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Marinha do Brasil
Comando do 1º ao 9º Distrito Naval
Língua Portuguesa
GRAMÁTICA Sistema ortográfico em vigor. ....................................................................................................................1
Emprego das letras e do hífen. ...........................................................................................................................................8
Acentuação gráfica e uso do acento indicador de crase. ............................................................................................ 11
Aspectos fonéticos: fonema e letra, sílaba, encontros vocálicos e consonantais, dígrafos................................... 15
Aspectos morfológicos: estrutura e formação de palavras, classes de palavras. ................................................... 17
Organização sintática da frase e do período: frase, oração e período, os termos da oração; subordinação e
coordenação. ...................................................................................................................................................................... 40
Pontuação. .......................................................................................................................................................................... 53
Concordância (nominal e verbal). .................................................................................................................................. 57
Regência (nominal e verbal)............................................................................................................................................ 60
Função e emprego dos pronomes relativos; Colocação pronominal. ...................................................................... 64
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO Leitura e análise de textos verbais e não verbais: os propósitos
do autor e suas implicações na organização do texto. ................................................................................................ 65
Compreensão de informações implícitas e explícitas. ................................................................................................ 72
Linguagens denotativa e conotativa. ............................................................................................................................. 73
Coerência e coesão. ........................................................................................................................................................... 73
Texto e contexto: ambiguidade e polissemia; Relações lexicais: sinonímia, antonímia, homonímia, hiperonímia,
hiponímia e paronímia. .................................................................................................................................................... 82
Figuras de linguagem........................................................................................................................................................ 90
Gêneros textuais. ............................................................................................................................................................... 93
Tipos de discurso............................................................................................................................................................... 96
Reescritura de frases. .....................................................................................................................................................104
Adequação vocabular e variação linguística: norma culta e variedades regionais e sociais, registro formal e
informal. ............................................................................................................................................................................109
Conhecimentos Específicos
Formação Militar-Naval - FORÇAS ARMADAS E SEGURANÇA PÚBLICA A Constituição Federal e as Forças
Armadas; a Constituição Federal e a Segurança Pública. .............................................................................................1
LEGISLAÇÃO MILITAR-NAVAL Estatuto dos Militares – Disposições preliminares; Do ingresso nas Forças
Armadas; Da hierarquia militar e disciplina; Do cargo e da função militares; Das obrigações militares; Valor e
ética militar; Dos deveres militares; Conceituação; compromisso militar, comando e subordinação; Violação
das obrigações e deveres militares; Crimes militares; Contravenções ou transgressões disciplinares; e
Conselhos de justificação e disciplina. .............................................................................................................................6
Regulamento Disciplinar para a Marinha – Generalidades; Propósito; Disciplina e hierarquia militar; Esfera de
ação disciplinar; Das contravenções disciplinares; definição e especificação; Natureza das contravenções e
suas circunstâncias; Da parte, prisão imediata e recursos; parte; prisão imediata; e recursos. ........................ 11
RELAÇÕES HUMANAS E LIDERANÇA Doutrina de Liderança da Marinha – Chefia e Liderança; Aspectos
Fundamentais da Liderança; Estilos de Liderança; Seleção de Estilos de Liderança; Fatores da Liderança;
Atributos de um Líder; Níveis de Liderança. ............................................................................................................... 15
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Formação da Marinha Imperial Brasileira: A vinda da Família Real; Política externa de D. João VI e a atuação
da Marinha: a conquista de Caiena e a ocupação da Banda Oriental: A Banda Oriental; A Revolta Nativista de
1817 e a atuação da Marinha; Guerra de independência; Elevação do Brasil a Reino Unido; O retorno de D. João
VI para Portugal; A Independência; .............................................................................................................................. 25
A Formação de uma Esquadra Brasileira; Operações Navais; Confederação do Equador. A Atuação da Marinha
nos Conflitos da Regência e do Início do Segundo Reinado: Conflitos internos; Cabanagem; Guerra dos
Farrapos; Sabinada; Balaiada; Revolta Praieira; Conflitos externos; Guerra Cisplatina; Guerra contra Oribe e
Rosas. A Atuação da Marinha na Guerra da Tríplice Aliança contra o Governo do Paraguai: O bloqueio do Rio
Paraná e a Batalha Naval do Riachuelo; Navios encouraçados e a invasão do Paraguai; Curuzu e Curupaiti;
Caxias e Inhaúma; Passagem de Curupaiti; Passagem de Humaitá; O recuo das forças paraguaias; O avanço
aliado e a Dezembrada; A ocupação de Assunção e a fase final da guerra. ............................................................ 28
A Marinha na República: Primeira Guerra Mundial: Antecedentes; O preparo do Brasil; A Divisão Naval em
Operações de Guerra; O Período entre Guerras; A situação em 1940; Segunda Guerra mundial: Antecedentes;
Início das hostilidades e ataques aos nossos navios mercantes; A Lei de Empréstimo e Arrendamento e
modernizações de nossos meios e defesa ativa da costa brasileira; Defesas Locais; Defesa Ativa; A Força Naval
do Nordeste; E o que ficou? O Emprego Permanente do Poder Naval: O Poder Naval na guerra e na paz:
Classificação; A percepção do Poder Naval; O emprego permanente do Poder Naval. ........................................ 43
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LÍNGUA PORTUGUESA
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APOSTILAS OPÇÃO
Alfabeto Emprego do J
Para representar o fonema “j’ na forma escrita, a grafia
O alfabeto da língua portuguesa é formado por 26 letras. A – considerada correta é aquela que ocorre de acordo com a
B–C–D–E–F–G–H–I–J–K–L–M–N–O–P–Q–R–S– origem da palavra, como por exemplo no caso da na palavra jipe
T – U – V – W – X – Y – Z. que origina-se do inglês jeep. Porém também se empregará o “J”
nas seguintes situações:
Observação: emprega-se também o “ç”, que representa o
fonema /s/ diante das letras: a, o, e u em determinadas palavras. 1) Em verbos terminados em -jar ou -jear. Exemplos:
Arranjar: arranjo, arranje, arranjem
Emprego das Letras e Fonemas Despejar: despejo, despeje, despejem
Viajar: viajo, viaje, viajem
Emprego das letras K, W e Y
Utilizam-se nos seguintes casos: 2) Nas palavras de origem tupi, africana, árabe ou exótica.
1) Em antropônimos originários de outras línguas e seus Exemplos: biju, jiboia, canjica, pajé, jerico, manjericão, Moji.
derivados. Exemplos: Kant, kantismo; Darwin, darwinismo;
Taylor, taylorista. 3) Nas palavras derivadas de outras que já apresentam “J”.
Exemplos: laranja –laranjeira / loja – lojista / lisonja –
2) Em topônimos originários de outras línguas e seus lisonjeador / nojo – nojeira / cereja – cerejeira / varejo –
derivados. Exemplos: Kuwait, kuwaitiano. varejista / rijo – enrijecer / jeito – ajeitar.
3) Em siglas, símbolos, e mesmo em palavras adotadas como Observação - também se emprega com a letra “J” os
unidades de medida de curso internacional. Exemplos: K seguintes vocábulos: berinjela, cafajeste, jeca, jegue, majestade,
(Potássio), W (West), kg (quilograma), km (quilômetro), Watt. jeito, jejum, laje, traje, pegajento.
Emprego do X Emprego do S
Se empregará o “X” nas seguintes situações: Utiliza-se “S” nos seguintes casos:
1) Após ditongos. 1) Palavras derivadas de outras que já apresentam “S” no
Exemplos: caixa, frouxo, peixe. radical. Exemplos: análise – analisar / catálise – catalisador /
Exceção: recauchutar e seus derivados. casa – casinha ou casebre / liso – alisar.
2) Após a sílaba inicial “en”. 2) Nos sufixos -ês e -esa, ao indicarem nacionalidade, título
Exemplos: enxame, enxada, enxaqueca. ou origem. Exemplos: burguês – burguesa / inglês – inglesa /
Exceção: palavras iniciadas por “ch” que recebem o prefixo chinês – chinesa / milanês – milanesa.
“en-”. Ex.: encharcar (de charco), enchiqueirar (de chiqueiro),
encher e seus derivados (enchente, enchimento, preencher...) 3) Nos sufixos formadores de adjetivos -ense, -oso e –osa.
Exemplos: catarinense / palmeirense / gostoso – gostosa /
3) Após a sílaba inicial “me-”. amoroso – amorosa / gasoso – gasosa / teimoso – teimosa.
Exemplos: mexer, mexerica, mexicano, mexilhão.
Exceção: mecha. 4) Nos sufixos gregos -ese, -isa, -osa.
Exemplos: catequese, diocese, poetisa, profetisa,
4) Se empregará o “X” em vocábulos de origem indígena ou sacerdotisa, glicose, metamorfose, virose.
africana e em palavras inglesas aportuguesadas.
Exemplos: abacaxi, xavante, orixá, xará, xerife, xampu, 5) Após ditongos.
bexiga, bruxa, coaxar, faxina, graxa, lagartixa, lixa, lixo, puxar, Exemplos: coisa, pouso, lousa, náusea.
rixa, oxalá, praxe, roxo, vexame, xadrez, xarope, xaxim, xícara,
xale, xingar, etc. 6) Nas formas dos verbos pôr e querer, bem como em seus
derivados.
Emprego do Ch Exemplos: pus, pôs, pusemos, puseram, pusera, pusesse,
Se empregará o “Ch” nos seguintes vocábulos: bochecha, puséssemos, quis, quisemos, quiseram, quiser, quisera,
bucha, cachimbo, chalé, charque, chimarrão, chuchu, chute, quiséssemos, repus, repusera, repusesse, repuséssemos.
cochilo, debochar, fachada, fantoche, ficha, flecha, mochila,
pechincha, salsicha, tchau, etc. 7) Em nomes próprios personativos.
Exemplos: Baltasar, Heloísa, Inês, Isabel, Luís, Luísa,
Emprego do G Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás.
Se empregará o “G” em:
1) Substantivos terminados em: -agem, -igem, -ugem. Observação - também se emprega com a letra “S” os
Exemplos: barragem, miragem, viagem, origem, ferrugem. seguintes vocábulos: abuso, asilo, através, aviso, besouro, brasa,
Exceção: pajem. cortesia, decisão, despesa, empresa, freguesia, fusível, maisena,
Língua Portuguesa 1
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APOSTILAS OPÇÃO
mesada, paisagem, paraíso, pêsames, presépio, presídio, 6) Emprega-se Ss: nos substantivos derivados de verbos
querosene, raposa, surpresa, tesoura, usura, vaso, vigésimo, terminados em -gredir, -mitir, -ceder e -cutir.
visita, etc. Exemplos: agredir – agressão / demitir – demissão / ceder –
cessão / discutir – discussão/ progredir – progressão /
Emprego do Z transmitir – transmissão / exceder – excesso / repercutir –
Se empregará o “Z” nos seguintes casos: repercussão.
1) Palavras derivadas de outras que já apresentam Z no
radical. 7) Emprega-se o Xc e o Xs: em dígrafos que soam como Ss.
Exemplos: deslize – deslizar / razão – razoável / vazio – Exemplos: exceção, excêntrico, excedente, excepcional,
esvaziar / raiz – enraizar /cruz – cruzeiro. exsudar.
2) Nos sufixos -ez, -eza, ao formarem substantivos abstratos Atenção - não se esqueça que uso da letra X apresenta
a partir de adjetivos. algumas variações. Observe:
Exemplos: inválido – invalidez / limpo – limpeza / macio – 1) O “X” pode representar os seguintes fonemas:
maciez / rígido – rigidez / frio – frieza / nobre – nobreza / pobre “ch” - xarope, vexame;
– pobreza / surdo – surdez. “cs” - axila, nexo;
“z” - exame, exílio;
3) Nos sufixos -izar, ao formar verbos e -ização, ao formar “ss” - máximo, próximo;
substantivos. “s” - texto, extenso.
Exemplos: civilizar – civilização / hospitalizar –
hospitalização / colonizar – colonização / realizar – realização. 2) Não soa nos grupos internos -xce- e -xci-
Exemplos: excelente, excitar.
4) Nos derivados em -zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -zita.
Exemplos: cafezal, cafezeiro, cafezinho, arvorezinha, cãozito, Emprego do E
avezita. Se empregará o “E” nas seguintes situações:
1) Em sílabas finais dos verbos terminados em -oar, -uar
5) Nos seguintes vocábulos: azar, azeite, azedo, amizade, Exemplos: magoar - magoe, magoes / continuar- continue,
buzina, bazar, catequizar, chafariz, cicatriz, coalizão, cuscuz, continues.
proeza, vizinho, xadrez, verniz, etc.
2) Em palavras formadas com o prefixo ante- (antes,
6) Em vocábulos homófonos, estabelecendo distinção no anterior).
contraste entre o S e o Z. Exemplos: Exemplos: antebraço, antecipar.
Cozer (cozinhar) e coser (costurar);
Prezar (ter em consideração) e presar (prender); 3) Nos seguintes vocábulos: cadeado, confete, disenteria,
Traz (forma do verbo trazer) e trás (parte posterior). empecilho, irrequieto, mexerico, orquídea, etc.
Língua Portuguesa 2
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APOSTILAS OPÇÃO
2) Medial, como integrante dos dígrafos ch, lh, nh. falam e são tratados como crianças. Pelo jeito, infância e vida
Exemplos: flecha, telha, companhia. adulta têm hoje pouco a ver com idade cronológica.
Não é preciso muito para observar sinais dessa troca: basta
3) Final e inicial, em certas interjeições. olhar as pessoas no espaço público. É corriqueiro vermos
Exemplos: ah!, ih!, eh!, oh!, hem?, hum!, etc. meninas vestidas com roupas de adultos, inclusive sensuais:
blusas e saias curtas, calças apertadas, meia-calça e sapatos de
4) Em compostos unidos por hífen, no início do segundo salto. E pensar que elas precisam é de roupa folgada para
elemento, se etimológico. deixar o corpo explodir em movimentos que devem ser
Exemplos: anti-higiênico, pré-histórico, super-homem, etc. experimentados... Mas sempre há um traço que trai a idade:
um brinquedo pendurado, um exagero de enfeites, um excesso
Observações: de maquiagem, etc.
1) No substantivo Bahia, o “h” sobrevive por tradição. Note Se olharmos as adultas, vestidas com o mesmo tipo de
que nos substantivos derivados como baiano, baianada ou roupa das meninas descritas acima, vemos também
baianinha ele não é utilizado. brinquedos, carregados como enfeites ou amuletos: nos
chaveiros, nas bolsas, nos telefones celulares, nos carros. Isso
2) Os vocábulos erva, Espanha e inverno não iniciam com a sem falar nas mesas de trabalho, enfeitadas com ícones do
letra “h”. No entanto, seus derivados eruditos sempre são mundo infantil.
grafados com h, como por exemplo: herbívoro, hispânico, Criança pequena adora ter amigo imaginário, mas essa
hibernal. maravilhosa possibilidade tem sido destruída, pouco a pouco,
pelo massacre da realidade do mundo adulto, que tem
Questões colaborado muito para desfazer a fantasia e o faz-de-conta.
Mas os legítimos representantes desse mundo, por sua vez,
01. (Prefeitura de Maracanã/PA - Auxiliar de Serviços não hesitam em ter o seu. Ultimamente, ele tem sido comum e
Gerais - CETAP/2019) ganhou o nome de deus. Não me refiro ao Deus das religiões e
alvo da fé. A ideia de deus foi privatizada, e cada um tem o seu,
SONHO à sua imagem e semelhança, mesmo sem professar religião
nenhuma.
Não quero nem ma referir aqui do sonho onírico, aquele O amigo imaginário dos adultos chamado de deus é aquele
que vem quando estamos dormindo, e que cumpre uma função com quem eles conversam animadamente, a quem chamam
biológica e psicológica demasíadarnente importante para o nos momentos de estresse, a quem recorrem sempre que
nosso bem-estar. Falo eu de sonho como sendo o nosso desejo, enfrentam dificuldades, precisam tomar uma decisão ou
o que queremos realizar, construir. Como Martin Luther King, anseiam por algo e, principalmente, para contornar a solidão.
ao falar de uma sociedade sem diferenças. Ou Mahatma Nada como ter um amigo invisível, já que ele não exige
Gandhl, ao lutar pela independência da índia e expressar o lealdade, dedicação nem cobra nada, não é?
sonho de sem violência alguma, haver um povo que tivesse E o que dizer, então, das brincadeiras infantis que muitos
autodeterminação. adultos são obrigados a enfrentar quando fazem cursos,
Quando dizemos “eu sonho ter uma casa" ou ‘eu sonho que frequentam seminários ou assistem a aulas? É um tal de
meus filhos se formem” ou ‘eu sonho ter um casamento que assoprar bexigas, abraçar quem está ao lado, acender fósforo
perdure bastante tempo", o sonho é aquilo que nos para expressar uma ideia, carregar uma pedra para ter a
Impulsiona. É um desejo que colocando no futuro, procuramos palavra no grupo, escolher um bicho como imagem de
buscar. identificação, usar canetas coloridas para fazer trabalhos, etc.
Isso nada tem a ver com delírio. Delírio é um desejo que Mas, se existe uma manifestação comum a crianças e
não tem factibilidade, que não tem como se realizar. Sonho adultos para expressar alegria, contentamento, comemoração
precisa se factível, realizável. e afins, ela tem sido o grito. Que as crianças gritem porque
Por exemplo não basta eu dizer: ‘Sonho ser o maior jogador ainda não descobriram outras maneiras de expressar
de futebol da Fifa 2016". Isso não é sonho é delírio. Eu não emoções, dá para entender. Aliás, é bom lembrar que os
tenho mais idade, não teria como entrar no circuito do futebol. educadores não têm colaborado para que elas aprendam a
“E se eu rezar muito?" Lamento, não vai acontecer. “E se eu ler desenvolver outros tipos de expressão. Mas os adultos
muitos livros de autoajuda?" Também não vai adiantar. gritarem desesperada e estridentemente para manifestar
Sonho não é delírio, é o desejo com factibilidade, que pode emoção é constrangedor. Com tamanha confusão, fica a
ser realizado. Delírio é um desejo marcado pela incapacidade impressão de que roubamos a infância das crianças porque a
de realização. queremos para nós, não?
(CORTELLA, Mário Sárglo- Pensar bem nos faz bem! Vozes, p.138.) SAYÃO, Rosely. “As melhores crônicas do Brasil”. In
cronicasbrasil.blogspot.com.
A letra “x" representa vários sons como em "exemploVz/.
Assinale a alternativa com som diferente: O vocábulo “impressão”, sublinhado no fragmento “fica a
(A) exato. impressão de que roubamos a infância das crianças” (7º §), é
(B) exame. grafado com “ss” em razão de uma regra ortográfica segundo a
(C) expressar. qual grafam-se com o dígrafo “ss” os nomes relacionados aos
(D) exaurir. verbos com radical em “prim”, como imprimir / impressão,
comprimir/compressão, etc. Abaixo estão relacionadas outras
02. (Prefeitura de Porto Velho/RO - Especialista em regras ortográficas, com os respectivos exemplos. A regra em
Educação - IBADE/2019) que um dos exemplos NÃO se enquadra nela é:
(A) grafam-se com Z os sufixos -izar, -ização: civilizar,
Queremos a infância para nós humanizar, catalizar, colonização.
(B) grafa-se com Ç a correlação T – Ç: absorção, ação,
O mundo anda bem atrapalhado: de um lado, temos assunção, exceção.
crianças que se comportam, se vestem, falam e são tratadas (C) grafa-se com SS a correlação CED - CESS: cessão,
como adultos. Do outro, adultos que se comportam, se vestem, intercessão, acessível, concessão.
Língua Portuguesa 3
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APOSTILAS OPÇÃO
(D) grafam-se com S os sufixos -esa, -ês, -esia, quando o Exemplos: Igreja (Católica, Apostólica, Romana), Estado,
radical é um substantivo: freguês, burguesa, maresia, pedrês. Nação, Pátria, União, etc.
(E) grafam-se com Z os sufixos -ez, -eza, quando o radical é
um adjetivo: pobreza, grandeza, acidez, realeza. Observação: esses nomes escrevem-se com inicial
minúscula quando são empregados em sentido geral ou
03. (Prefeitura de Timbó/SC - Engenheiro Civil - indeterminado.
FURB/2019) Assim como o verbo “autorizar”, assinale a Exemplo: Todos amam sua pátria.
alternativa que contenha outro exemplo de verbo terminado
em IZAR: Emprego Facultativo da Letra Maiúscula
(A) avi___ar. 1) No início dos versos que não abrem período, é facultativo
(B) ali___ar. o uso da letra maiúscula, como por exemplo:
(C) pesqui___ar.
(D) tranquili___ar. “Aqui, sim, no meu cantinho,
(E) preci___ar. vendo rir-me o candeeiro,
gozo o bem de estar sozinho
04. (Prefeitura de Timbó/SC - Engenheiro Civil - e esquecer o mundo inteiro.”
FURB/2019) A exemplo de “crescimento”, escrito
corretamente com SC, assinale a alternativa cuja lacuna 2) Nos nomes de logradouros públicos, templos e edifícios.
também deve ser preenchida com SC: Exemplos: Rua da Liberdade ou rua da Liberdade / Igreja do
(A) e___eção. Rosário ou igreja do Rosário / Edifício Azevedo ou edifício
(B) do___ente. Azevedo.
(C) anoite___er.
(D) ace___ível. Inicial Minúscula
(E) di____ente. Utiliza-se inicial minúscula nos seguintes casos:
1) Em todos os vocábulos correntes da língua portuguesa.
05. (MPE-GO - Secretário Auxiliar - MPE-GO/2019) Exemplos: carro, flor, boneca, menino, porta, etc.
Assinale a alternativa em que NÃO há erro de grafia nas
palavras descritas: 2) Depois de dois-pontos, não se tratando de citação direta,
(A) aprasível, chafariz, puxar. usa-se letra minúscula.
(B) pecha, cochichar, piche. Exemplo: “Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas:
(C) poetiza, encharcada, exdrúxulo. ouro, incenso, mirra.” (Manuel Bandeira)
(D) expetacular, exceção, objeção.
(E) estiagem, expulsão, enxuto. 3) Nos nomes de meses, estações do ano e dias da semana.
Exemplos: janeiro, julho, dezembro, etc. / segunda, sexta,
Gabarito domingo, etc. / primavera, verão, outono, inverno.
2) Nos antropônimos, reais ou fictícios. 2) Nas formas de tratamento e reverência, bem como em
Exemplos: Pedro Silva, Cinderela, D. Quixote. nomes sagrados e que designam crenças religiosas.
Exemplos:
3) Nos topônimos, reais ou fictícios. Governador Mário Covas ou governador Mário Covas
Exemplos: Rio de Janeiro, Rússia, Macondo. Papa João Paulo II ou papa João Paulo II
Excelentíssimo Senhor Reitor ou excelentíssimo senhor
4) Nos nomes mitológicos. reitor
Exemplos: Dionísio, Netuno. Santa Maria ou santa Maria
5) Nos nomes de festas e festividades. c) Nos nomes que designam domínios de saber, cursos e
Exemplos: Natal, Páscoa, Ramadã. disciplinas.
Exemplos:
6) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais. Português ou português
Exemplos: ONU, Sr., V. Ex.ª. Línguas e Literaturas Modernas ou línguas e literaturas
modernas
7) Nos nomes que designam altos conceitos religiosos, História do Brasil ou história do Brasil
políticos ou nacionalistas. Arquitetura ou arquitetura
Língua Portuguesa 4
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APOSTILAS OPÇÃO
APOSTILAS OPÇÃO
Ao encontro de: Sua atitude vai ao encontro da verdade. Entrega em domicílio: Fiz a entrega em domicílio. (lugar)
(estar a favor de) Entrega a domicílio: Enviou as compras a domicílio. (com
De encontro a: Minhas opiniões vão de encontro às suas. verbos de movimento)
(oposição, choque)
Espectador: Os espectadores se fartaram da apresentação.
A fim de: Vou a fim de visitá-la. (finalidade) (aquele que vê, assiste)
Afim: Somos almas afins. (igual, semelhante) Expectador: O expectador aguardava o momento da
chamada. (que espera alguma coisa)
Ao invés de: Ao invés de falar começou a chorar. (oposição,
ao contrário de) Estada: A estada dela aqui foi gratificante. (tempo em algum
Em vez de: Em vez de acompanhar-me, ficou só. (no lugar lugar)
de) Estadia: A estadia do carro foi prolongada por mais
algumas semanas. (prazo concedido para carga e descarga)
A par: Estamos a par das boas notícias. (bem informado,
ciente) Fosforescente: Este material é fosforescente. (que brilha
Ao par: O dólar e o euro estão ao par. (de igualdade ou no escuro)
equivalência entre valores financeiros – câmbio) Fluorescente: A luz branca do carro era fluorescente.
(determinado tipo de luminosidade)
Aprender: O menino aprendeu a lição. (tomar
conhecimento de) Haja: É preciso que não haja descuido. (verbo haver – 1ª
Apreender: O fiscal apreendeu a carteirinha do menino. pessoa singular do presente do subjuntivo)
(prender) Aja: Aja com cuidado, Carlinhos. (verbo agir – 1ª pessoa
singular do presente do subjuntivo)
Baixar: os preços quando não há objeto direto; os preços
funcionam como sujeito: Baixaram os preços (sujeito) nos Houve: Houve um grande incêndio no centro de São Paulo.
supermercados. Vamos comemorar, pessoal! (verbo haver - 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito)
Abaixar: os preços empregado com objeto direto: Os postos Ouve: A mãe disse: ninguém me ouve. (verbo ouvir - 3ª
(sujeito) de combustível abaixaram os preços (objeto direto) pessoa singular do presente do indicativo)
da gasolina.
Mal: Dormi mal. (oposto de bem)
Bebedor: Tornei-me um grande bebedor de vinho. (pessoa Mau: Você é um mau exemplo. (oposto de bom)
que bebe)
Bebedouro: Este bebedouro está funcionando bem. Mas: Telefonei-lhe mas ela não atendeu. (ideia contrária)
(aparelho que fornece água) Mais: Há mais flores perfumadas no campo. (opõe-se a
menos)
Bem-Vindo: Você é sempre bem-vindo aqui, jovem.
(adjetivo composto) Nem um: Nem um filho de Deus apareceu para ajudá-la.
Benvindo: Benvindo é meu colega de classe. (nome (equivale a nem um sequer)
próprio) Nenhum: Nenhum jornal divulgou o resultado do concurso.
(oposto de algum)
Câmara: Ficaram todos reunidos na Câmara Municipal.
(local de trabalho) Onde: Onde fica a farmácia mais próxima? (lugar em que se
Câmera: Comprei uma câmera japonesa. (aparelho que está)
fotografa) Aonde: Aonde vão com tanta pressa? (ideia de movimento)
Champanha/Champanhe (do francês): O Por ora: Por ora chega de trabalhar. (por este momento)
champanha/champanhe está bem gelado. Por hora: Você deve cobrar por hora. (cada sessenta
minutos)
Cessão: Foi confirmada a cessão do terreno. (ato de doar)
Sessão: A sessão do filme durou duas horas. (intervalo de Senão: Não fazia coisa nenhuma senão criticar. (caso
tempo) contrário)
Seção/Secção: Visitei hoje a seção de esportes. (repartição Se não: Se não houver homens honestos, o país não sairá
pública, departamento) desta situação crítica. (se por acaso não)
Demais: Vocês falam demais, caras! (advérbio de Tampouco: Não compareceu, tampouco apresentou
intensidade) qualquer justificativa. (Também não)
Demais: Chamaram mais dez candidatos, os demais devem Tão pouco: Encontramo-nos tão pouco esta semana.
aguardar. (equivale a “os outros”) (intensidade)
De mais: Não vejo nada de mais em sua decisão. (opõe-se a
“de menos”) Trás ou Atrás: O menino estava atrás da árvore. (lugar)
Traz: Ele traz consigo muita felicidade. (verbo trazer)
Descriminar: O réu foi descriminado; pra sorte dele.
(inocentar, absolver de crime) Vultoso: Fizemos um trabalho vultoso aqui. (volumoso)
Discriminar: Era impossível discriminar os caracteres do Vultuoso: Sua face está vultuosa e deformada. (congestão
documento. (diferençar, distinguir, separar) no rosto)
Descrição: A descrição sobre o jogador foi perfeita.
(descrever) Há menos de= Quando há a ideia de passado, tempo
Discrição: Você foi muito discreto. (reservado) transcorrido. Pode ser substituído por "aproximadamente" ou
"mais ou menos". Ou ainda "faz" (do verbo fazer).
Língua Portuguesa 6
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APOSTILAS OPÇÃO
Exemplo: Ele saiu de casa há menos de dois anos. 03. (Prefeitura de Mauriti/CE - Procurador -
Samuel terminou a obra da casa há menos de seis meses. CEV/URCA/2019) Dada sequência a seguir, marque a opção
que não apresenta desvio na grafia das palavras:
A Menos De1= Locução prepositiva. Indica tempo futuro ou (A) Transgressão; distorsão; consessão; expulsão;
distância aproximada. contorção;
Exemplo: Passou a menos de um metro do muro. (B) Transgreção; distorção; concessão; expulção;
A menos de um mês estarei de férias. contorsão;
(C) Transgressão; distorção; conseção; expulsão;
Bastante ou Bastantes?2 contorção;
Está aí uma palavra-encrenca. O uso de “bastante” depende (D) Transgreção; distorsão; consessão; expulção;
muito de qual função ele está assumindo na frase, podendo ser contorsão;
três: adjetivo, advérbio e pronome indefinido. Vejamos os três (E) Transgressão; distorção; concessão; expulsão;
casos. contorção.
Como advérbio
Gabarito
O uso mais comum é usar “bastante” como advérbio, no
sentido de “muito”. Nesse caso, a palavra está relacionada ao 01. A / 02. E / 03. E
verbo, então não sofre flexão e deve ficar sempre no singular.
Veja exemplo: Emprego do Porquê
Exemplos:
Função de substantivo –
Questão Não é fácil encontrar o
vem acompanhado de
Porquê porquê de toda confusão.
artigo ou pronome
Dê-me um porquê de sua
01. (Prefeitura de Resende/RJ - Agente Comunitário de saída.
Saúde - CONSULPAM/2019) Marque abaixo o item onde
todas as palavras estão escritas de forma CORRETA:
(A) Tragédia, empréstimo, arcabouço. 1. Por que (pergunta);
(B) Próximo, esfoço, estrupo. 2. Porque (resposta);
(C) Cabide, retrospequitiva, análogo. 3. Por quê (fim de frase: motivo);
(D) Barcaça, palhero, aeroporto. 4. O Porquê (substantivo).
1 https://luconcursos.blogspot.com/2016/03/ha-menos-de-ou-menos- 2 https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/duvidas-portugues/bastante-
de.html ou-bastantes
Língua Portuguesa 7
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APOSTILAS OPÇÃO
estátuas, mas também em baixos-relevos, como entalhes em (a) Você chegou atrasado e gostaria de saber o porquê.
placas de pedra, por exemplo. (b) Você chegou atrasado e gostaria de saber por que.
Isso indica que não se trata apenas de eventual acidente
ou desgaste em razão do tempo, mas sugere que ele é Na oração em (b), o uso de por que está errado, pois nesse
proposital. contexto o correto seria por quê.
Os egípcios acreditavam que a essência de uma deidade ou Certo ( ) Errado ( )
parte da alma de um ser humano morto podiam habitar
estátuas que os representassem. 05. (Prefeitura de Porto de Moz/PA - Psicólogo -
Em tumbas e templos, estátuas e relevos em pedra tinham FUNRIO/2019) Acerca do emprego do “por que", assinale a
propósitos ritualísticos e eram um ponto de encontro entre o alternativa correta:
mundo sobrenatural e o mundo natural. (A) Você sabe o porquê ele foi grosseiro comigo?
Na crença do Egito Antigo, estátuas em uma tumba tinham (B) Sou uma pessoa muito feliz por que tenho minha
o propósito de alimentar a pessoa morta com a comida deixada família por perto.
como oferenda. (C) Você não foi ao baile. Porque?
Segundo a explicação encontrada por Bleiberg, o (D) Por quê temos que agir dessa forma?
vandalismo tinha, portanto, o objetivo de “desativar a força da (E) Porque você quer me irritar?
imagem”.
Quando um nariz era quebrado, a estátua não podia mais Gabarito
respirar, o que impedia que ela recebesse oferendas ou as
retransmitisse para deuses ou poderosos mortos. 01. E / 02. D / 03. C / 04. Certo / 05. A
Normalmente, as oferendas eram transmitidas com a mão
esquerda. Por isso, muitas estátuas dedicadas à transmissão de
oferendas tinham os braços esquerdos depredados. Por outro
lado, estátuas que recebiam as oferendas tinham as mãos Emprego das letras e do hífen
direitas depredadas.
Posteriormente, durante o período cristão, entre os
séculos 1 e 3 depois de Cristo, as estátuas eram vistas como
demônios pagãos e, também, acabavam atacadas.
(André Cabette Fábio. Por que tantas estátuas egípcias têm os narizes O Emprego do Hífen3
quebrados. www.nexojornal.com.br, 06.04.2019. Adaptado)
Compostos sem elemento de ligação
A exemplo do que acontece no primeiro parágrafo, a O hífen é utilizado nos compostos sem elemento de ligação,
expressão por que foi usada conforme a norma-padrão na desde que o primeiro termo, reduzido ou por extenso, apareça
frase: representado por forma adjetiva, substantiva, verbal ou
(A) Muitos que olham para as estátuas egípcias hoje não numeral.
entendem o por que de elas não terem nariz. Ex.: ano-luz, arco-íris, decreto-lei, joão-ninguém, médico-
(B) Por que muitas deidades tinham a função de transmitir cirurgião, mesa-redonda, tenente-coronel.
oferendas com a mão esquerda, essa era a mão vandalizada.
(C) Partes da estátua eram quebradas, por que assim a As formas anglo-, afro-, franco-, euro-, luso-, indo-, sino- e
força da imagem supostamente seria desativada. semelhantes, quando empregadas com sentido de adjetivo,
(D) A explicação do por que de apenas algumas partes continuam a ser grafadas sem hífen em empregos onde só
estarem danificadas não estava apenas no fator tempo. exista uma etnia.
(E) Não se sabia por que certas partes em baixo-relevo das Ex.: anglofalante, afrodescendente, anglomania,
estátuas também estavam danificadas. eurodeputado, eurocêntrico, lusofonia, sinologia, etc.
02. (Prefeitura de Porto Nacional/TO - Assistente Se houver mais de uma etnia, usa-se o hífen.
Administrativo - COPESE/2019) Assinale a alternativa que Ex.: afro-brasileiro, anglo-saxão, euro-asiático, etc.
preenche CORRETAMENTE a lacuna da oração: “______ o
jornalista não compareceu ao evento?”. Ao longo do tempo, certos compostos perderam a noção de
(A) Porquê composição, passando a serem escritos de maneira aglutinada,
(B) Por quê como, por exemplo: madressilva, pontapé, girassol, etc.
(C) Porque Paraquedas, paraquedistas (e derivados), mandachuva
(D) Por que também são escritos aglutinados.
03. (CONSED/GO - Engenheiro Civil - IDCAP/2019) Os demais compostos com a forma verbal para- continuam
Analise o trecho e assinale a alternativa que completa separados por hífen, assim como os demais compostos com a
corretamente a lacuna: forma verbal manda-.
“Certamente há um _________ para eles terem discutido.”. Ex.: para-brisa, para-choque, para-lama, etc.; manda-lua,
(A) Porque. manda-tudo.
(B) Por que.
(C) Porquê. De acordo com a tradição ortográfica, o hífen também é
(D) Por quê. utilizado em outras combinações vocabulares: abaixo-
(E) Para que. assinado, assim-assim, ante-à-ré, ave-maria, salve-rainha.
04. (MPE/SC - Promotor de Justiça - MPE/SC/2019) Compostos formados com elementos repetidos, com ou
Considere as duas orações em (a) e (b) para responder a sem alternância vocálica ou consonântica, por se tratar de
Questão. compostos representados por formas substantivas sem
elemento de ligação, ficam: blá-blá-blá, lenga-lenga, reco-reco,
atual. conforme o novo Acordo Ortográfico. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
Língua Portuguesa 8
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APOSTILAS OPÇÃO
tico-tico, zum-zum-zum, pingue-pongue, tique-taque, trouxe- Os compostos que seguem a regra acima, quando
mouxe, xique-xique, zás-trás, zigue-zague, etc. Todavia, os apresentarem uma aplicação diferente das espécies, não levam
derivados não levam hífen: lengalengar, ronronar, zunzunar, hífen.
etc. Ex.: bola-de-neve (com hífen) significa “arbusto europeu”,
já bola de neve (sem hífen), quer dizer “aquilo que toma vulto
As palavras que vêm da linguagem infantil e apresentam rapidamente”; bico-de-papagaio (com hífen) se refere à planta
sílaba reduplicada não levam hífen: e bico de papagaio (sem hífen) apresenta significado de “nariz
Ex.: babá, titio, vovó, xixi, etc. adunco”.
Espécies botânicas e zoológicas Em palavras formadas com os prefixos “co-“, “pro-“, “pre-“
Em compostos que se designam espécies botânicas e e “re-“, há a junção dos prefixos com o segundo elemento,
zoológicas, ligadas ou não por preposição ou demais elemento, mesmo em casos que começam por ‘”o” ou “e”.
o hífen é utilizado. Ex.: coautor, coerdeiro, coobrigação, cogestão, proativo,
Ex.: abóbora-menina, andorinha-do-mar, andorinha- preenchido, reedição, reeleição.
grande, bem-me-quer (mas malmequer), bem-te-vi, bênção-
de-deus, cobra-capelo, couve-flor. Quando o a última letra do primeiro elemento for a mesma
consoante que inicia o segundo elemento, utiliza-se hífen.
Ex.: inter-racial, sub-base.
Língua Portuguesa 9
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APOSTILAS OPÇÃO
Quando não ocorre perda do som da última vogal do 02. (Prefeitura de Barreiras/BA - Psicólogo - Fundação
primeiro elemento, e o segundo elemento não iniciar com “h”, CEFETBAHIA/2019) Considerando o uso adequado do hífen,
as duas formas gráficas podem ser utilizadas: carbo-hidrato e de acordo com o novo acordo ortográfico, analise as orações a
carboidrato, zoo-hematina e zooematina. Porém, se existir seguir.
perda do som da última vogal do primeiro elemento, a grafia I – Jogar lixo em ambientes hospitalares é altamente anti-
consagrada deverá ser utilizada: cloridrato, xilarmônica, higiênico.
clorídrico, etc. II – Dr. Alfredo é um excelente médico, mas não atua tão
bem como neuro-cirurgião.
Se o a última letra do primeiro elemento for “b” (“ab-“, “ob- III – A paciente desejava uma lipo-aspiração para a redução
“, “sob-“, “sub”), ou “d” (“ad-“), e o segundo elemento iniciar de medidas.
com “r”, o hífen é utilizado. IV – Os cuidados pós-cirúrgicos são essenciais para um
Ex.: ab-rupto, ad-renal, ob-rogar, sob-roda, sub-rogar. pronto restabelecimento.
Todavia, existem exceções: adrenalina, adrenalite e
semelhantes, pois seu uso já é consagrado. O uso adequado do hífen é observado
(A) apenas na oração I.
Caso a última letra do primeiro elemento for uma vogal e o (B) apenas na oração II.
segundo elemento iniciar com “r” ou “s”, o hífen não deve ser (C) nas orações II e III.
utilizado. Neste caso, duplica-se a consoante. (D) nas orações I e IV.
Ex.: antessala, antissocial, biorritmo, contrarregra, (E) nas orações III e IV.
cosseno, infrassom, ultrassonografia.
03. (IF/MT - Assistente em Administração -
Hífen em formações com sufixo IF/MT/2019) Observe o uso do hífen e marque a alternativa
Deve-se empregar o hífen somente em palavras que em que todos as palavras compostas estão grafadas
terminem com sufixos vindos do tupi-guarani, e tais sufixos corretamente.
precisam representar formas adjetivas (“-açu = grande”, “- (A) Mini-saia, recém-nascido, bem-estar, mal-estar.
guaçu” = grande, “-mirim” = pequeno), ou quando o a última (B) Segunda-feira, luso-brasileiro, contra-regra, norte-
letra do primeiro elemento for uma vogal acentuada americano.
graficamente, ou quando a pronúncia requer uma distinção (C) Mal-humorado, anti-semita, ano-luz, primeiro-
gráfica dos dois elementos. ministro.
Ex.: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu. (D) Decreto-lei, recém-casado, sem-vergonha, mal-criado.
(E) Erva-doce, mato-grossense, arco-íris, bem-humorado.
Hífen em casos de ênclise, mesóclise e com o verbo haver
O hífen é utilizado na ênclise e mesóclise. 04. (Prefeitura de Rio Novo/MG - Professor PEB -
Ex.: amá-lo, dá-se, faça-o, falar-lhe-ei. Instituto Excelência/2019) De acordo com o novo acordo
ortográfico não se usa o hífen quando o prefixo termina em
Em ligações de preposição “de” ligadas às formas vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento,
monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver, o como nos casos de:
hífen não é utilizado. (A) Anteprojeto.
Ex.: hei de, hão de, etc. (B) Semideus.
(C) Plurianual.
O hífen é utilizado em ligações de formas pronominais (D) Nenhuma das alternativas.
enclíticas ao advérbio “eis” (“eis-me”, “ei-lo”) e também em
combinações de formas pronominais do tipo “no-lo” (nos+o), 05. (IBGE - Analista Censitário - INSTITUTO
“no-las” (nos+as), uma vez que em próclise ao verbo. AOCP/2019) Assinale a alternativa em que a palavra formada,
Ex.: Esperamos que no-lo comprem. assim como “autoafirmação” e “superagradável”, é grafada
sem hífen.
Não se emprega o hífen (A) auto + hipnose.
Com os prefixos “des-“ e “in-“ caso o segundo elemento (B) auto + observação.
perder o “h” de seu início. (C) super + herói.
Língua Portuguesa 10
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APOSTILAS OPÇÃO
(D) super + requintado. Trema (¨) – de acordo com o Novo Acordo Ortográfico, foi
(E) super + salário. totalmente abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado
em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.:
Gabarito mülleriano (de Müller)
01. B / 02. D / 03. E / 04. C / 05. E Til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vogais
nasais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã
Língua Portuguesa 11
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APOSTILAS OPÇÃO
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quando Pode (terceira pessoa do singular do presente do
seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z: Ra-ul, ru-im, con- indicativo). Ex.:
tri-bu-in-te, sa-ir, ju-iz Ela pode fazer isso agora.
Elvis não pôde participar porque sua mãe não deixou.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se estiverem
seguidas do dígrafo nh: ra-i-nha, ven-to-i-nha. O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da
preposição por. Ex.:
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem Faço isso por você.
precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba. Posso pôr (colocar) meus livros aqui?
Após o Novo Acordo Ortográfico, as seguintes duplas Formas Verbais Seguidas de Pronome
perderam o Acento Diferencial:
Algumas formas verbais apresentam acento gráfico e
Antes Depois outras não. Na divisão silábica dessas formas verbais seguidas
pára para de pronome, o pronome “lo”, que atua como complemento de
péla(s) pela(s) tais formas, não participa do procedimento em questão, é
pólo(s) polo(s) deixado de lado.
pêlo(s) pelo(s)
pêra pera DIS -TIN - GUI (-lo)
A - TRI - BU - Í (-lo)
As formas verbais que possuíam o acento tônico na raiz, DE - VOL - VÊ (-lo)
com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i” DIS - TRI - BU - Í (-lo)
não serão mais acentuadas. Ex.: A - MÁ (-lo)
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi abolido. Todas as palavras oxítonas terminadas em “a”, “e”, “o” e
Ex.: “em”, seguidas ou não de “s”, são acentuadas:
Antes Agora DE - VOL - VÊ
crêem creem RE - VÊ
vôo voo A - MÁ
- Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos Acentua-se o “u” e o “i” tônicos do hiato quando isolados na
que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais sílaba ou acompanhados de “s”.
acento como antes: CRER, DAR, LER e VER. CON - CLU - Í
DIS - TRI - BU - Í
Repare: A - TRI - BU - Í
1) O menino crê em você
Os meninos creem em você. Já as formas TRA - DU - ZI / RE - PRO - DU - ZI e DIS - TIN -
2) Elza lê bem! GUI, não são acentuadas, pois não nos remetem a nenhum
Todas leem bem! desses preceitos antes mencionados.
3) Espero que ele dê o recado à sala.
Esperamos que os dados deem efeito! Questões
4) Rubens vê tudo!
Eles veem tudo! 01. “Cadáver” é paroxítona, pois:
(A) Tem a última sílaba como tônica.
Cuidado! Há o verbo vir: (B) Tem a penúltima sílaba como tônica.
Ele vem à tarde! (C) Tem a antepenúltima sílaba como tônica.
Eles vêm à tarde! (D) Não tem sílaba tônica.
Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pessoa do 02. Indique a alternativa em que todas as palavras devem
plural de: receber acento.
ele tem – eles têm (A) virus, torax, ma.
ele vem – eles vêm (verbo vir) (B) caju, paleto, miosotis.
(C) refem, rainha, orgão.
A regra prevalece também para os verbos conter, obter, (D) papeis, ideia, latex.
reter, deter, abster. (E) lotus, juiz, virus.
ele contém – eles contêm
ele obtém – eles obtêm 03. Em “O resultado da experiência foi, literalmente,
ele retém – eles retêm aterrador.” a palavra destacada encontra-se acentuada pelo
ele convém – eles convêm mesmo motivo que:
(A) túnel
Não se acentuam mais as palavras homógrafas que antes (B) voluntário
eram acentuadas para diferenciá-las de outras semelhantes (C) até
(regra do acento diferencial). Apenas em algumas exceções, (D) insólito
como: (E) rótulos
Pôde (terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do
indicativo).
Língua Portuguesa 12
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APOSTILAS OPÇÃO
04. Analise atentamente a presença ou a ausência de 3) Diante da maioria dos pronomes e das expressões de
acento gráfico nas palavras abaixo e indique a alternativa em tratamento, com exceção das formas senhora, senhorita e
que não há erro: dona:
(A) ruím - termômetro - táxi – talvez. Diga a ela que não estarei em casa amanhã.
(B) flôres - econômia - biquíni - globo. Entreguei a todos os documentos necessários.
(C) bambu - através - sozinho - juiz Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de ontem.
(D) econômico - gíz - juízes - cajú.
(E) portuguêses - princesa - faísca. Os poucos casos em que ocorre crase diante dos pronomes
podem ser identificados pelo método: troque a palavra
05. Todas as palavras abaixo são hiatos, EXCETO: feminina por uma masculina, caso na nova construção surgir a
(A) saúde forma ao, ocorrerá crase. Por exemplo:
(B) cooperar Refiro-me à mesma pessoa.
(C) ruim (Refiro-me ao mesmo indivíduo.)
(D) creem Informei o ocorrido à senhora.
(E) pouco (Informei o ocorrido ao senhor.)
Peça à própria Cláudia para sair mais cedo.
Gabarito (Peça ao próprio Cláudio para sair mais cedo.)
É de grande importância a crase da preposição “a” com o Casos em que a crase SEMPRE ocorre
artigo feminino “a” (s), com o “a” inicial dos pronomes
aquele(s), aquela (s), aquilo e com o “a” do relativo a qual (as 1) Diante de palavras femininas:
quais). Amanhã iremos à festa de aniversário de minha colega.
Na escrita, utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar a Sempre vamos à praia no verão.
crase. O uso apropriado do acento grave depende da Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores.
compreensão da fusão das duas vogais. É fundamental
também, para o entendimento da crase, dominar a regência 2) Diante da palavra “moda”, com o sentido de “à moda de”
dos verbos e nomes que exigem a preposição “a”. (mesmo que a expressão moda de fique subentendida:
Aprender a usar a crase, portanto, consiste em aprender a O jogador fez um gol à (moda de) Pelé.
verificar a ocorrência simultânea de uma preposição e um Usava sapatos à (moda de) Luís XV.
artigo ou pronome.4 Observe: O menino resolveu vestir-se à (moda de) Fidel Castro.
Vou a + a igreja.
Vou à igreja. 3) Na indicação de horas:
Acordei às sete horas da manhã.
No exemplo acima, temos a ocorrência da preposição “a”, Elas chegaram às dez horas.
exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência do artigo Foram dormir à meia-noite.
“a” que está determinando o substantivo feminino igreja.
Quando ocorre esse encontro das duas vogais e elas se unem, 4) Em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas de
a união delas é indicada pelo acento grave. Observe outros que participam palavras femininas. Por exemplo:
exemplos:
Conheço a aluna. à tarde às ocultas às pressas à medida que
Refiro-me à aluna.
à noite às claras às escondidas à força
No primeiro exemplo, o verbo é transitivo direto (conhecer
algo ou alguém), logo não exige preposição e a crase não pode à vontade à beça à larga à escuta
ocorrer. No segundo exemplo, o verbo é transitivo indireto
às avessas à revelia à exceção de à imitação de
(referir-se a algo ou a alguém) e exige a preposição “a”.
Portanto, a crase é possível, desde que o termo seguinte seja à esquerda às turras às vezes à chave
feminino e admita o artigo feminino “a” ou um dos pronomes
já especificados. à direita à procura à deriva à toa
Casos em que a crase NÃO ocorre à luz à sombra de à frente de à proporção que
4 www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint76.php
Língua Portuguesa 13
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APOSTILAS OPÇÃO
nome de lugar aceita o artigo e, por isso, haverá crase. Por Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A
exemplo: palavra está especificada.)
Vou à França. (Vim da[ de+a] França. Estou na[ em+a] - Se a palavra distância não estiver especificada, a crase
França.) não pode ocorrer. Por exemplo:
Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.) Os militares ficaram a distância.
Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália) Gostava de fotografar a distância.
Vou a Porto Alegre. (Vim de Porto Alegre. Estou em Porto Ensinou a distância.
Alegre.)
Observação: por motivo de clareza, para evitar
- Minha dica: use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou ambiguidade, pode-se usar a crase. Veja:
A volto DE, crase PRA QUÊ?” Gostava de fotografar à distância.
Ex.: Vou a Campinas. = Volto de Campinas. Ensinou à distância.
Vou à praia. = Volto da praia. Dizem que aquele médico cura à distância.
- ATENÇÃO: quando o nome de lugar estiver especificado, Casos em que a ocorrência da crase é FACULTATIVA
ocorrerá crase. Veja:
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo que, 1) Diante de nomes próprios femininos: é facultativo o uso
pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”. da crase porque é facultativo o uso do artigo. Observe:
Paula é muito bonita; ou A Paula é muito bonita.
Crase diante dos Pronomes Demonstrativos (Aquele (s), Laura é minha amiga; ou A Laura é minha amiga.
Aquela (s), Aquilo)
Haverá crase diante desses pronomes sempre que o termo Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo
regente exigir a preposição “a”. Por exemplo: feminino diante de nomes próprios femininos, então podemos
escrever as frases abaixo das seguintes formas:
Refiro-me a + aquele atentado.
Entreguei o cartão a Paula; ou Entreguei o cartão à Paula.
Entreguei o cartão a Roberto; ou Entreguei o cartão ao
Preposição Pronome Roberto.
Língua Portuguesa 14
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APOSTILAS OPÇÃO
02. Leia o texto a seguir. lo para o retorno______ sociedade. Dessa forma, quando em
Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu liberdade, ele estará capacitado______ ter uma profissão e uma
______ cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do vida digna.
procedimento de Camilo. Vimos que ______ cartomante restituiu- (www.metropolitana.com.br. 2012)
lhe ______ confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o
que fez. Assinale a alternativa que preenche, correta e
(Machado de Assis. A cartomante. In: Várias histórias. Rio de Janeiro: Globo, respectivamente, as lacunas do texto, de acordo com a norma-
1997,) padrão da língua portuguesa.
(A) à … à … à
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na (B) a … a … à
ordem dada: (C) a … à … à
(A) à – a – a (D) à … à ... a
(B) a – a – à (E) a … à … a
(C) à – a – à
(D) à – à – a Gabarito
(E) a – à – à
1.B / 2.A / 3.B / 4.A / 5.D
03 “Nesta oportunidade, volto ___ referir-me ___ problemas
já expostos ___ V. Sª ___ alguns dias”.
(A) à - àqueles - a - há
(B) a - àqueles - a - há
Aspectos fonéticos: fonema e
(C) a - aqueles - à - a letra, sílaba, encontros
(D) à - àqueles - a - a vocálicos e consonantais,
(E) a - aqueles - à - há
dígrafos
04. Leia o texto a seguir.
Comunicação Fonologia
O público ledor (existe mesmo!) é sensorial: quer ter um Fonologia5 é o ramo da linguística que estuda o sistema
autor ao vivo, em carne e osso. Quando este morre, há uma sonoro de um idioma. Ao estudar a maneira como os fones ou
queda de popularidade em termos de venda. Ou, quando fonemas (sons) se organizam dentro de uma língua, classifica-
teatrólogo, em termos de espetáculo. Um exemplo: G. B. Shaw. os em unidades capazes de distinguir significados.
E, entre nós, o suave fantasma de Cecília Meireles recém está A Fonologia estuda o ponto de vista funcional dos
se materializando, tantos anos depois. Fonemas.
Isto apenas vem provar que a leitura é um remédio para a
solidão em que vive cada um de nós neste formigueiro. Claro Estrutura Fonética
que não me estou referindo a essa vulgar comunicação festiva
e efervescente. Fonema
Porque o autor escreve, antes de tudo, para expressar-se. O fonema6 é a menor unidade sonora da palavra e exerce
Sua comunicação com o leitor decorre unicamente daí. Por duas funções: formar palavras e distinguir uma palavra da
afinidades. É como, na vida, se faz um amigo. outra. Veja o exemplo:
E o sonho do escritor, do poeta, é individualizar cada
formiga num formigueiro, cada ovelha num rebanho - para que C + A + M + A = CAMA. Quatro fonemas (sons) se
sejamos humanos e não uma infinidade de xerox infinitamente combinaram e formaram uma palavra. Se substituirmos agora
reproduzidos uns dos outros. o som M por N, haverá uma nova palavra, CANA.
Mas acontece que há também autores xerox, que nos
invadem com aqueles seus best-sellers... A combinação de diferentes fonemas permite a formação
Será tudo isto uma causa ou um efeito? de novas palavras com diferentes sentidos. Portanto, os
Tristes interrogações para se fazerem num mundo que já fonemas de uma língua têm duas funções bem importantes:
foi civilizado. formar palavras e distinguir uma palavra da outra.
(Mário Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1. ed., Ex.: mim / sim / gim...
2005.)
Letra
Claro que não me estou referindo a essa vulgar comunicação
A letra é um símbolo que representa um som, é a
festiva e efervescente.
representação gráfica dos fonemas da fala. É bom saber dois
O vocábulo a deverá receber o sinal indicativo de crase se
aspectos da letra: pode representar mais de um fonema ou
o segmento grifado for substituído por:
pode simplesmente ajudar na pronúncia de um fonema.
(A) leitura apressada e sem profundidade.
Por exemplo, a letra X pode representar os sons X
(B) cada um de nós neste formigueiro.
(enxame), Z (exame), S (têxtil) e KS (sexo; neste caso a letra X
(C) exemplo de obras publicadas recentemente.
representa dois fonemas – K e S = KS). Ou seja, uma letra pode
(D) uma comunicação festiva e virtual.
representar mais de um fonema.
(E) respeito de autores reconhecidos pelo público.
Às vezes a letra é chamada de diacrítica, pois vem à direita
de outra letra para representar um fonema só. Por exemplo, na
05. O Instituto Nacional de Administração Prisional (INAP)
palavra cachaça, a letra H não representa som algum, mas,
também desenvolve atividades lúdicas de apoio______
nesta situação, ajuda-nos a perceber que CH tem som de X,
ressocialização do indivíduo preso, com o objetivo de prepará-
como em xaveco.
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APOSTILAS OPÇÃO
Vale a pena dizer que nem sempre as palavras apresentam Quadro de vogais e semivogais
número idêntico de letras e fonemas. Fonemas Regras
A Apenas VOGAL
Ex.: bola > 4 letras, 4 fonemas VOGAIS, exceto quando está com A ou
guia > 4 letras, 3 fonemas quando estão juntas
E-O
(Neste caso a segunda é semivogal)
Os fonemas classificam-se em vogais, semivogais e SEMIVOGAIS, exceto quando formam um
consoantes. hiato ou quando estão juntas
I-U
(Neste caso a letra “I” é vogal)
Vogais Quando aparece no final da palavra é
São fonemas produzidos livremente, sem obstrução da AM SEMIVOGAL.
passagem do ar. São mais tônicos, ou seja, têm a pronúncia Ex.: Dançam
mais forte que as semivogais. São o centro de toda sílaba. Quando aparecem no final de palavras são
Podem ser orais (timbre aberto ou fechado) ou nasais EM - EN SEMIVOGAIS.
(indicadas pelo ~, m, n). As vogais são A, E, I, O, U, que podem Ex.: Montem / Pólen
ser representadas pelas letras abaixo. Veja:
Consoantes
A: brasa (oral), lama (nasal) São fonemas produzidos com interferência de um ou mais
E: sério (oral), entrada (oral, timbre fechado), dentro órgãos da boca (dentes, língua, lábios). Todas as demais letras
(nasal) do alfabeto representam, na escrita, os fonemas consonantais:
I: antigo (oral), índio (nasal) B, C, D, F, G, H, J, K, L, M, N, P, Q, R, S, T, V, W (com som de V,
O: poste (oral), molho (oral, timbre fechado), longe (nasal) Wagner), X, Z.
U: saúde (oral), juntar (nasal)
Y: hobby (oral) Encontros Vocálicos
Observação: As vogais ainda podem ser tônicas ou átonas. Como o nome sugere, é o contato entre fonemas vocálicos.
Tônica aquela pronunciada com maior intensidade. Ex.: Há três tipos:
café, bola, vidro.
Átona aquela pronunciada com menor intensidade. Ex.: Hiato
café, bola, vidro. Ocorre hiato quando há o encontro de duas vogais, que
acabam ficando em sílabas separadas (Vogal – Vogal), porque
Semivogais só pode haver uma vogal por sílaba.
São as letras “e”, “i”, “o”, “u”, representadas pelos fonemas Ex.: sa-í-da, ra-i-nha, ba-ús, ca-ís-te, tu-cu-mã-í, su-cu-u-
(e, y, o, w), quando formam sílaba com uma vogal. Ex.: No ba, ru-im, jú-ni-or.
vocábulo “história” a sílaba “ria” apresenta a vogal “a” e a
semivogal “i”. Ditongo
Existem dois tipos: crescente ou decrescente (oral ou
Os fonemas semivocálicos (ou semivogais) têm o som de I nasal).
e U (apoiados em uma vogal, na mesma sílaba). São menos
tônicos (mais fracos na pronúncia) que as vogais. São Crescente (SV + V, na mesma sílaba). Ex.: magistério
representados pelas letras I, U, E, O, M, N, W, Y. Veja: (oral), série (oral), várzea (oral), quota (oral), quatorze (oral),
- pai: a letra I representa uma semivogal, pois está apoiada enquanto (nasal), cinquenta (nasal), quinquênio (nasal).
em uma vogal, na mesma sílaba.
- mouro: a letra U representa uma semivogal, pois está Decrescente (V + SV, na mesma sílaba). Ex.: item (nasal),
apoiada em uma vogal, na mesma sílaba. amam (nasal), sêmen (nasal), cãibra (nasal), caule (oral),
- mãe: a letra E representa uma semivogal, pois tem som ouro (oral), veia (oral), fluido (oral), vaidade (oral).
de I e está apoiada em uma vogal, na mesma sílaba.
- pão: a letra O representa uma semivogal, pois tem som de Tritongo
U e está apoiada em uma vogal, na mesma sílaba. O tritongo é a união de SV + V + SV na mesma sílaba; pode
- cantam: a letra M representa uma semivogal, pois tem ser oral ou nasal. Ex.: saguão (nasal), Paraguai (oral),
som de U e está apoiada em uma vogal, na mesma sílaba (= enxáguem (nasal), averiguou (oral), deságuam (nasal), aguei
cantãu). (oral).
- dancem: a letra M representa uma semivogal, pois tem
som de I e está apoiada em uma vogal, na mesma sílaba (= Encontros Consonantais
dancẽi).
- hífen: a letra N representa uma semivogal, pois tem som Ocorre quando há um grupo de consoantes sem vogal
de I e está apoiada em uma vogal, na mesma sílaba (= hífẽi). intermediária. Ex.: flor, grade, digno.
- glutens: a letra N representa uma semivogal, pois tem
som de I e está apoiada em uma vogal, na mesma sílaba (= Dígrafos: duas letras representadas por um único fonema.
glutẽis). Ex.: passo, chave, telha, guincho, aquilo.
- windsurf: a letra W representa uma semivogal, pois tem
som de U e está apoiada em uma vogal, na mesma sílaba. Os dígrafos podem ser consonantais e vocálicos.
- office boy: a letra Y representa uma semivogal, pois tem - Consonantais: ch (chuva), sc (nascer), ss (osso), sç
som de I e está apoiada em uma vogal, na mesma sílaba. (desça), lh (filho), xc (excelente), qu (quente), nh (vinho), rr
(ferro), gu (guerra).
- Vocálicos: am, an (tampa, canto), em, en (tempo, vento),
im, in (limpo, cinto), om, on (comprar, tonto), um, un (tumba,
mundo).
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APOSTILAS OPÇÃO
Lembre-se: nos dígrafos, as duas letras representam um Percebemos7 que há um elemento comum a todas elas: a
só fonema; nos encontros consonantais, cada letra representa forma escol-. Além disso, em todas há elementos destacáveis,
um fonema. responsáveis por algum detalhe de significação. Compare, por
exemplo, escola e escolar: partindo de escola, formou-se
Questões escolar pelo acréscimo do elemento destacável: ar.
Por meio desse trabalho de comparação entre as diversas
01. A palavra que apresenta tantos fonemas quantas são as palavras que selecionamos, podemos depreender a existência
letras que a compõem é: de diferentes elementos formadores. Cada um desses
(A) importância elementos formadores é uma unidade mínima de significação,
(B) milhares um elemento significativo indecomponível, a que damos o
(C) sequer nome de morfema.
(D) técnica
(E) adolescente Classificação dos Morfemas
02. Em qual das palavras abaixo a letra x apresenta não Radical: há um morfema comum a todas as palavras que
um, mas dois fonemas? estamos analisando: escol-.
(A) exemplo É esse morfema comum - o radical - que faz com que as
(B) complexo consideremos palavras de uma mesma família de significação.
(C) próximos - Nos cognatos o radical é a parte da palavra responsável
(D) executivo por sua significação principal.
(E) luxo
Afixos: como vimos, o acréscimo do morfema - ar - cria
03. (Pref. Caucaia/CE - Agente de Suporte a uma nova palavra a partir de escola. De maneira semelhante, o
Fiscalização - CETREDE/2016) Assinale a opção em que o x acréscimo dos morfemas sub e arização à forma escol
de todos os vocábulos não tem o som de /ks/. criou subescolarização. Esses morfemas recebem o nome de
(A) tóxico – axila – táxi. afixos.
(B) táxi – êxtase – exame. Quando são colocados antes do radical, como acontece
(C) exportar – prolixo – nexo. com sub, os afixos recebem o nome de prefixos. Quando, como
(D) tóxico – prolixo – nexo. arização, surgem depois do radical os afixos são chamados
(E) exército – êxodo – exportar. de sufixos.
- Prefixos e Sufixos, além de operar mudança de classe
04. Indique a alternativa cuja sequência de vocábulos gramatical, são capazes de introduzir modificações de
apresenta, na mesma ordem, o seguinte: ditongo, hiato, hiato, significado no radical a que são acrescentados.
ditongo.
(A) jamais / Deus / luar / daí Desinências: quando se conjuga o verbo amar, obtêm-se
(B) joias / fluir / jesuíta / fogaréu formas como amava, amavas, amava, amávamos, amáveis,
(C) ódio / saguão / leal / poeira amavam. Essas modificações ocorrem à medida que o verbo
(D) quais / fugiu / caiu / história vai sendo flexionado em número (singular e plural) e pessoa
(primeira, segunda ou terceira). Também ocorrem se
05. (Pref. João Pessoa/PB - Enfermeiro - AOCP/2018) modificarmos o tempo e o modo do verbo (amava, amara,
Assinale a alternativa em que todas as palavras apresentam amasse, por exemplo).
dígrafos. Assim, podemos concluir, que existem morfemas que
(A) crescente - investir - interesse. indicam as flexões das palavras. Esses morfemas sempre
(B) estabelecimento - naquela - misterioso. surgem no fim das palavras variáveis e recebem o nome de
(C) dinheiro - criada - naquela. desinências, no qual podem ser divididos em:
(D) crescente - estabelecimento - misterioso.
a) Desinências nominais: indicam o gênero e o número
Gabarito dos nomes. Para a indicação de gênero, o português costuma
opor as desinências -o/-a: garoto/garota; menino/menina.
01.D / 02.B / 03.E / 04.B / 05.A Para a indicação de número, costuma-se utilizar o
morfema –s, que indica o plural em oposição à ausência de
morfema, que indica o singular: garoto/garotos;
garota/garotas; menino/meninos; menina/meninas.
Aspectos morfológicos: No caso dos nomes terminados em –r e– z, a desinência de
estrutura e formação de plural assume a forma -es:
palavras, classes de palavras mar/mares;
revólver/revólveres;
cruz/cruzes.
7
http://www.brasilescola.com/gramatica/estrutura-e-formacao-de-palavras-
i.htm
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APOSTILAS OPÇÃO
-va-: desinência modo-temporal(caracteriza o pretérito a) Prefixal (ou prefixação): a palavra nova é obtida por
imperfeito do indicativo). acréscimo de prefixo.
-sse-: desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito In------ --feliz des----------leal
imperfeito do subjuntivo). Prefixo radical prefixo radical
-mos: desinência número-pessoal (caracteriza a primeira
pessoa do plural). b) Sufixal (ou sufixação): a palavra nova é obtida por
-is: desinência número-pessoal (caracteriza a segunda acréscimo de sufixo.
pessoa do plural). Feliz---- mente leal------dade
Radical sufixo radical sufixo
Vogal Temática: observe que, entre o radical cant- e as
desinências verbais, surge sempre o morfema– a. c) Parassintética: a palavra nova é obtida pelo acréscimo
Esse morfema, que liga o radical às desinências, é chamado simultâneo de prefixo e sufixo (não posso retirar o prefixo nem
de vogal temática. Sua função é ligar-se ao radical, o sufixo que estão ligados ao radical, pois a palavra não
constituindo o chamado tema. É ao tema (radical + vogal “existiria”). Por parassíntese formam-se principalmente
temática) que se acrescentam as desinências. Tanto os verbos verbos.
como os nomes apresentam vogais temáticas. En-- -----trist- ----ecer
Prefixo radical sufixo
Vogais Temáticas Nominais: são -a, -e, e -o, quando
átonas finais, como em mesa, artista, busca, perda, escola, en----- ---tard--- --ecer
triste, base, combate. Nesses casos, não poderíamos pensar que prefixo radical sufixo
essas terminações são desinências indicadoras de gênero, pois
a mesa, a escola, por exemplo, não sofrem esse tipo de flexão. Outros Tipos de Derivação
É a essas vogais temáticas que se liga a desinência indicadora Há dois casos em que a palavra derivada é formada sem
de plural: que haja a presença de afixos. São eles: a derivação regressiva
mesa-s, escola-s, perda-s. Os nomes terminados em vogais e a derivação imprópria.
tônicas (sofá, café, cipó, caqui, por exemplo) não apresentam
vogal temática. a) Derivação regressiva: a palavra nova é obtida por
redução da palavra primitiva. Ocorre, sobretudo, na formação
Vogais temáticas verbais: são -a, -e e- i, que caracterizam de substantivos derivados de verbos.
três grupos de verbos a que se dá o nome de conjugações. Por exemplo: A pesca está proibida. (pescar). Proibida a
Assim, os verbos cuja vogal temática é -a pertencem à primeira caça. (caçar)
conjugação; aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à
segunda conjugação e os que têm vogal temática -i pertencem b) Derivação imprópria: a palavra nova (derivada) é
à terceira conjugação. obtida pela mudança de categoria gramatical da palavra
primitiva. Não ocorre, pois, alteração na forma, mas tão
primeira conj. segunda conj. terceira conj. somente na classe gramatical. Por exemplo:
govern-a-va estabelec-e-sse defin-i-ra Não entendi o porquê da briga. (o substantivo porquê
atac-a-va cr-e-ra imped-i-sse deriva da conjunção porque)
realiz-a-sse mex-e-rá g-i-mos Seu olhar me fascina! (o verbo olhar tornou-se, aqui,
substantivo)
Vogal ou consoante de ligação: as vogais ou consoantes
de ligação são morfemas que surgem por motivos eufônicos, Outros processos de formação de palavras
ou seja, para facilitar ou mesmo possibilitar a leitura de uma - Hibridismo: é a palavra formada com elementos
determinada palavra. Temos um exemplo de vogal de ligação oriundos de línguas diferentes.
na palavra escolaridade: o - i - entre os sufixos- ar- e -dade automóvel (auto: grego; móvel: latim)
facilita a emissão vocal da palavra. Outros exemplos: sociologia (socio: latim; logia: grego)
gasômetro, alvinegro, tecnocracia, paulada, cafeteira, chaleira, sambódromo (samba: dialeto africano; dromo: grego)
tricota.
- Abreviação vocabular: cujo traço peculiar manifesta-se
Processos de Formação de Palavras por meio da eliminação de um segmento de uma palavra no
intuito de se obter uma forma mais reduzida, geralmente
Composição aquelas mais longas. Vejamos alguns exemplos:
Haverá composição quando se juntarem dois ou mais metropolitano – metrô
radicais para formar nova palavra. Há dois tipos de extraordinário – extra
composição: justaposição e aglutinação. otorrinolaringologista – otorrino
a) Justaposição: ocorre quando os elementos que formam telefone – fone
o composto são postos lado a lado, ou seja, justapostos. Por pneumático – pneu
exemplo: Corre-corre, guarda-roupa, segunda-feira, girassol.
- Onomatopeia: consiste em criar palavras, tentando
b) Aglutinação: ocorre quando os elementos que formam imitar sons da natureza ou sons repetidos. Por exemplo: zum-
o composto se aglutinam e pelo menos um deles perde sua zum, cri-cri, tique-taque, pingue-pongue, blá-blá-blá.
integridade sonora. Por exemplo: Aguardente (água +
ardente), planalto (plano + alto), pernalta (perna + alta), - Siglas: as siglas são formadas pela combinação das letras
vinagre (vinho + acre) iniciais de uma sequência de palavras que constitui um nome.
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Gabarito
Substantivo
Classificação
- Comuns: nomeiam os seres da mesma espécie. Ex.:
menina, piano, estrela, rio, animal, árvore.
- Próprios: referem-se a um ser em particular. Ex.: Brasil,
América do Norte, Deus, Paulo, Lucélia.
- Concretos: são aqueles que têm existência própria; são
independentes; reais ou imaginários. Ex.: mãe, mar, água, anjo,
alma, Deus, vento, saci.
- Abstrato: são os que não têm existência própria; depende
Internet: <http://educacaoepraxis.blogspot.com.br>.
sempre de um ser para existir. Designam qualidades,
sentimentos, ações, estados dos seres: dor, doença, amor, fé,
No segundo quadrinho, correspondem, respectivamente, a
beijo, abraço, juventude, covardia. Ex.: É necessário alguém ser
substantivo, pronome, artigo e advérbio:
ou estar triste para a tristeza manifestar-se.
(A) “guerra”, “o”, “a” e “por que”.
(B) “mundo”, “a”, “o” e “lá”.
Formação
(C) “quando”, “por que”, “e” e “lá”.
- Simples: são aqueles formados por apenas um radical:
(D) “por que”, “não”, “a” e “quando”.
chuva, tempo, sol, guarda.
(E) “guerra”, “quando”, “a” e “não”.
- Compostos: são os que são formados por mais de dois
radicais: guarda-chuva, girassol, água-de-colônia.
03. (SESAP/RN - Técnico em Enfermagem -
- Primitivos: são os que não derivam de outras palavras;
COMPERVE/2018)
vieram primeiro, deram origem a outras palavras. Ex.: ferro,
Pedro, mês, queijo.
Nas décadas subsequentes, vários estudos
- Derivados: são formados de outra palavra já existente;
correlacionaram os hábitos dos pacientes como fatores de
vieram depois. Ex.: ferradura, pedreiro, mesada, requeijão.
risco para doenças cardiovasculares. Sedentarismo,
- Coletivos: os substantivos comuns que, mesmo no
tabagismo, obesidade, entre outros, aumentam drasticamente
singular, designam um conjunto de seres de uma mesma
as chances de enfarte.
espécie. Ex.:
Com relação à quantidade de artigos no trecho, há Álbum de fotografias Colmeia de abelhas
(A) cinco. de bispos em
(B) três. Alcateia de lobos Concílio
assembleia
(C) quatro. de textos
(D) dois. Antologia Conclave de cardeais
escolhidos
Arquipélago ilhas Cordilheira de montanhas
04. (Prefeitura Tanguá/RJ - Técnico de Enfermagem -
MS Concursos/2017) Considere as afirmações sobre artigo e Reflexão do Substantivo
numeral e assinale a alternativa correta: Os substantivos apresentam variações ou flexões de gênero
I - Algumas palavras que atendem o substantivo, como um, (masculino/feminino), de número (plural/singular) e de grau
em “um dia”, podem modificar-lhe o sentido. Podemos (aumentativo/diminutivo).
entender a expressão como “um dia qualquer” e também como
“um único dia.” Na primeira situação, a palavra um é artigo; na
segunda, um é numeral.
Língua Portuguesa 20
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 21
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APOSTILAS OPÇÃO
Somente o primeiro elemento vai para o plural: um significado novo: portão, cartão, fogão, cartilha, folhinha
(calendário).
- substantivo + preposição + substantivo: água de colônia - As palavras proparoxítonas e as palavras terminadas em
= águas-de-colônia / mula-sem-cabeça = mulas-sem-cabeça / sílabas nasal, ditongo, hiato ou vogal tônica recebem o sufixo
pão-de-ló = pães-de-ló / sinal-da-cruz = sinais-da-cruz. zinho(a): lâmpada (proparoxítona) = lampadazinha; irmão
- quando o segundo elemento limita o primeiro ou dá (sílaba nasal) = irmãozinho; herói (ditongo) = heroizinho; baú
ideia de tipo, finalidade: samba-enredo = sambas-enredo / (hiato) = bauzinho; café (voga tônica) = cafezinho.
pombo-correio = pombos-correio / salário-família = salários- - As palavras terminadas em s ou z, ou em uma dessas
família / banana-maçã = bananas-maçã / vale-refeição = vales- consoantes seguidas de vogal recebem o sufixo inho: país =
refeição (vale = ter valor de, substantivo+especificador) paisinho; rapaz = rapazinho; rosa = rosinha; beleza =
belezinha.
Os dois elementos ficam invariáveis quando houver: - Há ainda aumentativos e diminutivos formados por
prefixação: minissaia, maxissaia, supermercado,
- verbo + advérbio: o ganha-pouco = os ganha-pouco / o minicalculadora.
cola-tudo = os cola-tudo / o bota-fora = os bota-fora
- os compostos de verbos de sentido oposto: o entra-e-sai Questões
= os entra-e-sai / o leva-e-traz = os leva-e-traz / o vai-e-volta
= os vai-e-volta. 01. Assinale o par de vocábulos que fazem o plural da
mesma forma que “balão” e “caneta-tinteiro”:
Os dois elementos, vão para o plural: (A) vulcão, abaixo-assinado;
(B) irmão, salário-família;
- substantivo + substantivo: decreto-lei = decretos-leis / (C) questão, manga-rosa;
abelha-mestra = abelhas-mestras / tia-avó = tias-avós / (D) bênção, papel-moeda;
tenente-coronel = tenentes-coronéis / redator-chefe = (E) razão, guarda-chuva.
redatores-chefes.
- substantivo + adjetivo: amor-perfeito = amores- 02. Assinale a alternativa em que está correta a formação
perfeitos / capitão-mor = capitães-mores / carro-forte = do plural:
carros-fortes / obra-prima = obras-primas / cachorro-quente (A) cadáver – cadáveis;
= cachorros-quentes. (B) gavião – gaviães;
- adjetivo + substantivo: boa-vida = boas-vidas / curta- (C) fuzil – fuzíveis;
metragem = curtas-metragens / má-língua = más-línguas / (D) mal – maus;
- numeral ordinal + substantivo: segunda-feira = (E) atlas – os atlas.
segundas-feiras / quinta-feira = quintas-feiras.
03. A palavra livro é um substantivo
Composto com a palavra guarda só vai para o plural se (A) próprio, concreto, primitivo e simples.
for pessoa: guarda-noturno = guardas-noturnos / guarda- (B) comum, abstrato, derivado e composto.
florestal = guardas-florestais / guarda-civil = guardas-civis / (C) comum, abstrato, primitivo e simples.
guarda-marinha = guardas-marinha. (D) comum, concreto, primitivo e simples.
Plural dos nomes próprios personalizados: os Almeidas 04. Assinale a alternativa em que todos os substantivos são
/ os Oliveiras / os Picassos / os Mozarts / os Kennedys / os masculinos:
Silvas. (A) enigma – idioma – cal;
(B) pianista – presidente – planta;
Plural das siglas, acrescenta-se um s minúsculo: CDs / (C) champanha – dó(pena) – telefonema;
DVDs / ONGs / PMs / Ufirs. (D) estudante – cal – alface;
(E) edema – diabete – alface.
Grau (aumentativo/diminutivo)
Os substantivos podem ser modificados a fim de exprimir 05. Sabendo-se que há substantivos que no masculino têm
intensidade, exagero ou diminuição. A essas modificações é um significado; e no feminino têm outro, diferente. Marque a
que damos o nome de grau do substantivo. Os graus alternativa em que há um substantivo que não corresponde ao
aumentativos e diminutivos são formados por dois processos: seu significado:
(A) O capital = dinheiro;
- Sintético: com o acréscimo de um sufixo aumentativo ou A capital = cidade principal;
diminutivo: peixe – peixão; peixe-peixinho; sufixo inho ou (B) O grama = unidade de medida;
isinho. A grama = vegetação rasteira;
(C) O rádio = aparelho transmissor;
- Analítico: formado com palavras de aumento: grande, A rádio = estação geradora;
enorme, imensa, gigantesca (obra imensa / lucro enorme / (D) O cabeça = o chefe;
carro grande / prédio gigantesco); e formado com as palavras A cabeça = parte do corpo;
de diminuição (diminuto, pequeno, minúscula, casa pequena, (E) A cura = o médico.
peça minúscula, saia diminuta). O cura = ato de curar.
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APOSTILAS OPÇÃO
estado, ou modo de ser: laranjeira florida; céu azul; mau tempo. - as locuções adjetivas formadas de cor + de + substantivo,
Os adjetivos classificam-se em: ficam invariáveis: papel cor-de-rosa = papéis cor-de-rosa /
- simples: apresentam um único radical, uma única palavra olho cor-de-mel = olhos cor-de-mel.
em sua estrutura: alegre, medroso, simpático. - são invariáveis os adjetivos raios ultravioleta / alegrias
- compostos: apresentam mais de um radical, mais de duas sem-par, piadas sem-sal.
palavras em sua estrutura: estrelas azul-claras; sapatos
marrom-escuros. Grau
- primitivos: são os que vieram primeiro; dão origem a
outras palavras: atual, livre, triste, amarelo, brando. O grau do adjetivo exprime a intensidade das qualidades
- derivados: são aqueles formados por derivação, vieram dos seres. O adjetivo apresenta duas variações de grau:
depois dos primitivos: amarelado, ilegal, infeliz, comparativo e superlativo.
desconfortável.
- pátrios: indicam procedência ou nacionalidade, referem- O grau comparativo é usado para comparar uma
se a cidades, estados, países. Amapá: amapaense; Amazonas: qualidade entre dois ou mais seres, ou duas ou mais
amazonense; Anápolis: anapolino; Angra dos Reis: angrense; qualidades de um mesmo ser. Pode ser de igualdade, de
Aracajú: aracajuano ou aracajuense; Bahia: baiano. superioridade e de inferioridade:
Pode-se utilizar os adjetivos pátrios compostos, como: - de igualdade: iguala duas coisas ou duas pessoas: Sou
afro-brasileiro; Anglo-americano, franco-italiano, sino- tão alto quão / quanto / como você. (As duas pessoas têm a
japonês (China e Japão); Américo-francês; luso-brasileira; mesma altura)
nipo-argentina (Japão e Argentina); teuto-argentinos
(alemão). - de superioridade: iguala duas pessoas / coisas sendo que
uma é mais do que a outra: Minha amiga Manu é mais
Locução Adjetiva: é a expressão que tem o mesmo valor elegante do que / que eu. (Das duas, a Manu é mais) Podem
de um adjetivo. É formada por preposição + um substantivo. ser:
Vejamos algumas locuções adjetivas: Analítico: mais bom / mais mau / mais grande / mais
pequeno: O salário é mais pequeno do que / que justo (salário
Angelical de anjo Etário de idade pequeno e justo). Quando comparamos duas qualidades de um
Abdominal de abdômen Fabril de fábrica mesmo ser, podemos usar as formas: mais grande, mais mau,
Apícola de abelha Filatélico de selos mais bom, mais pequeno.
Aquilino de águia Urbano da cidade Sintético: bom, melhor / mau, pior / grande, maior /
pequeno, menor: Esta sala é melhor do que / que aquela.
Flexões do Adjetivo
Como palavra variável, sofre flexões de gênero, número e - de inferioridade: um elemento é menor do que outro:
grau: Somos menos passivos do que / que tolerantes.
Língua Portuguesa 23
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APOSTILAS OPÇÃO
- linguagem informal, sufixo érrimo, em vez de íssimo: (D) O presidente da Coreia passou incógnito pela França /
chiquérrimo, chiquetérrimo, elegantérrimo. sem ser percebido;
(E) O novo livro do autor estava ainda inédito / sem editor.
- Relativo: ressalta a qualidade de um ser entre muitos,
com a mesma qualidade. Pode ser: 04. (Banestes - Analista Econômico Financeiro - Gestão
De Superioridade: Wilma é a mais prendada de todas as Contábil - FGV/2018) Na escrita, pode-se optar
suas amigas. (Ela é a mais de todas) frequentemente entre uma construção de substantivo +
De Inferioridade: Paulo César é o menos tímido dos filhos. locução adjetiva ou substantivo + adjetivo (esportes da água =
esportes aquáticos).
Questões
O termo abaixo sublinhado que NÃO pode ser substituído
01. (COMPESA - Analista de Gestão - Advogado - FGV) A por um adjetivo é:
substituição da oração adjetiva por um adjetivo de valor (A) A indústria causou a poluição do rio;
equivalente está feita de forma inadequada em: (B) As águas do rio ficaram poluídas;
(A) “Quando você elimina o impossível, o que sobra, por (C) As margens do rio estão cheias de lama;
mais improvável que pareça, só pode ser a verdade”. / restante (D) Os turistas se encantam com a imagem do rio;
(B) “Sábio é aquele que conhece os limites da própria (E) Os peixes do rio são bem saborosos.
ignorância”. / consciente dos limites da própria ignorância.
