor.
Tal como se encontra indicado no Capítulo 5, o actual sistema funciona e os seus aspectos
positivos parecem superar os negativos. O sistema é produtivo, fiável e altamente competitivo.
Opera numa rede de rotas bem desenvolvida, com envolvimento mínimo do governo,
proporcionando acesso rápido aos centros de emprego e de comércio e contribuindo, de forma
significativa para o emprego no sector informal. É o principal serviço para os pobres que dele
dependem para o transporte de e para o trabalho, para a escola e para as compras. Embora possa
parecer caótico e possa contribuir para a ocorrência de problemas de segurança e
congestionamento rodoviários, transporta a maior parte das pessoas para os destinos pretendidos
com frequência razoável e a um preço razoável. Daí as seguintes recomendações:
o Deixar o sistema "como está." Para 2007–2008 (ou talvez até 2010), permitir que a
indústria de autocarros em Maputo continue a operar como até à data. Não interferir e não
introduzir novas regras. Deixar que o sector privado continue a fornecer serviços com
intervenção mínima por parte do governo.
o Melhorar a aplicação da lei. Melhorar a aplicação das leis de trânsito para as viaturas
privadas, assim como para os autocarros visando melhorar a segurança, reduzir o
congestionamento e aliviar os engarrafamentos de trânsito.
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o Começar a investir em autocarros. O governo deve começar a investir na infra-estrutura
de autocarros, em especial nas faixas para autocarros em estradas movimentadas de duas
faixas. Esta medida iria aliviar imediatamente as estradas em piores condições (por
exemplo, a Av. V. Lenine).
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governo deve disponibilizar a infra-estrutura fixa necessária ao transporte eficiente em
autocarros, enquanto que o sector privado deve fornecer autocarros e serviços. Os
investimentos devem incluir estradas na cidade utilizadas por autocarros e as respectivas
paragens, espaços, terminais, faixas e outro tratamento prioritário para os autocarros. Uma
parte deste investimento deve ser coberto pelo imposto do combustível de 5 por cento. O
Apêndice A apresenta alguns planos seleccionados para o desenvolvimento de infra-
estruturas adoptados do estudo da JICA 2001.
o Apoiar a melhoria da eficiência dos operadores. O governo pode contribuir para tornar
as operações dos autocarros mais seguras e mais eficientes (1) desenvolvendo acções de
formação em gestão e manutenção, a serem disponibilizadas pelas instituições do governo
ou pelos doadores e (2) oferecendo incentivos fiscais e outros de carácter financeiro, tais
como o acesso ao crédito comercial com vista a encorajar a criação de cooperativas
operaciona is efectivas e empresas de maior dimensão.
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bus. Os autocarros grandes têm uma vida económica de 10 a 12 anos, durante os quais eles
acumulam uma grande quilometragem e se tornam obsoletos. Não existe nenhum mercado
significativo para autocarros grandes usados como existe para os mini-buses. Assim, a utilização
de autocarros grandes implica a aquisição de viaturas novas. O elevado custo de capital referente
aos autocarros grandes não estará ao alcance dos actuais operadores de autocarros pequenos. É
razoável assumir que as empresas do governo local (tais como os TPM), os concessionários
estrangeiros ou as empresas com ligações ao governo serão os ve ncedores deste empreendimento.
Sobressalentes e Manutenção
Emprego
Estima-se que cerca de 14.000 pessoas tenham emprego directo na indústria de mini-
buses como motoristas e cobradores. As indústrias de apoio, tais como as oficinas de reparação,
os fornecedores de peças sobressalentes e de combustível e os vendedores, empregam muito mais
pessoas. A maior parte delas faz parte do sector informal gigantesco existente em Moçambique.
A eliminação destes postos de trabalho irá criar privações para os pobres que se encontram a
trabalhar agora na indústria de pequenos autocarros.
Ineficiência
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Este estudo circunscreveu-se apenas ao transporte de mercadorias. Abrange Moçambique
e os países vizinhos considerados como tendo influência na situação do transporte no país,
nomeadamente África do Sul, Swazilândia, Zimbabwé e Zâmbia. Apesar de ter abrangido
Moçambique e países vizinhos, segundo o autor, este estudo não pode ser considerado como um
estudo de transporte nacional ou sub-regional.
OBJECTIVO
Pretendia-se, com a análise desenvolvida neste estudo, apresentar recomendações práticas sobre o
ao transporte de mercadorias baseadas num nível apropriado de análise que necessariamente
inclui algumas generalizações acerca de definições de custos.
ÂMBITO
A análise desenvolvida pelo estudo, centra-se essencialmente nos custos e tarifas aplicadas no
transporte de mercadorias por tipo de transporte, fazendo uma comparação das vantagens de
Moçambique em relação aos outros países da região, dando ênfase a competitividade ao nível da
região.
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
O estudo apresenta 4 grupos de conclusões, nomeadamente:
ii. Custos, Tarifas e Nível de Servico. Este nível de conclusões, apresentam- se as principais
constatações relativamente aos custos dos transportes de mercadorias, segregando os
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custos em custos totais, composição de custos, a relação entre tarifas e custos e o nível
serviço.
iii. Conclus ões por meio de transporte. Nesta categoria, as conclusões são apresentadas por
meio de transporte, compreendendo o transporte rodoviário onde se levantam questões da
infra-estrutura e travessia fronteiriça; Caminhos de Ferro; Portos; Transporte marítimo,
com destaque para a cabotagem; e Transporte doméstico.
iv. Opções de Politica. Neste conjunto de opções, refere-se a ausência de uma Politica
Global de Transporte no país.
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No domínio dos portos, é recomendada a reabilitação da infra-estrutura; Colocação de
novo equipamento e melhor coordenação das actividades no porto de Nacala; Canal de dragagem
do porto da Beira e estabelecer um mecanismo para o seu funcionamento e manutenção no futuro
em todos os portos; Melhorar interface entre o porto e transporte rodoviário/ferroviário,
particularmente para artigos relacionados a produtos alimentares e incluir armazenagem e
(des)carga.
Em 2000, tivemos, na zona sul de Moçambique as piores cheias dos últimos 50 anos.
Foram enormes as destruições resultantes da fúria das águas com maior destaque para as infra-
estruturas públicas, tais como estradas, pontes, sistema de esgotos e de drenagem. As marcas
ainda visíveis na actualidade deste flagelo é a obstrução da Av. Julius Nyerere, cuja reposição
acarreta avultadas somas de dinheiro que tanto nos faz falta.
OBJECTIVOS DO ESTUDO
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o Propor um estrutura de estradas apropriadas ás condições locais, manutenção e
transferência de tecnologia através do projecto.
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Com base nas análises feitas, o estudo concluiu que existem três pacotes de projectos de
estradas considerados tecnicamente, economicamente e ambientalmente viáveis para as
condições da cidade de Maputo.
o Primeiro pacote (Pacote A), indica para a reabilitação de pavimento e drenagem nas
estradas da área industrial e comercial da cidade de Maputo, da área do porto, da área do
DU 1 e melhoramento das Baias de autocarros e da terminal de autocarros (de 23 lugares).
o Segundo pacote (Pacote B), que consiste na reabilitação da ligação perdida da Av.Julius
Nyerere, melhoramento das avenidas Vladimir Lenine e Acordos de Lusaka, reabilitação
do pavimento e drenagem nas estradas da área do DU 3.
o Terceiro pacote (Pacote C), que recomenda o alargamento da Av. Guerra Popular,
melhoramento da Av. De Angola e da rua Sacadura Cabral/Lago da Deta, melhoramento e
alargamento da Av. Marien Ngouabi, reabilitação de pavimento e drenagem nas estradas
da área do DU 2, e melhoramento das intersecções no Central Business Distrit (CBD)
num total de 14 cruzamentos.
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3.7. SÍNTESE DO TRABALHO “REESTRUTURAÇÃO DOS
SERVIÇOS DE TRANSPORTE SEMI-COLECTIVO DE
PASSAGEIROS EM MAPUTO” 1997
Titulo: Reestruturação dos Serviços de Transporte Semi-Colectivo de Passageiros em
Maputo
Autor: Scott Wilson
Dono: Scott Wilson
Data do estudo: 1997
Com abertura de Moçambique para economia do mercado nos finais da década de 80,
começaram a emergir pequenos empreendedores em várias áreas de actividade, prestando
serviços que outrora eram exercidos pelo Estado através de empresas estatais. O sector de
transporte não escapou á regra, começaram a aparecer pequenos transportadores que, de forma
tímida e ilegalmente, transportavam passageiros em carrinhas sem condições mínimas de
segurança, visando responder à cada vez mais crescente procura de transporte em quase todo o
país, com grande ênfase nos centros urbanos, tendo na cabeça da lista as Cidades de Maputo e
Beira. De salientar que, dada a mane ira como tudo aconteceu, não havia legislação que regulasse
o exercício da actividade de transporte por pequenos operadores, dai que foi necessário
aprovação dos instrumentos normativos, os decretos 24/89 e 92/89, Regulamento de Transporte
em Automóveis e Criação do transporte semi-colectivo de passageiros.
o Acidentes de Viação
o Condução sem observância das regras básicas de segurança rodoviária e de conforto;
o Mudanças constantes de rotas, criando desequilíbrios na oferta
o Conflitos entre operadores
o Insatisfação do público utente dos serviços
Para fazer face ao fenómeno, o estado, através dos sectores ligados ao transporte
rodoviário, foi procurando alternativas de solução que acomodasse estes operadores emergentes
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encontrar formas de organização ajustada á realidade. Para o efeito vários estudos foram feitos,
dentre os quais o realizado em 1997, pela Scott wilson, com o seguinte título “ Reestruturação
dos Serviços de Transporte Semi-Colectivo de Passageiros em Maputo”, o qual tinha como
missão principal a de Estudar o potencial para a criação de cooperativas, para gestão e operação
dos mini-bus em Maputo.
OBJECTIVO
• Identificação e analise dos meios alternativos de reestruturação dos semi-colectivos no
sector de transporte. Apresentar alternativas ao Governo moçambicanos e às associações
de transportadores do sector privado.
RESULTADOS
Do estudo resultaram duas alternativas, nomeadamente:
Das duas a opção foi a Estratégia “CORREDORES”. Para esta estratégia foram
identificadas um conjunto de tres tipos de linhas, a saber:
OBJECTIVO
Objectivo geral deste estudo era analisar e preparar recomendações para as melhorias e
desenvolvimento dos serviços de transporte público em Maputo e Beira. O estudo abrangeu
sectores tais como linhas-férreas, autocarros e táxis.
Foram ainda realizados inquéritos aos agregados familiares com o objectivo de se criar
uma base de dados para a elaboração de um plano Director para os transportes urbanos para um
período de 5 anos. O estudo focalizou a analise para questões relativas a disponibilidade de
informação populacional, habitação, áreas de emprego e outros factores geradores de tráfego.
ÂMBITO
Outros elementos analisados pelos inquéritos são os modos de transporte, onde focaliza
nos modos de transporte por pessoa, por bairros, transporte público e viaturas ou veículos
disponíveis. Para complementar estas análises, o inquérito procurou compreender também o
objectivo da viagem relacionado ao modo de transporte, os modos de comutação (ligação modal)
e caminhada. Sobre os modos de comutação, o inquérito analisa por modo de transporte e em
relação à caminhada é em relação à comutação. Por fim o inquérito faz uma análise das atitudes
em relação às taxas. Relativamente a este ultimo ponto, foi perguntado às pessoas se as taxas
cobradas nas viagens eram justas. 71% consideraram-nas razoáveis, 24% baixas e 5% altas.
Para consubstanciar as análises feitas no estudo, foram feitos vários inquéritos, dentre os
quais se destacam (i) aos agregados familiares (Maputo); (ii) aos passageiros de autocarros
(Maputo e Beira); aos passageiros de comboios (Maputo e Beira); aos peões (Maputo e Beira);
aos passageiros de táxis (Maputo e Beira); aos passageiros de ferry-boat, condutores e
passageiros (Maputo) e aos veículos (Maputo).
RECOMENDAÇÕES
As recomendações do estudo são feitas em dois grupos, as que dizem respeito aos
Transportes Públicos Urbanos de Maputo e um outro conjunto de recomendações específicas para
os Transportes Públicos da Beira.
Ao nivel dos TPU Maputo,o estudo recomenda para intervenções ao nivel da: (i)
Operação dos Autocarros; (ii) Necessidades do Pessoal; (iii) Engenharia; (iv) Armazenamento;(v)
Finanças e Tarifas e (vi) Estabelecimento de um novo sistema de gestão e de prestação de contas.
Em relação a operação dos autocarros, a curto e médio prazo a operação dos autocarros deviam
ser concentrados nos principais corredores para satisfazer as necessidades de viagens a longas
distancias e algumas rotas curtas. A operação dos autocarros, deve ser acompanhada de um
acréscimo de pessoal, principalmente motoristas. Um departamento de engenharia deve ser criado
para assegurar a manutenção dos veículos. O estudo recomenda ainda a necessidade de sistema
de procurment para garantir a disponibilidade de um stock de peças sobressalentes e
estabelecimento de um sistema de procurement eficiente e rápido. A necessidade da realização de
um saneamento financeiro foi recomendada à empresa. Este saneamento passa por um aumento
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de 15% nas tarifas das viagens nas rotas ao nivel da cidade de Maputo e um reajustamento nas
tarifas nas rotas ao nível da Matola. Finalmente, o estudo recomenda ao nível dos TP U, o
estabelecimento de um novo sistema de gestão e de prestação de contas.