(C) “A única coisa que vem sem esforço é a idade”. / 05. (Pref. Paulínia/SP - Engenheiro Agrônomo -
indiferente FGV/2016) “O povo, ingênuo e sem fé das verdades, quer ao
(D) “Adoro a humanidade. O que não suporto são as menos crer na fábula, e pouco apreço dá às demonstrações
pessoas”. / insuportável científicas.” (Machado de Assis)
(E) “Com o tempo não vamos ficando sozinhos apenas
pelos que se foram: vamos ficando sozinhos uns dos outros”. / No fragmento acima, os dois adjetivos sublinhados
falecidos possuem, respectivamente, os valores de
(A) qualidade e estado.
02. (SEPOG/RO - Técnico em Tecnologia da Informação (B) estado e relação.
e Comunicação - FGV/2018) Temos uma notícia triste: o (C) relação e característica.
coração não é o órgão do amor! Ao contrário do que dizem, não (D) característica e qualidade.
é ali que moram os sentimentos. Puxa, para que serve ele, (E) qualidade e relação.
afinal? Calma, não jogue o coração para escanteio, ele é
superimportante. “É um órgão vital. É dele a função de Gabarito
bombear sangue para todas as células de nosso corpo”, explica
Sérgio Jardim, cardiologista do Hospital do Coração. 01.C / 02.A / 03.E / 04.A / 05.E
O coração é um músculo oco, por onde passa o sangue, e
tem dois sistemas de bombeamento independentes. Com essas Numeral
“bombas” ele recebe o sangue das veias e lança para as
artérias. Para isso contrai e relaxa, diminuindo e aumentando Os numerais exprimem quantidade, posição em uma série,
de tamanho. E o que tem a ver com o amor? “Ele realmente multiplicação e divisão. Daí a sua classificação,
bate mais rápido quando uma pessoa está apaixonada. O corpo respectivamente, em:
libera adrenalina, aumentando os batimentos cardíacos e a
pressão arterial”. - Cardinal - indica número, quantidade: um, dois, três,
(O Estado de São Paulo, 09/06/2012, caderno suplementar, p. 6) quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze,
catorze ou quatorze, quinze, dezesseis, vinte..., trinta..., cem...,
Nas frases “ele é superimportante” e “Ele realmente bate duzentos..., oitocentos..., novecentos..., mil.
mais rápido quando uma pessoa está apaixonada”, há dois
exemplos de variação de grau. - Ordinal - indica ordem ou posição: primeiro, segundo,
terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo,
Sobre essas variações, assinale a afirmativa correta. décimo primeiro, vigésimo..., trigésimo..., quingentésimo...,
(A) Apenas na primeira frase há uma variação de grau de sexcentésimo..., septingentésimo..., octingentésimo...,
adjetivo. nongentésimo..., milésimo.
(B) Nas duas ocorrências ocorre o superlativo de adjetivos.
(C) Apenas na segunda ocorrência ocorre o grau - Fracionário - indica uma fração ou divisão: meia, metade,
comparativo do adjetivo. terço, quarto, décimo, onze avos, doze avos, vinte avos..., trinta
(D) Na primeira ocorrência, a variação de grau ocorre por avos..., centésimo..., ducentésimo..., trecentésimo..., milésimo.
meio de um sufixo.
(E) Apenas na primeira frase há variação de grau. - Multiplicativo - indica a multiplicação de um número:
dobro, triplo, quádruplo, quíntuplo, sêxtuplo, sétuplo, óctuplo,
03. (Banestes - Técnico Bancário - FGV/2018) O nônuplo, décuplo, undécuplo, duodécuplo, cêntuplo.
adjetivo ilimitado corresponde à locução “sem limites”; a
locução com igual estrutura que NÃO corresponde ao adjetivo Os numerais que indicam conjunto de elementos de
abaixo destacado é: quantidade exata são os coletivos:
(A) Os turistas ficaram inertes durante a ação policial /
sem ação; BIMESTRE: período de dois meses
(B) O turista incauto ficou assustado com a ação policial / CENTENÁRIO: período de cem anos
sem cautela; DECÁLOGO: conjunto de dez leis
(C) O vocalista da banda saiu ileso do acidente / sem DECÚRIA: período de dez anos
ferimento; DEZENA: conjunto de dez coisas
LUSTRO: período de cinco anos
MILÊNIO: período de mil anos
MILHAR: conjunto de mil coisas
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APOSTILAS OPÇÃO
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APOSTILAS OPÇÃO
As informações textuais permitem afirmar que, em me, te, lhe, nos, vos: quando colocado com verbos
12.12.2015, Sílvio Santos completou seu transitivos diretos (TD), têm sentido possessivo, equivalendo
(A) octogenário quinquagésimo aniversário. a meu, teu, seu, dele, nosso, vosso: Os anos roubaram-lhe a
(B) octogésimo quinto aniversário. esperança. (sua, dele, dela possessivo)
(C) octingentésimo quinto aniversário.
(D) otogésimo quinto aniversário. Os pronomes pessoais oblíquos nos, vos, e se recebem o
(E) oitavo quinto aniversário. nome de pronomes recíprocos quando expressam uma ação
mútua ou recíproca: Nós nos encontramos emocionados.
Gabarito (pronome recíproco, nós mesmos). Nunca diga: Eu se apavorei.
/ Eu já se arrumei; Eu me apavorei. / Eu me arrumei. (certos)
01.A / 02.B / 03.A / 04.C / 05.B - Os pronomes pessoais retos eu e tu serão substituídos
por mim e ti após preposição: O segredo ficará somente entre
Pronome mim e ti.
- É obrigatório o emprego dos pronomes pessoais eu e tu,
É a palavra que acompanha ou substitui o nome, quando funcionarem como sujeito: Todos pediram para eu
relacionando-o a uma das três pessoas do discurso. As três relatar os fatos cuidadosamente. (pronome reto + verbo no
pessoas do discurso são: infinitivo). Lembre-se de que mim não fala, não escreve, não
1ª pessoa: eu (singular) nós (plural): aquela que fala ou compra, não anda.
emissor; - As formas oblíquas o, a, os, as são sempre empregadas
2ª pessoa: tu (singular) vós (plural): aquela com quem se como complemento de verbos transitivos diretos ao passo
fala ou receptor; que as formas lhe, lhes são empregadas como complementos
3ª pessoa: ele, ela (singular) eles, elas (plural): aquela de de verbos transitivos indiretos: Dona Cecília, querida amiga,
quem se fala ou referente. chamou-a. (verbo transitivo direto, VTD); Minha saudosa
comadre, Nircléia, obedeceu-lhe. (verbo transitivo
Os pronomes são classificados em: pessoais, de tratamento, indireto,VTI)
possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e - É comum, na linguagem coloquial, usar o brasileiríssimo
relativos. a gente, substituindo o pronome pessoal nós: A gente deve
Pronomes Pessoais fazer caridade com os mais necessitados.
Os pronomes pessoais dividem-se em: - Chamam-se pronomes pessoais reflexivos os pronomes
- Retos - exercem a função de sujeito da oração. que se referem ao sujeito: Eu me feri com o canivete. (eu- 1ª
- Oblíquos - exercem a função de complemento do verbo pessoa- sujeito / me- pronome pessoal reflexivo)
(objeto direto / objeto indireto). São: tônicos com preposição - Os pronomes pessoais oblíquos se, si e consigo devem ser
ou átonos sem preposição. empregados somente como pronomes pessoais reflexivos e
funcionam como complementos de um verbo na 3ª pessoa,
Pessoas do Retos Oblíquos cujo sujeito é também da 3ª pessoa: Nicole levantou-se com
Discurso Átonos Tônicos elegância e levou consigo (com ela própria) todos os olhares.
Singular 1ª pessoa eu me mim, (Nicole- sujeito, 3ª pessoa / levantou- verbo, 3ª pessoa /
2ª pessoa tu te comigo se- complemento, 3ª pessoa / levou- verbo, 3ª pessoa /
3ª pessoa ele/ela se, o, a, ti, contigo
consigo- complemento, 3ª pessoa).
lhe si, ele,
consigo
Pronomes de Tratamento
Plural 1ª pessoa nós nos nós,
São usados no trato com as pessoas. Dependendo da
2ª pessoa vós vos conosco
3ª pessoa eles/elas se, os, as, vós, pessoa a quem nos dirigimos, do seu cargo, idade, título, o
lhes convosco tratamento será familiar ou cerimonioso.
si, eles,
consigo Vossa Alteza - V.A. - príncipes, duques;
Vossa Eminência - V.Ema - cardeais;
- Colocados antes do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª Vossa Excelência - V.Ex.a - altas autoridades, presidente,
pessoa, apresentam sempre a forma: o, a, os, as: Eu os vi saindo oficiais;
do teatro. Vossa Magnificência - V.Mag.a - reitores de universidades;
- As palavras “só” e “todos” sempre acompanham os Vossa Majestade - V.M. - reis, imperadores;
pronomes pessoais do caso reto: Eu vi só ele ontem. Vossa Santidade - V.S. - Papa;
- Colocados depois do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª Vossa Senhoria -V.Sa - tratamento cerimonioso.
pessoa apresentam as formas: - São também pronomes de tratamento: o senhor, a
o, a, os, as: se o verbo terminar em vogal ou ditongo oral: senhora, a senhorita, dona, você.
Encontrei-a sozinha. Vejo-os diariamente. - Doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico.
o, a, os, as, precedidos de verbos terminados em: R/S/Z,
assumem as formas: lo, Ia, los, las, perdendo, Nas comunicações oficiais devem ser utilizados somente
consequentemente, as terminações R, S, Z. Preciso pagar ao dois fechos:
verdureiro. (= pagá-lo); Fiz os exercícios a lápis. (= Fi-los a Respeitosamente: para autoridades superiores, inclusive
lápis) para o presidente da República.
lo, la, los, las: se vierem depois de: eis / nos / vos - Eis a Atenciosamente: para autoridades de mesma hierarquia
prova do suborno. (= Ei-la); O tempo nos dirá. (= no-lo dirá). ou de hierarquia inferior.
(eis, nos, vos perdem o S)
no, na, nos, nas: se o verbo terminar em ditongo nasal: m, - A forma Vossa (Senhoria, Excelência) é empregada
ão, õe: Deram-na como vencedora; Põe-nos sobre a mesa. quando se fala com a própria pessoa: Vossa Senhoria não
lhe, lhes colocados depois do verbo na 1ª pessoa do plural, compareceu à reunião dos sem-terra? (falando com a pessoa)
terminado em S não modificado: Nós entregamos-lhe a cópia - A forma Sua (Senhoria, Excelência ) é empregada quando
do contrato. (o S permanece) se fala sobre a pessoa: Sua Eminência, o cardeal, viajou para
nos: colocado depois do verbo na 1ª pessoa do plural, um congresso. (falando a respeito do cardeal)
perde o S: Sentamo-nos à mesa para um café rápido.
Língua Portuguesa 26
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APOSTILAS OPÇÃO
- Os pronomes de tratamento com a forma Vossa (Senhoria, - para retomar elementos já enunciados, usamos aquele (e
Excelência, Eminência, Majestade), embora indiquem a 2ª variações) para o elemento que foi referido em 1º Iugar e este
pessoa (com quem se fala), exigem que outros pronomes e o (e variações) para o que foi referido em último lugar. Ex.: Pais
verbo sejam usados na 3ª pessoa. Vossa Excelência sabe que e mães vieram à festa de encerramento; aqueles, sérios e
seus ministros o apoiarão. orgulhosos, estas, elegantes e risonhas.
- dependendo do contexto os demonstrativos também
Pronomes Possessivos
servem como palavras de função intensificadora ou
São os pronomes que indicam posse em relação às pessoas
depreciativa. Ex.: Júlia fez o exercício com aquela calma!
da fala.
(=expressão intensificadora). Não se preocupe; aquilo é uma
Masculino Feminino tranqueira! (=expressão depreciativa)
Singular Plural Singular Plural - as formas nisso e nisto podem ser usadas com valor de
meu meus minha minhas então ou nesse momento. Ex.: A festa estava desanimada; nisso,
teu teus tua tuas a orquestra tocou um samba e todos caíram na dança.
seu seus sua suas - os demonstrativos esse, essa, são usados para destacar um
nosso nossos nossa nossas elemento anteriormente expresso. Ex.: Ninguém ligou para o
vosso vossos vossa vossas incidente, mas os pais, esses resolveram tirar tudo a limpo.
seu seus sua suas
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APOSTILAS OPÇÃO
pessoa ou coisa, no plural ou no singular. Ex.: Este é o CD novo (D) conector, nome, adjetivo, verbo, pronome e nome.
que acabei de comprar; João Adolfo é o cara que pedi a Deus. (E) conjunção, substantivo, advérbio, verbo, advérbio e
- O relativo que pode ter por seu antecedente o pronome adjetivo.
demonstrativo o, a, os, as. Ex.: Não entendi o que você quis
dizer. (o que = aquilo que). 02. (IF/PA - Auxiliar em Administração - FUNRIO) O
- O relativo quem refere se a pessoa e vem sempre emprego do pronome relativo está de acordo com as normas
precedido de preposição. Ex.: Marco Aurélio é o advogado a da língua-padrão em:
quem eu me referi. (A) Finalmente aprovaram o decreto que lutamos tanto
- O relativo cujo e suas flexões equivalem a de que, do qual, por ele.
de quem e estabelecem relação de posse entre o antecedente e (B) Nas próximas férias, minha meta é fazer tudo que tenho
o termo seguinte. (cujo, vem sempre entre dois substantivos) direito.
- O pronome relativo pode vir sem antecedente claro, (C) Eu aprovaria o texto daquele parecer que o relator
explícito; é classificado, portanto, como relativo indefinido, e apresentou ontem.
não vem precedido de preposição. Ex.: Quem casa quer casa; (D) Existe um escritor brasileiro que todos os brasileiros
Feliz o homem cujo objetivo é a honestidade; Estas são as nos orgulhamos.
pessoas de cujos nomes nunca vou me esquecer. (E) Na política, às vezes acontecem traições onde mostram
- Só se usa o relativo cujo quando o consequente é muita sordidez.
diferente do antecedente. Ex.: O escritor cujo livro te falei é
paulista. 03. (Eletrobras/Eletrosul - Técnico de Segurança do
- O pronome cujo não admite artigo nem antes nem depois Trabalho - FCC)
de si.
- O relativo onde é usado para indicar lugar e equivale a: Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a
em que, no qual. Ex.: Desconheço o lugar onde vende tudo energia solar
mais barato. (= lugar em que)
- Quanto, quantos e quantas são relativos quando usados Bem no meio do deserto, há um lugar onde o calor é extremo.
depois de tudo, todos, tanto. Ex.: Naquele momento, a querida Sessenta e três graus ou até mais no verão. E foi exatamente por
comadre Naldete, falou tudo quanto sabia. causa da temperatura que foi construída em Abu Dhabi uma das
maiores usinas de energia solar do mundo.
Pronomes Interrogativos Os Emirados Árabes estão investindo em fontes energéticas
São os pronomes em frases interrogativas diretas ou renováveis. Não vão substituir o petróleo, que eles têm de sobra
indiretas. Os principais interrogativos são: que, quem, qual, por mais 100 anos pelo menos. O que pretendem é diversificar e
quanto: poluir menos. Uma aposta no futuro.
- Afinal, quem foram os prefeitos desta cidade? A preocupação com o planeta levou Abu Dhabi a tirar do
(interrogativa direta, COM o ponto de interrogação) papel a cidade sustentável de Masdar. Dez por cento do
- Gostaria de saber quem foram os prefeitos desta cidade. planejado está pronto. Um traçado urbanístico ousado, que
(interrogativa indireta, SEM a interrogação) deixa os carros de fora. Lá só se anda a pé ou de bicicleta. As ruas
são bem estreitas para que um prédio faça sombra no outro. É
Questões perfeito para o deserto. Os revestimentos das paredes isolam o
calor. E a direção dos ventos foi estudada para criar corredores
01. (CRP 2º Região/PE - Psicólogo Orientador - Fiscal - de brisa.
Quadrix/2018) (Adaptado de: “Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a
energia solar”. Disponível
em:http://g1.globo.com/globoreporter/noticia/2016/04/abu-dhabi-constroi-
cidade-do-futuro-com-tudo-movido-energia-solar.html)
Língua Portuguesa 28
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Língua Portuguesa 29
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APOSTILAS OPÇÃO
ocorre com frequência. Ex.: Eu almoço todos os dias na casa de - Futuro: é empregado para indicar um fato hipotético,
minha mãe. Na indicação de ações ou estados permanentes, pode ou não acontecer. Quando você fizer o trabalho, será
verdades universais. Ex.: A água é incolor, inodora, insípida. generosamente gratificado.
- Pretérito Imperfeito: para expressar um fato passado,
não concluído. Ex.: Nós comíamos pastel na feira; Eu cantava 1ª Conjugação –AR
muito bem. Presente: que eu dance, que tu dances, que ele dance, que
- Pretérito Perfeito: é usado na indicação de um fato nós dancemos, que vós danceis, que eles dancem.
passado concluído. Ex.: Cantei, dancei, pulei, chorei, dormi... Pretérito Imperfeito: se eu dançasse, se tu dançasses, se
- Pretérito Mais-Que-Perfeito: expressa um fato passado ele dançasse, se nós dançássemos, se vós dançásseis, se eles
anterior a outro acontecimento passado. Ex.: Nós cantáramos dançassem.
no congresso de música. Futuro: quando eu dançar, quando tu dançares, quando ele
- Futuro do Presente: na indicação de um fato realizado dançar, quando nós dançarmos, quando vós dançardes,
num instante posterior ao que se fala. Ex.: Cantarei domingo quando eles dançarem.
no coro da igreja matriz.
- Futuro do Pretérito: para expressar um acontecimento 2ª Conjugação -ER
posterior a um outro acontecimento passado. Ex.: Compraria Presente: que eu coma, que tu comas, que ele coma, que
um carro se tivesse dinheiro nós comamos, que vós comais, que eles comam.
Pretérito Imperfeito: se eu comesse, se tu comesses, se ele
1ª Conjugação: -AR comesse, se nós comêssemos, se vós comêsseis, se eles
Presente: danço, danças, dança, dançamos, dançais, comessem.
dançam. Futuro: quando eu comer, quando tu comeres, quando ele
Pretérito Perfeito: dancei, dançaste, dançou, dançamos, comer, quando nós comermos, quando vós comerdes,
dançastes, dançaram. quando eles comerem.
Pretérito Imperfeito: dançava, dançavas, dançava,
dançávamos, dançáveis, dançavam. 3ª conjugação – IR
Pretérito Mais-Que-Perfeito: dançara, dançaras, dançara, Presente: que eu parta, que tu partas, que ele parta, que
dançáramos, dançáreis, dançaram. nós partamos, que vós partais, que eles partam.
Futuro do Presente: dançarei, dançarás, dançará, Pretérito Imperfeito: se eu partisse, se tu partisses, se ele
dançaremos, dançareis, dançarão. partisse, se nós partíssemos, se vós partísseis, se eles
Futuro do Pretérito: dançaria, dançarias, dançaria, partissem.
dançaríamos, dançaríeis, dançariam. Futuro: quando eu partir, quando tu partires, quando ele
partir, quando nós partirmos, quando vós partirdes,
2ª Conjugação: -ER quando eles partirem.
Presente: como, comes, come, comemos, comeis, comem.
Pretérito Perfeito: comi, comeste, comeu, comemos, Emprego do Imperativo
comestes, comeram. Imperativo Afirmativo
Pretérito Imperfeito: comia, comias, comia, comíamos, - Não apresenta a primeira pessoa do singular.
comíeis, comiam. - É formado pelo presente do indicativo e pelo presente do
Pretérito Mais-Que-Perfeito: comera, comeras, comera, subjuntivo.
comêramos, comêreis, comeram. - O Tu e o Vós saem do presente do indicativo sem o “s”.
Futuro do Presente: comerei, comerás, comerá, - O restante é cópia fiel do presente do subjuntivo.
comeremos, comereis, comerão.
Futuro do Pretérito: comeria, comerias, comeria, Presente do Indicativo: eu amo, tu amas, ele ama, nós
comeríamos, comeríeis, comeriam. amamos, vós amais, eles amam.
Presente do subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele
3ª Conjugação: -IR ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem.
Presente: parto, partes, parte, partimos, partis, partem. Imperativo afirmativo: (X), ama tu, ame você, amemos
Pretérito Perfeito: parti, partiste, partiu, partimos, nós, amai vós, amem vocês.
partistes, partiram.
Pretérito Imperfeito: partia, partias, partia, partíamos, Imperativo Negativo
partíeis, partiam. - É formado através do presente do subjuntivo sem a
Pretérito Mais-Que-Perfeito: partira, partiras, partira, primeira pessoa do singular.
partíramos, partíreis, partiram. - Não retira os “s” do tu e do vós.
Futuro do Presente: partirei, partirás, partirá, partiremos,
partireis, partirão. Presente do Subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele
Futuro do Pretérito: partiria, partirias, partiria, ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem.
partiríamos, partiríeis, partiriam. Imperativo negativo: (X), não ames tu, não ame você, não
amemos nós, não ameis vós, não amem vocês.
Emprego dos Tempos do Subjuntivo
Além dos três modos citados (Indicativo, Subjuntivo e
- Presente: é empregado para indicar um fato incerto ou
Imperativo), os verbos apresentam ainda as formas nominais:
duvidoso, muitas vezes ligados ao desejo, à suposição. Ex.:
infinitivo – impessoal e pessoal, gerúndio e particípio.
Duvido de que apurem os fatos; Que surjam novos e honestos
políticos.
- Pretérito Imperfeito: é empregado para indicar uma Infinitivo Impessoal8
condição ou hipótese. Ex.: Se recebesse o prêmio, voltaria à Quando se diz que um verbo está no infinitivo impessoal,
universidade. isso significa que ele apresenta sentido genérico ou indefinido,
não relacionado a nenhuma pessoa, e sua forma é invariável.
8 https://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf69.php
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APOSTILAS OPÇÃO
Assim, considera-se apenas o processo verbal. Ex.: Amar é assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-
sofrer. se da seguinte maneira:
Podendo ter valor e função de substantivo. Ex.: Viver é 2ª pessoa do singular: radical + ES. Ex.: teres (tu)
lutar. (= vida é luta); É indispensável combater a corrupção. (= 1ª pessoa do plural: radical + mos. Ex.: termos (nós)
combate à) 2ª pessoa do plural: radical + dês. Ex.: terdes (vós)
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente 3ª pessoa do plural: radical + em. Ex.: terem (eles)
(forma simples) ou no passado (forma composta). Ex.: É
preciso ler este livro; Era preciso ter lido este livro. Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa
Observe que, embora não haja desinências para a 1ª e 3ª colocação.
pessoas do singular (cujas formas são iguais às do infinitivo
impessoal), elas não deixam de referir-se às respectivas Quando se diz que um verbo está no infinitivo pessoal, isso
pessoas do discurso (o que será esclarecido apenas pelo significa que ele atribui um agente ao processo verbal,
contexto da frase). Ex.: Para ler melhor, eu uso estes óculos. flexionando-se.
(1ª pessoa); Para ler melhor, ela usa estes óculos. (3ª pessoa) O infinitivo deve ser flexionado nos seguintes casos:
No entanto, na voz passiva dos verbos "contentar", - Quando se quiser indeterminar o sujeito (utilizado na
"tomar" e "ouvir", por exemplo, o Infinitivo (verbo auxiliar) terceira pessoa do plural). Ex.:
deve ser flexionado. Ex.: Faço isso para não me acharem inútil.
Eram pessoas difíceis de serem contentadas. Temos de agir assim para nos promoverem.
Aqueles remédios são ruins de serem tomados. Ela não sai sozinha à noite a fim de não falarem mal da sua
Os jogos que você me emprestou são agradáveis de serem conduta.
jogados.
- Quando apresentar reciprocidade ou reflexibilidade
- Nas locuções verbais. Ex.: Queremos acordar bem cedo de ação. Ex.:
amanhã. Eles não podiam reclamar do colégio. Vamos pensar Vi os alunos abraçarem-se alegremente.
no seu caso. Fizemos os adversários cumprimentarem-se com
- Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo do verbo da gentileza.
oração anterior. Ex. Eles foram condenados a pagar pesadas Mandei as meninas olharem-se no espelho.
multas. Devemos sorrir ao invés de chorar. Tenho ainda alguns
livros por (para) publicar. Gerúndio
Pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Ex.: Saindo de
Observação: quando o infinitivo preposicionado, ou não, casa, encontrei alguns amigos. (Função de advérbio); Nas ruas,
preceder ou estiver distante do verbo da oração principal havia crianças vendendo doces. (Função adjetivo)
(verbo regente), pode ser flexionado para melhor clareza do Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso;
período e também para se enfatizar o sujeito (agente) da ação na forma composta, uma ação concluída. Ex.: Trabalhando,
verbal. Ex.: aprenderás o valor do dinheiro; Tendo trabalhado, aprendeu o
Na esperança de sermos atendidos, muito lhe valor do dinheiro.
agradecemos.
Foram dois amigos à casa de outro, a fim de jogarem Particípio
futebol. Quando não é empregado na formação dos tempos
Para estudarmos, estaremos sempre dispostos. compostos, o particípio indica geralmente o resultado de uma
Antes de nascerem, já estão condenadas à fome muitas ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Ex.:
crianças. Terminados os exames, os candidatos saíram. Quando o
particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação
- Com os verbos causativos "deixar", "mandar" e temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo
"fazer" e seus sinônimos que não formam locução verbal (adjetivo verbal). Ex.: Ela foi a aluna escolhida para
com o infinitivo que os segue. Ex.: Deixei-os sair cedo hoje. representar a escola.
- Com os verbos sensitivos "ver", "ouvir", "sentir" e
sinônimos, deve-se também deixar o infinitivo sem flexão. 1ª Conjugação –AR
Ex.: Vi-os entrar atrasados. Ouvi-as dizer que não iriam à Infinitivo Impessoal: dançar.
festa. Infinitivo Pessoal: dançar eu, dançares tu; dançar ele,
dançarmos nós, dançardes vós, dançarem eles.
Infinitivo Pessoal Gerúndio: dançando.
É o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na Particípio: dançado.
1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta desinências,
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APOSTILAS OPÇÃO
2ª Conjugação –ER que, diante dos apuros, como a perda do emprego, algumas
Infinitivo Impessoal: comer. tentem manter o mesmo padrão de vida em lugar de cortar
Infinitivo pessoal: comer eu, comeres tu, comer ele, gastos para se encaixar na nova realidade. Pedir um
comermos nós, comerdes vós, comerem eles. empréstimo para quitar outra dívida é um comportamento
Gerúndio: comendo. recorrente entre os endividados.
Particípio: comido. Para sair do vermelho, aceitar o vício é o primeiro passo.
Uma vez que o devedor reconhece o problema, a próxima
3ª Conjugação –IR etapa é se planejar.
(Felipe Machado e Tatiana Babadobulos, Veja, 04.04.2018. Adaptado)
Infinitivo Impessoal: partir.
Infinitivo pessoal: partir eu, partires tu, partir ele, Assinale a alternativa em que os verbos estão conjugados
partirmos nós, partirdes vós, partirem eles. de acordo com a norma-padrão, em substituição aos trechos
Gerúndio: partindo. destacados na passagem – É comum que, diante dos apuros,
Particípio: partido. como a perda do emprego, algumas tentem manter o mesmo
padrão de vida.
Questões (A) Poderia acontecer que ... mantêm
(B) Pôde acontecer que ... mantessem
01. (UNEMAT - Psicólogo - 2018) (C) Podia acontecer que ... mantivessem
(D) Pôde acontecer que ... manteram
(E) Podia acontecer que ... mantiveram
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APOSTILAS OPÇÃO
(D) Quem vier a comparar a fala dos jovens de hoje com os Questões
da geração passada, haveria de concluir que os jovens de hoje
leem muito menos. 01. (CISSUL/MG - Condutor Socorrista - IBGP/2017)
(E) O contato visual também é importante ao falar em
público. Passa empatia e envolveria o outro.
Gabarito
Locução Verbal
Em todos os exemplos a ideia central é expressa pelo verbo 03. (Pref. João Pessoa/PB - Professor Língua
principal, os verbos auxiliares apenas indicam flexões de Portuguesa - FGV) Uma locução verbal é o conjunto formado
tempo, modo, pessoa, número e voz. Sem os verbos principais, por um verbo auxiliar + um verbo principal, este último
os auxiliares não teriam sentido algum. sempre em forma nominal. Nas frases a seguir as formas
verbais sublinhadas constituem uma locução verbal, à exceção
de uma. Assinale‐a.
(A) Todos podem entrar assim que chegarem.
(B) Se os grevistas querem trabalhar menos, não vou
atendê‐los.
(C) Deixem entrar todos os atrasados.
(D) Elas não sabem cozinhar como antigamente.
(E) A plantação foi‐se expandindo para os lados
9
https://www.conjugacao.com.br/locucao-verbal/
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APOSTILAS OPÇÃO
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APOSTILAS OPÇÃO
Entre (posição entre dois limites): Convém colocar o vidro MAMÃ NEGRA (Canto de esperança)
entre dois suportes.
Tua presença, minha Mãe - drama vivo duma Raça, Drama
Para de carne e sangue Que a Vida escreveu com a pena dos séculos!
Direção: Não lhe interessava mais ir para a Europa. Pelo teu regaço, minha Mãe, Outras gentes embaladas à voz da
Tempo: Pretendo vê-lo lá para o final da semana. ternura ninadas do teu leite alimentadas de bondade e poesia
Finalidade: Lute sempre para viver com dignidade. de música ritmo e graça... santos poetas e sábios... Outras
A preposição para indica permanência definitiva. Vou gentes... não teus filhos, que estes nascendo alimárias
para o litoral. (ideia de morar) semoventes, coisas várias, mais são filhos da desgraça: a
enxada é o seu brinquedo trabalho escravo - folguedo... Pelos
Perante (posição anterior): Permaneceu calado perante teus olhos, minha Mãe Vejo oceanos de dor Claridades de sol-
todos. posto, paisagens Roxas paisagens Mas vejo (Oh! se vejo!...) mas
vejo também que a luz roubada aos teus [olhos, ora esplende
Por (percurso, espaço, lugar): Caminhava por ruas demoniacamente tentadora - como a Certeza... cintilantemente
desconhecidas. firme - como a Esperança... em nós outros, teus filhos, gerando,
Causa: Por ser muito caro, não compramos um pendrive formando, anunciando -o dia da humanidade.
novo. (Viriato da Cruz. Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império)
Espaço: Por cima dela havia um raio de luz.
Em qual das alternativas o acento grave foi mal
Sem (ausência): Eu vou sem lenço sem documento. empregado, pois não houve crase?
(A) “Milena Nogueira foi pela primeira vez à quadra da
Sob (debaixo de / situação): Prefiro cavalgar sob o luar. escola de samba Império Serrano, na Zona Norte do Rio.”
Viveu, sob pressão dos pais. (B) "Os relatos dos casos mostram repetidas violações dos
direitos à moradia, a um trabalho digno, à integridade cultural,
Sobre a vida e ao território."
(em cima de, com contato): Colocou as taças de cristal (C) “O corpo de Lucilene foi encontrado próximo à ponte
sobre a toalha rendada. do Moa no dia 11 de maio.”
Assunto: Conversávamos sobre política financeira. (D) “Fifa afirma que Blatter e Valcke enriqueceram às
custas da entidade.”
Trás (situação posterior; é preposição fora de uso. É (E) “Doriva saiu e Milton Cruz fez às vezes de técnico até a
substituída por atrás de, depois de): Por trás desta carinha chegada de Edgardo Bauza no fim do ano passado.”
vê-se muita falsidade.
03. (TJ/AL - Analista Judiciário - Oficial de Justiça
Questões Avaliador - FGV/2018)
01. (PC/SP - Papiloscopista Policial - VUNESP/2018) Além do celular e da carteira, cuidado com as figurinhas
da Copa
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018
Língua Portuguesa 36
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APOSTILAS OPÇÃO
(D) os termos “de figurinhas” e “de celular” são adjuntos contexto. Assim, uma mesma palavra ou expressão pode
dos vocábulos precedentes; exprimir emoções variadas.
(E) os termos “de figurinhas” e “de figurinha” são Admiração ou Espanto: Oh!, Caramba!, Oba!, Nossa!, Meu
complementos dos vocábulos precedentes. Deus!, Céus!
Advertência: Cuidado!, Atenção!, Alerta!, Calma!, Alto!,
04. Assinale a alternativa em que a preposição destacada Olha lá!
estabeleça o mesmo tipo de relação que na frase matriz: Alegria: Viva!, Oba!, Que bom!, Oh!, Ah!;
Criaram-se a pão e água. Ânimo: Avante!, Ânimo!, Vamos!, Força!, Eia!, Toca!
(A) Desejo todo o bem a você. Aplauso: Bravo!, Parabéns!, Muito bem!
(B) A julgar por esses dados, tudo está perdido. Chamamento: Olá!, Alô!, Psiu!, Psit!
(C) Feriram-me a pauladas. Aversão: Droga!, Raios!, Xi!, Essa não!, lh!
(D) Andou a colher alguns frutos do mar. Medo: Cruzes!, Credo!, Ui!, Jesus!, Uh! Uai!
(E) Ao entardecer, estarei aí. Pedido de Silêncio: Quieto!, Bico fechado!, Silêncio!,
Chega!, Basta!
05. (TJ/AL - Técnico Judiciário - FGV/2018) Saudação: Oi!, Olá!, Adeus!, Tchau!
Concordância: Claro!, Certo!, Sim!, Sem dúvida!
Ressentimento e Covardia Desejo: Oxalá!, Tomara!, Pudera!, Queira Deus! Quem me
dera!
Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os
usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma Observe na relação acima, que as interjeições muitas vezes
legislação específica que coíba não somente os usos mas os são formadas por palavras de outras classes gramaticais:
abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A Cuidado! Não beba ao dirigir! (cuidado é substantivo).
maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam
crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune Questões
injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos
01. (Prefeitura de Avelinópolis/GO - Auxiliar
direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação
Administrativo - Itame/2019)
indébita.
[...]
No fundo, é um problema técnico que os avanços da
"Ah, porque estou tão sozinho?
informática mais cedo ou mais tarde colocarão à disposição
Ah, porque tudo é tão triste?
dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me
Ah, a beleza que existe
valendo do óbvio, a comunicação virtual está em sua pré-
A beleza que não é só minha
história.
Que também passa sozinha." Vinícius de Moraes
Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na
[...]
internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e
escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos No texto, a palavra ‘Ah’ que aparece repetida é um/uma
ou deformados que circulam por aí e que não podem ser (A) advérbio, pois é uma palavra invariável que exprime
desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou uma circunstância.
revista é processado se publicar sem autorização do autor um (B) preposição, porque é uma palavra invariável, que liga
texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas. Em dois elementos de uma frase.
caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de (C) interjeição, por ser uma palavra invariável que exprime
falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a sentimentos, subjetividade do eu poético.
desmentir e dar espaço ao contraditório. (D) conjunção, por ser uma palavra invariável que
Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do estabelece conexão entre duas orações ou termos de mesma
cão em nome da liberdade de expressão, que é mais expressão função sintática.
de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira
liberdade. (Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado) 02. (CRF/SP - Analista de Suporte - IDECAN/2018)
Interjeição
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APOSTILAS OPÇÃO
6. Condicionais (Condição) – Se / Caso / Desde que A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou esta
Exemplos: quinta-feira que um adulto consuma por dia menos de dois
Comprarei o livro, desde que esteja disponível. gramas de sódio – ou seja, menos de cinco gramas de sal – para
Se chover, não poderemos ir. reduzir os níveis de pressão arterial e as doenças
cardiovasculares.
7. Comparativas (Comparação) – Como / Que / Do que / Pela primeira vez, a OMS faz recomendações também para
Quanto / Que nem as crianças com mais de dois anos de idade, para que as
Exemplos: doenças relacionadas com a alimentação não se tornem
Os filhos comeram como leões. crônicas na idade adulta. Neste caso, a OMS diz que os valores
A luz é mais veloz do que o som. devem ainda ser mais baixos do que os dois gramas de sódio,
devendo ser adaptados tendo em conta o tamanho, a idade e
8. Conformativas (Conformidade) – Como / Conforme / as necessidades energéticas.
Segundo Teresa Firmino Adaptado de publico.pt/ciencia
Exemplos:
As coisas não são como parecem. Em para reduzir os níveis de pressão arterial e as
Farei tudo, conforme foi pedido. doenças cardiovasculares, a palavra para expressa o
seguinte significado:
9. Consecutivas (Consequência) – Que (precedido dos (A) oposição
termos: tal, tão, tanto...) / De forma que (B) finalidade
Exemplos: (C) causalidade
A menina chorou tanto, que não conseguiu ir para a escola. (D) comparação
Ontem estive viajando, de forma que não consegui (E) temporalidade
participar da reunião.
03. (SEDUC/PA - Professor Classe I - Português -
10. Concessivas (Concessão) – Embora / Conquanto / CONSULPLAN/2018)
Ainda que / Mesmo que / Por mais que
Exemplos: Coisas & Pessoas
Todos gostaram, embora estivesse mal feito.
Por mais que gritasse, ninguém o socorreu. Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas.
Tia Tula, que achava que mormaço fazia mal, sempre gritava:
Questões “Vem pra dentro, menino, olha o mormaço!”. Mas eu ouvia o
mormaço com M maiúsculo. Mormaço, para mim, era um velho
01. (PC/SP - Papiloscopista Policial - VUNESP/2018) que pegava crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje, quando
leio que alguém se viu perseguido pelo clamor público, vejo
com estes olhos o Sr. Clamor Público, magro, arquejante, de
preto, brandindo um guarda-chuva, com um gogó
protuberante que se abaixa e levanta no excitamento da
perseguição. E já estava devidamente grandezinho, pois devia
contar uns trinta anos, quando me fui, com um grupo de
colegas, a ver o lançamento da pedra fundamental da ponte
Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, com os
presidentes Justo e Getúlio, e gente muita, tanto assim que
fomos alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse
a Prefeitura, com os demais jornalistas do Brasil e Argentina.
Era como um alojamento de quartel, com breve espaço entre
as camas e todas as portas e janelas abertas, tudo com os
alegres incômodos e duvidosos encantos, um vulto junto à
minha cama, senti-me estremunhado e olhei atônito para um
tipo de chiru, ali parado, de bigodes caídos, pala pendente e
chapéu descido sobre os olhos. Diante da minha muda
interrogação, ele resolveu explicar-se, com a devida calma:
– Pois é! Não vê que eu sou o sereno…
Na fala do personagem no segundo quadrinho “Apesar da E eis que, por milésimo de segundo, ou talvez mais, julguei
aparência, sou um homem ultramoderno!”, a expressão que se tratasse do sereno noturno em pessoa. [...]
destacada estabelece entre as informações relação de sentido (Mário Quintana. Caderno H. 5. ed. São Paulo: Globo, 1989, p. 153-154.)
de
(A) comparação. Após a leitura do texto e considerando seu conteúdo, pode-
(B) finalidade. se afirmar quanto ao emprego da conjunção em relação à
(C) consequência. titulação do texto que o sentido produzido indica
(D) conclusão. (A) compensação de um elemento em relação ao outro.
(E) concessão. (B) acrescentamento de um elemento em relação ao outro.
(C) sobreposição do último elemento em detrimento do
02. (Prefeitura Trindade/GO - Auxiliar Administrativo primeiro.
- FUNRIO) (D) estabelecimento de uma relação de um elemento para
com o outro.
OMS recomenda ingerir menos de cinco gramas de sal
por dia
Língua Portuguesa 39
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APOSTILAS OPÇÃO
Crônica da cidade do Rio de Janeiro É todo enunciado suficiente por si mesmo para estabelecer
comunicação. Pode expressar um juízo, indicar uma ação,
No alto da noite do Rio de Janeiro, luminoso, generoso, o estado ou fenômeno, transmitir um apelo, uma ordem ou
Cristo Redentor estende os braços. Debaixo desses braços os exteriorizar emoções10. São exemplos de frases11:
netos dos escravos encontram amparo.
Uma mulher descalça olha o Cristo, lá de baixo, e “Por favor!”
apontando seu fulgor, diz, muito tristemente: “Bom dia, tudo bem com você?”
- Daqui a pouco não estará mais aí. Ouvi dizer que vão tirar
Ele daí. Os sinais de pontuação são as pausas especiais nas frases,
- Não se preocupe – tranquiliza uma vizinha. – Não se e quando ocorre a inversão do sujeito + predicado, a sua
preocupe: Ele volta. compreensão depende do contexto.
A polícia mata muitos, e mais ainda mata a economia. Na
cidade violenta soam tiros e também tambores: os atabaques, Chamam-se frases nominais as que se apresentam sem o
ansiosos de consolo e de vingança, chamam os deuses verbo ou seja frases constituídas apenas por nomes,
africanos. Cristo sozinho não basta. substantivo, adjetivo e pronome.
(GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2009.) Exemplo: Cada louco com sua mania.
Se você não corresponde ao figurino neoliberal é porque Imperativas: expressa uma ordem, pedido, pode ser
sofre de algum transtorno. As doenças estão em moda. afirmativa ou negativa.
Respiramos a cultura da medicalização. Não nos perguntamos “Silêncio! Respeite o professor.” (afirmativa)
por que há tantas enfermidades e enfermos. Esta indagação Não faça loucuras. (negativa)
não convém à indústria farmacêutica nem ao sistema cujo
objetivo primordial é a apropriação privada da riqueza. Exclamativas: expressa uma admiração, surpresa,
arrependimento e etc.
Sobre os itens lexicais destacados no fragmento, estão Como ela é inteligente!
corretas as afirmativas, EXCETO: Não acertaram mais!
(A) A conjunção “nem” liga dois itens (indústria / sistema)
indicando oposição entre eles. Optativas: exprimir um desejo.
(B) A conjunção “porque” introduz uma relação de Deus te acompanhe!
causalidade entre as partes do período de que faz a ligação. Que você consiga passar no concurso.
(C) O conectivo “se” poderia ser substituído por “caso” e
indica condicionalidade. Imprecativas: uma imprecação (lançar uma praga,
(D) O pronome “algum” transfere sua indefinitude ao maldição).
substantivo que acompanha, “transtorno”. Não conseguindo atingir seu intento, dirigiu maldições
contra seu desafeto.
Gabarito
Maldito seja quem encontrar você.
01.E / 02.B / 03.D / 04.B / 05.A
Atenção: Algumas frases só podem ser entendidas quando
compreendemos o contexto em que são empregadas, como por
exemplo em frases que contém ironia, sarcasmo, deboche e
Organização sintática da frase escárnio. Pois estas as vezes acabam expressando o contrário
do que aparentemente se diz.
e do período: frase, oração e
período, os termos da oração; Questões
subordinação e coordenação
01. (CFN - Soldado Fuzileiro Naval – Marinha)
Língua Portuguesa 40
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APOSTILAS OPÇÃO
aproveitar o pelo, sacudiu a raposa no meia da carga e seguiu O enunciado “socorro!”, de acordo com a análise sintática,
viagem. Vai a raposa e se farta de mel, pulando depois para o é um(a)
chão, ganhando o mato. O homem ficou furioso mas não viu
mais nem a sombra da raposa. (A) oração.
Dias depois a raposa encontrou a onça que a achou gorda e (B) frase verbal.
lustrosa. Perguntou se ela descobrira algum galinheiro. (C) frase nominal.
- Qual galinheiro, camarada onça, minha gordura ê de mel (D) período simples.
de abelha, que dá força e coragem. (E) período composto.
- Onde você encontrou tanto mel?
Gabarito
- Ora, nas cargas dos camboeiros que passam pela estrada.
- Quer me levar, camarada raposa? 01. D / 02. B / 03. B / 04. C / 05. C
- Com todo gosto. Vamos indo...
Levou a onça para a estrada, depois de muda volta, ensinou Oração
a conversa. A onça deitou-se e ficou estirada, dura, fazendo que
estava morta. Quando o camboeiro avistou aquele bichão É todo enunciado linguístico dotado de sentido, porém há,
estendido na areia, ficou com os cabelos em pê e puxou logo necessariamente, a presença do verbo. A oração encerra uma
pela sua garrucha. Não vendo a onça bulir, aproximou-se, frase (ou segmento de frase), várias frases ou um período,
cutucou com o cabo do chicote e gritou para os companheiros: completando um pensamento e concluindo o enunciado
- Eh lá! Uma onça morta! Vamos tirar o couro. através de ponto final, interrogação, exclamação e, em alguns
Meteram a faca com vontade na onça que, meio esfolada, casos, através de reticências.
ganhou os matos, doida de raiva com a arteirice da raposa. Em toda oração há um verbo ou locução verbal (às vezes
(CASCUDO, Luís da Câmara. Contas Tradicionais do Brasil. Rio de Janeiro: elípticos - ocultos).
Ediouro, 2003) Não têm estrutura sintática, portanto não são orações,
“ Onde você encontrou tanto mel ?” assim não podem ser analisadas sintaticamente frases como:
“ Eh lá! Uma onça morta! “
Socorro!
Com licença!
Analisando as orações acima, pode-se afirmar que elas são,
Que rapaz impertinente!
respectivamente:
(A) afirmativa e negativa. Na oração as palavras estão relacionadas entre si, como
(B) exclamativa e negativa. partes de um conjunto harmônico: elas formam os termos ou
(C) interrogativa e negativa. as unidades sintáticas da oração. Cada termo da oração
(D) interrogativa e exclamativa. desempenha uma função sintática.
(E) exclamativa explicativa e interrogativa.
Os termos da oração na língua portuguesa são classificados
02. Que tipo de frase é: - "Como se chama o teu irmão?" em três grandes níveis:
A) Frase exclamativa. - Termos Essenciais da Oração: Sujeito e Predicado.
B) Frase interrogativa. - Termos Integrantes da Oração: Complemento Nominal e
C) Frase imperativa. Complementos Verbais (Objeto Direto, Objeto indireto e
D) Frase declarativa. Agente da Passiva).
03. Marque a alternativa que apresenta frase exclamativa: - Termos Acessórios da Oração: Adjunto Adnominal,
A) Os casais saíram para jantar? Adjunto Adverbial, Aposto e Vocativo.
B) Bons ventos o levem!
Termos Essenciais da Oração
C) O cliente pagou o copo de suco?
Dois termos fundamentais da oração: sujeito e predicado.
D) Maria depositou dinheiro em sua conta bancária.
04. Que tipo de frase é: - "Pedro, vá para a escola." Sujeito Predicado
A) Frase declarativa. Felicidade é estar satisfeito.
B) Frase interrogativa. Os jovens compraram os doces.
C) Frase imperativa. Um carro forte tombou nas ruas.
D) Frase exclamativa.
05. (Prefeitura de Inhapi/AL - Procurador Municipal - Sujeito: é equivocado dizer que o sujeito é aquele que
COPEVE/UFAL) pratica uma ação ou é aquele (ou aquilo) do qual se diz alguma
coisa. Ao fazer tal afirmação estamos considerando o aspecto
semântico do sujeito (agente de uma ação) ou o seu aspecto
estilístico (o tópico da sentença).
Já que o sujeito é depreendido de uma análise sintática,
vamos restringir a definição apenas ao seu papel sintático na
sentença: aquele que estabelece concordância com o núcleo do
predicado.
Quando se trata de predicado verbal, o núcleo é sempre um
verbo; sendo um predicado nominal, o núcleo é sempre um
nome. 12Tendo assim por características básicas:
- Estabelecer concordância com o núcleo do predicado;
- Apresentar-se como elemento determinante em relação
ao predicado;
- Constituir-se de um substantivo, ou pronome substantivo
ou, ainda, qualquer palavra substantivada. Exemplo:
12 www.portalsaofrancisco.com.br/portugues/sujeito
Língua Portuguesa 41
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APOSTILAS OPÇÃO
O banco está interditado hoje. etc.). Exemplo: “Todos os ligeiros rumores da mata tinham
está interditado hoje: predicado nominal. uma voz para a selvagem filha do sertão.” (José de Alencar)
interditado: nome adjetivo = núcleo do predicado.
O banco: sujeito. Classificação dos Sujeitos
Banco: núcleo do sujeito - nome masculino singular. Simples - tem um só núcleo, no singular ou plural: O
cachorro tem uma casinha linda.
No interior de uma sentença, o sujeito é o termo Composto - apresenta mais de um núcleo: O garoto e a
determinante, ao passo que o predicado é o termo menina brincavam alegremente.
determinado. Essa posição de determinante do sujeito em Expresso - está explícito, enunciado: Eu trabalharei
relação ao predicado adquire sentido com o fato de ser amanhã.
possível, na língua portuguesa, uma sentença sem sujeito, mas Oculto (ou elíptico) - está implícito, não está expresso,
nunca uma sentença sem predicado. Exemplos: funciona como algo que não está claro, porém, no texto está o
significado dele: Trabalharei amanhã. (se deduz “eu” a partir
As formigas invadiram minha casa. da desinência do verbo).
as formigas: sujeito = termo determinante. Agente - ação expressa pelo verbo da voz ativa: O garoto
invadiram minha casa: predicado = termo determinado. chutou a bola.
Paciente - recebe os efeitos da ação expressa pelo verbo
Há formigas na minha casa. passivo: A bola é chutada pelo menino. Construíram-se
há formigas na minha casa: predicado = termo açudes. (= Açudes foram construídos.)
determinado. Agente e Paciente - quando o sujeito realiza a ação
sujeito: inexistente. expressa por um verbo reflexivo e ele mesmo sofre ou recebe
os efeitos dessa ação: O operário feriu-se durante o trabalho;
O sujeito sempre se manifesta em termos de sintagma Regina trancou-se no quarto.
nominal, isto é, seu núcleo é sempre um nome. Quando esse Indeterminado - quando não se indica o agente da ação
nome se refere a objetos da primeira e segunda pessoa, o verbal: Atropelaram uma senhora na esquina. (Quem
sujeito é representado por um pronome pessoal do caso reto atropelou a senhora? Não se diz, não se sabe quem a
(eu, tu, ele, etc.). atropelou.); Come-se bem naquele restaurante (quem come).13
Se o sujeito se refere a um objeto da terceira pessoa, sua
representação pode ser feita através de um substantivo, de um Observações:
pronome substantivo ou de qualquer conjunto de palavras, - Não confunda sujeito indeterminado com sujeito oculto.
cujo núcleo funcione, na sentença, como um substantivo. - Sujeito formado por pronome indefinido não é
Exemplos: indeterminado, mas expresso: Ninguém lhe telefonou.
- Assinala-se a indeterminação do sujeito usando-se o
Eu acompanho você até o guichê. verbo na 3ª pessoa do plural, sem referência a qualquer agente
eu: sujeito = pronome pessoal de primeira pessoa. já expresso nas orações anteriores: Na rua olhavam-no com
admiração. “De qualquer modo, foi uma judiação matarem a
Vocês disseram alguma coisa? moça”.
vocês: sujeito = pronome pessoal de segunda pessoa (tu) - Assinala-se a indeterminação do sujeito com um verbo
ativo na 3ª pessoa do singular, acompanhado do pronome se.
Marcos tem um fã-clube no seu bairro. O pronome se, neste caso, é índice de indeterminação do
Marcos: sujeito = substantivo próprio. sujeito. Pode ser omitido junto de infinitivos. Exemplos:
Aqui paga-se bem.
Ninguém entra na sala agora. Devagar se vai ao longe.
ninguém: sujeito = pronome substantivo. Quando se é jovem, a vida é vigorosa.
O andar deve ser uma atividade diária. - O verbo no infinitivo impessoal, ocorre a indeterminação
o andar: sujeito = núcleo: verbo substantivado nessa do sujeito. Exemplo: É legal assistir a estes filmes clássicos.
oração.
Normalmente, o sujeito antecede o predicado; todavia, a
Além dessas formas, o sujeito também pode se constituir posposição do sujeito ao verbo é fato corriqueiro em nossa
de uma oração inteira. Nesse caso, a oração recebe o nome de língua. Exemplo: Da casa próxima apareceu aquela moça. / É
oração substantiva subjetiva: difícil esta situação.
É difícil optar por esse ou aquele doce... Sem Sujeito - são enunciados através do predicado, o
É difícil: oração principal. verbo não é atribuído a nenhum sujeito. Construídas com
optar por esse ou aquele doce: oração substantiva verbos impessoais na 3ª pessoa do singular: Havia gatos na
subjetiva. sala. / Choveu durante a festa.
O sujeito é constituído por um substantivo ou pronome, ou São verbos impessoais: Haver (nos sentidos de existir,
por uma palavra ou expressão substantivada. Exemplos: acontecer, realizar-se, decorrer).
Fazer, passar, ser e estar, com referência ao tempo.
O sino era grande. Chover, ventar, nevar, gear, relampejar, amanhecer,
Ela tem uma educação fina. anoitecer e outros que exprimem fenômenos meteorológicos.
Vossa Excelência agiu com imparcialidade.
Predicado - é a soma de todos os termos da oração, exceto
O núcleo (isto é, a palavra base) do sujeito é, pois, um o sujeito e o vocativo. É tudo o que se declara na oração
substantivo ou pronome. Em torno do núcleo podem aparecer referindo-se ao sujeito (quando há sujeito). Sempre apresenta
palavras secundárias (artigos, adjetivos, locuções adjetivas, um verbo.14 Exemplo:
13 CEGALLA, Paschoal. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004. 14 PESTANA, Fernando. Gramática para concursos. Elsevier.2011.
Língua Portuguesa 42
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APOSTILAS OPÇÃO
Victor conhece os amigos do rei. Outros verbos, que tem predicação incompleta (sentido
sujeito: Victor = termo determinante. incompleto) conhecido como transitivos (precisam de
predicado: conhece os amigos do rei = termo determinado. complemento) Exemplos: Paulo comprou cinco pães. / A casa
pertence ao Júlio.
No predicado o núcleo pode ser de dois tipos: um nome,
quase sempre um atributo que se refere ao sujeito da oração, Observe que, sem os seus complementos, os verbos
ou um verbo (ou locução verbal). “comprou” e “pertence” não transmitiriam informações
Predicado nominal - (seu núcleo significativo é um nome, completas, pois ainda fica a dúvida: Comprou o quê? Pertence
substantivo, adjetivo, pronome, ligado ao sujeito por um verbo a quem?
de ligação).
Predicado verbal - (seu núcleo é um verbo, seguido, ou Os verbos de predicação completa denominam-se de
não, de complemento(s) ou termos acessórios). Quando, num intransitivos e os de predicação incompleta de transitivos.
mesmo segmento o nome e o verbo são de igual importância, Os verbos transitivos subdividem-se em: transitivos
ambos constituem o núcleo do predicado e resultam no tipo de diretos, transitivos indiretos e transitivos diretos e
predicado verbo-nominal (tem dois núcleos significativos: indiretos (bitransitivos).
um verbo e um nome). Exemplos:
Além dos verbos transitivos e intransitivos, que encerram
Victor era jogador. uma noção definida ou conteúdo significativo, ainda existem
predicado: era jogador. os de ligação, verbos que entram na formação do predicado
núcleo do predicado: jogador = atributo do sujeito. nominal, relacionando o predicativo com o sujeito.
tipo de predicado: nominal.
Quanto à predicação classificam-se, pois os verbos em:
A prefeitura comprou várias coisas na licitação. Intransitivos: são os que não precisam de complemento,
predicado: comprou várias coisas na licitação. pois têm sentido completo. Exemplo: “Três contos bastavam,
núcleo do predicado: comprou = nova informação sobre o insistiu ele.” (Machado de Assis)
sujeito
tipo de predicado: verbal Observações: Os verbos intransitivos podem vir
acompanhados de um adjunto adverbial e mesmo de um
Os meninos jogavam bola contentes. predicativo (qualidade, características). Exemplos:
predicado: jogavam bola contentes.
núcleos do predicado: jogavam = nova informação sobre o Fui cedo; Passeamos pela cidade; Cheguei atrasado;
sujeito; contentes = atributo do sujeito. Entrei em casa aborrecido.
tipo de predicado: verbo-nominal.
As orações formadas com verbos intransitivos não podem
Nos predicados verbais e verbo-nominais o verbo é “transitar” (= passar) para a voz passiva. 15
responsável também por definir os tipos de elementos que Verbos intransitivos passam, ocasionalmente, a transitivos
aparecerão no segmento. Em alguns casos o verbo sozinho quando construídos com o objeto direto ou indireto. Exemplo:
basta para compor o predicado (verbo intransitivo).
Em outros casos é necessário um complemento que, “Inutilmente a minha alma o chora!” (Cabral do
juntamente com o verbo, constituem a nova informação sobre Nascimento)
o sujeito. De qualquer forma, esses complementos do verbo “Depois me deitei e dormi um sono pesado.” (Luís
não interferem na tipologia do predicado. Jardim)
Entretanto, é muito comum a elipse (ou omissão) do verbo, “Morrerás morte vil da mão de um forte.” (Gonçalves
quando este puder ser facilmente subentendido, em geral por Dias)
estar expresso ou implícito na oração anterior. Exemplos: “Inútil tentativa de viajar o passado, penetrar no mundo
que já morreu...” (Ciro dos Anjos)
“A fraqueza de Pilatos é enorme, a ferocidade dos algozes
inexcedível.” (Machado de Assis) (Está subentendido o verbo Alguns verbos essencialmente intransitivos: anoitecer,
é depois de algozes) crescer, brilhar, ir, agir, sair, nascer, latir, rir, tremer, brincar,
“Mas o sal está no Norte, o peixe, no Sul” (Paulo Moreira da chegar, vir, mentir, suar, adoecer, etc.
Silva) (Subentende-se o verbo está depois de peixe)
Transitivos Diretos: pedem um objeto direto, ou seja,
Predicativo do sujeito - é o nome dado ao núcleo do sempre um complemento sem preposição. Alguns verbos
predicado nominal, é atribuído uma qualidade ou deste grupo: julgar, chamar, nomear, eleger, proclamar,
característica ao sujeito. Os verbos de ligação (ser, estar, designar, considerar, declarar, adotar, ter, fazer, etc. Exemplos:
parecer, etc.) são a ligação entre o sujeito e o predicado. Comprei um terreno e construí a casa.
Exemplo: A atriz é talentosa. “Trabalho honesto produz riqueza honrada.” (Marquês de
Sujeito – A atriz Maricá)
Verbo de ligação - é
Predicativo - talentosa Dentre os verbos transitivos diretos merecem destaque os
que formam o predicado verbo nominal e se constrói com o
Predicação verbal - tem como núcleo um verbo que complemento acompanhado de predicativo. Exemplos:
transmite ideia de ação, pode ser uma locução verbal (dois Consideramos a situação difícil.
verbos). Alguns verbos, por natureza, têm sentido completo, Fernando trazia os documentos.
podendo, por si mesmos, constituir o predicado: são os verbos Em geral, os verbos transitivos diretos são usados na voz
de predicação completa denominados intransitivos. passiva.
Exemplos: A planta nasceu. / Os meninos correm. Podem receber como objeto direto, os pronomes o, a, os,
as: convido-o, encontro-os, incomodo-a, conheço-as.
Língua Portuguesa 43
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APOSTILAS OPÇÃO
Podem ser construídos acidentalmente com preposição, a Muitos desses verbos passam à categoria dos intransitivos
qual lhes acrescenta novo sentido: arrancar da espada; puxar em frases como por exemplo: Era = existia) uma vez uma
da faca; pegar de uma ferramenta; tomar do lápis; cumprir princesa.;
com o dever; Eu não estava em casa. / Fiquei à sombra. / Anda com
Alguns verbos transitivos diretos: abençoar, achar, colher, dificuldades. / Parece que vai chover.16
avisar, abraçar, comprar, castigar, contrariar, convidar,
desculpar, dizer, estimar, elogiar, entristecer, encontrar, ferir, Os verbos, relativamente à predicação, não fixos. Variam
imitar, levar, perseguir, prejudicar, receber, saldar, socorrer, conforme apresentado na frase, a sua regência e sentido
ter, unir, ver, etc. podem pertencer a outro grupo. Exemplos:
O homem anda. (intransitivo)
Transitivos Indiretos: são os que reclamam um O homem anda triste. (de ligação)
complemento regido de preposição, chamado objeto indireto.
Exemplos: O cego não vê. (intransitivo)
“Ninguém perdoa ao quarentão que se apaixona por uma O cego não vê o obstáculo. (transitivo direto)
adolescente.” (Ciro dos Anjos)
“Populares assistiam à cena aparentemente apáticos e Predicativo: expressa estado, qualidade ou condição do
neutros.” (Érico Veríssimo) ser ao qual se refere, ou seja, é um atributo. Dois predicativos
são apontados.
Observações: Entre os verbos transitivos indiretos
importa distinguir os que se constroem com os pronomes Predicativo do Sujeito: exprime um atributo, estado ou
objetivos lhe, lhes. Em geral são verbos que exigem a modo de ser do sujeito, aparece como verbo de ligação, no
preposição a: agradar-lhe, agradeço-lhe, apraz-lhe, bate-lhe, predicado nominal. Exemplos:
desagrada-lhe, desobedecem-lhe, etc. O aluno é estudioso e exemplar.
Entre os verbos transitivos indiretos importa distinguir os A casa era toda feita de pedras raras.
que não admitem para objeto indireto as formas oblíquas lhe,
lhes, construindo-se com os pronomes retos precedidos de Outro tipo de predicativo, aparece no predicado verbo-
preposição: aludir a ele, anuir a ele, assistir a ela, atentar nele, nominal. Exemplos:
depender dele, investir contra ele, não ligar para ele, etc. José chegou cansado.
Os meninos chegaram cansados.
Em princípio, verbos transitivos indiretos não comportam
a forma passiva. Excetuam-se pagar, perdoar, obedecer, e O predicativo subjetivo pode estar preposicionado; E pode
pouco mais, usados também como transitivos diretos. o predicativo ser antes do sujeito e do verbo. Exemplo:
Exemplos: São horríveis essas coisas!
João paga (perdoa, obedece) o médico. Que linda estava Amélia!
O médico é pago (perdoado, obedecido) por João. Completamente feliz ninguém é.
Há verbos transitivos indiretos, como atirar, investir, Predicativo do Objeto: é o termo que se refere ao objeto
contentar-se, etc., que admitem mais de uma preposição, sem de um verbo transitivo. Exemplos:
mudança de sentido. Outros mudam de sentido com a troca da As paixões tornam os homens felizes.
preposição. Exemplos: Nós julgamos o fato estranho.
Trate de sua vida. (tratar=cuidar).
É desagradável tratar com gente grosseira. (tratar=lidar). Observações: O predicativo objetivo, pode estar regido de
preposição. É facultativo, as vezes. E o predicativo objetivo em
Verbos como aspirar, assistir, dispor, servir, etc., variam de geral se refere ao objeto direto. Em casos especiais, pode
significação conforme sejam usados como transitivos diretos referir-se ao objeto indireto do verbo chamar. Exemplo:
ou indiretos. Chamavam-lhe poeta.
Podemos também antepor o predicativo a seu objeto como
Transitivos Diretos e Indiretos: utilizam com dois por exemplo: O advogado considerava indiscutíveis os
objetos: um direto, outro indireto, ao mesmo tempo. direitos da herdeira. / Julgo inoportuna essa viagem. / “E até
Exemplos: embriagado o vi muitas vezes.” / “Tinha estendida a seus pés
A jornalista fornece informações para os concorrentes. uma planta rústica da cidade.” / “Sentia ainda muito abertos
Oferecemos rosas a nossa amiga. os ferimentos que aquele choque com o mundo me causara.”
Ceda o carro para sua mãe.
Termos Integrantes da Oração
De Ligação: ligam ao sujeito o predicativo, uma palavra. Complementam o sentido de certos verbos e nomes para
Esses verbos, formam o predicado nominal. Exemplos: que a oração fique completa, são chamados de:
A casa é feia.
A carroça está torta. - Complemento Verbais (Objeto Direto e Objeto Indireto);
A menina anda (=está) alegre. - Complemento Nominal;
A vizinha parecia uma mulher virtuosa. - Agente da Passiva.
Observações: os verbos de ligação não servem apenas de Objeto Direto: complementa o sentido de um verbo
anexo, mas exprimem ainda os diversos aspectos sob os quais transitivo direto, não regido por preposição. Dica: faça as
se considera a qualidade atribuída ao sujeito. O verbo ser, por perguntas “o quê?” ou “quem?”. Exemplos:
exemplo, traduz aspecto permanente e o verbo estar, aspecto O menino matou o passarinho. (o menino matou quem ?)
transitório. Exemplos: Geraldo ama Andressa. (Geraldo ama o quê?)
Ele é doente. (aspecto permanente)
Ele está doente. (aspecto transitório).
16
CEGALLA, Paschoal. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004.
Língua Portuguesa 44
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APOSTILAS OPÇÃO
O objeto indireto é sempre regido de preposição, expressa sujeito indeterminado e o verbo na 3ª pessoa do plural: Ele foi
ou implícita. A preposição está implícita nos pronomes expulso da cidade. (Expulsaram-no da cidade.); As florestas
objetivos indiretos (átonos) me, te, se, lhe, nos, vos, lhes. são devastadas. (Devastam as florestas.); Na passiva
Exemplos: Obedece-me. (=Obedece a mim.); Isto te pertence. pronominal não se declara o agente: Nas ruas assobiavam-se
(=Isto pertence a ti.); Rogo-lhe que fique. (=Rogo a você...); as canções dele pelos pedestres. (errado); Nas ruas eram
Peço-vos isto. (=Peço isto a vós.). Nos demais casos a assobiadas as canções dele pelos pedestres. (certo);
preposição é expressa, como característica do objeto indireto: Assobiavam-se as canções dele nas ruas. (certo)
Recorro a Deus; Dê isto a (ou para) ele.; Contenta-se com
pouco.; Ele só pensa em si.; Esperei por ti.; Falou contra nós.; Termos Acessórios da Oração
Conto com você.; Não preciso disto.; O filme a que assisti São os que desempenham na oração uma função
agradou ao público.; Assisti ao desenrolar da luta.; A coisa de secundária, qual seja a de caracterizar um ser, determinar os
que mais gosto é pescar.; A pessoa a quem me refiro você a substantivos, exprimir alguma circunstância. São três os
conhece.; Os obstáculos contra os quais luto são muitos.; As termos acessórios da oração: adjunto adnominal, adjunto
pessoas com quem conto são poucas. adverbial e aposto.
Como atestam os exemplos acima, o objeto indireto é Adjunto adnominal: é o termo (expressão) que se junta a
representado pelos substantivos (ou expressões substantivas) um nome para melhor função especificar, detalhar ou
ou pelos pronomes. As preposições que o ligam ao verbo são: caracterizar o sentido desse nome (substantivos).19 Exemplo:
a, com, contra, de, em, para e por. Meu irmão veste roupas vistosas. (Meu determina o
substantivo irmão: é um adjunto adnominal – vistosas
Objeto Indireto Pleonástico: sempre representado por caracteriza o substantivo roupas: é também adjunto
um pronome oblíquo átono para dar ênfase a um objeto adnominal).
indireto que já tem na frase. Exemplos: O adjunto adnominal pode ser expresso: Pelos adjetivos:
A mim o que me deu foi pena.”; “Que me importa a mim o água fresca, animal feroz; Pelos artigos: o mundo, as ruas;
destino de uma mulher tísica...? “E, aos brigões, incapazes de Pelos pronomes adjetivos: nosso tio, este lugar, pouco sal,
se moverem, basta-lhes xingarem-se a distância.” muitas rãs ,país cuja história conheço, que rua? Pelos
numerais: dois pés ,quinto ano; Pelas locuções ou expressões
Complemento Nominal: completa o sentido de um (nome) adjetivas que exprimem qualidade, posse, origem, fim ou outra
substantivo, de um adjetivo e um advérbio, sempre regido por especificação:
preposição. Exemplos: A defesa da pátria; “O ódio ao mal é - presente de rei (=régio): qualidade
amor do bem, e a ira contra o mal, entusiasmo divino.”; “Ah, - livro do mestre, as mãos dele: posse, pertença
não fosse ele surdo à minha voz!” - água da fonte, filho de fazendeiros: origem
- fio de aço, casa de madeira: matéria
Observações: O complemento nominal representa o - casa de ensino, aulas de inglês: fim, especialidade
recebedor, o paciente, o alvo da declaração expressa por um
nome: amor a Deus, a condenação da violência, o medo de Observações: Não confundir o adjunto adnominal
assaltos, a remessa de cartas, útil ao homem, compositor de formado por locução adjetiva com complemento nominal. Este
músicas, etc. É regido pelas mesmas preposições usadas no representa o alvo da ação expressa por um nome transitivo: a
objeto indireto. Difere deste apenas porque, em vez de eleição do presidente, aviso de perigo, declaração de guerra,
complementar verbos, complementa nomes (substantivos, empréstimo de dinheiro, plantio de árvores, colheita de
adjetivos) e alguns advérbios em –mente. Os nomes que trigo, destruidor de matas, descoberta de petróleo, amor ao
requerem complemento nominal correspondem, geralmente, próximo, etc. O adjunto adnominal formado por locução
a verbos de mesmo radical: amor ao próximo, amar o adjetiva representa o agente da ação, ou a origem, pertença,
próximo ;perdão das injúrias, perdoar as injúrias; obediente qualidade de alguém ou de alguma coisa: o discurso do
aos pais, obedecer aos pais; regresso à pátria, regressar à presidente, aviso de amigo, declaração do ministro,
pátria; etc.18 empréstimo do banco, a casa do fazendeiro, folhas de
árvores, farinha de trigo, beleza das matas, cheiro de
Agente da Passiva: complementa um verbo na voz petróleo, amor de mãe.20
passiva. Sempre representa quem pratica a ação expressa pelo
verbo passivo. Vem regido na maioria das vezes pela Adjunto adverbial: termo que exprime uma circunstância
preposição por, e menos frequentemente pela preposição de: (de tempo, lugar, modo, etc.) ou, em outras palavras, que
O vencedor foi escolhido pelos jurados. modifica o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio.
O menino estava cercado pelo seu pai e mãe. Exemplo: “Meninas numa tarde brincavam de roda na
praça”. O adjunto adverbial é expresso: Pelos advérbios:
O agente da passiva pode ser expresso pelos substantivos Cheguei tarde; Maria é mais alta; Não durma na cabana; Ele
ou pelos pronomes: fala bem, fala corretamente; Talvez esteja enganado.; Pelas
O cão foi atropelado pelo carro. locuções ou expressões adverbiais: Compreendo sem
Este caderno foi rabiscado por mim. esforço.; Saí com meu pai.; Paulo reside em São Paulo.;
Escureceu de repente.
O agente da passiva corresponde ao sujeito da oração na
voz ativa: Observações: Pode ocorrer a elipse da preposição antes
A menina foi penteada pela mãe. (voz passiva) de adjuntos adverbiais de tempo e modo: Aquela noite, não
A mãe penteou a menina. (voz ativa) dormi. (=Naquela noite...); Domingo que vem não sairei. (=No
Ele será acompanhado por ti. (voz passiva) domingo...); Ouvidos atentos, aproximei-me da porta. (=De
ouvidos atentos...); Os adjuntos adverbiais classificam-se de
Observações: Frase de forma passiva analítica sem acordo com as circunstâncias que exprimem: adjunto
complemento agente expresso, ao passar para a ativa, terá adverbial de lugar, modo, tempo, intensidade, causa,
18 CEGALLA, Paschoal. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004. 20 CEGALLA, Paschoal. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004.
19 AMARAL, Emília. Novas Palavras. Editora FTD.2016.
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APOSTILAS OPÇÃO
companhia, meio, assunto, negação, etc. É importante saber “A ordem, meus amigos, é a base do governo.” (Machado
distinguir adjunto adverbial de adjunto adnominal, de objeto de Assis)
indireto e de complemento nominal: sair do mar (ad. adv.); “Correi, correi, ó lágrimas saudosas!” (Fagundes Varela)
água do mar (adj. adn.); gosta do mar (obj. indir.); ter medo
do mar (compl. nom.). Observação: Profere-se o vocativo com entoação
exclamativa. Na escrita é separado por vírgula(s). No exemplo
Aposto: um termo ou expressão que associa a um nome inicial, os pontos interrogativo e exclamativo indicam um
anterior, e explica ou esclarece o sentido desse nome. chamado alto e prolongado. O vocativo se refere sempre à 2ª
Geralmente, separado dos outros termos da oração por dois pessoa do discurso, que pode ser uma pessoa, um animal, uma
pontos, travessão e vírgula. coisa real ou entidade abstrata personificada. Podemos
Exemplos: antepor-lhe uma interjeição de apelo (ó, olá, eh!):
Ontem, segunda-feira, passei o dia com dor de estômago.
“Nicanor, ascensorista, expôs-me seu caso de consciência.” “Tem compaixão de nós, ó Cristo!” (Alexandre Herculano)
(Carlos Drummond de Andrade) “Ó Dr. Nogueira, mande-me cá o Padilha, amanhã!”
(Graciliano Ramos)
O núcleo do aposto pode ser expresso por um substantivo “Esconde-te, ó sol de maio ,ó alegria do mundo!” (Camilo
ou por um pronome substantivo. Exemplo: Castelo Branco)
Os responsáveis pelo projeto, tu e a arquiteta, não podem O vocativo é um tempo à parte. Não pertence à estrutura
se ausentar. da oração, por isso não se anexa ao sujeito nem ao predicado.21
O aposto não pode ser formado por adjetivos. Nas frases Questões
seguintes, por exemplo, não há aposto, mas predicativo do
sujeito. Ex. 01. (MPE/SC - Promotor de Justiça - Instituto
Audaciosos, os dois surfistas atiraram-se às ondas. Consulplan/2019)
As borboletas, leves e graciosas, esvoaçavam num balé de
cores. Excerto 2
Os apostos, em geral, têm pausas, indicadas, na escrita, por “[...] Depois da aula, Hassan e eu passávamos a mão em um
vírgulas, dois pontos ou travessões. Não havendo pausa, não livro e corríamos para uma colina arredondada que ficava bem
haverá vírgula, como nestes exemplos: ao norte da propriedade de meu pai em Wazir Akbar Khan.
O romance Tróia; o rio Amazonas; a Rua Osvaldo Cruz; o Havia ali um velho cemitério abandonado, com várias fileiras
Colégio Tiradentes, etc. de lápides com as inscrições apagadas e muito mato
“Onde estariam os descendentes de Amaro vaqueiro?” impedindo a passagem pelas aleias. Anos e anos de chuva e
(Graciliano Ramos) neve tinham enferrujado o portão de grade e deixado a mureta
de pedras claras em ruínas. Perto da entrada do cemitério
O aposto pode preceder o termo a que se refere, o qual, às havia um pé de romã. Em um dia de verão, usei uma das facas
vezes, está elíptico. Exemplos: de cozinha de Ali para gravar nossos nomes naquela árvore:
Rapaz impulsivo, Mário não se conteve. “Amir e Hassan, sultões de Cabul.” Essas palavras serviram
Mensageira da ideia, a palavra é a mais bela expressão da para oficializar o fato: a árvore era nossa. Depois da aula,
alma humana. Hassan e eu trepávamos em seus galhos e apanhávamos as
romãs encarnadas. Depois de comer as frutas e limpar as mãos
O aposto, às vezes, refere-se a toda uma oração. Exemplos: na grama, eu lia para Hassan. [...]”
Nuvens escuras borravam os espaços silenciosos, sinal de HOSSEINI, Khaled. O caçador de pipas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003.
p. 34. [fragmento]
tempestade iminente.
O espaço é incomensurável, fato que me deixa atônito.
No início do excerto 2, há duas orações coordenadas cujo
sujeito é o mesmo: nós.
Um aposto refere a outro aposto, às vezes:
Certo ( ) Errado ( )
“Serafim Gonçalves casou-se com Lígia Tavares, filha do
velho coronel Tavares, senhor de engenho.” (Ledo Ivo)
02. (Prefeitura de Teresina/PI - Professor de Educação
Básica - NUCEPE/2019)
O aposto pode vir antecedido das expressões explicativas,
ou da preposição acidental como:
Língua Portuguesa 47
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(D) objeto indireto, completa do sentido do verbo com o O período de uma oração pode ser: simples quando só traz
auxílio da preposição. uma oração, também conhecida como oração absoluta; ou
(E) sujeito, pratica a ação de “transmitir” expressa na composto quando traz mais de uma oração. Exemplo:
oração de ordem inversa. Pegou fogo no prédio. (Período simples, oração absoluta.)
Quero que você aprenda. (Período composto.)
03. (Prefeitura de Avelinópolis/GO - Psicólogo -
Itame/2019) Em: Precisa-se de técnicos em informática. O Existe uma maneira prática de saber quantas orações há
sujeito: num período, e para isso basta contar os verbos ou locuções
(A) está elíptico no contexto. verbais. Num período haverá tantas orações quantos forem os
(B) está na voz passiva sintética. verbos ou as locuções verbais neles existentes. Exemplos:
(C) trata-se de uma oração sem sujeito.
(D) é indeterminado no contexto da frase. Pegou fogo no prédio. (um verbo, uma oração)
Quero que você aprenda. (dois verbos, duas orações)
04. (Prefeitura de Pacujá/CE - Fiscal de Tributos - Está pegando fogo no prédio. (uma locução verbal, uma
CETREDE/2019) oração)
Deves estudar para poderes vencer na vida. (duas
Estátua Falsa locuções verbais, duas orações)
Só de oiro falso meus olhos se douram; Há três tipos de período composto: por coordenação, por
Sou esfinge sem mistério no poente. subordinação e por coordenação e subordinação ao mesmo
A tristeza das coisas que não foram tempo (também chamada de período misto).
Na minha alma desceu veladamente.
Período Composto por Coordenação – Orações
Na minha dor quebram-se espadas de ânsia, Coordenadas
Gomos de luz em treva se misturam.
As sombras que eu dimano não perduram, Considere, por exemplo, este período composto:
Como ontem para mim, hoje é distância. Passeamos pela praia, / brincamos, / recordamos os
tempos de infância.
Já não estremeço em face de segredo; 1ª oração: Passeamos pela praia
Nada me aloira, nada me aterra 2ª oração: brincamos
A vida corre sobre mim em guerra, 3ª oração: recordamos os tempos de infância
E nem sequer um arrepio de medo! As três orações que compõem esse período têm sentido
próprio e não mantêm entre si nenhuma dependência
Sou estrela ébria que perdeu os céus, sintática: elas são independentes. Há entre elas, é claro, uma
Sereia louca que deixa o mar; relação de sentido, mas, como já dissemos, uma não depende
Sou templo prestes a ruir sem deus, da outra sintaticamente.
Estátua falsa ainda erguida no ar... As orações independentes de um período são chamadas de
Mário de Sá Carneiro. orações coordenadas (OC), e o período formado só de
orações coordenadas é chamado de período composto por
O sujeito de “desceu”, v. 4, é: coordenação.
(A) oiro.
(B) esfinge. As orações coordenadas são classificadas em assindéticas
(C) tristeza. e sindéticas.
(D) alma. - As orações coordenadas são assindéticas (OCA) quando
(E) poente. não vêm introduzidas por conjunção. Exemplo:
Os torcedores gritaram, / sofreram, / vibraram.
05. (Prefeitura de Porto Calvo/AL - Assistente OCA OCA OCA
Administrativo - COPEVE-UFAL/2019)
Para ser franco, declaro que esses infelizes não me “Inclinei-me, apanhei o embrulho e segui.” (Machado de
inspiram simpatia. Lastimo a situação em que se acham, Assis)
reconheço ter contribuído para isso, mas não vou além. “A noite avança, há uma paz profunda na casa deserta.”
RAMOS, Graciliano. São Bernardo. São Paulo: M. Fontes, 1970. p. 241.
(Antônio Olavo Pereira)
“O ferro mata apenas; o ouro infama, avilta, desonra.”
Considerando aspectos sintáticos, a oração destacada no
(Coelho Neto)
texto é
(A) complemento nominal.
- As orações coordenadas são sindéticas (OCS) quando
(B) complemento verbal.
vêm introduzidas por conjunção coordenativa. Exemplo:
(C) predicativo.
O homem saiu do carro / e entrou na casa.
(D) sujeito.
OCA OCS
(E) aposto.
As orações coordenadas sindéticas são classificadas de
Gabarito
acordo com o sentido expresso pelas conjunções
coordenativas que as introduzem. E podem ser:
01. Errado / 02. B / 03. D / 04. C / 05. B
- Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não
Período
só... mas também, não só... mas ainda.
Saí da escola / e fui à lanchonete.
Toda frase com uma ou mais orações constitui um período,
OCA OCS Aditiva
que se encerra com ponto de exclamação, interrogação ou
reticências.
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APOSTILAS OPÇÃO
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma 02. Em: “... ouviam-se amplos bocejos, fortes como o
conjunção que expressa ideia de acréscimo ou adição com marulhar das ondas...” a partícula como expressa uma ideia de:
referência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção (A) causa
coordenativa aditiva. (B) explicação
(C) conclusão
O menino comprou pães e um leite. (D) proporção
As crianças não gritavam e nem choravam. (E) comparação
Os celulares não somente instruem mas também
divertem. 03. “Entrando na faculdade, procurarei emprego”, oração
sublinhada pode indicar uma ideia de:
- Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, (A) concessão
porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto. (B) oposição
(C) condição
Estudei bastante / mas não passei no teste. (D) lugar
OCA OCS Adversativa (E) consequência
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma 04. Assinale a sequência de conjunções que estabelecem,
conjunção que expressa ideia de oposição à oração anterior, ou entre as orações de cada item, uma correta relação de sentido.
seja, por uma conjunção coordenativa adversativa. 1. Correu demais, ... caiu.
2. Dormiu mal, ... os sonhos não o deixaram em paz.
O aluno é estudioso, porém, suas notas são baixas. 3. A matéria perece, ... a alma é imortal.
“É dura a vida, mas aceitam-na.” (Cecília Meireles) 4. Leu o livro, ... é capaz de descrever as personagens com
detalhes.
- Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, 5. Guarde seus pertences, ... podem servir mais tarde.
por isso, pois, logo.
(A) porque, todavia, portanto, logo, entretanto
Ele me ajudou muito, / portanto merece minha gratidão. (B) por isso, porque, mas, portanto, que
OCA OCS Conclusiva (C) logo, porém, pois, porque, mas
(D) porém, pois, logo, todavia, porque
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma (E) entretanto, que, porque, pois, portanto
conjunção que expressa ideia de conclusão de um fato
enunciado na oração anterior, ou seja, por uma conjunção 05. Reúna as três orações em um período composto por
coordenativa conclusiva. coordenação, usando conjunções adequadas.
Seja mais educado / ou retire-se da reunião! 01. Ouviu-se o som da bateria e os primeiros foliões
OCA OCS Alternativa surgiram.
Não durma sem cobertor, pois a noite está fria.
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma Quero desculpar-me, mas consigo encontrá-los.
conjunção que estabelece uma relação de alternância ou
escolha com referência à oração anterior, ou seja, por uma 02. E\03. C\04. B
conjunção coordenativa alternativa.
05. Os dias já eram quentes, mas a água do mar ainda
Cale-se agora ou nunca mais fale. estava fria, por isso as praias permaneciam desertas.
Ora colocava a luva, ora a retirava.
Período Composto por Subordinação
- Orações coordenadas sindéticas explicativas: que, Observe os termos destacados em cada uma destas
porque, pois, porquanto. orações:
Vamos andar depressa / que estamos atrasados. Vi uma cena triste. (adjunto adnominal)
OCA OCS Explicativa Todos querem sua participação. (objeto direto)
Observe que a 2ª oração é introduzida por uma conjunção Não pude sair por causa da chuva. (adjunto adverbial de
que expressa ideia de explicação, de justificativa em relação à causa)
oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa
explicativa. Veja, agora, como podemos transformar esses termos em
orações com a mesma função sintática:
Não comprei o carro, porque estava muito caro. Vi uma cena / que me entristeceu. (oração subordinada
Cumprimente-a, pois hoje é o seu aniversário. com função de adjunto adnominal)
Todos querem / que você participe. (oração subordinada
Questões com função de objeto direto)
Não pude sair / porque estava chovendo. (oração
01. Relacione as orações coordenadas por meio de subordinada com função de adjunto adverbial de causa)
conjunções:
(A) Ouviu-se o som da bateria. Os primeiros foliões Em todos esses períodos, a segunda oração exerce uma
surgiram. certa função sintática em relação à primeira, sendo, portanto,
(B) Não durma sem cobertor. A noite está fria. subordinada a ela. Quando um período é constituído de pelo
(C) Quero desculpar-me. Não consigo encontrá-los.
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APOSTILAS OPÇÃO
menos um conjunto de duas orações em que uma delas (a Formiga, quando quer se perder, cria asas.
subordinada) depende sintaticamente da outra (principal), ele “Lá pelas sete da noite, quando escurecia, as casas se
é classificado como período composto por subordinação. esvaziam.” (Carlos Povina Cavalcânti)
As orações subordinadas são classificadas de acordo com a “Quando os tiranos caem, os povos se levantam.”
função que exercem: adverbiais, substantivas e adjetivas. (Marquês de Maricá)
Enquanto foi rico, todos o procuravam.
Orações Subordinadas Adverbiais (OSA)
São aquelas que exercem a função de adjunto adverbial da - Finais: expressam a finalidade ou o objetivo do que foi
oração principal (OP). São classificadas de acordo com a enunciado na oração principal. Conjunções: para que, a fim de
conjunção subordinativa que as introduz: que, porque (=para que), que.
Abri a porta do salão / para que todos pudessem entrar.
- Causais: expressam a causa do fato enunciado na oração OP OSA Final
principal. Conjunções: porque, que, como (= porque), pois que,
visto que. “O futuro se nos oculta para que nós o imaginemos.”
Não fui à escola / porque fiquei doente. (Marquês de Maricá)
OP OSA Causal Aproximei-me dele a fim de que me ouvisse melhor.
“Fiz-lhe sinal que se calasse.” (Machado de Assis) (que =
O tambor soa porque é oco. para que)
Como não me atendessem, repreendi-os severamente. “Instara muito comigo não deixasse de frequentar as
Como ele estava armado, ninguém ousou reagir. recepções da mulher.” (Machado de Assis) (não deixasse =
“Faltou à reunião, visto que esteve doente.” (Arlindo de para que não deixasse)
Sousa)
- Consecutivas: expressam a consequência do que foi
- Condicionais: expressam hipóteses ou condição para a enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como
ocorrência do que foi enunciado na principal. Conjunções: se, (= porque), pois que, visto que.
contanto que, a menos que, a não ser que, desde que. A chuva foi tão forte / que inundou a cidade.
Irei à sua casa / se não chover. OP OSA Consecutiva
OP OSA Condicional
Fazia tanto frio que meus dedos estavam endurecidos.
Deus só nos perdoará se perdoarmos aos nossos “A fumaça era tanta que eu mal podia abrir os olhos.”
ofensores. (José J. Veiga)
Se o conhecesses, não o condenarias. De tal sorte a cidade crescera que não a reconhecia mais.
“Que diria o pai se soubesse disso?” (Carlos Drummond As notícias de casa eram boas, de maneira que pude
de Andrade) prolongar minha viagem.
A cápsula do satélite será recuperada, caso a experiência
tenha êxito. - Comparativas: expressam ideia de comparação com
referência à oração principal. Conjunções: como, assim como,
- Concessivas: expressam ideia ou fato contrário ao da tal como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado
oração principal, sem, no entanto, impedir sua realização. com menos ou mais).
Conjunções: embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais Ela é bonita / como a mãe.
que, mesmo que. OP OSA Comparativa
Ela saiu à noite / embora estivesse doente.
OP OSA Concessiva A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o
Admirava-o muito, embora (ou conquanto ou posto que ferro.” (Marquês de Maricá)
ou se bem que) não o conhecesse pessoalmente. Ela o atraía irresistivelmente, como o imã atrai o ferro.
Embora não possuísse informações seguras, ainda Os retirantes deixaram a cidade tão pobres como vieram.
assim arriscou uma opinião. Como a flor se abre ao Sol, assim minha alma se abriu à
Cumpriremos nosso dever, ainda que (ou mesmo luz daquele olhar.
quando ou ainda quando ou mesmo que) todos nos
critiquem. Obs.: As orações comparativas nem sempre apresentam
Por mais que gritasse, não me ouviram. claramente o verbo, como no exemplo acima, em que está
subentendido o verbo ser (como a mãe é).
- Conformativas: expressam a conformidade de um fato
com outro. Conjunções: conforme, como (=conforme), segundo. - Proporcionais: expressam uma ideia que se relaciona
O trabalho foi feito / conforme havíamos planejado. proporcionalmente ao que foi enunciado na principal.
OP OSA Conformativa Conjunções: à medida que, à proporção que, ao passo que,
quanto mais, quanto menos.
O homem age conforme pensa. Quanto mais reclamava / menos atenção recebia.
Relatei os fatos como (ou conforme) os ouvi. OSA Proporcional OP
Como diz o povo, tristezas não pagam dívidas.
O jornal, como sabemos, é um grande veículo de À medida que se vive, mais se aprende.
informação. À proporção que avançávamos, as casas iam rareando.
O valor do salário, ao passo que os preços sobem, vai
- Temporais: acrescentam uma circunstância de tempo ao diminuindo.
que foi expresso na oração principal. Conjunções: quando,
assim que, logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal Orações Subordinadas Substantivas
(=assim que). As orações subordinadas substantivas (OSS) são
Ele saiu da sala / assim que eu cheguei. aquelas que, num período, exercem funções sintáticas
OP OSA Temporal próprias de substantivos, geralmente são introduzidas pelas
conjunções integrantes que e se. Elas podem ser:
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APOSTILAS OPÇÃO
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: é Minha esperança era que ele desistisse.
aquela que exerce a função de objeto direto do verbo da oração Meu maior desejo agora é que me deixem em paz.
principal. Observe: O grupo quer a sua ajuda. (objeto direto) Não sou quem você pensa.
O grupo quer / que você ajude.
OP OSS Objetiva Direta - Oração Subordinada Substantiva Apositiva: É aquela
que exerce a função de aposto de um termo da oração
O mestre exigia que todos estivessem presentes. (= O principal. Observe: Ele tinha um sonho a união de todos em
mestre exigia a presença de todos.) benefício do país. (aposto)
Mariana esperou que o marido voltasse. Ele tinha um sonho / que todos se unissem em benefício
Ninguém pode dizer: Desta água não beberei. do país.
O fiscal verificou se tudo estava em ordem. OP OSS Apositiva
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: é Só desejo uma coisa: que vivam felizes. (Só desejo uma
aquela que exerce a função de objeto indireto do verbo da coisa: a sua felicidade)
oração principal. Observe: Necessito de sua ajuda. (objeto Só lhe peço isto: honre o nosso nome.
indireto) “Talvez o que eu houvesse sentido fosse o presságio disto:
Necessito / de que você me ajude. de que virias a morrer...” (Osmã Lins)
OP OSS Objetiva Indireta “Mas diga-me uma cousa, essa proposta traz algum
motivo oculto?” (Machado de Assis)
Não me oponho a que você viaje. (= Não me oponho à sua As orações apositivas vêm geralmente antecedidas de
viagem.) dois-pontos. Podem vir, também, entre vírgulas, intercaladas à
Aconselha-o a que trabalhe mais. oração principal. Exemplo: Seu desejo, que o filho
Daremos o prêmio a quem o merecer. recuperasse a saúde, tornou-se realidade.
Lembre-se de que a vida é breve.
Observação: Além das conjunções integrantes que e se, as
- Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: é aquela orações substantivas podem ser introduzidas por outros
que exerce a função de sujeito do verbo da oração principal. conectivos, tais como quando, como, quanto, etc. Exemplos:
Observe :É importante sua colaboração. (sujeito) Não sei quando ele chegou.
É importante / que você colabore. Diga-me como resolver esse problema.
OP OSS Subjetiva
Orações Subordinadas Adjetivas
A oração subjetiva geralmente vem: As orações subordinadas Adjetivas (OSA) exercem a
- Depois de um verbo de ligação + predicativo, em função de adjunto adnominal de algum termo da oração
construções do tipo é bom ,é útil ,é certo ,é conveniente, etc. principal. Observe como podemos transformar um adjunto
Ex.: É certo que ele voltará amanhã. adnominal em oração subordinada adjetiva:
- Depois de expressões na voz passiva, como sabe-se, conta- Desejamos uma paz duradoura. (adjunto adnominal)
se, diz-se, etc. Ex.: Sabe-se que ele saiu da cidade. Desejamos uma paz / que dure. (oração subordinada
- Depois de verbos como convir, cumprir, constar, urgir, adjetiva)
ocorrer, quando empregados na 3ª pessoa do singular e
seguidos das conjunções que ou se. Ex.: Convém que todos As orações subordinadas adjetivas são sempre
participem da reunião. introduzidas por um pronome relativo (que , qual, cujo, quem,
etc.) e podem ser classificadas em:
É necessário que você colabore. (= Sua colaboração é
necessária.) - Subordinadas Adjetivas Restritivas: são restritivas
Parece que a situação melhorou. quando restringem ou especificam o sentido da palavra a que
Aconteceu que não o encontrei em casa. se referem. Exemplo:
Importa que saibas isso bem. O público aplaudiu o cantor / que ganhou o 1º lugar.
OP OSA Restritiva
- Oração Subordinada Substantiva Completiva
Nominal: É aquela que exerce a função de complemento Nesse exemplo, a oração que ganhou o 1º lugar especifica
nominal de um termo da oração principal. Observe: Estou o sentido do substantivo cantor, indicando que o público não
convencido de sua inocência. (complemento nominal) aplaudiu qualquer cantor mas sim aquele que ganhou o 1º
Estou convencido / de que ele é inocente. lugar. Exemplo:
OP OSS Completiva Nominal
Pedra que rola não cria limo.
Sou favorável a que o prendam. (= Sou favorável à prisão Os animais que se alimentam de carne chamam-se
dele.) carnívoros.
Estava ansioso por que voltasses. Rubem Braga é um dos cronistas que mais belas páginas
Sê grato a quem te ensina. escreveram.
“Fabiano tinha a certeza de que não se acabaria tão “Há saudades que a gente nunca esquece.” (Olegário
cedo.” (Graciliano Ramos) Mariano)
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APOSTILAS OPÇÃO
Deus, que é nosso pai, nos salvará. Saindo depressa de casa: oração coordenada reduzida de
Valério, que nasceu rico, acabou na miséria. gerúndio.
Ele tem amor às plantas, que cultiva com carinho. Qual é a diferença entre as orações coordenadas
Alguém, que passe por ali à noite, poderá ser assaltado. explicativas e as orações subordinadas causais, já que ambas
Observação: As explicativas são isoladas por pausas, que podem ser iniciadas por que e porquê? Às vezes não é fácil
na escrita se indicam por vírgulas.22 estabelecer a diferença entre explicativas e causais, mas como
o próprio nome indica, as causais sempre trazem a causa de
Orações Reduzidas algo que se revela na oração principal, que traz o efeito.
Observe que as orações subordinadas eram sempre Note-se também que há pausa (vírgula, na escrita) entre a
introduzidas por uma conjunção ou pronome relativo e oração explicativa e a precedente e que esta é, muitas vezes,
apresentavam o verbo na forma do indicativo ou do imperativa, o que não acontece com a oração adverbial causal.
subjuntivo. Além desse tipo de orações subordinadas há Essa noção de causa e efeito não existe no período
outras que se apresentam com o verbo numa das formas composto por coordenação. Exemplo:
nominais (infinitivo, gerúndio e particípio). Exemplos: Rosa chorou porque levou uma surra. Está claro que a
oração iniciada pela conjunção é causal, visto que a surra foi
Ao entrar na escola, encontrei o professor de inglês. sem dúvida a causa do choro, que é efeito.
(infinitivo) Rosa chorou, porque seus olhos estão vermelhos. O
Precisando de ajuda, telefone-me. (gerúndio) período agora é composto por coordenação, pois a oração
Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário. iniciada pela conjunção traz a explicação daquilo que se
(particípio) revelou na coordena anterior. Não existe aí relação de causa e
efeito: o fato de os olhos de Elisa estarem vermelhos não é
As orações subordinadas que apresentam o verbo numa causa de ela ter chorado.
das formas nominais são chamadas de reduzidas.
Para classificar a oração que está sob a forma reduzida, Ela fala / como falaria / se entendesse do assunto.
devemos procurar desenvolvê-la do seguinte modo: OP OSA Comparativa OSA Condicional
colocamos a conjunção ou o pronome relativo adequado ao
sentido e passamos o verbo para uma forma do indicativo ou Questões
subjuntivo, conforme o caso. A oração reduzida terá a mesma
classificação da oração desenvolvida. 01. Na frase: “Maria do Carmo tinha a certeza de que
estava para ser mãe”, a oração destacada é:
Ao entrar na escola, encontrei o professor de inglês. (A) subordinada substantiva objetiva indireta
Quando entrei na escola, / encontrei o professor de (B) subordinada substantiva completiva nominal
inglês. (C) subordinada substantiva predicativa
OSA Temporal (D) coordenada sindética conclusiva
Ao entrar na escola: oração subordinada adverbial (E) coordenada sindética explicativa
temporal, reduzida de infinitivo.
02. “Na ‘Partida Monção’, não há uma atitude inventada. Há
Precisando de ajuda, telefone-me. reconstituição de uma cena como ela devia ter sido na
Se precisar de ajuda, / telefone-me. realidade.” A oração sublinhada é:
OSA Condicional (A) adverbial conformativa
Precisando de ajuda: oração subordinada adverbial (B) adjetiva
condicional, reduzida de gerúndio. (C) adverbial consecutiva
(D) adverbial proporcional
Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário. (E) adverbial causal
Assim que acabou o treino, / os jogadores foram para o
vestiário. 03. “Esses produtos podem ser encontrados nos
OSA Temporal supermercados com rótulos como ‘sênior’ e com
Acabado o treino: oração subordinada adverbial temporal, características adaptadas às dificuldades para mastigar e para
reduzida de particípio. engolir dos mais velhos, e preparados para se encaixar em seus
hábitos de consumo”. O segmento “para se encaixar” pode ter
Observações: sua forma verbal reduzida adequadamente desenvolvida em
- Há orações reduzidas que permitem mais de um tipo de (A) para se encaixarem.
desenvolvimento. Há casos também de orações reduzidas (B) para seu encaixotamento.
fixas, isto é, orações reduzidas que não são passíveis de (C) para que se encaixassem.
desenvolvimento. Exemplo: Tenho vontade de visitar essa (D) para que se encaixem.
cidade. (E) para que se encaixariam.
- O infinitivo, o gerúndio e o particípio não constituem
orações reduzidas quando fazem parte de uma locução verbal. 04. A palavra “se” é conjunção integrante (por introduzir
Exemplos: oração subordinada substantiva objetiva direta) em qual das
Preciso terminar este exercício. orações seguintes?
Ele está jantando na sala. (A) Ele se mordia de ciúmes pelo patrão.
Essa casa foi construída por meu pai. (B) A Federação arroga-se o direito de cancelar o jogo.
- Uma oração coordenada também pode vir sob a forma (C) O aluno fez-se passar por doutor.
reduzida. Exemplo: (D) Precisa-se de operários.
O homem fechou a porta, saindo depressa de casa. (E) Não sei se o vinho está bom.
O homem fechou a porta e saiu depressa de casa. (oração
coordenada sindética aditiva) 05. “Lembro-me de que ele só usava camisas brancas.” A
oração sublinhada é:
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APOSTILAS OPÇÃO
(A) subordinada substantiva completiva nominal - com gradação: Não compreendo o ciúme, a saudade, a
(B) subordinada substantiva objetiva indireta dor da despedida.
(C) subordinada substantiva predicativa
(D) subordinada substantiva subjetiva 5° Vocativos e Apostos
(E) subordinada substantiva objetiva direta - vocativos: Queridos ouvintes, nossa programação
passará por pequenas mudanças.
Respostas - apostos: É aqui, nesta querida escola, que nos
01.B \ 02.A \ 03.D \ 04.E \ 05.B encontramos.
6° Omissões de Termos
- elipse: A praça deserta, ninguém àquela hora na rua.
Pontuação (Omitiu-se o verbo “estava” após o vocábulo “ninguém”, ou
seja, ocorreu elipse do verbo estava)
- zeugma: Na classe, alguns alunos são interessados;
outros, (são) relapsos. (Supressão do verbo “são” antes do
vocábulo “relapsos”)
Para a elaboração de um texto escrito deve-se considerar o
uso adequado dos sinais de pontuação como: espaços,
7° Termos Repetidos. Ex.: Nada, nada há de me derrotar.
pontos, vírgula, ponto e vírgula, dois pontos, travessão,
parênteses, reticências, aspas etc.
8° Sequência de Adjuntos Adverbiais. Ex.: Saíram do
Tais sinais têm papéis variados no texto escrito e, se
museu, ontem, por voltas das 17h.
utilizados corretamente, facilitam a compreensão e
entendimento do texto.
Dois Pontos
Vírgula
Os dois-pontos marcam uma supressão de voz em frase
ainda não concluída. Em termos práticos, este sinal é usado
Algumas pessoas colocam vírgulas por causa de pausas
para:
feitas na fala.23 A vírgula, na escrita, não necessariamente é
uma pausa na fala, tampouco é usada para pausar quando se lê
- Antes de enumerações. Ex.: Compre três frutas hoje:
um trecho virgulado.
maçã, uva e laranja.
Assim, vale dizer que o importante é, primeiro, saber em
que situações gerais não se usa a vírgula.
- Iniciando citações. Ex.: “Segundo o folclórico Vicente
Mateus: ‘Quem está na chuva é para se queimar’”25.
Cuidado!
Em orações substantivas com função de sujeito iniciadas
- Antes de orações que explicam o enunciado anterior.
por quem, a vírgula entre tal oração e o verbo da principal é
Ex.: Não foi explicado o que deveríamos fazer: o que nos deixa
facultativa, segundo Luiz A. Sacconi: “Quem lê sabe mais.” ou
insatisfeitos.
“Quem lê, sabe mais”. Os demais gramáticos nada falam sobre
isso, logo deduzimos que não pode haver vírgula entre sujeito
- Depois de verbos que introduzem a fala. Ex.: “(...) e
e verbo.
disse: aqui não podemos ficar!”
Não se separa por vírgula:
Ponto e Vírgula
- sujeito de predicado;
- objeto de verbo;
O ponto e vírgula é usado para marcar uma pausa maior do
- adjunto adnominal de nome;
que a da vírgula. Seu objetivo é colaborar com a clareza do
- complemento nominal de nome;
texto. Exemplos:
- oração principal da subordinada substantiva (desde que
esta não seja apositiva nem apareça na ordem inversa).
Os dois rapazes estavam desesperados por dinheiro;
Ernesto não tinha dinheiro nem crédito. (pausa longa)
Aplicação da Vírgula
A vírgula marca uma breve pausa e é obrigatória nos
Sonhava em comprar todos os sapatos da loja; comprei,
seguintes casos:
porém, apenas um par. (separação da oração adversativa na
qual a conjunção - porém - aparece no meio da oração)
1° Inversão de Termos. Ex.: Ontem, à medida que eles
corrigiam as questões, eu me preocupava com o resultado da
Enumeração com explicitação - Comprei alguns livros:
prova.
de matemática, para estudar para o concurso; um romance,
para me distrair nas horas vagas; e um dicionário, para
2° Intercalações de Termos. Ex.: A distância, que tudo
enriquecer meu vocabulário.
apaga, há de me fazer esquecê-lo.
Enumeração com ponto e vírgula, mas sem vírgula,
3° Inspeção de Simples Juízo. Ex.: “Esse homem é
para marcar distribuição - Comprei os produtos no
suspeito”, dizia a vizinhança.
supermercado: farinha para um bolo; tomates para o molho; e
pão para o café da manhã.
4° Enumerações
- sem gradação: Coleciono livros, revistas, jornais,
discos.24
23 SCHOCAIR. Nelson M. Gramática do Português Instrumental. 2ª. ed Niteroi: 25 SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria
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APOSTILAS OPÇÃO
- Isolar datas. Ex.: Refiro-me aos soldados da Primeira - Delimitam transcrições ou citações textuais. Ex.:
Guerra Mundial (1914-1918). Segundo Rui Barbosa: “A política afina o espírito.”
- Isolar siglas. Ex.: A taxa de desemprego subiu para 5,3% - Isolam estrangeirismos. Ex.: Os restaurantes “fast food”
da população economicamente ativa (PEA)... têm reinado na cidade.
- Nos diálogos, para marcar a fala das personagens. Ex.: O ponto de interrogação marca uma entoação ascendente
As meninas gritaram: - Venham nos buscar! (elevação da voz) com tom questionador. Usa-se neste caso:
- No meio de sentenças, para dar ênfase em - Em perguntas diretas: Como você se chama?
informações. Ex.: O garçom - creio que já lhe falei - está muito - Às vezes, juntamente com o ponto de exclamação:
bem no novo serviço - é o que ouvi dizer. Quem ganhou na loteria? Você. Eu?!
O ponto de exclamação é empregado para marcar o fim de Constitui cada uma das secções de frases de um escritor;
qualquer frase com entonação exclamativa, indicando começa por letra maiúscula, um pouco além do ponto em que
altissonância, exaltação de espírito. começam as outras linhas.
- Após expressões ou frases de caráter emocional. Ex.: Empregado para chamar a atenção do leitor para alguma
Quantas pessoas! nota (observação).
Aspas Barra
As aspas são usadas comumente em citações, mas também Aplicada nas abreviações das datas e em algumas
há outras funções bem interessantes. Atualmente o negrito e o abreviaturas.
itálico vêm substituindo frequentemente o uso das aspas.
Resumindo, elas são empregadas:
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APOSTILAS OPÇÃO
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APOSTILAS OPÇÃO
06. (TCM/RJ - Técnico de Controle Externo - IBFC) fique truncada”). É bom que se diga que, com as duas vírgulas,
Assinale a alternativa cuja frase está corretamente pontuada. a expressão “às vezes” ganha ênfase, o que não ocorreria se não
(A) O bolo que estava sobre a mesa, sumiu. fossem empregadas as vírgulas.
(B) Ele, apressadamente se retirou, quando ouviu um O que não se pode fazer de jeito nenhum nesses casos é
barulho estranho. empregar a chamada “vírgula solteira”, que é aquela que perde
(C) Confessou-lhe tudo; ciúme, ódio, inveja. o par no meio do caminho. Tradução: ou se escreve “...mesmo
(D) Paulo pretende cursar Medicina; Márcia, Odontologia. que, às vezes, a frase fique truncada” ou se escreve “...mesmo
que às vezes a frase fique truncada”. [...]
07. (MPE/GO - Secretário Auxiliar – MPE/GO) O período (Pasquale Cipro Neto, publicado em:
<https://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2016/11/1831039-a-nao-
abaixo foi escrito por Machado de Assis em seu Conto de menos-nobre-virgula.shtml>
Escola. A alternativa que apresenta a pontuação de acordo com Acesso em 24/03/18. Adaptado)
a norma culta é:
(A) Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que o As aspas ao longo texto são usadas para:
Raimundo, não o tendo aprendido, recorria a um meio que lhe 1. Indicar a escrita de outra pessoa que não o autor do
pareceu útil: para escapar ao castigo do pai. texto.
(B) Compreende-se que o ponto da lição era difícil, e que o 2. Exemplificar o emprego incorreto da norma gramatical.
Raimundo, não o tendo aprendido, recorria a um meio que lhe 3. Marcar o uso de termos em sentido figurado.
pareceu útil para escapar ao castigo do pai. 4. Enfatizar a gravidade do problema de mau uso da
(C) Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que o vírgula.
Raimundo não o tendo aprendido, recorria a um meio que lhe 5. Indicar o uso metalinguístico (em que a língua aponta
pareceu útil: para escapar ao castigo do pai. para si mesma).
(D) Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que, o
Raimundo, não o tendo aprendido, recorria; a um meio que, lhe Estão corretos os itens:
pareceu útil, para escapar ao castigo do pai. (A) 1 e 3 apenas.
(E) Compreende-se que: o ponto da lição era difícil e que o (B) 1, 2 e 4 apenas.
Raimundo, não o tendo aprendido, recorria; a um meio que lhe (C) 1, 3 e 5 apenas.
pareceu útil: para escapar ao castigo do pai. (D) 2, 3, 4 e 5 apenas.
(E) 1, 2, 3, 4 e 5.
08. (UNEMAT - Técnico em Enfermagem -
UNEMAT/2018) 10. (SEGEP/MA - Analista Ambiental - Pedagogo - FCC)
Será que a internet está a matar a democracia? Vyacheslav W.
Polonski, um acadêmico da Universidade de Oxford, faz essa
pergunta na revista Newsweek. E oferece argumentos a
respeito que desaguam em águas tenebrosas.
A internet oferece palco político para os mais motivados (e
despreparados). Antigamente, o cidadão revoltado podia ter
as suas opiniões sobre os assuntos do mundo. Mas, tirando o
boteco, ou o bairro, ou até o jornal do bairro, essas opiniões
nasciam e morriam no anonimato.
https://oglobo.globo.com/cultura/megazine/contestador-armandinhoganha- Hoje, é possível arregimentar dezenas, ou centenas, ou
fama-no-facebook-8027174
milhares de "seguidores" que rapidamente espalham a
mensagem por dezenas, ou centenas, ou milhares de novos
Em Pai, o que é “machismo”? e em Não se mete, Fê!, a
"seguidores". Quanto mais radical a mensagem, maior será o
vírgula foi usada para
sucesso cibernauta.
(A) marcar anteposição do predicativo.
Mas a internet não é apenas um paraíso para os
(B) separar elementos de uma enumeração.
politicamente motivados (e despreparados). Ela tende a
(C) separar o pleonasmo.
radicalizar qualquer opinião sobre qualquer assunto.
(D) isolar o vocativo.
A ideia de que as redes sociais são uma espécie de "ágora
(E) isolar expressões explicativas.
moderna", onde existem discussões mais flexíveis e
pluralistas, não passa de uma fantasia. A internet não cria
09. (UFPR - Contador - 2018)
debate. Ela cria trincheiras entre exércitos inimigos.
(Adaptado de: COUTINHO, João Pereira. Disponível em:
A não menos nobre vírgula http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2016/08/1801611)
[...] Jacob mandou esta questão: “Sempre aprendi que o Atente para as afirmações abaixo a respeito do 1 o
advérbio deveria vir entre vírgulas, mesmo que, às vezes, a parágrafo do texto.
frase fique truncada. I. O ponto de interrogação pode ser excluído, sem prejuízo
Quando vi que não colocou os advérbios entre vírgulas, para a correção e o sentido, por se tratar de pergunta retórica.
senti que há uma esperança de me libertar dessas verdadeiras II. As vírgulas isolam o aposto.
amarras dos tempos escolares. Como pontuar, afinal, nesses III. Na última frase do parágrafo, o pronome “que” retoma
casos?”. "argumentos".
O leitor acertou na mosca quando se referiu a “essas IV. No contexto, o verbo “desaguar” está empregado em
verdadeiras amarras escolares”. Tomemos como exemplo o sentido figurado.
próprio texto do leitor, que na passagem “...mesmo que, às
vezes, a frase fique truncada” optou por pôr entre vírgulas a Está correto o que se afirma APENAS em:
expressão adverbial “às vezes”, que vem entre a locução (A) I e II.
conjuntiva “mesmo que” e “a frase”, sujeito da oração (B) II, III e IV.
introduzida por “mesmo que”. (C) II e III.
Vamos lá. Teria sido perfeitamente possível deixar “livre” (D) I e IV.
a expressão adverbial “às vezes”, ou seja, teria sido possível
não empregar as duas vírgulas (“...mesmo que às vezes a frase
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APOSTILAS OPÇÃO
Casos especiais: veremos alguns casos que fogem à regra 2- Como pronomes: seguem a regra geral.
geral mostrada acima. Seus argumentos foram bastantes para me convencer.
Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou.
a) Um adjetivo após vários substantivos
1- Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o j) Menos, alerta
plural ou concorda com o substantivo mais próximo. Em todas as ocasiões são invariáveis.
Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui. / Irmão Preciso de menos comida para perder peso. / Estamos alerta
e primo recém-chegados estiveram aqui. para com suas chamadas.
e) Anexo, incluso, próprio, obrigado 01. Indique o uso INCORRETO da concordância verbal ou
Concordam com o substantivo a que se referem. nominal:
As cartas estão anexas. / A bebida está inclusa. (A) Será descontada em folha sua contribuição sindical.
(B) Na última reunião, ficou acordado que se realizariam
f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a) encontros semanais com os diversos interessados no assunto.
Após essas expressões o substantivo fica sempre no (C) Alguma solução é necessária, e logo!
singular e o adjetivo no plural.
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APOSTILAS OPÇÃO
(D) Embora tenha ficado demonstrado cabalmente a ou poderá ir para o plural: Uma multidão de pessoas saiu aos
ocorrência de simulação na transferência do imóvel, o pedido gritos. / Uma multidão de pessoas saíram aos gritos.
não pode prosperar.
(E) A liberdade comercial da colônia, somada ao fato de D. 3) Quando o sujeito é representado por expressões
João VI ter também elevado sua colônia americana à condição partitivas, representadas por “a maioria de, a maior parte de, a
de Reino Unido a Portugal e Algarves, possibilitou ao Brasil metade de, uma porção de, entre outras”, o verbo tanto pode
obter certa autonomia econômica. concordar com o núcleo dessas expressões quanto com o
substantivo que a segue: A maioria dos alunos resolveu ficar.
02. Aponte a alternativa em que NÃO ocorre silepse (de / A maioria dos alunos resolveram ficar.
gênero, número ou pessoa):
(A) “A gente é feito daquele tipo de talento capaz de fazer 4) No caso de o sujeito ser representado por expressões
a diferença.” aproximativas, representadas por “cerca de, perto de”, o verbo
(B) Todos sabemos que a solução não é fácil. concorda com o substantivo determinado por elas: Cerca de
(C) Essa gente trabalhadora merecia mais, pois acordam às vinte candidatos se inscreveram no concurso de piadas.
cinco horas para chegar ao trabalho às oito da manhã.
(D) Todos os brasileiros sabem que esse problema vem de 5) Em casos em que o sujeito é representado pela
longe... expressão “mais de um”, o verbo permanece no singular: Mais
(E) Senhor diretor, espero que Vossa Senhoria seja mais de um candidato se inscreveu no concurso de piadas.
compreensivo. Observação: no caso da referida expressão aparecer
repetida ou associada a um verbo que exprime reciprocidade,
03. A concordância nominal está INCORRETA em: o verbo, necessariamente, deverá permanecer no plural: Mais
(A) A mídia julgou desnecessária a campanha e o de um aluno, mais de um professor contribuíram na campanha
envolvimento da empresa. de doação de alimentos. / Mais de um formando se
(B) A mídia julgou a campanha e a atuação da empresa abraçaram durante as solenidades de formatura.
desnecessária.
(C) A mídia julgou desnecessário o envolvimento da 6) O sujeito for composto da expressão “um dos que”, o
empresa e a campanha. verbo permanecerá no plural: Paulo é um dos que mais
(D) A mídia julgou a campanha e a atuação da empresa trabalhar.
desnecessárias.
7) Quanto aos relativos à concordância com locuções
04. Complete os espaços com um dos nomes colocados nos pronominais, representadas por “algum de nós, qual de vós,
parênteses. quais de vós, alguns de nós”, entre outras, faz-se necessário
(A) Será que é ____ essa confusão toda? (necessário/ nos atermos a duas questões básicas:
necessária) - No caso de o primeiro pronome estar expresso no plural,
(B) Quero que todos fiquem ____. (alerta/ alertas) o verbo poderá com ele concordar, como poderá também
(C) Houve ____ razões para eu não voltar lá. (bastante/ concordar com o pronome pessoal: Alguns
bastantes) de nós o receberemos. / Alguns de nós o receberão.
(D) Encontrei ____ a sala e os quartos. (vazia/vazios) - Quando o primeiro pronome da locução estiver expresso
(E) A dona do imóvel ficou ____ desiludida com o inquilino. no singular, o verbo também permanecerá no singular: Algum
(meio/ meia) de nós o receberá.
05. Quanto à concordância nominal, verifica-se ERRO em: 8) No caso de o sujeito aparecer representado pelo
(A) O texto fala de uma época e de um assunto polêmicos. pronome “quem”, o verbo permanecerá na terceira pessoa do
(B) Tornou-se clara para o leitor a posição do autor sobre singular ou poderá concordar com o antecedente desse
o assunto. pronome: Fomos nós quem contou toda a verdade para ela. /
(C) Constata-se hoje a existência de homem, mulher e Fomos nós quem contamos toda a verdade para ela.
criança viciadas.
(D) Não será permitido visita de amigos, apenas a de 9) Em casos nos quais o sujeito aparece realçado pela
parentes. palavra “que”, o verbo deverá concordar com o termo que
antecede essa palavra: Nesta empresa somos nós
Respostas que tomamos as decisões. / Em casa sou eu que decido tudo.
01.D / 02.D / 03.B / 04. a) necessária b) alerta c)
bastantes d) vazia e) meio / 05. C 10) No caso de o sujeito aparecer representado por
expressões que indicam porcentagens, o verbo concordará
CONCORDÂNCIA VERBAL com o numeral ou com o substantivo a que se refere essa
porcentagem: 50% dos funcionários aprovaram a decisão da
Ao falarmos sobre a concordância verbal, estamos nos diretoria. / 50% do eleitorado apoiou a decisão.
referindo à relação de dependência estabelecida entre um Observações:
termo e outro mediante um contexto oracional. - Caso o verbo aparecer anteposto à expressão de
porcentagem, esse deverá concordar com o numeral:
Casos Referentes a Sujeito Simples Aprovaram a decisão da diretoria 50% dos funcionários.
1) Sujeito simples, o verbo concorda com o núcleo em - Em casos relativos a 1%, o verbo permanecerá no
número e pessoa: O aluno chegou atrasado. singular: 1% dos funcionários não aprovou a decisão da
diretoria.
2) O verbo concorda no singular com o sujeito coletivo do - Em casos em que o numeral estiver acompanhado de
singular, o verbo permanece na terceira pessoa do determinantes no plural, o verbo permanecerá no plural: Os
singular: A multidão, apavorada, saiu aos gritos. 50% dos funcionários apoiaram a decisão da diretoria.
Observação: no caso de o coletivo aparecer seguido de
adjunto adnominal no plural, o verbo permanecerá no singular 11) Quando o sujeito estiver representado por pronomes
de tratamento, o verbo deverá ser empregado na terceira
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APOSTILAS OPÇÃO
pessoa do singular ou do plural: Vossas Para um humanista, a dor humana é sempre prioridade a
Majestades gostaram das homenagens. Vossas Excelência agiu se considerar.
com inteligência. (Salvador Nicola, inédito)
12) Casos relativos a sujeito representado por substantivo O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no
próprio no plural se encontram relacionados a alguns aspectos singular para preencher adequadamente a lacuna da frase:
que os determinam: (A) A nenhuma de nossas escolhas ...... (poder) deixar de
- Diante de nomes de obras no plural, seguidos do verbo corresponder nossos valores éticos mais rigorosos.
ser, este permanece no singular, contanto que o predicativo (B) Não se ...... (poupar) os que governam de refletir sobre
também esteja no singular: Memórias póstumas de Brás o peso de suas mais graves decisões.
Cubas é uma criação de Machado de Assis. (C) Aos governantes mais responsáveis não ...... (ocorrer)
- Nos casos de artigo expresso no plural, o verbo também tomar decisões sem medir suas consequências.
permanece no plural: Os Estados Unidos são uma potência (D) A toda decisão tomada precipitadamente ......
mundial. (costumar) sobrevir consequências imprevistas e injustas.
- Casos em que o artigo figura no singular ou em que ele (E) Diante de uma escolha, ...... (ganhar) prioridade,
nem aparece, o verbo permanece no singular: Estados Unidos recomenda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor
é uma potência mundial. humana.
Casos Referentes a Sujeito Composto 03. Em um belo artigo, o físico Marcelo Gleiser, analisando
1) Nos casos relativos a sujeito composto de pessoas a constatação do satélite Kepler de que existem muitos
gramaticais diferentes, o verbo deverá ir para o plural, estando planetas com características físicas semelhantes ao nosso,
relacionado a dois pressupostos básicos: reafirmou sua fé na hipótese da Terra rara, isto é, a tese de que
- Quando houver a 1ª pessoa, esta prevalecerá sobre as a vida complexa (animal) é um fenômeno não tão comum no
demais: Eu, tu e ele faremos um lindo passeio. Universo.
- Quando houver a 2ª pessoa, o verbo poderá flexionar na Gleiser retoma as ideias de Peter Ward expostas de modo
2ª ou na 3ª pessoa: Tu e ele sois primos. / Tu e ele são primos. persuasivo em “Terra Rara”. Ali, o autor sugere que a vida
microbiana deve ser um fenômeno trivial, podendo pipocar até
2) Nos casos em que o sujeito composto aparecer em mundos inóspitos; já o surgimento de vida multicelular na
anteposto (antes) ao verbo, este permanecerá no plural: O pai Terra dependeu de muitas outras variáveis físicas e históricas,
e seus dois filhos compareceram ao evento. o que, se não permite estimar o número de civilizações extra
terráqueas, ao menos faz com que reduzamos nossas
3) No caso em que o sujeito aparecer posposto (depois) ao expectativas.
verbo, este poderá concordar com o núcleo mais próximo ou Uma questão análoga só arranhada por Ward é a da
permanecer no plural: Compareceram ao evento o pai e seus inexorabilidade da inteligência. A evolução de organismos
dois filhos. Compareceu ao evento o pai e seus dois filhos. complexos leva necessariamente à consciência e à
inteligência?
4) Nos casos relacionados a sujeito simples, porém com Robert Wright diz que sim, mas seu argumento é mais
mais de um núcleo, o verbo deverá permanecer no singular: matemático do que biológico: complexidade engendra
Meu esposo e grande companheiro merece toda a felicidade do complexidade, levando a uma corrida armamentista entre
mundo. espécies cujo subproduto é a inteligência.
Stephen J. Gould e Steven Pinker apostam que não. Para
5) Casos relativos a sujeito composto de palavras eles, é apenas devido a uma sucessão de pré-adaptações e
sinônimas ou ordenado por elementos em gradação, o verbo coincidências que alguns animais transformaram a capacidade
poderá permanecer no singular ou ir para o plural: Minha de resolver problemas em estratégia de sobrevivência. Se
vitória, minha conquista, minha premiação são frutos de meu rebobinássemos o filme da evolução e reencenássemos o
esforço. / Minha vitória, minha conquista, minha premiação é processo mudando alguns detalhes do início, seriam grandes
fruto de meu esforço. as chances de não chegarmos a nada parecido com a
inteligência.
Questões (Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, 2012.)
01. A concordância realizou-se adequadamente em qual A frase em que as regras de concordância estão
alternativa? plenamente respeitadas é:
(A) Os Estados Unidos é considerado, hoje, a maior (A) Podem haver estudos que comprovem que, no passado,
potência econômica do planeta, mas há quem aposte que a as formas mais complexas de vida - cujo habitat eram oceanos
China, em breve, o ultrapassará. ricos em nutrientes - se alimentavam por osmose.
(B) Em razão das fortes chuvas haverão muitos candidatos (B) Cada um dos organismos simples que vivem na
que chegarão atrasados, tenho certeza disso. natureza sobrevivem de forma quase automática, sem se
(C) Naquela barraca vendem-se tapiocas fresquinhas, pode valerem de criatividade e planejamento.
comê-las sem receio! (C) Desde que observe cuidados básicos, como obter
(D) A multidão gritaram quando a cantora apareceu na energia por meio de alimentos, os organismos simples podem
janela do hotel! preservar a vida ao longo do tempo com relativa facilidade.
(D) Alguns animais tem de se adaptar a um ambiente cheio
02. Uma pergunta de dificuldades para obter a energia necessária a sua
sobrevivência e nesse processo expõe- se a inúmeras ameaças.
Frequentemente cabe aos detentores de cargos de (E) A maioria dos organismos mais complexos possui um
responsabilidade tomar decisões difíceis, de graves sistema nervoso muito desenvolvido, capaz de se adaptar a
consequências. Haveria algum critério básico, essencial, para mudanças ambientais, como alterações na temperatura.
amparar tais escolhas? Antonio Gramsci, notável pensador e
político italiano, propôs que se pergunte, antes de tomar a 04. De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa,
decisão: - Quem sofrerá? a concordância verbal está correta em:
Língua Portuguesa 59
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APOSTILAS OPÇÃO
(A) Ela não pode usar o celular e chamar um taxista, pois Fui ao teatro.
acabou os créditos. Adjunto Adverbial de Lugar
(B) Esta empresa mantêm contato com uma rede de táxis
que executa diversos serviços para os clientes. Ricardo foi para a Espanha.
(C) À porta do aeroporto, havia muitos táxis disponíveis Adjunto Adverbial de Lugar
para os passageiros que chegavam à cidade.
(D) Passou anos, mas a atriz não se esqueceu das calorosas b) Comparecer;
lembranças que seu tio lhe deixou. O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido
(E) Deve existir passageiros que aproveitam a corrida de por em ou a.
táxi para bater um papo com o motorista. Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o último
jogo.
Respostas
Verbos Transitivos Diretos
01.C / 02.C / 03.E / 04.C Os verbos transitivos diretos são complementados por
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição para
o estabelecimento da relação de regência. Ao empregar esses
verbos, devemos lembrar que os pronomes oblíquos o, a, os,
Regência (nominal e verbal) as atuam como objetos diretos. Esses pronomes podem
assumir as formas lo, los, la, las (após formas verbais
terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após formas
verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e lhes são,
Regência Verbal quando complementos verbais, objetos indiretos.
São verbos transitivos diretos: abandonar, abençoar,
A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, admirar, adorar,
os verbos e os termos que os complementam (objetos diretos alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, castigar,
e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais). condenar, conhecer, conservar, convidar, defender, eleger,
O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nossa estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar,
capacidade expressiva, pois oferece oportunidade de proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar, dentre
conhecermos as diversas significações que um verbo pode outros.
assumir com a simples mudança ou retirada de uma Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente como
preposição. o verbo amar:
Observe: Amo aquele rapaz. / Amo-o.
A mãe agrada o filho. -> agradar significa acariciar, Amo aquela moça. / Amo-a.
contentar. Amam aquele rapaz. / Amam-no.
A mãe agrada ao filho. -> agradar significa "causar agrado Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
ou prazer", satisfazer.
Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos
Logo, conclui-se que "agradar alguém" é diferente de para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos
"agradar a alguém". adnominais).
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
Saiba que: Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira)
O conhecimento do uso adequado das preposições é um Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor)
dos aspectos fundamentais do estudo da regência verbal (e
também nominal). As preposições são capazes de modificar Verbos Transitivos Indiretos
completamente o sentido do que se está sendo dito. Veja os Os verbos transitivos indiretos são complementados por
exemplos: objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exigem uma
Cheguei ao metrô. preposição para o estabelecimento da relação de regência. Os
Cheguei no metrô. pronomes pessoais do caso oblíquo de terceira pessoa que
podem atuar como objetos indiretos são o "lhe", o "lhes", para
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segundo substituir pessoas. Não se utilizam os pronomes o, os, a,
caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A oração as como complementos de verbos transitivos indiretos. Com
"Cheguei no metrô", popularmente usada a fim de indicar o os objetos indiretos que não representam pessoas, usam-se
lugar a que se vai, possui, no padrão culto da língua, pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em
sentido diferente. Aliás, é muito comum existirem lugar dos pronomes átonos lhe, lhes.
divergências entre a regência coloquial, cotidiana de alguns Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
verbos, e a regência culta. a) Consistir - tem complemento introduzido pela
preposição "em".
Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos de A modernidade verdadeira consiste em direitos iguais para
acordo com sua transitividade. A transitividade, porém, não é todos.
um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de diferentes
formas em frases distintas. b) Obedecer e Desobedecer - possuem seus complementos
introduzidos pela preposição "a".
Verbos Intransitivos Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Os verbos intransitivos não possuem complemento. É Eles desobedeceram às leis do trânsito.
importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos
aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los. c) Responder - tem complemento introduzido pela
a) Chegar, Ir; preposição "a". Esse verbo pede objeto indireto para indicar "a
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adverbiais quem" ou "ao que" se responde.
de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para Respondi ao meu patrão.
indicar destino ou direção são: a, para. Respondemos às perguntas.
Língua Portuguesa 60
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APOSTILAS OPÇÃO
d) Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complementos Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa.
introduzidos pela preposição "com".
Antipatizo com aquela apresentadora. Observe que, nesse caso, a preposição "para" introduz uma
Simpatizo com os que condenam os políticos que governam oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo
para uma minoria privilegiada. (para ir entregar-lhe os catálogos em casa).
Verbos Transitivos Diretos e Indiretos 2) A construção "dizer para", também muito usada
Os verbos transitivos diretos e indiretos são popularmente, é igualmente considerada incorreta.
acompanhados de um objeto direto e um indireto. Merecem
destaque, nesse grupo: Preferir
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto
Agradecer, Perdoar e Pagar indireto introduzido pela preposição "a". Por Exemplo:
São verbos que apresentam objeto direto Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
relacionado a coisas e objeto indireto relacionado a pessoas. Prefiro trem a ônibus.
Veja os exemplos: Obs.: na língua culta, o verbo "preferir" deve ser usado
Agradeço aos ouvintes a audiência. sem termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil vezes,
Objeto Indireto Objeto Direto um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo
existente no próprio verbo (pre).
Cristo ensina que é preciso perdoar o pecado ao pecador.
Objeto Direto Objeto Indireto Mudança de Transitividade versus Mudança de
Paguei o débito ao cobrador. Significado
Objeto Direto Objeto Indireto Há verbos que, de acordo com a mudança de
transitividade, apresentam mudança de significado. O
- O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com conhecimento das diferentes regências desses verbos é um
particular cuidado. Observe: recurso linguístico muito importante, pois além de permitir a
Agradeci o presente. / Agradeci-o. correta interpretação de passagens escritas, oferece
Agradeço a você. / Agradeço-lhe. possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Dentre os
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a. principais, estão:
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as. Agradar
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes. - Agradar é transitivo direto no sentido de fazer carinhos,
acariciar.
Informar Sempre agrada o filho quando o revê. / Sempre o agrada
- Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto quando o revê.
indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa. Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. /
Informe os novos preços aos clientes. Cláudia não perde oportunidade de agradá-lo.
Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos - Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agrado
preços) a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento introduzido
pela preposição "a".
- Na utilização de pronomes como complementos, veja as O cantor não agradou aos presentes.
construções: O cantor não lhes agradou.
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou sobre Aspirar
eles) - Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar
(o ar), inalar.
Obs.: a mesma regência do verbo informar é usada para os Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir. - Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
como ambição.
Comparar Aspirávamos a melhores condições de vida. (Aspirávamos a
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as elas)
preposições "a" ou "com" para introduzir o complemento Obs.: como o objeto direto do verbo "aspirar" não é
indireto. pessoa, mas coisa, não se usam as formas pronominais átonas
Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma "lhe" e "lhes" e sim as formas tônicas "a ele (s)", " a ela (s)". Veja
criança. o exemplo:
Aspiravam a uma existência melhor. (= Aspiravam a ela)
Pedir
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na Assistir
forma de oração subordinada substantiva) e indireto de - Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar
pessoa. assistência a, auxiliar. Por Exemplo:
Pedi-lhe favores. As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
Objeto Indireto Objeto Direto As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
- Assistir é transitivo indireto no sentido de ver,
Pedi-lhe que mantivesse em silêncio. presenciar, estar presente, caber, pertencer.
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva
Objetiva Direta
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APOSTILAS OPÇÃO
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APOSTILAS OPÇÃO
Advérbios
- Longe de;
- Perto de.
Questões
26 www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php
Língua Portuguesa 63
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APOSTILAS OPÇÃO
Considerando as regras de regência da norma-padrão da (A) O prédio que o taxista mostrou dispunha de mais de
língua portuguesa, a frase do primeiro quadrinho está dez mil tomadas.
corretamente reescrita, e sem alteração de sentido, em: (B) O autor fez conjecturas sob a possibilidade de haver
(A) Ter amigos ajuda contra o combate pela depressão. um homem que estaria ouvindo as notas de um oboé.
(B) Ter amigos ajuda o combate sob a depressão. (C) Centenas de trabalhadores estão empenhados de criar
(C) Ter amigos ajuda do combate com a depressão. logotipos e negociar.
(D) Ter amigos ajuda ao combate na depressão. (D) O taxista levou o autor a indagar no número de
(E) Ter amigos ajuda no combate à depressão. tomadas do edifício.
(E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor
06. (Escrevente TJ SP - VUNESP) Assinale a alternativa reparasse a um prédio na marginal.
em que o período, adaptado da revista Pesquisa Fapesp de
junho de 2012, está correto quanto à regência nominal e à 10. (Assistente de Informática II - VUNESP) Assinale a
pontuação. alternativa que substitui a expressão destacada na frase,
(A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapidamente, conforme as regras de regência da norma-padrão da língua e
seu espaço na carreira científica ainda que o avanço seja mais sem alteração de sentido.
notável em alguns países, o Brasil é um exemplo, do que em Muitas organizações lutaram a favor da igualdade de
outros. direitos dos trabalhadores domésticos.
(B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam (A) da
rapidamente seu espaço na carreira científica; ainda que o (B) na
avanço seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um (C) pela
exemplo!, do que em outros. (D) sob a
(C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam E) sobre a
rapidamente seu espaço, na carreira científica, ainda que o
avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um Respostas
exemplo, do que em outros.
(D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam 1.D / 2.D / 3.A / 4.A / 5.E / 6.D / 7.A / 8.C / 9.A / 10.C
rapidamente seu espaço na carreira científica, ainda que o
avanço seja mais notável em alguns países - o Brasil é um
exemplo - do que em outros. Função e emprego dos
(E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapidamente, pronomes relativos; Colocação
seu espaço na carreira científica, ainda que, o avanço seja mais
notável em alguns países (o Brasil é um exemplo) do que em
pronominal
outros.
07. (Papiloscopista Policial - VUNESP) Assinale a Caro(a) candidato(a), parte dos assuntos deste tópico já foi
alternativa correta quanto à regência dos termos em destaque. abordada ao longo desta apostila.
(A) Ele tentava convencer duas senhoras a assumir a
responsabilidade pelo problema. COLOCAÇÃO DOS PRONOMES OBLÍQUOS
(B) A menina tinha o receio a levar uma bronca por ter se ÁTONOS
perdido.
(C) A garota tinha apenas a lembrança pelo desenho de De acordo com as autoras Rose Jordão e Clenir Bellezi27, a
um índio na porta do prédio. colocação pronominal é a posição que os pronomes pessoais
(D) A menina não tinha orgulho sob o fato de ter se oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao verbo a que se
perdido de sua família. referem.
(E) A família toda se organizou para realizar a procura à São pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, os, a, as, lhe,
garotinha. lhes, nos e vos.
O pronome oblíquo átono pode assumir três posições na
08. (Analista de Sistemas - VUNESP) Assinale a oração em relação ao verbo:
alternativa que completa, correta e respectivamente, as 1. Próclise: pronome antes do verbo;
lacunas do texto, de acordo com as regras de regência. 2. Ênclise: pronome depois do verbo;
Os estudos _______ quais a pesquisadora se reportou já 3. Mesóclise: pronome no meio do verbo.
assinalavam uma relação entre os distúrbios da imagem
corporal e a exposição a imagens idealizadas pela mídia. Próclise
A pesquisa faz um alerta ______ influência negativa que a A próclise é aplicada antes do verbo quando temos:
mídia pode exercer sobre os jovens. - Palavras com sentido negativo: Nada me faz querer sair
(A) dos … na dessa cama. / Não se trata de nenhuma novidade.
(B) nos … entre a
(C) aos … para a - Advérbios: Nesta casa se fala alemão. / Naquele dia me
(D) sobre os … pela falaram que a professora não veio.
(E) pelos … sob a
- Pronomes relativos: A aluna que me mostrou a tarefa não
09. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças veio hoje. / Não vou deixar de estudar os conteúdos que me
Públicas - VUNESP) Considerando a norma-padrão da língua, falaram.
assinale a alternativa em que os trechos destacados estão
corretos quanto à regência, verbal ou nominal. - Pronomes indefinidos: Quem me disse isso? / Todos se
comoveram durante o discurso de despedida.
27http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf42.php
http://www.brasilescola.com/gramatica/colocacao-pronominal.htm
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APOSTILAS OPÇÃO
- Pronomes demonstrativos: Isso me deixa muito feliz! / (C) As pessoas relatarão as suas histórias para o registro
Aquilo me incentivou a mudar de atitude! no Museu – relatá-las-ão.
(D) Quem explicou às crianças as histórias de seus
- Preposição seguida de gerúndio: Em se tratando de antepassados? – explicou-lhes.
qualidade, o Brasil Escola é o site mais indicado à pesquisa (E) Vinham perguntando às pessoas se aceitavam a ideia
escolar. de um museu virtual – Lhes vinham perguntando.
- Conjunção subordinativa: Vamos estabelecer critérios, 04. De acordo com a norma-padrão e as questões
conforme lhe avisaram. gramaticais que envolvem o trecho “Frustrei-me por não ver o
Escola”, é correto afirmar que
Ênclise (A) “me” poderia ser deslocado para antes do verbo que
A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta não acompanha.
aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos átonos. A (B) “me” deveria obrigatoriamente ser deslocado para
ênclise vai acontecer quando: antes do verbo que acompanha.
(C) a ê nclise em “Frustrei-me” é facultativa.
- O verbo estiver no imperativo afirmativo: Amem-se uns (D) a inclusã o do advé rbio Nã o, no inı́cio da oraçã o
aos outros. / Sigam-me e não terão derrotas. “Frustrei-me”, tornaria a pró clise obrigató ria.
(E) a ê nclise em “Frustrei-me” é obrigató ria.
- O verbo iniciar a oração: Diga-lhe que está tudo bem. /
Chamaram-me para ser sócio. 05. A substituição do elemento grifado pelo pronome
correspondente foi realizada de modo INCORRETO em:
- O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da (A) que permitiu à civilização = que lhe permitiu
preposição “a”: Naquele instante os dois passaram a odiar-se. (B) envolveu diferentes fatores = envolveu-os
/ Passaram a cumprimentar-se mutuamente. (C) para fazer a dragagem = para fazê-la
(D) que desviava a água = que lhe desviava
- O verbo estiver no gerúndio: Não quis saber o que (E) supriam a necessidade = supriam-na
aconteceu, fazendo-se de despreocupada. Despediu-se,
beijando-me a face. Respostas
Língua Portuguesa 65
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APOSTILAS OPÇÃO
Se sua amiga disser que não, está mentindo ou se enganando. porque ali se fazem necessários, estabelecendo uma relação
Quem agüenta ver o namorado conversando todo animado hierárquica do pensamento defendido, retomando ideias
com outra menina sem sentir uma pontinha de não-sei-o-quê? supracitadas ou apresentando novos conceitos.
(…) Para finalizar, concentre-se nas ideias que de fato foram
É normal você querer o máximo de atenção do seu explicitadas pelo autor: os textos argumentativos não
namorado, das suas amigas, dos seus pais. Eles são a parte costumam conceder espaço para divagações ou hipóteses,
mais importante da sua vida.” supostamente contidas nas entrelinhas. Devemos nos ater às
(Revista Capricho) ideias do autor, isso não quer dizer que você precise ficar preso
na superfície do texto, mas é fundamental que não criemos, à
Modelo de Perguntas revelia do autor, suposições vagas e inespecíficas. Quem lê com
1) Considerando o texto-modelo, é possível identificar cuidado certamente incorre menos no risco de tornar-se um
quem é o seu interlocutor preferencial? analfabeto funcional e ler com atenção é um exercício que deve
Um leitor jovem. ser praticado à exaustão, assim como uma técnica, que fará de
nós leitores proficientes e sagazes. Agora que você já conhece
2) Quais são as informações (explícitas ou não) que nossas dicas, desejamos a você uma boa leitura e bons estudos!
permitem a você identificar o interlocutor preferencial do Fonte: http://portugues.uol.com.br/redacao/dicas-para-uma-boa-
texto? interpretacao-texto.html
Do contexto podemos extrair indícios do interlocutor
preferencial do texto: uma jovem adolescente, que pode ser Questões
acometida pelo ciúme. Observa-se ainda , que a revista
Capricho tem como público-alvo preferencial: meninas O uso da bicicleta no Brasil
adolescentes.
A linguagem informal típica dos adolescentes. A utilização da bicicleta como meio de locomoção no Brasil
ainda conta com poucos adeptos, em comparação com países
09 DICAS PARA MELHORAR A INTERPRETAÇÃO DE como Holanda e Inglaterra, por exemplo, nos quais a bicicleta
TEXTOS é um dos principais veículos nas ruas. Apesar disso, cada vez
01) Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do mais pessoas começam a acreditar que a bicicleta é, numa
assunto; comparação entre todos os meios de transporte, um dos que
02) Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa oferecem mais vantagens.
a leitura; A bicicleta já pode ser comparada a carros, motocicletas e
03) Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto a outros veículos que, por lei, devem andar na via e jamais na
pelo menos duas vezes; calçada. Bicicletas, triciclos e outras variações são todos
04) Inferir; considerados veículos, com direito de circulação pelas ruas e
05) Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar; prioridade sobre os automotores.
06) Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do Alguns dos motivos pelos quais as pessoas aderem à
autor; bicicleta no dia a dia são: a valorização da sustentabilidade,
07) Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor pois as bikes não emitem gases nocivos ao ambiente, não
compreensão; consomem petróleo e produzem muito menos sucata de
08) Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada metais, plásticos e borracha; a diminuição dos
questão; congestionamentos por excesso de veículos motorizados, que
09) O autor defende ideias e você deve percebê-las; atingem principalmente as grandes cidades; o favorecimento
Fonte: http://portuguesemfoco.com/09-dicas-para-melhorar-a- da saúde, pois pedalar é um exercício físico muito bom; e a
interpretacao-de-textos-em-provas/ economia no combustível, na manutenção, no seguro e, claro,
nos impostos.
Não saber interpretar corretamente um texto pode gerar No Brasil, está sendo implantado o sistema de
inúmeros problemas, afetando não só o desenvolvimento compartilhamento de bicicletas. Em Porto Alegre, por
profissional, mas também o desenvolvimento pessoal. O exemplo, o BikePOA é um projeto de sustentabilidade da
mundo moderno cobra de nós inúmeras competências, uma Prefeitura, em parceria com o sistema de Bicicletas SAMBA,
delas é a proficiência na língua, e isso não se refere apenas a com quase um ano de operação. Depois de Rio de Janeiro, São
uma boa comunicação verbal, mas também à capacidade de Paulo, Santos, Sorocaba e outras cidades espalhadas pelo país
entender aquilo que está sendo lido. O analfabetismo funcional aderirem a esse sistema, mais duas capitais já estão com o
está relacionado com a dificuldade de decifrar as entrelinhas projeto pronto em 2013: Recife e Goiânia. A ideia do
do código, pois a leitura mecânica é bem diferente da leitura compartilhamento é semelhante em todas as cidades. Em
interpretativa, aquela que fazemos ao estabelecer analogias e Porto Alegre, os usuários devem fazer um cadastro pelo site. O
criar inferências. Para que você não sofra mais com a análise valor do passe mensal é R$ 10 e o do passe diário, R$ 5,
de textos, elaboramos algumas dicas para você seguir e tirar podendo-se utilizar o sistema durante todo o dia, das 6h às
suas dúvidas. 22h, nas duas modalidades. Em todas as cidades que já
Uma interpretação de texto competente depende de aderiram ao projeto, as bicicletas estão espalhadas em pontos
inúmeros fatores, mas nem por isso deixaremos de contemplar estratégicos.
alguns que se fazem essenciais para esse exercício. Muitas A cultura do uso da bicicleta como meio de locomoção não
vezes, apressados, descuidamo-nos das minúcias presentes está consolidada em nossa sociedade. Muitos ainda não sabem
em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz que a bicicleta já é considerada um meio de transporte, ou
suficiente, o que não é verdade. Interpretar demanda paciência desconhecem as leis que abrangem a bike. Na confusão de um
e, por isso, sempre releia, pois uma segunda leitura pode trânsito caótico numa cidade grande, carros, motocicletas,
apresentar aspectos surpreendentes que não foram ônibus e, agora, bicicletas, misturam-se, causando, muitas
observados anteriormente. Para auxiliar na busca de sentidos vezes, discussões e acidentes que poderiam ser evitados.
do texto, você pode também retirar dele os tópicos frasais Ainda são comuns os acidentes que atingem ciclistas. A
presentes em cada parágrafo, isso certamente auxiliará na verdade é que, quando expostos nas vias públicas, eles estão
apreensão do conteúdo exposto. Lembre-se de que os totalmente vulneráveis em cima de suas bicicletas. Por isso é
parágrafos não estão organizados, pelo menos em um bom tão importante usar capacete e outros itens de segurança. A
texto, de maneira aleatória, se estão no lugar que estão, é maior parte dos motoristas de carros, ônibus, motocicletas e
Língua Portuguesa 66
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APOSTILAS OPÇÃO
caminhões desconhece as leis que abrangem os direitos dos 04. Considere o cartum de Douglas Vieira.
ciclistas. Mas muitos ciclistas também ignoram seus direitos e
deveres. Alguém que resolve integrar a bike ao seu estilo de Televisão
vida e usá-la como meio de locomoção precisa compreender
que deverá gastar com alguns apetrechos necessários para
poder trafegar. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro,
as bicicletas devem, obrigatoriamente, ser equipadas com
campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e
nos pedais, além de espelho retrovisor do lado esquerdo.
(Bárbara Moreira, http://www.eusoufamecos.net. Adaptado)
Língua Portuguesa 67
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APOSTILAS OPÇÃO
Para complicar as coisas, por vários anos psicólogos Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias
sugeriam que o melhor meio para aliviar a raiva era seletas e organizadas, através dos parágrafos que é composto
descarregar a frustração. Estudos mostram, no entanto, que a pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a
descarga de frustrações não ajuda a aliviar a raiva. Em uma conclusão do texto.
situação de ira de trânsito, a descarga de frustrações pode A alusão histórica serve para dividir o texto em pontos
transformar um incidente em uma violenta briga. menores, tendo em vista os diversos enfoques.
Com isso em mente, não é surpresa que brigas violentas Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da
aconteçam algumas vezes. A maioria das pessoas está mudança de linha e um espaçamento da margem esquerda.
predisposta a apresentar um comportamento irracional Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico
quando dirige. Dr. James vai ainda além e afirma que a maior frasal, ou seja, a ideia central extraída de maneira clara e
parte das pessoas fica emocionalmente incapacitada quando resumida.
dirige. O que deve ser feito, dizem os psicólogos, é estar ciente Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo,
de seu estado emocional e fazer as escolhas corretas, mesmo asseguramos um caminho que nos levará à compreensão do
quando estiver tentado a agir só com a emoção. texto.
(Jonathan Strickland. Disponível em: http://carros.hsw.uol.com.br/furia-no- Produzir um texto é semelhante à arte de produzir um
transito1 .htm. Acesso em: 01.08.2013. Adaptado)
tecido, o fio deve ser trabalhado com muito cuidado para que
o trabalho não se perca. Por isso se faz necessária a
05. Tomando por base as informações contidas no texto, é
compressão da coesão e coerência.
correto afirmar que
(A) os comportamentos de disputa ao volante acontecem à
Coesão
medida que os motoristas se envolvem em decisões
conscientes.
É a amarração entre as várias partes do texto. Os principais
(B) segundo psicólogos, as brigas no trânsito são causadas
elementos de coesão são os conectivos e vocábulos
pela constante preocupação dos motoristas com o aspecto
gramaticais, que estabelecem conexão entre palavras ou
comunitário do ato de dirigir.
partes de uma frase. O texto deve ser organizado por nexos
(C) para Dr. James, o grande número de carros nas ruas é o
adequados, com sequência de ideias encadeadas logicamente,
principal motivo que provoca, nos motoristas, uma direção
evitando frases e períodos desconexos. Para perceber a falta
agressiva.
de coesão, a melhor atitude é ler atentamente o seu texto,
(D) o ato de dirigir um carro envolve uma série de
procurando estabelecer as possíveis relações entre palavras
experiências e atividades não só individuais como também
que formam a oração e as orações que formam o período e,
sociais.
finalmente, entre os vários períodos que formam o texto. Um
(E) dirigir mal pode estar associado à falta de controle das
texto bem trabalhado sintática e semanticamente resulta num
emoções positivas por parte dos motoristas.
texto coeso.
Gabarito
Coerência
1. B / 2. A / 3. D / 4. B / 5. D
A coerência está diretamente ligada à possibilidade de
estabelecer um sentido para o texto, ou seja, ela é que faz com
COMPREENSÃO DO TEXTO que o texto tenha sentido para quem lê. Na avaliação da
coerência será levado em conta o tipo de texto. Em um texto
Há duas operações diferentes no entendimento de um dissertativo, será avaliada a capacidade de relacionar os
texto. A primeira é a apreensão, que é a captação das relações argumentos e de organizá-los de forma a extrair deles
que cada parte mantém com as outras no interior do texto. No conclusões apropriadas; num texto narrativo, será avaliada
entanto, ela não é suficiente para entender o sentido integral. sua capacidade de construir personagens e de relacionar ações
Uma pessoa que conhecesse todas as palavras do texto, mas e motivações.
não conhecesse o universo dos discursos, não entenderia o
significado do mesmo. Por isso, é preciso colocar o texto Tipos de Composição
dentro do universo discursivo a que ele pertence e no interior
do qual ganha sentido. Alguns teóricos chamam o universo Descrição: é representar verbalmente um objeto, uma
discursivo de “conhecimento de mundo”, mas chamaremos essa pessoa, um lugar, mediante a indicação de aspectos
operação de compreensão. característicos, de pormenores individualizantes. Requer
E assim teremos: observação cuidadosa, para tornar aquilo que vai ser descrito
um modelo inconfundível. Não se trata de enumerar uma série
Apreensão + Compreensão = Entendimento do texto de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir
uma impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é
Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis muito mais que fotografar. É pintar, é criar. Por isso, impõe-se
de leitura, sendo a primeira a informativa e a segunda à de o uso de palavras específicas, exatas.
reconhecimento.
A primeira deve ser feita cuidadosamente por ser o Narração: é um relato organizado de acontecimentos reais
primeiro contato com o texto, extraindo-se informações e se ou imaginários. São seus elementos constitutivos:
preparando para a leitura interpretativa. Durante a personagens, circunstâncias, ação; o seu núcleo é o incidente,
interpretação grife palavras-chave, passagens importantes; o episódio, e o que a distingue da descrição é a presença de
tente ligar uma palavra à ideia central de cada parágrafo. personagens atuantes, que estão quase sempre em conflito. A
A última fase de interpretação concentra-se nas perguntas narração envolve:
e opções de respostas. Marque palavras como não, exceto, - Quem? Personagem;
respectivamente, etc., pois fazem diferença na escolha - Quê? Fatos, enredo;
adequada. - Quando? A época em que ocorreram os acontecimentos;
Retorne ao texto mesmo que pareça ser perda de tempo. - Onde? O lugar da ocorrência;
Leia a frase anterior e posterior para ter ideia do sentido global - Como? O modo como se desenvolveram os
proposto pelo autor. acontecimentos;
Língua Portuguesa 68
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APOSTILAS OPÇÃO
- Por quê? A causa dos acontecimentos; Uma leitura imediata é aquela em que se supõe a existência
de uma série de premissas que restringem a decodificação tais
Dissertação: é apresentar ideias, analisá-las, é estabelecer como:
um ponto de vista baseado em argumentos lógicos; é - As frases seguem modelos completos de oração da língua.
estabelecer relações de causa e efeito. Aqui não basta expor, - O discurso é lógico.
narrar ou descrever, é necessário explanar e explicar. O - Se a forma usada no discurso é a mesma usada para
raciocínio é que deve imperar neste tipo de composição, e estabelecer identidades lógicas ou atribuições, então, tem-se,
quanto maior a fundamentação argumentativa, mais brilhante respectivamente, identidade lógica e atribuição.
será o desempenho. - Os significados são os encontrados no dicionário.
- Existe concordância entre termos sintáticos.
Sentidos Próprio e Figurado - Abstrai-se a conotação.
- Supõe-se que não há anomalias linguísticas.
Comumente afirma-se que certas ocorrências de discurso - Abstrai-se o gestual, o entoativo e editorial enquanto
têm sentido próprio e sentido figurado. Geralmente os modificadores do código linguístico.
exemplos de tais ocorrências são metáforas. Assim, em “Maria - Supõe-se pertinência ao contexto.
é uma flor” diz-se que “flor” tem um sentido próprio e um - Abstrai-se iconias.
sentido figurado. O sentido próprio é o mesmo do enunciado: - Abstrai-se alegorias, ironias, paráfrases, trocadilhos, etc.
“parte do vegetal que gera a semente”. O sentido figurado é o - Não se concebe a existência de locuções e frases feitas.
mesmo de “Maria, mulher bela, etc.” O sentido próprio, na - Supõe-se que o uso do discurso é comunicativo. Abstrai-
acepção tradicional não é próprio ao contexto, mas ao termo. se o uso expressivo, cerimonial.
O sentido tradicionalmente dito próprio sempre
corresponde ao que definimos aqui como sentido imediato do Admitindo essas premissas, o discurso será indecifrável,
enunciado. Além disso, alguns autores o julgam como sendo o ininteligível ou compreendido parcialmente toda vez que nele
sentido preferencial, o que comumente ocorre. surgirem elipses, metáforas, metonímias, oximoros, ironias,
O sentido dito figurado é o do enunciado que substitui a alegorias, anomalias, etc. Também passam despercebidas as
metáfora, e que em leitura imediata leva à mesma mensagem conotações, as iconias, os modificadores gestuais, entoativos,
que se obtém pela decifração da metáfora. editoriais, etc.
O conceito de sentido próprio nasce do mito da existência Na verdade, não existe o leitor absolutamente ingênuo, que
da leitura ingênua, que ocorre esporadicamente, é verdade, se comporte como uma máquina de ler, o que faz do conceito
mas nunca mais que esporadicamente. de leitura imediata apenas um pressuposto metodológico. O
Não há muito que criticar na adoção dos conceitos de que existe são ocorrências eventuais que se aproximam de
sentido próprio e sentido figurado, pois ela abre um caminho uma leitura imediata, como quando alguém toma o sentido
de abordagem do fenômeno da metáfora. O que é passível de literal pelo figurado, quando não capta uma ironia ou fica
crítica é a atribuição de status diferenciado para cada uma das perplexo diante de um oximoro.
categorias. Tradicionalmente o sentido próprio carrega uma Há quem chame o discurso que admite leitura imediata de
conotação de sentido “natural”, sentido “primeiro”. grau zero da escritura, identificando-a como uma forma mais
Invertendo a perspectiva, com os mesmos argumentos, primitiva de expressão. Esse grau zero não tem realidade, é
poderíamos afirmar que “natural”, “primeiro” é o sentido apenas um pressuposto. Os recursos de Retórica são
figurado, afinal, é o sentido figurado que possibilita a correta anteriores a ele.
interpretação do enunciado e não o sentido próprio. Se o
sentido figurado é o “verdadeiro” para o enunciado, por que Sentido Preferencial
não chamá-lo de “natural”, “primeiro”? Para compreender o sentido preferencial é preciso
Pela lógica da Retórica tradicional, essa inversão de conceber o enunciado descontextualizado ou em contexto de
perspectiva não é possível, pois o sentido figurado está dicionário. Quando um enunciado é realizado em contexto
impregnado de uma conotação desfavorável. O sentido muito rarefeito, como é o contexto em que se encontra uma
figurado é visto como anormal e o sentido próprio, não. Ele palavra no dicionário, dizemos que ela está
carrega uma conotação positiva, logo, é natural, primeiro. descontextualizada. Nesta situação, o sentido preferencial é o
A Retórica tradicional é impregnada de moralismo e que, na média, primeiro se impõe para o enunciado. Óbvio, o
estetização e até a geração de categorias se ressente disso. sentido que primeiro se impõe para um receptor pode não ser
Essa tendência para atribuir status às categorias é uma o mesmo para outro. Por isso a definição tem de considerar o
constante do pensamento antigo, cuja índole era resultado médio, o que não impede que pela necessidade
hierarquizante, sempre buscando uma estrutura piramidal momentânea consideremos o significado preferencial para
para o conhecimento, o que se estende até hoje em algumas dado indivíduo.
teorias modernas. Algumas regularidades podem ser observadas nos
Ainda hoje, apesar da imparcialidade típica e necessária ao significados preferenciais. Por exemplo: o sentido preferencial
conhecimento científico, vemos conotações de valor sendo da palavra porco costuma ser: “animal criado em granja para
atribuídas a categorias retóricas a partir de considerações abate”, e nunca o de “indivíduo sem higiene”. Em outras
totalmente externas a ela. Um exemplo: o retórico que tenha palavras, geralmente o sentido que admite leitura imediata se
para si a convicção de que a qualidade de qualquer discurso se impõe sobre o que teve origem em processos metafóricos,
fundamenta na sua novidade, originalidade, imprevisibilidade, alegóricos, metonímicos. Mas esta regra não é geral. Vejamos
tenderá a descrever os recursos retóricos como “desvios da o seguinte exemplo: “Um caminhão de cimento”. O sentido
normalidade”, pois o que lhe interessa é pôr esses recursos preferencial para a frase dada é o mesmo de “caminhão
retóricos a serviço de sua concepção estética. carregado com cimento” e não o de “caminhão construído com
cimento”. Neste caso o sentido preferencial é o metonímico, o
Sentido Imediato que contrapõe a tese que diz que o sentido “figurado” não é o
“primeiro significado da palavra”. Também é comum o sentido
Sentido imediato é o que resulta de uma leitura imediata mais usado se impor sobre o menos usado.
que, com certa reserva, poderia ser chamada de leitura Para certos termos é difícil estabelecer o sentido
ingênua ou leitura de máquina de ler. preferencial. Um exemplo: Qual o sentido preferencial de
manga? O de fruto ou de uma parte da roupa?
Língua Portuguesa 69
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APOSTILAS OPÇÃO
No fim da década de 90, atormentado pelos chás de cadeira (A) próprio, equivalendo a inspiração.
que enfrentou no Brasil, Levine resolveu fazer um (B) próprio, equivalendo a conquistador.
levantamento em grandes cidades de 31 países para descobrir (C) figurado, equivalendo a ave de rapina.
como diferentes culturas lidam com a questão do tempo. A (D) figurado, equivalendo a alimento.
conclusão foi que os brasileiros estão entre os povos mais (E) figurado, equivalendo a predador.
atrasados - do ponto de vista temporal, bem entendido - do
mundo. Foram analisadas a velocidade com que as pessoas Gabarito
percorrem determinada distância a pé no centro da cidade, o
número de relógios corretamente ajustados e a eficiência dos 01. D / 02. E / 03. D / 04. E
correios. Os brasileiros pontuaram muito mal nos dois
primeiros quesitos. No ranking geral, os suíços ocupam o PONTO DE VISTA DO AUTOR
primeiro lugar. O país dos relógios é, portanto, o que tem o
povo mais pontual. Já as oito últimas posições no ranking são O Ponto de Vista28 (PDV) na literatura é o ângulo sob o qual
ocupadas por países pobres. o autor irá narrar sua trama. É o que muitos costumam definir
O estudo de Robert Levine associa a administração do como a Mosca na Parede; este inseto somente visualiza o que
tempo aos traços culturais de um país. "Nos Estados Unidos, está acessível a sua visão. Pode-se afirmar também que ele é
por exemplo, a ideia de que tempo é dinheiro tem um alto valor como uma câmera fixa na testa do personagem que conduz a
cultural. Os brasileiros, em comparação, dão mais importância ação em uma determinada cena.
às relações sociais e são mais dispostos a perdoar atrasos", diz Este instrumento só tem o poder de mergulhar no universo
o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por externo por meio dos seis sentidos do protagonista, os cinco
exemplo, revelou que a maioria considera aceitável que um habituais somados a suas sensações e intuições. O autor pode
convidado chegue mais de duas horas depois do combinado a igualmente conferir ao seu personagem uma habilidade extra-
uma festa de aniversário. Pode-se argumentar que os sensorial, um dom mágico.
brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários Isto geralmente ocorre com os heróis dos quadrinhos ou
porque a infraestrutura não ajuda. Como ser pontual se o com seres fictícios como Harry Potter, o qual, por exemplo,
trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no transporte compreende e se comunica através da linguagem das cobras.
público? Portanto, o escritor tem total liberdade para criar novos
(Veja, 2009.) sentidos para suas criaturas.
Acima de tudo, porém, o autor precisa definir se sua
Há emprego do sentido figurado das palavras em:
narrativa será transmitida ao leitor por um ou vários
(A) ... os brasileiros estão entre os povos mais atrasados...
personagens. Quando a história é contada por mais de um ser
(B) No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro lugar.
fictício, a transição do PDV de um para outro deve ser bem
(C) Os brasileiros ... dão mais importância às relações
marcante, para que quem estiver acompanhando a leitura não
sociais...
fique confuso.
(D) Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo...
(E) ... não se pode confiar no serviço público?
28 http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2013/06/26/1032877/enten
http://www.infoescola.com/literatura/o-ponto-de-vista-pdv-na-literatura/
da-os-3-pontos-vista-literarios.html
Língua Portuguesa 70
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APOSTILAS OPÇÃO
Um detalhe deve ficar bem claro. Um enredo não precisa Enquanto Mônica tomava um conhaque
ser narrado por todos os personagens que o povoam, a não ser No outro canto da cidade
que a trama o exija. Assim sendo, o criador tem que decidir Como eles disseram
qual personagem reterá o Ponto de Vista. Isso não quer dizer Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
que um ou dois capítulos, por exemplo, não possam conter o E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
PDV de outros personagens quando isso for essencial para o Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse
desenvolvimento da história. Definido esse ponto, o escritor – Tem uma festa legal e a gente quer se divertir (…)”.
começa a escrever contextualizando seu protagonista em uma (Eduardo e Mônica. RUSSO, Renato. In: Legião Urbana – Dois. EMI, 1986.)
determinada coordenada temporal e geográfica.
Logo em seguida o autor terá que se preocupar em criar Sobre o tipo de narrador presente na música Eduardo e
afinidades com o leitor. Para tanto ele precisa se situar na Mônica, é correto afirmar que se trata de um:
posição ocupada pelo personagem e perceber o mundo por (A) Narrador personagem, pois, além de narrar os fatos,
meio de seu olhar. Se por acaso a pessoa cerrar seus olhos, verídicos ou não, faz parte da história contada, sendo assim,
ainda terá como ouvir, sentir, captar os cheiros, embora não personagem dela. Esse tipo de personagem apresenta uma
possa ver. visão limitada dos fatos, já que a narrativa é conduzida sob seu
Para ficar mais claro, aí vai um exemplo. Em uma cena ponto de vista.
conduzida pelo Ponto de Vista do seu protagonista, o escritor (B) Narrador em segunda pessoa, pois é uma das
não pode se referir aos cabelos dele, a não ser que ele se mire personagens que vivem a história contada, mas não é uma
em um espelho, porém está livre para descrever a sensação personagem principal.
dos cabelos encharcados de suor, grudando na testa. (C) Narrador onisciente, pois sabe de tudo o que acontece
É tão importante a questão do Ponto de Vista, que no na narrativa, seus aspectos e o comportamento das
mercado editorial norte-americano uma obra que não personagens, podendo, inclusive, descrever situações
apresente uma perfeita estruturação do PDV não é nem simultâneas, embora essas ocorram em lugares diferentes.
mesmo levada em consideração por editores e agentes. Isso (D) Narrador observador, pois presencia a história, mas
porque esse lapso indica que não se trata de um autor diferentemente do que acontece com o narrador onisciente,
profissional não tem controle e visão sobre todas as ações e personagens,
Quando lemos um livro sempre nos deparamos com uma confere os fatos, mas apenas de um ângulo.
maneira diferente de contar a história mudando o ponto de (E) Narrador onisciente neutro, pois relata os fatos e
vista sobre o qual olhamos as personagens principais. Existem descreve as personagens, no entanto, não tenta influenciar o
três formas básicas de mostrar uma narração. Confira a seguir leitor com opiniões a respeito das personagens, falando
quais são elas a seguir e entenda como funcionam: apenas sobre os fatos indispensáveis para a compreensão da
leitura.
1. Primeira Pessoa
Quando um personagem narra a história a partir de seu 02. Para responder sobre os tipos de narradores, leia os
próprio ponto de vista, o escritor está usando a primeira fragmentos abaixo:
pessoa. Nesse caso, lemos o livro com a sensação de termos a I. “Morreu meu pai, sentimos muito, etc. Quando chegamos
visão do personagem podendo também saber quais são seus nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais pra
pensamentos, o que causa uma leitura mais íntima. Da mesma afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter
maneira que acontece nas nossas vidas, existem algumas sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança
coisas das quais não temos conhecimento e só descobrimos ao dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família.
decorrer da história. Uma vez que eu sugerira à mamãe a ideia dela ir ver uma fita
no cinema, o que resultou foram lágrimas. Onde se viu ir ao
2. Segunda Pessoa cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas
Na segunda pessoa, o autor costuma falar diretamente com aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de
o leitor, como um diálogo. É um caso mais raro e faz com que o meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de
leitor se sinta quase como outro personagem que participa da amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto”. (Fragmento
do conto O peru de natal, de Mário de Andrade).
história.
II. “Ali pelas onze horas da manhã o velho Joaquim Prestes
3. Terceira Pessoa chegou no pesqueiro. Embora fizesse força em se mostrar
- Narrador Observador: Esse ponto de vista coloca o leitor amável por causa da visita convidada para a pescaria, vinha
numa posição externa, como se apenas observasse a ação mal-humorado daquelas cinco léguas cabritando na estrada
acontecer. Os diálogos não são como na narrativa em primeira péssima. Aliás o fazendeiro era de pouco riso mesmo, já
pessoa, já que nesse caso o autor relata as frases como alguém endurecido pelos setenta e cinco anos que o mumificavam
que estivesse apenas contando o que cada personagem disse. naquele esqueleto agudo e taciturno”. (Fragmento do conto O poço, de
Mário de Andrade).