Ao nivel dos TPU Beira, similarmente ao TPU Maputo, o estudo recomenda para
intervenções ao nivel da: (i) Operação dos Autocarros; (ii) Engenharia; (iii) Armazenamento e
Procurement de Acessórios; (iv) Posição Financeira e (v) Estabelecimento de um novo sistema
de gestão e de prestação de contas. Em relação a operação dos autocarros, o estudo não
recomenda mudanças ao nível na rede. A recomendação é a contratação de motoristas adicionais.
Um departamento de engenharia deve ser criado para assegurar a manutenção dos veículos. O
estudo recomenda ainda a necessidade de sistema de procurment para garantir a disponibilidade
de um stock de peças sobressalentes e estabelecimento de um sistema de procurement eficiente e
rápido. A empresa deve proceder uma reintrodução de tarifas graduais de modo a garantir um
aumento em 15% nos rendimentos da empresa. Finalmente, o estudo recomenda o
estabelecimento de um novo sistema de gestão e de prestação de contas ao nível da empresa.
Para além da questão das vias de acesso, os estudos recomendam ainda para a necessidade
de se dar atenção especial à questão das infra-estruturas de apoio ao transporte, tais como: as
terminais e parques de estacionamento.
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Em várias cidades mundiais assiste-se a diferentes formas individuais de transporte
público urbano como o metro, bicicleta, comboio, autocarro, barcos e automóveis particulares,
sendo necessário integrar estas diferentes formas de transporte numa rede eficiente e integrada.
Em fóruns internacionais é frequente abordar-se a questão da acessibilidade aos locais de
emprego, lazer e residências versus transporte público urbano, como essencial para o
desenvolvimento económico das comunidades urbanas e do bem-estar.
Moçambique, país que emergiu de uma guerra destruidora das suas infra-estruturas,
especialmente na década de oitenta, e que enfraqueceu a sua balança de pagamentos, tem nos
últimos anos registado melhorias acentuadas e louváveis pela comunidade internacional ao nível
económico e social. É pois com certa naturalidade que se assiste a grandes investimentos
estrangeiros, acompanhado de uma expansão ao nível de viaturas, residências, fábricas e serviços
terciários. Infelizmente, muito embora esforços recentes tendem a reverter a situação, a rede de
estradas do município de Maputo não se alterou nos últimos anos (em alguns casos existiu um
declínio acentuado na qualidade das vias de comunicação), os transportes públicos de Maputo
(TPM) perderam a liderança no mercado de transporte de passageiros tornando deste modo difícil
o transporte de grande parte da população que diariamente se desloca dentro ou de fora para
dentro da cidade de Maputo (deslocações intra e interurbanas), em especial nas linhas
consideradas menos lucrativas.
OBJECTIVOS
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• Obter informação que descreva o estado actual dos transportes rodoviários colectivos de
passageiros;
• Obter um conhecimento mais especifico sobre os diferentes tipos de operadores de
transporte rodoviário colectivo de passageiros (público e privado);
• Obter informação que descreva o número de viagens diárias dos usuários dos transportes
colectivos de passageiros oriundos de Maputo e cidades vizinhas, incluindo a forma como
os passageiros ao longo de uma rede de transportes públicos urbanos se distribuem
(diferentes origens e destinos), lotação ao longo das linhas e variação da procura ao longo
do dia;
• Descrever o tipo de utilizador comum (cativo do sistema) do transporte rodoviário
colectivo de passageiros e estimar o comportamento do consumidor diante das diversas
alternativas possíveis, usando os modelos de preferência declarada;
• Caracterizar a acessibilidade das áreas habitadas e dos pólos de geração e atracção de
viagens;
• Elaborar as principais rotas dos transportes rodoviários de transporte colectivos de
passageiros para o Município de Maputo.
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
De um modo geral, tendo como base o trabalho de campo efectuado na sua globalidade,
podem ser tiradas as seguintes conclusões:
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- Os movimentos das viaturas de transporte de passageiros é, em grande parte, executado
da periferia para o centro urbano debaixo de um trânsito desorganizado e com um
numero elevado de viaturas de transporte de passageiros nas horas de ponta;
- Os denominados chapas apenas tem um motorista e cobrador que fica na porta de saída
e comanda a marcha do veículo, mandando-o parar, arrancar, anunciar a rota que vão
executar nos poucos apeadeiros e inclusive “chamar” passageiros que se encontram na
via pública;
- Não existem apeadeiros formais suficientes, exceptuando alguns casos na zona cimento
da cidade, devidamente sinalizados. Existe mais o conceito de origem / destino podendo
o percurso ser alterado para se chegar ao destino (ou origem) programado.
- As condições de segurança das viaturas não são satisfatórias no seu geral, apresentando
algumas deficiências mecânicas (travões, carroçaria), várias deficiências em termos de
sinalização e conforto, gases de escape com fumaça (sinal de motor, bomba injectora ou
filtros em péssimas condições) e perdas de óleo;
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- Existem vários operadores ilegais, i.e., operadores que não estão registados nas devidas
associações e Direcção Municipal de Transportes e Trânsito da cidade mas que exercem
a actividade de transporte de passageiros sem que as viaturas e/ou os motoristas estejam
habilitados para tal;
- Muitos jovens entram cedo no mercado de trabalho a fim de contribuírem nas despesas
dos seus agregados familiares e muitos idosos (note-se que a esperança de vida actual é
inferior a 45 anos) têm que continuar a trabalhar, dado que os serviços de providência
social são muito limitados. A maior parte da mão de obra em Maputo Cidade está
inserida no sector terciário da economia (transportes e comunicações; comércio,
finanças; serviços administrativos e outros serviços) que ocupam 68.1% da mão de
obra;
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- A empresa pública TPM é o operador com maior taxa de ocupação dos seus veículos,
facto verificado durante os inquéritos. Os TPM são aqueles que tem o menor número de
veículos na praça, sendo igualmente os que praticam a tarifa mais baixa.