- Narrador Onisciente: O narrador onisciente não faz parte
da história, ele conta assim como o narrador observador. A III. “Nesse momento, a viúva descruzava as mãos, e fazia
grande diferença é que o observador apenas observa, gesto de ir embora. Primeiramente espraiou os olhos, como a
enquanto que o onisciente sabe o que o personagem sente, ver se estava só. Talvez quisesse beijar a sepultura, o próprio
pensa, seus sonhos e vontades, é como se ele pudesse “entrar” nome do marido, mas havia gente perto, sem contar dois
dentro de cada personagem da história. coveiros que levavam um regador e uma enxada, e iam falando
de um enterro daquela manhã. Falavam alto, e um escarnecia
do outro, em voz grossa: "Eras capaz de levar um daqueles ao
Questões
morro? Só se fossem quatro como tu". Tratavam de caixão
pesado, naturalmente, mas eu voltei depressa a atenção para a
01. Leia o texto a seguir:
viúva, que se afastava e caminhava lentamente, sem mais olhar
“Quem um dia irá dizer que existe razão
para trás. Encoberto por um mausoléu, não a pude ver mais
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer
nem melhor que a princípio. Ela foi descendo até o portão,
Que não existe razão?
onde passava um bonde em que entrou e partiu. Nós descemos
Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar
depois e viemos no outro”. (Fragmento do livro Memorial de Aires, de
Ficou deitado e viu que horas eram Machado de Assis).
Língua Portuguesa 71
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APOSTILAS OPÇÃO
IV. “Era sempre inútil ter sido feliz ou infeliz. E mesmo ter com todas as letras. Já as segundas são dependentes do
amado. Nenhuma felici¬dade ou infelicidade tinha sido tão repertório prévio dos interlocutores e das características da
forte que tivesse transformado os elementos de sua matéria, situação comunicativa.
dando-lhe um caminho único, como deve ser o verdadeiro A capacidade de localizar informações explícitas no texto é
caminho. Continuo sempre me inaugurando, abrindo e fundamental para a constituição da proficiência leitora e deve
fechando círculos de vida, jogando-os de lado, murchos, cheios ser objeto de ensino, desde os primeiros anos de escolarização,
de passado. Por que tão indepen¬dentes, por que não se já no processo de alfabetização.
fundem num só bloco, servindo-me de lastro? É que são Muitos consideram essa capacidade a mais simples de
demasiado integrais”. todas. No entanto, é preciso considerar que nenhuma
(Fragmento do livro Perto do coração selvagem, de Clarice Lispector). capacidade de leitura é mobilizada no vazio, mas sempre em
função da materialidade textual. Assim, se o texto for mais
Os narradores classificam-se, respectivamente, em: complexo ou extenso, o processo de localização da informação
(A) narrador onisciente; narrador onisciente; narrador solicitada – e a decorrente atribuição de sentido - poderá ser
testemunha e narrador personagem. igualmente mais complexo.
(B) narrador personagem; narrador testemunha, narrador
onisciente e narrador onisciente. Informações Implícitas
(C) narrador testemunha; narrador personagem; narrador
onisciente e narrador onisciente. Muitos candidatos ao ENEM se perguntam como melhorar
(D) narrador personagem; narrador onisciente, narrador sua capacidade de interpretação dos textos. Primeiramente, é
onisciente e narrador testemunha. preciso ter em mente que um texto é formado por informações
(E) narrador personagem; narrador onisciente, narrador explícitas e implícitas. As informações explícitas são aquelas
testemunha e narrador onisciente. manifestadas pelo autor no próprio texto. As informações
implícitas não são manifestadas pelo autor no texto, mas
Gabarito podem ser subentendidas. Muitas vezes, para efetuarmos uma
leitura eficiente, é preciso ir além do que foi dito, ou seja, ler
01.A / 02.E nas entrelinhas.
Por exemplo, observe este enunciado:
29http://educacao.globo.com/portugues/assunto/estudo-do-texto/implicitos-e-
pressupostos.html (Adaptado)
Língua Portuguesa 72
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APOSTILAS OPÇÃO
enunciado, são apenas sugeridas, ou seja, podem ser permitem que a leitura aconteça a despeito das adversidades
entendidas como insinuações. geopolíticas.
O uso de subentendidos faz com que o enunciador se
esconda atrás de uma afirmação, pois não quer se Gabarito
comprometer com ela. Por isso, dizemos que os subentendidos
são de responsabilidade do receptor, enquanto os 01.B
pressupostos são partilhados por enunciadores e receptores.
Em nosso cotidiano, somos cercados por informações
subentendidas. A publicidade, por exemplo, parte de hábitos e Linguagens denotativa e
pensamentos da sociedade para criar subentendidos. Já a
anedota é um gênero textual cuja interpretação depende a
conotativa
quebra de subentendidos.
Coerência e coesão
COERÊNCIA
30 http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/redacao/coerencia-textual.htm http://portugues.uol.com.br/redacao/tipos-coerencia.html
Língua Portuguesa 73
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APOSTILAS OPÇÃO
coerência é um princípio de interpretabilidade, portanto, cabe Sendo assim não se esqueça que coerência31 é a relação
a você depreender os sentidos do texto. semântica que se estabelece entre as diversas partes do texto,
criando uma unidade de sentido. Está ligada ao entendimento,
Tipos de Coerência à possibilidade de interpretação daquilo que se ouve ou lê.
Enquanto a coesão está para os elementos conectores de ideias
São seis os tipos de coerência: sintática, semântica, no texto, a coerência está para a harmonia interna do texto e
temática, pragmática, estilística e genérica. Conhecê-los sentido.
contribui para a escrita de uma boa redação.
Questões
Coerência sintática: está relacionada com a estrutura
linguística, como termo de ordem dos elementos, seleção 01. Sobre a coerência textual, é incorreto afirmar:
lexical etc., e também à coesão. Quando empregada, (A) A coerência é uma conformidade entre fatos ou ideias,
eliminamos estruturas ambíguas, bem como o uso inadequado própria daquilo que tem nexo, conexão, portanto, podemos
dos conectivos. associá-la ao processo de construção de sentidos do texto e à
articulação das ideias.
Coerência semântica: para que a coerência semântica (B) Por serem os sentidos elementos subjetivos, podemos
esteja presente em um texto, é preciso, antes de tudo, que o dizer que a coerência não pode ser delimitada, pois o leitor é o
texto não seja contraditório, mesmo porque a semântica está responsável pela constituição dos significados do texto.
relacionada com as relações de sentido entre as estruturas. (C) A coerência é imaterial e não está na superfície textual.
Para detectar uma incoerência, é preciso que se faça uma Compreender aquilo que está escrito dependerá dos níveis de
leitura cuidadosa, ancorada nos processos de analogia e interação entre o leitor, o autor e o texto. Por esse motivo, um
inferência. mesmo texto pode apresentar múltiplas interpretações.
(D) A não contradição, a não tautologia e o princípio da
Coerência temática: todos os enunciados de um texto relevância são elementos básicos que garantem a coerência
precisam ser coerentes e relevantes para o tema, com exceção textual.
das inserções explicativas. Os trechos irrelevantes devem ser (E) A coerência textual dispensa o uso adequado dos
evitados, impedindo assim o comprometimento da coerência conectivos, elementos que apenas colaboram para a
temática. estruturação do texto sem apresentar relação direta com a
semântica textual.
Coerência pragmática: refere-se ao texto visto como uma
sequência de atos de fala. Os textos, orais ou escritos, são 02. Observe a tirinha Calvin e Haroldo, de Bill
exemplos dessas sequências, portanto, devem obedecer às Watterson, e responda à questão:
condições para a sua realização. Se o locutor ordena algo a
alguém, é contraditório que ele faça, ao mesmo tempo, um
pedido. Quando fazemos uma pergunta para alguém,
esperamos receber como resposta uma afirmação ou uma
negação, jamais uma sequência de fala desconectada daquilo
que foi indagado. Quando essas condições são ignoradas,
temos como resultado a incoerência pragmática.
Língua Portuguesa 74
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APOSTILAS OPÇÃO
(A) Todas estão corretas. Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o
(B) Apenas II e III estão corretas. termo mulheres, enquanto “aqueles” recupera a palavra
(C) Apenas I e IV estão corretas. homens.
(D) Apenas I e III estão corretas.
(E) I, III e IV estão corretas. - Os termos que servem para retomar outros são
denominados anafóricos; os que servem para anunciar, para
Gabarito antecipar outros são chamados catafóricos. No exemplo a
seguir, desta antecipa abandonar a faculdade no último ano:
01.E / 02.C / 03.D / 04.B “Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no último
ano?”
COESÃO
- São anafóricos ou catafóricos os pronomes
Uma das propriedades que distinguem um texto de um demonstrativos, os pronomes relativos, certos advérbios ou
amontoado de frases é a relação existente entre os elementos locuções adverbiais (nesse momento, então, lá), o verbo fazer,
que os constituem. A coesão textual é a ligação entre palavras, o artigo definido, os pronomes pessoais de 3ª pessoa (ele, o, a,
expressões ou frases do texto. Ela manifesta-se por elementos os, as, lhe, lhes), os pronomes indefinidos. Exemplos:
gramaticais, que servem para estabelecer vínculos entre os
componentes do texto. Observe: - O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre.
“Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na
“O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de cátedra de Sociologia na Universidade de São Paulo.”
anotações, que segurava na mão.”
- O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas;
Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece o pronome pessoal “o” retoma o nome Machado de Assis.
conexão entre as duas orações. “As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como
Se tivermos: “O iraquiano leu sua declaração num um descrente do amor e da amizade.”
bloquinho comum de anotações e segurava na mão, retomando
na segunda um dos termos da primeira: bloquinho. O pronome - O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens.
relativo é um elemento coesivo, e a conexão entre as duas “Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando
orações, um fenômeno de coesão. Leia o texto que segue: roupa escura.”
Língua Portuguesa 75
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APOSTILAS OPÇÃO
- O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema. Sinônimo: é o nome que se dá a uma palavra que possui o
“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado mesmo sentido que outra, ou sentido bastante aproximado:
com a fila.” injúria e afronta, alegre e contente.
Hiperônimo: é um termo que mantém com outro uma
- A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai relação do tipo contém/está contido;
inaugurar e seu complemento. Hipônimo: é uma palavra que mantém com outra uma
“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos relação do tipo está contido/contém. O significado do termo
funcionários do palácio, e o fará para demonstrar seu apreço rosa está contido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois
aos servidores.” toda rosa é uma flor, mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois,
hiperônimo de rosa, e esta palavra é hipônimo daquela.
- Em princípio, o termo a que “o” anafórico se refere deve Antonomásia: é a substituição de um nome próprio por
estar presente no texto, senão a coesão fica comprometida, um nome comum ou de um comum por um próprio. Ela ocorre,
como neste exemplo: principalmente, quando uma pessoa célebre é designada por
“André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários uma característica notória ou quando o nome próprio de uma
meses.” personagem famosa é usado para designar outras pessoas que
possuam a mesma característica que a distingue:
A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um
anafórico, pois não está retomando nenhuma das palavras “O rei do futebol (=Pelé) só podia ser um brasileiro.”
citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica “O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa
totalmente prejudicado: não há possibilidade de se recente minissérie de tevê.”
depreender o sentido desse pronome. *Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver
Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a lutado pela liberdade na Europa e na América.
nenhuma palavra citada anteriormente no interior do texto,
mas que possa ser inferida por certos pressupostos típicos da “Ele é um Hércules.” (=um homem muito forte).
cultura em que se inscreve o texto. É o caso de um exemplo *Referência à força física que caracteriza o herói grego
como este: Hércules.
“O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava
desesperado, porque eram 21 horas e ela não havia “Um presidente da República tem uma agenda de trabalho
comparecido.” extremamente carregada. Deve receber ministros,
embaixadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a
Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome todo o momento tomar graves decisões que afetam a vida de
“ela” é um anafórico que só pode estar-se referindo à palavra muitas pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece no
noiva. Num casamento, estando presente o noivo, o desespero Brasil e no mundo. Um presidente deve começar a trabalhar ao
só pode ser pelo atraso da noiva (representada por “ela” no raiar do dia e terminar sua jornada altas horas da noite.”
exemplo citado).
A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre
- O artigo indefinido (um, uma, uns, umas) serve o último período e o que vem antes dele.
geralmente para introduzir informações novas ao texto.
Quando elas forem retomadas, deverão ser precedidas do “Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros
artigo definido (o, a, os, as), pois este é que tem a função de sempre o atraíram.”
indicar que o termo por ele determinado é idêntico, em termos
de valor referencial, a um termo já mencionado. Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo
“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala astros, que recupera os hipônimos estrelas, planetas, satélites.
de espetáculos. Curiosamente, a carteira tinha muito dinheiro
dentro, mas nem um documento sequer.” “Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do
homem era regido por humores (fluidos orgânicos) que
- Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a percorriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade
dois termos distintos, há uma ruptura de coesão, porque em nosso corpo. Eram quatro os humores: o sangue, a fleuma
ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja (secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra. E eram
escrito de tal forma que o leitor possa determinar exatamente também estes quatro fluidos ligados aos quatro elementos
qual é a palavra retomada pelo anafórico. fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido), ao Fogo (quente) e
à Terra (frio), respectivamente.”
- O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18.
ator quanto a diretor. Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro
“Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por períodos se faz pela repetição da palavra humores; entre o
causa da sua arrogância.” terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos.
É preciso manejar com muito cuidado a repetição de
- Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao palavras, pois, se ela não for usada para criar um efeito de
termo amiga ou a ex-namorado no exemplo abaixo. sentido de intensificação, constituirá uma falha de estilo.
Permutando o anafórico “que” por “o qual” ou “a qual”, essa No trecho transcrito a seguir por exemplo, fica claro o uso
ambiguidade seria desfeita. da repetição da palavra vice e outras parecidas (vicissitudes,
“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que vicejam, viciem), com a evidente intenção de ridicularizar a
trabalha na mesma firma.” condição secundária que um provável flamenguista atribui ao
Vasco e ao seu Vice-presidente:
Retomada por palavra lexical - (substantivo, adjetivo ou
verbo) “Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas
sobre o pouco simpático Eurico Miranda. Faltam-me provas,
Uma palavra pode ser retomada, quer por uma repetição, mas tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.”
quer por uma substituição por sinônimo, hiperônimo,
hipônimo ou antonomásia.
Língua Portuguesa 76
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APOSTILAS OPÇÃO
Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice- no texto, por isso os operadores discursivos não podem ser
presidente do clube, vice-campeão carioca e bi-vice-campeão usados indiscriminadamente.
mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não
Carioca de basquete, no Brasileiro de basquete e na Taça alcançou a vitória”, por exemplo, o conector “mas” está
Guanabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que não adequadamente usado, pois ele liga dois segmentos com
viciem. orientação argumentativa contrária. Se fosse utilizado, nesse
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 2000. caso, o conector “portanto”, o resultado seria um paradoxo
semântico, pois esse operador discursivo liga dois segmentos
A elipse é o apagamento de um segmento de frase que com a mesma orientação argumentativa, sendo o segmento
pode ser facilmente recuperado pelo contexto. Também introduzido por ele a conclusão do anterior.
constitui um expediente de coesão, pois é o apagamento de um
termo que seria repetido, e o preenchimento do vazio deixado - Gradação: há operadores que marcam uma gradação
pelo termo apagado (=elíptico) exige, necessariamente, que se numa série de argumentos orientados para uma mesma
faça correlação com outros termos presentes no contexto, ou conclusão. Dividem-se eles, em dois subtipos: os que indicam
referidos na situação em que se desenrola a fala. o argumento mais forte de uma série: até, mesmo, até mesmo,
Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de inclusive, e os que subentendem uma escala com argumentos
Machado de Assis: mais fortes: ao menos, pelo menos, no mínimo, no máximo,
quando muito.
(...)
Mas a lua, fitando o sol, com azedume: “Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem
articulado, conhece bem o assunto de que fala e é até sedutor.”
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!” Toda a série de qualidades está orientada no sentido de
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, VIII, comprovar que ele é bom conferencista; dentro dessa série, ser
sedutor é considerado o argumento mais forte.
Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes
daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas, fica “Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho.
subentendido, é omitido por ser facilmente presumível. Chegará a ser pelo menos diretor da empresa.”
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que,
no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que vem elidido (ou Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo
apagado) antes de sentiu e parou: sentido de ser ambicioso e ter grande capacidade de trabalho;
por outro lado, subentende que há argumentos mais fortes
“Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada no para comprovar que ele tem as qualidades requeridas dos que
peito e parou.” vão longe (por exemplo, ser presidente da empresa) e que se
está usando o menos forte; ao menos, pelo menos e no mínimo
Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo ligam argumentos de valor positivo.
que segue, aquela promoção é complemento tanto de querer
quanto de desejar, no entanto aparece apenas depois do “Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segundo
segundo verbo: grau.”
No máximo introduz um argumento orientado no mesmo
“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preterido. sentido de ter muita dificuldade de aprender; supõe que há
Afinal, queria muito, desejava ardentemente aquela promoção.” uma escala argumentativa (por exemplo, fazer uma faculdade)
e que se está usando o argumento menos forte da escala no
Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que sentido de provar a afirmação anterior; no máximo e quando
têm regência diferente, a coesão é rompida. Por exemplo, não muito estabelecem ligação entre argumentos de valor
se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo depreciativo.
conhecer rege complemento não introduzido por preposição, e
a elipse retoma o complemento inteiro, portanto teríamos uma - Conjunção Argumentativa: há operadores que
preposição indevida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. assinalam uma conjunção argumentativa, ou seja, ligam um
Em “Implico e dispenso sem dó os estranhos palpiteiros”, conjunto de argumentos orientados em favor de uma dada
diferentemente, no complemento em elipse faltaria a conclusão: e, também, ainda, nem, não só... mas também, tanto...
preposição “com” exigida pelo verbo implicar. como, além de, a par de.
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é
colocar o complemento junto ao primeiro verbo, respeitando “Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor
sua regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, da escola, é muito respeitado pelos funcionários e também é
acrescentando a preposição devida (Conheço este livro e gosto muito querido pelos alunos.”
dele) ou eliminando a indevida (Implico com estranhos Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o
palpiteiros e os dispenso sem dó). interlocutor quem pode tomar uma dada decisão. O último
deles é introduzido por “e também”, que indica um argumento
Coesão por Conexão final na mesma direção argumentativa dos precedentes.
Há na língua uma série de palavras ou locuções que são Esses operadores introduzem novos argumentos; não
responsáveis pela concatenação ou relação entre segmentos significam, em hipótese nenhuma, a repetição do que já foi
do texto. Esses elementos denominam-se conectores ou dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores de
operadores discursivos. Por exemplo: visto que, até, ora, no conjunção segmentos que representam uma progressão
entanto, contudo, ou seja. discursiva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que o
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: assaltaram e continuou seu discurso”, porque o segundo
estabelecem entre elas relações semânticas de diversos tipos, segmento indica um desenvolvimento da exposição. Não teria
como contrariedade, causa, consequência, condição, cabimento usar operadores desse tipo para ligar dois
conclusão, etc. Essas relações exercem função argumentativa segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e
escondeu o choro que tomou conta dele”.
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APOSTILAS OPÇÃO
- Disjunção Argumentativa: há também operadores que Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da
indicam uma disjunção argumentativa, ou seja, fazem uma promoção, pois ele estaria declarando que os atletas do time
conexão entre segmentos que levam a conclusões opostas, que principal são tão bons quanto os das divisões de base.
têm orientação argumentativa diferente: ou, ou então, quer...
quer, seja... seja, caso contrário, ao contrário. - Explicação ou Justificativa: há operadores que
introduzem uma explicação ou uma justificativa em relação ao
“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a que foi dito anteriormente: porque, já que, que, pois.
briga, para que ele não apanhasse.”
“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem
O argumento introduzido por ao contrário é diretamente autorização da ONU, devem arcar sozinhos com os custos da
oposto àquele de que o falante teria agredido alguém. guerra.”
- Conclusão: existem operadores que marcam uma Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a
conclusão em relação ao que foi dito em dois ou mais tese de que os Estados Unidos devam arcar sozinhos com o
enunciados anteriores (geralmente, uma das afirmações de custo da guerra contra o Iraque.
que decorre a conclusão fica implícita, por manifestar uma voz
geral, uma verdade universalmente aceita): logo, portanto, por - Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam
conseguinte, pois (o pois é conclusivo quando não encabeça a uma relação de contrajunção, isto é, que ligam enunciados com
oração). orientação argumentativa contrária, são as conjunções
adversativas (mas, contudo, todavia, no entanto, entretanto,
“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao porém) e as concessivas (embora, apesar de, apesar de que,
controle dos fluxos mundiais de petróleo. Por conseguinte, não é conquanto, ainda que, posto que, se bem que).
moralmente defensável.” Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas,
se tanto umas como outras ligam enunciados com orientação
Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à argumentativa contrária?
afirmação exposta no primeiro período. Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento
introduzido pela conjunção.
- Comparação: outros importantes operadores
discursivos são os que estabelecem uma comparação de “O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta
igualdade, superioridade ou inferioridade entre dois mais decidido a vencer.”
elementos, com vistas a uma conclusão contrária ou favorável
a certa ideia: tanto... quanto, tão... como, mais... (do) que. Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão
negativa sobre um processo ocorrido com o atleta, enquanto a
“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves começada pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva.
quanto maior for a corrupção entre os agentes penitenciários.” Essa segunda orientação é a mais forte.
Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é
O comparativo de igualdade tem no texto uma função bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”. No primeiro
argumentativa: mostrar que o problema da fuga de presos caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela
cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agentes falta de beleza; no segundo, que a falta de beleza perde
penitenciários; por isso, os segmentos podem até ser relevância diante da simpatia. Quando se usam as conjunções
permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do adversativas, introduz-se um argumento com vistas à
ponto de vista argumentativo, pois não há igualdade determinada conclusão, para, em seguida, apresentar um
argumentativa proposta: argumento decisivo para uma conclusão contrária.
Com as conjunções concessivas, a orientação
“Tanto maior será a corrupção entre os agentes argumentativa que predomina é a do segmento não
penitenciários quanto mais grave for o problema da fuga de introduzido pela conjunção.
presos”.
“Embora haja conexão entre saber escrever e saber
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a gramática, trata-se de capacidades diferentes.”
conclusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o seguinte
diálogo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação
futebol: argumentativa no sentido de que saber escrever e saber
gramática são duas coisas interligadas; a oração principal
“__Precisamos promover atletas das divisões de base para conduz à direção argumentativa contrária.
reforçar nosso time. Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia
__Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os argumentativa é a de introduzir no texto um argumento que,
do time principal.” embora tido como verdadeiro, será anulado por outro mais
forte com orientação contrária.
Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção, A diferença entre as adversativas e as concessivas,
pois ele declara que qualquer atleta das divisões de base tem, portanto, é de estratégia argumentativa. Compare os seguintes
pelo menos, o mesmo nível dos do time principal, o que períodos:
significa que estes não primam exatamente pela excelência em
relação aos outros. “Por mais que o exército tivesse planejado a operação
Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os (argumento mais fraco), a realidade mostrou-se mais complexa
segmentos na sua fala: (argumento mais forte).”
“O exército planejou minuciosamente a operação
“__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das (argumento mais fraco), mas a realidade mostrou-se mais
divisões de base.” complexa (argumento mais forte).”
Língua Portuguesa 78
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APOSTILAS OPÇÃO
- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito
introduzem um argumento decisivo para derrubar a antes.
argumentação contrária, mas apresentando-o como se fosse Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço
um acréscimo, como se fosse apenas algo mais numa série do conteúdo de verdade de um enunciado.
argumentativa: além do mais, além de tudo, além disso,
ademais. “Quando a atual oposição estava no comando do país, não
fez o que exige hoje que o governo faça. Ao contrário, suas
“Ele está num período muito bom da vida: começou a políticas iam na direção contrária do que prega atualmente.
namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido na empresa,
recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além O conector introduz um argumento que reforça o que foi
disso, ganhou uma bolada na loteria.” dito antes.
O operador discursivo introduz o que se considera a prova - Explicação: há operadores que desencadeiam uma
mais forte de que “Ele está num período muito bom da vida”; no explicação, uma confirmação, uma ilustração do que foi
entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira.
uma.
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se
- Generalização ou Amplificação: existem operadores processavam as negociações, atacou de surpresa.”
que assinalam uma generalização ou uma amplificação do que
foi dito antes: de fato, realmente, como aliás, também, é verdade O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado
que. antes.
O conector introduz uma amplificação do que foi dito - Sequenciadores Temporais: são os indicadores de
antes. anterioridade, concomitância ou posterioridade: dois meses
depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são
“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que utilizados predominantemente nas narrações).
atualmente militam no nosso futebol.
“Uma semana antes de ser internado gravemente doente,
O conector introduz uma generalização ao que foi ele esteve conosco. Estava alegre e cheio de planos para o
afirmado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso futebol são futuro.”
retranqueiros.
- Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição
- Especificação ou Exemplificação: também há relativa no espaço: à esquerda, à direita, junto de, etc. (são
operadores que marcam uma especificação ou uma usados principalmente nas descrições).
exemplificação do que foi afirmado anteriormente: por
exemplo, como. “A um lado, duas estatuetas de bronze dourado,
representando o amor e a castidade, sustentam uma cúpula oval
“A violência não é um fenômeno que está disseminado de forma ligeira, donde se desdobram até o pavimento
apenas entre as camadas mais pobres da população. Por bambolins de cassa finíssima. (...) Do outro lado, há uma lareira,
exemplo, é crescente o número de jovens da classe média que não de fogo, que o dispensa nosso ameno clima fluminense,
estão envolvidos em toda sorte de delitos, dos menos aos mais ainda na maior força do inverno.”
graves.” José de Alencar. Senhora. São Paulo, FTD, 1992, p. 77.
Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica, - Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a
exemplifica a afirmação de que a violência não é um fenômeno ordem dos assuntos numa exposição: primeiramente, em
adstrito aos membros das “camadas mais pobres da segunda, a seguir, finalmente, etc.
população”.
“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente,
- Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma das agruras por que passam as populações civis; em seguida,
retificação, uma correção do que foi afirmado antes: ou melhor, discorrerei sobre a vida dos soldados na frente de batalha;
de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, finalmente, exporei suas consequências para a economia
em outras palavras. mundial e, portanto, para a vida cotidiana de todos os
habitantes do planeta.”
“Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar
a viver junto com minha namorada.” - Sequenciadores para Introdução: são os que, na
conversação principalmente, servem para introduzir um tema
O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito ou mudar de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando
antes. ao assunto, fazendo um parêntese, etc.
Esses operadores servem também para marcar um
esclarecimento, um desenvolvimento, uma redefinição do “Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas
conteúdo enunciado anteriormente. pessoas. A propósito, era um homem que sabia agradar às
mulheres.”
“A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas
corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato, os interesses dos - Operadores discursivos não explicitados: se o texto for
fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.” construído sem marcadores de sequenciação, o leitor deverá
inferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores
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APOSTILAS OPÇÃO
04. (UFMS – Assistente em Administração – onde milhares de refugiados pisam pela primeira vez em
UFMS/2016) território europeu. Mais de 700.000 refugiados e imigrantes
clandestinos já desembarcaram no litoral grego este ano. As
Concurso marca 400 anos da morte de Shakespeare autoridades locais estão sendo acusadas de não dar apoio
Vídeos que melhor mostrarem a atualidade da obra do suficiente aos que chegam pelo mar, e há até a ameaça de
dramaturgo inglês serão premiados com viagem ao Reino suspender o país do Acordo Schengen, que permite a livre
Unido e vale-presente circulação de pessoas entre os Estados-membros.
Messinis diz que o mais chocante do seu trabalho é retratar,
REDAÇÃO 5 de maio de 2016 em território pacífico, pessoas que trazem no rosto o
Passados 400 anos da sua morte, por que William sofrimento da guerra. “Só de saber que você não está em uma
Shakespeare continua atual? É essa a pergunta que embala o zona de guerra torna isso ainda mais emocional. E muito mais
concurso cultural Shakespeare Hoje, promovido pelo British doloroso”, diz Messinis. Numa guerra, o fotógrafo também
Council e parte da programação “Shakespeare Lives”, que vem corre perigo, então, de certa forma, está em pé de igualdade
celebrando por meio de uma série de eventos, que se com as pessoas que protagonizam as cenas que ele documenta.
estenderão ao longo do ano, os quatro séculos da morte do Em Lesbos, não é assim. Ele está em absoluta segurança. As
dramaturgo inglês. pessoas que chegam estão lutando por suas vidas. Não são
Destinado a professores e alunos de escolas públicas e poucas as que morrem de hipotermia mesmo depois de pisar
particulares de todo o Brasil, o concurso pede para que os em terra firme, por falta de atendimento médico.
participantes produzam um vídeo que mostre a importância e Exatamente por causa dessa assimetria entre o
atualidade da obra shakespeariana. fotojornalista e os protagonistas de suas fotos, muitas vezes
As produções devem ter, no máximo, quatro minutos e Messinis deixa a câmera de lado e põe-se a ajudá-los. Ele se
podem ser feitas em grupos de até cinco alunos que estejam impressiona e se preocupa muito com os bebês que chegam
cursando o Ensino Fundamental II ou Médio e com a nos botes. Obviamente, são os mais vulneráveis aos perigos da
coordenação de um professor. travessia. Messinis fotografou os cadáveres de alguns deles nas
O material deve abordar textos e personagens de pedras à beira-mar.
Shakespeare e pode conter excertos de peças, adaptações ou O fotógrafo grego diz que a experiência de ver o sofrimento
conteúdos autorais que sejam inspirados pela obra do autor. das crianças refugiadas deixou-o mais rígido com as próprias
Os melhores vídeos serão premiados com uma viagem filhas. As maiores têm 9 e sete anos. A menor, 7 meses. Quando
para o Reino Unido e vales-presentes no valor de 1 mil reais. vê o que acontece com as crianças que chegam nos botes,
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 28 Messinis pensa em como suas filhas têm sorte de estarem vivas,
de outubro. de terem onde morar e de viverem num país em paz. Elas não
têm do que reclamar.
(www.cartaeducacao.com.br/agenda/concurso-marca-400-anos-da-morte- (Por: Diogo Schelp 04/12/2015.
de-shakespeare, 2016) Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/a-boa-e-velha-
reportagem/conheca-aris-que-se-divide-entresocorrer-e-fotografar-naufragos/.)
Assinale a alternativa INCORRETA no que se refere à
coesão e/ou à coerência do texto lido. Na construção do texto, a coerência e a coesão são de
(A) No estabelecimento de coesão lexical no texto, os fundamental importância para que sua compreensão não seja
nomes “vídeos”, “produções” e “material” são empregados em comprometida. Alguns elementos são empregados de forma
relação de sinonímia. efetiva e explícita com tal propósito. Nos trechos a seguir
(B) No trecho “É essa a pergunta que embala o concurso foram destacados alguns elementos cuja função anafórica
cultural Shakespeare Hoje[...]” (1º parágrafo), o pronome contribui para a coesão textual, com EXCEÇÃO de:
demonstrativo “essa” estabelece referência catafórica por se (A) “[...] pessoas que trazem no rosto o sofrimento da
referir ao substantivo “pergunta”. guerra.” (2º§)
(C) Em “Passados 400 anos da sua morte, por que William (B) “Ele conta em um blog da AFP, ilustrado com muitas
Shakespeare continua atual?” (1º parágrafo), a sequência fotos [...]” (1º§)
formada pela preposição “por” e pelo pronome interrogativo (C) “O fotógrafo grego diz que a experiência de ver o
“que” pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, pela sofrimento [...]” (4º§)
expressão “por qual motivo”. (D) “[...] onde milhares de refugiados pisam pela primeira
(D) Entre as marcas de coesão referencial do texto, está o vez em território europeu.” (1º§)
uso dos pronomes “sua” em “Passados 400 anos da sua morte”
e “essa” em “É essa a pergunta que embala o concurso”. (1º 06. (Pref. de Niterói/RJ – Administrador –
parágrafo) COSEAC/2016)
(E) Entre as marcas de coesão lexical do texto, está o uso
de “autor” (penúltimo parágrafo) e “dramaturgo inglês” O Brasil é minha morada
(primeiro parágrafo) em referência a “William Shakespeare”.
(1º parágrafo). 1 Permita-me que lhes confesse que o Brasil é a minha
morada. O meu teto quente, a minha sopa fumegante. É casa da
05. (Pref. de Natal/RN – Psicólogo – IDECAN/2016) minha carne e do meu espírito. O alojamento provisório dos
meus mortos. A caixa mágica e inexplicável onde se abrigam e
Conheça Aris, que se divide entre socorrer e fotografar se consomem os dias essenciais da minha vida.
náufragos 2 É a terra onde nascem as bananas da minha infância e as
Profissional da AFP diz que a experiência de documentar o palavras do meu sempre precário vocabulário. Neste país
sofrimento dos refugiados deixou-o mais rígido com as próprias conheci emoções revestidas de opulenta carnalidade que nem
filhas. sempre transportavam no pescoço o sinete da advertência,
justificativa lógica para sua existência.
O grego Aris Messinis é fotógrafo da agência AFP em Atenas. 3 Sem dúvida, o Brasil é o paraíso essencial da minha
Cobriu guerras e os protestos da Primavera Árabe. Nos últimos memória. O que a vida ali fez brotar com abundância, excedeu
meses, tem se dedicado a registrar a onda de refugiados na ao que eu sabia. Pois cada lembrança brasileira corresponde à
Europa. Ele conta em um blog da AFP, ilustrado com muitas memória do mundo, onde esteja o universo resguardado.
fotos, como tem sido o trabalho na ilha de Lesbos, na Grécia, Portanto, ao apresentar-me aqui como brasileira,
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APOSTILAS OPÇÃO
automaticamente sou romana, sou egípcia, sou hebraica. Sou (D) “A dúvida é uma margarida que jamais termina de se
todas as civilizações que aportaram neste acampamento despetalar”.
brasileiro. (E) “Se você pensa que não tem falhas, isso já é uma”.
4 Nesta terra, onde plantando-se nascem a traição, a
sordidez, a banalidade, também afloram a alegria, a 08. (SEE-PE – Professor de Matemática – FGV/2016) “O
ingenuidade, a esperança, a generosidade, atributos único consolo que sinto ao pensar na inevitabilidade da minha
alimentados pelo feijão bem temperado, o arroz soltinho, o morte é o mesmo que se sente quando o barco está em perigo:
bolo de milho, o bife acebolado, e tantos outros anjos feitos encontramo-nos todos na mesma situação.”
com gema de ovo, que deita raízes no mundo árabe, no mundo (Tolstói)
luso.
5 Deste país surgiram inesgotáveis sagas, narradores Alguns elementos do pensamento de Tolstói se referem a
astutos, alegres mentirosos. Seres anônimos, heróis de si termos anteriores, o que dá coesão ao texto. Assinale a opção
mesmos, poetas dos sonhos e do sarcasmo, senhores de em que o termo cujo referente anterior está indicado
máscaras venezianas, africanas, ora carnavalescas, ora incorretamente.
mortuárias. Criaturas que, afinadas com a torpeza e as (A) “que sinto” / consolo.
inquietudes do seu tempo, acomodam-se esplêndidas à (B) “o mesmo” / consolo.
sombra da mangueira só pelo prazer de dedilhar as cordas da (C) “que se sente” / consolo.
guitarra e do coração. (D) “todos” / nos.
6 Neste litoral, que foi berço de heróis, de marinheiros, (E) “na mesma situação” / inevitabilidade da morte.
onde os saveiros da imaginação cruzavam as águas dos mares
bravios em busca de peixes, de sereias e da proteção de Gabarito
Iemanjá, ali se instalaram civilizações feitas das sobras de
outras tantas culturas. Cada qual fincando hábitos, expressões, 01.B / 02.A / 03.A / 04.B / 05.C / 06.D / 07.E / 08.E
loucas demências nos nossos peitos.
7 Este Brasil que critico, examino, amo, do qual nasceu
Machado de Assis, cujo determinismo falhou ao não prever a Texto e contexto:
própria grandeza. Mas como poderia este mulato, este negro,
este branco, esta alma miscigenada, sempre pessimista e feroz, ambiguidade e polissemia;
acatar uma existência que contrariava regras, previsões, Relações lexicais: sinonímia,
fatalidades? Como pôde ele, gênio das Américas, abraçar o antonímia, homonímia,
Brasil, ser sua face, soçobrar com ele e revivê-lo ao mesmo
tempo? hiperonímia, hiponímia e
8 Fomos portugueses, espanhóis e holandeses, até sermos paronímia
brasileiros. Uma grei de etnias ávidas e belas, atraída pelas
aventuras terrestres e marítimas. Inventora, cada qual, de uma
nação foragida da realidade mesquinha, uma espécie de ficção
TEXTO E CONTEXTO
compatível com uma fábula que nos habilite a frequentar com
desenvoltura o teatro da história.
(PIÑON, Nélida. Aprendiz de Homero. Rio de Janeiro: Editora Record, 2008,
O texto32 é uma unidade global de comunicação que
p. 241-243, fragmento.) expressa uma ideia ou trata de um assunto determinado, tendo
A leitura correta do texto indica que o elemento de coesão como referência a situação comunicativa concreta em que foi
textual destacado em cada fragmento abaixo está produzido, ou seja, o contexto.
ERRONEAMENTE informado na opção: O texto pode ser uma única frase de sentido completo:
(A) “justificativa lógica para SUA existência.” (2º §) / Os edifícios de São Paulo têm uma arquitetura moderna.
“emoções revestidas de opulenta carnalidade”. O texto também está em obras maiores, formadas por
(B) “O que a vida ALI fez brotar com abundância, excedeu orações e parágrafos: crônicas, reportagens jornalísticas e
ao que eu sabia.” (3º §) / “o Brasil é o paraíso essencial da romances de fôlego, como Grande Sertão: Veredas, de
minha memória.” Guimarães Rosa. Quando escrevemos ou falamos, lançamos
(C) “Criaturas que, afinadas com a torpeza e as inquietudes mão de mecanismos de coerência e coesão para conseguirmos
do SEU tempo, acomodam-se esplêndidas à sombra da formar uma mensagem compreensível e instigante.
mangueira”. (5º §) / “Criaturas”.
(D) “CUJO determinismo falhou ao não prever a própria Linguística do texto
grandeza.” (7º §) / “Este Brasil”.
(E) “Como pôde ele, gênio das Américas, abraçar o Brasil, Descreve as regras básicas para a elaboração de frases
ser sua face, soçobrar com ele e revivê-LO ao mesmo tempo?” corretas e interessantes. Sua finalidade é tornar
(7º §) / “o Brasil”. compreensível o que é ouvido ou lido.
Para que um texto tenha coerência, não basta que ele trate
07. (COMPESA – Analista de Gestão – FGV/2016) As somente de um assunto. É preciso também que os seus
opções a seguir apresentam pensamentos em que os parágrafos estejam relacionados e não apresentem
pronomes sublinhados estabelecem coesão com elementos contradições. Finalmente, ele deve oferecer ao leitor ou ao
anteriores. ouvinte uma mensagem completa, superior à simples reunião
Assinale a frase em que esse referente anterior é uma de orações e períodos.
oração.
(A) “Um diplomata é um sujeito que pensa duas vezes antes Fatores internos ou significativos
de não dizer nada”.
(B) “A minha vontade é forte, mas a minha disposição de O parágrafo geralmente é a primeira unidade dos textos
obedecer-lhe é fraca”. corridos e em prosa. Formado por um número variável de
(C) “Não existe assunto desinteressante, o que existe são frases encadeadas, lógica e linguisticamente, ele é finalizado
pessoas desinteressadas”.
32
https://www.enemvirtual.com.br/o-que-e-texto-e-contexto/
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APOSTILAS OPÇÃO
graficamente por um ponto final, de interrogação ou de Esta expressão não significa o mesmo diante de um edifício
exclamação. em chamas e dentro de um campo de tiro.
Ao ler um texto, devemos em primeiro lugar, prestar
atenção em seu conteúdo informativo fundamental, ao qual se SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS
subordinam, de modo articulado, vários enunciados.
A maioria das frases possui uma palavra-chave, que pode O significado das palavras33 é estudado pela semântica, a
ser percebida diretamente ou com a ajuda de outras palavras parte da gramática que estuda não só o sentido das palavras
que a substituem. O segundo passo é identificar, nos diversos como as relações de sentido que as palavras estabelecem entre
parágrafos, as ideias secundárias. si: relações de sinonímia, antonímia, paronímia, homonímia...
Compreender essas relações nos proporciona o
Contexto alargamento do nosso universo semântico, contribuindo para
uma maior diversidade vocabular e maior adequação aos
Qualquer texto deve estar baseado no conhecimento do diversos contextos e intenções comunicativas.
mundo real dos falantes. Essa é uma condição cuja finalidade é
contribuir para sua significação global. No contexto, deve-se Sinônimos
ter em mente os elementos que influenciam a mensagem:
Verbos implicativos são os que envolvem o leitor. Trata34 de palavras diferentes na forma, mas com sentidos
Exemplo: conseguir, evitar, concordar: iguais ou aproximados. Tudo depende do contexto e da
O monitor não evitou que as crianças se machucassem. intenção do falante.
(As crianças machucaram-se) Vale lembrar também que muitas palavras são sinônimas,
Verbos factivos, como lamentar, perceber e ideias se levarmos em conta as variações geográficas (aipim =
preconceituosas que o falante expressa inconscientemente: macaxeira; mexerica = tangerina; pipa = papagaio; aipo =
Daniela hoje não chegou tarde aos ensaios. salsão...).
(Daniela habitualmente chega tarde) Exemplos de sinônimos:
- Brado, grito, clamor.
Mecanismos de coesão - Extinguir, apagar, abolir, suprimir.
- Justo, certo, exato, reto, íntegro, imparcial.
Nas frases e parágrafos que constituem o texto, devem
aparecer elementos linguísticos. Esses elementos linguísticos Na maioria das vezes não tem diferença usar um sinônimo
têm a função de relacionar os parágrafos, as frases e as ou outro. Embora tenham sentido comum, os sinônimos
palavras: diferenciam-se, entretanto, uns dos outros, por nuances de
– Enlaces fraseológicos: significação e certas propriedades que o escritor não pode
Como ia te dizendo. desconhecer.
Tendo em vista o que aconteceu. Com efeito, estes têm sentido mais amplo, aqueles, mais
– Enlaces entre parágrafos: restrito (animal e quadrúpede); uns são próprios da fala
Primeiramente… (em geral no início do discurso); corrente, vulgar, outros, ao invés, pertencem à esfera da
Finalmente…; linguagem culta, literária, científica ou poética (orador e
Concluindo…; Por um lado…; Acima de tudo…; No fundo… tribuno, oculista e oftalmologista, cinzento e cinéreo).
Outros enlaces têm caráter temporal, comparativo, causal, Exemplos:
consecutivo, explicativo: - Adversário e antagonista.
– Enlaces entre orações: conjunções que relacionam - Translúcido e diáfano.
orações coordenadas ou subordinadas. - Semicírculo e hemiciclo.
– Enlaces léxicos: repetição de termos no texto, uso de - Contraveneno e antídoto.
sinônimos e de antônimos. - Moral e ética.
– Enlaces por repetição: anáfora – repetição de um termo - Colóquio e diálogo.
que apareceu anteriormente – catáfora – quando um elemento - Transformação e metamorfose.
remete a outro posterior; elementos dêiticos ou substitutos – - Oposição e antítese.
pronomes, advérbios, verbos e substantivos com ampla
significação: isto, aquilo, fazer, pegar, pessoa, coisa. O fato linguístico de existirem sinônimos chama-se
sinonímia, palavra que também designa o emprego de
Contexto/Situação sinônimos.
São dois os fatores básicos que interferem na significação Antônimos
das palavras:
O contexto linguístico, pois toda palavra aparece, Trata de palavras, expressões ou frases diferentes na
habitualmente, rodeada de outras palavras, em frases orais ou forma e com significações opostas, excludentes. Normalmente
escritas. São elas que ajudam a definir o exato significado da ocorre por meio de palavras de radicais diferentes, com
palavra: prefixo negativo ou com prefixos de significação contrária.
Este café é muito doce. Exemplos:
Nesta frase, doce significa açucarado, significado diferente - Ordem e anarquia.
do que apresenta nesta outra frase: - Soberba e humildade.
Uma doce melodia preenchia o ambiente. - Louvar e censurar.
A situação, ou contexto extralinguístico, e tudo mais que - Mal e bem.
possa estar relacionado ao ato da comunicação, como época,
lugar, hábitos linguísticos, grupo social, cultural ou etário dos A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido
falantes: oposto ou negativo.
Fogo! Exemplos:
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APOSTILAS OPÇÃO
Homófonos Homográficos: iguais na escrita e na (A) “__________ é um homem que jamais bate numa mulher
pronúncia. sem primeiro tirar o chapéu”. (cavaleiro / cavalheiro)
- Caminhada (substantivo), caminhada (verbo). (B) “A indústria do __________ se beneficia do sexo, ou você
- Cedo (verbo), cedo (advérbio). acha que as pessoas andariam com os jeans apertados desse
- Somem (verbo somar), somem (verbo sumir). jeito se não fosse pela conotação sexual?”.
- Livre (adjetivo), livre (verbo livrar). (vestiário/vestuário)
- Pomos (substantivo), pomos (verbo pôr). (C) “A diminuição __________ do nível da água dos
- Alude (avalancha), alude (verbo aludir). reservatórios trazia preocupação aos governadores de
Estado”. (eminente/iminente)
Parônimos (D) “As mudanças no Código Penal incluem possibilidades
de __________ penas mais duras aos criminosos”.
São palavras parecidas na escrita e na pronúncia: (infligir/infringir)
- coro e couro, (E) “As novas medidas presidenciais vieram __________ o
- cesta e sesta, acerto das votações no Congresso Nacional”. (retificar /
- eminente e iminente, ratificar)
- degradar e degredar,
- cético e séptico, Gabarito
- prescrever e proscrever,
- descrição e discrição, 01.C / 02.A / 03.D
- infligir (aplicar) e infringir (transgredir),
- sede (vontade de beber) e cede (verbo ceder), Hiperonímia e Hiponímia
- comprimento e cumprimento,
- deferir (conceder, dar deferimento) e diferir (ser diferente, Partindo do princípio de que as palavras estabelecem
divergir, adiar), entre si uma relação de significado, observe este enunciado36:
- ratificar (confirmar) e retificar (tornar reto, corrigir), Fomos à feira e compramos maçã, banana, abacaxi, melão...
- vultoso (volumoso, muito grande: soma vultosa) e Nossa! Como estavam baratas, pois são frutas da estação.
vultuoso (congestionado: rosto vultuoso). Atenção aos vocábulos “maçã”, “banana”, “abacaxi”,
“melão” e também “frutas”, perguntamo-nos: existe alguma
Heteronímia35 relação entre eles? Toda, não é verdade? Desse modo, ao
Ocorre quando palavras diferentes apontam para cada um observar o conceito de hiperonímia e hiponímia, chegaremos
dos sexos: à conclusão pretendida. Note:
- homem/mulher
- boi/vaca Hiperonímia37 - como o próprio prefixo já nos indica, esta
- frade/freira palavra confere-nos uma ideia de um todo, sendo que deste
- pai/mãe todo se originam outras ramificações, como é o caso de frutas.
- padrinho/madrinha Palavras e expressões de sentido mais geral.
35
BECHARA, E. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Nova 37 https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/gramatica/hiperonimia-
Fronteira, 2009. hiponimia.htm
36 https://portugues.uol.com.br/gramatica/hiperonimia-hiponimia.html
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Predestinação
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APOSTILAS OPÇÃO
outro livro. O uso de outro pressupõe necessariamente ao história da música popular brasileira, de quem Lenine se diz
menos um livro além daquele que está sendo autografado. seguidor. A terceira leitura para esse verso seria a referência à
"soul music" norte-americana, que teve grande influência na
Ambiguidade música brasileira a partir da década de 1960.
A ambiguidade surge quando algo que está sendo dito Na publicidade, é possível observar o "uso e o abuso" da
admite mais de um sentido, comprometendo a compreensão linguagem plurissignificante, por meio dos trocadilhos e jogos
do conteúdo. Isso pode suscitar dúvidas no leitor e levá-lo a de palavras. Esse procedimento visa chamar a atenção do
conclusões equivocadas na interpretação do texto. A interlocutor para a mensagem. Para entender melhor, vamos
ambiguidade é um dos problemas que podem ser evitados. analisar a seguir um anúncio publicitário veiculado por várias
A inadequação ou a má colocação de elementos como revistas importantes.
pronomes, adjuntos adverbiais, expressões e até mesmo “Sempre presente - Ferracini Calçados”
enunciados inteiros podem acarretar em duplo sentido,
comprometendo a clareza do texto. Observe os exemplos que O slogan "Sempre presente" pode apresentar, de início,
seguem: duas leituras possíveis: o calçado Ferracini é sempre uma boa
"O professor falou com o aluno parado na sala" opção para presentear alguém; ou, ainda, o calçado Ferracini
Neste caso, a ambiguidade decorre da má construção está sempre presente em qualquer ocasião, já que, supõe-se,
sintática deste enunciado. Quem estava parado na sala? O pode ser usado no dia a dia ou em uma ocasião especial.
aluno ou o professor? A solução é, mais uma vez, colocar
"parado na sala" logo ao lado do termo a que se refere: "Parado Questões
na sala, o professor falou com o aluno"; ou "O professor falou
com o aluno, que estava parado na sala". 01. (PC/CE – Delegado de Polícia Civil – VUNESP)
Língua Portuguesa 88
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APOSTILAS OPÇÃO
que questionam as “verdades constituídas do passado". A (A) ... universidades que fazem pesquisa tendem a reunir a
própria estrutura sobre a qual se funda a experiência moderna nata dos especialistas...
– ciência, técnica, superação de tradição – agrava a (B) Os dados do Ranking Universitário publicados em
invisibilidade dos mais velhos. Em termos humanos, o passado setembro de 2013...
(que “nada" serve ao mundo do progresso) tem um nome: (C) Não é preciso ser um gênio da aritmética para perceber
idoso. Enfim, resta aos vovôs e vovós ir para a academia ou que o país não dispõe de recursos...
para as redes sociais. (D) ... das 20 universidades mais bem avaliadas em termos
(Luiz Felipe Pondé, Somma, agosto 2014, p. 31. Adaptado) de ensino...
(E) ... todas as despesas que contribuem direta e
O termo empregado com sentido figurado está em indiretamente para a boa pesquisa...
destaque na seguinte passagem do texto:
(A) Mas o fato de ela ter me entendido mal, o que acontece 03. (TJ/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP)
com frequência quando se discute o tema da velhice… Leia o texto para responder a questão.
(segundo parágrafo).
(B) O motivo da sua pergunta era eu ter dito, em uma de Um pé de milho
minhas colunas, que hoje em dia não existiam mais vovôs e
vovós… (primeiro parágrafo). Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra
(C) Walter Benjamim, filósofo alemão do século XX, dizia trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um
que na modernidade o narrador da vida desapareceu. pé de capim – mas descobri que era um pé de milho.
(Penúltimo parágrafo). Transplantei-o para o exíguo canteiro na frente da casa.
(D) A própria estrutura sobre a qual se funda a experiência Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele
moderna – ciência, técnica, superação de tradição – agrava a reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo, veio um
invisibilidade dos mais velhos. (Último parágrafo). amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era
(E) Minha leitora entendeu que eu dizia que idosos devem capim. Quando estava com dois palmos veio outro amigo e
se afundar na doença, na solidão e no abandono… (quarto afirmou que era cana.
parágrafo). Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu
tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as suas
02. (PC/CE – Escrivão de Polícia Civil – VUNESP) folhas além do muro – e é um esplêndido pé de milho. Já viu o
leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto
Ficção universitária centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de milho
sozinho, em um anteiro, espremido, junto do portão, numa
Os dados do Ranking Universitário publicados em esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser vivo
setembro de 2013 trazem elementos para que tentemos e independente. Suas raízes roxas se agarra mão chão e suas
desfazer o mito, que consta da Constituição, de que pesquisa e folhas longas e verdes nunca estão imóveis.
ensino são indissociáveis. É claro que universidades que fazem Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos
pesquisa tendem a reunir a nata dos especialistas, produzir encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou.
mais inovação e atrair os alunos mais qualificados, tornando- Há muitas flores belas no mundo, e a flor do meu pé de milho
se assim instituições que se destacam também no ensino. não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical,
O Ranking Universitário mostra essa correlação de forma beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho
cristalina: das 20 universidades mais bem avaliadas em vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma
termos de ensino, 15 lideram no quesito pesquisa (e as demais coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de
estão relativamente bem posicionadas). Das 20 que saem à milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre
frente em inovação, 15 encabeçam também a pesquisa. Daí não homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou
decorre que só quem pesquisa, atividade estupidamente cara, um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.
seja capaz de ensinar. (Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas, 2001)
O gasto médio anual por aluno numa das três
universidades estaduais paulistas, aí embutidas todas as Assinale a alternativa em que, nas duas passagens, há
despesas que contribuem direta e indiretamente para a boa termos empregados em sentido figurado.
pesquisa, incluindo inativos e aportes de Fapesp, CNPq e (A) ... beijado pelo vento do mar... (3º §) / Meu pé de milho
Capes, é de R$ 46 mil (dados de 2008). Ora, um aluno do é um belo gesto da terra. (3º §)
ProUni custa ao governo algo em torno de R$ 1.000 por ano em (B) Mas ele reagiu. (1º §) / ... na verdade aquilo era capim.
renúncias fiscais. (1º §)
Não é preciso ser um gênio da aritmética para perceber (C) Secaram as pequenas folhas... (1º §) / Sou um
que o país não dispõe de recursos para colocar os quase sete ignorante... (2º §)
milhões de universitários em instituições com o padrão de (D) Ele cresceu, está com dois metros... (2º §) / Tinha visto
investimento das estaduais paulistas. E o Brasil precisa centenas de milharais... (2º §)
aumentar rapidamente sua população universitária. Nossa (E) ... lança as suas folhas além do muro... (2º §) / Há muitas
taxa bruta de escolarização no nível superior beira os 30%, flores belas no mundo... (3º §)
contra 59% do Chile e 63% do Uruguai.
Isso para não mencionar países desenvolvidos como EUA 04. (IF/SC – Técnico de Laboratório)
(89%) e Finlândia (92%). Em vez de insistir na ficção Assinale a opção em que NÃO há palavra usada em sentido
constitucional de que todas as universidades do país precisam conotativo.
dedicar-se à pesquisa, faria mais sentido aceitar o mundo (A) Tuas atitudes são o espelho do teu caráter.
como ele é e distinguir entre instituições de elite voltadas para (B) Regras podem ser estabelecidas para uma convivência
a produção de conhecimento e as que se destinam a difundi-lo. pacífica.
O Brasil tem necessidade de ambas. (C) Pipocavam palavras no texto, como se fossem rabiscos
(Hélio Schwartsman,: http://www1.folha.uol.com.br, 2013.) coloridos do próprio pensamento
(D) Choviam risadas naquela peça de humor.
Assinale a alternativa em que a expressão destacada é (E) A sabedoria abre as portas do conhecimento.
empregada em sentido figurado.
Língua Portuguesa 89
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01.D / 02.A / 03.A / 04.B / 05.E - O continente pelo conteúdo. Exemplo: Ela comeu uma
caixa de doces. (= doces).
Catacrese: consiste em transferir a uma palavra o sentido - A matéria pelo objeto. Exemplo: Ele não tem um níquel.
próprio de outra, utilizando-se formas já incorporadas aos (= moeda).
usos da língua. Se a metáfora surpreende pela originalidade da
associação de ideias, o mesmo não ocorre com a catacrese, que Observação: os últimos 5 casos recebem também o nome
já não chama a atenção por ser tão repetidamente usada. de Sinédoque.
39
SCHICAIR. Nelson M. Gramática do Português Instrumental. 2ª. ed Niterói:
Impetus, 2007.
Língua Portuguesa 90
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Assonância: repetição da mesma vogal no decorrer de um "Os meus vizinhos, não confio mais neles." - a função
verso ou poema. Exemplo: sintática de os meus vizinhos é nula, não há; entretanto, se
“Sou Ana, da cama houvesse preposição (Nos meus vizinhos, não confio mais
Da cana, fulana bacana neles), o termo seria objeto indireto, enquanto neles seria o
Sou Ana de Amsterdã.” (Chico Buarque) objeto indireto pleonástico.
Língua Portuguesa 91
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APOSTILAS OPÇÃO
Nos casos de silepse de pessoa há, por parte do autor, uma "Aquele homem de índole duvidosa apropriou-se (ladrão)
clara intromissão, característica do discurso indireto livre, indevidamente dos meus pertences." (roubou)
quando, ao informar, o emissor se coloca como parte da ação.
Disfemismo: expressão grosseira em lugar de outra,
Figuras de Pensamento suave, branda. Exemplo:
“Você não passa de um porco ... um pobretão.”
São recursos de linguagem que se referem ao aspecto
semântico, ou seja, ao significado dentro de um contexto. Personificação ou Prosopopeia: Consiste em dar vida a
seres inanimados. Exemplos:
Antítese: é a aproximação de palavras de sentidos "O vento beija meus cabelos
contrários, antagônicos. Exemplos: As ondas lambem minhas pernas
"Onde queres prazer, sou o que dói O sol abraça o meu corpo."
E onde queres tortura, mansidão (Lulu Santos - Nelson Motta)
Onde, queres um lar, Revolução
E onde queres bandido, sou herói." "Sob o sol respira o mar,
(Caetano Veloso) dedilhando as ondas, belo olhar.
Faiscando espumas, lágrimas
Paradoxo ou Oximoro: é mais que a aproximação saúdam sereias amantes:
antitética; é a própria ideia que se contradiz. Exemplos: Te escutam, te amam, te lambem."
"O mito é o nada que é tudo." (Fernando Pessoa) (Nel de Moraes)
"Mas tão certo quanto o erro de seu barco a motor é insistir
em usar remos." Reificação: consiste em 'coisificar' os seres humanos.
(Legião Urbana) Exemplo: "Tia, já botei os candidatos na lista."
Apóstrofe: é a evocação, o chamamento. Identifica-se Lítotes: consiste em negar por afirmação ou vice-versa.
facilmente na função sintática do VOCATIVO. Exemplos: Exemplos:
"Ó lindo mar verdejante, "Ela até que não é feia." -logo, é bonita!
tuas ondas entoam cantos, "Você está exagerando. Não subestime a sua inteligência."
és tu o dono reinante - porque ela é inteligente.
das brancas marés espumantes..."
(Nel de Moraes) Questões
Perífrase: designação dos objetos, acidentes geográficos, 01. (IF/PA - Assistente em Administração -
indivíduos e outros que não queremos simplesmente nomear. FUNRIO/2016) “Quero um poema ainda não pensado, / que
Exemplos: inquiete as marés de silêncio da palavra ainda não escrita nem
"Última Flor do Lácio40, inculta e bela, pronunciada, / que vergue o ferruginoso canto do oceano / e
és a um tempo esplendor e sepultura." reviva a ruína que são as poças d’água. / Quero um poema para
(Olavo Bilac)
vingar minha insônia.” (Olga Savary, “Insônia”)
Cidade Luz [z: Paris)
Veneza Brasileira (= Recife)
Nesses versos finais do poema, encontramos as seguintes
Cidade Maravilhosa (= Rio de Janeiro)
figuras de linguagem:
Rei dos Animais (= leão)
(A) silepse e zeugma
(B) eufemismo e ironia.
Gradação: é uma sequência de palavras ou ideias que
(C) prosopopeia e metáfora.
servem de intensificação numa sequência temporal. Ex.:
(D) aliteração e polissíndeto.
"Dissecou-a a tal ponto, e com tal arte, que ela, rota, baça,
(E) anástrofe e aposiopese.
nojenta, vil."
(Raimundo Corrêa)
02. (IF/PA - Auxiliar em Administração -
Ironia: consiste em dizer o oposto do que se pensa, com FUNRIO/2016) “Eu sou de lá / Onde o Brasil verdeja a alma e
intenção sarcástica ou depreciativa. Exemplos: o rio é mar / Eu sou de lá / Terra morena que eu amo tanto,
"A excelente Dona lnácia era mestra na arte de judiar de meu Pará.” (Pe. Fábio de Melo, “Eu Sou de Lá”)
criança." (Monteiro Lobato)
"Dona Clotilde, o arcanjo do seu filho quebrou minhas Nesse trecho da canção gravada por Fafá de Belém,
vidraças." encontramos a seguinte figura de linguagem:
(A) antítese.
Hipérbole: é a figura do exagero, a fim de proporcionar (B) eufemismo.
uma imagem chocante ou emocionante. Exemplos: (C) ironia
"Rios te correrão dos olhos, se chorares!" (Olavo Bilac) (D) metáfora
"Existem mil maneiras de preparar Neston." (E) silepse.
Eufemismo: Figura que atenua ideias desagradáveis ou 03. (Pref. de Itaquitinga/PE - Técnico em Enfermagem
penosas. Exemplos: - IDHTEC/2016)
"E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague." (Chico Buarque) MAMÃ NEGRA (Canto de esperança)
Paz derradeira = morte
Tua presença, minha Mãe - drama vivo duma Raça, Drama
de carne e sangue Que a Vida escreveu com a pena dos séculos!
40
Flor do Lácio (= Língua Portuguesa)
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APOSTILAS OPÇÃO
41 https://www.todamateria.com.br/generos-textuais/
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APOSTILAS OPÇÃO
• Relatos (viagens, históricos, etc.) são a linguagem argumentativa e expositiva, pois a intenção da
• Biografia e autobiografia propaganda é fazer com que o destinatário se interesse pelo
• Notícia produto da propaganda. O texto pode conter algum tipo de
• Currículo descrição e sempre é claro e objetivo.
• Lista de compras
• Cardápio Notícia
• Anúncios de classificados Este é um dos tipos de texto que é mais fácil de identificar.
Sua linguagem é narrativa e descritiva e o objetivo desse texto
Texto Dissertativo-Argumentativo é informar algo que aconteceu.
Os textos dissertativos são aqueles encarregados de expor A notícia é um dos principais tipos de textos jornalísticos
um tema ou assunto por meio de argumentações. São existentes e tem como intenção nos informar acerca de
marcados pela defesa de um ponto de vista, ao mesmo tempo determinada ocorrência. Bastante recorrente nos meios de
que tentam persuadir o leitor. Sua estrutura textual é dividida comunicação em geral, seja na televisão, em sites pela internet
em três partes: tese (apresentação), antítese ou impresso em jornais ou revistas.
(desenvolvimento), nova tese (conclusão). Caracteriza-se por apresentar uma linguagem simples,
clara, objetiva e precisa, pautando-se no relato de fatos que
Exemplos de gêneros textuais dissertativos: interessam ao público em geral. A linguagem é clara, precisa e
• Editorial Jornalístico objetiva, uma vez que se trata de uma informação.
• Carta de opinião
• Resenha Editorial
• Artigo O editorial é um tipo de texto jornalístico que geralmente
• Ensaio aparece no início das colunas. Diferente dos outros textos que
• Monografia, dissertação de mestrado e tese de doutorado compõem um jornal, de caráter informativo, os editoriais são
textos opinativos.
Texto Expositivo Embora sejam textos de caráter subjetivo, podem
Os textos expositivos possuem a função de expor apresentar certa objetividade. Isso porque são os editoriais
determinada ideia, por meio de recursos como: definição, que apresentam os assuntos que serão abordados em cada
conceituação, informação, descrição e comparação. seção do jornal, ou seja, Política, Economia, Cultura, Esporte,
Turismo, País, Cidade, Classificados, entre outros.
Alguns exemplos de gêneros textuais expositivos: Os textos são organizados pelos editorialistas, que
• Seminários expressam as opiniões da equipe e, por isso, não recebem a
• Palestras assinatura do autor. No geral, eles apresentam a opinião do
• Conferências meio de comunicação (revista, jornal, rádio, etc.).
• Entrevistas Tanto nos jornais como nas revistas podemos encontrar os
• Trabalhos acadêmicos editoriais intitulados como “Carta ao Leitor” ou “Carta do
• Enciclopédia Editor”.
• Verbetes de dicionários Em relação ao discurso apresentado, esse costuma se
apoiar em fatos polêmicos ligados ao cotidiano social. E
Texto Injuntivo quando falamos em discurso, logo nos atemos à questão da
O texto injuntivo, também chamado de texto instrucional, linguagem que, mesmo em se tratando de impressões
é aquele que indica uma ordem, de modo que o locutor pessoais, o predomínio do padrão formal, fazendo com que
(emissor) objetiva orientar e persuadir o interlocutor prevaleça o emprego da 3ª pessoa do singular, ocupa lugar de
(receptor). Por isso, apresentam, na maioria dos casos, verbos destaque.
no imperativo.
Reportagem
Alguns exemplos de gêneros textuais injuntivos: Reportagem é um texto jornalístico amplamente divulgado
• Propaganda nos meios de comunicação de massa. A reportagem informa,
• Receita culinária de modo mais aprofundado, fatos de interesse público. Ela
• Bula de remédio situa-se no questionamento de causa e efeito, na interpretação
• Manual de instruções e no impacto, somando as diferentes versões de um mesmo
• Regulamento acontecimento.
• Textos prescritivos A reportagem não possui uma estrutura rígida, mas
geralmente costuma estabelecer conexões com o fato central,
Outros Exemplos anunciado no que chamamos de lead. A partir daí, desenvolve-
se a narrativa do fato principal, ampliada e composta por meio
Carta de citações, trechos de entrevistas, depoimentos, dados
Esta, dependendo do destinatário pode ser informal, estatísticos, pequenos resumos, dentre outros recursos. É
quando é destinada a algum amigo ou pessoa com quem se tem sempre iniciada por um título, como todo texto jornalístico.
intimidade. E formal quando destinada a alguém mais culto ou O objetivo de uma reportagem é apresentar ao leitor várias
que não se tenha intimidade. versões para um mesmo fato, informando-o, orientando-o e
Dependendo do objetivo da carta a mesma terá diferentes contribuindo para formar sua opinião.
estilos de escrita, podendo ser dissertativa, narrativa ou A linguagem utilizada nesse tipo de texto é objetiva,
descritiva. As cartas se iniciam com a data, em seguida vem a dinâmica e clara, ajustada ao padrão linguístico divulgado nos
saudação, o corpo da carta e para finalizar a despedida. meios de comunicação de massa, que se caracteriza como uma
linguagem acessível a todos os públicos, mas pode variar de
Propaganda formal para mais informal dependendo do público a que se
Este gênero geralmente aparece na forma oral, diferente destina. Embora seja impessoal, às vezes é possível perceber a
da maioria dos outros gêneros. Suas principais características opinião do repórter sobre os fatos ou sua interpretação.42
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APOSTILAS OPÇÃO
Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite 01.C / 02.A / 03.B / 04.A / 05.C
de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para
casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e
contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar
lindo, de Lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade Tipos de discurso
eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas,
uma paisagem irreal.
Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer
aproveitou um sinal fechado para voltar-se para mim: É a forma como um texto se apresenta. É importante que
– O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua não se confunda tipo textual com gênero textual.
conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima? Existe uma variedade enorme de entendimentos sobre a
Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e forma correta de definir os tipos de texto. Embora haja uma
torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda. discordância entre várias fontes sobre a quantidade exata de
– Mas, que coisa... tipos textuais, vamos trabalhar aqui com 5 tipos essenciais:
Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu - Texto Descritivo;
fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. - Texto Narrativo;
Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa. - Texto Dissertativo;
– Ora, sim senhor... - Texto Injuntivo;
E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa - Texto Expositivo.
noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão
veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei. Texto Descritivo
(Rubem Braga, Ai, Copacabana, disponível em
http://biscoitocafeenovela.blogspot.com.br/2014/09/sessao-leitura-outra-noite- É a representação com palavras de um objeto, lugar,
rubembraga.html. Acesso em 14/01/2018)
situação ou coisa, onde procuramos mostrar os traços mais
particulares ou individuais do que se descreve. É qualquer
Quanto ao gênero, o texto sob análise apresenta
elemento que seja apreendido pelos sentidos e transformado,
características de:
com palavras, em imagens.
(A) Uma crônica.
Não é, por norma, um tipo de texto autônomo,
(B) Uma fábula.
encontrando-se presente em outros textos, como o texto
(C) Um artigo.
narrativo. Passagens descritivas ocorrem no meio da narração
(D) Um ensaio.
quando há uma pausa no desenrolar dos acontecimentos para
(E) Nenhuma das alternativas.
caracterizar pormenorizadamente um objeto, um lugar ou
uma pessoa, sendo um recurso útil e importante para capturar
03. (SEE/PE - Professor - FGV/2016) Os diversos
a atenção do leitor.
gêneros textuais destacam uma qualificação predominante
para cada enunciador; em um texto informativo, por exemplo,
Exemplo:
o enunciador tem como marca específica
Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado,
(A) o interesse de convencimento.
inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter
(B) o domínio de um conhecimento.
aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos;
(C) a necessidade de expressão de uma emoção.
Língua Portuguesa 96
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APOSTILAS OPÇÃO
vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro. personalidade, humor…, apreendidos pelo convívio com a
Reunia a isso grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, pessoa e pela observação de suas atitudes. Na descrição de
cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola depois lugares ocorre tanto a descrição de aspectos físicos, como a
do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo com ele do descrição do ambiente social, econômico, político... Na
que conosco. descrição de objetos, embora predomine a descrição de
(Machado de Assis. "Conto de escola". Contos. 3ed. São Paulo, Ática, 1974) aspectos físicos, pode ocorrer uma descrição sensorial, que
estimule os sentidos do leitor.
Esse texto traça o perfil de Raimundo, o filho do professor
da escola que o escritor frequentava. A descrição, ao contrário da narrativa, não supõe ação. É
Deve-se notar: uma estrutura pictórica, em que os aspectos sensoriais
- que todas as frases expõem ocorrências simultâneas (ao predominam. Porque toda técnica descritiva implica
mesmo tempo que gastava duas horas para reter aquilo que os contemplação e apreensão de algo objetivo ou subjetivo, o
outros levavam trinta ou cinquenta minutos, Raimundo tinha redator, ao descrever, precisa possuir certo grau de
grande medo ao pai); sensibilidade. Assim como o pintor capta o mundo exterior ou
- por isso, não existe uma ocorrência que possa ser interior em suas telas, o autor de uma descrição focaliza cenas
considerada cronologicamente anterior a outra do ponto de ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade.
vista do relato (no nível dos acontecimentos, entrar na escola
é cronologicamente anterior a retirar-se dela; no nível do Texto Narrativo
relato, porém, a ordem dessas duas ocorrências é indiferente:
o que o escritor quer é explicitar uma característica do menino, O texto narrativo é caracterizado por narrar uma história,
e não traçar a cronologia de suas ações); ou seja, contar uma história através de uma sequência de
- ainda que se fale de ações (como entrava, retirava-se), várias ações reais ou imaginárias. Essa sucessão de
todas elas estão no pretérito imperfeito, que indica acontecimentos é contada por um narrador e está estruturada
concomitância em relação a um marco temporal instalado no em introdução, desenvolvimento e conclusão.43
texto (no caso, o ano de 1840, em que o escritor frequentava a Ao longo dessa estrutura narrativa são apresentados os
escola da Rua da Costa) e, portanto, não denota nenhuma principais elementos da narração: espaço, tempo,
transformação de estado; personagem, enredo e narrador.
- se invertêssemos a sequência dos enunciados, não Todas as vezes que uma história é contada (é narrada), o
correríamos o risco de alterar nenhuma relação narrador acaba sempre contando onde, quando, como e com
cronológica - poderíamos mesmo colocar o último período em quem ocorreu o episódio. É por isso que numa narração
primeiro lugar e ler o texto do fim para o começo: O mestre era predomina a ação: o texto narrativo é um conjunto de ações;
mais severo com ele do que conosco. Entrava na escola depois assim sendo, a maioria dos verbos que compõem esse tipo de
do pai e retirava-se antes... texto são os verbos de ação. O conjunto de ações que compõem
o texto narrativo, ou seja, a história que é contada nesse tipo
Estrutura de texto recebe o nome de enredo.
As ações contidas no texto narrativo são praticadas pelas
Introdução: Primeiramente é feita a identificação do ser personagens, que são justamente as pessoas envolvidas no
ou objeto que será descrito, de modo a que o leitor foque sua episódio que está sendo contado. As personagens são
atenção nesse ser ou objeto. identificadas (nomeadas) no texto narrativo pelos
Desenvolvimento: Ocorre então a descrição do objeto ou substantivos próprios.
ser em foco, apresentando seus aspectos mais gerais e mais Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mesmo
pormenorizados, havendo caracterizações mais objetivas e sem querer) ele acaba contando "onde" (em que lugar) as
outras mais subjetivas. ações do enredo foram realizadas pelas personagens. O lugar
Conclusão: A descrição está concluída quando a onde ocorre uma ação ou ações é chamado de espaço,
caracterização do objeto ou ser estiver terminada. representado no texto pelos advérbios de lugar.
Além de contar onde, o narrador também pode esclarecer
Características "quando" ocorreram as ações da história. Esse elemento da
narrativa é o tempo, representado no texto narrativo através
O texto descritivo não se encontra limitado por noções dos tempos verbais, mas principalmente pelos advérbios de
temporais ou relações espaciais, visto descrever algo estático, tempo. É o tempo que ordena as ações no texto narrativo: é ele
sem ordem fixa para a realização da descrição. Há uma notória que indica ao leitor "como" o fato narrado aconteceu.
predominância de substantivos, adjetivos e locuções adjetivas, A história contada, por isso, passa por uma introdução
em detrimento de verbos, sendo maioritariamente necessária (parte inicial da história, também chamada de prólogo), pelo
a utilização de verbos de estado, como ser, estar, parecer, desenvolvimento do enredo (é a história propriamente dita,
permanecer, ficar, continuar, tornar-se, andar... o meio, o "miolo" da narrativa, também chamada de trama) e
O uso de uma linguagem clara e dinâmica, com vocabulário termina com a conclusão da história (é o final ou epílogo).
rico e variado, bem como o uso de enumerações e Aquele que conta a história é o narrador, que pode ser
comparações, ou outras figuras de linguagem, servem para pessoal (narra em 1ª pessoa: Eu) ou impessoal (narra em 3ª
melhor apresentar o objeto ou ser em descrição, enriquecendo pessoa: Ele).
o texto e tornando-o mais interessante para o leitor. Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por verbos
A descrição pode ser mais objetiva, focalizando aspectos de ação, por advérbios de tempo, por advérbios de lugar e
físicos, ou mais subjetiva, focalizando aspectos emocionais e pelos substantivos que nomeiam as personagens, que são os
psicológicos. Nas melhores descrições, há um equilíbrio entre agentes do texto, ou seja, aquelas pessoas que fazem as ações
os dois tipos de descrição, sendo o objeto ou ser descrito expressas pelos verbos, formando uma rede: a própria história
apresentado nas suas diversas vertentes. contada.
Na descrição de pessoas, há a descrição de aspectos físicos, Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que conta
ou seja, aquilo que pode ser observado e a descrição de a história.
aspectos psicológicos e comportamentais, como o caráter,
43
https://www.normaculta.com.br/texto-narrativo/
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APOSTILAS OPÇÃO
Principais elementos da narrativa Nos textos narrativos, é através da voz do narrador que
Os principais elementos da narrativa, também chamados conhecemos o desenrolar da história e as ações das
de elementos da narração, são: personagens, mas é através da voz das personagens que
Espaço: O espaço se refere ao local onde se desenrola a conhecemos as suas ideias, opiniões e sentimentos. A forma
ação. Pode ser físico (no colégio, no Brasil, na praça,…), social como a voz das personagens é introduzida na voz do narrador
(características do ambiente social) e psicológico (vivências, é chamada de discurso.
pensamento e sentimentos do sujeito,…).
Tempo: O tempo se refere à duração da ação e ao Através de uma correta utilização dos tipos de discurso, a
desenrolar dos acontecimentos. O tempo cronológico indica a narrativa poderá assumir um caráter mais ou menos dinâmico,
sucessão cronológica dos fatos, pelas horas, dias, anos,… O mais ou menos natural, mais ou menos interessante, mais ou
tempo psicológico se refere às lembranças e vivências das menos objetivo,… Existem três tipos de discurso, ou seja, três
personagens, sendo subjetivo e influenciado pelo estado de formas de introdução das falas das personagens na narrativa:
espírito das personagens em cada momento. - O discurso direto é caracterizado por ser uma
Personagens: São caracterizadas através de qualidades transcrição exata da fala das personagens, sem participação do
físicas e psicológicas, podendo essa caracterização ser feita de narrador.
modo direto (explicitada pelo narrador ou por outras - O discurso indireto é caracterizado por ser uma
personagens, através de autocaracterização ou intervenção do narrador no discurso ao utilizar as suas
heterocaracterização) ou de modo indireto (feita com base nas próprias palavras para reproduzir as falas das personagens.
atitudes e comportamento das personagens). - O discurso indireto livre é caracterizado por permitir
que os acontecimentos sejam narrados em simultâneo,
As personagens possuem diferentes importâncias na estando as falas das personagens direta e integralmente
narração, havendo personagens principais e personagens inseridas dentro do discurso do narrador.
secundárias. As personagens principais desempenham papéis
essenciais no enredo, podendo ser protagonistas (que deseja, Exemplo - Personagens
tenta, consegue) ou antagonistas (que dificulta, atrapalha,
impede). As personagens secundárias desempenham papéis "Aboletado na varanda, lendo Graciliano Ramos, O Dr.
menores e podem ser coadjuvantes (ajudam as personagens Amâncio não viu a mulher chegar.
principais em ações secundárias) ou figurantes (ajudam na - Não quer que se carpa o quintal, moço?
caracterização de um espaço social). Estava um caco: mal vestida, cheirando a fumaça, a face
Podem ser dinâmicas, apresentando diferentes escalavrada. Mas os olhos... (sempre guardam alguma coisa do
comportamentos ao longo da narração (personagem passado, os olhos)."
modelada ou redonda), bem como estáticas, não se (Kiefer, Charles. A dentadura postiça. Porto Alegre:
modificando no decorrer da ação (personagem plana). Há Mercado Aberto)
ainda personagens que representam um grupo específico
(personagem-tipo). Exemplo - Espaço
Enredo: Também chamado de intriga, trama ou ação, o Considerarei longamente meu pequeno deserto, a
enredo é composto pelos acontecimentos que ocorrem num redondeza escura e uniforme dos seixos. Seria o leito seco de
determinado tempo e espaço e são vivenciados pelas algum rio. Não havia, em todo o caso, como negar-lhe a
personagens. As ações seguem-se umas às outras por insipidez."
encadeamento, encaixe e alternância. (Linda, Ieda. As amazonas segundo tio Hermann. Porto Alegre: Movimento,
1981)
Língua Portuguesa 98
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APOSTILAS OPÇÃO
indireta se dá quando os personagens aparecem aos poucos e Toda narrativa tem essas quatro mudanças, pois elas se
o leitor vai construindo a sua imagem com o desenrolar do pressupõem logicamente. Com efeito, quando se constata a
enredo, ou seja, a partir de suas ações, do que ela vai fazendo e realização de uma mudança é porque ela se verificou, e ela
do modo como vai fazendo. efetua-se porque quem a realiza pode, sabe, quer ou deve
fazê-la.
- Em 1ª pessoa: Tomemos, por exemplo, o ato de comprar um
apartamento: quando se assina a escritura, realiza-se o ato de
Personagem Principal: há um “eu” participante que conta compra; para isso, é necessário poder (ter dinheiro) e querer
a história e é o protagonista. Exemplo: ou dever comprar (respectivamente, querer deixar de pagar
aluguel ou ter necessidade de mudar, por ter sido despejado,
“Parei na varanda, ia tonto, atordoado, as pernas bambas, o por exemplo).
coração parecendo querer sair-me pela boca fora. Não me Algumas mudanças são necessárias para que outras se
atrevia a descer à chácara, e passar ao quintal vizinho. Comecei deem. Assim, para apanhar uma fruta, é necessário apanhar
a andar de um lado para outro, estacando para amparar-me, e um bambu ou outro instrumento para derrubá-la. Para ter um
andava outra vez e estacava.” carro, é preciso antes conseguir o dinheiro.
(Machado de Assis. Dom Casmurro)
Narrativa e Narração
Observador: é como se dissesse: É verdade, pode Existe alguma diferença entre as duas? Sim. A
acreditar, eu estava lá e vi. Exemplo: narratividade é um componente narrativo que pode existir
em textos que não são narrações. A narrativa é a
“Batia nos noventa anos o corpo magro, mas sempre teso do transformação de situações. Por exemplo, quando se diz
Jango Jorge, um que foi capitão duma maloca de contrabandista “Depois da abolição, incentivou-se a imigração de europeus”,
que fez cancha nos banhados do Brocai. temos um texto dissertativo, que, no entanto, apresenta um
Esse gaúcho desamotinado levou a existência inteira a componente narrativo, pois contém uma mudança de situação:
cruzar os campos da fronteira; à luz do Sol, no desmaiado da do não incentivo ao incentivo da imigração europeia.
Lua, na escuridão das noites, na cerração das madrugadas...; Se a narrativa está presente em quase todos os tipos de
ainda que chovesse reiúnos acolherados ou que ventasse como texto, o que é narração?
por alma de padre, nunca errou vau, nunca perdeu atalho, nunca A narração é um tipo de narrativa. Tem ela três
desandou cruzada! ... características:
(...) - é um conjunto de transformações de situação;
Aqui há poucos - coitado! - pousei no arranchamento dele. - é um texto figurativo, isto é, opera com personagens e
Casado ou doutro jeito, afamilhado. Não nos víamos desde muito fatos concretos;
tempo. (...) - as mudanças relatadas estão organizadas de maneira tal
Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório na que, entre elas, existe sempre uma relação de anterioridade e
matança dos leitões e no tiramento dos assados com couro.” posterioridade.
(J. Simões Lopes Neto – Contrabandista)
44
https://segredosdeconcurso.com.br/tipologia-textual/
Língua Portuguesa 99
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Dissertação Expositiva e Argumentativa realidades que marcaram esses 100 últimos anos, aparece a
A dissertação expositiva é voltada para aqueles fatos que verdadeira doença do século...”
estão sendo focados e discutidos pela grande mídia. É um tipo - Narração: narrar um fato.
de acontecimento inquestionável, mesmo porque todos os
detalhes já foram expostos na televisão, rádio e novas mídias. Deve conter a ideia principal a ser desenvolvida
Já o texto dissertativo argumentativo vai fazer uma (geralmente um ou dois parágrafos). É a abertura do texto, por
reflexão maior sobre os temas. Os pontos de vista devem ser isso é fundamental. Deve ser clara e chamar a atenção para
declarados em terceira pessoa, há interações entre os fatos que dois itens básicos: os objetivos do texto e o plano do
se aborda. Tais fatos precisam ser esclarecidos para que o desenvolvimento. Contém a proposição do tema, seus limites,
leitor se sinta convencido por tal escrita. Quem escreve uma ângulo de análise e a hipótese ou a tese a ser defendida.
dissertação argumentativa deve saber persuadir a partir de
sua crítica de determinado assunto. A linguagem jamais Desenvolvimento
poderá deixar de ser objetiva, com fatos reais, evidências e É a argumentação da ideia inicial, de forma organizada e
concretudes. progressiva. É a parte maior e mais importante do texto.
Podem ser desenvolvidas de várias formas:
São partes da dissertação: Introdução / - Trajetória Histórica: cultura geral é o que se prova com
Desenvolvimento / Conclusão. este tipo de abordagem.
- Definição: não basta citar, mas é preciso desdobrar a
Introdução ideia principal ao máximo, esclarecendo o conceito ou a
Em que se apresenta o assunto; se apresenta a ideia definição.
principal, sem, no entanto, antecipar seu desenvolvimento. - Comparação: estabelecer analogias, confrontar situações
Tipos: distintas.
- Bilateralidade: quando o tema proposto apresenta
- Divisão: quando há dois ou mais termos a serem pontos favoráveis e desfavoráveis.
discutidos. Ex.: “Cada criatura humana traz duas almas - Ilustração Narrativa ou Descritiva: narrar um fato ou
consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de descrever uma cena.
fora para dentro...” - Cifras e Dados Estatísticos: citar cifras e dados
- Alusão Histórica: um fato passado que se relaciona a um estatísticos.
fato presente. Ex.: “A crise econômica que teve início no - Hipótese: antecipa uma previsão, apontando para
começo dos anos 80, com os conhecidos altos índices de prováveis resultados.
inflação que a década colecionou, agravou vários dos - Interrogação: toda sucessão de interrogações deve
históricos problemas sociais do país. Entre eles, a violência, apresentar questionamento e reflexão.
principalmente a urbana, cuja escalada tem sido facilmente - Refutação: questiona-se praticamente tudo: conceitos,
identificada pela população brasileira.” valores, juízos.
- Proposição: o autor explicita seus objetivos. - Causa e Consequência: estruturar o texto através dos
- Convite: proposta ao leitor para que participe de alguma porquês de uma determinada situação.
coisa apresentada no texto. Ex.: Você quer estar “na sua”? Quer - Oposição: abordar um assunto de forma dialética.
se sentir seguro, ter o sucesso pretendido? Não entre pelo - Exemplificação: dar exemplos.
cano! Faça parte desse time de vencedores desde a escolha
desse momento! Exposição de elementos que vão fundamentar a ideia
- Contestação: contestar uma ideia ou uma situação. Ex.: principal que pode vir especificada através da argumentação,
“É importante que o cidadão saiba que portar arma de fogo não de pormenores, da ilustração, da causa e da consequência, das
é a solução no combate à insegurança.” definições, dos dados estatísticos, da ordenação cronológica,
- Características: caracterização de espaços ou aspectos. da interrogação e da citação. No desenvolvimento são usados
- Estatísticas: apresentação de dados estatísticos. Ex.: “Em tantos parágrafos quantos forem necessários para a completa
1982, eram 15,8 milhões os domicílios brasileiros com exposição da ideia.
televisores. Hoje, são 34 milhões (o sexto maior parque de
aparelhos receptores instalados do mundo). Ao todo, existem Conclusão
no país 257 emissoras (aquelas capazes de gerar programas) É uma avaliação final do assunto, um fechamento
e 2.624 repetidoras (que apenas retransmitem sinais integrado de tudo que se argumentou. Para ela convergem
recebidos). (...)” todas as ideias anteriormente desenvolvidas.
- Declaração Inicial: emitir um conceito sobre um fato.
- Citação: opinião de alguém de destaque sobre o assunto - Conclusão Fechada: recupera a ideia da tese.
do texto. Ex.: “A principal característica do déspota encontra-
se no fato de ser ele o autor único e exclusivo das normas e das - Conclusão Aberta: levanta uma hipótese, projeta um
regras que definem a vida familiar, isto é, o espaço privado. Seu pensamento ou faz uma proposta, incentivando a reflexão de
poder, escreve Aristóteles, é arbitrário, pois decorre quem lê.
exclusivamente de sua vontade, de seu prazer e de suas
necessidades.” É a retomada da ideia principal, que agora deve aparecer
- Definição: desenvolve-se pela explicação dos termos que de forma muito mais convincente, uma vez que já foi
compõem o texto. fundamentada durante o desenvolvimento da dissertação (um
- Interrogação: questionamento. Ex.: “Volta e meia se faz a parágrafo). Deve, pois, conter de forma sintética, o objetivo
pergunta de praxe: afinal de contas, todo esse entusiasmo pelo proposto na instrução, a confirmação da hipótese ou da tese,
futebol não é uma prova de alienação?” acrescida da argumentação básica empregada no
- Suspense: alguma informação que faça aumentar a desenvolvimento.
curiosidade do leitor.
- Comparação: social e geográfica. Exemplo:
- Enumeração: enumerar as informações. Ex.: “Ação à
distância, velocidade, comunicação, linha de montagem,
triunfo das massas, holocausto: através das metáforas e das
APOSTILAS OPÇÃO
Redução da maioridade penal, grande falácia - a coerência é tida como regra de ouro da dissertação;
- impõem-se sempre o raciocínio lógico;
O advogado criminalista Dalio Zippin Filho explica por que - a linguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer
é contrário à mudança na maioridade penal. ambiguidade pode ser um ponto vulnerável na demonstração
Diuturnamente o Brasil é abalado com a notícia de que um do que se quer expor. Deve ser clara, precisa, natural, original,
crime bárbaro foi praticado por um adolescente, penalmente nobre, correta gramaticalmente. O discurso deve ser
irresponsável nos termos do que dispõe os artigos 27 do CP, impessoal (evitar-se o uso da primeira pessoa).
104 do ECA e 228 da CF. A sociedade clama por maior
segurança. Pede pela redução da maioridade penal, mas logo Texto Injuntivo
descobrirá que a criminalidade continuará a existir, e haverá
mais discussão, para reduzir para 14 ou 12 anos. Analisando a Os textos injuntivos estão presentes em nossa vida nas
legislação de 57 países, constatou-se que apenas 17% adotam mais variadas situações, como por exemplo quando
idade menor de 18 anos como definição legal de adulto. adquirimos um aparelho eletrônico e temos que verificar
Se aceitarmos punir os adolescentes da mesma forma manual de instruções para o funcionamento, ou quando vamos
como fazemos com os adultos, estamos admitindo que eles fazer um bolo utilizando uma receita, ou ainda quando lemos
devem pagar pela ineficácia do Estado, que não cumpriu a lei e a bula de um remédio ou a receita médica que nos foi prescrita.
não lhes deu a proteção constitucional que é seu direito. A Os textos injuntivos são aqueles textos que nos orientam, nos
prisão é hipócrita, afirmando que retira o indivíduo infrator da ditam normas, nos instruem.45
sociedade com a intenção de ressocializá-lo, segregando-o, 46Os textos explicativos podem ser injuntivos ou
para depois reintegrá-lo. Com a redução da menoridade penal, prescritivos. Os textos explicativos injuntivos possibilitam
o nosso sistema penitenciário entrará em colapso. alguma liberdade de atuação ao leitor, enquanto os textos
Cerca de 85% dos menores em conflito com a lei praticam explicativos prescritivos exigem que o leitor proceda de uma
delitos contra o patrimônio ou por atuarem no tráfico de determinada forma.
drogas, e somente 15% estão internados por atentarem contra
a vida. Afirmar que os adolescentes não são punidos ou Regras gramaticais para este tipo de texto (Injunção):
responsabilizados é permitir que a mentira, tantas vezes dita, Como são textos que expressão ordem, normas, instruções
transforme-se em verdade, pois não é o ECA que provoca a tem como característica principal a utilização de verbos no
impunidade, mas a falta de ação do Estado. Ao contrário do que imperativo. Pode ser classificado de duas formas:
muitos pensam, hoje em dia os adolescentes infratores são -Instrucional: O texto apresenta apenas um conselho, uma
punidos com muito mais rigor do que os adultos. indicação e não uma ordem.
Apresentar propostas legislativas visando à redução da
menoridade penal com a modificação do disposto no artigo -Prescrição: O texto apresenta uma ordem, a orientação
228 da Constituição Federal constitui uma grande falácia, pois dada no texto é uma imposição.
o artigo 60, § 4º, inciso IV de nossa Carta Magna não admite
que sejam objeto de deliberação de emenda à Constituição os Exemplos:
direitos e garantias individuais, pois se trata de cláusula
pétrea. Manual de instruções de um computador
A prevenção à criminalidade está diretamente associada à
existência de políticas sociais básicas e não à repressão, pois “[...] Não instale nem use o computador em locais muito
não é a severidade da pena que previne a criminalidade, mas quentes, frios, empoeirados, úmidos ou que estejam sujeitos a
sim a certeza de sua aplicação e sua capacidade de inclusão vibrações. Não exponha o computador a choques, pancadas ou
social. vibrações, e evite que ele caia, para não prejudicar as peças
Dalio Zippin Filho é advogado criminalista. 10/06/2013 internas [...]”.
Texto publicado na edição impressa de 10 de junho de 2013
Exemplos de texto explicativo prescritivo
É bom lembrarmos que é praticamente impossível opinar - leis;
sobre o que não se conhece. A leitura de bons textos é um dos - cláusulas contratuais;
recursos que permite uma segurança maior no momento de - edital de concursos públicos.
dissertar sobre algum assunto. Debater e pesquisar são
Texto Expositivo
atitudes que favorecem o senso crítico, essencial no
desenvolvimento de um texto dissertativo. Aqueles textos que nos levam a uma explicação sobre
determinado assunto, informa e esclarece sem a emissão de
Ainda temos: qualquer opinião a respeito, é um texto expositivo.
Tema: compreende o assunto proposto para discussão, o Regras gramaticas para este tipo textual (Exposição)
assunto que vai ser abordado.
Neste tipo de texto são apresentadas informações sobre:
Título: palavra ou expressão que sintetiza o conteúdo
- Assuntos e fatos específicos;
discutido.
- Expõe ideias;
Argumentação: é um conjunto de procedimentos
- Explica;
linguísticos com os quais a pessoa que escreve sustenta suas
- Avalia;
opiniões, de forma a torná-las aceitáveis pelo leitor. É fornecer
- Reflete.
argumentos, ou seja, razões a favor ou contra uma
determinada tese. Tudo isso sem que haja interferência do autor, sem que
haja sua opinião a respeito. Faz uso de linguagem clara,
Pontos Essenciais objetiva e impessoal. A maioria dos verbos está no presente do
- toda dissertação é uma demonstração, daí a necessidade indicativo.
de pleno domínio do assunto e habilidade de argumentação;
- em consequência disso, impõem-se à fidelidade ao tema; Exemplos: Notícias Jornalísticas.
45
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portugues/tipologia- 46
https://bit.ly/313UjEP.
textual
APOSTILAS OPÇÃO
47
https://bit.ly/2OzHq2I. 48
OLIVEIRA, F. C. de. Texto teórico 2: sequência dialoga. IFRN, 2012.
APOSTILAS OPÇÃO
02. (Pref. de Lauro Muller/SC - Professor de Pedagogia 03. (Câmara Santa Rosa/RS - Procurador Jurídico -
- Pref. de Lauro Muller/SC/2016) Este texto é referente à INST.EXCELENCIA/2017)
questão.
Retrato
BRUXAS NÃO EXISTEM Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
Quando eu era garoto, acreditava em bruxas, mulheres
nem estes olhos tão vazios,
malvadas que passavam o tempo todo maquinando coisas
nem o lábio amargo.
perversas. Os meus amigos também acreditavam nisso. A
prova para nós era uma mulher muito velha, uma solteirona Eu não tinha estas mãos sem força,
que morava numa casinha caindo aos pedaços no fim de nossa tão paradas e frias e mortas;
rua. Seu nome era Ana Custódio, mas nós só a chamávamos de eu não tinha este coração
“bruxa”. que nem se mostra.
Era muito feia, ela; gorda, enorme, os cabelos pareciam
palha, o nariz era comprido, ela tinha uma enorme verruga no Eu não dei por esta mudança,
queixo. E estava sempre falando sozinha. Nunca tínhamos tão simples, tão certa, tão fácil:
entrado na casa, mas tínhamos a certeza de que, se fizéssemos - Em que espelho ficou perdida
isso, nós a encontraríamos preparando venenos num grande a minha face?
MEIRELES, Cecília. Obra Poética de Cecília Meireles. Rio de Janeiro: José
caldeirão. Nossa diversão predileta era incomodá-la. Volta e Aguilar, 1958.
meia invadíamos o pequeno pátio para dali roubar frutas e
quando, por acaso, a velha saía à rua para fazer compras no Para expressar as mudanças físicas de seu corpo e como o
pequeno armazém ali perto, corríamos atrás dela gritando mesmo se encontra depois delas, o eu lírico utiliza
"bruxa, bruxa!". predominantemente os recursos da:
Um dia encontramos, no meio da rua, um bode morto. A (A) Narração.
quem pertencera esse animal nós não sabíamos, mas logo (B) Descrição.
descobrimos o que fazer com ele: jogá-lo na casa da bruxa. O (C) Dissertação.
que seria fácil. Ao contrário do que sempre acontecia, naquela (D) Nenhuma das alternativas.
manhã, e talvez por esquecimento, ela deixará aberta a janela
da frente. Sob comando do João Pedro, que era o nosso líder, 04. (Pref. Cruzeiro/SP - Professor Língua Portuguesa -
levantamos o bicho, que era grande e pesava bastante, e com INST.EXCELENCIA/2016) São várias as situações
muito esforço nós o levamos até a janela. Tentamos empurrá- comunicativas cotidianas, sejam elas orais ou escritas. O
lo para dentro, mas aí os chifres ficaram presos na cortina. dinamismo da comunicação é responsável pela criação dos
- Vamos logo - gritava o João Pedro -, antes que a bruxa diversos gêneros textuais, mas, antes deles, existem os tipos
apareça. E ela apareceu. No momento exato em que, textuais, estruturas nas quais os gêneros se apoiam. Os
finalmente, conseguíamos introduzir o bode pela janela, a aspectos constitutivos de um texto divergem mediante a
porta se abriu e ali estava ela, a bruxa, empunhando um cabo finalidade do texto: contar, descrever, argumentar, informar,
de vassoura. Rindo, saímos correndo. Eu, gordinho, era o etc. Um único texto pode apresentar passagens de vários tipos
último. de texto. A tipologia textual apresenta características
E então aconteceu. De repente, enfiei o pé num buraco e intrínsecas, como vocabulário, relações lógicas, tempos
caí. De imediato senti uma dor terrível na perna e não tive verbais, construções frasais e outras peculiaridades inscritas
dúvida: estava quebrada. Gemendo, tentei me levantar, mas em, basicamente, cinco tipos.
não consegui. E a bruxa, caminhando com dificuldade, mas Assinale a alternativa CORRETA.
com o cabo de vassoura na mão, aproximava-se. Àquela altura (A) Narração; Dissertação; Descrição; Exposição; Injunção.
a turma estava longe, ninguém poderia me ajudar. E a mulher (B) Conjunção; Dissertação; Descrição; Exposição;
sem dúvida descarregaria em mim sua fúria. Comunicação.
Em um momento, ela estava junto a mim, transtornada de (C) Comunicação; Conjunção; Dissertação; Descrição;
raiva. Mas aí viu a minha perna, e instantaneamente mudou. Exposição.
Agachou-se junto a mim e começou a examiná-la com uma (D) Narração; Descrição; Injunção; Exposição; Coesão;
habilidade surpreendente. Dissertação.
- Está quebrada - disse por fim. - Mas podemos dar um jeito.
Não se preocupe, sei fazer isso. Fui enfermeira muitos anos, 05. (João Pessoa/PB - Técnico Controle Interno -
trabalhei em hospital. Confie em mim. CESPE/2018)
Dividiu o cabo de vassoura em três pedaços e com eles, e
com seu cinto de pano, improvisou uma tala, imobilizando-me
a perna. A dor diminuiu muito e, amparado nela, fui até minha
casa. "Chame uma ambulância", disse a mulher à minha mãe.
Sorriu.
Tudo ficou bem. Levaram-me para o hospital, o médico
engessou minha perna e em poucas semanas eu estava
recuperado. Desde então, deixei de acreditar em bruxas. E
tornei-me grande amigo de uma senhora que morava em
minha rua, uma senhora muito boa que se chamava Ana
Custódio.
(SCLIAR, Moacyr. In: revista Nova Escola, seção Era uma vez. São Paulo:
Abril, agosto de 2004).
APOSTILAS OPÇÃO
Acerca das propriedades linguísticas do texto precedente, Acredite que, por meio dele, você, enquanto emissor,
julgue o item subsequente. encontrará os grãos pesados entre um grão qualquer, pedra ou
O texto apresentado combina elementos das tipologias indigesto, um grão imastigável, de quebrar dente. Vale dizer,
expositiva e injuntiva. contudo, que essa reescrita não deve se dar somente no âmbito
( ) Certo ( ) Errado de corrigir aqueles possíveis erros... digamos assim...
gramaticais. Importantes eles? Sim, sem dúvida alguma, mas
Gabarito não são tudo. Cumpre afirmar que a reescrita deve ir além, haja
vista que nos permite reconhecer aquelas “falhas” que
01. D / 2. B / 3.B / 04.A / 05.CERTO certamente seriam reconhecidas por outra pessoa, sobretudo
em se tratando do “teor”, da “essência” discursiva.
Tendo em vista que a coesão representa um dos principais
aspectos na produção textual, muitas vezes, mediante a leitura
Reescritura de frases daquilo que escrevemos, constatamos que os parágrafos não
se encontram assim tão harmoniosamente ligados como
deveriam. Às vezes, uma conjunção ali, um advérbio acolá e um
pronome adiante não se encontram bem distribuídos. Outras
Antes de discorrermos acerca de um assunto tão vezes, percebemos uma quebra de simetria (revelada pela falta
importante, convidamos você, caro (a) candidato (a), a se de paralelismo), em que uma ideia poderia ter sido expressa
enlevar mediante as palavras do grandioso mestre de nossas de outra forma.
letras, João Cabral de Melo Neto, que, por meio de uma Assim, de modo a constatar como esse aspecto assimétrico
metalinguagem, cumpre bem seu trabalho de lidar com as se manifesta na prática, analise o seguinte enunciado:
palavras e deixar claro para nós, leitores, quão grandioso e
magnífico é o exercício da escrita. Voltemo-nos a elas, “A leitura é importante, necessária, útil e traz benefícios a
portanto: todo emissor que deseja aprimorar ainda mais a competência
discursiva.”
Catar feijão
Inferimos que com o uso de “traz benefícios” houve uma
1. quebra de simetria dos adjetivos explicitados (importante,
Catar feijão se limita com escrever: necessária, útil...). Não que isso seja considerado uma falha de
joga-se os grãos na água do alguidar grande extensão, mas a ideia ficaria mais clara se outro
e as palavras na folha de papel; adjetivo tivesse sido utilizado, justamente para acompanhar o
e depois, joga-se fora o que boiar. raciocínio antes firmado, como por exemplo:
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo: “A leitura é importante, necessária, útil e benéfica a todo
pois para catar esse feijão, soprar nele, emissor que deseja aprimorar ainda mais a competência
e jogar fora o leve e oco, palha e eco. discursiva.”
A comparação ora estabelecida parece casar perfeitamente Tudo aquilo que se afirma acerca da eficácia da leitura,
diante daquele momento em que as ideias são elencadas. No ainda que relevante, tornou extensa e cansativa a ideia
entanto, é preciso ser hábil para escolher palavra por palavra, abordada. Dessa forma, retificando a oração, poderíamos
de modo a fazer com que o discurso (as orações, os períodos, obter como essencial somente estes dizeres, os quais seguem
os parágrafos) torne-se claro e preciso, atendendo às expressos:
expectativas de nosso interlocutor.
Dessa forma, como aqueles grãos que boiam fora, “A leitura contribui para o aperfeiçoamento da escrita.”
desnecessários por sinal, algumas palavras também parecem
não se encaixar, pois por um motivo ou outro acabam Mediante os pressupostos aqui elencados, acreditamos ter
escapando aos nossos olhos. contribuído de forma significativa para que você aprimore
O porquê de escaparem? É simples, haja vista que nesse ainda mais suas habilidades no que tange à construção textual.
momento essa habilidade antes mencionada entra em ação e, E que, por meio da reescrita de suas ideias, possa ser hábil em
em meio a esse ínterim, conhecimentos de toda ordem jogar fora o leve, o oco, assim mesmo como ressalta nosso
parecem se relacionar, sejam eles de ordem ortográfica, grande mestre, e reelabore seu discurso pautando-se na
semântica, sintática e, sobretudo, aqueles indispensáveis a concretude das palavras, tornando-as claras, precisas,
todo bom redator: o conhecimento de mundo. objetivas.49
Dada essa manifestação, é impossível não abordar um
procedimento, tão útil quanto necessário: a reescrita textual.
49 http://portugues.uol.com.br/redacao/reescrita-textual.html
APOSTILAS OPÇÃO
Dicas Para Uma Boa Escrita - não pagamento = hífen somente quando o segundo termo
for substantivo.
Expressões Uso Recomendado - este e isto – referência próxima do falante (a lugar, a
Condenáveis tempo presente; a futuro próximo; ao anunciar e a que se está
A nível de / Ao nível Em nível, No nível tratando).
Face a / Frente a Ante, Diante, Em face de, Em vista de, - esse e isso – referência longe do falante e perto do ouvinte
Perante
(tempo futuro, desejo de distância; tempo passado próximo do
Onde (Quando não Em que, Na qual, Nas quais, No qual,
presente, ou distante ao já mencionado e a ênfase).
exprime lugar) Nos quais
Sob um ponto de vista De um ponto de vista
Erros Comuns
Sob um prisma Por (ou através de) um prisma - Hoje ao receber alguns presentes no qual completo vinte
Em função de Em virtude de, Por causa de, Em anos tenho muitas novidades para contar.
consequência de, Por, Em razão de
Uso inadequado do pronome relativo. Ele provoca falta de
coesão, pois não consegue perceber a que antecedente ele se
Expressões Não Recomendadas refere, portanto nada conecta e produz relação absurda.
- a partir de (a não ser com valor temporal).
Opção: com base em, tomando-se por base, valendo-se - Ainda brincava de boneca quando conheci Davi, piloto de
de... cart, moreno, 20 anos, com olhos cor de mel. “Tudo começou
naquele baile de quinze anos”, “... é aos dezoito anos que se
- através de (para exprimir “meio” ou instrumento). começa a procurar o caminho do amanhã e encontrar as
Opção: por, mediante, por meio de, por intermédio de, perspectivas que nos acompanham para sempre na estrada da
segundo... vida”.
Você pode ter conhecimento do vocabulário e das regras
- devido a. gramaticais e, assim, construir um texto sem erros. Entretanto,
Opção: em razão de, em virtude de, graças a, por causa se você reproduz sem nenhuma crítica ou reflexão expressões
de. gastas, vulgarizadas pelo uso contínuo. A boa qualidade do
texto fica comprometida.
- dito.
Opção: citado, mencionado. - Tema: Para você, as experiências genéticas de clonagem
põem em xeque todos os conceitos humanos sobre Deus e a
- enquanto. vida? “Bem a clonagem não é tudo, mas na vida tudo tem o seu
Opção: ao passo que. valor e os homens a todo momento necessitam de descobrir
todos os mistérios da vida que nos cercam a todo instante”.
- inclusive (a não ser quando significa incluindo-se). É de extrema importância seguir o que foi proposto no
Opção: até, ainda, igualmente, mesmo, também. tema. Antes de começar o texto leia atentamente todos os
elementos que o examinador apresentou. Esquematize as
- no sentido de, com vistas a. ideias e perceba se não há falta de correspondência entre o
Opção: a fim de, para, com a finalidade de, tendo em tema proposto e o texto criado.
vista.
- “Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu primo
- pois (no início da oração). (...) mostrou que ele não era maligno”.
Opção: já que, porque, uma vez que, visto que. Esta frase está ambígua. Não se sabe se o pronome ele
refere-se ao fígado ou ao primo. Para se evitar a ambiguidade,
- principalmente. deve-se observar se a relação entre cada palavra do texto está
Opção: especialmente, sobretudo, em especial, em correta.
particular.
- “Ele me tratava como uma criança, mas eu era apenas uma
Expressões Que Demandam Atenção criança”.
- acaso, caso – com se, use acaso; caso rejeita o se. Problema com o uso do conectivo “mas”. O conectivo mas
- aceitado, aceito – com ter e haver, aceitado; com ser e indica uma circunstância de oposição, de ideia contrária a.
estar, aceito. Portanto, a relação adversativa introduzida pelo “mas” no
- acendido, aceso (formas similares) – idem. fragmento acima produz uma ideia absurda.
- à custa de – e não às custas de.
- à medida que – à proporção que, ao mesmo tempo que, - “Entretanto, como já diziam os sábios: depois da
conforme. tempestade sempre vem a bonança. Após longo suplício, meu
- na medida em que – tendo em vista que, uma vez que. coração apaziguava as tormentas e a sensatez me mostrava que
- a meu ver – e não ao meu ver. só estaríamos separadas carnalmente”.
- a ponto de – e não ao ponto de. Não utilize provérbios ou ditos populares. Eles
- a posteriori, a priori – não tem valor temporal. empobrecem a redação e fazem parecer que o autor não tem
- em termos de – modismo; evitar. criatividade ao lançar mão de formas já gastas pelo uso
- enquanto que – o que é redundância. frequente.
- entre um e outro – entre exige a conjunção e, e não a.
- implicar em – a regência é direta (sem em). - “Todos os deputados são corruptos”.
- ir de encontro a – chocar-se com. Evite pensamentos radicais. É recomendável não
- ir ao encontro de – concordar com. generalizar e evitar, assim, posições extremistas.
- se não, senão – quando se pode substituir por caso não,
separado; quando não se pode, junto. - “Bem, acho que - você sabe - não é fácil dizer essas coisas.
- todo mundo – todos. Olhe, acho que ele não vai concordar com a decisão que você
- todo o mundo – o mundo inteiro. tomou, quero dizer, os fatos levam você a isso, mas você sabe -
APOSTILAS OPÇÃO
todos sabem - ele pensa diferente. É bom a gente pensar como - Chegou “em” São Paulo.
vai fazer para, enfim, para ele entender a decisão”. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São
O ato de escrever é diferente do ato de falar. O texto escrito Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.
não deve apresentar marcas de oralidade.
- Todos somos “cidadões”.
- “Mal cheiro”, “mau-humorado”. O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de
Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres.
cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau
humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar. - A última “seção” de cinema.
Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a
- “Fazem” cinco anos. tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de
Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de
/ Fazia dois séculos. / Fez 15 dias. pancadas, sessão do Congresso.
APOSTILAS OPÇÃO
- “Cerca de 18” pessoas o saudaram. Cerca de indica Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada
arredondamento e não pode aparecer com números exatos: homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem
Cerca de 20 pessoas o saudaram. inimigos.
- Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu. - Disse o que “quiz”.
A locução não existe. Use porque: Ficou contente porque Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr:
ninguém se feriu. Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse,
puseram, puséssemos.
- O time empatou “em” 2 a 2.
A preposição é “por”: O time empatou por 2 a 2. Repare que - O homem “possue” muitos bens.
ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só
têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que
- Não queria que “receiassem” a sua companhia. admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.
O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia.
Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só - A tese “onde”.
existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora.
receiem, passeias, enfeiam). / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos,
use em que: A tese em que ele defende essa ideia. / O livro em
- Eles “tem” razão. que... / A faixa em que ele canta... / Na entrevista em que ...
No plural, têm é com acento. Tem é a forma do singular. O
mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; - Já “foi comunicado” da decisão.
ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem. Uma decisão é comunicada, mas ninguém “é comunicado”
de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado)
- Acordos “políticos-partidários”. Nos adjetivos compostos, da decisão. Outra forma errada: A diretoria “comunicou” os
só o último elemento varia: acordos político-partidários. empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria
Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi
econômico-financeiras, partidos social-democratas. comunicada aos empregados.
APOSTILAS OPÇÃO
- Espero que “viagem” hoje. assim que ocorre, pois, às vezes, alguns vocábulos (adjetivos,
Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma pronomes, advérbios, palavras denotativas etc.), quando
verbal é viajem (de viajar). deslocados, a alteração de sentido fica visível. Veja que o
Evite também “comprimentar” alguém: de cumprimento deslocamento, ou seja, a inversão dos termos pode gerar
(saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é alteração de sentido:
extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido – João é um alto funcionário.
(concretizado). – João é um funcionário alto.
– Qualquer mulher merece respeito.
- O pai “sequer” foi avisado. – Maria é uma mulher qualquer.
Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi – Pedro já fez a prova.
avisado. / Partiu sem sequer nos avisar. – Pedro fez a prova já.
– Até aquela aluna o elogiou.
- O fato passou “desapercebido”. – Aquela aluna o elogiou até.
Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Percebeu que houve flagrante mudança de sentido nestas
Desapercebido significa desprevenido. duplas? Portanto, a inversão dos termos na frase pode ou não
alterar o sentido dela.50
- “Haja visto” seu empenho...
A expressão é “haja vista” e não varia: Haja vista seu Questões
empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.
01. (TJ/AL - Analista Judiciário - FGV/2018) “Hoje, fala-
- A moça “que ele gosta”. se muito sobre intolerância religiosa”; essa frase apresenta
Quem gosta, gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta reescritura inadequada em:
- É hora “dele” chegar. (A) Fala-se muito, hoje, sobre intolerância religiosa;
Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou (B) Sobre intolerância religiosa, hoje fala-se muito;
pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele (C) Hoje muito é falado sobre intolerância religiosa;
chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado. / Depois de esses (D) Muito é falado, hoje, sobre intolerância religiosa;
fatos terem ocorrido. (E) Fala-se hoje muito sobre intolerância religiosa.
- “Ao meu ver”. Não existe artigo nessas expressões: A meu 03. (TRT 4ª Região - Analista Judiciário - FCC) A frase
ver, a seu ver, a nosso ver. correta é:
(A) Ele acabou sendo malquisto porque sistematicamente
Mudança de Posição dos Vocábulos obstrói as votações; se antevir o que lhe espera na próxima
A mudança de posição de certos vocábulos ou termos da sessão, certamente mudará de atitude.
oração pode mudar o sentido da frase ou não. (B) Ele diz que sua invejável capacidade de aurir forças
Uma simples frase como esta: quando tudo parece perdido se deve ao fato de ter provido de
A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas família muito humilde.
vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez. (C) Confirmo o que havia dito a semanas atrás: se me
(Friedrich Nietzsche) aprazer tornar a vê-la depois de tanto tempo e dissabores, lá
Pode ser invertida de diversas formas, sem alteração de estarei; senão, não contem comigo.
sentido. (D) Sob o pretexto de pôr fim ao litígio, fizeram-nos entrar
Veja algumas: em acordo; agora, ou o encerram eles, ou o fazemos nós,
Divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas, como recorrendo à força da lei.
se fosse a primeira vez, é a vantagem de ter péssima memória. (E) A maneira porque se comporta não é a mais adequada,
A vantagem de ter péssima memória é divertir-se com as mas tudo isso são sinais da idade provecta: que lhe seja dado o
mesmas coisas boas, como se fosse a primeira vez, muitas direito e a alegria de conduzir-se à seu bel prazer.
vezes.
Divertir-se com as mesmas coisas boas, muitas vezes, como 04. (SEFIN/RO - Contador - FGV/2018) Um dos
se fosse a primeira vez, é a vantagem de ter péssima memória. conselhos para uma boa escrita é que as frases de um texto
E por aí vai... tenham a mesma organização sintática numa enumeração.
Em outras palavras, a inversão de termos dentro de uma No fragmento “Se hoje é possível existir redes sociais; se é
frase pode não alterar seu sentido. No entanto, não é sempre possível que pessoas se organizem em grupos...”, para que as
APOSTILAS OPÇÃO
duas frases tenham a mesma organização, a mudança relação de contrariedade existente entre palavras que
adequada seria: apresentam significados opostos. Exemplos: alegre e triste.
(A) a primeira frase deveria ser “Se é possível que existam Sentido conotativo é a linguagem em que a palavra é
redes sociais”. utilizada em sentido figurado, subjetivo ou expressivo. Já o
(B) a primeira frase deveria ser “Se é possível a existência sentido denotativo é a linguagem em que a palavra é utilizada
de redes sociais”. em seu sentido próprio, literal, original, real, objetivo.
(C) a segunda frase deveria ser “se é possível a organização
de pessoas em grupos”. Adequação Linguística
(D) a segunda frase deveria ser “se é possível que pessoas Fatores Contexto
sejam organizadas em grupos”. Interlocutores Com quem estamos falando?
(E) a segunda frase deveria ser “se é possível pessoas Situação É uma situação formal ou informal?
organizando-se em grupos”. Tratamos de assuntos diferentes com o
Gabarito mesmo tipo de linguagem? O nascimento
Assunto
de um bebê é anunciado da mesma forma
01.E / 02.E / 03.D / 04.A que um velório?
Ambiente Estamos em uma festa ou no escritório?
51 http://slideplayer.com.br/slide/1270845/
http://conversadeportugues.com.br/2015/11/adequacao-e-inadequacao-
linguistica/
APOSTILAS OPÇÃO
enriquecimento de um idioma” e dá um exemplo: colocar em 2º Veio visitar-me um amigo em cuja casa eu morei há anos.
lugar de apresentar e assumir em lugar de responsabilizar-se:
– Vou colocar aqui um problema… Qualquer falante do português reconhecerá que os dois
– Se der errado, eu assumo… enunciados pertencem ao seu idioma e têm o mesmo sentido,
mas também que há diferenças. Pode dizer, por exemplo, que
6. Adequação ao contexto: as situações textuais revelam- o segundo é de uma pessoa mais “estudada”.
se nas relações desenvolvidas entre as palavras do texto. Por Isso é prova de que, ainda que intuitivamente e sem saber
exemplo: dar grandes explicações, as pessoas têm noção de que existem
- se há relação de causa e efeito – tropeçar/cair; muitas maneiras de falar a mesma língua. É o que os teóricos
- se há relação de finalidade – livro/estudar; chamam de variações linguísticas.
- se há relação de parte e todo – rei/xadrez; As variações que distinguem uma variante de outra se
- se há relação de sinonímia – aroma/perfume; manifestam em quatro planos distintos, a saber: fônico,
- se há relação de antonímia – entrar/sair; morfológico, sintático e lexical.
- se há relação de unidade e coletivo – livro/biblioteca;
- se há relação de objeto e ação – cadeira/sentar; Tipos de Variações Linguísticas
- se há relação simbólica – pomba/paz.
Variações Fônicas
O uso do vocábulo fora de um desses critérios e até mesmo São as que ocorrem no modo de pronunciar os sons
em critério inadequado à situação estará errado. constituintes da palavra. Os exemplos de variação fônica são
abundantes e, ao lado do vocabulário, constituem os domínios
Questões em que se percebe com mais nitidez a diferença entre uma
variante e outra. Entre esses casos, podemos citar:
01. (PC/RJ - Inspetor de Polícia) Assinale a alternativa - A queda do “r” final dos verbos, muito comum na
correta quanto à grafia e à adequação vocabular. linguagem oral no português: falá, vendê, curti (em vez de
(A) Estudamos muito afim de sermos aprovados. curtir), compô.
(B) As ideias dela sempre vêm de encontro às minhas, ou - O acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu me
seja, sempre concordamos um com o outro. alembro, o pássaro avoa, formas comuns na linguagem
(C) Naquela sessão da empresa, há funcionários pouco clássica, hoje frequentes na fala caipira.
esforçados. - A queda de sons no início de palavras: ocê, cê, ta, tava,
(D) Somamos vultuosas quantias com o nosso esforço de marelo (amarelo), margoso (amargoso), características na
poupar. linguagem oral coloquial.
(E) Ele é sempre tachado de ignorante. - A redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis
(Petrópolis), fórfi (fósforo), porva (pólvora), todas elas formas
04. (AL/MA - Advogado - FGV) típicas de pessoas de baixa condição social.
- A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maioria das
"No mundial de futebol dos Estados Unidos, o locutor regiões do Brasil) ou como “l” (em certas regiões do Rio
Evaldo José repetiu que a partida Romênia X Suécia ia ser Grande do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na
decidida por penalidade máxima. E sempre me impressiona a linguagem caipira): quintau, quintar, quintal; pastéu, paster,
capacidade de se falar sem pensar (psitacismo). Naturalmente pastel; faróu, farór, farol.
a coisa só é penalidade (penalty) quando alguma falta foi - Deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato,
cometida. Como na disputa final não houve qualquer falta se preguntar, estrupo, cardeneta, típicos de pessoas de baixa
trata apenas de um tiro livre ou chute livre, em gol". condição social.
(Millôr Fernandes, adaptado)
Variações Morfológicas
O tema do texto trata do seguinte tópico:
São as que ocorrem nas formas constituintes da palavra.
(A) coesão formal entre elementos.
Nesse domínio, as diferenças entre as variantes não são tão
(B) polissemia de alguns vocábulos.
numerosas quanto as de natureza fônica, mas não são
(C) presença de intertextualidade.
desprezíveis. Como exemplos, podemos citar:
(D) adequação vocabular.
- O uso do prefixo hiper- em vez do sufixo -íssimo para criar
(E) desconhecimento de estrangeirismos
o superlativo de adjetivos, recurso muito característico da
linguagem jovem urbana: um cara hiper-humano (em vez de
Gabarito
humaníssimo), uma prova hiperdifícil (em vez de dificílima),
um carro hiperpossante (em vez de possantíssimo).
01.E / 02.D
- A conjugação de verbos irregulares pelo modelo dos
regulares: ele interviu (interveio), se ele manter (mantiver), se
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
ele ver (vir) o recado, quando ele repor (repuser).
- A conjugação de verbos regulares pelo modelo de
Todas as pessoas que falam uma determinada língua
irregulares: vareia (varia), negoceia (negocia).
conhecem as estruturas gerais, básicas, de funcionamento
- Uso de substantivos masculinos como femininos ou vice-
podem sofrer variações devido à influência de inúmeros
versa: duzentas gramas de presunto (duzentos), a champanha
fatores. Tais variações, que às vezes são pouco perceptíveis e
(o champanha), tive muita dó dela (muito dó, mistura do cal /
outras vezes bastante evidentes, recebem o nome genérico de
da cal).
variedades ou variações linguísticas.
- A omissão do “s” como marca de plural de substantivos e
Nenhuma língua é usada de maneira uniforme por todos os
adjetivos (típicos do falar paulistano): os amigo e as amiga, os
seus falantes em todos os lugares e em qualquer situação.
livro indicado, as noite fria, os caso mais comum.
Sabe-se que, numa mesma língua, há formas distintas para
- O enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Espero
traduzir o mesmo significado dentro de um mesmo contexto.
que o Brasil reflete (reflita) sobre o que aconteceu nas últimas
Suponham-se, por exemplo, os dois enunciados a seguir:
eleições; Se eu estava (estivesse) lá, não deixava acontecer;
Não é possível que ele esforçou (tenha se esforçado) mais que
1º Veio me visitar um amigo que eu morei na casa dele faz
eu.
tempo.
APOSTILAS OPÇÃO
Variações Sintáticas “com as mesmas letras”), grosso modo (“de modo grosseiro”,
Dizem respeito às correlações entre as palavras da frase. “impreciso”), sic (“assim, como está escrito”), data venia (“com
No domínio da sintaxe, como no da morfologia, não são tantas sua permissão”).
as diferenças entre uma variante e outra. Como exemplo, As palavras de origem inglesas são inúmeras: insight
podemos citar: (compreensão repentina de algo, uma percepção súbita),
- O uso de pronomes do caso reto com outra função que feeling (“sensibilidade”, capacidade de percepção), briefing
não a de sujeito: encontrei ele (em vez de encontrei-o) na rua; (conjunto de informações básicas), jingle (mensagem
não irão sem você e eu (em vez de mim); nada houve entre tu publicitária em forma de música).
(em vez de ti) e ele. Do francês, hoje são poucos os estrangeirismos que ainda
- O uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe (em não se aportuguesaram, mas há ocorrências: hors-concours
vez de “o”) convidei; eu lhe (em vez de “o”) vi ontem. (“fora de concurso”, sem concorrer a prêmios), tête-à-tête
- a ausência da preposição adequada antes do pronome (palestra particular entre duas pessoas), esprit de corps
relativo em função de complemento verbal: são pessoas que (“espírito de corpo”, corporativismo), menu (cardápio), à la
(em vez de: de que) eu gosto muito; este é o melhor filme que carte (cardápio “à escolha do freguês”), physique du rôle
(em vez de a que) eu assisti; você é a pessoa que (em vez de em (aparência adequada à caracterização de um personagem).
que) eu mais confio.
- A substituição do pronome relativo “cujo” pelo pronome - Jargão: é o vocabulário típico de um campo profissional
“que” no início da frase mais a combinação da preposição “de” como a medicina, a engenharia, a publicidade, o jornalismo. No
com o pronome “ele” (=dele): É um amigo que eu já conhecia a jargão médico temos uso tópico (para remédios que não devem
família dele (em vez de cuja família eu já conhecia). ser ingeridos), apneia (interrupção da respiração), AVC ou
- A mistura de tratamento entre tu e você, sobretudo acidente vascular cerebral (derrame cerebral). No jargão
quando se trata de verbos no imperativo: Entra, que eu quero jornalístico chama-se de gralha, pastel ou caco o erro
falar com você (em vez de contigo); Fala baixo que a sua (em tipográfico como a troca ou inversão de uma letra. A palavra
vez de tua) voz me irrita. lide é o nome que se dá à abertura de uma notícia ou
- Ausência de concordância do verbo com o sujeito: Eles reportagem, onde se apresenta sucintamente o assunto ou se
chegou tarde (em grupos de baixa extração social); Faltou destaca o fato essencial. Quando a lide é muito prolixa, é
naquela semana muitos alunos; Comentou-se os episódios. chamada de nariz-de-cera. Furo é notícia dada em primeira
mão. Quando o furo se revela falso, foi uma barriga. Entre os
Variações Léxicas jornalistas é comum o uso do verbo repercutir como transitivo
É o conjunto de palavras de uma língua. As variantes do direto: __ Vá lá repercutir a notícia de renúncia! (esse uso é
plano do léxico, como as do plano fônico, são muito numerosas considerado errado pela gramática normativa).
e caracterizam com nitidez uma variante em confronto com
outra. Eis alguns, entre múltiplos exemplos possíveis de citar: - Gíria: é o vocabulário especial de um grupo que não
- A escolha do adjetivo maior em vez do advérbio muito deseja ser entendido por outros grupos ou que pretende
para formar o grau superlativo dos adjetivos, características marcar sua identidade por meio da linguagem. Existe a gíria de
da linguagem jovem de alguns centros urbanos: maior legal; grupos marginalizados, de grupos jovens e de segmentos
maior difícil; Esse amigo é um carinha maior esforçado. sociais de contestação, sobretudo quando falam de atividades
- As diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tantas e, proibidas. A lista de gírias é numerosíssima em qualquer
às vezes, tão surpreendentes, que têm sido objeto de piada de língua: ralado (no sentido de afetado por algum prejuízo ou
lado a lado do Oceano. Em Portugal chamam de cueca aquilo má-sorte), ir pro brejo (ser malsucedido, fracassar, prejudicar-
que no Brasil chamamos de calcinha; o que chamamos de fila se irremediavelmente), cara ou cabra (indivíduo, pessoa),
no Brasil, em Portugal chamam de bicha; café da manhã em bicha (homossexual masculino), levar um lero (conversar).
Portugal se diz pequeno almoço; camisola em Portugal traduz
o mesmo que chamamos de suéter, malha, camiseta. - Preciosismo: diz-se que é preciosista um léxico
excessivamente erudito, muito raro, afetado: Escoimar (em vez
Designações das Variantes Lexicais de corrigir); procrastinar (em vez de adiar); discrepar (em vez
- Arcaísmo: diz-se de palavras que já caíram de uso e, por de discordar); cinesíforo (em vez de motorista); obnubilar (em
isso, denunciam uma linguagem já ultrapassada e envelhecida. vez de obscurecer ou embaçar); conúbio (em vez de
É o caso de reclame, em vez de anúncio publicitário; na década casamento); chufa (em vez de caçoada, troça).
de 60, o rapaz chamava a namorada de broto (hoje se diz
gatinha ou forma semelhante), e um homem bonito era um - Vulgarismo: é o contrário do preciosismo, ou seja, o uso
pão; na linguagem antiga, médico era designado pelo nome de um léxico vulgar, rasteiro, obsceno, grosseiro. É o caso de
físico; um bobalhão era chamado de coió ou bocó; em vez de quem diz, por exemplo, de saco cheio (em vez de aborrecido),
refrigerante usava-se gasosa; algo muito bom, de qualidade se ferrou (em vez de se deu mal, arruinou-se), feder (em vez de
excelente, era supimpa. cheirar mal), ranho (em vez de muco, secreção do nariz).
- Neologismo: é o contrário do arcaísmo. Trata-se de Atenção: as variações mais importantes, para o interesse
palavras recém-criadas, muitas das quais mal ou nem do concurso público são: a sociocultural, a geográfica, a
entraram para os dicionários. A moderna linguagem da histórica e a de situação.
computação tem vários exemplos, como escanear, deletar,
Assim vejamos:
printar; outros exemplos extraídos da tecnologia moderna são
- Sociocultural: esse tipo de variação pode ser percebido
mixar (fazer a combinação de sons), robotizar, robotização.
com certa facilidade. Por exemplo, alguém diz a seguinte frase:
- Estrangeirismo: trata-se do emprego de palavras
“Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão.”
emprestadas de outra língua, que ainda não foram
(frase 1)
aportuguesadas, preservando a forma de origem. Nesse caso,
há muitas expressões latinas, sobretudo da linguagem jurídica,
Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira? Vamos
tais como: habeas-corpus (literalmente, “tenhas o corpo” ou,
caracterizá-la, por exemplo, pela sua profissão: um advogado?
mais livremente, “estejas em liberdade”), ipso facto (“pelo
Um trabalhador braçal de construção civil? Um médico? Um
próprio fato de”, “por isso mesmo”), ipsis litteris (textualmente,
garimpeiro? Um repórter de televisão?
APOSTILAS OPÇÃO
E quem usaria a frase abaixo? ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levantam tábua, o
remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra
“Obviamente faltou-lhe coragem para enfrentar os ladrões.” freguesia. (...) Os mais idosos, depois da janta, faziam o quilo,
(frase 2) saindo para tomar a fresca; e também tomava cautela de não
Sem dúvida, associamos à frase 1 os falantes pertencentes apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, e
a grupos sociais economicamente mais pobres. Pessoas que, mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas de alteia. Ou
muitas vezes, não frequentaram nem a escola primária, ou, sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se
quando muito, fizeram-no em condições não adequadas. metiam em camisas de onze varas, e até em calças pardas; não
Por outro lado, a frase 2 é mais comum aos falantes que admira que dessem com os burros n’agua.
tiveram possibilidades socioeconômicas melhores e puderam, (...) Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos
por isso, ter um contato mais duradouro com a escola, com a queriam ensinar padre-nosso ao vigário, e com isso punham a
leitura, com pessoas de um nível cultural mais elevado e, dessa mão em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a
forma, “aperfeiçoaram” o seu modo de utilização da língua. tramontana. A pessoa cheia de melindres ficava sentida com a
Convém ficar claro, no entanto, que a diferenciação feita desfeita que lhe faziam quando, por exemplo, insinuavam que
acima está bastante simplificada, uma vez que há diversos seu filho era artioso. Verdade seja que às vezes os meninos eram
outros fatores que interferem na maneira como o falante mesmo encapetados; chegavam a pitar escondido, atrás da
escolhe as palavras e constrói as frases. Por exemplo, a igreja. As meninas, não: verdadeiros cromos, umas teteias.
situação de uso da língua: um advogado, num tribunal de júri, (...) Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os
jamais usaria a expressão “tá na cara”, mas isso não significa meninos, lombrigas; asthma os gatos, os homens portavam
que ele não possa usá-la numa situação informal (conversando ceroulas, bortinas a capa de goma (...). Não havia fotógrafos,
com alguns amigos, por exemplo). mas retratistas, e os cristãos não morriam: descansavam.
Da comparação entre as frases 1 e 2, podemos concluir que Mas tudo isso era antigamente, isto é, doutora.
as condições sociais influem no modo de falar dos indivíduos,
Texto II
gerando, assim, certas variações na maneira de usar uma
mesma língua. A elas damos o nome de variações Entre Palavras
socioculturais.
Entre coisas e palavras – principalmente entre palavras –
- Geográfica: no Brasil pode ser considerada a mais circulamos. A maioria delas não figura nos dicionários de há
abrangente e é facilmente notada. Ela se caracteriza pelo trinta anos, ou figura com outras acepções. A todo momento
acento linguístico, que é o conjunto das qualidades fisiológicas impõe-se tornar conhecimento de novas palavras e
do som (altura, timbre, intensidade), por isso é uma variante combinações.
cujas marcas se notam principalmente na pronúncia. Ao Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma
conjunto das características da pronúncia de uma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido, sem registrá-la.
determinada região dá-se o nome de sotaque: sotaque Amanhã, pode precisar dela. E cuidado ao conversar com seu
mineiro, sotaque nordestino, sotaque gaúcho etc. A variação avô; talvez ele não entenda o que você diz.
geográfica, além de ocorrer na pronúncia, pode também ser O malote, o cassete, o spray, o fuscão, o copião, a Vemaguet,
percebida no vocabulário, em certas estruturas de frases e nos a chacrete, o linóleo, o nylon, o nycron, o ditafone, a informática,
sentidos diferentes que algumas palavras podem assumir em a dublagem, o sinteco, o telex... Existiam em 1940?
diferentes regiões do país. Ponha aí o computador, os anticoncepcionais, os mísseis, a
Leia, como exemplo de variação geográfica, o trecho motoneta, a Velo-Solex, o biquíni, o módulo lunar, o antibiótico,
abaixo, em que Guimarães Rosa, no conto “São Marcos”, recria o enfarte, a acupuntura, a biônica, o acrílico, o ta legal, a
a fala de um típico sertanejo do centro-norte de Minas: apartheid, o som pop, as estruturas e a infraestrutura.
Não esqueça também (seria imperdoável) o Terceiro Mundo,
“__ Mas você tem medo dele... [de um feiticeiro chamado a descapitalização, o desenvolvimento, o unissex, o bandeirinha,
Mangolô!]. o mas media, o Ibope, a renda per capita, a mixagem.
__ Há-de-o!... Agora, abusar e arrastar mala, não faço. Não Só? Não. Tem seu lugar ao sol a metalinguagem, o
faço, porque não paga a pena... De primeiro, quando eu era servomecanismo, as algias, a coca-cola, o superego, a
moço, isso sim!... Já fui gente. Para ganhar aposta, já fui, de noite, Futurologia, a homeostasia, a Adecif, a Transamazônica, a
foras d’hora, em cemitério... (...). Quando a gente é novo, gosta Sudene, o Incra, a Unesco, o Isop, a Oea, e a ONU.
de fazer bonito, gosta de se comparecer. Hoje, não, estou Estão reclamando, porque não citei a conotação, o
percurando é sossego...” conglomerado, a diagramação, o ideologema, o idioleto, o ICM,
a IBM, o falou, as operações triangulares, o zoom, e a guitarra
- Histórica: as línguas não são estáticas, fixas, imutáveis. elétrica.
Elas se alteram com o passar do tempo e com o uso. Muda a Olhe aí na fila – quem? Embreagem, defasagem, barra
forma de falar, mudam as palavras, a grafia e o sentido delas. tensora, vela de ignição, engarrafamento, Detran, poliéster,
Essas alterações recebem o nome de variações históricas. filhotes de bonificação, letra imobiliária, conservacionismo,
Os dois textos a seguir são de Carlos Drummond de carnet da girafa, poluição.
Andrade. Neles, o escritor, meio em tom de brincadeira, Fundos de investimento, e daí? Também os de incentivos
mostra como a língua vai mudando com o tempo. No texto I, ele fiscais. Knon-how. Barbeador elétrico de noventa
fala das palavras de antigamente e, no texto II, fala das palavras microrranhuras. Fenolite, Baquelite, LP e compacto. Alimentos
de hoje. super congelados. Viagens pelo crediário, Circuito fechado de TV
Rodoviária. Argh! Pow! Click!
Texto I Não havia nada disso no Jornal do tempo de Venceslau Brás,
ou mesmo, de Washington Luís. Algumas coisas começam a
Antigamente aparecer sob Getúlio Vargas. Hoje estão ali na esquina, para
consumo geral. A enumeração caótica não é uma invenção
Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram crítica de Leo Spitzer. Está aí, na vida de todos os dias. Entre
todas mimosas e prendadas. Não fazia anos; completavam palavras circulamos, vivemos, morremos, e palavras somos,
primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo finalmente, mas com que significado?
(Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa,
rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas Rio de Janeiro, Nova Aguiar, 1988)
APOSTILAS OPÇÃO
- De Situação: aquelas que são provocadas pelas trata-se de um estilo bem mais formal e vigiado que a do
alterações das circunstâncias em que se desenrola o ato de exemplo anterior.
comunicação. Um modo de falar compatível com determinada
situação é incompatível com outra.
Ex.: Ô mano, ta difícil de te entendê.
APOSTILAS OPÇÃO
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
Pedido N.: 2895525 - Apostila Licenciada para [email protected] (Proibida a Revenda) - www.apostilasmais.com.br
Apostila Digital Licenciada para Tatiane Ferreira - CPF:161.693.327-51 (Proibida a Revenda) - www.apostilasmais.com.br
Pedido N.: 2895525 - Apostila Licenciada para [email protected] (Proibida a Revenda) - www.apostilasmais.com.br
Apostila Digital Licenciada para Tatiane Ferreira - CPF:161.693.327-51 (Proibida a Revenda) - www.apostilasmais.com.br
APOSTILAS OPÇÃO
Conhecimentos Específicos 1
Pedido N.: 2895525 - Apostila Licenciada para [email protected] (Proibida a Revenda) - www.apostilasmais.com.br
Apostila Digital Licenciada para Tatiane Ferreira - CPF:161.693.327-51 (Proibida a Revenda) - www.apostilasmais.com.br
APOSTILAS OPÇÃO
X - a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os 04. (PC/SC - Delegado de Polícia - ACAFE) As Forças
limites de idade, a estabilidade e outras condições de Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela
transferência do militar para a inatividade, os direitos, os Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e
deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situações regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina,
especiais dos militares, consideradas as peculiaridades de suas sob a autoridade suprema do Presidente da República, e
atividades, inclusive aquelas cumpridas por força de destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes
compromissos internacionais e de guerra. constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da
ordem. Considerando o previsto constitucionalmente acerca
Art. 143. O serviço militar é obrigatório nos termos da lei. do assunto, analise as afirmações a seguir e assinale a
§ 1º Às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir alternativa correta.
serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, I. Ao militar são permitidas a sindicalização mas, enquanto
alegarem imperativo de consciência, entendendo-se como tal o em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos políticos.
decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou II. O oficial perderá o posto e a patente se for julgado
política, para se eximirem de atividades de caráter indigno do oficialato ou com ele incompatível por decisão de
essencialmente militar. tribunal militar especial, em tempo de paz ou de guerra.
§ 2º As mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço III. As mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço
militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos, porém, a outros militar obrigatório em tempo de guerra, sujeitos, porém, a
encargos que a lei lhes atribuir. outros encargos que a lei lhes atribuir.
IV. Não caberá habeas corpus em relação a punições
Questões disciplinares militares.
V. Os membros das Forças Armadas são denominados
01. (Marinha do Brasil - Serviço Auxiliar Voluntário - militares.
MARINHA DO BRASIL/2017) De acordo com a Constituição (A) Todas as afirmações estão corretas.
da República Federativa do Brasil (1988), as Forças Armadas, (B) Apenas IV e V estão corretas.
constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, (C) Apenas II e III estão corretas.
são instituições nacionais permanentes e regulares, (D) Apenas III e IV estão corretas.
organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a (E) Apenas I, II e III estão corretas.
autoridade suprema do
(A) Presidente da República 05. (TJ/PA - Juiz de Direito Substituto - VUNESP)
(B) Ministro da Defesa Segundo o que estabelece o texto constitucional em relação às
(C) Comandante da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. forças armadas, é correto afirmar que
(D) Conselho de Defesa Nacional (A) o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena
(E) Conselho Militar de Defesa. privativa de liberdade superior a dois anos, por sentença
transitada em julgado, será submetido a julgamento por
02. (Marinha do Brasil - Serviço Auxiliar Voluntário - Tribunal Militar e só perderá o posto e a patente se for julgado
MARINHA DO BRASIL/2017) Segundo a Constituição da indigno do oficialato ou com ele incompatível.
República Federativa do Brasil (1988), coloque F (falso) ou V (B) o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena
(verdadeiro) nas afirmativas abaixo, com relação as privativa de liberdade superior a um ano, por sentença
disposições aos membros das Forças Armadas, assinalando a transitada em julgado, será submetido a julgamento por
seguir a opção correta. Tribunal Militar e só perderá o posto e a patente se for julgado
( ) ao militar são proibidas a sindicalização e a greve. indigno do oficialato ou com ele incompatível.
( ) o militar, enquanto em serviço ativo, pode estar filiado (C) a sindicalização é direito do militar, sendo vedada a
a partidos políticos. greve.
( ) o oficial nunca perderá o posto e a patente, mesmo (D) o militar, mesmo em serviço ativo, pode estar filiado a
sendo julgado indigno ao oficialato. partidos políticos, exceto os Comandantes da Marinha,
( ) as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas Exército e Aeronáutica.
inerentes são asseguradas em plenitude apenas aos oficiais da (E) o oficial condenado na justiça comum, por sentença
ativa, sendo-lhes privativos os títulos e postos militares e o uso transitada em julgado, perderá automaticamente o posto e a
dos uniformes das Forças Armadas. patente.
Gabarito
(A) V, F, V, F
(B) V, V, V, F 01. A / 02. D / 03. C / 04. B / 05. A
(C) F, V, V, V
(D) V, F, F, F Da Segurança Pública - Perfil constitucional: funções
(E) F, V, F, V institucionais
Conhecimentos Específicos 2
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APOSTILAS OPÇÃO
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do a serem adotados pela Polícia Militar em relação às suas
patrimônio...”. atribuições legais, e dá outras providências.
A segurança pública é um serviço público que deve ser - Corpos de bombeiros militares - são forças auxiliares
universalizado, sendo “dever do estado” e “direito de todos”. O que se subordinam, conjuntamente com as polícias civis, aos
art. 5º da Constituição Federal, em seu caput, eleva a segurança governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos
à condição de direito fundamental. Como a convivência Territórios.
harmônica reclama a preservação dos direitos e garantias
fundamentais, é necessário existir uma atividade constante de Importante lembrar que os Municípios poderão constituir
vigilância, prevenção e repressão de condutas delituosas. guardas municipais destinadas à proteção de seus bens,
O poder de polícia é a atividade do Estado consistente em serviços e instalações, conforme dispuser a lei e a segurança
limitar o exercício dos direitos individuais em benefícios do viária, exercida para a preservação da ordem pública e da
interesse público. incolumidade das pessoas e do seu patrimônio nas vias
A atividade policial divide-se, então em duas grandes públicas compreende a educação, engenharia e fiscalização de
áreas: administrativa e judiciária. A polícia administrativa trânsito, além de outras atividades previstas em lei, que
(polícia preventiva ou ostensiva) atua preventivamente, assegurem ao cidadão o direito à mobilidade urbana eficiente;
evitando que o crime aconteça e preservando a ordem pública, e compete, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos
fica a cargo das polícias militares, forças auxiliares e reserva Municípios, aos respectivos órgãos ou entidades executivos e
do Exército. Já a polícia judiciária (polícia de investigação) atua seus agentes de trânsito, estruturados em Carreira, na forma
repressivamente, depois de ocorrido o ilícito. A investigação e da lei.
a apuração de infrações penais (exceto militares e aquelas de
competência da polícia federal), ou seja, o exercício da polícia
O homicídio cometido contra integrantes dos órgãos
judiciária, em âmbito estadual, cabe às policias civis, dirigidas
de segurança pública (ou contra seus familiares) passa a
por delegados de polícia de carreira.
ser considerado como homicídio qualificado, se o delito
tiver relação com a função exercida.
Órgãos da segurança pública
A Lei n° 13.142/2015 acrescentou o inciso VII ao § 2º
do art. 121 do CP prevendo o seguinte:
A segurança pública efetiva-se por meio dos seguintes
órgãos:
Art. 121. Matar alguém:
- Polícia Federal - instituída por lei como órgão
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
permanente, organizado e mantido pela União e estruturado
(...)
em carreira, destina-se a:
Homicídio qualificado
a) apurar infrações penais contra a ordem política e social
§ 2° Se o homicídio é cometido:
ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou
(...)
de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142
como outras infrações cuja prática tenha repercussão
e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema
interestadual ou internacional e exija repressão uniforme,
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no
segundo se dispuser em lei;
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu
b) prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro
drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da
grau, em razão dessa condição:
ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
áreas de competência;
c) exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e
2) A pena da LESÃO CORPORAL será aumentada de 1/3
de fronteiras; e
a 2/3 se essa lesão tiver sido praticada contra integrantes
d) exercer, com exclusividade, as funções de polícia
dos órgãos de segurança pública (ou contra seus
judiciária da União.
familiares), desde que o delito tenha relação com a função
exercida.
- Polícia rodoviária federal - órgão permanente,
organizado e mantido pela União e estruturado em carreira,
A Lei n° 13.142/2015 acrescentou o § 12 ao art. 129 do
destina-se, nos termos da Lei n° 9.654, de 2 de junho de 1998,
CP, prevendo o seguinte:
ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.
- Polícia ferroviária federal - órgão permanente,
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de
organizado e mantido pela União e estruturado em carreira,
outrem:
destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das
Pena - detenção, de três meses a um ano.
ferrovias federais.
(...)
- Polícias civis - dirigidas por delegados de carreira,
Aumento de pena
exercem, ressalvada a competência da União, as funções de
(...)
polícia judiciária e de apuração de infrações penais, exceto as
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou
militares. Deve ser observado que a Resolução n° 2, de 20 de
agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal,
fevereiro de 2002, do Conselho Nacional de Segurança Pública,
integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de
estabelece diretrizes para as polícias civil e militar dos Estados
Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência
e do Distrito Federal em relação às Corregedorias e recomenda
dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente
a criação de Ouvidorias autônomas e independentes dos
consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição, a
órgãos policiais.
pena é aumentada de um a dois terços.
- Polícias militares - realizam o policiamento ostensivo e
a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros
3) Foram previstos como crimes hediondos (Lei nº
militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a
8.072, de 25 de Julho de 1990):
execução de atividades de defesa civil. Nesse caso, há a
- Lesão corporal dolosa gravíssima (art. 129, § 2º)
Resolução n° 4, de 20 de fevereiro de 2002, do Conselho
- Lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3º)
Nacional de Segurança Pública, que estatui os procedimentos
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APOSTILAS OPÇÃO
2 RE 559.646-AgR, rel. min.Ellen Gracie, julgamento em 7-6-2011, Segunda 4 RHC 116.002, rel. min. Celso de Mello, julgamento em 12-3-2014, decisão
Turma, DJE de 24-6-2011. No mesmo sentido: ARE 654.823-AgR, rel. min. Dias monocrática, DJE de 17-3-2014.
Toffoli, julgamento em 12-11-2013, Primeira Turma, DJE de 5-12-2013 5 HC 89.837, rel. min. Celso de Mello, julgamento em 20-10-2009, Segunda
3 HC 101.300, rel. min. Ayres Britto, julgamento em 5-10-2010, Segunda Turma, DJE de 20-11-2009.
Turma, DJE 18-11-2010 6 ADI 3.916, rel. min.Eros Grau, julgamento em 3-2-2010, Plenário, DJE de 14-
5-2010.
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APOSTILAS OPÇÃO
hierarquia e da disciplina. Ademais, inviável delimitar, de (D) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3.
forma peremptória, o que seria, dentro da organização militar, (E) São corretas as afirmativas 1, 2 e 3.
ordem legal, ilegal ou manifestamente ilegal, uma vez que não
há rol taxativo a determinar as diversas atividades inerentes à 03. (Câmara de Natal/RN - Guarda Legislativo -
função policial militar. Observo ainda que, levando-se em COMPERVE) A segurança pública, dever do Estado, direito e
conta a quadra atual a envolver os presídios brasileiros, com a responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da
problemática da superpopulação carcerária em contraste com ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio,
a escassez de mão de obra, entendo razoável a participação da por meio de órgãos variados, dentre eles a polícia federal, cujas
Polícia Militar em serviços de custódia e guarda de presos, competências envolvem
sobretudo a fim manter a ordem nos estabelecimentos (A) exercer, sem exclusividade, as funções de polícia
prisionais. Por fim, emerge dos documentos acostados aos judiciária da União e atuar no patrulhamento ostensivo das
autos que a ordem foi dada no sentido de reforçar a guarda, ferrovias federais.
temporariamente, em serviços inerentes à carceragem, e não (B) prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e
para substituir agentes penitenciários como afirma a defesa7.” drogas afins, não cabendo a esse órgão atuar para prevenir e
§ 5º-A. Às polícias penais, vinculadas ao órgão reprimir o contrabando e o descaminho.
administrador do sistema penal da unidade federativa a que (C) executar as funções de polícia marítima, aeroportuária
pertencem, cabe a segurança dos estabelecimentos penais. e de fronteiras e exercer as atividades de patrulhamento
(Incluído pela Emenda Constitucional 104 de 2019) ostensivo das rodovias federais.
§ 6º As polícias militares e os corpos de bombeiros (D) apurar infrações penais contra a ordem política e social
militares, forças auxiliares e reserva do Exército subordinam- ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou
se, juntamente com as polícias civis e as polícias penais de suas entidades autárquicas e empresas públicas.
estaduais e distrital, aos Governadores dos Estados, do Distrito
Federal e dos Territórios. (Nova redação dada pela Emenda 04. (Câmara de Natal/RN - Guarda Legislativo -
Constitucional 104 de 2019) COMPERVE) Além da polícia federal, outros órgãos atuam
§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos para promover a segurança pública no âmbito do território
órgãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a brasileiro, como é o caso das polícias civis, das polícias
garantir a eficiência de suas atividades. militares e corpos de bombeiros militares. A Constituição,
§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais tratando das diretrizes referentes a esses entes, determinou
destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, que
conforme dispuser a lei. (A) às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de
§ 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as
órgãos relacionados neste artigo será fixada na forma do § 4º do funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais,
art. 39. exceto as militares.
§ 10. A segurança viária, exercida para a preservação da (B) às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do seu carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as
patrimônio nas vias públicas: funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais,
I - compreende a educação, engenharia e fiscalização de inclusive das militares.
trânsito, além de outras atividades previstas em lei, que (C) as polícias militares e corpos de bombeiros militares,
assegurem ao cidadão o direito à mobilidade urbana eficiente; forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se,
e juntamente com as polícias civis, aos Prefeitos e Governadores
II - compete, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos dos Estados.
Municípios, aos respectivos órgãos ou entidades executivos e (D) as polícias militares e corpos de bombeiros militares,
seus agentes de trânsito, estruturados em Carreira, na forma da forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se,
lei. juntamente com as polícias civis, ao Presidente da República,
Prefeitos e Governadores dos Estados.
Questões
05. (PC/DF - Perito Criminal - IADES/2016) A segurança
01. (TJM/SP - Escrevente Técnico Judiciário - VUNESP) pública é dever do Estado e direito e responsabilidade de
Nos termos da Constituição Federal, os policiais militares todos. É exercida pela Polícia Federal e por outros órgãos, com
estaduais têm, entre suas funções, base na Constituição Federal, para a preservação da ordem
(A) a segurança nacional, se o caso. pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Acerca
(B) a garantia dos poderes constitucionais. desse tema, assinale a alternativa correta.
(C) a preservação da ordem pública. (A) Juntamente com a Polícia Civil, cabe à Polícia Federal
(D) a de polícia judiciária. exercer funções de Polícia Judiciária da União.
(E) a apuração de infrações penais. (B) A Polícia Federal é um órgão permanente, organizado
e mantido pela União, e estruturado em carreira que se
02. (SJC/SC - Agente de Segurança Socioeducativo - destina, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das
FEPESE) De acordo com a Constituição Federal, a segurança rodovias federais.
pública é composta pelos seguintes órgãos: (C) As Polícias Federais, Militares e os Corpos de
1. Bombeiro militar Bombeiros Militares, as forças auxiliares e a reserva do
2. Defesa civil Exército subordinam-se, juntamente com as Polícias Civis, aos
3. Polícia federal governadores dos estados, do Distrito Federal e dos
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas territórios.
corretas. (D) À Polícia Federal cabe apurar as infrações penais
(A) É correta apenas a afirmativa 1. contra a ordem política e social ou em detrimento de bens,
(B) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2. serviços e interesses da União ou de suas entidades
(C) São corretas apenas as afirmativas 1 e 3. autárquicas e empresas públicas.
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APOSTILAS OPÇÃO
(E) Às Polícias Civis incumbe, ressalvada a competência da II - os incorporados às Forças Armadas para prestação de
União, a apuração de infrações penais, incluindo as militares. serviço militar inicial, durante os prazos previstos na
legislação que trata do serviço militar, ou durante as
Gabarito prorrogações daqueles prazos;
III - os componentes da reserva das Forças Armadas
01.C / 02.C / 03.D / 04.A / 05.D quando convocados, reincluídos, designados ou mobilizados;
IV - os alunos de órgão de formação de militares da ativa e
da reserva; e
V - em tempo de guerra, todo cidadão brasileiro mobilizado
LEGISLAÇÃO MILITAR-NAVAL para o serviço ativo nas Forças Armadas.
Estatuto dos Militares – b) na inatividade:
Disposições preliminares; Do I - os da reserva remunerada, quando pertençam à reserva
das Forças Armadas e percebam remuneração da União,
ingresso nas Forças Armadas; Da porém sujeitos, ainda, à prestação de serviço na ativa,
hierarquia militar e disciplina; mediante convocação ou mobilização; e
Do cargo e da função militares; II - os reformados, quando, tendo passado por uma das
Das obrigações militares; Valor e situações anteriores estejam dispensados, definitivamente, da
prestação de serviço na ativa, mas continuem a perceber
ética militar; Dos deveres
remuneração da União.
militares; Conceituação; lll - os da reserva remunerada, e, excepcionalmente, os
compromisso militar, comando e reformados, executado tarefa por tempo certo, segundo
subordinação; Violação das regulamentação para cada Força Armada.(Redação dada pela
obrigações e deveres militares; Lei nº 9.442, de 14.3.1997)
§ 2º Os militares de carreira são os da ativa que, no
Crimes militares; Contravenções desempenho voluntário e permanente do serviço militar,
ou transgressões disciplinares; e tenham vitaliciedade assegurada ou presumida.
Conselhos de justificação e
disciplina. Art. 4º São considerados reserva das Forças Armadas:
I - individualmente:
a) os militares da reserva remunerada; e
b) os demais cidadãos em condições de convocação ou de
LEI Nº 6.880, DE 9 DE DEZEMBRO DE 19808 mobilização para a ativa.
II - no seu conjunto:
Dispõe sobre o Estatuto dos Militares. a) as Polícias Militares; e
b) os Corpos de Bombeiros Militares.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o § 1° A Marinha Mercante, a Aviação Civil e as empresas
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a ‘seguinte Lei: declaradas diretamente devotada às finalidades precípuas das
Forças Armadas, denominada atividade efeitos de mobilização
e de emprego, reserva das Forças Armadas.
§ 2º O pessoal componente da Marinha Mercante, da
ESTATUTO DOS MILITARES Aviação Civil e das empresas declaradas diretamente
TÍTULO I relacionadas com a segurança nacional, bem como os demais
Generalidades cidadãos em condições de convocação ou mobilização para a
CAPÍTULO I ativa, só serão considerados militares quando convocados ou
Disposições Preliminares mobilizados para o serviço nas Forças Armadas.
Art. 1º O presente Estatuto regula a situação, obrigações, Art. 5º A carreira militar é caracterizada por atividade
deveres, direitos e prerrogativas dos membros das Forças continuada e inteiramente devotada às finalidades precípuas
Armadas. das Forças Armadas, denominada atividade militar.
§ 1º A carreira militar é privativa do pessoal da ativa,
Art. 2º As Forças Armadas, essenciais à execução da inicia-se com o ingresso nas Forças Armadas e obedece às
política de segurança nacional, são constituídas pela Marinha, diversas sequências de graus hierárquicos.
pelo Exército e pela Aeronáutica, e destinam-se a defender a § 2º São privativas de brasileiro nato as carreiras de oficial
Pátria e a garantir os poderes constituídos, a lei e a ordem. São da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.
instituições nacionais, permanentes e regulares, organizadas
com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade Art. 6º São equivalentes as expressões "na ativa", "da
suprema do Presidente da República e dentro dos limites da ativa", "em serviço ativo", "em serviço na ativa", "em serviço",
lei. "em atividade" ou "em atividade militar", conferidas aos
militares no desempenho de cargo, comissão, encargo,
Art. 3° Os membros das Forças Armadas, em razão de sua incumbência ou missão, serviço ou atividade militar ou
destinação constitucional, formam uma categoria especial de considerada de natureza militar nas organizações militares
servidores da Pátria e são denominados militares. das Forças Armadas, bem como na Presidência da República,
§ 1° Os militares encontram-se em uma das seguintes na Vice-Presidência da República, no Ministério da Defesa e
situações: nos demais órgãos quando previsto em lei, ou quando
a) na ativa: incorporados às Forças Armadas. (Redação dada pela Medida
I - os de carreira; Provisória nº 2.215-10, de 31.8.2001)
8 Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6880compilada.htm -
acesso em 13.12.2019
Conhecimentos Específicos 6
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APOSTILAS OPÇÃO
Art. 7° A condição jurídica dos militares é definida pelos ordenação se faz por postos ou graduações; dentro de um
dispositivos da Constituição que lhes sejam aplicáveis, por este mesmo posto ou graduação se faz pela antiguidade no posto ou
Estatuto e pela legislação, que lhes outorgam direitos e na graduação. O respeito à hierarquia é consubstanciado no
prerrogativas e lhes impõem deveres e obrigações. espírito de acatamento à sequência de autoridade.
§ 2º Disciplina é a rigorosa observância e o acatamento
Art. 8° O disposto neste Estatuto aplica-se, no que couber: integral das leis, regulamentos, normas e disposições que
I - aos militares da reserva remunerada e reformados; fundamentam o organismo militar e coordenam seu
II - aos alunos de órgão de formação da reserva; funcionamento regular e harmônico, traduzindo-se pelo
III - aos membros do Magistério Militar; e perfeito cumprimento do dever por parte de todos e de cada
IV - aos Capelães Militares. um dos componentes desse organismo.
§ 3º A disciplina e o respeito à hierarquia devem ser
Art. 9º Os oficiais-generais nomeados Ministros do mantidos em todas as circunstâncias da vida entre militares da
Superior Tribunal Militar, os membros do Magistério Militar e ativa, da reserva remunerada e reformados.
os Capelães Militares são regidos por legislação específica.
Art. 15. Círculos hierárquicos são âmbitos de convivência
CAPÍTULO II entre os militares da mesma categoria e têm a finalidade de
Do Ingresso nas Forças Armadas desenvolver o espírito de camaradagem, em ambiente de
estima e confiança, sem prejuízo do respeito mútuo.
Art. 10. O ingresso nas Forças Armadas é facultado,
mediante incorporação, matrícula ou nomeação, a todos os Art. 16. Os círculos hierárquicos e a escala hierárquica nas
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei e Forças Armadas, bem como a correspondência entre os postos
nos regulamentos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. e as graduações da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, são
§ 1º Quando houver conveniência para o serviço de fixados nos parágrafos seguintes e no Quadro em anexo.
qualquer das Forças Armadas, o brasileiro possuidor de § 1° Posto é o grau hierárquico do oficial, conferido por ato
reconhecida competência técnico-profissional ou de notória do Presidente da República ou do Ministro de Força Singular e
cultura científica poderá, mediante sua aquiescência e confirmado em Carta Patente.
proposta do Ministro da Força interessada, ser incluído nos § 2º Os postos de Almirante, Marechal e Marechal-do-Ar
Quadros ou Corpos da Reserva e convocado para o serviço na somente serão providos em tempo de guerra.
ativa em caráter transitório. § 3º Graduação é o grau hierárquico da praça, conferido
§ 2º A inclusão nos termos do parágrafo anterior será feita pela autoridade militar competente.
em grau hierárquico compatível com sua idade, atividades § 4º Os Guardas-Marinha, os Aspirantes-a-Oficial e os
civis e responsabilidades que lhe serão atribuídas, nas alunos de órgãos específicos de formação de militares são
condições reguladas pelo Poder Executivo. denominados praças especiais.
§ 5º Os graus hierárquicos inicial e final dos diversos
Art. 11. Para matrícula nos estabelecimentos de ensino Corpos, Quadros, Armas, Serviços, Especialidades ou
militar destinados à formação de oficiais, da ativa e da reserva, Subespecialidades são fixados, separadamente, para cada caso,
e de graduados, além das condições relativas à nacionalidade, na Marinha, no Exército e na Aeronáutica.
idade, aptidão intelectual, capacidade física e idoneidade § 6º Os militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica,
moral, é necessário que o candidato não exerça ou não tenha cujos graus hierárquicos tenham denominação comum,
exercido atividades prejudiciais ou perigosas à segurança acrescentarão aos mesmos, quando julgado necessário, a
nacional. indicação do respectivo Corpo, Quadro, Arma ou Serviço e, se
Parágrafo único. O disposto neste artigo e no anterior ainda necessário, a Força Armada a que pertencerem,
aplica-se, também, aos candidatos ao ingresso nos Corpos ou conforme os regulamentos ou normas em vigor.
Quadros de Oficiais em que é exigido o diploma de § 7º Sempre que o militar da reserva remunerada ou
estabelecimento de ensino superior reconhecido pelo Governo reformado fizer uso do posto ou graduação, deverá fazê-lo com
Federal. as abreviaturas respectivas de sua situação.
Art. 12. A convocação em tempo de paz é regulada pela Art. 17. A precedência entre militares da ativa do mesmo
legislação que trata do serviço militar. grau hierárquico, ou correspondente, é assegurada pela
§ 1° Em tempo de paz e independentemente de antiguidade no posto ou graduação, salvo nos casos de
convocação, os integrantes da reserva poderão ser designados precedência funcional estabelecida em lei.
para o serviço ativo, em caráter transitório e mediante § 1º A antiguidade em cada posto ou graduação é contada
aceitação voluntária. a partir da data da assinatura do ato da respectiva promoção,
§ 2º O disposto no parágrafo anterior será regulamentado nomeação, declaração ou incorporação, salvo quando estiver
pelo Poder Executivo. taxativamente fixada outra data.
§ 2º No caso do parágrafo anterior, havendo empate, a
Art. 13. A mobilização é regulada em legislação específica. antiguidade será estabelecida:
Parágrafo único. A incorporação às Forças Armadas de a) entre militares do mesmo Corpo, Quadro, Arma ou
deputados federais e senadores, embora militares e ainda que Serviço, pela posição nas respectivas escalas numéricas ou
em tempo de guerra, dependerá de licença da Câmara registros existentes em cada Força;
respectiva. b) nos demais casos, pela antiguidade no posto ou
graduação anterior; se, ainda assim, subsistir a igualdade,
CAPÍTULO III recorrer-se-á, sucessivamente, aos graus hierárquicos
Da Hierarquia Militar e da Disciplina anteriores, à data de praça e à data de nascimento para definir
a procedência, e, neste último caso, o de mais idade será
Art. 14. A hierarquia e a disciplina são a base institucional considerado o mais antigo;
das Forças Armadas. A autoridade e a responsabilidade c) na existência de mais de uma data de praça, inclusive de
crescem com o grau hierárquico. outra Força Singular, prevalece a antiguidade do militar que
§ 1º A hierarquia militar é a ordenação da autoridade, em tiver maior tempo de efetivo serviço na praça anterior ou nas
níveis diferentes, dentro da estrutura das Forças Armadas. A praças anteriores; e
Conhecimentos Específicos 7
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APOSTILAS OPÇÃO
d) entre os alunos de um mesmo órgão de formação de Art. 23. Função militar é o exercício das obrigações
militares, de acordo com o regulamento do respectivo órgão, inerentes ao cargo militar.
se não estiverem especificamente enquadrados nas letras a , b
e c. Art. 24. Dentro de uma mesma organização militar, a
§ 3º Em igualdade de posto ou de graduação, os militares sequência de substituições para assumir cargo ou responder
da ativa têm precedência sobre os da inatividade. por funções, bem como as normas, atribuições e
§ 4º Em igualdade de posto ou de graduação, a precedência responsabilidades relativas, são as estabelecidas na legislação
entre os militares de carreira na ativa e os da reserva ou regulamentação específicas, respeitadas a precedência e a
remunerada ou não, que estejam convocados, é definida pelo qualificação exigidas para o cargo ou o exercício da função.
tempo de efetivo serviço no posto ou graduação.
Art. 25. O militar ocupante de cargo provido em caráter
Art. 18. Em legislação especial, regular-se-á: efetivo ou interino, de acordo com o parágrafo único do artigo
I - a precedência entre militares e civis, em missões 21, faz jus aos direitos correspondentes ao cargo, conforme
diplomáticas, ou em comissão no País ou no estrangeiro; e previsto em dispositivo legal.
II - a precedência nas solenidades oficiais.