- Verifica-se que 63% das viagens têm uma duração inferior a 30 minutos. Este facto
deve-se fundamentalmente aos seguintes factores:
- A maioria dos utentes (73%) não espera mais que trinta minutos pelo transporte
colectivo de passageiros. Este tempo de espera pode ser explicado pelo elevado
número de chapas que circulam em Maputo e à procura de passageiros dos operadores
que procuram rentabilizar a jornada diária, para aumentar o salário no fim do mês ou
da semana;
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dividir os utentes em dois grandes grupos: Uns que procuram os TCP até às 6h30 da
manhã (38,8%) e um outro que procura o TCP depois das 8 H (33%). Relativamente à
hora de chegada a casa, a grande maioria dos entrevistados (46%) declarou chegar até
às 18h. Porém, é significativo, embora estatisticamente menor o valor, que parte dos
utentes declararem chegar a casa depois das 20h (19%);
- Na área urbana, a maior fatia dos passageiros que procuram o transporte depois das 8h
da manhã é maior que o caso suburbano. A chegada a casa verifica-se mais cedo na
área suburbana;
Foram igualmente entrevistadas trezentas famílias por cada zona. No total, o número de
entrevistas é de cerca de 50 mil, com uma média de cerca de duas mil pessoas por zona .Em
termos globais e tendo como referência base os dados obtidos por este trabalho de campo pode-se
afirmar o seguinte:
- Os agregados familiares são compostos em média por 6,4 pessoas por família;
- 63,3% do agregado familiar é composto, em média, por pessoas com mais de 15 anos
de idade (população economicamente activa);
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- 41,2% dos residentes economicamente activos são, em média, passageiros cativos dos
Transporte Colectivo de Passageiros;
- 10,6%de pessoas com menos de 15 anos de idade utilizam, em média, os TCP para a
realização das suas actividades diárias;
- A maior percentagem de menores que viajam usando os TCP são das zonas 24 –
Hulene A e 19 – Costa do Sol;
- A maior geração e atracção de viagens é registada para a zona 1,2 e 4 – Baixa, Bairro
Central e Alto-Maé sendo que a menor atracção e geração de viagens registou-se na
zona 5 – Sommerchield;
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- A zona que mais atrai passageiros é a zona 2 seguida da zona 1, enquanto que a que
gera mais passageiros é a zona 4 seguida da zona 24 e 20; note-se que estes valores
coincidem com o facto destas zonas serem potencialmente postos terminais de viagens
provenientes da zona exterior;
- As zonas 3, 8 e 24 são aquelas que apresentam um maior nivel potencial da zona, i.e.,
deverão ser atribuídas funções a estas ou a zonas vizinhas, na rede futura de
transportes públicos urbanos, de possíveis nós de origem/destino. Em função da sua
localização (centro ou subúrbios) justifica-se a criação de uma sub-rede que procure
satisfazer a intensidade da procura nos eixos de maior oferta ao nível central e ao nível
dos subúrbios;
- Das 68,408 viaturas TCP a operar na área urbana da c idade de Maputo, verifica-se
que no período da manhã (54,6%) existem mais viaturas a operar em relação ao
período da tarde (45,4%). A média global e de 3 viaturas de TCP por minuto em
circulação nas principais artérias da cidade;
- Pode ainda afirmar-se que a maior carga de tráfego se processa durante a manhã, no
sentido da área suburbana para a área central urbana (Zonas 1 a 4), pois que os utentes
do sistema de transportes públicos de passageiros vão regressando a casa no decorrer
do período da tarde. Tem-se assim uma hora de pico que basicamente corresponde ao
período das 6h30 às 7h30, prevalecendo ainda um acentuado número de viaturas até
às 8h30m. No período da tarde o pico verifica-se a partir das 15H30m prolongando-se
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até às 17H00m altura em que, em determinadas troços da cidade se verifica uma
ligeira diminuição, não obstante existirem valores acentuados de viagens até às
19H00m;
- No mercado do Xipamanine não passam viaturas dos TPM nem os chapas do tipo III,
dadas as condições degradadas das ruas do Xipamanine e Irmãos Roby. A Avenida
Guerra Popular regista a maior concentração dos chapas do tipo , grande parte delas
provenientes das Avenidas de Moçambique e Namaacha (auto-estrada da Matola);
- Das 47,988 viaturas TCP a operar na área urbana da cidade de Maputo, verifica-se que
no período da manhã (51,9%) existem mais viaturas a operar em relação ao período da
tarde (48,1%). A média global e de 3 viaturas de TCP por minuto em circulação nas
principais artérias da cidade;
- Relativamente ao tipo de viaturas em circulação, pode-se afirmar que a grande maio ria
das viaturas em circulação são do tipo I. Relativamente ao número total estimado de
passageiros transportados a grande responsabilidade no transporte colectivo de
passageiros na área suburbana da cidade de Maputo pertence igualmente às viaturas
do tipo I, estando em terceiro lugar o operador público TPM com 4,4% de quota de
responsabilidade do mercado TCP;
- Nas áreas suburbanas, mais distanciadas dos grandes centros de atracção urbanos, o
período de pico, em termos de viaturas de transporte colectivo de passageiros, é das
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6h00 às 7h00 nas principais artérias, existindo um segundo período por volta das
8h30. Constatou-se ainda que as viaturas privadas do tipo III operam em regra muito
cedo na área suburbana (até às 7h00), evitando sempre a penetração na área urbana;
- A zona 24 (Benfica) é utilizada como ligação quer dos utentes provenientes das zonas
verdes quer daqueles que são provenientes do norte (Marracuene, Xai- Xai, Inhambane
e Beira). Sendo a Av. de Moçambique, uma estrada classificada como Nacional, o
controle de trânsito é mais apertado. Em regra, as viaturas privadas utilizadas para este
efeito são as do tipo III, muitas delas ilegais, que chegam ao Benfica muito cedo (até
às 6h30m) e regressam por estradas secundárias para evitar as respectivas multas;
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está concentrada a indústria alimentar, de construção civil e industrial. Para além deste
aspecto, por esta zona passa a estrada Nacional, que liga Maputo a importantes pólos
de desenvolvimento do País, nomeadamente à Mozal (empresa produtora de
alumínio), aos novos bairros residenciais no Umbeluzi, conhecido pelas actividades
agrícolas que ali se desenvolvem, à vila fronteiriça da Namaacha e Ressano Garcia e
ainda a Boane onde existe um importante quartel militar e onde são desenvolvidas
actividades agrícolas e de pecuária, dada a excelência do solo e água do Umbeluzi.
Todos estes locais, distanciados num máximo de 80 Km de Maputo, constituem pólos
de atracção e de geração que, juntamente com a Moamba e Ressano Garcia,
beneficiam de projectos de desenvolvimento em curso, quer relativos aos
melhoramentos das vias de tráfego (corredor Maputo-Witbank) quer ao surgimento de
grandes “farms” e novos bairros que paulatinamente vão crescendo;
- As viagens entre a área suburbana e a área urbana representam cerca de 36% do valor
total das viagens. As viagens dentro da área urbana indicam também que as zonas 1,
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2, 3 e 4 são locais principais de largada dos passageiros provenientes das zonas
exteriores à cidade de Maputo
4. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
4.1. AO NÍVEL ESTRATÉGICO
1. O melhoramento das vias rurais (em países como o Peru, Nepal, Bangladesh e
Gana) e o financiamento de projectos ao nível do acesso ao transporte (compra de
bicicletas para as mulheres, na África do Sul e Índia), são experiências relatadas por
instituições de crédito e que se têm revelado com um impacto bastante positivo ao
nível da mobilidade, estimulando as poupanças e os rendimentos das populações;
9. A resolução dos problemas de TCP não se compadece com visões a curto prazo.
Hoje, considera-se fundamental que o sistema de transportes esteja assente num
planeamento integrado, dado o profundo interrelacionamento com as demais
actividades económicas e sociais, devendo obedecer a um plano global estratégico
(visão);
11. O problema da pobreza não é somente rural. O crescimento junto dos grandes
centros urbanos fará com que cidadãos de baixo salário possam vir a ter que
despender cerca de três horas por dia, em média, ou gastar até 40% do seu salário,
em viagem de e para o trabalho;
12. Há que aumentar as acessibilidades através dos transportes públicos. Esta é mais
uma questão de equidade do que propriamente de eficiência, ou, por outras palavras,
o acesso aos serviços de transporte urbano deve constituir hoje um direito
fundamental de todos os indivíduos. Este acesso reflecte a visão de que viajar é
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essencial e que todos os cidadãos têm direito a dispor de serviços de transporte
adequados às circunstâncias locais;
16. A tendência do ATP – MOZ deverá ser a de aumentar a articulação entre a gestão
urbana dos municípios e a gestão de transporte e trânsito, priorizar o transporte
colectivo de passageiros conforme vem definido na politica do governo, regular e
fiscalizar a actividade por forma a aumentar a competitividade e diminuir os efeitos
da “cartelização” geográfica e económica, com evidentes benefícios para o publico
cativo do sistema.
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4.2. AO NÍVEL TÁCTICO
1. O bom uso dos autocarros poderá melhorar de forma substancial a qualidade de vida
e o meio ambiente urbano. Para que isso ocorra, exige-se vontade, planeamento e
uma adequada gestão dos transportes e do trânsito;
2. Seja qual for a solução há que ser peremptório e firme, pois que essa solução passa
pela existência de uma operação de transporte estruturada e integrada, que produza
níveis de serviços dentro de padrões internacionais de qualidade. Passa, também,
pela eliminação da indisciplina dos chapas, de modo a enquadrá-los dentro de uma
operação definida pelo poder concedente, em áreas e com veículos compatíveis com
suas características intrínsecas, rigorosamente fiscalizada e com um sistema
consequente de penalizações severo para a falta de cumprimento das especificações
previamente estabelecidas;
15
Foto gentilmente cedida pela equipe que opera em Angola nos TCP e liderada pelo Engº Murilo e Arq. Thomaz
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seja usado para cobrir ineficiências da planificação ou prejuízos das empresas resultantes
da má gestão. Os incentivos podem desempenhar um importante papel por forma a
estabilizar as receitas e não baixar a qualidade de serviço. Sempre que possível, o subsídio
deve ser encaminhado ao utilizador do sistema. A situação ideal é subsidiar as pessoas
cujos rendimentos são baixos. Uma outra solução, encontrada por exemplo em França e
na Índia, é pagar às companhias de transportes se elas atingirem determinados
rendimentos baseados em certos critérios. De modo a facilitar o uso de subsídios e
assegurar um retorno efectivo de receita, as autoridades devem determinar o nível de
subsídios a atribuir de modo a sustentar financeiramente o sistema de transportes. Taxas
locais (combustível e veículos) ou outras devem ser procuradas para financiar os
subsídios. Qualquer subsídio deve ser concedido sob a forma de contrato entre as
autoridades e os operadores, e devem ser abertos a todos os operadores de uma forma
competitiva.
5. Parece claro que a tarifa levada não é saudável, não responde aos anseios da população e
não atende ao problema dos cativos de transporte público urbano que, para o caso de
Maputo, é de cerca de 85%. Uma tarifa elevada introduz ainda a “expulsão” de utentes da
rede de TCP dada terem salários baixos 16 ou que estão no desemprego.
16
Atendendo à necessidade de transbordos e às características das viagens realizadas, pode-se dizer que uma família
de 4 pessoas economicamente activas gasta mensalmente cerca de 1,400 MT em média, contra um rendimento
estimado de 4,500 MT/mês. Esta despesa familiar em TCP é muito superior ao convencionado mundialmente. Na
verdade deveria rondar cerca de 450 MT ao invés dos 1,400 MT/mês.
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um número ilimitado de ligações seja em que operador for na mesma área geográfica
previamente definida, é bom para o utente. Com a tarifa integrada também se explora
melhor o potencial da rede, reduzindo não só os custos da viagem como também os
tempos de viagem. Assim, os trechos mais carregados são evitados, os trajectos de menor
tempo são preferidos, etc.