Art. 26. As obrigações que, pela generalidade,
Art. 19. A precedência entre as praças especiais e as demais peculiaridade, duração, vulto ou natureza, não são catalogadas
praças é assim regulada: como posições tituladas em "Quadro de Efetivo", "Quadro de
I - os Guardas-Marinha e os Aspirantes-a-Oficial são Organização", "Tabela de Lotação" ou dispositivo legal, são
hierarquicamente superiores às demais praças; cumpridas como encargo, incumbência, comissão, serviço ou
II - os Aspirantes, alunos da Escola Naval, e os Cadetes, atividade, militar ou de natureza militar.
alunos da Academia Militar das Agulhas Negras e da Academia Parágrafo único. Aplica-se, no que couber, a encargo,
da Força Aérea, bem como os alunos da Escola de Oficiais incumbência, comissão, serviço ou atividade, militar ou de
Especialistas da Aeronáutica, são hierarquicamente natureza militar, o disposto neste Capítulo para cargo militar.
superiores aos suboficiais e aos subtenentes;
III - os alunos de Escola Preparatória de Cadetes e do TÍTULO II
Colégio Naval têm precedência sobre os Terceiros-Sargentos, Das Obrigações e dos Deveres Militares
aos quais são equiparados; CAPÍTULO I
IV - os alunos dos órgãos de formação de oficiais da Das Obrigações Militares
reserva, quando fardados, têm precedência sobre os Cabos, SEÇÃO I
aos quais são equiparados; e Do Valor Militar
V - os Cabos têm precedência sobre os alunos das escolas
ou dos centros de formação de sargentos, que a eles são Art. 27. São manifestações essenciais do valor militar:
equiparados, respeitada, no caso de militares, a antiguidade I - o patriotismo, traduzido pela vontade inabalável de
relativa. cumprir o dever militar e pelo solene juramento de fidelidade
à Pátria até com o sacrifício da própria vida;
CAPÍTULO IV II - o civismo e o culto das tradições históricas;
Do Cargo e da Função Militares III - a fé na missão elevada das Forças Armadas;
IV - o espírito de corpo, orgulho do militar pela organização
Art. 20. Cargo militar é um conjunto de atribuições, onde serve;
deveres e responsabilidades cometidos a um militar em V - o amor à profissão das armas e o entusiasmo com que é
serviço ativo. exercida; e
§ 1º O cargo militar, a que se refere este artigo, é o que se VI - o aprimoramento técnico-profissional.
encontra especificado nos Quadros de Efetivo ou Tabelas de
Lotação das Forças Armadas ou previsto, caracterizado ou SEÇÃO II
definido como tal em outras disposições legais. Da Ética Militar
§ 2º As obrigações inerentes ao cargo militar devem ser
compatíveis com o correspondente grau hierárquico e Art. 28. O sentimento do dever, o pundonor militar e o
definidas em legislação ou regulamentação específicas. decoro da classe impõem, a cada um dos integrantes das
Forças Armadas, conduta moral e profissional irrepreensíveis,
Art. 21. Os cargos militares são providos com pessoal que com a observância dos seguintes preceitos de ética militar:
satisfaça aos requisitos de grau hierárquico e de qualificação I - amar a verdade e a responsabilidade como fundamento
exigidos para o seu desempenho. de dignidade pessoal;
Parágrafo único. O provimento de cargo militar far-se-á II - exercer, com autoridade, eficiência e probidade, as
por ato de nomeação ou determinação expressa da autoridade funções que lhe couberem em decorrência do cargo;
competente. III - respeitar a dignidade da pessoa humana;
IV - cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as
Art. 22. O cargo militar é considerado vago a partir de sua instruções e as ordens das autoridades competentes;
criação e até que um militar nele tome posse, ou desde o V - ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na
momento em que o militar exonerado, ou que tenha recebido apreciação do mérito dos subordinados;
determinação expressa da autoridade competente, o deixe e VI - zelar pelo preparo próprio, moral, intelectual e físico e,
até que outro militar nele tome posse de acordo com as também, pelo dos subordinados, tendo em vista o
normas de provimento previstas no parágrafo único do artigo cumprimento da missão comum;
anterior. VII - empregar todas as suas energias em benefício do
Parágrafo único. Consideram-se também vagos os cargos serviço;
militares cujos ocupantes tenham: VIII - praticar a camaradagem e desenvolver,
a) falecido; permanentemente, o espírito de cooperação;
b) sido considerados extraviados; IX - ser discreto em suas atitudes, maneiras e em sua
c) sido feitos prisioneiros; e linguagem escrita e falada;
d) sido considerados desertores.
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X - abster-se de tratar, fora do âmbito apropriado, de VI - a obrigação de tratar o subordinado dignamente e com
matéria sigilosa de qualquer natureza; urbanidade.
XI - acatar as autoridades civis;
XII - cumprir seus deveres de cidadão; SEÇÃO II
XIII - proceder de maneira ilibada na vida pública e na Do Compromisso Militar
particular;
XIV - observar as normas da boa educação; Art. 32. Todo cidadão, após ingressar em uma das Forças
XV - garantir assistência moral e material ao seu lar e Armadas mediante incorporação, matrícula ou nomeação,
conduzir-se como chefe de família modelar; prestará compromisso de honra, no qual afirmará a sua
XVI - conduzir-se, mesmo fora do serviço ou quando já na aceitação consciente das obrigações e dos deveres militares e
inatividade, de modo que não sejam prejudicados os princípios manifestará a sua firme disposição de bem cumpri-los.
da disciplina, do respeito e do decoro militar;
XVII - abster-se de fazer uso do posto ou da graduação para Art. 33. O compromisso do incorporado, do matriculado e
obter facilidades pessoais de qualquer natureza ou para do nomeado, a que se refere o artigo anterior, terá caráter
encaminhar negócios particulares ou de terceiros; solene e será sempre prestado sob a forma de juramento à
XVIII - abster-se, na inatividade, do uso das designações Bandeira na presença de tropa ou guarnição formada,
hierárquicas: conforme os dizeres estabelecidos nos regulamentos
a) em atividades político-partidárias; específicos das Forças Armadas, e tão logo o militar tenha
b) em atividades comerciais; adquirido um grau de instrução compatível com o perfeito
c) em atividades industriais; entendimento de seus deveres como integrante das Forças
d) para discutir ou provocar discussões pela imprensa a Armadas.
respeito de assuntos políticos ou militares, excetuando-se os § 1º O compromisso de Guarda-Marinha ou Aspirante-a-
de natureza exclusivamente técnica, se devidamente Oficial é prestado nos estabelecimentos de formação,
autorizado; e obedecendo o cerimonial ao fixado nos respectivos
e) no exercício de cargo ou função de natureza civil, mesmo regulamentos.
que seja da Administração Pública; e § 2º O compromisso como oficial, quando houver, será
XIX - zelar pelo bom nome das Forças Armadas e de cada regulado em cada Força Armada.
um de seus integrantes, obedecendo e fazendo obedecer aos
preceitos da ética militar. SEÇÃO III
Do Comando e da Subordinação
Art. 29. Ao militar da ativa é vedado comerciar ou tomar
parte na administração ou gerência de sociedade ou dela ser Art. 34. Comando é a soma de autoridade, deveres e
sócio ou participar, exceto como acionista ou quotista, em responsabilidades de que o militar é investido legalmente
sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade quando conduz homens ou dirige uma organização militar. O
limitada. comando é vinculado ao grau hierárquico e constitui uma
§ 1º Os integrantes da reserva, quando convocados, ficam prerrogativa impessoal, em cujo exercício o militar se define e
proibidos de tratar, nas organizações militares e nas se caracteriza como chefe.
repartições públicas civis, de interesse de organizações ou Parágrafo único. Aplica-se à direção e à chefia de
empresas privadas de qualquer natureza. organização militar, no que couber, o estabelecido para
§ 2º Os militares da ativa podem exercer, diretamente, a comando.
gestão de seus bens, desde que não infrinjam o disposto no
presente artigo. Art. 35. A subordinação não afeta, de modo algum, a
§ 3º No intuito de desenvolver a prática profissional, é dignidade pessoal do militar e decorre, exclusivamente, da
permitido aos oficiais titulares dos Quadros ou Serviços de estrutura hierarquizada das Forças Armadas.
Saúde e de Veterinária o exercício de atividade técnico-
profissional no meio civil, desde que tal prática não prejudique Art. 36. O oficial é preparado, ao longo da carreira, para o
o serviço e não infrinja o disposto neste artigo. exercício de funções de comando, de chefia e de direção.
Art. 37. Os graduados auxiliam ou complementam as
Art. 30. Os Ministros das Forças Singulares poderão atividades dos oficiais, quer no adestramento e no emprego de
determinar aos militares da ativa da respectiva Força que, no meios, quer na instrução e na administração.
interesse da salvaguarda da dignidade dos mesmos, informem Parágrafo único. No exercício das atividades mencionadas
sobre a origem e natureza dos seus bens, sempre que houver neste artigo e no comando de elementos subordinados, os
razões que recomendem tal medida. suboficiais, os subtenentes e os sargentos deverão impor-se
pela lealdade, pelo exemplo e pela capacidade profissional e
CAPÍTULO II técnica, incumbindo-lhes assegurar a observância minuciosa e
Dos Deveres Militares ininterrupta das ordens, das regras do serviço e das normas
SEÇÃO I operativas pelas praças que lhes estiverem diretamente
Conceituação subordinadas e a manutenção da coesão e do moral das
mesmas praças em todas as circunstâncias.
Art. 31. Os deveres militares emanam de um conjunto de
vínculos racionais, bem como morais, que ligam o militar à Art. 38. Os Cabos, Taifeiros-Mores, Soldados-de-Primeira-
Pátria e ao seu serviço, e compreendem, essencialmente: Classe, Taifeiros-de-Primeira-Classe, Marinheiros, Soldados,
I - a dedicação e a fidelidade à Pátria, cuja honra, Soldados-de-Segunda-Classe e Taifeiros-de-Segunda-Classe
integridade e instituições devem ser defendidas mesmo com o são, essencialmente, elementos de execução.
sacrifício da própria vida;
II - o culto aos Símbolos Nacionais; Art. 39. Os Marinheiros-Recrutas, Recrutas, Soldados-
III - a probidade e a lealdade em todas as circunstâncias; Recrutas e Soldados-de-Segunda-Classe constituem os
IV - a disciplina e o respeito à hierarquia; elementos incorporados às Forças Armadas para a prestação
V - o rigoroso cumprimento das obrigações e das ordens; e do serviço militar inicial.
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APOSTILAS OPÇÃO
CAPÍTULO II
Da Disciplina e da Hierarquia Militar
9Disponível em
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Atos/decretos/1983/D88545.html acesso
em 13.12.2019
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perfeito cumprimento do dever por parte de todos e de cada 13. deixar o Oficial presente a solenidade interna ou
um dos componentes desse organismo. externa onde se encontrem superiores hierárquicos de
Parágrafo único - A disciplina militar manifesta-se apresentar-se ao mais antigo e saudar os demais;
basicamente pela: 14. deixar, quando estiver sentado, de oferecer seu lugar
- obediência pronta às ordens do superior; ao superior, ressalvadas as exceções previstas no
- utilização total das energias em prol do serviço; Regulamento de Continências, Honras e Sinais de Respeito das
- correção de atitudes; e Forças Armadas;
- cooperação espontânea em benefício da disciplina 15. representar contra o superior:
coletiva e da eficiência da instituição. a) sem prévia autorização deste;
b) em inobservância à via hierárquica;
Art. 3º - Hierarquia Militar é a ordenação da autoridade em c) em termos desrespeitosos; e
níveis diferentes, dentro da estrutura militar. A ordenação se d) empregando argumentos falsos ou envolvendo má-fé.
faz por postos ou graduações; dentro de um mesmo posto ou 16. deixar de se apresentar, finda a licença ou
graduação, se faz pela antiguidade no posto ou na graduação. cumprimento de pena, aos seus superiores ou a quem deva
Parágrafo único - O respeito à hierarquia é fazê-lo, de acordo com as normas de serviço da Organização
consubstanciado no espírito de acatamento à sequência de Militar;
autoridade. 17. permutar serviço sem autorização do superior
competente;
Art. 4º - A boa educação militar não prescinde da cortesia. 18. autorizar, promover, tomar parte ou assinar
É dever de todos, em serviço ou não, tratarem-se mutuamente representação ou manifestação coletiva de qualquer caráter
com urbanidade, e aos subordinados com atenção e justiça. contra superior;
19. recusar pagamento, fardamento, equipamento ou
CAPÍTULO III artigo de recebimento obrigatório;
Da Esfera de Ação Disciplinar 20. recusar-se ao cumprimento de castigo imposto;
21. tratar subalterno com injustiça;
Art. 5º - As prescrições deste Regulamento aplicam-se aos 22. dirigir-se ou referir-se a subalterno em termos
militares da Marinha da ativa, da reserva remunerada e aos incompatíveis com a disciplina militar;
reformados. 23. tratar com excessivo rigor preso sob sua guarda;
24. negar licença a subalterno para representar contra ato
TÍTULO II seu;
DAS CONTRAVENÇÕES DISCIPLINARES 25. protelar licença, sem motivo justificável, a subalterno
CAPÍTULO I para representar contra ato seu;
Definição e Especificação 26. negar licença, sem motivo justificável, a subalterno
para se dirigir a autoridade superior, afim de tratar dos seus
Art. 6º - Contravenção Disciplinar é toda ação ou omissão interesses;
contrária às obrigações ou aos deveres militares estatuídos 27. deixar de punir o subalterno que cometer
nas leis, nos regulamentos, nas normas e nas disposições em contravenção, ou de promover sua punição pela autoridade
vigor que fundamentam a Organização Militar, desde que não competente;
incidindo no que é capitulado pelo Código Penal Militar como 28. deixar de cumprir ou de fazer cumprir, quando isso lhe
crime. competir, qualquer prescrição ou ordem regulamentar;
29. ofender física ou moralmente qualquer pessoa,
Art. 7º - São contravenções disciplinares: procurar desacreditá-la ou concorrer para isso, desde que não
1. dirigir-se ou referir-se a superior de modo incorra em crime;
desrespeitoso; 30. desrespeitar medidas gerais de ordem policial,
2. censurar atos de superior; embaraçar sua execução ou concorrer para isso;
3. responder de maneira desatenciosa ao superior; 31. desrespeitar ou desconsiderar autoridade civil;
4. dirigir-se ao superior para tratar de assuntos de serviço 32. desrespeitar, por palavras ou atos, a religião, as
ou de caráter particular em inobservância à via hierárquica; instituições ou os costumes de país estrangeiro em que se
5. deixar o subalterno, quer uniformizado quer trajando à achar;
paisana, de cumprimentar o superior quando uniformizado, ou 33. faltar à verdade ou omitir informações que possam
em traje civil, desde que o conheça; ou deixar de prestar-lhe as conduzir à sua apuração;
homenagens e sinais de consideração e respeito previstos nos 34. portar-se sem compostura em lugar público;
regulamentos militares; 35. apresentar-se em Organização Militar em estado de
6. deixar deliberadamente de corresponder ao embriaguez ou embriagar-se e comportar-se de modo
cumprimento do subalterno; inconveniente ou incompatível com a disciplina militar em
7. deixar de cumprir ordem recebida da autoridade Organização Militar;
competente; 36. contrair dívidas ou assumir compromissos superiores
8. retardar, sem motivo justo, o cumprimento de ordem às suas possibilidades, comprometendo o bom nome da classe;
recebida de autoridade competente; 37. esquivar-se a satisfazer compromissos assumidos de
9. aconselhar ou concorrer para o não cumprimento de ordem moral ou pecuniária;
qualquer ordem de autoridade competente ou para o 38. não atender a advertência de superior para satisfazer
retardamento da sua execução; débito já reclamado;
10. induzir ou concorrer intencionalmente para que 39. participar em Organização Militar de jogos proibidos,
outrem incida em contravenção; ou jogar a dinheiro os permitidos;
11. deixar de comunicar ao superior a execução de ordem 40. fazer qualquer transação de caráter comercial em
dele recebida; Organização Militar;
12. retirar-se da presença do superior sem a sua devida 41. estar fora do uniforme determinado ou tê-lo em
licença ou ordem para fazê-lo; desalinho;
42. ser descuidado no asseio do corpo e do uniforme;
43. ter o cabelo fora das normas regulamentares;
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APOSTILAS OPÇÃO
44. dar, vender, empenhar ou trocar peças de uniformes 73. dar toques, fazer sinais, içar ou arriar a bandeira
fornecidas pela União; nacional ou insígnias, disparar qualquer arma sem ordem;
45. simular doença; 74. conversar ou fazer ruído desnecessário por ocasião de
46. executar intencionalmente mal qualquer serviço ou faina, manobra, exercício ou reunião para qualquer serviço;
exercício; 75. deixar de comunicar em tempo hábil ao seu superior
47. ser negligente no desempenho da incumbência ou imediato ou a quem de direito o conhecimento que tiver de
serviço que lhe for confiado; qualquer fato que possa comprometer a disciplina ou a
48. extraviar ou concorrer para que se extraviem ou se segurança da Organização Militar, ou afetar os interesses da
estraguem quaisquer objetos da Fazenda Nacional ou Segurança Nacional;
documentos oficiais, estejam ou não sob sua responsabilidade 76. ser indiscreto em relação a assuntos de caráter oficial,
direta; cuja divulgação possa ser prejudicial à disciplina ou à boa
49. deixar de comparecer ou atender imediatamente à ordem do serviço;
chamada para qualquer exercício, faina, manobra ou 77. discutir pela imprensa ou por qualquer outro meio de
formatura; publicidade, sem autorização competente, assunto militar,
50. deixar de se apresentar, sem motivo justificado, nos exceto de caráter técnico não sigiloso e que não se refira à
prazos regulamentares, à Organização Militar para que tenha Defesa ou à Segurança Nacional;
sido transferido e, às autoridades competentes, nos casos de 78. manifestar-se publicamente a respeito de assuntos
comissões ou serviços extraordinários para que tenha sido políticos ou tomar parte fardado em manifestações de caráter
nomeado ou designado; político-partidário;
51. deixar de participar em tempo à autoridade a que 79. provocar ou tomar parte em Organização Militar em
estiver diretamente subordinado a impossibilidade de discussão a respeito de política ou religião;
comparecer à Organização Militar ou a qualquer ato de serviço 80. faltar com o respeito devido, por ação ou omissão, a
a que esteja obrigado a participar ou a que tenha que assistir; qualquer dos símbolos nacionais, desde que em situação não
52. faltar ou chegar atrasado, sem justo motivo, a qualquer considerada como crime;
ato ou serviço de que deva participar ou a que deva assistir; 81. fazer uso indevido de viaturas, embarcações ou
53. ausentar-se sem a devida autorização da Organização aeronaves pertencentes à Marinha, desde que o ato não
Militar onde serve ou do local onde deva permanecer; constitua crime.
54. ausentar-se sem a devida autorização da sede da 82. disparar arma em Organização Militar por imprudência
Organização Militar onde serve; ou negligência;
55. deixar de regressar à hora determinada à Organização 83. concorrer para a discórdia ou desarmonia ou cultivar
Militar onde serve; inimizades entre os militares ou seus familiares; e
56. exceder a licença; 84. disseminar boatos ou notícias tendenciosas.
57. deixar de comunicar à Organização Militar onde serve Parágrafo único - São também consideradas contravenções
mudança de endereço domiciliar; disciplinares todas as omissões do dever militar não
58. contrair matrimônio em desacordo com a legislação em especificadas no presente artigo, desde que não qualificadas
vigor; como crimes nas leis penais militares, cometidas contra
59. deixar de se identificar quando solicitado por quem de preceitos de subordinação e regras de serviço estabelecidos
direito; nos diversos regulamentos militares e determinações das
60. transitar sem ter em seu poder documento atualizado autoridades superiores competentes.
comprobatório de identidade;
61. trajar à paisana em condições que não as permitidas CAPÍTULO II
pelas disposições em vigor; Da Natureza das Contravenções e suas Circunstâncias
62. permanecer em Organização Militar em traje civil,
contrariando instruções em vigor; Art. 8º - As contravenções disciplinares são classificadas
63. conversar com sentinela, vigia, plantão ou preso em graves e leves - conforme o dano - grave ou leve - que
incomunicável; causarem à disciplina ou ao serviço, em virtude da sua
64. conversar, sentar-se ou fumar, estando em serviço e natureza intrínseca, ou das consequências que delas advierem,
quando não permitido pelas normas e disposições da ou puderem advir, pelas circunstâncias em que forem
Organização Militar; cometidas.
65. fumar em lugares onde seja proibido fazê-lo, em
ocasião não permitida, ou em presença de superior que não Art. 9º - No concurso de crime militar e de contravenção
seja do seu círculo, exceto quando dele tenha obtido licença; disciplinar, ambos de idêntica natureza, será aplicada somente
66. penetrar nos aposentos de superior, em paióis e outros a penalidade relativa ao crime.
lugares reservados, sem a devida permissão ou ordem para Parágrafo único - No caso de descaracterização de crime
fazê-lo; para contravenção disciplinar, esta deverá ser julgada pela
67. entrar ou sair da Organização Militar por acesso que autoridade a que o contraventor estiver subordinado.
não o determinado;
68. introduzir clandestinamente bebidas alcóolicas em Art. 10 - São circunstâncias agravantes da contravenção
Organização Militar; disciplinar:
69. introduzir clandestinamente matérias inflamáveis, a) acúmulo de contravenções simultâneas e correlatas;
explosivas, tóxicas ou outras em Organização Militar, pondo b) reincidência;
em risco sua segurança, e desde que não seja tal atitude c) conluio de duas ou mais pessoas;
enquadrada como crime; d) premeditação;
70. introduzir ou estar de posse em Organização Militar de e) ter sido praticada com ofensa à honra e ao pundonor
publicações prejudiciais à moral e à disciplina; militar;
71. introduzir ou estar de posse em Organização Militar de f) ter sido praticada durante o serviço ordinário ou com
armas ou instrumentos proibidos; prejuízo do serviço;
72. portar arma sem autorização legal ou ordem escrita de g) ter sido cometida estando em risco a segurança da
autoridade competente; Organização Militar;
h) maus antecedentes militares;
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i) ter o contraventor abusado da sua autoridade Art. 43 - O subalterno preso nas condições do art. 41 só
hierárquica ou funcional; e poderá ser solto por determinação da autoridade a cuja ordem
j) ter cometido a falta em presença de subordinado. foi feita a prisão, ou de autoridade superior a ela.
Art. 11 - São circunstâncias atenuantes da contravenção Art. 44 - Esta prisão, de caráter preventivo, será cumprida
disciplinar: como determina o art. 24.
a) bons antecedentes militares;
b) idade menor de 18 anos; CAPÍTULO II
c) tempo de serviço militar menor de seis meses; Dos Recursos
d) prestação anterior de serviços relevantes já
reconhecidos; Art. 45 - Àquele a quem for imposta pena disciplinar será
e) tratamento em serviço ordinário com rigor não facultado solicitar reconsideração da punição à autoridade que
autorizado pelos regulamentos militares; e a aplicou, devendo esta apreciar e decidir sobre a mesma
f) provocação. dentro de oito dias úteis, contados do recebimento do pedido.
Art. 46 - Àquele a quem for imposta pena disciplinar
Art. 12 - São circunstâncias justificativas ou dirimentes da poderá, verbalmente ou por escrito, por via hierárquica e em
contravenção disciplinar: termos respeitosos, recorrer à autoridade superior à que a
a) ignorância plenamente comprovada da ordem impôs, pedindo sua anulação ou modificação, com prévia
transgredida; licença da mesma autoridade.
b) força maior ou caso fortuito plenamente comprovado; § 1º - O recurso deve ser interposto após o cumprimento
c) evitar mal maior ou dano ao serviço ou à ordem pública; da pena e dentro do prazo de oito dias úteis.
d) ordem de superior hierárquico; e § 2º - Da solução de um recurso só cabe a interposição de
e) legítima defesa, própria ou de outrem. novos recursos às autoridades superiores, até o Ministro da
Marinha.
[...] § 3º - Contra decisão do Ministro da Marinha, o único
recurso admissível é o pedido de reconsideração a essa mesma
TÍTULO IV autoridade.
DA PARTE, PRISÃO IMEDIATA E RECURSOS § 4º - Quando a punição disciplinar tiver sido imposta pelo
CAPÍTULO I Ministro da Marinha, caberá interposição de recurso ao
Da Parte e da Prisão Imediata Presidente da República, nos termos definidos no presente
artigo.
Art. 40 - Todo superior que tiver conhecimento, direto ou
indireto, de contravenção cometida por qualquer subalterno, Art. 47 - O recurso deve ser remetido à autoridade a quem
deverá dar parte escrita do fato à autoridade sob cujas ordens dirigido, dentro do prazo de oito dias úteis, devidamente
estiver, a fim de que esta puna ou remeta a parte à autoridade informado pela autoridade que tiver imposto a pena.
sob cujas ordens estiver o contraventor, para o mesmo fim.
Parágrafo único - Servindo superior e subalterno na Art. 48 - A autoridade a quem for dirigido o recurso deve
mesma Organização Militar e sendo o subalterno Praça de conhecer do mesmo sem demora, procedendo ou mandando
graduação inferior a Suboficial, será efetuado o lançamento da proceder às averiguações necessárias para resolver a questão
parte no Livro de Registro de Contravenções Disciplinares. com justiça.
Parágrafo único - No caso de delegação, para proceder a
Art. 41 - O superior deverá também dar voz de prisão estas averiguações será nomeado um Oficial de posto superior
imediata ao contraventor e fazê-lo recolher-se à sua ao do recorrente.
Organização Militar quando a contravenção ou suas
circunstâncias assim o exigirem, a bem da ordem pública, da Art. 49 - Se o recurso for julgado inteiramente procedente,
disciplina ou da regularidade do serviço. a punição será anulada e cancelado tudo quanto a ela se
Parágrafo único - Essa voz de prisão será dada em nome da referir; se apenas em parte, será modificada a pena.
autoridade a que o contraventor estiver diretamente Parágrafo único - Se o recurso fizer referência somente aos
subordinado, ou, quando esta for menos graduada ou antiga do termos em que foi aplicada a punição e parecer à autoridade
que quem dá a voz, em nome da que se lhe seguir em escala que os mesmos devem ser modificados, ordenará que isso se
ascendente. Caso o contraventor se recuse a declarar a faça, indicando a nova forma a ser usada.
Organização Militar em que serve, a voz de prisão será dada
em nome do Comandante do Distrito Naval ou do Comando Questões
Naval em cuja jurisdição ocorrer a prisão.
01. A boa educação militar prescinde da cortesia, além do
Art. 42 - O superior que houver agido de acordo com os dever de todos, especialmente em serviço, tratarem-se
artigos 40 e 41 terá cumprido seu dever e resguardada sua mutuamente com urbanidade, e aos subordinados com
responsabilidade. A solução que for dada à sua parte pela atenção e justiça.
autoridade superior é de inteira e exclusiva responsabilidade ( ) Certo ( ) Errado
desta, devendo ser adotada dentro dos prazos previstos neste
Regulamento e comunicada ao autor da parte. 02. São contravenções disciplinares, dentre outras, deixar
Parágrafo único - A quem deu parte assiste o direito de de comunicar ao superior a execução de ordem dele recebida
pedir à respectiva autoridade, dentro de oito dias úteis, pelos e faltar à verdade ou omitir informações que possam conduzir
meios legais, a reconsideração da solução, se julgar que esta à sua apuração;
deprime sua pessoa ou a dignidade de seu posto, não podendo ( ) Certo ( ) Errado
o pedido ficar sem despacho. Para tanto, a autoridade que
aplicar a pena disciplinar deverá comunicar ao autor da parte 03. Àquele a quem for imposta pena disciplinar será
a punição efetivamente imposta e o enquadramento neste facultado solicitar reconsideração da punição à autoridade que
Regulamento, com as circunstâncias atenuantes ou agravantes a aplicou, devendo esta apreciar e decidir sobre a mesma
que envolveram o ato do contraventor. dentro de oito dias úteis, contados do recebimento do pedido.
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"O chefe existe naquelas organizações que não precisam - queda de braço sem efeitos positivos para ambos os lados até
ou não querem ser eficientes, normalmente no setor público ou que o colaborador “decida” se auto demitir.
empresas familiares, onde os privilégios pessoais são mais
importantes que projetos de longo prazo". Características
Chefe Líder
"Líderes estão preocupados com o futuro e não com o Administra Inova
presente, ou melhor, preocupam-se em cumprir o necessário no É uma cópia É original
presente para garanti-lo e, além disso, preparar a organização Mantém Desenvolve
para os desafios vindouros". Prioriza sistemas e
Inspira confiança
estruturas
Sentimento de posse talvez possa traduzir está explanação Tem uma visão de curto
a respeito dos chefes, uma vez que adquirem esse sentimento Perspectiva de futuro
prazo
só enxergam sua posição de “status” dentro da organização Pergunta “como” e Pergunta “o quê” e
considerando os demais como inferiores na escala de seus “quando” “Por quê”
próprios valores. Vive com os olhos voltados Vive com os olhos no
Já os líderes apontam com um sentimento mais coletivista
para o possível horizonte
entendendo que a organização só é capaz de atingir o sucesso
Imita Inventa
se cada um doar um pouco do seu melhor.
Aceita o status “quo” Desafia
O chefe precisa dominar seu funcionário para mostrar que
É seu próprio
está no controle, e de certa forma, se torna um dependente, É bom soldado clássico
que na maioria das vezes não consegue resolver certos comandante
problemas por si só. Além disso, o chefe faz com que as regras Faz as coisas direito Faz as coisas certas
sejam cumpridas. Ele manda e faz com que tudo aconteça pela
ordem. A Doutrina de Liderança da Marinha11 nos traz que o
Já no caso do líder, faz uma combinação de estratégia e exercício da chefia, comando ou direção, é entendido pelo
caráter para atingir metas e objetivos para extrair o máximo conjunto de ações e decisões tomadas pelo mais antigo, com
de cada pessoa que trabalha ao seu lado, ouvindo ideias e autoridade para tal, na sua esfera de competência, a fim de
gerando responsabilidades. Sempre disposto a servir, conduzir de forma integrada o setor que lhe é confiado.
aprender e sempre em uma posição de humildade para poder No desempenho de suas funções, os mais antigos,
agregar cada vez mais à sua equipe. normalmente, desempenham dois papéis funcionais, a saber:
Toda organização deve se preocupar com esta questão e o de “chefe” e o de “condutor de homens”. Em relação ao
não tentar impor a qualquer custo sua maneira de trabalho aos primeiro papel, prevalece a autoridade advinda da
colaboradores, algumas justificam a necessidade de ter em seu responsabilidade atribuída à função, associada com aquela
quadro chefes autoritários que imponham regras rígidas, decorrente de seu posto ou graduação, à qual passaremos a
senão ninguém obedece, enquanto outras dão valor à presença definir, genericamente, como chefia. Com respeito ao segundo
de líderes flexíveis mais voltados à motivação e papel, identifica-se um estreito relacionamento com o atributo
multiplicadores de conhecimento, e não há nada de errado de líder. Neste contexto, fica ressaltada a importância da
com isso, só que alguém com características de um líder capacidade individual dos mais antigos em influenciarem e
encontra dificuldades em se conformar num cargo de chefe, inspirarem os seus subordinados.
enquanto o oposto também é verdadeiro. Caracterizados esses dois atributos do comandante, o de
O grande impasse está em mesclar os dois tipos e isso se chefe e o de líder, pode-se afirmar que comandar é exercer a
encontra com certa frequência, tratam os colaboradores de chefia e a liderança, a fim de conduzir eficazmente a
uma forma rígida esperando deles um comportamento organização no cumprimento da missão. Sendo o exercício do
participativo enquanto esperam que os chefes imponham comando um processo abrangente, a divisão ora apresentada
regras incontestáveis e se comportem como líderes será utilizada para efeito de uma melhor compreensão do tema
motivadores. em lide, pois chefia e liderança não são processos alternativos
Nessas organizações a própria cultura organizacional e sim, simultâneos e complementares.
impede que seja desenvolvido um trabalho sinérgico entre Os melhores resultados no tocante à liderança ocorrem
colaboradores e diretrizes. quando ela é desenvolvida, não sendo impositiva. Neste
Seja como for e que tipo de organização se empreenda um contexto, a liderança deve ser entendida como um processo
trabalho, o importante é que se tenha claro que tipo de dinâmico e progressivo de aprendizado, o qual, desenvolvido
ambiente profissional se deseja construir, se as atividades nos cursos de carreira e no dia a dia das OM, trará não só
diárias e o relacionamento com o público em geral afetam de evidentes benefícios às organizações, como também
forma positiva ou negativa os resultados finais. contribuirá para o sucesso profissional individual de cada
Conhecer com clareza qual o tipo de negócio e em que área militar. Desta forma, o contínuo desenvolvimento das
atua, pois nem toda organização necessariamente tem de se qualidades dos militares da MB como líderes deverá ser objeto
preocupar em formar líderes, assim como nem toda de atenta e permanente atenção, a ser trabalhada,
organização necessariamente deve se preocupar em promover conjuntamente, pela instituição e, prioritariamente, por cada
chefes. militar.
Criar um ambiente harmônico levando em consideração a
importância que todos exercem, pode ser o início do sucesso Aspectos Fundamentais da Liderança
de uma organização que atenta a essas questões mudam sua
maneira de enxergar seus colaboradores e passam a tomar Neste tópico serão abordados aspectos relacionados aos
certa cautela na hora de nomear seus líderes ou chefes. tipos de liderança. Existem diversas conceituações para
O lado negativo é conhecido por muitos, liderança na literatura especializada. A Marinha do Brasil
descontentamento entre membros da equipe e chefias, uma define liderança como: “o processo que consiste em influenciar
pessoas no sentido de que ajam, voluntariamente, em prol do
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cumprimento da missão”. Fica evidenciado, pela definição, que Para os dois últimos requisitos, a Psicologia pode oferecer
a liderança inclui não só a capacidade de fazer um grupo ferramentas úteis para o líder. Pesquisas mostram que o
realizar uma tarefa específica, mas, sobretudo, executá-la de quociente emocional (QE) ou inteligência emocional está, cada
forma voluntária, atendendo ao desejo do líder como se fosse vez mais, destacando-se como o principal diferencial de
o seu próprio. competência no trabalho. Esta conclusão é especialmente
Nessa definição de liderança, estão implícitos os seus pertinente, em se tratando do desempenho em funções de
agentes, ou seja, o líder e os liderados, as relações entre eles e liderança. A Psicologia é, portanto, uma ciência que fornece
os princípios filosóficos, psicológicos e sociológicos que regem firme embasamento teórico e prático para que o líder possa
o comportamento humano. influenciar pessoas.
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impossível o conhecimento entre eles, como ocorre, por A Doutrina de Liderança da Marinha12 nos mostra que,
exemplo, nos exames vestibulares ou em concursos públicos. nos primórdios do século XX, prevaleceram as pesquisas sobre
Atualmente, os especialistas concordam que ambos os liderança, entendida como qualidade inerente a certas pessoas
processos – cooperação e competição – coexistem e, até ou traço pessoal inato. A partir dos anos 30, evoluiu-se para
mesmo, sobrepõem-se na maioria das sociedades. O que varia, uma concepção de liderança como conjunto de
em função de diferenças culturais, é a intensidade com que comportamentos e de habilidades que podem ser ensinadas às
cada um é experimentado. pessoas que, desta forma, teriam a possibilidade de se
Sob o ponto de vista psicológico, é relevante considerar tornarem líderes eficazes.
que, se a competição tem o mérito inicial de estimular a Progressivamente, os pesquisadores abandonaram a
atividade dos indivíduos e dos grupos, aumentando-lhes a busca de uma essência da liderança, percebendo toda a
produtividade, tem o grave inconveniente de desencorajar os complexidade envolvida e evoluindo para análises bem mais
esforços daqueles que se habituaram a fracassar. Vencedor há sofisticadas, que incluíam diversas variáveis situacionais.
um só; todos os demais são perdedores. Outro inconveniente Nesse contexto, observa-se a proliferação de publicações
sério, decorrente do estímulo à competição, consiste na forte sobre liderança, incluindo trabalhos científicos e literatura
possibilidade de desenvolvimento de hostilidades e sensacionalista e de autoajuda. Diferentes autores propõem
desavenças no interior do grupo, contribuindo para sua uma infinidade de estilos de liderança que se sobrepõem.
desagregação. A instabilidade inerente ao processo Alguns fundamentam-se em estudos e pesquisas e outros são
competitivo faz com que este, com bastante frequência, se meramente empíricos e intuitivos. Há também muitos
transforme em conflito. Na liderança, a competição tem modismos, alguns consistindo, apenas, em atribuição de novos
sempre que ser saudável e estimulante. nomes e roupagens a antigos conceitos, sendo reapresentados
Conflito é a exacerbação da competição. Uma definição como se fossem avanços na área de liderança.
mais específica afirma que tal processo consiste em obter Para simplificar a apresentação e o emprego de uma gama
recompensas pela eliminação ou enfraquecimento dos de estilos de liderança consagrados e relevantes para o
competidores. Ou seja, o conflito é uma forma de competição contexto militar-naval, foram considerados alguns estilos
que pode caminhar para a instalação de violência e, que se vai selecionados em três grandes eixos: grau de centralização de
intensificando, à medida que aumenta a duração do processo, poder; tipo de incentivo; e foco do líder. Pode-se afirmar,
já que este tem caráter cumulativo – a cada ato hostil surge genericamente, que os diferentes estilos de liderança,
uma represália cada vez mais agressiva. propostos à luz das diversas teorias, se enquadram em três
O processo social de conflito inclui aspectos positivos e principais critérios de classificação, apresentados como eixos
negativos. Por um lado, o conflito tende a destruir a unidade lógicos em que se agrupam apenas sete estilos principais:
social e, da mesma forma, desagregar grupos menores, pelo a) Quanto ao grau de centralização de poder: Liderança
aumento de ressentimento, pelo desvio dos objetivos mais Autocrática, Liderança Participativa e Liderança Delegativa;
elevados do grupo, pela destruição dos canais normais de b) Quanto ao tipo de incentivo: Liderança
cooperação, pela intensificação de tensões internas, podendo Transformacional e Liderança Transacional; e
chegar à violência. Por outro lado, doses regulares de conflito c) Quanto ao foco do líder: Liderança Orientada para
de posições, podem ter efeito integrador dentro do grupo, na Tarefa e Liderança Orientada para Relacionamento.
medida em que obrigam os grupos a se autocriticarem, a Os subitens a seguir descrevem os sete principais estilos
reverem posições, a forçarem a formulação de novas políticas de liderança propostos pelas diversas teorias.
e práticas, e, em consequência, a uma revitalização dos valores
autênticos próprios daquele grupo. 1. Liderança Autocrática
Uma vez instalado e manifesto o conflito no seio de um A liderança autocrática é baseada na autoridade formal,
grupo, seu respectivo líder terá de buscar soluções e aceita como correta e legítima pela estrutura do grupo. O líder
alternativas para manter o controle da situação. Não é fácil ou autocrático baseia a sua atuação numa disciplina rígida,
agradável para os líderes atuar em situações de conflito, o que impondo obediência e mantendo-se afastado de
não justifica sua pura e simples negação. É indispensável que relacionamentos menos formais com os seus subordinados,
o líder seja capaz de diagnosticar as situações de conflito, controla o grupo por meio de inspeções de verificação do
mesmo quando ainda latentes, de modo a buscar estratégias cumprimento de normas e padrões de eficiência, exercendo
adequadas para gerenciá-las construtivamente. pressão contínua. Esse tipo de liderança pode ser útil e, até
mesmo, recomendável, em situações especiais como em
Estilos de Liderança combate, quando o líder tem que tomar decisões rápidas e não
é possível ouvir seus liderados, sendo a forma de liderança
Movimentar as pessoas através de ações condicionadas mais conhecida e de mais fácil adoção.
está ao alcance de qualquer administrador. Mas desbloquear a A principal restrição a esse tipo de liderança é o
sinergia potencial que elas trazem, ao ingressarem na desinteresse pelos problemas e ideias, tolhendo a iniciativa e,
organização, e canalizar a energia daí liberada, ao mesmo por conseguinte, a participação e a criatividade dos
tempo que providencia que ela não venha a ser estancada ou subordinados. O uso desse estilo de liderança pode gerar
mesmo perdida por frustrações e desenganos, é atributo para resistência passiva dentro da equipe e inibir a iniciativa do
líderes. subordinado, além de não considerar os aspectos humanos,
Para tanto, espera-se que eles tenham sensibilidade dentre eles, o relacionamento líder-liderados.
suficiente para detectar as necessidades das pessoas, não para
manipular ou descartar tais necessidades, mas para conviver 2. Liderança Participativa ou Democrática
produtivamente com elas e ajudar seus portadores na busca da Nesse estilo de liderança, abre-se mão de parte da
satisfação. Ao mesmo tempo em que assim agem, estes líderes autoridade formal em prol de uma esperada participação dos
estão constantemente em busca de auto realização e, nesse subordinados e aproveitamento de suas ideias. Os
processo, levam consigo seus seguidores, estando sempre um componentes do grupo são incentivados a opinarem sobre as
passo à frente deles. formas como uma tarefa poderá ser realizada, cabendo a
decisão final ao líder (exemplo típico é o Estado-Maior). O êxito
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desse estilo é condicionado pelas características pessoais, pelo também meios efetivos de desenvolvimento e auto superação.”
conhecimento técnico-profissional e pelo engajamento e (NOBRE, 1998, p. 55).
motivação dos componentes do grupo como um todo. Em se Segundo o enfoque da liderança transformacional, ao
obtendo sucesso, a satisfação pessoal e o sentimento de encontrarem significado e perspectivas de realização pessoal
contribuição por parte dos subordinados são fatores que no trabalho, os subordinados alcançam os mais elevados níveis
permitem uma realimentação positiva do processo. Na de produtividade e criatividade, fazendo desaparecer a
ausência do líder, uma boa equipe terá condições de continuar dicotomia trabalho e prazer. (BARRETT, 2000, apud
agindo de acordo com o planejamento previamente CAVALCANTI et al., 2005).
estabelecido para cumprir a missão.
O líder deve estabelecer um ambiente de respeito, 5. Liderança Transacional
confiança e entendimento recíprocos, devendo possuir, para Nesse estilo de liderança, o líder trabalha com interesses e
tanto, ascendência técnico-profissional sobre seus necessidades primárias dos seguidores, oferecendo
subordinados e conduta ética e moral compatíveis com o cargo recompensas de natureza econômica ou psicológica, em troca
que exerce. Um líder que adota o estilo democrático encoraja de esforço para alcançar os resultados organizacionais
a participação e delega com sabedoria, mas nunca perde de desejados (CAVALCANTI et al., 2005).
vista sua autoridade e responsabilidade. A liderança transacional envolve os seguintes fatores: “A
Um chefe inseguro dificilmente conseguirá exercer uma recompensa é contingente, buscando-se uma sintonia entre o
liderança democrática, mas tenderá a submeter ao grupo todas atendimento das necessidades dos subordinados e o alcance dos
as decisões. Isso poderá fazer com que o chefe acabe sendo objetivos organizacionais; Esse estilo de liderança caracteriza-
conduzido pelo próprio grupo. se também pela administração por exceção, que implica num
gerenciamento atuante somente no sentido de corrigir erros
3. Liderança Delegativa [...].” (NOBRE, 1998, p. 55)
Esse estilo é indicado para assuntos de natureza técnica, Neste estilo de liderança, o líder “[...] observa e procura
onde o líder atribui a assessores a tomada de decisões desvios das regras e padrões, toma medidas corretivas.”
especializadas, deixando-os agir por si só. Desse modo, ele tem (CAVALCANTI et al., 2005, p. 120).
mais tempo para dar atenção a todos os problemas sem se
deter especificamente a uma determinada área. É eficaz 6. Liderança Orientada para Tarefa
quando exercido sobre pessoas altamente qualificadas e A especialização em tarefas é uma das principais
motivadas. O ponto crucial do sucesso deste tipo de liderança responsabilidades do líder, na medida em que possui a
é saber delegar atribuições sem perder o controle da situação necessária qualificação profissional para o exercício da função.
e, por essa razão, o líder, também, deverá ser altamente Nesse estilo de liderança, então, o líder focaliza o desempenho
qualificado e motivado. O controle das atividades dos de tarefas e a realização de objetivos, transmitindo orientações
elementos subordinados é pequeno, competindo ao chefe as específicas, definindo maneiras de realizar o trabalho, o que
tarefas de orientar e motivar o grupo para atingir as metas espera de cada um e quais são os padrões organizacionais.
estabelecidas.
7. Liderança Orientada para Relacionamento
4. Liderança Transformacional Nesse estilo de liderança, o foco do líder é a manutenção e
Esse estilo de liderança é especialmente indicado para fortalecimento das relações pessoais e do próprio grupo. O
situações de pressão, crise e mudança, que requerem elevados líder demonstra sensibilidade às necessidades pessoais dos
níveis de envolvimento e comprometimento dos liderados, concentra-se nas relações interpessoais, no clima e
subordinados, sendo que “uma ou mais pessoas engajam-se no moral do grupo. Esse estilo de liderança, que está
com outras de tal forma que líderes e seguidores elevam um ao significativamente associado às medidas de satisfação dos
outro a níveis mais altos de motivação e moral” (BURNS, 1978, liderados em relação ao trabalho e ao chefe, pode ser útil em
apud SMITH; PETERSON, 1994, p. 129) situações de tensão, frustração, insatisfação e desmotivação do
Quatro aspectos caracterizam a liderança grupo.
transformacional:
1º) “[...] carisma (influência idealizada) associado com um Seleção de Estilos de Liderança
grau elevado de poder de referência por parte do líder [...]”
(NOBRE, 1998, p. 54), que é capaz de despertar respeito, A Doutrina de Liderança da Marinha13 nos traz que ao
confiança e admiração; proporem diferentes estilos de liderança, os autores
2º) inspiração motivadora, que consiste na capacidade de condicionam a eficácia do seu emprego a algumas variáveis,
apresentar uma visão, dando sentido à missão a ser realizada, tais como: relevância da qualidade da tarefa ou decisão;
de instilar orgulho. Inclui também a capacidade de simplificar importância da aceitação da decisão pelos subordinados para
o entendimento sobre a importância dos objetivos a serem obtenção de seu envolvimento na implantação de determinada
atingidos e, a “[...] possibilidade de criar símbolos, “slogans” ou linha de ação; tempo disponível para realização da missão;
imagens que sintetizam e comunicam metas e ideais, riscos envolvidos; níveis de prioridade no que diz respeito à
concentrando assim os esforços [...]” (NOBRE, 1998, p. 54); produtividade ou à satisfação do grupo; e nível de maturidade
3º) estimulação intelectual, consiste “[...] em encorajar os psicológica e profissional dos subordinados. Destacando-se
subordinados a questionarem sua forma usual de fazer as coisas, apenas esta última variável como exemplo, pode-se afirmar,
[...] além de incentivar a criatividade, o autodesenvolvimento e a genericamente, que a identificação de um baixo nível de
autonomia de pensamento” (NOBRE, 1998, p. 54-55), maturidade (profissional e/ou emocional) no grupo de
propiciando a formulação de críticas construtivas, em busca da subordinados induz à aplicação de estilos com maior
melhoria contínua; centralização de poder, mais foco na tarefa e que incentivos no
4º) “consideração individualizada, implica em considerar as nível transacional (licença, rancho, conforto etc) tendem a ter
necessidades diferenciadas dos subordinados, dedicando mais valência para o grupo. Por outro lado, grupos mais
atenção pessoal, orientando tecnicamente e aconselhando maduros, em geral, respondem melhor a estilos menos
individualmente” (CAVALCANTI et al., 2005) e “[...] oferecendo centralizadores de poder e a incentivos no nível da
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autorrealização, como ocorre no estilo transformacional. treina e aconselha seus subordinados. [...] O que é comunicado e
Naturalmente, não apenas uma, mas todas as variáveis a forma como isto é feito aumentam ou diminuem o vínculo das
relevantes de cada situação devem ser consideradas pelo líder. relações pessoais, criam o respeito, a confiança mútua e a
Portanto, diferentes estilos de liderança podem ser compreensão. Os laços que se formam, com o passar do tempo,
adotados, de acordo com as circunstâncias. Pode-se considerar entre o líder e seus liderados, são a base da disciplina e da coesão
que: “[...] quando se abandona a ideia de que deve existir uma em uma organização. O líder deve ser claro e “escolher”
melhor forma de liderar, todas as teorias subsequentes de cuidadosamente as palavras, de tal forma que signifiquem a
liderança devem ser contingenciais ou situacionais, isto é, devem mesma coisa para ele e para seus subordinados.” (BRASIL, 1991,
definir as circunstâncias que afetam o comportamento e a p. 3-4).
eficácia dos líderes.” (SMITH; PETERSON, 1994, p. 173)
À luz da abordagem situacional, que prevalece na Atributos de um Líder
atualidade, na qual a liderança pode assumir diversos estilos,
os principais requisitos de liderança passam a ser a capacidade Do ponto de vista das relações pessoais, não há liderança
de diagnosticar as variáveis situacionais, a flexibilidade e a sem um grupo que a legitime. A figura do líder deve ser
adaptabilidade às mudanças. Os melhores líderes utilizam compartilhada e aceita pelos integrantes de um grupo. Sua
estilos diferentes, em distintas situações. Assim, é necessário aceitação é fundamental para o sucesso das atividades que
um esforço pessoal do líder no sentido de se adaptar, desempenha ou nas decisões que venha a tomar para realizar
continuamente, às mudanças de estilo adequadas a cada os objetivos desejados.
contexto. Entretanto, é importante observar que sempre existem os
que questionam a legitimidade do líder e as decisões tomadas
Fatores da Liderança14 por ele, seja por que desejam ocupar seu lugar (apresentando-
se como alternativa mais apropriada), seja porque não
Os fatores da liderança, mencionados neste item, baseiam- suportam vê-lo ocupando o lugar (são frequentes as tentativas
se na publicação: Liderança Militar, Instruções Provisórias IP de desestabilizar o líder, de desqualificá-lo), seja porque
20-10, de 1991, do Estado-Maior do Exército. percebem, antes dos demais membros, as consequências
inadequadas da sua ação.
O Líder Assim, o líder necessita estar atento para que estas
O líder deve conhecer a si mesmo, para saber de suas situações não venham a dificultar as realizações dos objetivos
capacidades, características e limitações, evitando atribuir aos propostos ou a provocar a instabilidade dentro do grupo.
seus liderados falhas ou restrições. O líder precisa estar consciente de que o seu papel está
“Os bons líderes eficientes são também bons seguidores [...]” vinculado ao de um administrador de conflitos. Ele precisa
(BRASIL, 1991, p. 3-3) e cumpridores das orientações de seus constantemente reavaliar o seu papel no contexto em que se
superiores, passando esse exemplo a seus subordinados. encontra, redimensionando e aprimorando sua capacidade de
“O líder, independentemente de sua vontade, atua como relacionamento com os integrantes do grupo, vislumbrando os
elemento modificador do comportamento de seus liderados aspectos relacionais, simbólicos e psicossociais.
subordinados. [...] A função militar está relacionada com a Entretanto, de acordo com Pagés15, é importante verificar
segurança e a responsabilidade pela vida de seres humanos.” que o grupo é uma manifestação psicossocial espontânea;
(BRASIL, 1991, p. 3-3, 3-4) portanto, não é passível de ter sua dinâmica completamente
Provavelmente, poucos profissionais são forçados a controlável.
assumir tarefa tão grave ao liderar subordinados. (BRASIL, Para administrar os conflitos, o líder não pode esquecer
1991). que os seus interesses, seus problemas pessoais, seus
sentimentos ambivalentes, suas virtudes e defeitos
Os Liderados influenciam nas suas tomadas de decisão. Portanto, o líder
“O conhecimento dos liderados é fator essencial para o deve possuir um senso de autocrítica aguçado, bem como
exercício da liderança e depende do entendimento claro da sensibilidade para aceitar e reavaliar as críticas que se dirigem
natureza humana, das suas necessidades, emoções e a ele.
motivações.” (BRASIL, 1991, p. 3-4) Os líderes, sendo pessoas, são passíveis de cometer erros.
Isto é, ainda, crucial para o salutar exercício de Delegação É natural, desta forma, que algumas de suas decisões e atitudes
de Autoridade. possam frustrar os integrantes do grupo; estes algumas vezes
têm em seu imaginário a figura idealizada do líder, uma pessoa
A Situação dotada de capacidade quase divina de sempre tomar decisões
“Não existem normas nem fórmulas que mostrem com corretas. Os líderes que se deixam levar por essa idolatria, que
exatidão o que deve ser feito. O líder precisa compreender a corresponde a uma projeção do ego ideal, podem causar
dinâmica do processo de liderança, os fatores principais que a complexos problemas para o grupo e para si mesmos.
compõem, as características de seus liderados e aplicar estes Segundo Davel, Machado e Grave16 a “força de convicções e
conhecimentos como guia para cada situação em particular.” suas ressonâncias no imaginário grupal e na identificação social
(BRASIL, 1991, p. 3- 5) dos indivíduos é o que constitui a força do líder e funda o
Fica, assim, bem clara a necessidade exaustiva da prática exercício legítimo de sua influência”.
da liderança, para o sucesso do líder, levando sempre em conta A figura do líder é antes imaginada no seu estado ideal na
a cultura e/ou a subcultura organizacional da instituição. cabeça de cada membro do grupo. A capacidade do líder em
atender às expectativas imaginárias dos liderados é
A Comunicação determinante para a sua aceitação dentro da coletividade.
“A comunicação é um processo essencial à liderança, que Grande parte da manifestação de apoio e, consequentemente,
consiste na troca de ordens, informações e ideias, só ocorrendo de legitimidade, ocorre devido a isso.
quando a mensagem é recebida e compreendida. [...] É através Estas expectativas podem ser:
desse processo que o líder coordena, supervisiona, avalia, ensina,
14Liderança Militar, Instruções Provisórias IP 20-10, de 1991, do Estado-Maior do 16 DAVEL, Eduardo; MACHADO, Hilka Vier; DAVEL, Paulo. (2000). Identificação e
Exército. liderança nas organizações contemporâneas: por uma abordagem complementar.
Florianópolis: XXIV ENANPAD.
15 PAGÉS, Max. (1976). A vida afetiva dos grupos. Petrópolis: Vozes.
Conhecimentos Específicos 20
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APOSTILAS OPÇÃO
- Os interesses e objetivos particulares que os indivíduos membros do grupo. Os membros dos grupos não são desprovidos
pretendam alcançar através do grupo; de poder; podem moldar e moldam de vários modos as
- O reconhecimento pessoal, através da valorização das atividades grupais”
suas capacidades, por parte do grupo ou da organização em Entretanto, a escolha do líder significa igualmente a
que estão inseridos; predominância de uma parcela do grupo sobre outras, ou seja,
- As recompensas sociais e materiais como forma de uma distribuição assimétrica de poder entre os membros do
reconhecimento pelos esforços despendidos em nome do grupo.
grupo; e O líder, por sua vez, sabe que, embora represente uma
- O reconhecimento como integrantes legítimos do grupo e parcela do grupo, passa a ser líder de todo o grupo e, assim,
a valorização e atendimento de seus desejos através dos precisa dar conta dessas diferenças e administrá-las, exercício
objetivos coletivos. esse que exige dele extrema habilidade e competência e que
constituir-se-á no diferencial entre sua legitimidade
Quando, porém, um líder não consegue atender as (aceitação) e seu fracasso (substituição).
expectativas dos seus liderados, sua liderança passa a ser O líder deve estar atento a como as relações de poder são
questionada. O líder, portanto, precisa estar política e exercidas no grupo, seja formalmente, através da autoridade
psicologicamente preparado para desempenhar o seu papel, delegada, por exemplo, seja informalmente, através dos
pois os integrantes do grupo depositam em sua figura as mecanismos de influência que legitimam, por meio da empatia
esperanças de realização dos seus desejos individuais através ou confiança, certas frações do grupo. O surgimento de outras
das ações coletivas. O líder, não sendo capaz de satisfazer às e novas lideranças é um processo natural dos grupos e deve
expectativas, anteriormente imaginadas pelos seus liderados, ser encarado pelo líder como uma manifestação necessária
acaba experimentando um descrédito e passa a ser depreciado para a manutenção da coesão do grupo.
pelos integrantes do grupo. Logo de imediato o grupo passa Para o líder poder conviver com estes acontecimentos
consciente ou inconscientemente a procurar um novo dentro dos grupos, é necessário, segundo Zimerman19
“candidato ao posto”, que possa ser capaz de satisfazer os observar os “atributos desejáveis para um coordenador de
objetivos individuais e coletivos.17 grupos”.
Esta busca por um novo líder é um processo doloroso não Estes atributos têm como função favorecer uma melhor
só para o líder como também para os integrantes do grupo. compreensão, por parte dos líderes, da dinâmica dos grupos,
Todas as esperanças que cada um depositou no atual líder no que se refere a uma melhora contínua dos relacionamentos
acabam de ser frustradas. O grupo depara-se com a angústia estabelecidos e nas realizações dos objetivos individuais e
de ter de aceitar um novo líder, que nem sempre é coletivos, sendo estes:
imediatamente reconhecido como legítimo. Gostar e acreditar em grupos: estar preparado para o
A maneira como este novo líder estabelecerá as relações trabalho em grupo, acreditar na potencialidade do grupo para
vinculares com cada indivíduo do grupo é ainda, muitas vezes, atingir os objetivos almejados. Um líder de personalidade
uma incógnita para cada integrante, que deverá procurar uma autoritária, neste caso, terá sérias dificuldades em desenvolver
melhor maneira de se relacionar com ele, buscando um bom trabalho, mesmo que goste de trabalhos em grupo.
estabelecer ações de cooperação para evitar conflitos Coerência: os líderes devem sempre estar atentos para os
indesejáveis. As relações de empatia e afinidades são “excessos” que podem ocorrer dentro dos grupos ou com ele
determinantes para o início de um relacionamento do líder próprio. Estes excessos podem ser de natureza narcísica, ou
com cada indivíduo do grupo e com a coletividade. decorrentes de imprudência ou negligência. É evidente que a
A maneira como se manifestarão os sentimentos incoerência é uma prerrogativa dos indivíduos; no entanto, a
ambivalentes e, principalmente, a maneira como o novo líder atenção deve estar voltada para as incoerências sistemáticas
lidará com estes, procurando manter a coesão e a harmonia que possam estar ocorrendo.
dentro do grupo, serão determinantes para a sua aceitação e Amor às verdades: além de ser um dever ético, tal
para a legitimação da sua função. Entretanto, passado o afirmação é necessária para que virtudes como sinceridade,
período de euforia inicial, pelos mesmos motivos que o líder solidariedade, cooperação, criatividade etc., sejam as práticas
anterior deixou de ser reconhecido, o novo líder começará a corriqueiras dentro do grupo. Sendo assim, a adoção da
lidar com as formas nem sempre explícitas de rearticulação do verdade funciona como um catalisador para a boa convivência.
grupo em torno de sua inviabilização: aqui será decisiva sua Senso de ética: ética aqui se refere ao respeito do líder em
capacidade de tratar com os conflitos e com os sentimentos (da relação à liberdade dos membros do grupo. Os espaços
empatia à inveja) para que permaneça em sua posição. democráticos devem se constituir em práticas constantes,
Assim sendo, a escolha de um novo líder é um processo que defendidas pelos integrantes dos grupos.
envolve incertezas quanto ao futuro dos relacionamentos e da Respeito: respeitar as divergências de opiniões e procurar
realização dos objetivos individuais e coletivos. As relações a busca do consenso possível para melhor realizar os objetivos
vinculares se estabelecem aos poucos e ocorrem de forma traçados. O respeito está relacionado, ainda, com a tolerância
diferenciada para cada integrante. Enquanto para alguns em relação aos limites pessoais de cada indivíduo.
integrantes o novo líder representa seus anseios, para outros, Paciência: paciência deve ser entendida como uma
esse processo ocorre de forma insatisfatória, seja porque atividade ativa, como um tempo de espera necessário para que
possuíam grande afinidade com o líder anterior e, agora, uma determinada pessoa do grupo reduza a sua possível
possuem resistências ao novo líder, seja porque desejariam ansiedade inicial, adquira uma confiança basal nos outros,
estar no lugar do novo líder, seja porque o líder que permita-se dar uns passos rumo a um terreno desconhecido, e
escolheriam não seria o que assumiu esse papel. assim por diante.
Esta situação coloca uma questão essencial no Função de pensar: o líder deve estar atento para perceber
relacionamento entre líderes e liderados: as relações de poder se os liderados sabem “pensar” as ideias, os sentimentos e as
na dinâmica dos grupos. posições que são verbalizados. Para desempenhar esta função,
Stoner e Freeman18, assim afirmam: “A liderança envolve o líder deve estar preparado para pensar as questões que
uma distribuição desigual de poder entre os líderes e os envolvem o cotidiano do grupo.
17 KERNBERG, Otto F. (2000). Ideologia, conflito e liderança em grupos e 19ZIMERMAN, D. E e Osório, Luiz Carlos. Como trabalhamos com grupos. Artes
organizações. Porto Alegre: Artmed. Médicas: Porto Alegre, 1997.
18 STONER, James A. F. e FREEMAN, R. Edward. (2000). Administração. Rio de
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Comunicação: dar a devida importância, seja na forma ou A liderança direta é obtida por meio do relacionamento
no conteúdo, para o processo de comunicação no grupo. A face a face entre o líder e seus liderados e é mais presente nos
linguagem do líder determina o sentido e as significações das escalões inferiores, quando o contato pessoal é constante. A
palavras, gerando as estruturas na mente dos liderados. O líder liderança direta, conquanto seja mais intensa no comando de
deve estar atento para a questão da interpretação e pequenas frações ou unidades, tendo em vista que a estrutura
compreensão das suas mensagens. É importante ressaltar o organizacional da Força exige o trato com assessores e
estilo da comunicação e seus impactos frente aos indivíduos subordinados diretos.
do grupo. A liderança organizacional desenvolve-se em organizações
Modelo de identificação: é a capacidade que o líder tem de maior envergadura, normalmente estruturadas como
de perceber a forma como seus liderados o concebem. Nesta Estado-Maior, sendo composta por liderança direta, conduzida
perspectiva, o líder pode ser visto de diversas formas, tanto em em menor escala e voltada para os subordinados imediatos, e
relação às suas capacidades técnicas, como às suas por delegação de tarefas. A liderança estratégica militar é
características pessoais. A correta interpretação da forma aquela exercida nos níveis que definem a política e a estratégia
como seus liderados as percebem, ajuda no processo de da Força. É um processo empregado para conduzir a realização
melhoria das relações estabelecidas. de uma visão de futuro desejável e bem delineada.
Kernberg20 chama a atenção para outro assunto
importante: os perigos que a personalidade narcisista do líder Liderança Direta
pode trazer. A necessidade excessiva de ser admirado e, Essa é a primeira linha de liderança e ocorre em
consequentemente, idolatrado pelos seus seguidores, pode organizações onde os subordinados estão acostumados a ver
levá-lo a tomar atitudes de natureza egoístas, voltados apenas seus chefes frequentemente: seções, divisões, departamentos,
para as realizações dos seus desejos e objetivos. navios, batalhões, companhias, pelotões e esquadras de tiro.
Evidentemente que o narcisismo ao qual o autor se refere aqui Para serem eficazes, os líderes diretos devem possuir muitas
é o de natureza patológica. habilidades interpessoais, conceituais, técnicas e táticas.
Assim, o líder deve ser um indivíduo capaz de trabalhar em Os líderes diretos aplicam os atributos conceituais de
grupo. Sua aceitação, no entanto, vem através da maneira pensamento crítico-lógico e pensamento criativo para
como ele se integra com os indivíduos e a postura que adota determinar a melhor maneira de cumprir a missão. Como todo
frente a posturas coletivas. Trabalhar em grupo requer estar líder, usam a Ética para pautar suas condutas e adquirir
preparado para a prática democrática, em defesa da ética certeza de que suas escolhas são as melhores e contribuem
coletiva. para o aperfeiçoamento da performance do grupo, dos
subordinados e deles próprios. Eles empregam os atributos
A Doutrina de Liderança da Marinha21 nos traz que a interpessoais de comunicação e supervisão para realizar o seu
natureza e as especificidades da profissão militar, a destinação trabalho. Desenvolvem seus liderados por instruções e
constitucional das Forças Armadas e a cultura organizacional aconselhamento e os moldam em equipes coesas, treinando-os
da Forças Armadas como um todo e, da Marinha, mais até a obtenção de um padrão.
especificamente, fazem com que certos traços de São especialistas técnicos e os melhores mentores. Tanto
personalidade tornem-se desejáveis e tendam a encontrar-se seus chefes quanto seus subordinados esperam que eles
especialmente acentuados nos líderes militares. Embora não conheçam bem sua equipe, os equipamentos e que sejam
existam fórmulas de liderança, a História, a experiência e “expert” na área em que atuam.
também a pesquisa psicossocial têm demonstrado que é Usam a competência para incrementar a disciplina entre
importante que os chefes procurem desenvolver esses traços os seus comandados. Usam o conhecimento dos equipamentos
em si e nos seus subordinados, porque em momentos críticos e da doutrina para treinar homens e levá-los a alcançar
ou nas situações difíceis eles podem contribuir para um padrões elevados, bem como criam e sustentam equipes com
exercício mais eficaz da liderança no contexto militar. habilidade, certeza e confiança no sucesso na paz e na guerra.
Os atributos de um líder têm como componente comum a Exercem influência continuamente, buscando cumprir a
capacidade de influenciar. missão, tendo por base os propósitos e orientações emanadas
Um bom líder deve perseguir, manter, desenvolver e das decisões e do conceito da operação do chefe, adquirindo e
cultivar essa capacidade e, sobretudo, transmiti-la aos seus aferindo resultados e motivando seus subordinados,
subordinados, formando assim, novos líderes que, por sua vez, principalmente pelo exemplo pessoal. Devido a sua liderança
devem agir da mesma forma, na tentativa de alcançar um ser face a face, veem os resultados de suas ações quase
círculo virtuoso. imediatamente.
Trabalham focando as atividades de seus subordinados em
Níveis de Liderança direção aos objetivos da organização, bem como planejam,
preparam, executam e controlam os resultados.
Com a evolução das técnicas de gestão empresarial, o foco Se aperfeiçoam ao assumirem os valores da instituição e ao
do estudo sobre o comportamento dos dirigentes passou a ser estabelecerem um modelo de conduta para seus
voltado para as diferenças entre o líder de base e o de cúpula. subordinados, colocando os interesses da instituição e do
Foi então idealizado um padrão de organização baseado em Grupo que lideram acima dos próprios. Com isto, eles
três níveis funcionais: operacional, tático e estratégico, desenvolvem equipes fortes e coesas em um ambiente de
discriminando as características desejáveis para um líder nos aprendizagem saudável e efetiva.
três níveis, de acordo com suas habilidades. Os líderes diretos devem, ainda, estimular ao máximo o
Em consonância com esses novos conceitos, foram desenvolvimento de líderes subordinados, de forma a
estabelecidos três níveis de liderança: direta, organizacional e potencializar a sua influência até os níveis organizacionais
estratégica. Estes três níveis definem com precisão toda a mais baixos e obter melhores resultados.
abrangência da liderança e será adotado ao longo desta
Doutrina.
21
https://www.marinha.mil.br/com1dn/sites/www.marinha.mil.br.com1dn/files/u
20Kernberg, Otto F. (1970). Factors in the psychoanalytic treatment of pload/EMA%20137%20CAP%C3%8DTULO%201%20REV.1_1.pdf
narcissistic personalities.
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principais organizações, das estruturas institucionais ou (C) A influência dos líderes estratégicos é ainda mais
políticas da sociedade, inclusive aquelas criadas como indireta e distante do que a dos líderes organizacionais.
resultado de um processo de transformação, de maneira a (D) A liderança transacional é mais presente nos escalões
colocar em prática ou a viabilizar tal exercício. superiores, quando o contato pessoal é constante.
O primeiro ponto importante a salientar é que o poder se (E) Para serem eficazes, os líderes organizacionais devem
manifesta em classes sociais, categorias sociais e grupos possuir muitas habilidades interpessoais, conceituais, técnicas
socialmente e politicamente organizados. Isto quer dizer que o e táticas.
poder não se manifesta somente em ambientes legalmente
formalizados. 02. (Marinha - Oficial de 2ª Classe da Reserva da
O segundo ponto é que as classes sociais, as categorias Marinha/Apoio à Saúde, Engenharia, Magistério, Saúde e
sociais ou os grupos política e socialmente organizados Técnica/2019) Com relação ao estilo de liderança
buscam as realizações de objetivos específicos. denominado "Liderança Delegativa", assinale a opção correta.
É importante observar que apesar dos indivíduos (A) Esse estilo é contraindicado para assuntos de natureza
procurarem atingir os objetivos específicos comuns, não se técnica.
deve esquecer que cada membro se vincula a um grupo para (B) O ponto crucial do sucesso desse tipo de liderança é
realizar seus objetivos individuais. Isto acontece devido às saber centralizar as atribuições sem perder o controle da
diferenças pessoais de cada integrante. Aqueles que situação.
conseguem colaborar de forma diferenciada para que a classe (C) Nesse estilo, o líder atribui a assessores a tomada de
social, categoria social ou grupo social atinjam os objetivos decisões especializadas, deixando-os agir por si só.
coletivos serão destacados pelos demais integrantes: é (D) Esse estilo de liderança é especialmente indicado para
exatamente aqui que aparece a liderança. situações de pressão, crise e mudança.
Por fim, o poder é uma capacidade coletiva e, como tal, (E) Nesse estilo de liderança, o foco do líder é a
deve ser adquirida, desenvolvida e mantida. Os indivíduos manutenção e fortalecimento das relações pessoais e do
inserem-se em suas relações a partir de funções que próprio grupo.
desempenham no âmbito coletivo, de forma orgânica ou não,
podendo influir, coordenar, liderar, representar, organizar e 03. (Marinha - Praça de 2ª Classe da Reserva da
conferir legitimidade. O poder e suas manifestações estão Marinha/2019) Com relação à Liderança Estratégica, assinale
interligados dentro de um processo histórico e dialético, sobre a opção correta.
a influência constante das mudanças sociais. (A) Devido ao fato de haver grande proximidade com os
Liderança pode ser entendida como uma manifestação de liderados, os resultados das ações dos líderes estratégicos são
natureza tanto psicológica quanto social e política que ocorre: frequentemente mais visíveis e rápidos.
- No interior de uma classe social (numa fração ou (B) Para serem eficazes, os líderes estratégicos costumam
segmento), categoria social ou grupos formais ou informais se absterem de habilidades interpessoais, conceituais, técnicas
(social e politicamente organizados); e táticas.
- Entre classes (frações ou segmentos) categorias ou (C) Pelo fato de haver pouca proximidade com os
grupos sociais; liderados, as ações dos líderes estratégicos são mais rápidas e
- No interior de organizações; e eficientes.
- Entre organizações. (D) Essa é a primeira linha de liderança e ocorre em
organizações onde os subordinados estão acostumados a ver
A liderança apresenta-se como manifestação natural, seus chefes frequentemente.
decorrente de delegação de autoridade ou adquirida mediante (E) Os líderes estratégicos trabalham para deixar, hoje, a
atributos reconhecidos por outros como portadores de uma instituição pronta para o amanhã.
representação real ou simbólica, com o objetivo de atingir
objetivos imaginários e concretos (de natureza econômica, 04. (Marinha - Praça de 2ª Classe da Reserva da
jurídica, política, ideológica e social), sejam eles de ordens Marinha/2019) De acordo com o EMA-137, no que se refere
individuais ou coletivas. aos elementos conceituais de liderança, é correto afirmar que
A liderança difere da autoridade e do simples carisma comandar é:
porque pressupõe a prática democrática, emancipatória e (A) exercer a chefia e a liderança, a fim de conduzir
esclarecedora, voltada sempre aos interesses de uma ética eficazmente a organização no cumprimento da missão.
coletiva. Deste modo, o papel do líder requer não só (B) exercer uma liderança impositiva a fim de facilitar as
capacidades próprias como também coletivas. De acordo com ações da tropa no cumprimento de suas diversas missões.
Faria25, uma liderança não ocorre sem a legitimação dos (C) conscientizar, por meio do diálogo e da tomada de
integrantes que compõem a coletividade que a confere. Deste decisão em conjunto, todos os subordinados.
modo, a liderança pode ser transitória e requer, do líder, um (D) exercer uma chefia compartilhada com os demais
constante investimento em sua manutenção. elementos da tropa, desde o alto escalão até o menos graduado
dos militares.
Questões (E) conscientizar, por meio de uma liderança autocrática,
todos os subordinados, a fim de conseguir sucesso no
01. (Marinha - Oficial de 2ª Classe da Reserva da cumprimento da missão.
Marinha/Apoio à Saúde, Engenharia, Magistério, Saúde e
Técnica/2019) Com relação aos níveis de liderança, assinale 05. (Marinha - Praça de 2ª Classe da Reserva da
a opção correta. Marinha/2019) Segundo o EMA-137, como se denomina o
(A) A liderança transacional é mais presente nos escalões estilo de liderança em que se abre mão de parte da autoridade
inferiores, quando o contato pessoal é constante. formal em prol de uma esperada participação dos
(B) A liderança direta é mais presente nos escalões subordinados e aproveitamento de suas ideias?
superiores, quando o contato pessoal é constante. (A) Autocrática.
(B) Democrática.
25O conceito apresentado aqui pode ser encontrado de forma mais desenvolvido
em Faria, José Henrique de. Economia Política do Poder. 6ª. Reimpressão. Curitiba:
Juruá, 2010. 3 Volumes. Volume 1.
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(C) Transformacional. totalizando 400 homens com armas. Para conduzir essa força
(D) Transacional.[ ao lugar de destino, aprestou-se uma esquadrilha composta
(E) Semidemocrática. por dez embarcações.
A 3 de novembro, a esquadrilha foi acrescida de três navios
Gabarito vindos da Corte: Corveta inglesa Confidence (comando do
Capitão-de-Mare-Guerra James Lucas Yeo), Brigue29 Voador
01.C / 02.C / 03.E / 04.A / 05.B (comando do Capitão Tenente José Antônio Salgado) e Brigue
Infante D. Pedro (comando do Capitão-Tenente Luís da Cunha
Moreira). Juntos traziam um reforço de 300 homens. Tinham
ordens de ocupar o território da Guiana Francesa e submeter
Formação da Marinha Caiena.
Imperial Brasileira: A vinda da A 1º de dezembro, desembarcaram as nossas tropas no
território inimigo, ficando o comando da expedição assim
Família Real; Política externa repartido:
de D. João VI e a atuação da - o Tenente-Coronel Manuel Marques dirigiria as forças
Marinha: a conquista de terrestres;
- os navios ficariam sob as ordens do Comandante Yeo.
Caiena e a ocupação da Banda Este, com os navios menores (os demais foram bloquear
Oriental: A Banda Oriental; A Caiena por mar), subiu o Oiapoque e foi dominando, sem maior
Revolta Nativista de 1817 e a resistência, os pontos fortificados que ia encontrando. Quatro
escunas francesas foram aprisionadas, incorporadas e
atuação da Marinha; Guerra rebatizadas de Lusitana, D. Carlos, Sydney Smith e Invencível
de independência; Elevação do Meneses.
Brasil a Reino Unido; O O governador de Caiena, Victor Hughes, tratou, em vão, de
preparar a resistência, levantando baterias, fortificando os
retorno de D. João VI para melhores pontos estratégicos e guarnecendo os fortes. As
Portugal; A Independência; forças de ataque foram ganhando terreno, apertando cada vez
mais o cerco à capital Caiena, até sua rendição final, a 12 de
janeiro de 1809. A importância dessa operação recai na
condição de ter sido o primeiro ato consistente de política
* Candidato(a). Os tópicos a seguir estarão divididos em externa de D. João realizada por meio militar, contando com
duas partes. Traremos primeiro o conteúdo de História com foco forças navais e terrestres anglo-luso-brasileira.
apenas nas ações da Marinha, de acordo com sugestão A ocupação portuguesa da Guiana Francesa durou mais de
bibliográfica em edital. oito anos. Embora temporária, foi de grande valia para a
Em seguida você encontrará o conteúdo referente à História fixação dos limites do país, porquanto, na ocasião de sua
do Brasil/Geral do respectivo período para fins de devolução, em 1817, ficaram tacitamente estabelecidos os
contextualização histórica. limites do Oiapoque.
26 O acordo exigia que Portugal fechasse os portos aos navios da Grã-Bretanha 28 Os granadeiros estão normalmente equipados com um lança-granadas ou
e se responsabilizasse pelos prejuízos decorrentes do comércio lusitano com os dilagrama (dispositivo de lançamento de granadas de mão) montado sob o cano
britânicos. Em troca, a Espanha restituía os territórios conquistados de Jeromenha, da sua arma de assalto.
Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena, Campo Maior e Ouguela, lhes 29 Um brigue é um tipo de embarcação à vela, com dois mastros com velas
devolvendo todas as munições de guerra que estavam sob supervisão dos espanhóis quadradas transversais.
27 Por esse diploma, Portugal obrigava-se a manter os termos do Tratado de 30 Navio de guerra. O termo tem sido usado, ao longo dos séculos, para
Badajoz com a Espanha mas, adicionalmente, comprometia-se a pagar à França designar uma gama alargada de navios, com diferentes tamanhos e funções.
uma indemnização de 20 milhões de francos. 31 Navio de guerra a vela, de três mastros, e com uma só bateria de canhões.
32 Embarcação de grande porte e de longo curso.
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seis brigues33, capitaneada pela Nau Vasco da Gama, onde PERÍODO JOANINO E A INDEPENDÊNCIA
achavam-se embarcados o Chefe de Divisão Rodrigo José
Ferreira Lobo, responsável pelas atividades navais da Só passando para lembrar que quando tratamos sobre
expedição, e o Tenente-Coronel Carlos Frederico Lecor, então a chegada dos portugueses no Brasil a partir do período
nomeado Governador e Capitão-General da Praça e Capitania joanino ou após o período colonial, estamos falando das
de Montevidéu. A Divisão Naval foi se reunir com o 1º Escalão, CORTES portuguesas, uma vez que a presença lusitana no
composto por seis navios, que já havia seguido para Santa nosso território é ininterrupta desde o descobrimento.
Catarina em janeiro.
Aportando a Divisão na Ilha de Santa Catarina a 26 de Realizações Político-sociais das Cortes no Brasil
junho, decidiu Lecor seguir por terra com sua tropa para o Rio
Grande do Sul e, então, iniciar a invasão, visto que as condições
As mudanças econômicas e políticas que vinham soprando
climáticas só eram favoráveis à navegação no Rio da Prata em suas ideias da América do Norte e da Europa para as colônias
outubro. Seguiu então à frente dos seus 6 mil comandados,
é fator chave para entendermos porque a família real
margeando o mar até as proximidades de Maldonado. A portuguesa mudou-se com toda a sua Corte da “civilizada”
Esquadra, por sua vez, rumou em direção ao Rio da Prata, Lisboa para a abandonada colônia brasileira.
devendo antes estacionar naquele porto.
O absolutismo viu suas bases estremecerem na segunda
Do Rio de Janeiro, a 4 de agosto, partiu nova flotilha, metade do século XVIII principalmente pelo sucesso das
composta por quatro navios com a missão de operar em
Revoluções Estadunidense e Francesa com suas ideias
combinação com a Divisão dos Voluntários Reais. A 22 de
democráticas. No mesmo sentido, sua política econômica - o
novembro de 1816, deu-se o desembarque em Maldonado mercantilismo - via o capitalismo industrial começar a tomar a
pelas forças navais de Rodrigo José Ferreira Lobo. Com a
dianteira frente ao capitalismo comercial, marca desses
ocupação da cidade, e a vitória pelas forças terrestres em Índia governos.
Morta, o caminho para Montevidéu ficou livre. Lecor Mas foi da França o empurrão fundamental para a
encontrava-se acampado no passo de São Miguel, quando mudança da Corte lusitana35. Quando da expansão
recebeu uma deputação de Montevidéu que apresentou-lhe as napoleônica na Europa, apenas a Inglaterra conseguia fazer
chaves da cidade e seu submisso respeito e completa adesão frente aos franceses. Em uma tentativa de enfraquecer seu
ao governo de D. João VI. maior adversário, a França decreta um bloqueio comercial à
Nessa época, o governo das Províncias do Rio da Prata não Inglaterra por todos os países que estavam sob sua influência,
mais apoiava a intervenção armada do Brasil na Banda entre eles, Portugal, que não aceita manter o bloqueio,
Oriental, deixando-nos em campo sozinhos.
desencadeando a invasão francesa, consequência da fuga da
Não foi imediata a completa submissão da Banda Oriental.
Corte para o Brasil.
Ainda por alguns anos, fez José Artigas tenaz resistência à
Os motivos que o leva a não aceitar manter o bloqueio
dominação portuguesa, até sua derrota final na Batalha de
dizem respeito a uma série de acordos econômicos entre
Taquarembó, a 22 de janeiro de 1820. Portugal e Inglaterra (mal feitos), que tornou Portugal uma
Durante esse período, os partidários de Artigas valiam-se
nação dependente. As premissas dos acordos mantinham os
de corsários que, com base na Colônia de Sacramento,
portugueses como uma economia basicamente agrária
ocasionavam grandes prejuízos ao comércio de nossa Marinha enquanto os ingleses desenvolviam sua indústria.
Mercante. Com recursos navais reduzidos para liquidar a nova
O Tratado de Methuen exemplifica bem isso: Portugal
ameaça, o comando português empregou tropas terrestres
forneceria vinho aos ingleses (campo) e a Inglaterra forneceria
para tentar destruir as bases inimigas. Assim, o Tenente-
tecidos aos portugueses (indústria). Sem opção e por exigência
Coronel Manuel Jorge Rodrigues, auxiliado por forças navais,
da Inglaterra, Portugal recusa o bloqueio.
atacou e conquistou Colônia, Paissandu e outros locais às Por sua vez, Napoleão foi um cão que latia e também
margens do Uruguai, tendo em Sacramento conseguido
mordia. Ao ver a recusa portuguesa nos seus planos, a França
aprisionar vários corsários que aí se encontravam.
invade e divide Portugal com a Espanha (Tratado de
Para as operações realizadas no Rio Uruguai, foi Fontainebleau) além de declarar extinta a Dinastia dos
constituída uma pequena flotilha, sob o comando do Capitão- Bragança.
Tenente Jacinto Roque Sena Pereira, formada pela Escuna
Oriental e Barcas Cossaca, Mameluca e Infante D. Sebastião.
A Fuga para o Brasil
Esta flotilha prestou auxílio inestimável às forças de terra, Portugal contou com o apoio naval inglês para sua fuga.
tanto na tomada de Arroio de La China, quanto na tomada de Cerca de 15 mil pessoas que compunham a Corte fizeram a
Calera de Barquin, Perucho Verna e Hervidero. Em Perucho viagem que durou cerca de dois meses com escolta e medidas
Verna, doze embarcações inimigas, uma lancha artilhada e um de segurança como colocar membros da família real em
escaler34 foram apresados. diferentes navios, caso houvesse ataques.
No mar, o último episódio em que a força naval atuou, Ao chegar, D. João tomou duas medidas que afetaram tanto
ocorrido em 15 de junho de 1820, foi o aprisionamento do França quanto Inglaterra, sendo:
corsário General Rivera, com a recuperação dos mercantes
- a retaliação à Napoleão, invadindo e conquistando a
Ulisses e Triunfantes, pela Corveta Maria da Glória, Guiana Francesa; e
comandada pelo Capitão de Fragata Diogo Jorge de Brito. - premiando a Inglaterra e visando o próprio conforto,
A 31 de julho de 1821, em assembleia formada por
ainda em 1808 assinou uma Carta Régia com a medida que
deputados representantes de todas as localidades orientais, foi ficou conhecida como “Abertura dos Portos às Nações Amigas”,
aprovada por unanimidade a incorporação da Banda Oriental
beneficiando basicamente o país inglês.
à Coroa portuguesa, fazendo parte do domínio do Brasil com o A medida mudava o status do Brasil, mas beneficiou muito
nome de Província Cisplatina. os ingleses que agora não precisavam mais negociar com a
metrópole suas relações comerciais em território nacional.
33 Um brigue é um tipo de embarcação à vela, com dois mastros com velas 35 Que se refere à Lusitânia, antiga região situada na península Ibérica.
se "Baleieiras" no Brasil, de proa fina ou redonda (caso das baleieiras, mais largas)
e popa quadrada.
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APOSTILAS OPÇÃO
Além das mudanças que afetavam política e economia Todas as melhorias que foram descritas há pouco ficaram
externas, D. João também realizou mudanças internas. restritas apenas ao Rio de Janeiro. As outras províncias do
Temos que ter em mente que até então o Brasil é uma Brasil ainda sofriam com a precariedade econômica e social.
colônia. Isso significa que todo o aparato administrativo, Esse cenário gerou descontentamento em várias regiões mas
judiciário e econômico são da metrópole. Com a vinda da Corte, apenas algumas fizeram algo a respeito, como foi o caso de
todos os tipos de decisões nesse sentido que eram tomadas em Pernambuco.