11. Uma frota de 7,000 autocarros consumindo cerca de 15% do combustível disponível
numa região faz o mesmo trabalho que 900,000 automóveis consumindo os 85%
restantes;
12. O bom uso dos autocarros poderá melhorar de forma substancial a qualidade de vida e o
meio ambiente urbano. Para que isso ocorra, exige-se vontade, planeamento e uma
adequada gestão dos transportes e do trânsito;
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ou mesmo eliminar a sobreposição de serviços na rede; Eliminar a competição predatória,
etc. ;
14. Com o aumento do crescimento urbano, as deslocações dos cidadãos tendem a aumentar
em termos de distância e frequência;
15. Cada vez existe menos a situação de um único dono, planeador, regulador e operador de
uma companhia de autocarros e muito menos o cenário do “governo-patrão”. As
concessões começam a assumir-se uma forma de organização implicando um diálogo
entre o governo e as associações de transporte;
16. O modelo proposto assenta num conjunto de empresas, ou consórcios ou sociedades por
cotas que explorem o serviço do tipo “Operação da rede por grupo de linhas”. Há
claramente espaço para pelo menos 4 empresas (ou uma só ou, melhor ainda, num
consórcio ou sociedade) que responderiam por 4 grandes corredores, que forma a rede
estrutural, nomeadamente o corredor da Matola, Zimpeto, Chiquelene e Aeroporto;
17. A legislação em vigor prevê que caso a concessionária, neste caso os TPM, não estejam
em altura de satisfazer a demanda a sua concessão seja cancelada e que seja aberto um
concurso para se identificar uma nova concessionária. Por outro lado, a interpretação
extensiva do Regulamento de Transporte Automóvel permite concluir que o Presidente do
Conselho Municipal é que deve autorizar as concessões dentro do território municipal, ou,
por outras palavras, ele pode ser regulador e operador. Este facto abre as portas para que o
Município crie uma entidade forte em termos de regulação, que prepare a realização das
concessões, podendo ainda criar os seus próprios serviços de transportes optando pelas
diferentes formas de gestão;
18. Ao nível do tipo de gestão a efectuar dos transportes públicos de Maputo (privada, estatal
ou mista) somos de propor um sistema misto, com espaço para o operador privado. A
“espinha dorsal” da rede de transportes públicos, a ser operada pelos TPM numa fase
inicial (1 a 2 anos) constituiria a rede mãe. O transportador privado, dentro de um período
não superior a 2 anos, seria chamado a adoptar novas forma s de organização por forma a
poder concorrer para um regime de concessões futuro. Até lá, o privado será chamado
também a intervir, igualmente, nas linhas da rede mãe (para além de outras), em especial
nos casos onde o tempo de espera fosse superior a 30 minutos. Este modelo misto seria
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paulatinamente transformado quando fossem definidas as regras, critérios de admissão,
espaços urbanos e procedimentos das politicas de concessões;
19. Os privados, num período não superior a 2 anos (até 2010), deveriam se organizar por
forma a atingirem uma melhor estrutura organizacional e funcional (Cooperativas,
Consórcios, Joint Ventures, etc.) capazes de concorrerem, após 2010, em regimes de
concessões e daí terem os proveitos dessa actividade, mediante a assinaturas de cont ratos.
Sugere-se que se formem companhias de transporte de passageiros através da fusão de 50
a 100 operadores individuais
20. Os pequenos minibuses não são adequados para um trânsito massivo. Note-se que o
comprimento de um autocarro pode ser equivalente ao comprimento de 2 a 2,5 mini
buses. Porém, os 2 Minibuses só transportam 33% dos passageiros de um autocarro. Seria
necessário 5 a 6 Minibuses para transportar o mesmo número de passageiros de um
autocarro;
21. Criação de condições para que nas ligações entre Maputo-Matola –Boane e Maputo-
Marracuene haja espaço para a participação activa do sector privado de transporte semi-
colectivo. Contudo, o sector privado que opera com autocarros de capacidade superior a
60 pessageiros poderá oferecer os seus serviços nas cidades de Maputo e Matola sob
condições a definir. Num futuro breve será introduzido o processo de concessão de rotas
ao sector privado mediante concurso público;
22. Envolver cada vez mais as empresas de transporte ferroviário e marítimo nas ligações
inter- municipais;
23. Criar condições para que o circuito radial de Maputo-Arredores seja partilhado entre
operadores privados do semi-colectivo e de sector público;
24. Criar condições para que os operadores privados de transportes publicos semi-colectivos
passem a estatuto de empresas de transporte;
25. Criar condições para que as instituições do Estado (Ministérios, Institutos, Empresas
Públicas dentre outas) e as empresas em geral possam introduzir o subsistema de
transporte dos seus trabalhadores integrado no sistema geral de transportes públicos
urbano;
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26. Criação de condições para a massificação do passe escolar e introdução gradual de
transporte exclusivo de estudantes, com prioridade para os estudantes do ensino primário;
27. Criação de condições para que as rotas passem a ser adjudicadas ao sector privado via
concurso público, mesmo que simplificado para permitir a participação da maioria dos
transportadores privados.
2. a rede de TCP é utilizada basicamente para viagens longas, i.e., a nossa população
da cidade e província de Maputo é caracterizada por percorrer longas distâncias a
pé (até 4 a 5 km), ao contrário dos cenários tipicamente urbanos. Assim, no caso
vertente de Maputo, pode-se afirmar com alguma propriedade, face aos diferentes
estudos já realizados, que as deslocações entre origens e destinos no “grande
Maputo” são caracterizadas por serem superiores a 14 km. A distância média da
rede actual17 é de 23 km;
17
Em Fevereiro de 2008 os TPM operavam em 23 linhas, incluindo Boane e Marracuene.
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integração intermodal e metropolitana. A solução desses problemas pode exigir
adaptações de custo elevado;
10. Criação de condições para educar a sociedade em geral para respeitar e dar
primazia aos grupos sociais mais vulneráveis;
11. As viagens inter- municípios com origem e/ou destino fora de Maputo Cidade
serão servidas por linhas próprias que não transportam passageiros em viagens
dentro dos municípios. Estas linhas serão servidas por transporte de capacidade
menor que 60 passageiros e terminam em pontos de concentração à entrada/saída
das cidades de destino. Aqui os passageiros serão transferidos para autocarros de
capacidade superior a 60 passageiros para dentro das cidades;
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condicionaria a circulação de veículos de transporte público a essas zonas. No
esquema de corredores as linhas são distribuídas num eixo de circulação
independente da região geográfica. O uso da base geográfica facilita o
estabelecimento de tarifas com base na distância percorrida (tarifa por zona) mas
tem a desvantagem de colacar ao passageiro a necessidade de mudança de linhas
desde a sua origem até ao seu destino. O esquema de corredores minimiza as
transferências de passageiros, mas pode requerer maior número de veículos. O
esquema geográfico poderá funcionar melhor onde a cidade tem uma identificação
clara do seu centro com crescimento radial em torno deste centro;
13. Em qualquer dos esquemas a usar deve-se adoptar sempre que possível a
possibilidade de o passageiro ter mais do que uma alternativa para fazer as suas
ligações;
15. O sistema deve ser integrado de tal forma que o passageiro possa fazer as
transferências necessárias com o mesmo bilhete desde que tenha pago a tarifa que
cobre a distância a percorrer. O uso de bilhete integrado será por aderência dos
operadores privados ao sistema, mas obrigatória para as empresas subsidiárias do
Estado;
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18. Os movimentos das viaturas de transporte de passageiros é, em grande parte,
executado da periferia para o centro urbano debaixo de um trânsito desorganizado
e com um numero elevado de viaturas de transporte de passageiros nas horas de
ponta;
21. Não existem apeadeiros formais suficientes, exceptuando alguns casos na zona
cimento da cidade, devidamente sinalizados. Existe mais o conceito de origem /
destino podendo o percurso ser alterado para se chegar ao destino (ou origem)
programado.
24. As condições de segurança das viaturas não são satis fatórias no seu geral,
apresentando algumas deficiências mecânicas (travões, carroçaria), várias
deficiências em termos de sinalização e conforto, gases de escape com fumaça
(sinal de motor, bomba injectora ou filtros em péssimas condições) e perdas de
óleo;
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25. Existem vários operadores ilegais, i.e., operadores que não estão registados nas
devidas associações e Direcção Municipal de Transportes e Trânsito da cidade
mas que exercem a actividade de transporte de passageiros sem que as viaturas
e/ou os motoristas estejam habilitados para tal;
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- as deslocações dos utentes do transporte urbano de passageiros são maioritariamente
do tipo pendular, caracterizadas por serem de permanência o dia todo no local de
destino e regresso ao fim da tarde;
- A empresa pública TPM é o operador com maior taxa de ocupação dos seus veículos,
facto verificado durante os inquéritos. Os TPM são aqueles que tem o menor número de
veículos na praça, sendo igualmente os que praticam a tarifa mais baixa.
- Verifica-se que 63% das viagens têm uma duração inferior a 30 minutos. Este facto
deve-se fundamentalmente aos seguintes factores:
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o as viagens com origem ou destino na área exterior ao cordão externo da área
geográfica de estudo, apresentam tendencialmente uma duração superior a 30
minutos;
- A maioria dos utentes (73%) não espera mais que trinta minutos pelo transporte
colectivo de passageiros. Este tempo de espera pode ser explicado pelo elevado
número de chapas que circulam em Maputo e à procura de passageiros dos operadores
que procuram rentabilizar a jornada diária, para aumentar o salário no fim do mês ou
da semana;
- Na área urbana, a maior fatia dos passageiros que procuram o transporte depois das 8h
da manhã é maior que o caso suburbano. A chegada a casa verifica-se mais cedo na
área suburbana;
Foram igualmente entrevistadas trezentas famílias por cada zona. No total, o número de
entrevistas é de cerca de 50 mil, com uma média de cerca de duas mil pessoas por zona .Em
termos globais e tendo como referência base os dados obtidos por este trabalho de campo pode-se
afirmar o seguinte:
- Os agregados familiares são compostos em média por 6,4 pessoas por família;
- 63,3% do agregado familiar é composto, em média, por pessoas com mais de 15 anos
de idade (população economicamente activa);
- 41,2% dos residentes economicamente activos são, em média, passageiros cativos dos
Transporte Colectivo de Passageiros;
- 10,6%de pessoas com menos de 15 anos de idade utilizam, em média, os TCP para a
realização das suas actividades diárias;
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- Os residentes menores que mais viajam são da zona 24 – George Dimitrov e 19 –
Costa do Sol, sendo que os que menos viajam através dos TCP são da zona 6 – Luis
Cabral e 21 – Malhangalene ;
- A maior geração e atracção de viagens é registada para a zona 1,2 e 4 – Baixa, Bairro
Central e Alto-Maé sendo que a menor atracção e geração de viagens registou-se na
zona 5 – Sommerchield;
- A zona que mais atrai passageiros é a zona 2 seguida da zona 1, enquanto que a que
gera mais passageiros é a zona 4 seguida da zona 24 e 20; note-se que estes valores
coincidem com o facto destas zonas serem potencialmente postos terminais de viagens
provenientes da zona exterior;
- As zonas 3, 8 e 24 são aquelas que apresentam um maior nivel potencial da zona, i.e.,
deverão ser atribuídas funções a estas ou a zonas vizinhas, na rede futura de
transportes públicos urbanos, de possíveis nós de origem/destino. Em função da sua
localização (centro ou subúrbios) justifica-se a criação de uma sub-rede que procure
satisfazer a intensidade da procura nos eixos de maior oferta ao nível central e ao nível
dos subúrbios;
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- A contagem de viaturas de transporte colectivo de passageiros na área urbana pode
produzir um indicador da variação da procura ao longo do dia, nos corredores
principais. Da análise prévia do Municipio de Maputo, constatou-se a existência de
sete pólos de atracção e geração de tráfego, nomeadamente, Hulene, Benfica,
Malhazine, Alto-Maé, Museu, Baixa, Praça dos Combatentes, Xipamanine, Xiquelene
e Zímpeto;
- Das 68,408 viaturas TCP a operar na área urbana da c idade de Maputo, verifica-se
que no período da manhã (54,6%) existem mais viaturas a operar em relação ao
período da tarde (45,4%). A média global e de 3 viaturas de TCP por minuto em
circulação nas principais artérias da cidade;
- Pode ainda afirmar-se que a maior carga de tráfego se processa durante a manhã, no
sentido da área suburbana para a área central urbana (Zonas 1 a 4), pois que os utentes
do sistema de transportes públicos de passageiros vão regressando a casa no decorrer
do período da tarde. Tem-se assim uma hora de pico que basicamente corresponde ao
período das 6h30 às 7h30, prevalecendo ainda um acentuado número de viaturas até
às 8h30m. No período da tarde o pico verifica-se a partir das 15H30m prolongando-se
até às 17H00m altura em que, em determinadas troços da cidade se verifica uma
ligeira diminuição, não obstante existirem valores acentuados de viagens até às
19H00m;
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- No mercado do Xipamanine não passam viaturas dos TPM nem os chapas do tipo III,
dadas as condições degradadas das ruas do Xipamanine e Irmãos Roby. A Avenida
Guerra Popular regista a maior concentração dos chapas do tipo I, grande parte delas
provenientes das Avenidas de Moçambique e Namaacha (auto-estrada da Matola);
- Das 47,988 viaturas TCP a operar na área urbana da cidade de Maputo, verifica-se que
no período da manhã (51,9%) existem mais viaturas a operar em relação ao período da
tarde (48,1%). A média global e de 3 viaturas de TCP por minuto em circulação nas
principais artérias da cidade;
- Nas áreas suburbanas, mais distanciadas dos grandes centros de atracção urbanos, o
período de pico, em termos de viaturas de transporte colectivo de passageiros, é das
6h00 às 7h00 nas principais artérias, existindo um segundo período por volta das
8h30. Constatou-se ainda que as viaturas privadas do tipo III operam em regra muito
cedo na área suburbana (até às 7h00), evitando sempre a penetração na área urbana;
- É notório que as zonas 1 e 2 (ver Figura 2) atraem mais viagens dos transportes
colectivos de passageiros, dado serem centros onde se situam actividades terciárias
(transportes e comunicações, comércio, finanças, serviços administrativos e outros
serviços) que ocupam 68.1% da mão de obra [INE, 1997], terem várias escolas e
centros de formação profissional e o hospital central de Maputo. A zona 4, por se
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situar já nos limites urbanos da cidade, é considerado um ponto de partida e chegada
dos utentes que se deslocam de/ou para outras zonas envolventes;
- A zona 24 (Benfica) é utilizada como ligação quer dos utentes provenientes das zonas
verdes quer daqueles que são provenientes do norte (Marracuene, Xai- Xai, Inhambane
e Beira). Sendo a Av. de Moçambique, uma estrada classificada como Nacional, o
controle de trânsito é mais apertado. Em regra, as viaturas privadas utilizadas para este
efeito são as do tipo III, muitas delas ilegais, que chegam ao Benfica muito cedo (até
às 6h30m) e regressam por estradas secundárias para evitar as respectivas multas;
-
Figura 2 – Zonas e Postos d e inquérito do estudo efectuado em Maputo
- As zonas 6 e 7 são caracterizadas pela habitação mista (alvenaria e precária), existindo
vários mercados onde se destaca o mercado do Xipamanine na zona 6. Os transportes
são aqui utilizados na perspectiva de transportar, também, mercadorias leves para
posterior revenda;
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Baixa e Xiquelene a fim de revender os seus produtos. As vias de tráfego estão
bastante degradadas, razão pela qual os TPM não operam nesta zona;
- As viagens entre a área suburbana e a área urbana representam cerca de 36% do valor
total das viagens. As viagens dentro da área urbana indicam também que as zonas 1,
2, 3 e 4 são locais principais de largada dos passageiros provenientes das zonas
exteriores à cidade de Maputo (ver Tabela 2).