Lisboa, teriam que ser tomadas no Rio de Janeiro e para isso Com ideais republicanos, separatistas e anti-lusitanos, a
seguiu-se uma série de mudanças: nomeou ministros de Estado, Revolução Pernambucana ia contra os pesados impostos,
criou secretarias públicas, criou tribunais de justiça, o Banco do descaso administrativo e opressão militar.
Brasil e o Arquivo Central. A Revolução apenas teve início após a delação do
Mudanças na cidade também foram realizadas com a movimento. Quando os líderes conspiradores foram presos, a
intenção de tornar a capital do Brasil uma cidade mais próxima luta começou. A revolta chegou a contar com a participação da
do que a Corte estava acostumada na Europa: foram criados Paraíba e Rio Grande do Norte, porém a coroa conseguiu
jornais de circulação diária, uma biblioteca real com mais de 60 encerrá-la através da força militar.
mil exemplares vindos de Lisboa, Academias militar e da Alguns líderes foram executados e outros receberam o
marinha, faculdades de medicina e de direito, observatórios, perdão real anos depois, como Frei Caneca.
jardim botânico, teatros (...) Estruturalmente a cidade ganhou
iluminação pública, ruas pavimentadas, chafarizes e pontes. O Retorno de D. João para Portugal
Culturalmente a principal mudança se deu pela vinda da
Lisboa e Rio de Janeiro literalmente inverteram os papeis
Missão Francesa para a criação da Imperial Academia e Escola
nesse período. Se antes Lisboa era o centro do império
de Belas-Artes, tendo como principal nome o artista Jean-
português com suas instituições e riquezas colhidas pela
Baptiste Debret.
forma de governo colonial, agora ela via o Rio de Janeiro
Apesar de os trabalhos realizados pela Missão Francesa
assumir esse papel.
não influenciarem o grosso da população brasileira e carioca,
Os comerciantes portugueses viram sua economia
foram de grande importância para o conhecimento do Brasil
despencar quando das assinaturas de D. João nos novos
na Europa.
acordos com os ingleses. O Brasil era o principal mercado
Como era no Rio de Janeiro que as coisas aconteciam, foi
lusitano. Não bastasse isso, o rei de Portugal não tinha planos
natural o crescimento populacional. Além do número
de regressar e ainda deixou o governo do país a cargo de um
crescente de brasileiros que migravam em busca de emprego
na capital, o número de escravos também aumentou – para inglês (general Beresford).
Fórmula certa para insatisfação, foi o que ocorreu: Em 24
atender a maior demanda de serviços – assim como o de
de agosto de 1820 eclodiu a Revolução do Porto, onde,
estrangeiros que faziam negócios e já pregavam a ideia de
vitoriosa, a nova Assembleia Constituinte (Cortes
trabalhadores assalariados.
portuguesas) adotou nova Constituição, exigindo o retorno da
Economicamente, apesar de D. João autorizar a instalação
de manufaturas no país, os acordos desiguais feitos com a Família Real para jurar a ela e a volta do Brasil à condição de
colônia. Não foi o que aconteceu.
Inglaterra castravam as intenções empreendedoras dos
D. João garantiu que sua família ainda governasse os dois
brasileiros.
Em 1810 foi assinado o Tratado de Comércio e Navegação territórios. Para agradar os portugueses, ele regressou à
Portugal. Para agradar os brasileiros ele deixou seu filho, D.
em que os produtos ingleses entravam em nosso país com
Pedro I como regente, assegurando que o Brasil não voltaria a
taxas menores até do que os produtos portugueses.
ser colônia.
O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
O Dia do Fico e a Independência do Brasil
Após a derrota de Napoleão, o Congresso de Viena36
Apesar dos planos de D. João, as Cortes portuguesas não
contou com os principais representantes dos países europeus
encararam bem o fato de D. Pedro I ter ficado no Brasil como
e decidiu os caminhos que seriam tomados a partir de então.
Em uma disputa de interesses entre Inglaterra e França, D. regente. A partir daí ele passa a ser pressionado a voltar para
João acaba sendo influenciado pelas ideias francesas e decide Portugal e prestar homenagens às Cortes.
Por outro lado, a aristocracia brasileira sabia que a única
continuar com a Corte no Brasil, além de declará-lo como
forma de garantir que o país não regressasse à condição de
Reino Unido de Portugal e Algarves.
No Congresso de Viena ficou decidido que toda e qualquer colônia era apoiar o movimento emancipacionista em volta de
mudança realizada durante a expansão napoleônica seria D. Pedro I.
Em janeiro de 1822 com grande apoio do movimento
desfeita. Reis destituídos – como os casos de Portugal e
emancipacionista brasileiro D. Pedro I não cumpre às
Espanha – teriam seu governo restaurado. Essa era uma
exigências das Cortes e afirma que permaneceria no Brasil
medida que beneficiaria novamente a Inglaterra. Se D. João
(“Dia do Fico”). Esse dia foi seguido de negociações e mudanças
voltasse a Portugal, dificilmente ele conseguiria fazer com que
na administração brasileira até finalmente em 7 de setembro
as mudanças realizadas no Brasil (econômicas) voltassem ao
do mesmo ano ser declarada a independência do Brasil.
modelo antigo, aquele em que a metrópole tem controle sobre
a colônia. O Reconhecimento da Independência
A Inglaterra já havia estabelecido negócios e influência O simples fato de D. Pedro I declarar o Brasil independente
dentro do nosso país, e os próprios comerciantes e classe alta não o tornava assim. Era necessário que externamente essa
brasileiros não aceitariam o retorno à condição de colônia. independência fosse reconhecida. Portugal, claro, não o fez. No
Do outro lado do Atlântico tínhamos uma Lisboa início apenas alguns reinos africanos com o qual o Brasil tinha
financeiramente debilitada ao ponto de a Corte preferir relações comerciais (negociação de escravos) e os Estados
permanecer no Rio de Janeiro. A solução para manter a posição Unidos (dois anos depois) reconheceram nossa autonomia.
em Lisboa e o controle sobre o Brasil foi elevá-lo a categoria de A Inglaterra, embora continuasse fazendo negócios com o
Reino e não mais colônia. Brasil não reconheceu de imediato a nova condição, uma vez
Revolução Pernambucana
36 O Congresso de Viena foi uma conferência entre embaixadores das grandes junho de 1815, cuja intenção era a de redesenhar o mapa político do continente
potências europeias que aconteceu na capital austríaca, entre maio de 1814 e europeu após a derrota da França napoleônica
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que não queria perder Portugal como parceiro/dependente ocupação efetiva. […] A atenção da burguesia metropolitana e
dentro da Europa. Visando os próprios interesses foi ela quem do governo português estavam voltados para o comércio com
intercedeu para que um acordo fosse realizado entre Brasil e o Oriente, que desde a viagem de Vasco da Gama, no final do
Portugal. século XV, havia sido monopolizado pelo Estado português.
Em 29 de agosto de 1825 foi assinado o Tratado de Paz e […] O desinteresse português em relação ao Brasil estava em
Aliança, em que mediante o pagamento de dois milhões de conformidade com os interesses mercantilistas da época,
libras esterlinas como indenização, e a continuidade do título como observou o navegante Américo Vespúcio, após a
de imperador do Brasil para D. João, Portugal reconhecia a exploração do litoral brasileiro, pode-se dizer que não
emancipação do Brasil. encontramos nada de proveito”.
O dinheiro foi conseguido junto à Inglaterra que reviu seus Berutti, 2004.
acordos comerciais com o Brasil e conseguiu o “compromisso”
do fim da escravidão no país, além do pagamento da própria Sobre o período retratado no texto, pode-se afirmar que o
dívida. A partir daí outras nações da América e do mundo (a):
também reconheceram o Brasil como nação autônoma. (A) desinteresse português pelo Brasil nos primeiros anos
de colonização, deu-se em decorrência dos tratados
Questões comerciais assinados com a Espanha, que tinha prioridade
pela exploração de terras situadas a oeste de Greenwich.
01. (CESGRANRIO) O início da colonização portuguesa no (B) maior distância marítima era a maior desvantagem
Brasil, no chamado período "pré-colonial" (1500-1530), foi brasileira em relação ao comércio com as Índias.
marcado pelo(a): (C) desinteresse português pode ser melhor explicado pela
(A) envio de expedições exploratórias do litoral e pelo resistência oferecida pelos indígenas que dificultavam o
escambo do pau-brasil; desembarque e o reconhecimento das novas terras.
(B) plantio e exploração do pau-brasil, associado ao tráfico (D) abertura de um novo mercado na América do Sul,
africano. ampliava as possibilidades de lucro da burguesia
(C) deslocamento, para a América, da estrutura metropolitana portuguesa.
administrativa e militar já experimentada no Oriente; (E) relativo descaso português pelo Brasil, nos primeiros
trinta anos de História, explica-se pela aparente inexistência
(D) fixação de grupos missionários de várias ordens de artigos (ou produtos) que atendiam aos interesses daqueles
religiosas para catequizar os indígenas; que patrocinavam as expedições.
(E) implantação da lavoura canavieira, apoiada em capitais
holandeses. Gabarito
01.A / 02.D / 03.E /
02. "De começo, e fosse qual fosse, após a exploração
cabralina, a importância dos conhecimentos geográficos sobre
o Brasil, o interesse de D. Manuel pelos seus novos territórios
A Formação de uma Esquadra
da América foi, ao que parece, mais de ordem estratégica que
econômica." Brasileira; Operações Navais;
(CORTESÃO, Jaime. Os descobrimentos portugueses, p. Confederação do Equador. A Atuação
1086, citado em MORAES, Antonio Carlos Robert. Bases da da Marinha nos Conflitos da
formação territorial do Brasil. São Paulo: HUCITEC, 2000, p. Regência e do Início do Segundo
174.) Reinado: Conflitos internos;
Cabanagem; Guerra dos Farrapos;
Segundo o historiador português, Jaime Cortesão, no início
Sabinada; Balaiada; Revolta
do século XVI, a importância econômica dada à América pelo
Estado português foi de ordem estratégica. Isto, porque: Praieira; Conflitos externos; Guerra
(A) apesar de terem sido encontrados imediatamente Cisplatina; Guerra contra Oribe e
metais preciosos no território, os portugueses não tinham Rosas. A Atuação da Marinha na
maior interesse neles; Guerra da Tríplice Aliança contra o
(B) as comunidades indígenas do litoral sul da América Governo do Paraguai: O bloqueio do
eram hostis a qualquer contato com os portugueses, o que Rio Paraná e a Batalha Naval do
impediu o desenvolvimento de atividades econômicas na Riachuelo; Navios encouraçados e a
região; invasão do Paraguai; Curuzu e
(C) a extensão do litoral e o clima tropical impediam o
Curupaiti; Caxias e Inhaúma;
desenvolvimento de atividades econômicas que permitissem a
produção de bens valorizados na Europa; Passagem de Curupaiti; Passagem de
(D) o interesse português estava voltado para o Oriente, e Humaitá; O recuo das forças
o controle do litoral sul da América deveria garantir, paraguaias; O avanço aliado e a
fundamentalmente, o monopólio da navegação da rota do Dezembrada; A ocupação de
Cabo; Assunção e a fase final da guerra.
(E) a instalação de feitorias que estimulassem o plantio,
pelas comunidades indígenas, do pau-brasil, produto
valorizado no mercado europeu e, por isso, gerador de lucros A Formação de uma Esquadra Brasileira37
para o Estado português.
O governo brasileiro, por intermédio de seu Ministro do
03. (ESPCEX (AMAN) “Os primeiros trinta anos da Interior e dos Negócios Estrangeiros José Bonifácio de
História do Brasil são conhecidos como período Pré-Colonial. Andrada e Silva, percebeu que somente com o domínio do mar
Nesse período, a coroa portuguesa iniciou a dominação das conseguiriam manter a unidade territorial brasileira, pois
terras brasileiras, sem, no entanto, traçar um plano de eram por meio do mar que as províncias litorâneas, onde
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estava concentrada a maior parte da população e da força conduziram a aceitação da Independência brasileira pelas
produtiva brasileira, se interligavam e comercializavam seus elites formadas em sua maioria de portugueses em São Luís e
produtos. A rápida formação de uma Marinha de Guerra em Belém, não se deram tão facilmente como um vislumbre
nacional constituía-se no melhor meio de transportar e superficial do evento histórico permite concluir, a luta pelo
concentrar tropas leais e suprimentos para as áreas de embate poder provincial entre brasileiros e portugueses recém-
com os portugueses. adeptos da Independência levou que o contingente da Marinha
A Esquadra impediria que chegassem aos portos das naquelas cidades atuasse tanto num sentido apaziguador,
cidades brasileiras ocupadas pelos portugueses os reforços mesmo diplomático, como trazendo a ordem pela força das
que Portugal enviasse, interceptando e combatendo os navios armas.
que os trouxessem. Privando as guarnições portuguesas de As operações navais na Cisplatina assemelharam-se às
mais soldados e armas vindos por mar, as bombardeando com realizadas na Bahia, sendo empreendido um bloqueio naval
canhões embarcados e transportando soldados brasileiros conjugado com um cerco por terra a Montevidéu, isolando as
para reforçar os patriotas que lutavam contra os portugueses tropas portuguesas comandadas por D. Álvaro Macedo. Em
no interior, a Marinha Brasileira contribuiu para a março de 1823, a Força Naval no Sul, comandada pelo Capitão-
Independência do Brasil, permitindo que do território da de-Mare-Guerra Pedro Antônio Nunes, foi reforçada com a
colônia portuguesa na América emergisse um só país, com um chegada de navios vindos do Norte-Nordeste do Império, a
grande território. tempo de se opor à tentativa portuguesa de romper o bloqueio
O nascimento da Marinha Imperial, portanto, se deu nesse em 21 de outubro.
regime de urgência, aproveitando os navios que tinham sido A batalha que se seguiu, embora violenta, terminou sem a
deixados no porto do Rio de Janeiro pelos portugueses, que vitória de nenhum dos oponentes, mas configurou-se como
estavam em mal estado de conservação, e os oficiais e praças uma vitória estratégica das forças brasileiras com a
da Marinha portuguesa que aderiram à Independência. manutenção do bloqueio.
Os navios foram reparados em um intenso trabalho do O desabastecimento provocado pelo bloqueio e pelo cerco
Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e foram adquiridos por terra, somado a desalentadora notícia que Montevidéu era
outros, tanto pelo governo como por subscrição pública. E as a última resistência portuguesa na ex-colônia, provocou a
lacunas encontradas nos corpos de oficiais e praças foram evacuação do contingente português da Cisplatina em
completadas com a contratação de estrangeiros, sobretudo novembro de 1823.
experientes remanescentes da Marinha inglesa.
A necessidade de se dispor da Força Naval como um Conflitos Externos
eficiente elemento operativo e como um fator de dissuasão
para as pretensões de reconquista portuguesa fez com que o Guerra Cisplatina
governo imperial brasileiro contratasse Lorde Thomas O Brasil recém-independente envolveu-se numa guerra
Cochrane, um brilhante e experiente oficial de Marinha inglês, com as Províncias Unidas do Rio da Prata, atual Argentina, pela
como Comandante-em-Chefe da Esquadra. posse da então Província brasileira da Cisplatina, atual
República Oriental do Uruguai, anexada ainda por D. João VI,
Operações Navais em 1821. Esta guerra pouco aparece nos livros de história e,
A 1º de abril de 1823, a Esquadra Brasileira comandada mesmo tendo durado quatro anos, entre 1825 e 1828, é
por Cochrane, deixava a Baía de Guanabara com destino à desconhecida para a maioria dos brasileiros.
Bahia, para bloquear Salvador e dar combate às forças navais O interesse pelo domínio daquelas terras não era novo. O
portuguesas que lá se concentravam sob o comando do Chefe- Império do Brasil e a Argentina herdaram as aspirações e as
de-Divisão Félix dos Campos. A primeira tentativa de dar disputas dos colonizadores portugueses e espanhóis pela
combate aos navios portugueses foi desfavorável à Cochrane, margem esquerda do estuário do Rio da Prata. Nos séculos
tendo enfrentado, além do inimigo, a indisposição para luta XVII e XVIII, o centro da disputa era a Colônia de Sacramento,
dos marinheiros portugueses nos navios da Esquadra, muitos o enclave português na região. No início do século XIX, com os
dos quais guarneciam os canhões com uma inabilidade movimentos de independência na América espanhola e
próxima ao motim. portuguesa, a conflagração atingiu o Brasil e a Argentina, no
Depois de reorganizar suas forças e expurgar os elementos conflito conhecido como Guerra Cisplatina.
desleais, e a despeito das Forças Navais portuguesas, Cochrane A guerra não envolvia só a disputa pela posse do território
colocou Salvador sob bloqueio naval, capturando os navios da Província Cisplatina que, além do gado criado nos pampas
que provinham o abastecimento da cidade, que já se e de dois portos comerciais importantes (Montevidéu e
encontrava sitiada por terra pelas forças brasileiras. Maldonado), não continha recursos naturais de monta, mas
Pressionados pelo desabastecimento, as tropas tinha como objetivo o controle do Rio da Prata, área geográfica
portuguesas abandonaram a cidade em 2 de julho, em um de suma importância estratégica desde o início da colonização
comboio de mais de 70 navios, escoltados por 17 navios de europeia na América do Sul. No estuário do Rio da Prata
guerra. Este foi acompanhado e fustigado pela Esquadra desembocavam dois grandes rios (Uruguai e Paraná), que
brasileira, destacando-se a atuação da Fragata Niterói, constituíam o caminho natural para a penetração no
comandada pelo Capitão-de-Fragata John Taylor, que, continente sul-americano, representando uma estrada fluvial
apresando vários navios, atacou o comboio português até a foz para a colonização, o acesso aos recursos naturais e a
do Rio Tejo. viabilização das trocas comerciais por todo o interior da
O próximo passo para expulsão dos portugueses do Norte- América do Sul.
Nordeste brasileiro era o Maranhão, onde Cochrane, Apesar do controle português e, depois de 1822, brasileiro,
utilizando-se de um hábil ardil, fez da Nau Pedro I, sua a Cisplatina, ou Banda Oriental, mantinha uma população de
capitânia, a ponta de lança de uma grande força naval que viria ascendência e hábitos hispânicos, culturalmente distantes dos
próxima, transportando um vultoso Exército nacional que brasileiros. Os cisplatinos, liderados por Juan Antonio
tomaria São Luís. Porém, tudo não passava de um blefe para Lavalleja, iniciaram um levante buscando sua independência,
levar a deposição da Junta Governativa que se mantinha fiel à procurando apoio das Províncias Unidas do Rio da Prata, o
Lisboa, o que aconteceu em 27 de julho de 1823. único Estado Nacional à época constituído na Bacia do Rio da
Seguiu-se a utilização do mesmo ardil no Grão-Pará, Prata que poderia rivalizar com o Império brasileiro.
conduzido pelo Capitão-Tenente John Pascoe Grenfell, no O Estado argentino, naquela época, era formado por várias
comando do Brigue Maranhão. Tais manobras, que províncias com alto grau de autonomia, que reconheciam a
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liderança exercida pela Província de Buenos Aires. A Ocorreu em 9 de fevereiro de 1826, quando a Esquadra
confederação de províncias argentinas tinha um interesse argentina, composta de 14 navios, deixou seu ancoradouro
comum na sublevação dos cisplatinos contra o Império para empreender uma ação de desgaste à Força Naval
brasileiro: a possibilidade de incorporação da Banda Oriental brasileira em bloqueio, também composta de 14 navios. As
aos seus domínios. Por isso, deram apoio político, militar e forças navais adversárias, dispostas em colunas, trocaram
financeiro à revolta, passando, posteriormente, a envolver-se tiros de canhão a grande distância uma da outra, causando
oficialmente na luta. perdas humanas e avarias materiais reduzidas de parte a
Para se opor à sublevação, nitidamente suportada pela parte. A Esquadra argentina se retirou para o refúgio de Los
Argentina, o Brasil desenvolveu uma campanha militar na Pozos e a Força Naval brasileira foi fundear entre os Bancos de
Banda Oriental entre os anos de 1825 e 1828. Além de tropas, Ortiz e Chico.
deslocou vários meios navais da Esquadra recém-formada na O passo posterior do comandante das forças argentinas
Guerra de Independência para o Estuário da Prata, teria consequências muito mais significativas para os destinos
comandadas pelo Vice-almirante Rodrigo Lobo. da guerra no mar e em terra se bem-sucedido. Seu alvo era a
Com o fortalecimento das forças de Lavalleja na Banda Colônia de Sacramento, uma praça fortificada situada na
Oriental, as Províncias Unidas do Rio da Prata oficializaram margem esquerda do Rio da Prata e guarnecida por 1.500
seu apoio à revolta, declarando anexada a Banda Oriental ao homens chefiados pelo Brigadeiro Manoel Jorge Rodrigues,
território argentino, o que significava uma declaração de complementados por uma pequena força de quatro navios,
guerra ao governo imperial brasileiro. comandada pelo Capitão-de-Fragata Frederico Mariath. Sete
A participação brasileira na guerra naval teve como seu navios da Esquadra argentina, capitaneados pela Fragata 25 de
principal palco o Estuário do Rio da Prata. A ênfase no aspecto Mayo, romperam o bloqueio brasileiro ao largo de Buenos
naval não indica que as operações de guerra conduzidas pelos Aires e fizeram vela para a Colônia de Sacramento,
Exércitos em terra tenham sido menos importantes para a simultaneamente aquela praça era cercada por tropas.
história da Guerra Cisplatina. O Exército Brasileiro e as forças Devido ao maior poder de combate da Força Naval
de Lavalleja, somadas ao Exército argentino, confrontaram-se Argentina perante a flotilha brasileira que defendia a Colônia,
em diversas batalhas, mas até o final da guerra, em 1828, as tripulações e os canhões dos navios brasileiros foram
nenhum dos oponentes alcançou uma nítida vantagem na desembarcados e incorporados às defesas de terra. Em 26 de
guerra terrestre. fevereiro de 1826, os navios argentinos e as tropas de cerco
A batalha mais significativa da Guerra Cisplatina, a Batalha iniciaram o bombardeio, respondido pelas fortificações da
do Passo do Rosário, ou Ituzaingó, como os argentinos e Colônia do Sacramento, que inutilizaram um dos navios
uruguaios a chamam, ocorrida em 20 de fevereiro de 1827, adversários. Repelido o primeiro ataque, os defensores da
teve resultados tão indecisos como toda a guerra terrestre que Colônia do Sacramento enviaram uma escuna para pedir
se travou na Província Cisplatina. Nenhum dos lados auxílio às forças navais brasileiras estacionadas em
conseguiu impor-se sobre o outro, não sendo possível apontar Montevidéu, esperando que o socorro chegasse o mais rápido
vitoriosos nem derrotados. possível àquela praça sitiada.
A Marinha Imperial brasileira na Guerra Cisplatina lutou O Vice-Almirante Rodrigo Lobo não acudiu de imediato a
com a Força Naval argentina, mas também atuou contra os cidade acossada pelo inimigo. Na noite de 1º de março, a Força
corsários que, com Patentes de Corso38 emitidas pelas Naval argentina, reforçada por seis canhoneiras, tentou
Províncias Unidas do Rio da Prata e pelo próprio Exército de desembarcar 200 homens naquela praça. Depois de severa
Lavalleja, atacavam os navios mercantes brasileiros por toda a luta, os atacantes argentinos foram repelidos, com a perda de
nossa costa. duas canhoneiras e muitos homens, não sem antes
O embate entre a Esquadra brasileira e a Esquadra conseguirem incendiar um dos nossos navios. Os navios
argentina teve lugar no estuário do Rio da Prata e nas suas argentinos só desistiram do cerco em 12 de março, escapando
proximidades – região com grande número de bancos de areia da Esquadra brasileira, que chegara com atraso em defesa de
que dificultava a navegação. Isto ajudou os argentinos a Sacramento.
desenvolver uma variação naval da guerra de guerrilha. Os A Força Naval argentina empreendia ações mais ousadas
navios argentinos atacavam e, quando repelidos, escapavam contra a Esquadra brasileira. De uma troca de tiros sem muitas
da perseguição dos navios brasileiros pelos estreitos canais consequências, em fevereiro, tentou a conquista de uma praça
que se formavam entre os vários bancos de areia da região, em fortificada na margem esquerda do Rio da Prata que, se
sua maioria desconhecidos dos marinheiros brasileiros. conquistada, se transformaria em um importante ponto de
Como primeira ação de guerra, a Força Naval brasileira no abastecimento das tropas uruguaias e argentinas.
Rio da Prata, comandada pelo Vice-Almirante Rodrigo Lobo, Uma das missões da Esquadra argentina era justamente a
estabeleceu um bloqueio naval no Rio da Prata, pretendendo manutenção do abastecimento dos exércitos que lutavam na
impedir qualquer ligação marítima entre as Províncias Unidas Província Cisplatina. Como obstáculo, antepunha-se a
e os rebeldes de Lavalleja, e dos dois adversários com o Esquadra brasileira comandada pelo Almirante Rodrigo Lobo
exterior. O inimigo a ser confrontado pela Força Naval que, apesar da ineficiência desse início de bloqueio naval
brasileira era liderado pelo experiente irlandês William (pelos primeiros embates navais da guerra, observa-se que a
George Brown, comandante da pequena Esquadra sediada em Esquadra argentina movimentava-se com relativa facilidade),
Buenos Aires, desde as lutas pela independência daquele país. mantinha-se superior em número às forças navais
O adversário, apesar de contar com um menor número de comandadas por Brown.
navios de guerra, tinha suas ações facilitadas não só pelo O Comandante da Esquadra argentina William Brown
conhecimento da conformação hidrográfica do estuário do Rio reuniu sua capitânia, a Fragata 25 de Mayo, e dois brigues em
da Prata, como também por permanecer operando próximo ao uma audaciosa ação para capturar navios que se dirigissem a
seu porto base, o ancoradouro de Los Pozos, em Buenos Aires, Montevidéu, tentando aumentar o tamanho de sua Esquadra e
onde seus navios eram abastecidos e reparados. tomar alguma carga de valor em navios mercantes. Em 10 de
Nos primeiros meses da guerra, o bloqueio naval imposto abril de 1826, conseguiu capturar a pequena Escuna Isabel
pela Esquadra brasileira provocou o primeiro embate entre as Maria. No dia seguinte, ao perseguir um navio mercante, a
forças navais, conhecido como Combate de Colares. Fragata 25 de Mayo aproximou-se muito do porto de
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Montevidéu, onde foi reconhecida pelos navios da Esquadra Esquadra argentina no seu ancoradouro e tentando impedir o
brasileira, mesmo arvorando a bandeira francesa. abastecimento por mar da capital argentina.
Saiu em sua perseguição a Fragata Niterói, comandada A 3ª Divisão, composta de pequenos navios adequados à
pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra James Norton, ambos, navio e navegação fluvial, defenderia a Colônia do Sacramento e
comandante, veteranos da Guerra de Independência e recém- patrulharia os Rios Uruguai, Negro e Paraná, que formavam a
chegados para reforçar a Força Naval brasileira no Rio da fronteira natural entre as Províncias Unidas do Rio da Prata e
Prata. Acompanharam o encalço à capitânia argentina quatro a Província Cisplatina, impedindo que as forças de Lavalleja e
outros pequenos navios, mas o combate se concentrou nos o Exército argentino fossem supridos desde o território
navios de maior porte, com a Fragata Niterói trocando argentino.
disparos com a Fragata 25 de Mayo e com um dos brigues que A 4ª Divisão era formada por navios em reparo, e foi
a acompanhava. Com o cair da noite, os navios argentinos, com mantida em Montevidéu, para atuar como uma força de
graves avarias, retiraram-se para Buenos Aires, dando por reserva. A reorganização das forças navais brasileiras mostrou
encerrado o embate que ficou conhecido como o Combate de sua eficiência na contenção dos movimentos da Esquadra
Montevidéu. adversária.
Após o fracasso da tentativa de capturar navios ao largo do Em 15 de maio de 1826, as três linhas de bloqueio
porto de Montevidéu, William Brown planejou outra ação para determinadas pelo novo comandante da Força Naval brasileira
reforçar sua esquadra com navios brasileiros capturados. no Rio da Prata já se achavam em posição. Em 23 de maio, a
Tencionava abordar e capturar a Fragata Niterói, o mesmo Esquadra argentina decidiu testar a resistência da Força Naval
navio que frustrou sua incursão anterior. Na noite de 27 de brasileira responsável pelo bloqueio de Buenos Aires, a 2ª
abril, sete navios argentinos rumaram para próximo de Divisão da Esquadra Imperial, chefiada pelo Capitão-de-Mar-
Montevidéu, onde os navios brasileiros se reuniam, e tentaram e-Guerra James Norton. Os navios brasileiros engajaram-se no
identificar seu alvo. Enganados pela escuridão, investiram Combate das Balizas Exteriores, mesmo com o risco de
contra a Fragata Imperatriz que, tendo percebido a encalharem nos bancos de areia em torno de Buenos Aires.
aproximação do inimigo, se preparara para o combate. Os Os navios argentinos perceberam a resolução da força
navios argentinos 25 de Mayo e Independência tentaram a bloqueadora e voltaram ao seu ancoradouro, em Los Pozos.
abordagem, mas foram repelidos pela tripulação da Dois dias depois, o navio capitânia da 2ª Divisão, a Fragata
Imperatriz. O comandante do navio brasileiro, Capitão-de- Niterói, navegando sozinha, atraiu a Esquadra argentina para
Fragata Luís Barroso Pereira, liderou seus homens na o combate, mas, novamente, a troca de tiros não causou danos
disputada luta até tombar morto no convés, atingido por significativos a nenhum dos lados.
disparos do inimigo. Foi uma das duas vítimas fatais da Mesmo a nova estratégia de bloqueio, mais agressiva, não
Imperatriz no combate. se mostrava eficiente na destruição dos navios argentinos, que
A 3 de maio de 1826, a Esquadra comandada por Brown foi se mantinham protegidos no ancoradouro de Los Pozos.
avistada pelos navios brasileiros quando tentava escapar do No começo de junho de 1826, buscando um engajamento
bloqueio naval ao seu porto. Os navios argentinos tentaram decisivo, o Almirante Rodrigo Pinto Guedes planejou atacar a
alcançar o Banco de Ortiz na esperança de atrair os Esquadra inimiga dentro de Los Pozos. Para isso, a 2ª Divisão
perseguidores, que, com navios de maior porte, encalhariam foi reunida à 3ª Divisão da Esquadra Imperial, composta por
naquele banco de areia, tornando-se alvos imóveis para seus navios menores que poderiam transpor os bancos de areia que
canhões. protegiam o ancoradouro de Buenos Aires.
Contudo, no combate que ficou conhecido como o do Banco Em 7 de junho, antes que as duas forças brasileiras se
de Ortiz, foi justamente a Fragata argentina 25 de Mayo a reunissem, cinco navios de transporte argentinos, escoltados
primeira a ficar encalhada, logo seguida pela nossa Fragata por navios de guerra, largaram de Buenos Aires com soldados
Niterói. Os dois navios imobilizados empenharam-se em um e suprimentos para apoiar as tropas argentinas que lutavam
duelo de artilharia. A Niterói conseguiu livrar-se do encalhe e junto aos cisplatinos. Ao mesmo tempo, o resto da Esquadra
em seguida a 25 de Mayo também escapou do Banco de Ortiz e argentina, comandada por Brown, fez vela para atrair a
se reuniu ao restante da Esquadra argentina. atenção da força brasileira. Nem a 2ª Divisão, junto a Buenos
O Combate do Banco de Ortiz acabou sem grandes perdas Aires, nem a 3ª, ainda em águas da Colônia de Sacramento,
para ambos os adversários, mas mostrou o perigo que os alcançaram os navios de transporte argentinos.
bancos de areia do Estuário do Rio da Prata representavam Em 11 daquele mês, as 2ª e 3ª Divisões, comandadas por
para as Esquadras em luta. Norton, executaram o plano de ataque e investiram contra a
Em 13 de maio de 1826, o Almirante Rodrigo Pinto Guedes, Esquadra argentina em Los Pozos. Novamente, os bancos de
o Barão do Rio da Prata, substituiu o Almirante Rodrigo Lobo, areia protegeram os navios argentinos. O comandante da
que tinha se mostrado pouco capaz no comando da Força Força Naval brasileira, Norton, desistiu do ataque que seria
Naval do Império do Brasil em operações de guerra no Rio da infrutífero. Apesar dos insucessos da ação planejada, a Escuna
Prata. A primeira medida tomada pelo Almirante Pinto Guedes Isabel Maria, apresada pelos argentinos, foi recuperada.
foi estabelecer uma nova disposição das forças navais que Considerando o fracasso do último ataque brasileiro à
reforçasse o bloqueio naval. Dividiu suas forças em quatro Esquadra argentina como sua vitória, Brown preparou uma
divisões, sob o comando de oficiais capazes e experientes, nova investida à 2ª Divisão, determinado a livrar Buenos Aires
devendo em todas as oportunidades engajar o inimigo, do bloqueio naval. Protegidos pela noite, em 29 de julho de
obrigando-o a aceitar a luta. 1826, 17 navios da Esquadra argentina tentaram surpreender
A 1ª Divisão, reunindo os maiores e mais poderosos navios os navios sob o comando do Capitão-de-Mar-e-Guerra James
que estavam no Rio da Prata, formaria a linha exterior do Norton. Porém, alertados por uma escuna que fazia a
bloqueio, impedindo que navios entrassem no Rio da Prata vigilância, os brasileiros responderam ao ataque. O combate
para abastecer a Argentina e seu Exército lutando na tornou-se confuso; a mesma noite que escondia os atacantes,
Cisplatina e tentando capturar os corsários que transitassem prejudicava a precisão dos disparos e a identificação do
pela região. inimigo. A possibilidade de atingir navios amigos determinou
A 2ª Divisão, constituída de navios mais leves, que ambos os lados suspendessem a luta.
manobreiros e numerosos, operaria no interior do estuário, Ao alvorecer, o combate recomeçou. O Comandante da
efetuando um rigoroso bloqueio naval entre a Colônia de Esquadra argentina Brown conduziu seu navio capitânia, a
Sacramento, Buenos Aires e a Enseada de Barregã, isolando a Fragata 25 de Mayo, na direção dos navios brasileiros, mas só
foi acompanhado pela Escuna Rio de La Plata. Os dois navios
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APOSTILAS OPÇÃO
argentinos receberam todo o peso dos disparos dos canhões Quilmes, cedia seus navios para campanhas de corso na costa
brasileiros e ficaram completamente inutilizados. O chefe das brasileira. E foi com esse propósito que os quatro principais
forças argentinas foi obrigado a transferir-se sob fogo para um navios argentinos tentaram romper o bloqueio brasileiro na
navio argentino que ousou aproximar-se. O restante da noite de 6 de abril de 1827.
Esquadra argentina retirou-se para a segurança de seu A Força Naval argentina, composta pelos Brigues
ancoradouro. O Combate de Lara-Quilmes foi a última tentativa República, Congresso e Independência, e pela Escuna Sarandi,
da Esquadra argentina de destruir os navios da 2ª Divisão da comandada pelo próprio comandante da Esquadra argentina,
Esquadra Imperial e desmantelar o bloqueio naval brasileiro William Brown, foi interceptada pelos navios da 2ª Divisão
em torno de Buenos Aires. quando tentava contornar o bloqueio naval brasileiro.
Depois dessa expressiva vitória das forças navais Neste último grande encontro entre as forças adversárias,
brasileiras, no começo do ano de 1827, a 3ª Divisão, composta conhecido como Combate de Monte Santiago, a 2ª Divisão
pelos menores navios da Esquadra brasileira, comandada pelo brasileira, reforçada pelos navios das outras duas divisões
Capitão-de-Fragata Jacinto Roque Sena Pereira, foi derrotada bloqueadoras, fustigou os navios argentinos com os seus
no Combate de Juncal. canhões, que, encurralados entre a força brasileira e os bancos
No final do ano anterior a 3ª Divisão recebeu ordens de de areia, foram sendo destroçados. Os Brigues República e
subir o Rio Uruguai para auxiliar as operações do Exército Independência foram abordados e capturados pelos
Imperial Brasileiro na Cisplatina. Sabendo daquela brasileiros. O Brigue Congresso e a Escuna Sarandi, navios
movimentação, o comandante da Esquadra argentina reuniu menores e mais leves, conseguiram passar pelos bancos de
uma força composta de 16 navios adaptados à navegação areia e refugiaram-se em Buenos Aires, ainda assim bastante
fluvial para destruir a 3ª Divisão brasileira e permitir o livre atingidos pelos canhões brasileiros e com muitos mortos e
trânsito de reforços vindos das Províncias Unidas para os seus feridos a bordo.
exércitos na Cisplatina. Foi o golpe final contra a Esquadra argentina e a
Em 29 de dezembro de 1826, a Força Naval argentina demonstração de que o bloqueio naval organizado pelo
atacou a 3ª Divisão, fundeada na foz do Rio Iaguari, mas foi Almirante Rodrigo Pinto Guedes foi efetivo no combate ao
repelida pelo intenso fogo da artilharia dos pequenos navios inimigo. As grandes perdas argentinas no Combate de Monte
de Sena Pereira e recuou, descendo o Rio Uruguai. Embora Santiago, em abril de 1827, ratificaram a opção pela guerra de
tivesse repelido o ataque argentino, a 3ª Divisão brasileira se corso. Durante todo o conflito, as Províncias Unidas armaram
viu presa dentro do Rio Uruguai, uma vez que os navios corsários. Alguns corsários eram armados no porto de Buenos
inimigos postaram-se na foz daquele rio. Aires e conseguiam romper o bloqueio naval brasileiro; outros
Foi organizada uma Força Naval com unidades da 2ª vinham das bases de corsários de Carmen de Patagones e San
Divisão para combater os argentinos que bloqueavam a 3ª Blas, em território das Províncias Unidas do Rio da Prata, e
Divisão no interior do Rio Uruguai, chamada de Divisão havia mesmo os que, recebendo as patentes de corso do
Auxiliadora. Apesar da urgência no socorro, a progressão governo de Buenos Aires em portos do exterior, daí largavam
desta Força Naval foi lenta e difícil, devido ao grande número para acossar os navios mercantes nas costas brasileiras.
de bancos de areia que tornavam aquelas águas pouco A guerra de corso empreendida contra o nosso comércio
profundas e inadequadas para navios de maior porte, como os marítimo (à época, como hoje, essencial para economia
que compunham a 2ª Divisão brasileira. nacional) foi mais efetiva contra o esforço de guerra brasileiro
A Corveta Maceió, a capitânia e o maior navio da divisão, do que a Esquadra argentina. A operação ofensiva que a
ficou isolada dos outros navios brasileiros perto de um banco Marinha Imperial brasileira realizou com o bloqueio naval no
de areia conhecido como Playa Honda. A Maceió era o alvo Prata coexistiu com a ação defensiva na vigilância das extensas
perfeito para as forças argentinas, sempre em busca de navios águas territoriais brasileiras, defendendo nosso comércio
para reforçar sua já diminuída Esquadra. Cinco navios marítimo dos corsários.
inimigos aproximaram-se da corveta, que estava Exemplos da ação da Marinha Imperial no combate aos
acompanhada apenas da Escuna Dois de Dezembro, e corsários foram as duas incursões da Esquadra sediada no Rio
tentaram a abordagem. A tripulação da Maceió repeliu o da Prata às bases corsárias de Carmen de Patagones e San Blas,
inimigo com o fogo de seus 20 canhões. Por fim, os navios na região da Patagônia. Ambas ocorreram em 1827 e
argentinos recuaram, mas a missão da Divisão Auxiliadora pretendiam destruir esses verdadeiros ninhos de corsários e
ainda não terminara. Os navios brasileiros da 3ª Divisão recapturar alguns dos navios mercantes que estes tinham
permaneciam presos no Rio Uruguai. tomado.
No início de fevereiro de 1827, a 3ª Divisão desceu o Rio Contudo, as condições hidrográficas da costa argentina da
Uruguai para combater a Força Naval argentina que o Patagônia, completamente desconhecida dos brasileiros, e,
bloqueava. Com ajuda da Divisão Auxiliadora, planejou-se especialmente na incursão a Carmen de Patagones, a falta de
colocar o inimigo entre os canhões das duas divisões informação sobre as defesas a serem enfrentadas
brasileiras. determinaram o fracasso das duas expedições.
Em 8 de fevereiro, começava o Combate de Juncal, nome Entretanto, o combate aos corsários foi mais efetivo no
tomado da Ilha fluvial de Juncal, segmento do Rio Uruguai onde bloqueio naval empreendido a outra de suas “bases”, a
os navios da 3ª Divisão foram derrotados pela Força Naval localizada no Rio Salado. Outros corsários também foram
argentina, pois não receberam o esperado apoio da Divisão batidos no mar pela Marinha Imperial, como o Brigue Niger,
Auxiliadora, que permaneceu longe do local da batalha. capturado em março de 1828, e o Brigue General Brandsen,
O bloqueio naval mais rigoroso realizado desde maio de destruído por navios brasileiros após longa campanha de
1826 pela 2ª Divisão da Esquadra Imperial mantinha a maior corso.
parte do tempo a Esquadra argentina confinada em seu A indefinição da campanha terrestre e o esgotamento
ancoradouro. Porém, a Esquadra brasileira não conseguia uma econômico e militar de ambos os contendores levaram o Brasil
vitória definitiva frente ao inimigo, não evitando pequenas a aceitar a mediação da Grã-Bretanha para o fim da guerra. A
incursões que, algumas vezes, mostravam-se desastrosas, Convenção Preliminar de Paz foi assinada entre o Império do
como o combate fluvial em Juncal. Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata em 27 de agosto
Já nesse período da guerra no mar, o governo de Buenos de 1828. O acordo estipulava que ambos os lados
Aires concentrava seu esforço na guerra de corso, que afetava renunciariam a suas pretensões sobre a Banda Oriental, que se
o comércio marítimo do Império brasileiro. Mesmo a Esquadra tornaria um país independente: a República Oriental do
argentina, já muito debilitada depois do Combate de Lara- Uruguai.
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APOSTILAS OPÇÃO
O término da Guerra Cisplatina não seria o fim dos uruguaia para território argentino, no Rio da Prata e Rio
conflitos na região. A Marinha Imperial brasileira Paraná, constituiu fator essencial para o sucesso das ações
permaneceria guarnecendo a segurança do Império do Brasil militares desenvolvidas pelos aliados contra Rosas e Oribe.
no Rio da Prata.
A Atuação da Marinha na Guerra da Tríplice
Guerra contra Oribe e Rosas
Terminada a revolta que sublevou as Províncias do Rio Aliança contra o Governo do Paraguai
Grande e de Santa Catarina, o Império brasileiro pôde retomar A livre navegação nos rios e os limites entre o Brasil e o
a vigilância na fronteira sul e ater-se ao conflito que crescia na norte do Paraguai eram motivos de discordância entre os dois
área do Rio da Prata. Mesmo com o fim da Guerra Cisplatina e países. Não se chegou a um acordo satisfatório até a conclusão
a independência da República Oriental do Uruguai, as da Guerra da Tríplice Aliança. Para os brasileiros, era muito
lideranças políticas argentinas continuavam com a pretensão importante acessar, sem empecilhos, a Província de Mato
de restituir o mando de Buenos Aires sobre o território do Grosso, navegando pelo Rio Paraguai. Sabendo disso, os
Vice-Reinado do Prata. paraguaios mantinham a questão dos limites, que
O projeto de anexação do Uruguai ao território argentino reivindicavam associada à da livre navegação.
encontrou em Juan Manuel de Rosas liderança máxima da O litígio existia, principalmente em relação a um território
Confederação Argentina desde 1835 e em Manuel Oribe, líder situado à margem esquerda do Rio Paraguai, entre os Rios Apa
do partido de oposição ao governo uruguaio (o Partido e Branco, ocupado por brasileiros. Apesar dessas questões, o
Blanco), seus executores. entendimento entre o Brasil e o Paraguai era cordial,
O Império brasileiro, que se opunha frontalmente à excetuando-se algumas crises que não chegaram a ter maiores
anexação, apoiava o governo constituído do Uruguai, exercido consequências. Interessava principalmente ao Império que o
pelo Partido Colorado. A situação política no Uruguai Paraguai se mantivesse fora da Confederação Argentina, que
aproximava-se a de uma guerra civil, com tropas partidárias muitas dificuldades lhe vinham causando, com sua
de Oribe e apoiadas por Rosas cercando a capital, Montevidéu. permanente instabilidade política.
Em 1851, o Governo brasileiro procedeu uma aliança com Com a morte de Carlos López, ascendeu ao governo do
o governo uruguaio e com um oposicionista de Rosas, o Paraguai seu filho, Francisco Solano López, que ampliou a
governador da Província argentina de Entre Rios, Justo José de política externa do País, inclusive estabelecendo laços de
Urquiza, para defender o Uruguai do ataque das forças de amizade com o General Justo José de Urquiza, que liderava a
Rosas e Oribe. Província argentina de Entre Rios, e com o Partido Blanco
A ação da Marinha novamente seria realizada em estreita uruguaio, alianças que sem dúvida favoreciam o acesso do
colaboração com o Exército Imperial. O comando da Força Paraguai ao mar.
Naval foi entregue ao Chefe-de-Esquadra John Pascoe Grenfell, Com a invasão do Uruguai por tropas brasileiras, na
veterano das lutas na Independência e na Cisplatina. intervenção realizada em 1864, contra o governo do
Somente com a intervenção da força terrestre, as tropas Presidente uruguaio Manuel Aguirre, do Partido Blanco,
que cercavam Montevidéu capitularam e Manuel Oribe foi Solano López considerou que seu próprio país fora agredido e
derrotado. A Esquadra brasileira, disposta ao longo do Rio da declarou guerra ao Brasil. Aliás, ele havia enviado um ultimato
Prata, impediu que as tropas vencidas pudessem evacuar para ao Brasil, que fora ignorado. Como foi negada pelos portenhos
a margem direita, o lado argentino. permissão para que seu exército atravessasse território
Tendo pacificado o Uruguai, a força brasileira e seus argentino para atacar o Rio Grande do Sul, invadiu a Província
aliados platinos voltaram-se contra Rosas, que mantinha-se de Corrientes, envolvendo a Argentina no conflito.
como uma ameaça à estabilidade da região. Nessa nova ação O Paraguai estava se mobilizando para uma possível
militar coube à Marinha a tarefa de transportar as tropas guerra desde o início de 1864. López se julgava mais forte – o
aliadas pelo Rio Paraná até a localidade de Diamante, para ali que provavelmente era verdadeiro, no final de 1864 e início de
desembarcá-las. 1865 – e acreditava que teria o apoio dos blancos uruguaios e
A Força Naval brasileira, composta por quatro navios com do argentino Urquiza. Tal não ocorreu. Ele superestimou o
propulsão a vapor e três navios a vela, tinha como obstáculo o poderio econômico e militar do Paraguai e subestimou o
Passo de Tonelero, nas proximidades da Barranca de Acevedo, potencial do Poder Militar brasileiro e a disposição para a luta
onde o inimigo instalara uma fortificação guarnecida por 16 do Brasil.
peças de artilharia e 2.800 homens. Devido à pouca largura do Os seguintes atos de hostilidade do Paraguai levaram à
rio naquele trecho, os navios brasileiros seriam obrigados a assinatura do Tratado da Tríplice Aliança contra o Governo do
passar a menos de 400 metros daquela fortificação, recebendo Paraguai, pelo Brasil, Argentina e Uruguai, em 1º de maio de
o peso da artilharia inimiga. A solução encontrada pelo Chefe- 1865, sendo:
de-Esquadra Grenfell foi o emprego conjunto dos navios a vela - O apresamento do Vapor brasileiro Marquês de Olinda,
e a vapor na operação de transposição daquele obstáculo. que viajava para Mato Grosso transportando o novo
Os navios a vela, mais artilhados (pois tinham artilharia presidente dessa província, em 12 de novembro de 1864, em
postada por todo seu costado, substituída nos navios a vapor Assunção;
pelas rodas laterais), foram rebocados pelos navios a vapor, - A invasão do Sul de Mato Grosso por tropas paraguaias,
mais rápidos e ágeis nas manobras. em 28 de dezembro de 1864; e
Tonelero foi vencida em 17 de dezembro de 1851, com as - A invasão de território da Argentina por tropas
tropas desembarcando em Diamante com sucesso. paraguaias, em 13 de abril de 1865, ocupando a Cidade de
Naquela localidade, os navios a vapor auxiliaram também Corrientes e apresando os vapores argentinos Gualeguay e 25
na transposição do rio pelas tropas oriundas das províncias de Mayo.
argentinas aliadas que tinham marchado até aquela posição.
O Exército de Buenos Aires foi derrotado pelas tropas A aliança com os argentinos era, na opinião de um dos
brasileiras e de seus aliados platinos, em fevereiro de 1852. A observadores estrangeiros, uma “aliança de cão e gato”. Havia
Passagem de Tonelero representou a única operação ofensiva muitas desavenças recentes e ao Brasil não interessava
realizada pela Marinha Imperial naquele conflito. subordinar sua Força Naval a um comandante argentino. A
Contudo, o emprego da Força Naval no transporte de Argentina possuía, durante essa guerra, apenas uma pequena
tropas para a área do conflito e, notadamente depois de Marinha e o esforço naval foi quase totalmente da Marinha do
Tonelero, na transposição das tropas aliadas da margem Brasil.
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O Império não queria criar uma situação em que um destruí-la e isto levou Solano López a planejar a ação que
estrangeiro pudesse decidir o destino de seu Poder Naval. levaria à Batalha Naval do Riachuelo.
Poder que sempre desempenhara um papel importante, de Os preparativos para o ataque aos navios brasileiros foram
diferenciador nos conflitos da região do Rio da Prata. realizados sob a orientação direta do próprio López. O plano
Isto significava, também, que no início da guerra, as consistia em surpreender os navios brasileiros fundeados,
operações envolvendo forças navais e terrestres seriam abordá-los e, após a vitória, rebocá-los para Humaitá. Por isso,
operações conjuntas, sem unidade de comando. os navios paraguaios estavam superlotados com tropas.
No início da Guerra da Tríplice Aliança, a Marinha do Brasil Tirando o máximo proveito do terreno ao longo do Rio
dispunha de 45 navios armados. Destes, 33 eram navios de Paraná, ele mandou, também, assentar canhões nas barrancas
propulsão mista, a vela e a vapor, e 12 dependiam da Ponta de Santa Catalina, que fica imediatamente antes da
exclusivamente do vento. A propulsão a vapor, no entanto, era foz do Riachuelo, e reforçar com tropas de infantaria o Rincão
essencial para operar nos rios. Todos tinham casco de de Lagraña, que lhe fica rio abaixo.
madeira. Muitos deles já estavam armados com canhões Da extremidade Sul do Rincão de Lagraña, que tem uma
raiados de carregamento pela culatra. barranca mais elevada, os paraguaios podiam atirar, de cima,
Os navios brasileiros, no entanto, mesmo os de propulsão sobre os conveses dos navios brasileiros que escapassem,
mista, eram adequados para operar no mar e não nas descendo o Paraná. O local era perfeito para uma armadilha,
condições de águas restritas e pouco profundas que o teatro de pois o canal navegável era estreito e tortuoso, com risco de
operações nos Rios Paraná e Paraguai exigia; a possibilidade encalhe em bancos submersos, o que forçava as embarcações
de encalhar era um perigo sempre presente. Além disso, esses a passarem próximo à margem esquerda.
navios, com casco de madeira, eram muito vulneráveis à Na noite de 10 para 11 de junho de 1865, a Força Naval
artilharia de terra, posicionada nas margens. brasileira comandada por Barroso, constituída pela Fragata
Todos os navios da Esquadra paraguaia, exceto um, eram Amazonas e pelos Vapores Jequitinhonha, Belmonte, Beberibe,
navios de madeira, mistos, a vela e a vapor, com propulsão por Parnaíba, Mearim, Araguari, Iguatemi e Ipiranga, estava
rodas de pás. Embora todos eles fossem adequados para fundeada ao sul da Cidade de Corrientes, próximo à margem
navegar nos rios, somente o Taquary era um verdadeiro navio direita, em um trecho largo do rio. De lá avistaram, pouco
de guerra; os outros, apesar de convertidos, não foram depois das oito horas da manhã, a força paraguaia comandada
projetados para tal. pelo Capitão-de-Fragata Pedro Inácio Mezza, com os navios:
Os paraguaios desenvolveram a chata com canhão como Tacuary, Paraguary, Igurey, Ipora, Jejuy, Salto Oriental,
arma de guerra. Era um barco de fundo chato, sem propulsão, Marquês de Olinda e Pirabebe; rebocando seis chatas
com canhão de seis polegadas de calibre, que era rebocado até artilhadas.
o local de utilização, onde ficava fundeado. Transportava Mezza se atrasara devido a problemas na propulsão de um
apenas a guarnição do canhão e sua borda ficava próximo da de seus navios, o Ibera, que acabou sendo deixado para trás. As
água, deixando à vista um reduzidíssimo alvo. Via-se somente chatas que rebocava tinham uma pequena borda-livre,
a boca do canhão acima da superfície da água. fazendo água quando os navios aumentavam a velocidade
procurando recuperar o tempo perdido.
O bloqueio do Rio Paraná e a Batalha Naval do Ele decidiu não largar as chatas, pois sua presença na
Riachuelo batalha era uma determinação de López, e, chegando tarde,
O Paraguai enviou duas colunas de tropas invasoras, uma desistiu de iniciar o combate com a abordagem. Julgava que
destinada ao Rio Grande do Sul e outra para o sul, em território não havia surpreendido os brasileiros e é acusado de ter,
argentino, acompanhando o Rio Paraná. assim, perdido sua melhor chance de vitória. A surpresa, na
Foi designado comandante das Forças Navais Brasileiras realidade, foi maior até do que se poderia supor. Era uma
em Operação o Almirante Joaquim Marques Lisboa, Visconde manhã de domingo, parte das guarnições estava em terra para
de Tamandaré. A estratégia naval adotada foi a de negar o trazer lenha, com o propósito de poupar carvão. É sempre
acesso ao território paraguaio através do bloqueio. difícil manter um estado prolongado de alerta quando as
Tamandaré, logo no início, tratou também de organizar a difícil ameaças não se fazem frequentemente sensíveis.
logística que o teatro de operações exigia. Os rios eram as Alertada, a Força Naval brasileira se preparou para o
principais vias de comunicação da região, e navios e iminente combate, as tripulações assumindo seus postos,
embarcações teriam que transportar os suprimentos para as despertando o fogo das fornalhas das caldeiras com carvão e
tropas, o carvão para servir como combustível dos próprios largando as amarras. Às 9h25min, dispararam-se os primeiros
navios e, muitas vezes, soldados, cavalos e armamento. tiros de artilharia. Passou, logo em seguida, a força paraguaia,
Com o avanço das tropas paraguaias ao longo do Rio em coluna, pelo través da brasileira, ainda imobilizada, indo,
Paraná, ocupando a Província de Corrientes, Tamandaré logo depois, rio abaixo, para as proximidades da margem
resolveu designar seu chefe de estado-maior, o Chefe de esquerda, logo após o local onde estavam as baterias de terra.
Divisão Francisco Manoel Barroso da Silva, para assumir o Fechou-se, assim, a armadilha em uma extensão de uns seis
comando da Força Naval brasileira, que subira o rio para quilômetros, ao longo de um trecho do Paraná, junto à foz do
efetivar o bloqueio do Paraguai. Ele queria mais ação. Barroso Riachuelo.
partiu em 28 de abril de 1865, na Fragata Amazonas, e assumiu Pouco tempo depois, a coluna brasileira, com o Belmonte à
o cargo em Bela Vista. Sua primeira missão foi um ataque à frente, seguido pelo Jequitinhonha e por outros navios, avistou
Cidade de Corrientes, então ocupada pelos paraguaios. O as barrancas na Ponta Santa Catalina. Somente mais adiante,
desembarque das tropas aliadas em Corrientes ocorreu com já com as barrancas pelo través, era possível ter a visão
bom êxito no dia 25 de maio. completa da curva do Rincão de Lagraña, rio abaixo da foz do
Não era, sabidamente, possível manter a posse dessa Riachuelo, onde estavam parados os navios e as chatas da força
cidade na retaguarda das tropas invasoras, principalmente paraguaia. A vegetação impedia que se soubesse que as
naquele momento da luta, em que os paraguaios mantinham barrancas de Santa Catalina estavam artilhadas.
uma ofensiva vitoriosa, e foi preciso, logo depois, evacuá-la. Barroso resolveu deter a Amazonas, reservando-a para
Mas, o ataque deteve o avanço paraguaio para o Sul. Ficou interceptar uma possível fuga dos paraguaios rio acima.
evidente que a presença da Força Naval brasileira deixava o Alguns navios brasileiros não entenderam a manobra e
flanco direito dos invasores, que se apoiava no Rio Paraná, ficaram indecisos. Como consequência, o Jequitinhonha
sempre muito vulnerável. Para os paraguaios, era necessário encalhou num banco, sob as baterias de terra, e o Belmonte, à
frente, prosseguiu sozinho, recebendo o fogo concentrado da
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artilharia do inimigo e tendo que encalhar, propositadamente, calado inapropriado para navegar em rios, de casco de
após completar a passagem para não afundar, devido às madeira, sem couraça, como os da Força Naval brasileira que
avarias sofridas em combate. combatera em Riachuelo, não teriam bom êxito. Era evidente
Para reorganizar sua força naval, Barroso avançou com a que o Brasil necessitava de navios encouraçados para o
Amazonas, assumiu a liderança dos navios que estavam a ré do prosseguimento das ações de guerra. Os obstáculos e
Belmonte e, seguido por eles, completou a passagem sob o fogo fortificações de Humaitá eram uma séria ameaça, mesmo para
dos canhões paraguaios e da fuzilaria de terra. Afastou-se, estes navios.
depois, descendo o Rio Paraná com apenas seis dos seus nove
navios, porque o Parnaíba, com o leme avariado, também não Navios Encouraçados e a invasão do Paraguai
conseguira passar. Completou-se assim, às 12h10min, a Os navios encouraçados começaram a chegar à frente de
primeira fase da batalha. combate em dezembro de 1865. O Encouraçado Brasil,
Então, Barroso mostrou toda a sua coragem, decidindo encomendado após a Questão Christie39 na França, foi o
regressar para o interior da armadilha de Riachuelo. Foi primeiro que chegou a Corrientes em dezembro de 1865.
necessário descer o rio até um lugar onde o canal permitia No Arsenal de Marinha da Corte, no Rio de Janeiro, iniciara-
fazer a volta com os navios e, cerca de uma hora depois, ele se a construção de outros navios encouraçados, especificados
estava novamente em frente à ponta sul do Rincão de Lagraña. para lutar naquele teatro de operações fluviais. O projeto e a
Até aquele instante, o resultado era altamente construção estavam a cargo de brasileiros, como os
insatisfatório para o Brasil. O Belmonte fora de ação, o engenheiros Napoleão Level e Carlos Braconnot. Destacou-se,
Jequitinhonha encalhado, para sempre, e o Parnaíba sendo também, o Capitão de Fragata Henrique Antônio Baptista,
abordado e dominado pelo inimigo, apesar de resistência especialista em armamento, que também chefiara o
heroica de brasileiros, como o Guarda Marinha Guilherme recebimento e trouxera o Encouraçado Brasil da França.
Greenhalgh e o Marinheiro Marcílio Dias, que lutaram até a Durante a guerra, foram incorporados à Armada
morte. brasileira 17 navios encouraçados, incluindo alguns
Tirando, porém, vantagem do porte da Amazonas e classificados como monitores, que obedeciam a características
contando com a perícia do prático argentino que tinha a bordo, de projeto inovadoras, desenvolvidas poucos anos antes na
Barroso usou seu navio para abalroar os paraguaios e vencer Guerra Civil Americana.
a batalha. Foi um improviso, seu navio não tinha a proa Em 21 de fevereiro de 1866, Tamandaré chegou a
propositadamente reforçada para ser empregada como aríete. Corrientes e assumiu o comando da Força Naval, mantendo
Quatro navios paraguaios conseguiram fugir e, com a Barroso como seu chefe de estado-maior. Em 17 de março, os
aproximação da noite, os navios brasileiros que os perseguiam navios suspenderam para iniciar as operações rio acima.
regressaram, para evitar encalhes em território inimigo. Quatro dos encouraçados já estavam disponíveis nessa força.
Antes do pôr-do-sol de 11 de junho, a vitória era brasileira. Um deles tinha o nome de Barroso, e outro o de Tamandaré.
Foi uma batalha naval, em alguns aspectos, decisiva. Era uma grande homenagem, em vida, aos dois ilustres chefes.
A Esquadra paraguaia foi praticamente aniquilada, e não A ofensiva aliada para a invasão do Paraguai necessitava
teria mais participação relevante no conflito. Estava garantido de apoio naval. Passo da Pátria foi uma operação conjunta de
o bloqueio que impediria que o Paraguai recebesse forças navais e terrestres. Coube, inicialmente, à Marinha fazer
armamentos e, até mesmo, os navios encouraçados os levantamentos hidrográficos, combater as chatas
encomendados no exterior. Comprometeu, também, a situação paraguaias e bombardear o Forte de Itapiru e o acampamento
das tropas invasoras e, pouco tempo depois, a guerra passou inimigo. Em março de 1866, já estavam disponíveis nove
para o território paraguaio. navios encouraçados, inclusive três construídos no Brasil:
A cidade de Corrientes continuava ocupada pelo inimigo e Tamandaré, Barroso e Rio de Janeiro. A reação da artilharia
a Força Naval brasileira, que mostrara sua presença, fundeada paraguaia ceifou vidas preciosas, como a do Tenente Mariz e
próxima a ela, precisou iniciar, alguns dias após o 11 de junho, Barros, comandante do Tamandaré.
a descida do rio, que estava baixando. Houve, depois, perfeita cooperação entre as forças, na
Os paraguaios haviam retirado suas baterias, que estavam grande operação de desembarque que ocorreu em 16 de abril
na Ponta de Santa Catalina, e as instalaram, primeiro em de 1866. Enquanto parte da Força Naval bombardeava a
Mercedes, depois em Cuevas, criando dificuldades para o margem direita do Rio Paraná, de modo a atrair a atenção do
abastecimento dos navios brasileiros, que era realizado pelo inimigo, os transportes avançaram e entraram no Rio
rio. Sob todos esses aspectos, incluindo a diminuição do nível Paraguai.
do Rio Paraná, que aumentava o risco de encalhe, a posição da Os navios transportaram inicialmente cerca de 45 mil
Força Naval, avançada em território ainda ocupado por tropas homens, de um efetivo de 66 mil (38 mil brasileiros, 25 mil
do Paraguai, mostrava-se muito vulnerável. argentinos e 3 mil uruguaios), artilharia, cavalos e material. O
Barroso passou com seus navios por Mercedes e Cuevas, General Osório foi o primeiro a desembarcar em território
enfrentando a artilharia paraguaia, e somente regressou inimigo. Com a invasão, os paraguaios abandonaram Itapiru e
passados alguns meses, apoiando o avanço das tropas aliadas, a operação e após tentativas infrutíferas de derrotar o invasor
que progrediam aproveitando o recuo do inimigo. em Estero Bellaco e Tuiuti, concentraram suas defesas nas
Tudo levava à ilusão de que a Tríplice Aliança venceria a fortificações que barravam o caminho: Curuzu, Curipaiti e
guerra em pouco tempo, mas tal não ocorreu. O que parecia Humaitá.
fácil estagnou. O Paraguai era um país mobilizado para a
guerra que, aliás, foi ele que iniciou, achando que tinha Curuzu e Curipaiti
vantagens. Em 31 de agosto de 1866, as tropas comandadas pelo
Humaitá ainda era uma fortaleza inexpugnável enquanto General Manoel Marques de Souza, o Barão de Porto Alegre,
não estivessem disponíveis os novos meios navais que desembarcaram na margem esquerda para atacar Curuzu e, no
estavam em obtenção pelo Brasil: os navios encouraçados. dia seguinte, os navios começaram a bombardear a
Para avançar ao longo do Rio Paraguai, era necessário fortificação.
vencer diversas passagens fortificadas, destacando-se,
inicialmente, Curuzu, Curipaiti e Humaitá. Navios oceânicos de
do Brasil e o Reino Unido entre os anos de 1862 e 1865. As relações entre Brasil e
Inglaterra foram bastante conturbadas ao longo do século XIX.
Conhecimentos Específicos 35
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APOSTILAS OPÇÃO
Em 2 de setembro, o navio encouraçado Rio de Janeiro foi Em dezembro de 1867, os três primeiros monitores
atingido por duas minas flutuantes e afundou com perda de construídos no Arsenal de Marinha da Corte chegaram à frente
vidas humanas. de combate. Esses monitores, por suas características, seriam
Curuzu foi conquistada pelo Barão de Porto Alegre, importantes para o prosseguimento das operações.
apoiado pelo fogo naval, em 3 de setembro. Em 14 de janeiro de 1868, Mitre precisou reassumir a
O próximo ataque foi a Curipaiti. O Presidente argentino, presidência da Argentina e passou definitivamente o comando
General Bartolomeu Mitre, comandante das Forças da Tríplice em chefe dos Exércitos da Tríplice Aliança para Caxias.
Aliança, assumiu pessoalmente o comando da operação.
Apesar do intenso bombardeio naval, o ataque aliado, ocorrido Passagem de Humaitá
em 22 de setembro, levou à maior derrota da Tríplice Aliança Na madrugada de 19 de fevereiro de 1868, iniciou-se a
nessa guerra. Passagem de Humaitá.
Seguiram-se acusações e críticas, que causaram uma crise A Força Naval de Inhaúma intensificou o bombardeio e a
entre Mitre e Tamandaré. O preparo da operação, sem dúvida, Divisão Avançada, comandada pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra
fora insuficiente e as dificuldades do ataque incorretamente Delfim Carlos de Carvalho, depois Almirante e Barão da
avaliadas. Como Mitre permaneceria exercendo o comando Passagem, avançando rio acima. Essa divisão era formada por
geral dos Exércitos Aliados, o governo brasileiro aceitou o seis navios: os Encouraçados Barroso, Tamandaré e Bahia e os
pedido de afastamento feito anteriormente por Tamandaré. Monitores Rio Grande, Pará e Alagoas.
Ele e Barroso foram substituídos, não mais participando das Eles acometeram a passagem formando três pares
operações dessa guerra. compostos, cada um, por um encouraçado e um monitor
Caxias e Inhaúma eram amigos e sua amizade e confiança amarrado ao seu contra bordo. Após a passagem, três dos seis
mútua contribuíram para o excelente resultado das operações navios tiveram que ser encalhados, para não afundarem
combinadas. Ambos possuíam, também, uma boa experiência devido às avarias sofridas no percurso. O Alagoas foi atingido
política, o que ajudou no, às vezes, difícil relacionamento com por mais de 160 projéteis. Estava, no entanto, vencida
os aliados da Tríplice Aliança. Humaitá, que aos poucos seria desguarnecida pelos
paraguaios. Solano López decidiu que era necessário retirar-se
Caxias e Inhaúma com seu exército para uma nova posição defensiva, mais ao
O Marquês de Caxias, General Luís Alves de Lima e Silva, norte.
futuro Duque de Caxias e Patrono do Exército Brasileiro, foi
designado para o cargo de Comandante-em-Chefe das Forças Recuo das Forças Paraguaias
Brasileiras em Operações contra o Governo do Paraguai. O Na madrugada de 3 de março de 1868, López se retirou de
comando da Força Naval coube ao Chefe-de-Esquadra Joaquim Humaitá com cerca de 12 mil homens. Os aliados fecharam o
José Ignácio, futuro Visconde de Inhaúma, que assumiu seu cerco.
cargo, substituindo Tamandaré, em 22 de dezembro de 1866. Em 25 de julho, os últimos defensores abandonaram
Ele estava subordinado a Caxias, mas não a Mitre. Humaitá, que foi ocupada pelos aliados. Era preciso reforçar o
Caxias empregou com maestria a Força Naval de Inhaúma, cerco para evitar que eles se juntassem ao grosso do Exército
para apoiar sua ofensiva ao longo do Rio Paraguai, até a paraguaio. Para isso, os aliados criaram uma flotilha de
ocupação da cidade de Assunção; bombardeando fortificações; escaleres, lanchas e canoas para bloquear a passagem dos
fazendo reconhecimentos pelo rio; transportando tropas de fugitivos pela Lagoa Verá.
uma margem para a outra, para contornar o flanco inimigo; e Os combates que ali ocorreram, corpo-a-corpo, entre as
fazendo o apoio logístico necessário. tripulações de embarcações, constituíram um dos conjuntos
de episódios mais dramáticos da guerra. Participaram deles,
Passagem de Curipaiti com grande bravura, jovens oficiais brasileiros, como os
Há meses que a Força Naval bombardeava diariamente Tenentes Saldanha da Gama e Júlio de Noronha, entre outros.
Curipaiti, tentando diminuir seu poder de fogo e abalar o moral Ao final, renderam-se 1.300 paraguaios.
dos defensores.
Em 15 de agosto de 1867, já promovido a Vice-Almirante, Avanço Aliado e a Dezembrada
Joaquim Ignácio comandou a Passagem de Curipaiti, Superado o obstáculo de Humaitá, Caxias pôde avançar
enfrentando o fogo das baterias de terra e obstáculos no rio. para o norte. Era necessário que a Força Naval acompanhasse
Pelo feito, recebeu, logo depois, o título de Barão de Inhaúma. o movimento das forças terrestres aliadas e, no dia 16 de
Participaram da passagem dez navios encouraçados que, em agosto de 1868, Inhaúma começou a subir o Rio Paraguai. A
seguida, fundearam um pouco abaixo de Humaitá e partir de então, os navios participaram das operações
começaram a bombardeá-la. prestando o apoio determinado por Caxias.
A posição desses navios, porém, expunha-os aos tiros das Logo, Caxias alcançou Palmas e iniciou seus planos para
fortificações paraguaias e Inhaúma considerava que ainda não atacar a nova posição do inimigo, em Piquissiri. Ele próprio
era o momento de forçar Humaitá. Caxias apoiou esta decisão. efetuou vários reconhecimentos empregando os navios e
O apoio logístico a essa Força Naval operando entre decidiu por não realizar uma ação frontal. Para atacar os
Curipaiti e Humaitá era muito difícil e exigiu que os brasileiros paraguaios pela retaguarda, era preciso utilizar a margem
fizessem o caminho pela margem direita do Rio Paraguai, no direita, onde se situava o Chaco, um alagadiço quase
Chaco. Logo depois construiu-se uma pequena ferrovia nesse intransponível, exposto às inundações.
caminho, para transportar as provisões necessárias. A genial manobra do Piquissiri, que contornou a posição do
Para apoiar o material das forças em combate, construíra- inimigo, foi uma operação em que a Força Naval exerceu um
se um arsenal em Cerrito, próximo à confluência dos Rios papel relevante. Foi construída uma estrada pelos pântanos do
Paraguai e Paraná. Graças a ele, foi possível fazer essa estrada Chaco, ultrapassando diversos cursos d’água, para que as
de ferro. tropas, que cruzaram o rio nos navios, avançassem pela
Ultrapassar Humaitá com uma força naval e mantê-la rio margem direita até um ponto em que podiam embarcar
acima exigiria também uma base de suprimentos. Caxias, após novamente, para serem transportadas para a margem
reorganizar as forças terrestres brasileiras, iniciou, em julho esquerda, acima das posições inimigas. Em 4 de dezembro, a
de 1867, a marcha de flanco e ocupou Tayi, no Rio Paraguai, Força Naval apoiou o desembarque das tropas em Santo
acima de Humaitá, que serviria depois para apoiar os navios. Antônio, sobre a retaguarda paraguaia.
Conhecimentos Específicos 36
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APOSTILAS OPÇÃO
O ataque de Caxias para o Sul é conhecido como a conhecida como Constituição da Mandioca40 ela garantia os
Dezembrada. Ocorreu uma sucessão de combates terrestres, privilégios à quem tivesse a posse da terra e defendia a
dos quais se destacam Itororó, Avaí e Lomas Valentinas. Ao manutenção da escravidão.
final, as forças paraguaias estavam derrotadas e López fugiu. Acontece que essa Constituição, onde o legislativo
Não se rendendo, apesar de seu exército estar predominaria pelo executivo nem chegou a ser concluída. Em
praticamente aniquilado, ele conseguiu prolongar a guerra por 12 de novembro de 1823 D. Pedro I ordenou o fechamento da
mais de um ano, na região montanhosa do Norte de seu país, Assembleia (episódio conhecido como “Noite da Agonia”),
na chamada Campanha da Cordilheira, causando enormes convocou um Conselho de Estado e encomendou a nova
sacrifícios a todos os envolvidos, principalmente ao povo Constituição do país, onde seu poder estaria assegurado.
paraguaio. A nova Constituição dividia o Estado em quatro poderes:
executivo, legislativo, judiciário e moderador. O poder
Ocupação de Assunção e a Fase Final da Guerra moderador era exclusivo de D. Pedro I e estava acima de todos
Como não havia mais obstáculos até Assunção, ela foi os outros. Assim ele mantinha todas as características
ocupada pelos aliados e a Força Naval fundeou em frente à centralizadoras e absolutistas de uma monarquia e não via
cidade, em janeiro de 1869. precedentes de verdadeira oposição.
Em fevereiro, o Chefe-de-Esquadra Elisário Antônio dos
Santos assumiu o comando da Força Naval. Ficaram no A Confederação do Equador
Paraguai os navios de menor calado, mais úteis para atuar nos A tendência autoritária de D. Pedro I e a nova Constituição
afluentes. Uma Força Naval subiu o Rio Paraguai até território desagradaram em vários aspectos muitas províncias
brasileiro, em Mato Grosso. Houve um último combate no Rio brasileiras. O nordeste, já marginalizado nesse período e com
Manduvirá. Seguiu-se a Campanha da Cordilheira, em que a histórico de revoltas contra a coroa, novamente se
Marinha não mais confrontou o inimigo. movimentou. Com início em Pernambuco e com apoio popular,
Em 1870, o Paraguai estava derrotado e seu povo outras províncias se juntaram ao movimento (Rio Grande do
dizimado. Norte, Ceará e Paraíba).
A Guerra foi muito importante para a consolidação dos Apesar de iniciada por lideranças populares, entre eles
Estados Nacionais na região do Rio da Prata. Foi durante o Cipriano Barata e Frei Caneca, as elites regionais também
conflito que a unidade da Argentina se consolidou. Para o apoiaram o movimento. Do ponto de vista social foi o mais
Brasil, foi um grande desafio que mobilizou o País e uniu sua avançado do período com reformas sociais, mudança de
população. Foi lá que os brasileiros das diferentes regiões do direitos políticos e abolição da escravidão.
País se conheceram melhor, passando a se respeitar e a se Essas mesmas mudanças radicais levaram as elites
entender. regionais a abandonar o movimento, pois temiam perder seus
próprios privilégios.
O Primeiro Reinado (1822-1831) Sem o apoio da aristocracia local e com forte repressão do
governo, o levante foi contido com dezesseis membros sendo
De cara, alguns fatores chamaram a atenção a respeito da condenados à morte, entre eles, Frei Caneca.
independência do Brasil:
- éramos o único país na América que após a emancipação A Cisplatina
da metrópole continuamos a viver em um regime monárquico; A região da Cisplatina41 sempre foi alvo do interesse do
- a população não teve participação alguma no processo e governo português que desejava expandir suas fronteiras até
até mesmo províncias mais distantes só ficaram sabendo da o rio da Prata. Após a “bagunça” feita por Napoleão às Coroas
mudança meses depois; europeias, mais precisamente à Coroa espanhola que teve sua
- a aceitação não foi total e pacífica como era de se esperar. continuidade interrompida e retomada após a queda do
general francês, as colônias americanas viviam um período de
Algumas regiões, principalmente aquelas com instabilidade e descentralização. Todos os movimentos de
conservadores portugueses e acúmulo de tropas lusitanas não independência dessas colônias, apesar de bem sucedidos, as
apenas recusaram-se a aceitar a autoridade de D. Pedro I como debilitaram econômica e politicamente. Foi quando dessa
lutaram contra ela. instabilidade que D. João viu a oportunidade de realizar um
As províncias da Bahia, Cisplatina, Maranhão, Piauí e Pará antigo desejo português, em 1820 ele ordena às tropas
resistiram ao novo governo e apenas com o uso da força imperiais invadirem a região da Cisplatina.
aceitaram a nova condição. Mesmo após o retorno de D. João à Portugal e à
Na prática, nossa política não teve mudanças, ainda independência, a Cisplatina continuou sendo parte do Brasil
vivíamos em uma monarquia centralizadora e mesmo os (até 1828), porém à duras custas, a região nunca aceitou o
defensores de ideias republicanas só pensavam em sua domínio brasileiro, e constantemente D. João e posteriormente
projeção política e não em uma mudança de fato. D. Pedro I tinham de enviar expedições para conter as revoltas.
Isso não apenas gerava custos aos cofres imperiais como
A Primeira Constituição Brasileira também atacava a imagem do imperador, que se mostrava
D. Pedro I havia convocado uma Assembleia Constituinte incapaz de resolver a questão. A opinião pública era avessa à
antes mesmo de declarar o Brasil independente. E desde o causa de gastar com os conflitos e insistir em manter a posse
primeiro momento houve desacordo. de uma região que nem era semelhante culturalmente ao povo
A Assembleia, liderada pelos irmãos Andrada, tinha a brasileiro.
intenção de fazer uma Constituição similar à portuguesa, onde Enfim, em 1828, com apoio do governo argentino, as forças
D. Pedro teria seus poderes limitados. Já o monarca, que era cisplatinas fazem com que o Brasil se retire do conflito e
conhecido por ser autoritário e centralizador trabalhou para proclamam a República Oriental do Uruguai.
permanecer com todos os poderes em torno de si. A imagem de D. Pedro I sai abalada após o episódio. Seguiu-
Apesar da Constituição elaborada por influência dos se a isso o misterioso assassinato de Libero Badaró (jornalista
Andrada ter a intenção de limitar os poderes de D. Pedro I, ela declarado opositor e crítico de D. Pedro I), maior força do
garantia os privilégios da aristocracia rural. Popularmente
40 Apenas pessoas com mais de 150 alqueires de mandioca poderiam se 41 Província do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e, posteriormente,
Conhecimentos Específicos 37
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APOSTILAS OPÇÃO
movimento liberal e aumento das críticas a respeito da recebiam autonomia para organizar suas próprias forças
conduta política do imperador. armadas locais.
Além da pressão política, do exército e da população, D. Embora na teoria seu papel fosse garantir a ordem
Pedro I teve de superar uma crise sucessória. Quando D. João regional, essa força só servia aos seus interesses, como as leis
faleceu, D. Pedro I abdica do trono português em favor de sua garantiam que apenas ingressasse na Guarda quem dispusesse
filha. Em Portugal é iniciado então um conflito sucessório de altos ganhos anuais, e estes eram apenas os grandes
entre D. Maria da Glória e o irmão de D. Pedro I, D. Miguel. proprietários de terras, apenas a aristocracia rural ficou
D. Pedro passa a gastar recursos brasileiros para garantir identificada com os coronéis.
o trono de sua filha, o que gera mais descontentamento A mesma administração ainda promulga a “Lei Feijó” que
nacional. Com a pressão interna e a necessidade de cuidar de proibia o tráfico e tornava livre todos os africanos
seus interesses em Portugal, D. Pedro I abdica do trono introduzidos em território brasileiro. Essa lei nunca foi
brasileiro e retorna para seu país, deixando como herdeiro seu respeitada de fato e a escravidão permaneceu até 1888.
filho, D. Pedro II.
Ato Adicional de 1834
O Período Regencial (1831-1840) O Ato Adicional de 1834 foi uma revisão da Constituição de
1824. Promulgado em 12 de agosto, possuía caráter
D. Pedro II, herdeiro do trono brasileiro tinha apenas cinco descentralizador, instituindo a criação de assembleias
anos de idade quando D. Pedro I retornou a Portugal. A maioria legislativas nas províncias, a supressão do Conselho de Estado
dos políticos brasileiros ainda eram favoráveis à manutenção e a Regência Una (governante único). O Rio de Janeiro foi
do império e se preocuparam com as possíveis revoltas que considerado um território neutro. Também foi reduzida a
haveriam tendo uma criança como governante. Ficou então idade para o imperador ser coroado, de 21 para 18 anos.
decidido que o país seria governado por regentes até a idade
apropriada de D. Pedro II. Regência Una
Politicamente esse foi o período mais conturbado desde a Apesar de uma tentativa frustrada de assumir o poder em
colonização. Além dos grupos regionais que se revoltaram, o 1832, abandonando o cargo de Ministro da Justiça logo em
próprio cenário político não tinha unidade. Apesar de todos seguida, o padre Feijó obteve a maioria dos votos na eleição
fazerem parte basicamente dos mesmos segmentos e terem para Regente em 1835. Sendo empossado em 12 de outubro
interesses econômicos semelhantes, politicamente estavam do mesmo ano para um mandato de quatro anos, não
divididos entre: completando nem dois anos no cargo. Seu governo é marcado
por intensa oposição parlamentar e rebeliões provinciais,
- Restauradores (conhecidos como Caramurus, eles como a Cabanagem, no Pará, e o início da Guerra dos Farrapos,
defendiam a continuidade de D. Pedro I no poder e no Rio Grande do Sul. Com poucos recursos para governar e
acreditavam que a tranquildade política passava pela ação isolado politicamente, renunciou em 19 de setembro de 1837.
absolutista. José Bonifácio fazia parte desse grupo que foi
articulador do Golpe da Maioridade anos depois); Segunda Regência Una
- Liberais moderados (apesar do nome, esse grupo era Com a renúncia de Feijó e o desgaste dos liberais, os
composto em grande parte pela aristocracia rural. Eram contra conservadores obtêm maioria na Câmara dos Deputados e
reformas sociais e lutavam por manter seus privilégios. elegem Pedro de Araújo Lima como novo regente único do
Defendiam a monarquia, porém de forma menos autoritária do Império, em 19 de setembro de 1837. A segunda regência una
que D. Pedro I empregava. Eram chamados de Chimangos); é marcada por uma reação conservadora, e várias conquistas
- Liberais exaltados (era o grupo mais variado, tinha liberais são abolidas. A Lei de Interpretação do Ato Adicional,
desde aristocratas até trabalhadores livres e sem terras. Esse aprovada em 12 de maio de 1840, restringe o poder provincial
grupo buscava reformas sociais e políticas, maior autonomia e fortalece o poder central do Império. Acuados, os liberais
das províncias e mudanças constitucionais. Eram conhecidos aproximam-se dos partidários de D. Pedro II. Juntos, articulam
como Chapéus-de-palha). o chamado golpe da maioridade, em 23 de julho de 1840.
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APOSTILAS OPÇÃO
A revolta começa pelo descontentamento de produtores do Os revoltosos conseguiram tomar a cidade de Caxias em
sul em relação aos produtores estrangeiros de charque, 1839 e estabelecer um governo provisório, com medidas que
principalmente os platinos e argentinos que comercializavam causaram grande repercussão, como o fim da Guarda Nacional
e concorriam com os estancieiros pelo mercado do produto no e a expulsão dos portugueses que residiam na cidade.