Movimentos valor %
Urbano Urbano 122.943 12%
Urbano Suburbano 114.114 11%
Urbano Exterior 124.876 12%
Suburbano Suburbano 72.938 7%
Suburbano Urbano 166.000 16%
Suburbano Exterior 102.020 10%
Exterior Exterior 96.476 9%
Exterior Urbano 147.227 14%
Exterior Suburbano 71.011 7%
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Bombeiros, Policia e Ambulâncias) numa das faixas das referidas Avenidas ou que se
proceda ao desvio desses veículos para outras Avenidas paralelas ou perpendiculares.
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5. PRÓXIMAS ETAPAS
O diagnóstico/levantamento realizado neste relatório, dada a transversalidade desta
matéria a todos níveis da nossa sociedade, aponta para a existência de três níveis de intervenção,
nem sempre claramente distintos, envolvendo planeamento e controle, na área dos transportes de
passageiro na cidade de Maputo e Matola, nomeadamente os níveis Estratégico, Táctico e
Operacional.
Existem vários estudos que podem ser realizados, desde a compreensão das questões de
fluidez de trânsito das zonas periféricas ao centro da cidade de Maputo; desenho da rede de
transportes; Tipos, quantidades e tamanhos de veículos a utilizarem entre outros aspectos.
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BIBLIOGRAFIA
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9. Dembélé, Niama Nango; 2001, “Sécurtité Alimentaire en Afrique Sub-Saharienne: Quelle Stratégie de
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11. Ferraz, A.C.P.; 1998b, “El método Leones para cálculo de la tarifa de los autobuses urbanos”, Editora: Logia.
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12. Gwilliam, Ken & Scurfield, Richard, 1999, “Competition in public road passenger transportation”. Worl Bank
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13. Howard, Julie, Jayne, Thomas e Weber, Michael; 1999, “African perspectives on progress and challenges in
transforming agriculture to help cut hunger and poverty”,: Editado pelo African Development Bank, Agriculture
and rural development sector policy, Fonte da internet:
http://www.aec.msu.edu/agecon/fs2/africanhunger/perspectives.pdf.
14. Howard, Julie, Jayne, Thomas e Weber, Michael; 1999, “African perspectives on progress and challenges in
transforming agriculture to help cut hunger and poverty”,: Editado pelo African Development Bank, Agriculture
and rural development sector policy, Fonte da internet:
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15. Keeny, R.L. e Raiffa,H., 1972, “A critique of formal analysis in public decision making”, Editor: The MIT Press
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16. Matos, A .,2003 “Planeamento de um sistema de transportes colectivos de passageiros numa zona metropolitana
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17. Matos, A., Sousa, J. e Sousa, J.Freire; 1999, “Os transportes públicos urbanos de Maputo – questões de
regulamentação, propriedade e financiamento”, Actas do Iº Congresso Luso-Moçambicano de Engenharia – Vol.
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18. Matos, António, “Importância dos Transportes de Passageiros na luta contra a Pobreza”, III Congresso Luso
Moçambicano de Engenharia, Maputo – 2003
19. Matos, António, “Transporte colectivo de passageiros em Maputo. Que soluções organizacionais?” II Congresso
Luso Moçambicano de Engenharia, Maputo – 2001
20. May, A.D., Roberts,M., and Mason,P., 1992, “The development of transport strategies for Edinburg”,
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21. Mello, José Carlos;1984, “Transportes e Desenvolvimento”, Inter American Council for Integral Development,
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22. NTU, Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano, 2004 b, “Operação de Redes – Organização da
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23. NTU, Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano, 2004 c, “Aspectos organizacionais –
Organização dos órgãos públicos”, Brasília, Brasil.
24. NTU, Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano, 2004 d, “Operação de Redes – Gestão e
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25. NTU, Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano, 2004, “Aspectos organizacionais –
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27. Sahan, David; 1996, “Structural adjustment reconsidered: economic policy and poverty in Africa”, Cambridge
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28. Silva, A.N.R. e Ferraz, A.C.P.; 1991, “Transporte Público Urbano – Operação e Administração.”, São Carlos
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ÍNDICE
PREFÁCIO 1
1. INTRODUÇÃO 2
2. OBJECTIVOS 3
3. TRABALHOS REALIZADOS 4
3.4. SÍNTESE DO TRABALHO “URBAN TRANSPORT POLICY FOR GREATER MAPUTO” - 200635
OBJECTIVO DO ESTUDO 36
METODOLOGIA 36
ROTAS E DISTRIBUIÇÃO DA FROTA 36
RECOMENDAÇÕES A CURTO PRAZO 38
RECOMENDAÇÕES A LONGO PRAZO 39
IMPLICAÇÕES DOS PLANOS DO GOVERNO 40
Custos de Capital Elevados 40
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Não há Justificação para a Substituição de Toda a Frota 41
Sobressalentes e Manutenção 41
Emprego 42
Ineficiência 42
Falta de Acções Complementares 42
3.8. SÍNTESE DO TRABALHO “ URBAN TRANSPORT STUDY FOR MAPUTO AND BEIRA -
HOUSEHOLD SURVEY” 1982 51
OBJECTIVO 51
ÂMBITO 51
RECOMENDAÇÕES 52
4. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 66
5. PRÓXIMAS ETAPAS 94
BIBLIOGRAFIA 95
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