Brasil, utilizado principalmente na alimentação de escravos. Com a radicalização que a revolta tomou, como a adesão de
Em 1835, insatisfeitos com o governo, os estancieiros escravos foragidos, a classe média que apoiava as revoltas
iniciam a revolta, tendo Bento Gonçalves como principal chefe aliou-se ao exército imperial, o que enfraqueceu bastante o
do movimento, comandando as tropas farroupilhas que movimento e garantiu a vitória em 1841, com um saldo de
dominaram Porto Alegre. Com as vitórias obtidas foi mais de 12 mil sertanejos e escravos mortos em batalhas. Os
proclamado um governo independente em 1836, conhecido revoltosos que acabaram presos foram anistiados pelo
como República do Piratini, com Bento Gonçalves como imperador.
presidente.
Em 1839, o movimento farroupilha conseguiu ampliar-se. A Maioridade e a Tranquilidade Política
Forças rebeldes, comandadas por Giuseppe Garibaldi e Davi Toda a instabilidade do período regencial colocou tanto
Canabarro, conquistaram Santa Catarina e proclamaram a liberais quanto conservadores em xeque, uma vez que ambos
República Juliana. haviam ocupado o poder mas nenhum conseguiu trazer
A revolta consegue ser contida somente após a coroação de estabilidade ao país. A ideia de antecipar a maioridade de D.
D. Pedro II e com os esforços do Barão de Caxias, encerrando Pedro II começou a agradar ambos os grupos: os liberais
os conflitos em 1 de março de 1845. esperavam que com isso teriam a chance de voltar ao governo.
Os conservadores viam nisso uma oportunidade de preservar
Revolta dos Malês (1835) a monarquia e manter a unidade do império. Em 1840, com
Em Salvador, nas primeiras décadas do século XIX, os uma regência conservadora o parlamento aprova adiantar a
negros escravos ou libertos correspondiam a cerca de metade maioridade de D. Pedro II.
da população. Pertenciam a vários grupos étnicos, culturais e
religiosos, entre os quais os muçulmanos – genericamente Segundo Reinado
denominados malês -, que protagonizaram a Revolta dos
Malês, em 1835. Ao contrário do que aconteceu com seu pai, a preparação
O exército rebelde era formado em sua maioria, por política de D. Pedro II parece ter sido melhor. Mesmo sem
“negros de ganho”, escravos que vendiam produtos de porta abandonar o aspecto autoritário em seu governo,
em porta e, ao fim do dia, dividiam os lucros com os senhores. politicamente ele soube trabalhar com as aristocracias rurais.
Podiam circular mais livremente pela cidade que os escravos D. Pedro II dava a elas a condição de crescerem
das fazendas, o que facilitava a organização do movimento. economicamente e em troca recebia seu apoio político.
Além disso, alguns conseguiam economizar e comprar a Falamos em aristocracias porque nesse período uma nova
liberdade. Os revoltosos lutavam contra a escravidão e a elite agrária e mais poderosa surgiu representada pelos
imposição da religião católica, em detrimento da religião cafeicultores do sudeste frente a antiga elite nordestina. O café
muçulmana. passou a ser o principal produto do país e assim permaneceu
A repressão oficial resultou no fim da Revolta dos Malês, até a república.
que teve muitos mortos, presos e feridos. Mais de quinhentos
negros libertos foram degredados para a África como punição. Liberais e Conservadores42
Liberais (chamados de Luzia) e conservadores
Sabinada (1837-1838) (Saquarema) diferiam em suas teorias e aspirações políticas
A Sabinada ocorreu na Bahia, com o objetivo de implantar em seus discursos, porém, durante todo o Segundo Reinado
uma república independente. Foi liderada pelo médico ficou claro que quando no poder, ambos eram iguais.
Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira, e por isso ficou Os liberais defendiam a descentralização e autonomia das
conhecida como Sabinada. O principal objetivo da revolta era províncias enquanto os conservadores, como o próprio nome
instituir uma república baiana, mas só enquanto o herdeiro do sugere, defendiam um governo forte e centralizado.
trono imperial não atingisse a maioridade legal.
Diferentemente de outras revoltas ocorridas no período, a As Eleições do Cacete
sabinada não contou com o apoio das camadas populares e Ao assumir, D. Pedro II vivenciou um grande impasse
nem com os grandes proprietários rurais da região, o que político: para auxiliá-lo em seu governo foi criado o Ministério
garantiu ao exército imperial uma vitória rápida. da Maioridade. O problema se deu porque o Ministério tinha
sua maioria composta por liberais, enquanto a Câmara era
Balaiada (1838-1841) composta maioritariamente por conservadores. Qualquer
Balaiada ocorreu no Maranhão, em 1838, e recebeu esse decisão a ser tomada gerava grande debate pelas divergências
nome devido ao apelido de uma das principais lideranças do entre ambos.
movimento, Manoel Francisco dos Anjos Ferreira, o "Balaio", A solução encontrada para acabar com essa disputa foi
conhecido por ser vendedor do produto. dissolver a Câmara e convocar novas eleições: As Eleições do
A Balaiada representou a luta da população pobre contra Cacete. O nome não foi por acaso. Para garantir a vitória, o
os grandes proprietários rurais da região. A miséria, a fome, a partido liberal colocou “capangas” para trabalhar nas eleições
escravidão e os maus tratos foram os principais fatores de e através de coerção e ameaças eles venceram.
descontentamento que levaram a população a se revoltar. Os liberais mantiveram-se no poder por pouco tempo.
A principal riqueza produzida na província, o algodão, Apesar de serem maioria, as pressões externas (Inglaterra) e
sofria forte concorrência no mercado internacional, e com isso internas (Guerra dos Farrapos), e a má impressão que ficou
o produto perdeu preço e compradores no exterior. Além da após o uso da força nas eleições fez com que o imperador
insatisfação popular, a classe média maranhense também se novamente dissolve-se a Câmara e formasse um novo
encontrava descontente com o governo imperial e suas ministério, este composto por ambos os lados.
medidas econômicas, encontrando na população oprimida
uma forma de combatê-lo.
Conhecimentos Específicos 39
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APOSTILAS OPÇÃO
Conhecimentos Específicos 40
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APOSTILAS OPÇÃO
“desocupadas”43) não mais seriam entregues por doação ou - Do outro lado estavam os grandes proprietários de terra,
ação de posseiros, o que garantia que os trabalhadores motivo pelo qual nem D. Pedro I, nem a regência e nem D.
dependessem de um emprego em fazendas. Pedro II conseguiram cumprir o acordo.
O governo arrecadou mais impostos com demarcação e No curto período anterior ao aumento da produção
vendas e com isso conseguiu financiar, junto de cafeicultores a cafeeira no país, o tráfico de escravos de fato diminuiu em
vinda de mão de obra imigrante no período. números visto que a necessidade de mão de obra era menor. A
partir do momento em que os grandes fazendeiros sentiram
Imigração44 necessidade de mais braços em suas lavouras, mesmo com leis
Vários são os motivos que explicam o movimento de da regência proibindo a importação de escravos, o volume
imigração para o Brasil: internamente havia o preconceito dos voltou a crescer. As consequências foram a maior pressão
grandes produtores rurais que, quando obrigados a abrir mão inglesa sobre o Brasil no aspecto político, e na prática uma
do trabalho escravo por motivos de lei ou econômicos, não perseguição real da marinha inglesa a navios negreiros.
admitiam ter que pagar para os mesmos negros trabalhar em Sentindo a pressão britânica surtir mais efeito que a
suas terras. Havia a desinteligência de que a partir daquele interna, finalmente em 1850 o governo brasileiro promulga
momento o escravo não seria ideal para o trabalho rural e uma lei com a verdadeira intenção de cumpri-la. A Lei Eusébio
ainda as aspirações do governo de uma “recolonização”, de Queiroz, que a partir da data de sua publicação proíbe o
principalmente da região sul ainda alvo de disputas de tráfico negreiro no Brasil.
fronteiras ou povoada por indígenas. Como o governo não tinha intenção nenhuma de acelerar o
Externamente víamos na Europa um exemplo inverso ao processo que levaria o fim da escravidão, a Lei Eusébio de
Brasil: aqui tinham terras de sobra e poucos trabalhadores, lá Queiroz garantia apenas o fim do tráfico de importação. O
eles tinham muitos braços livres e poucas terras. A Europa do tráfico ou troca interna ainda era permitido, o que ocasionou
século XVIII e XIX viu um aumento na taxa de natalidade, grande deslocamente de contingente negro escravo do
expulsão dos trabalhadores do campo e pequenos nordeste para as colheitas de café no Vale do Paraíba no
proprietários, além de perseguições políticas e religiosas. sudeste.
Pareceu à época uma solução natural que os imigrantes Uma segunda consequencia foi que com o capital que agora
europeus arriscassem a sorte no novo continente. estava “sem destino”, uma vez que a compra de escravos se
A região sudeste, principalmente o estado de São Paulo, tornava mais difícil com o tempo, novas atividades econômicas
apesar de ter tido grande influência imigrante demorou a começaram a receber esse dinheiro: bancos, estradas de ferro,
“engrenar”. As primeiras experiências receberam o nome de indústrias, companhias de navegação...
sistema de parceria. Nesse sistema os imigrantes A modernização do pensamento econômico, mesmo que de
trabalhavam no cultivo e colheita do café, e dividiam os lucros certa forma forçada, também provocou mudanças na política
e eventuais prejuízos com o dono da terra. O maior exemplo externa do país. Em 1844 o ministro da Fazenda Alves Branco
desse sistema (e seu fracasso) foi o implantado pelo Senador promulga uma lei que levaria seu nome, e que aumentava as
Campos Vergueiro. Apesar da promessa, a fazenda tinha o taxas alfandegárias para os produtos importados. Era uma das
monopólio de tudo que os imigrantes necessitavam adquirir poucas vezes até então em nossa história que o governo
(sempre com preços mais elevados), o que resultava em uma tomava medidas que beneficiavam nossa indústria em relação
dívida viciosa com o fazendeiro. Além disso, devido à à estrangeira.
proximidade do contato com o trabalho escravo, o tratamento
com os imigrantes era semelhante, o que chegou a fazer com Processo Abolicionista46
que o próprio governo italiano recomendasse que seus Em maio de 1888, a princesa Isabel Cristina Leopoldina de
cidadãos não viessem para o Brasil. Bragança conhecida posteriormente como “A Redentora”
Nos últimos anos do século XIX, com a situação se assina o documento que finalmente colocou fim à escravidão
agravando na Itália e com a maior necessidade de mão de obra no país.
no Brasil, governo e fazendeiros oferecem melhores A História normalmente nos ensina a respeito do ato
condições, o que abre as portas definitivamente para a generoso dessa figura, mas não podemos ignorar que o dia 13
chegada do europeu. de maio foi apenas o cume de uma empreitada que vinha sendo
O sul, como falamos acima, mostrou uma colonização construída há muito tempo.
diferente. Composto por pequenas propriedades familiares ou A resistência à escravidão por parte dos negros existiu
comunidades rurais, a região não atendeu os interesses do sempre que houve a escravidão. Fugas, violência contra os
mercado externo e o governo tinha maior preocupação em senhores e formação de quilombos eram algumas das práticas
garantir a posse do Brasil na região do que garantir as comuns que existiam desde a colônia. A partir da segunda
exportações da época. metade do século XIX, talvez por algumas leis já existirem, elas
se tornaram mais comuns.
Tráfico Negreiro, Lutas Abolicionistas e o Fim da A sociedade também já contava com um número maior de
Escravidão45 entusiastas que estavam dispostos a lutar pelo fim dessa
À época da independência D. Pedro I se viu pressionado prática e pressionar o governo. O império inglês junto desses
por dois lados muito importantes para manter seu governo: fatores finalmente consegue se colocar em posição de forma
- De um lado a Inglaterra, nação industrializada que via na que o Brasil não podia mais ignorá-lo.
extinção do comércio de escravos (e na própria instituição As seguintes leis são o resultado dessas pressões e
escravista) maior possibilidade de capital e mercado mostram a evolução do processo de abolição:
consumidor. Seu apoio político e financeiro ao Brasil no
processo de independência estava condicionado ao Lei no 581 (Lei Eusébio de Queirós), de 4 de setembro de
compromisso do país em abolir essa prática. 1850: a partir dessa data é proibido o tráfico de escravos para
43 Quando falamos em terras “desocupadas” falamos do ponto de vista do 44 Adaptado: UNOPAREAD <
governo da época. Eram terras no qual o governo não havia recebido rendimentos. http://www.unoparead.com.br/sites/museu/exposicao_sertoes2/Imigrantes-e-
Indígenas e posseiros sem permissão ocupavam essas terras e eram expulsos sem migracoes.pdf>
cerimônia ou compensação. 45 Adaptado de FOGUEL, I. Brasil: Colônia, Império e República. <
https://bit.ly/2Iqul4S>
46 História do Negro no Brasil. CEAO/UFBA.
Conhecimentos Específicos 41
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APOSTILAS OPÇÃO
o Brasil. Trocas internas entre províncias de escravos que já - Questão abolicionista e de terras: durante muito tempo
estão no país ainda são permitidas. a escravidão foi a base econômica das elites que apoiavam a
monarquia. Com a grande campanha abolicionista e as
Lei no 2.040 (Lei do Ventre Livre), de 28 de setembro de medidas graduais tomadas pelo império, a antiga aristocracia
1871: considerava livre todos os filhos de mulheres escravas escravista que ainda apoiava D. Pedro II ficou descontente com
nascidas a partir dessa data. seu governo. As novas elites, que faziam fortuna com o café e
se adaptaram ao trabalho livre imigrante europeu, ansiavam
Lei no 3.270 (Lei dos Sexagenários ou Lei Saraiva- por mais autonomia política, e passaram a fazer grande
Cotegipe), de 28 de setembro de 1885: a Lei concedia campanha em favor da república.
liberdade a escravos com mais de 60 anos de idade. A sociedade, agora com crescente número de imigrantes
também convivia com novas ideias (entre elas o
Lei no 3.353 (Lei Áurea), de 13 de maio de 1888: Art. 1o É abolicionismo).
declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.” D. Pedro II se viu sem o apoio da classe média da sociedade,
da nova aristocracia e também da antiga.
A Questão Platina47
- Questão religiosa: a Constituição de 1824 declarava o
A questão da Cisplatina foi um conflito entre Brasil e Brasil um país oficialmente católico. A Constituição fixava que
Argentina pelo controle de parte da bacia do Prata, a Igreja deveria ser subordinada ao Estado, razão pelo qual já
especificamente na região Cisplatina (que corresponde ao haviam alguns atritos. O problema maior se dá a partir de 1860
atual Uruguai). quando o Papa Pio IX publica a Bula Syllabus, excluindo
Deve-se entender que apesar de em parte da história o membros da maçonaria de irmandades católicas. Apesar de o
Uruguai pertencer ao Brasil ou ser tomado pela Argentina, o imperador não acatar as recomendações, os bispos de Olinda
conflito nunca envolveu apenas duas partes. e Belém seguem as instruções do Papa. Em consequência, D.
Historicamente o que hoje corresponde ao território Pedro II ordena que ambos sejam presos, o que leva a Igreja a
uruguaio foi uma colônia portuguesa (Colônia de Sacramento). também dar as costas a coroa.
Quase um século depois (1777) a colônia passa a ter domínio
espanhol, que dura até a transferência da coroa portuguesa - Questão militar: até a Guerra do Paraguai o exército
para o Brasil que volta a anexá-lo. brasileiro não tinha qualquer influência ou importância para o
Acontece que o período em que a Espanha controlou a governo. Durante as regências a criação da Guarda Nacional
região deixou marcas mais fortes que o período colonial garantiu que a necessidade de um exército forte quase não
português (cultura e língua). Não se sentindo como parte do existisse.
império português, a Cisplatina (Uruguai) inicia um A Guerra do Paraguai vem para mudar essa situação.
movimento de separação. Forçados a se modernizar e se estruturar, após a guerra o
A Argentina que já era independente e tinha interesses exército não apenas exige maior participação no governo do
expansionistas à região não demorou a comprar o lado do país como passa a ter setores contrários às ideias
Uruguai enviando além do apoio político, suprimentos. monarquistas.
O governo brasileiro não recuou, além de fazer frente ao Como a Coroa continuava intervindo em assuntos militares
Uruguai ele declarou guerra à Argentina. Apesar de haver e punindo alguns de seus membros a ponto de censurar a
algum equilíbrio durante o início do conflito, o nosso governo imprensa em determinados assuntos relacionados às forças
sofreu com grande pressão interna. O país já estava endividado armadas, o exército também dá as costas a monarquia e com
com os gastos da independência e bancar um conflito em tão isso deixa D. Pedro II sem nenhum apoio de peso.
pouco tempo depois causou insatisfação geral (aumento de Sem apoio após a abolição da escravatura por parte da
impostos). princesa Isabel, em novembro de 1889 com a ação militar, sem
Em 1828, com mediação inglesa e se vendo muito conflitos ou participação popular, termina o império brasileiro
pressionado, Brasil e Argentina chegam a um acordo e ambos e tem início o período Republicano.
concordam que a região da Cisplatina se tornaria
independente. Tinha início a república do Uruguai. Questões
Posteriormente Brasil e Argentina ainda brigaram
indiretamente dentro do território uruguaio: a política do 01. (Prefeitura de Monte Mor/SP – Agente de Transito
novo país estava dividida principalmente entre dois partidos, – CONSESP) Historicamente, o primeiro passo para o
os “colorados” e os “blancos” (federalistas e unitários advento do Parlamentarismo no Brasil, ocorreu na época do
respectivamente) onde o Brasil apoiava os colorados e a Império com:
Argentina os blancos. (A) A Constituição outorgada em 1824
Internamente o Uruguai sofreu com sucessivas trocas no (B) A criação da presidência do Conselho de Ministros por
comando por parte de generais ou de acordo com os interesses D. Pedro II
vizinhos até o ano de 1865, contando com grande contingente (C) A abdicação de D, Pedro I
brasileiro (gaúcho) quando o general Flores assume o poder e (D) A declaração da maioridade
cessam os conflitos internos.
02. (IF/AL – Professor-História – CEFET/AL) No
A Crise do Império processo crescente que levou à abolição dos escravos
(1888), o Brasil passou a instituir uma legislação que iria
A partir da década de 1870 o império brasileiro vê seus culminar com a abolição. Em 1850 foi sancionada a Lei
melhores dias passarem. Uma crise iniciada com o conflito do Euzébio de Queiróz (proibição do tráfico de escravos). Em
Paraguai resultaria em quase vinte anos depois na contrapartida o império instituiu a Lei das Terras, que
proclamação da república. significou:
A crise do império pode ser baseada em quatro pilares:
Conhecimentos Específicos 42
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APOSTILAS OPÇÃO
(A) Objetivando regularizar os quilombos que existiam no (C) o Segundo Reinado e a Farroupilha.
Brasil, foi criada a Lei das Terras, dessa forma, os quilombolas (D) o Período Joanino e a Sabinada.
poderiam permanecer nas terras ocupadas. (E) a abdicação e a Noite das Garrafadas.
(B) O império objetivava com a criação da LEI DAS TERRAS Gabarito
facilitar a aquisição de terras pelos negros libertos e dificultar
para os imigrantes. 01.B / 02.E / 03.C / 04.A / 05.A
(C) A Lei das Terras tinha o objetivo de restringir terras
para os novos libertos e facilitar para os imigrantes.
(D) Pensando em proteger os negros libertos, a Lei das
Terras seria um arcabouço jurídico que protegeria todos os A Marinha na República:
brasileiros. Primeira Guerra Mundial:
(E) Visando a aumentar os valores das terras, a lei foi
Antecedentes; O preparo do
criada dificultando, assim, a compra por parte dos libertos,
favorecendo a permanência dos libertos como trabalhadores Brasil; A Divisão Naval em
nas fazendas já existentes. Operações de Guerra; O Período
entre Guerras; A situação em
03. (SEDUC/AM – Professor-História – FGV) A 1940; Segunda Guerra mundial:
Constituição do Império do Brasil, outorgada por D. Pedro I
em 1824, inaugurou formalmente um sistema político-
Antecedentes; Início das
eleitoral que sofreu algumas alterações ao longo do período hostilidades e ataques aos nossos
monárquico (1822-1889). navios mercantes; A Lei de
Empréstimo e Arrendamento e
Assinale a opção que caracteriza corretamente uma modernizações de nossos meios
dessas alterações.
(A) 1834 – modificação da Constituição extinguiu o Poder e defesa ativa da costa brasileira;
Moderador, assegurando a independência dos três poderes. Defesas Locais; Defesa Ativa; A
(B) 1840 – interpretação parcial da Reforma Força Naval do Nordeste; E o que
Constitucional de 1834, ampliando a autonomia dos ficou? O Emprego Permanente do
legislativos provinciais.
(C) 1847 – criação do cargo de Presidente do Conselho de Poder Naval: O Poder Naval na
Ministros, inaugurando o “parlamentarismo às avessas”. guerra e na paz: Classificação; A
(D) 1855 – reforma eleitoral denominada “Lei dos percepção do Poder Naval; O
Círculos”, extinguindo o voto distrital da Constituição do emprego permanente do Poder
Império.
Naval.
(E) 1881 – nova reforma eleitoral conhecida como “Lei
Saraiva”, estendendo o direito de voto aos analfabetos.
Conhecimentos Específicos 43
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APOSTILAS OPÇÃO
Procurando satisfazer a justa aspiração brasileira em Nacional e, principalmente, apoiar a ação diplomática do
constituir uma Marinha bem aparelhada, o Deputado Dr. governo brasileiro em qualquer local que se fizesse necessário.
Laurindo Pitta apresentou à Câmara, em julho de 1904, um A incorporação de navios como os Encouraçados Minas
projeto que continha o programa naval do Almirante Júlio de Gerais e São Paulo, pertencentes à classe dos dreadnoughts
Noronha, o qual poderia atender a tais expectativas. Em um mais poderosos do mundo, encheu de orgulho e confiança os
discurso entusiasmado, propôs a aprovação de orçamento que brasileiros. Além dessas embarcações, também chegaram os
financiasse os navios requisitados. Pitta encabeçou então uma Cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul e os Contratorpedeiros
grande luta nos bastidores da política nacional com a Amazonas, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas,
finalidade de obter a aprovação, no Congresso Nacional, do Sergipe, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso.
projeto que reorganizaria toda a Esquadra brasileira. Posteriormente ao ano de 1910, o Contratorpedeiro
Sendo o projeto finalmente aprovado, quase que por Maranhão, os Submarinos F1, F3, F5 e Humaitá, o Tender52
unanimidade, ele se transformou no Decreto no 1.296, de 14 Ceará e outros navios auxiliares complementaram os efetivos
de novembro de 1904. navais da Marinha.
Segundo o próprio Laurindo Pitta, em seu discurso, por O terceiro encouraçado previsto pelo Programa
ocasião da apresentação do seu projeto de reaparelhamento Alexandrino era o Rio de Janeiro, lançado ao mar em 22 de
naval, encouraçados, cruzadores, torpedeiras não eram janeiro de 1913. A demora em sua construção se deveu à
invenções modernas, eram aperfeiçoamentos que a ciência e a necessidade de se introduzir novas modificações que o
indústria adaptavam aos navios. O encouraçado era o pesado tornassem ainda mais poderoso. Este navio não chegou a ser
e bem artilhado navio de linha, o cruzador era a leve e ligeira incorporado à Armada brasileira. Foi adquirido pela Marinha
fragata e o torpedeiro, o brulote49, destinado a incendiar as turca e depois pela Marinha inglesa, tendo participado da
antigas naus. Batalha da Jutlândia.
O Programa de 1904, de autoria de Júlio de Noronha, A Esquadra brasileira passou a ser organizada,
apresentava a vantagem de ser um plano de conjunto, ou seja, essencialmente, em divisões de encouraçados e cruzadores, e
incluía a criação de um moderno arsenal e um porto militar, flotilhas de contratorpedeiros e de submarinos. Porém, com o
que juntamente com os navios formaria um tripé de início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o Ministro da
sustentação da Marinha brasileira. Foi o Almirante Júlio de Marinha Alexandrino de Alencar determinou que as principais
Noronha quem fez nascer a campanha de remodelação da unidades operativas de superfície fossem reorganizadas em
Esquadra, que deveria impressionar principalmente a opinião três divisões a fim de patrulhar as águas costeiras dentro de
pública e que gerou os resultados necessários para a reforma cada área de responsabilidade, sendo criadas as Divisões
da nossa Marinha. Navais do Sul (São Francisco do Sul), Centro (Rio de Janeiro) e
O programa incluía os modelos de navios que, no Norte (Belém).
momento, equipavam as melhores Esquadras do mundo, logo Dessa maneira, a Marinha iria enfrentar os seus dois
a seguir empregados nas Batalhas de Port Arthur50 e principais desafios no Século XX. As duas grandes guerras
Tsushima51, travadas durante a Guerra Russo-Japonesa. O mundiais.
estudo estratégico das experiências proporcionadas por essas
batalhas (1905) e o lançamento do Encouraçado Dreadnought,
pela Marinha britânica (1906), que aparecia como o navio
mais poderoso do mundo, inspiraram debates em torno do Primeira Guerra Mundial
Programa de 1904. O Deputado José Carlos de Carvalho e o
Almirante Alexandrino Faria de Alencar, então senador, foram Antecedentes
os grandes defensores da remodelação do Programa Júlio de No ano de 1914, as relações entre as principais nações
Noronha. europeias estavam tensas. Nos últimos 60 anos havia ocorrido
Em 15 de novembro de 1906, assumiu a Presidência da a Segunda Revolução Industrial e várias potências econômicas
República o Conselheiro Afonso Pena e, com ele, o seu novo surgiram ameaçando a supremacia da Grã-Bretanha, com
ministério, sendo a pasta da Marinha ocupada pelo Almirante destaque para os Estados Unidos, Itália, Rússia, Alemanha e
Alexandrino Faria de Alencar. Não demorou que este Japão. Isto significava que todos esses países tinham como
conseguisse do Congresso a reforma do Programa de 1904. A produzir, mas precisavam de matérias-primas e de mercados
alteração mais marcante trazida pelo novo programa do para vender a sua produção.
Almirante Alexandrino foi a adição de três novos Se na primeira Revolução Industrial o grande fato
encouraçados do tipo dreadnought de 20 mil toneladas, cuja impulsionador foi a invenção da máquina a vapor, na segunda
aprovação resultou no Decreto no 1.567, de 24 de novembro a eletricidade foi o mecanismo que revolucionou os meios de
de 1906. produção. Outro grande fator de crescimento econômico foi o
Nesse programa, foi cancelado o projeto de um novo aumento da disponibilidade de ferro e aço. A mecanização da
arsenal. Em seu lugar, optou-se por modernizar as instalações indústria se elevou, proporcionando o consequente aumento
da Ilha das Cobras, porém, admitia-se a construção de bases do número de máquinas e motores menores, que viriam dotar
secundárias em Belém e em Natal, e um porto militar de os bens de consumo duráveis, os maiores símbolos da
pequeno porte em Santa Catarina. sociedade moderna.
Como consequência direta do Programa Alexandrino, a Naquele ano de 1914 vigorava a Paz Armada, uma situação
Esquadra de 1910, assim chamada por haver chegado ao Brasil em que todas as nações procuravam se armar para inibir o
nesse ano a maior parte de seus componentes, representou um adversário de atacá-las. Duas grandes alianças político-
verdadeiro revigoramento militar e tecnológico da Marinha militares predominavam: a Tríplice Aliança, formada pelo
brasileira. Dessa forma, o Brasil passou a possuir uma frota de Império Austro-húngaro, Itália e Alemanha, e a Tríplice
alto-mar ofensiva, podendo levar a outros rincões o Pavilhão Entente, formada pela França, Inglaterra e Rússia. Pequenas
49 Um brulote é um navio de fogo carregado de matérias inflamáveis que era 51 Foi a maior batalha naval travada entre a Rússia e o Japão durante
incendiado e lançado, evidentemente sem tripulantes, sobre a frota inimiga. a Guerra Russo-Japonesa.
50 Foi a batalha inicial da Guerra Russo-Japonesa. Ela começou com um 52 Navio cuja função é dar apoio a outros navios,
Conhecimentos Específicos 44
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APOSTILAS OPÇÃO
frentes de luta surgiam nas áreas em disputa. Todos queriam No mês de maio, o segundo navio brasileiro, o Tijuca, foi
se apossar de territórios. torpedeado nas proximidades de Brest na costa francesa. Seis
Um terrorista sérvio conseguiu assassinar o Arquiduque dias depois seguiu-se o Mercante Lapa. Antes ele fora
Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, em um abordado por um submarino alemão, mandando que a
atentado em Sarajevo, na Bósnia. Esta morte imediatamente tripulação deixasse o vapor para depois torpedeá-lo.
provocou a guerra entre a Áustria e a Sérvia; a Rússia, fiadora Esses três ataques levaram o Presidente Wenceslau Braz a
da Sérvia, iniciou um confronto com a Áustria, provocando a decretar o arresto de 45 navios dos impérios centrais
intervenção alemã e unindo a França e a Inglaterra. Aliados de aportados no Brasil e a revogação da neutralidade. Muitos
um ou outro lado entraram na Guerra. Iniciava-se a Primeira deles encontravam-se danificados por sabotagem dos
Guerra Mundial. próprios tripulantes. Isso não impediu que o Brasil utilizasse
De 1914 até o seu final, a guerra assumiu seu lado mais 15 deles e repassasse 30 por afretamento para a França.
cruel. Milhões de vidas foram ceifadas na chamada guerra de Um fato curioso foi o arresto da Canhoneira alemã Eber,
trincheiras, quando as tropas limitavam-se a defender surta no porto de Salvador. Tratava-se de navio militar e não
determinadas posições estratégicas. de vapor mercante, como os 45 navios arrestados. Antes de ser
Em 1917, os Estados Unidos da América (EUA) entraram abordada por autoridades brasileiras, e percebendo essa
no conflito. No mesmo ano, eclodiu a revolução socialista na medida, os tripulantes queimaram esse vaso de guerra e
Rússia e seus dirigentes assinaram com a Alemanha o Tratado conseguiram se transferir para outro navio mercante que se
de Brest-Litovsky, se retirando da guerra. evadiu dos portos nacionais com o armamento e os homens
Em 1917, o Brasil entrou no conflito quando a campanha especializados, que seriam ainda úteis à Marinha alemã no
submarina alemã atingiu seus navios mercantes, afundados conflito.
em razão do bloqueio alemão a Grã-Bretanha. Quatro meses se passaram até que um novo navio
O Brasil enviou então uma Divisão Naval para operar com brasileiro fosse atacado e afundado, dessa feita foi o Vapor
a Marinha britânica entre Dakar e Gibraltar em 1918. Tupi nas mediações do Cabo Finisterra. O caso tornou-se grave
A Alemanha, depois de uma fracassada ofensiva no teatro na medida em que o comandante e o despenseiro foram
de operação ocidental, se viu exausta com as perdas sofridas, aprisionados por um submarino alemão e nunca mais se teve
vindo a assinar o Armistício com os aliados no mês de notícia de seus destinos.
novembro de 1918. Oito dias depois, 26 de outubro de 1917, o Brasil
reconhecia e proclamava o estado de guerra com o Império
Preparo do Brasil alemão. O governo brasileiro tinha consciência de que a grande
A disposição do Brasil em manter-se neutro no conflito foi ameaça seria o submarino alemão, ávido por atacar os nossos
evidenciada desde o primeiro minuto de combates na Europa navios mercantes que mantinham o comércio com outros
em 1914. Naqueles dias conturbados, prevalecia no país uma países em pleno desenvolvimento.
tendência natural de simpatia a favor dos aliados, Além disso, naquela oportunidade, não existiam estradas
principalmente porque a elite nacional via na educação e na ligando o Sul e Sudeste com o Norte e Nordeste. Todas as
cultura francesas seus principais paradigmas. A neutralidade comunicações entre essas regiões eram feitas por mar, daí
foi a marca brasileira nos três primeiros anos de guerra, nossa grande vulnerabilidade estratégica. Tanto a Marinha
mesmo quando Portugal foi a ela arrastada em março de 1916. Mercante como a de Guerra seriam as grandes protagonistas
O bloqueio sem restrições firmado pelo governo alemão brasileiras nesse confronto.
em 31 de janeiro de 1917 trouxe não só mal-estar a todos os A Marinha Mercante brasileira era modesta, no entanto,
neutros, mas também preocupação ao governo brasileiro que desde os primeiros anos do século, os governos que se
dependia fundamentalmente do mar para escoar a produção sucederam procuraram aparelhá-la, o que foi auspicioso, pois
de café para a Europa e os Estados Unidos, nossos principais teríamos na guerra um teste fundamental para a manutenção
compradores. Ademais, importávamos muitos produtos da de nosso fluxo comercial. No início do conflito – quando o
Inglaterra, que naquela altura lutava desesperadamente nos Brasil ainda mantinha irrestrita neutralidade –, diversos
campos franceses e enfrentava, com preocupação, os ataques países envolvidos na guerra, ávidos para cobrir as perdas
dos submarinos alemães a seu tráfego marítimo. provocadas por afundamentos, ofereceram propostas de
O Brasil apresentou, inicialmente, seu protesto formal à compras de muitos de nossos mercantes.
Alemanha, sendo logo depois obrigado a romper relações Propostas de compras do Lloyd Brasileiro53 foram comuns.
comerciais com esse país, mantendo-se, contudo, ainda, na Entretanto, o governo nacional, premido pela necessidade de
mais rigorosa neutralidade. manter o comércio com outros países e de escoar o nosso
O que veio a modificar a atitude brasileira foi o principal produto, o café, principalmente para os Estados
afundamento do Navio Mercante Paraná ao largo de Barfleur, Unidos, impediu todas essas tentativas de arrendamento. Ao
na França, apesar de ostentar a palavra “Brasil” pintada no final essa ação veio a ser fundamental para o Brasil.
costado e a Bandeira Nacional içada no mastro. Naquela Nossa Marinha de Guerra era centrada na chamada
oportunidade, a população na capital Rio de Janeiro atacou Esquadra de 1910, com navios relativamente novos
firmas comerciais alemãs, criando grande desconforto para o construídos na Inglaterra sob o Plano de Construção Naval do
governo de Wenceslau Braz. Almirante Alexandrino Faria de Alencar, Ministro da Marinha,
Seguiu-se então o rompimento das relações diplomáticas como anteriormente mencionado. Eram ao todo dois
com o governo alemão em 11 de abril de 1917. Um fato encouraçados tipo dreadnought, o Minas Gerais e o São Paulo,
importante que influiu na decisão de se romper relações com dois cruzadores tipo scouts, o Rio Grande do Sul e o Bahia, que
o Império Alemão foi a atitude de protesto dos Estados Unidos viria a ser perdido tragicamente na Segunda Guerra Mundial,
com o bloqueio irrestrito, tendo sofrido por isso o e dez contratorpedeiros de pequenas dimensões. Esses meios
torpedeamento de dois de seus navios. Tais acontecimentos eram todos movidos a vapor, queimando carvão.
motivaram a declaração de guerra norte-americana. Desde o início da participação brasileira no conflito, o
Mantínhamos até esse ponto laços comerciais profundos com governo nacional decidiu-se pelo envio de uma divisão naval
esse país e claras simpatias com os aliados. para operar em águas europeias, o que representaria um
grande esforço para a Marinha.
53 Lloyd Brasileiro foi uma companhia estatal ou paraestatal, de navegação que se sucedeu a Proclamação da República, após o governo do marechal Deodoro
brasileira, fundada em 19 de fevereiro de 1894, no ano de vigência da Constituição da Fonseca.
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Uma outra contribuição significativa foi a designação de 13 Flotilhas do Mato Grosso, Amazonas e de aviões de guerra; e,
oficiais aviadores, sendo 12 da Marinha e um do Exército para por fim, navios soltos.
se aperfeiçoarem como pilotos de caça da RAF no teatro
europeu. Depois de árduo adestramento em que dois pilotos Divisão Naval em Operações de Guerra
se acidentaram, sendo um fatal, eles foram considerados O governo de Wenceslau Braz decidiu enviar uma divisão
qualificados para operações de combate, tendo sido naval para operar sob as ordens da Marinha britânica, na
empregados no 16º Grupo da RAF, com sede em Plymouth, em ocasião a maior e mais poderosa do mundo. Logicamente, os
missões de patrulhamento no Canal da Mancha. navios escolhidos deveriam ser da Esquadra adquirida oito
A propósito, a Escola de Aviação Naval Brasileira, anos antes na própria Inglaterra, pois eram os mais modernos
localizada na Ilha das Enxadas, na Baía de Guanabara, e a que o Brasil possuía. No entanto, devido aos avanços
Flotilha de Aviões de Guerra haviam sido criadas no dia 23 de tecnológicos provocados pela própria guerra, esses navios se
agosto de 1916, comportando inicialmente apenas três aviões tornaram obsoletos rapidamente. Em que pese tal fato, a
Curtiss que chegaram ao Brasil dois meses antes. A Aviação escolha da alta administração naval recaiu nos dois cruzadores
Militar, por outro lado, operava no Campo dos Afonsos, onde (Rio Grande do Sul e Bahia), em quatro contratorpedeiros
funcionava a Escola de Aviação Militar. (Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina), um
No principal porto do país, o do Rio de Janeiro, centro rebocador (Laurindo Pitta) e um cruzador-auxiliar
econômico e político mais importante, instituiu-se uma linha (Belmonte), ao todo, oito navios.
de minas submarinas cobrindo 600 metros entre as Fortalezas A Alemanha, apesar de possuir uma Esquadra menor que a
da Laje e Santa Cruz. Duas ilhas oceânicas preocupavam as Inglaterra, possuía uma frota muito agressiva e motivada, que
autoridades navais devido a possibilidade de serem utilizadas se batera com valentia até aquele momento.
como pontos de refúgio de navios inimigos. As de Trindade e No início da guerra os alemães se lançaram à guerra de
Fernando de Noronha. A primeira foi ocupada militarmente corso utilizando navios de superfície, no estilo de corsários
em maio de 1916 com um grupo de cerca de 50 militares. Uma independentes que atacavam os mercantes navegando
estação radiotelegráfica mantinha as comunicações com o solitários. Essa estratégia, com o decorrer da guerra, foi
continente e frequentemente Trindade era visitada por navios abandonada. Preferiu-se a guerra submarina, que mostrou-se
de guerra para o seu reabastecimento. muito mais eficiente. Esses submarinos não chegaram a atuar
Quanto a Fernando de Noronha, lá existia um presídio do nas nossas costas como aconteceu na Segunda Guerra Mundial,
Estado de Pernambuco. A Marinha, então, passou a assumir a no entanto atacaram nossos navios nas costas europeias e os
defesa dessa ilha, destacando um grupo de militares para afundaram sem trégua.
guarnecê-la. Não houve nenhuma tentativa de ocupação por Há que se notar que a Marinha brasileira era dependente
parte dos alemães. de suprimentos vindos do exterior. Não existiam estaleiros
Com o estado de guerra declarado, os ataques aos capacitados, nem fábricas de munição e estoques logísticos
mercantes brasileiros continuaram. Em 2 de novembro, nas adequados. Dessa forma, a preparação da Divisão Naval em
proximidades da Ilha de São Vicente, na costa africana, foram Operações de Guerra (DNOG), como ficou conhecida essa
torpedeados mais dois navios, o Guaíba e o Acari. Depois de pequena força, foi muito dificultada por limitações que não
atingidos, seus comandantes conseguiram os encalhar, eram só da Marinha, mas também do Brasil.
salvando-se a carga, não impedindo, no entanto, que vidas Como critério de escolha, abriu-se o voluntariado para os
brasileiras fossem perdidas. seus componentes e foi escolhido um contra-almirante ainda
Outro ataque, já no ano de 1918, aconteceu ao Mercante muito jovem, com 51 anos de idade, habilidoso e com grande
Taquari da Companhia de Comércio e Navegação, na costa experiência marinheira, na ocasião comandante da Divisão de
inglesa. Desta feita o navio foi atingido por tiros de canhão, Cruzadores com base no porto de Santos, o Almirante Pedro
tendo tempo de arriar as baleeiras que, no entanto, foram Max Fernando de Frontin, irmão do engenheiro Paulo de
metralhadas, provocando a morte de oito tripulantes. Frontin.
Esses ataques insuflaram ainda mais a opinião pública A principal tarefa a ser cumprida por essa divisão seria
brasileira que, influenciada por campanhas jornalísticas e patrulhar uma área marítima contra os submarinos alemães,
declarações de diversos homens públicos, exigiu um compreendida entre Dakar no Senegal e Gibraltar, na entrada
comprometimento maior com a causa Aliada, com a do Mediterrâneo, com subordinação ao Almirantado inglês.
participação efetiva no esforço bélico contra as Potências A preparação dos navios ainda no Brasil requereu muitos
Centrais. recursos de toda a ordem. Entre os pontos a serem corrigidos
Desde o início do conflito, a participação da Marinha no estava a deficiência de abastecimento, principalmente a
confronto baseou-se no patrulhamento marítimo do litoral escassez de combustível, o carvão. Dava-se preferência a um
brasileiro com três divisões navais, como já mencionado, tipo de carvão proveniente da Inglaterra, o tipo cardiff ou dos
distribuídas nos portos de Belém, Rio de Janeiro e São Estados Unidos da América. O carvão nacional, por possuir
Francisco do Sul. Esse serviço tinha por finalidade colocar a grande quantidade de enxofre, era contraindicado e esse ponto
navegação nacional, a aliada e a neutra ao abrigo de possíveis nevrálgico preocupou os chefes navais durante toda a
ataques de navios alemães de qualquer natureza nas nossas comissão da DNOG.
águas. Depois de três meses de adestramento contínuo com as
A Divisão Naval do Norte era composta dos Encouraçados tripulações, os navios suspenderam do Rio de Janeiro em
guarda-costas Deodoro e Floriano, dos Cruzadores Tiradentes grupos pequenos para se juntarem na Ilha de Fernando de
e República, de dois contratorpedeiros, três avisos e duas Noronha.
canhoneiras. Sua sede era Belém. Inicialmente, os contratorpedeiros deixaram a Guanabara
A Divisão Naval do Centro compunha-se dos Encouraçados no dia 7 de maio de 1918, seguidos no dia 11 pelos dois
Minas Gerais e São Paulo e de seis contratorpedeiros, com sede cruzadores. Em 6 de julho, suspendeu do Rio de Janeiro o
no Rio de janeiro. Cruzador Auxiliar Belmonte e, dois dias depois, o Rebocador
Por fim, a Divisão Naval do Sul era composta dos Laurindo Pitta. Esses navios ficaram responsáveis de
Cruzadores Barroso, Bahia e Rio Grande do Sul, de um iate e transportar o carvão necessário para a DNOG, daí sua grande
dois contratorpedeiros, com sede em São Francisco do Sul. importância logística.
A Marinha possuía também três navios mineiros; uma No dia 1º de agosto a Divisão unida suspendeu de
flotilha de submersíveis, com um tênder, três pequenos Fernando de Noronha com destino a Dakar, passando por
submarinos construídos na Itália e uma torpedeira; as Freetown com o propósito de destruir os submarinos inimigos
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que se encontravam na rota da DNOG. O armamento naquela atingidos pelas doenças, o mais afetado foi o Cruzador-Auxiliar
ocasião para se neutralizar esses submarinos era bastante Belmonte que, entre seus 364 tripulantes, contaram-se 154
primitivo, não se comparando com nada que se viu na Segunda doentes. Substituições foram solicitadas ao Brasil, que vieram
Guerra Mundial. Existiam hidrofones primitivos e bombas de no Paquete Ásia para completar os claros com as moléstias
profundidade de 40 libras, que eram lançadas pela borda no apontadas.
local provável onde se encontrava o submarino. Foram vitimados 156 brasileiros da DNOG pela “gripe
É interessante mencionar que o próprio submarino, espanhola”.
naquela oportunidade, não possuía capacidade de permanecer Os navios britânicos e brasileiros em Freetown e Dakar
mergulhado durante longo período de tempo, o que era uma ficaram inoperantes em face das condições sanitárias
grande limitação. Normalmente, os ataques contra mercantes reinantes, estando a defesa do estreito entre Dakar e Cabo
eram realizados utilizando-se os canhões localizados em seus Verde somente a cargo de dois pequenos navios portugueses.
conveses. A maior possibilidade de se destruir esses Com grande esforço pessoal, a DNOG conseguiu logo depois
submarinos acontecia quando o inimigo vinha à superfície designar o Piauí e o Paraíba para auxiliarem os portugueses
para destruir o alvo ou por canhão ou mesmo com o uso de naquela área de operações.
torpedos. Nessa travessia inicial, alguns rebates de “prováveis Em 3 de novembro, a DNOG largou de Dakar em direção a
submarinos” foram dados, porém não tiveram confirmação. Gibraltar, sem o Rio Grande do Sul, o Rio Grande do Norte, o
Outro ponto interessante na travessia Fernando de Belmonte e o Laurindo Pitta, os dois primeiros avariados e os
Noronha–Freetown era a faina de transferência de carvão em dois seguintes designados para outras missões. Sete dias
alto-mar. Esses recebimentos aconteciam em quaisquer depois os navios da Divisão faziam sua entrada em Gibraltar.
condições de tempo e de mar e obrigavam a atracação dos No dia seguinte, o Armistício foi assinado, dando a Grande
navios ao Cruzador Auxiliar Belmonte e a utilização do Guerra como terminada. Nossa missão de guerra findara, no
Rebocador Laurindo Pitta para auxílio nas aproximações. entanto, nossa Divisão prolongou sua permanência na Europa,
Foram manobras perigosas que demandaram muita já que foi convidada para participar das festividades
capacidade marinheira dos tripulantes, além da natural promovidas pelos vitoriosos. Por cerca de seis meses nossos
vulnerabilidade durante os abastecimentos, quando os navios permaneceram em águas europeias participando das
submarinos inimigos poderiam aproveitar a baixa velocidade comemorações pela vitória, e visitando países que tomaram
dos navios para o ataque torpédico. A tensão reinante durante parte naquele grande conflito.
esses eventos era enorme, sem contar com as difíceis A vitória dos aliados seria confirmada em Paris, em 28 de
condições em que eram realizadas. Os navios ficavam junho de 1919, quando se reuniram os representantes de 32
literalmente negros de carvão e todos trabalhavam do nascer países e assinaram o Tratado de Versalhes, que foi imposto à
do sol até o término do abastecimento. Alemanha derrotada.
Depois de oito dias de travessia, a DNOG chegou ao porto Em 9 de junho de 1919, depois de parar Recife por breves
de Freetown, onde se agregou ao Esquadrão britânico. Nessa dias, os navios da DNOG entravam na Baía de Guanabara, porto
cidade, os navios permaneceram por 14 dias, reabastecendo- sede da Divisão Naval. Acabara assim, a participação da
se e sofrendo os reparos necessários à continuação da missão. Marinha na Primeira Guerra Mundial.
Em 23 de agosto de 1918, a Divisão suspendeu em direção
a Dakar, tendo esse percurso sido muito desconfortável para O Período entre Guerras
as tripulações dos navios devido ao mau tempo reinante. Na
véspera da chegada a esse porto africano, no período noturno, O período entre guerras, que abarcou os anos de 1918 até
foi avistado um submarino navegando na superfície. 1939, caracterizou-se pelo abandono a que foi submetida não
Imediatamente foi atacado pela força brasileira, no entanto o só a Marinha de Guerra como praticamente toda a atividade
submarino conseguiu lançar um contra-ataque contra o nacional relacionada com o mar. A ausência de mentalidade
Cruzador-Auxiliar Belmonte, quase atingindo seu intento, uma marítima do povo brasileiro revelou-se em toda a sua
vez que a esteira fosforescente do torpedo foi perfeitamente intensidade.
observada a 20 metros da popa do navio brasileiro. No entanto, iniciativas modestas, ainda durante a Grande
A 26 de agosto, os navios aportavam em Dakar e aí Guerra, como a criação da Escola Naval de Guerra (depois
começariam as grandes provações dos tripulantes nacionais. Escola de Guerra Naval), da Flotilha dos Submarinos, com os
Todo esse martírio teria início quando o navio inglês três pequenos submarinos da Classe F, e da Escola de Aviação
Mantua iniciou uma rotina observada por nossos marinheiros Naval, indicaram a necessidade de se avançar na melhoria das
que o viam suspender de quando em vez para o alto-mar condições de prontidão da nossa Força Naval.
regressando em seguida. Logo após, soube-se que essas saídas A Revolução de 1930 representou para a Marinha um
eram para lançar ao mar os corpos dos homens de sua divisor de águas entre duas épocas distintas. Em relatório do
tripulação que haviam contraído a terrível “gripe espanhola”. Ministro da Marinha no ano de 1932, em que foi feita uma
Possivelmente o Mantua foi o responsável pela transmissão da análise da situação da Marinha, encontra-se registrada a
moléstia que vitimaria diversos tripulantes que nunca seguinte declaração:
retornariam ao Brasil.
No início de setembro as primeiras vítimas brasileiras “Estamos deixando morrer a nossa Marinha. A Esquadra
eram atingidas pela gripe mortal. Os sintomas eram quase agoniza pela idade, a maior parte dos navios era da Esquadra
sempre os mesmos. Fraqueza generalizada, seguida de grande de 1910, e perdido com ela o hábito das viagens, substituído pela
aumento de temperatura, com transpiração excessiva. Depois vida parasitária e burocrática dos portos, morrem todas as
de três ou quatro dias de grande mal-estar, seguia-se tosse tradições(...) Estamos numa encruzilhada: ou fazemos renascer
com expectoração sanguínea e congestão pulmonar. Alguns o Poder Naval sob bases permanentes e voluntariosas, ou nos
iniciavam as convulsões e os soluços, outros se debatiam em resignamos a ostentar a nossa fraqueza provocadora(...)
agonia, todos ávidos por água para debelar a sede estamos completamente desaparelhados...”.
incontrolável. Dentro de pouco tempo a morte se abatia
derradeira. O programa naval estabelecido em 1932, e ajustado em
A permanência em Dakar deveria ser curta. No entanto, 1936, elaborado sem obedecer nenhum planejamento
devido à gravidade da situação sanitária com a gripe, os navios estratégico ou político, criou uma Força Naval modesta, um
lá permaneceram mais tempo. A tudo isso somou-se o pouco melhor equilibrada, dentro das possibilidades
impaludismo e as febres biliares africanas. Dos navios financeiras e técnicas do País, podendo ministrar
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adestramento satisfatório e de intervir em operações comunicação terrestre entre Belém e São Luís, entre Fortaleza
limitadas, mais no campo interno que externo. Devemos e Natal e entre Salvador e Vitória.
reconhecer, no entanto, que tal modesta iniciativa foi um
marco de coragem, pois utilizou a incipiente indústria Segunda Guerra Mundial
brasileira na tentativa de se reconstituir em termos nacionais
um Poder Naval com alguma credibilidade. Antecedentes
Em 1935, foi iniciada uma grande reforma no Encouraçado Derrotada na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi
Minas Gerais, que constou da substituição de suas caldeiras e obrigada a restituir a Alsácia e a Lorena à França, ceder as
do aumento do alcance de seus canhões de 305mm. minas de carvão, suas colônias, submarinos e navios
As atividades de minagem e varredura tinham sido mercantes. Além disso, deveria pagar aos vencedores uma
mantidas em segundo plano desde o fim da Grande Guerra, indenização em dinheiro, ficando proibida de possuir Força
utilizando-se navios mineiros varredores improvisados. Em Aérea e de fabricar alguns tipos de armas. Era proibido
1940, obedecendo ao novo programa naval então aprovado, também possuir um Exército superior a 100 mil homens.
decidiu-se pela construção no Brasil de uma série de navios Estas medidas do Tratado de Versalhes atingiram
mineiros varredores, todos pertencentes à classe Carioca. duramente a economia alemã, afligindo seu povo, que passou
Em 1940, a nossa Força de Alto-Mar era assim constituída: a nutrir um sentimento de aversão às principais potências da
época. Estavam constituídos os elementos que os nazistas
Esquadra: necessitavam para alcançar o poder. Muitas dessas restrições,
– Divisão de Encouraçados: Minas Gerais e São Paulo; sob o comando de Hitler, começaram a ser ignoradas. A
– Divisão de Cruzadores: Rio Grande do Sul e Bahia; Alemanha crescia e, por isso, necessitava de mercado para os
– Flotilha de Contratorpedeiros: Maranhão, Piauí, Rio seus produtos e de colônias onde pudesse adquirir matérias-
Grande do Norte, Sergipe, Santa Catarina e Mato Grosso; primas.
– Flotilha de Submarinos: Humaitá, Tupi, Timbira e Por outro lado, também dispostos a destruírem a ordem
Tamoio; colonial vigente, Japão e Itália adotaram, na década de 1930,
– Tênderes: Belmonte e Ceará; uma política expansionista contra a qual a Liga das Nações
– Navios-Tanques: Novais de Abreu e Marajó; mostrou-se impotente. Cobiçando as matérias-primas e os
– Rebocadores: Aníbal de Mendonça, Muniz Freire, vastos mercados da Ásia, o Japão reiniciou sua investida
Henrique Perdigão e DNOG; imperialista em 1931, conquistando a Manchúria, região rica
– Flotilha de Navios Mineiros Varredores: dez navios; em minérios que pertencia à China. Em outubro de 1935, a
– Flotilha da Diretoria de Hidrografia e Navegação: três Itália de Mussolini invadiu a Etiópia. Em 1936, a Alemanha
navios hidrográficos e dois navios faroleiros. nazista começou a mostrar suas intenções ocupando a Renânia
(região situada entre a França e a Alemanha), indo juntar-se à
Navio isolado: Itália fascista e intervir na Guerra Civil Espanhola a favor do
– Navio-Escola Almirante Saldanha. General Franco. Neste ano de 1936, Itália, Alemanha e Japão
assinaram um acordo para combater o comunismo
Flotilha Fluviais: internacional (Pacto Anti-Comintern), formalizando o Eixo
Dispondo o Brasil de imensas bacias potamográficas, as Roma-Berlim-Tóquio.
forças fluviais sempre representaram um papel importante em Em agosto de 1939, a Alemanha e a União Soviética
nossa concepção estratégica. Em 1940, elas eram assim firmaram entre si um Pacto de Não Agressão, que estabelecia,
constituídas: secretamente, a partilha do território polonês entre as duas
– Flotilha do Amazonas: Canhoneira Amapá e Rebocador nações. Hitler se sentiu à vontade para agir, invadindo a
Mário Alves. Polônia e dando início à Segunda Guerra Mundial, que se
– Flotilha de Mato Grosso: Monitores Parnaíba, Paraguaçu alastrou por toda a Europa.
e Pernambuco; Avisos Oiapoque e Voluntários; e Navio-
Tanque Potengi.
Pode-se perceber, claramente, a vulnerabilidade de nosso
Poder Naval para o enfrentamento da guerra A/S Início das Hostilidades e Ataques aos Nossos Navios
(antissubmarino). Não possuíamos sensores adequados, nem Mercantes
adestramento para a luta contra os submarinos. A doutrina A Marinha Mercante brasileira somava 652.100 toneladas
A/S era baseada ainda nas lições apreendidas na Primeira brutas de arqueação no início da guerra. Mesmo pequena e
Guerra Mundial, muito diferente do que vinha ocorrendo nas composta de navios antiquados, se comparada com as grandes
águas do Atlântico Norte e Mediterrâneo desde 1939. potências de então, ela exercia papel fundamental na
economia nacional, não só no transporte das exportações
A Situação em 1940 brasileiras, mas também na navegação de cabotagem que
Como vimos, no início da década de 1940 o nosso Poder mantinha o fluxo comercial entre as economias regionais,
Naval possuía limitações operacionais importantes. No início isoladas pela deficiência das nossas redes rodoviárias e
da Segunda Guerra Mundial, em 1939, na Europa, o Brasil ferroviárias.
contava com praticamente os mesmos navios da Primeira No decorrer da guerra, foram perdidos por ação dos
Guerra Mundial. submarinos alemães e italianos 33 navios mercantes, que
A verdade é que não se equipam e treinam forças navais somaram cerca de 140 mil toneladas de arqueação (21% do
sem verbas condizentes, que eram seguidamente preteridas total) e a morte de 480 tripulantes e 502 passageiros.
pelo governo Getúlio Vargas. Os primeiros ataques à nossa Marinha Mercante
As grandes preocupações do nosso Estado-Maior da ocorreram quando o Brasil ainda se mantinha neutro no
Armada eram a defesa de nossa enorme e desprotegida costa conflito europeu. Em 22 de março de 1941, no Mar
marítima e, fundamentalmente, a proteção das linhas de Mediterrâneo, o Navio Mercante (NM) Taubaté foi metralhado
comunicação, vitais para a conservação de nossas artérias pela Força Aérea alemã, tendo sido avariado apesar da pintura
comerciais com o exterior e para a manutenção das linhas de em seu costado da Bandeira Brasileira. Com a entrada dos
cabotagem. Devemos observar que no ano de 1940 esse tipo Estados Unidos da América naquele conflito, os submarinos
de transporte era fundamental, pois não existia uma única alemães passaram a operar no Atlântico ocidental, ameaçando
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os navios de bandeiras neutras que tentassem adentrar portos da costa de Alagoas com destino ao Recife. O velho navio foi ao
norte-americanos. fundo levando 270 almas de um total de 306 tripulantes e
A primeira perda brasileira foi o NM Cabedelo, que deixou passageiros embarcados, inclusive parte da guarnição do 7º
o porto de Filadélfia, nos Estados Unidos, com carga de carvão, Grupo de Artilharia de Dorso do Exército Brasileiro que iria
em 14 de fevereiro de 1942. Naquele momento ainda não reforçar as defesas do Nordeste. Algumas horas depois, o U-
existia o sistema de comboios nas Antilhas. O navio 507 encontrou o Paquete Araraquara navegando escoteiro e
desapareceu rapidamente sem dar sinais, podendo ter sido inteiramente iluminado e o afundou com dois torpedos,
torpedeado por um submarino alemão ou italiano. Ele foi vitimando 131 das 142 pessoas a bordo.
considerado perdido por ação do inimigo, uma vez que o Na madrugada do dia 16, foi a vez do Paquete Aníbal
tempo reinante era bom e claro. Benévolo, também utilizado nas linhas de cabotagem.
No torpedeamento desse navio aconteceu um fato Em 17 de agosto, na altura do Farol do Morro de São Paulo,
inusitado: segundo relato do comandante, às 19h30min, um ao Sul de Salvador, o U-507 torpedeou o Paquete Itagiba, que
avião sobrevoou o navio para iluminá-lo. Hoje, sabe-se que os tinha, entre os seus 121 passageiros, o restante do 7º Grupo de
alemães tinham uma aeronave espiã, com base em território Artilharia de Dorso.
norte-americano, para orientar os submarinos para os Nesse mesmo dia, o NM Arará foi torpedeado quando
ataques. recolhia náufragos dos primeiros alvos do submarino
Seguiu-se o torpedeamento do NM Buarque, em 16 de germânico.
fevereiro de 1942, pelo Submarino alemão U-432, comandado A última vítima do Comandante Schacht foi a Barcaça
pelo Capitão-Tenente Heins-Otto Schultze, a 60 milhas do Cabo Jacira, pequena embarcação que foi posta a pique em 19 de
Hatteras, quando levava para os Estados Unidos 11 agosto.
passageiros, café, algodão, cacau e peles. O navio, do tipo misto, A ação de cinco dias do submarino alemão U-507 levou a
era do Lloyd Brasileiro, tendo se salvado toda a tripulação de pique seis embarcações dedicadas às linhas de cabotagem,
73 homens. vitimando 607 pessoas, chocando a opinião pública brasileira
Em 18 de fevereiro de 1942 foi a vez do NM Olinda, e levando o governo a declarar o estado de beligerância com a
torpedeado pelo mesmo U-432, ao largo da Virgínia, Estados Alemanha em 22 daquele mês e, finalmente, o estado de guerra
Unidos. O submarino veio à superfície, mandando o mercante contra esse país, a Itália e o Japão em 31 de agosto de 1942.
parar, dando ordem de abandonar o navio. Esperou que todos Com comboios organizados ainda de maneira incipiente,
embarcassem nas baleeiras e, a tiros de canhão, pôs a pique o foram afundados os navios mercantes Osório e Lages, em 27
Olinda. A tripulação, de 46 homens, foi salva pelo USS Dallas. de setembro de 1942, seguindo-se o afundamento do pequeno
Seguiram-se, em 1942, os torpedeamentos dos mercantes NM Antonico, que navegava escoteiro ao largo da costa da
Arabutã, em 7 de março; Cairu, em 8 de março; Parnaíba, em Guiana Francesa. Este ataque alemão ficou tragicamente
1º de maio; Gonçalves Dias, em 24 de maio; Alegrete, em 1º de gravado na mente dos protagonistas, pois o U-516 com sua
junho; Pedrinhas e Tamandaré, em 26 de junho, todos artilharia metralhou os náufragos nas baleeiras, após o
ocorridos ou na costa norte-americana ou no Mar das Antilhas, pequeno navio ter sido posto a pique, matando e ferindo
área que os submarinos alemães atuaram no início do muitos deles. Ainda em 1942, foram perdidos os NM Porto
envolvimento dos Estados Unidos no conflito, quando ainda Alegre e Apalóide.
eram precárias as patrulhas antissubmarino norte- A organização dos comboios nos portos nacionais, que
americanas. reuniam navios mercantes da navegação de longo curso e de
A única exceção nesse período foi o NM Comandante Lira, cabotagem, escoltados por navios de guerra brasileiros e
torpedeado no litoral brasileiro, ao largo do Ceará, pelo norte-americanos e a intensa patrulha antissubmarino
Submarino italiano Barbarigo. Foi o único navio a ser salvo, empreendida pelas forças aeronavais aliadas levaram a uma
graças ao pronto auxílio dado pelo Rebocador da Marinha drástica diminuição nas perdas dos navios de Bandeira
brasileira Heitor Perdigão e por alguns navios norte- Brasileira, com oito torpedeamentos, comparados aos 24
americanos. ocorridos ao longo do ano anterior.
O NM Barbacena e NM Piave, torpedeados pelo Submarino A maioria dos navios mercantes brasileiros vitimados por
alemão U-155 ao largo da Ilha de Trinidad, em 28 de julho de submarinos alemães em 1943 navegava fora dos comboios. O
1942, foram as últimas perdas ocorridas por ação do inimigo NM Brasilóide navegava escoteiro quando foi torpedeado em
enquanto o Brasil ainda se mantinha formalmente como país 18 de fevereiro de 1943; já o NM Afonso Pena, indevidamente,
neutro. abandonou o comboio do qual fazia parte e foi afundado em 2
Em 28 de janeiro de 1942, o Brasil rompeu relações de março; o NM Tutóia foi atingido em 20 de junho, também
diplomáticas com os países que compunham o Eixo. A viajando isolado. O NM Pelotaslóide, fretado ao governo norte-
colaboração militar entre o Brasil e os Estados Unidos, que americano para transporte de material bélico, foi afundado na
desde meados de 1941 já era notória, intensificou-se com a entrada do canal para o Porto de Belém quando esperava o
assinatura de um acordo político-militar em 23 de maio de embarque do prático, estando escoltado por três caça-
1942. submarinos da Marinha brasileira. O NM Bagé compunha um
Neste período deslocava-se para o saliente nordestino comboio quando, na tarde de 31 de julho, foi obrigado a seguir
brasileiro a Força-Tarefa 3 da Marinha norte-americana, tendo viagem isolado, pois suas máquinas produziam fumaça em
o governo Vargas colocado os portos de Recife, Salvador e, demasia, fazendo com que o comboio pudesse ser localizado
posteriormente, Natal à disposição das forças norte- por submarinos do Eixo a grandes distâncias, colocando em
americanas. risco os outros navios comboiados. Naquela mesma noite foi
As atitudes cada vez mais claras de alinhamento do Brasil torpedeado. Os dois últimos torpedeamentos de navios
com os países aliados levaram o Alto Comando alemão a mercantes brasileiros foram o Itapagé, em 26 de setembro, e o
planejar uma operação contra os principais portos brasileiros. Campos, em 21 de outubro de 1943, todos os dois navegando
Posteriormente, por ordem de Hitler, esta ofensiva submarina escoteiros.
foi reduzida em tamanho, mas não em intensidade, com o
envio de um submarino ao litoral com ordens para atacar Lei de Empréstimo e Arrendamento, Modernizações de
nossa navegação de longo curso e de cabotagem. Nossos Meios e a Defesa Ativa da Costa Brasileira
No cair da tarde de 15 de agosto de 1942, o Submarino A Lei de Empréstimo e Arrendamento – Lend Lease – com
alemão U-507, comandando pelo Capitão-de-Corveta Harro os Estados Unidos permitia, sem operações financeiras
Schacht, torpedeou o Paquete Baependi, que navegava ao largo imediatas, o fornecimento dos materiais necessários ao
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esforço de guerra dos países aliados. Ela foi assinada a 11 de – Navio-Tanque Marajó: instalado um canhão de 120mm
março de 1941. na popa e uma metralhadora de 20mm Oerlikon;
Em acordo firmado a 1º de outubro de 1941, o Brasil – Tênder Belmonte: reinstalados dois canhões de 120mm;
obteve, nos termos dessa lei, um crédito de 200 milhões de – Contratorpedeiros classe Maranhão e restante de classe
dólares, o qual, por ordem do presidente da República, coube Pará: instaladas duas calhas para lançamento de bombas de
ao Exército 100 milhões e à Marinha e à Força Aérea 50 profundidade de 300 libras; e
milhões cada. Da cota destinada à Marinha, um total de 2 – Rebocadores e demais navios-auxiliares, armados com
milhões de dólares foi despendido com o armamento dos uma ou duas metralhadoras de 20mm Oerlikon.
navios mercantes. Essas aquisições pelo Lend Lease e os aperfeiçoamentos
Ao rompermos relações diplomáticas como Eixo, a impetrados em nossa Força Naval vieram aumentar em muito
Marinha do Brasil desconhecia as novas táticas nossa capacidade de reagir de forma adequada aos novos
antissubmarino e estava, consequentemente, desprovida do desafios que se afiguravam. Seria injusto não mencionar que o
material flutuante e dos equipamentos necessários para auxílio norte-americano foi vital para que pudéssemos nos
executá-las. contrapor aos submarinos alemães.
Os progressos verificados nos entendimentos entre o Além disso, algumas providências de caráter
Brasil e os Estados Unidos, depois dos torpedeamentos dos administrativo, de treinamento e modificações materiais
primeiros navios na costa leste norte-americana e nas foram se tornando necessárias.
Antilhas, permitiram incluir na agenda de discussões o Como primeira medida de caráter orgânico, foram
fornecimento ao Brasil de pequenas unidades de proteção ao instalados os Comandos Navais, criados pelo Decreto nº
tráfego e de ataque a submarinos. 10.359, de 31 de agosto de 1942, com o propósito de prover
Os primeiros navios recebidos pelo Brasil, depois da uma defesa mais eficaz da nossa fronteira marítima,
declaração de guerra, foram os caça-submarinos da classe G orientando e controlando as operações em águas a ela
(Guaporé e Gurupi), entregues em Natal, a 24 de setembro de adjacentes, não só as relativas à navegação comercial, como às
1942. de guerra propriamente ditas e de assuntos correlatos. A área
Em seguida, foram incorporados à Marinha do Brasil, em de cada Comando abrangia determinado setor de nossas
Miami, oito caça-submarinos da classe J (Javari, Jutaí, Juruá, costas marítimas e fluviais.
Juruema, Jaguarão, Jaguaribe, Jacuí e Jundiaí). Foram instalados os seguintes comandos:
No ano de 1943, foram entregues mais seis unidades da - Comando Naval do Norte, com sede em Belém,
classe G (Guaíba, Gurupá, Guajará, Goiana, Grajaú e Graúna). abrangendo os Estados do Acre, Amazonas, Pará, Maranhão e
Nos anos de 1944 e 1945, mais oito unidades foram Piauí.
entregues, dessa vez os excelentes contratorpedeiros-de- - Comando Naval do Nordeste, com sede em Recife,
escolta que já operavam em nossas águas (Bertioga, Beberibe, abrangendo os Estados do Ceará, Rio Grande do Norte,
Bracuí, Bauru, Baependi, Benevente, Babitonga e Bocaina). Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
Após o término da guerra na Europa, a Marinha recebeu - Comando Naval do Leste, com sede em Salvador,
dos Estados Unidos, a 16 de julho de 1945, em Tampa, na abrangendo os Estados de Sergipe, Bahia e Espírito Santo.
Flórida, o Navio-Transporte de Tropas Duque de Caxias. - Comando Naval do Centro, com sede no Rio de Janeiro,
Mais tarde, a cessão desses navios ao Brasil foi tornada abrangendo os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
permanente, com o compromisso de não os entregarmos a - Comando Naval do Sul, com sede em Florianópolis,
outros países, sendo então fixado o seu aluguel em 5 milhões abrangendo os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
de dólares, descontando-se o que nos era devido pelo do Sul.
arrendamento de navios brasileiros aos Estados Unidos, pela - Comando Naval do Mato Grosso, com sede em Ladário,
cessão do mercante misto alemão Windhunk aos norte- abrangendo as bacias fluviais de Mato Grosso e Alto Paraná.
americanos e pelos navios perdidos durante a guerra.
Nada se conhece sobre indenizações norte-americanas, em Esses Comandos, ordenando suas atividades conforme a
troca das facilidades concedidas à sua Marinha em nossos concepção estratégica da guerra no mar (da preparação
portos, nem pelo uso do território nacional para instalação de logística e do emprego das forças ou outros elementos de
suas bases aéreas e navais. Simplesmente, ficamos de posse defesa nas zonas que lhes eram atribuídas, e obedecendo às
das benfeitorias realizadas e dos materiais existentes em seus diretrizes gerais estabelecidas pelo Estado-Maior da Armada,
armazéns. a quem se achavam subordinadas), constituíram uma
Quanto às construções navais aqui no Brasil, tivemos a organização da maior importância na conduta eficaz das
incorporação de contratorpedeiros da classe M (Mariz e operações navais. Sua existência facilitou o desenvolvimento
Barros, Marcílio Dias e Greenhalgh) e das Corvetas Matias de dos recursos disponíveis nas respectivas áreas de influência,
Albuquerque, Felipe Camarão, Henrique Dias, Fernandes mobilizando elementos para o apoio logístico e para a defesa
Vieira, Vidal de Negreiros e Barreto de Menezes. local.
Declarada a guerra, foi desenvolvido um trabalho intenso O chefe do Estado-Maior da Armada entrou em
para adaptar nossos antigos navios, dentro de suas entendimento com seus colegas do Exército e da Aeronáutica
possibilidades, para a campanha antissubmarino. Os seguintes para organizar um serviço conjunto de vigilância e defesa da
serviços foram executados: costa, tendente a prevenir a possibilidade de aproximação e
– Cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul: instalados sonar desembarque inimigos.
e equipamento para ataques antissubmarino (duas calhas para
lançamento de bombas de profundidade de 300 libras); Defesas Locais
– Navios mineiros varredores classe Carioca: Desde julho de 1942, por meio da Circular no 40, do dia 14,
reclassificados como corvetas. Retirados os trilhos para em atendimento às Circulares Secretas nº 9 e 33,
lançamento de minas e instalados sonar e equipamentos para respectivamente de 22 de janeiro e 12 de junho de 1942, o
ataques antissubmarino (dois morteiros K e duas calhas para Estado-Maior da Armada determinou que se observassem as
lançamento de bombas de profundidade de 300 libras); instruções que orientavam as atividades de cada capitania de
– Navios Hidrográficos Rio Branco e Jaceguai: mesmas porto ou delegacia, em benefício da Segurança Nacional.
instalações das Corvetas classe Carioca e mais duas A ação do Estado-Maior da Armada estendeu-se ao serviço
metralhadoras de 20mm Oerlikon; de carga e descarga dos navios mercantes nos portos, tendo,
para esse fim, coordenado sua ação com a do Ministério da
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Viação e Obras Públicas e com a Comissão de Marinha As minas encontradas à deriva eram destruídas pelos
Mercante. Preocupou-se, também, com as luzes das praias e navios de patrulha com tiros de canhão. O Terceiro
edifícios próximos aos portos, ou em regiões que pudessem Grupamento Móvel de Artilharia de Costa e o Segundo Grupo
silhuetar os navios no mar, alvos dos submarinos inimigos. do Terceiro Regimento de Artilharia Antiaérea do Exército
Imaginava-se que o Alto Comando alemão traçaria planos coordenavam-se com os elementos da Marinha, o que permitia
para realizar ataques maciços aos portos brasileiros. Em uma cobertura completa da costa;
agosto de 1942, chegou a ser ventilada pelo Alto Comando
Naval alemão a autorização para investida em nossas águas de Salvador – a defesa principal do porto cabia ao
vários submarinos. No entanto, somente o U-507 foi designado Encouraçado Minas Gerais, com sua artilharia controlada em
para operar em nossas águas. A 20 de agosto de 1943, pela conjunto com as baterias do Exército, situadas na Ponta de
Circular nº 5, o Comando da Força Naval do Nordeste alertou Santo Antônio e na Ilha de Itaparica. Em abril de 1943, os
para a possibilidade de desembarque de elementos isolados, Monitores Parnaíba e Paraguaçu foram movimentados de
tendo como objetivo realizar atos de sabotagem contra portos, Mato Grosso para Salvador, por solicitação do Comandante
depósitos, comunicações e outros pontos vitais do território Naval do Leste. Depois de sofrerem algumas modificações no
brasileiro. Rio de Janeiro (em especial no armamento), ficaram em
condições de operar na Baía de Todos os Santos.
Defesa Ativa Aparelhos de radiogoniometria de alta frequência
Na História há numerosos exemplos de navios corsários cruzavam as marcações com equipamentos semelhantes no
que surgiram de surpresa diante de um porto para danificarem Recife, a fim de localizar submarinos;
suas instalações ou amedrontarem suas populações. Do ponto
de vista militar, os efeitos dessas incursões são reduzidos, Natal – os serviços de proteção do porto estavam a cargo
sendo a ação, na maioria das vezes, executada para do Comando da Base Naval de Natal. Também eram acionadas
desorganizar a vida da localidade e obter efeitos morais. unidades do Exército (que mantinham baterias na barra) e da
Com o advento do submarino, o perigo tornou-se maior, Força Aérea Brasileira;
com a possibilidade de torpedeamento de navios ancorados
nos portos. Vitória – a proteção do porto ficou entregue ao Exército,
Por esses motivos, foi organizada a defesa ativa, atuando havendo a Marinha cedido alguns canhões navais de 120mm
em pontos focais da costa, com a finalidade de repelir qualquer para artilhar a barra;
ataque aéreo ou naval inimigo, por meio de ações coordenadas
da Marinha de Guerra, do Exército e da Aeronáutica. Ilhas oceânicas – na Ilha da Trindade foi estacionado um
Adotaram-se as seguintes medidas de defesa: destacamento de fuzileiros navais, em 20 de março de 1942,
levado pelo Navio-Transporte José Bonifácio. A defesa do
Rio de Janeiro – instalação de uma rede de aço protetora Arquipélago de Fernando de Noronha, situado em ponto focal
no alinhamento Boa Viagem, Villegagnon e coordenação do no Atlântico, ficou entregue ao Exército, que o Navio-
serviço de defesa do porto com as fortalezas da barra. Transporte Acervo do Serviço de Documentação da Marinha
A rede era fiscalizada por lanchas velozes, e a sua entrada José Bonifácio artilhou fortemente, levando contingentes em
aberta e fechada por rebocadores. O patrulhamento interno comboios escoltados por navios da Marinha. A ocupação se
cabia aos navios da chamada Flotilha “João das Bottas” deu logo depois que o Brasil rompeu relações diplomáticas
(constituída de navios mineiros e de instrução), rememorando com o Eixo, sendo o primeiro grupo de militares
a flotilha de pequenas embarcações comandada pelo Segundo- transportados, junto com material de guerra, em um comboio,
Tenente João Francisco de Oliveira Bottas, que fustigou os em 15 de abril de 1942;
portugueses encastelados em Salvador e na Baía de Todos os
Santos na Guerra de Independência. Santos – os Rebocadores São Paulo (eram dois com o
Externamente, ou onde fosse necessário, atuavam os mesmo nome, sendo um chamado de iate) foram artilhados;
antigos contratorpedeiros classe Pará, oriundos do programa outras embarcações menores requisitadas faziam serviço de
de reaparelhamento naval de 1906, recebidos em 1910, com vigilância;
mais de 30 anos de intensa operação. A responsabilidade da
defesa ficou afeta ao Comando da Defesa Flutuante, Rio Grande – foi artilhado o Rebocador Antonio Azambuja.
subordinado ao Comando Naval do Centro. Como reforço às defesas locais, foram criadas Companhias
Em junho de 1944, afastado o perigo de um ataque de Regionais do Corpo de Fuzileiros Navais em Belém, Natal,
submarinos aos navios ancorados no porto, suspendeu-se a Recife e Salvador.
patrulha externa feita pelos veteranos contratorpedeiros, Ao se lembrar da participação da Marinha na Segunda
sendo mantida apenas a vigilância interna, a cargo de um Guerra Mundial, a primeira imagem que surge é a conhecida
rebocador portuário. Força Naval do Nordeste.
Um especialista norte-americano, o Tenente Jacowski,
estabeleceu planos para a utilização de boias de escuta Força Naval do Nordeste
submarina, a serem adotadas de acordo com as necessidades. A missão da Marinha do Brasil na Segunda Guerra Mundial
Em julho de 1943, teve início o serviço de varredura de minas foi patrulhar o Atlântico Sul e proteger os comboios de navios
do canal da barra, realizada pelo USS Flincker, substituído mercantes que trafegavam entre o Mar do Caribe e o nosso
mais tarde pelo USS Linnet. Observamos aí, mais uma vez, o litoral sul contra a ação dos submarinos e navios corsários
auxílio direto norte-americano. germânicos e italianos.
A capacidade de combate da Marinha do Brasil no
Recife – o Encouraçado São Paulo, amarrado no interior do alvorecer do conflito era modesta se comparada com as
arrecife, provia a defesa da artilharia e supervisionava a rede grandes Esquadras em luta no Atlântico Norte e no Pacífico. O
antitorpédica. A varredura de minas era feita por navios nosso pessoal e nossos meios não estavam preparados para se
mineiros varredores norte-americanos. Estava estacionado no engajar com o inimigo oculto sob o mar, que assolava o
Recife um grupo de especialistas em desativação de minas, as transporte marítimo em nosso litoral.
quais, por vezes, davam à costa, sendo estudadas Ingressaríamos em uma guerra antissubmarino sem
cuidadosamente antes de serem destruídas. equipamentos para detecção e armamento apropriados,
porém este obstáculo não impediu que navios e tripulações
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estivessem patrulhando nossas águas, mesmo antes do Marinhas. Foram aperfeiçoados procedimentos comuns e
envolvimento oficial do governo brasileiro no conflito, apesar táticas eficazes na luta antissubmarino.
de todos os perigos. Em 7 de novembro de 1945, concluída a sua missão, a
A criação da Força Naval do Nordeste, pelo Aviso nº 1.661, Força Naval do Nordeste regressou ao Rio de Janeiro em seu
de 5 de outubro de 1942, foi parte de um rápido e intenso último cruzeiro, tendo contribuído para a livre circulação nas
processo de reorganização das nossas forças navais para linhas de navegação do Atlântico Sul.
adequar-se à situação de conflito. Sob o comando do Capitão-
de-Mar-e-Guerra Alfredo Carlos Soares Dutra, a recém-criada Resultados
força foi inicialmente composta pelos seguintes navios: Não se pode analisar a participação da Marinha de Guerra
Cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul, Navios Mineiros brasileira na Segunda Guerra Mundial sem apontar alguns
Carioca, Caravelas, Camaquã e Cabedelo (posteriormente dados que delimitam todo o seu esforço para manter nossas
reclassificados como corvetas) e os Caça Submarinos Guaporé linhas de comunicação abertas.
e Gurupi. Foram comboiados cerca de 3.164 navios, sendo 1.577
Ela seria posteriormente acrescida do Tênder Belmonte, brasileiros e 1.041 norte-americanos, em 575 comboios.
caça submarinos, contratorpedeiros de escolta, Considerando esse número de navios e as perdas em
contratorpedeiros classe M, submarinos classe T, comboios, chegamos à conclusão de que cerca de 99,01% dos
constituindo-se na Força-Tarefa 46 da Força do Atlântico Sul, navios protegidos atingiram os seus destinos.
reunindo a nossa Marinha sob o comando operacional da 4ª Foram percorridos pelas escoltas, sem contar os
Esquadra Americana. ziguezagues realizados para dificultar a detecção submarina e
A atuação conjunta com os norte-americanos trouxe novos o tiro torpédico, um total de 600.000 milhas náuticas, ou seja,
meios navais e armamentos adequados à guerra 28 voltas em redor da Terra pelo Equador.
antissubmarino, bem como proporcionou treinamento para o A Esquadra americana comboiou no Atlântico 16 mil
nosso pessoal. navios, o que corresponde a 16 mercantes por cada navio de
O combate, porém, nos custou muitas vidas. As perdas guerra. A Marinha do Brasil comboiou mais de três mil navios,
brasileiras na guerra marítima somaram 31 navios mercantes o que corresponde a 50 mercantes por cada navio de guerra
e três navios de guerra, tendo a Marinha do Brasil perdido 486 brasileiro.
homens. Foram atacados 33 navios mercantes brasileiros, com um
A primeira perda da Marinha de Guerra foi a do Navio total de 982 mortos ou desaparecidos na Marinha Mercante.
Auxiliar Vital de Oliveira, torpedeado por submarino alemão Em tonelagem bruta, foram perdidos 21,47% da frota
pelo través do Farol de São Tomé, em 19 de julho de 1944. Às nacional.
23h55min, foi sentida forte explosão na popa, abrindo grande O navio de guerra que mais tempo passou no mar foi o
rombo, por onde começou a entrar água em enormes Caça-Submarinos Guaporé, num total de 427 dias de mar, em
proporções. Segundo algumas testemunhas, o afundamento do pouco mais de três anos de operação, o que perfez uma média
navio deu-se em apenas três minutos. A maior parte dos anual de 142 dias de mar.
sobreviventes foi resgatada no dia seguinte por um barco O navio que participou no maior número de comboios foi a
pesqueiro e por outros dois navios da Marinha, o Javari e o Corveta Caravelas, com 77 participações.
Mariz e Barros. Morreram nesse ataque 99 militares. A primeira conclusão a que se pode chegar é a que
Quarenta e oito horas após o torpedeamento do Vital de adquirimos maior capacidade para controlar áreas marítimas
Oliveira, a cerca de 12 milhas a nordeste da barra de Recife, e maior poder dissuasório. No entanto, deve ser admitido que
perdeu-se a Corveta Camaquã, afundada devido a violento tal situação foi fruto do auxílio norte-americano. Se
mar. estivéssemos sozinhos nessa empreitada, poderíamos ficar em
Discutem-se até hoje os motivos que levaram esse navio a situação delicada, principalmente na manutenção de nossas
seu afundamento. O Comandante Antônio Bastos Bernardes, linhas de comércio marítimo.
sobrevivente do sinistro, afirmou alguns anos após esse A segunda conclusão aponta para uma mudança de
acidente que o emborcamento se deu por “fortuna do mar”. mentalidade na Marinha, com a assimilação de novas técnicas
Seja como for, pereceram nessa oportunidade 33 pessoas. de combate e a incorporação de meios modernos para as
Por fim, o pior desastre enfrentado pela Marinha durante a forças navais. Essa mudança de mentalidade fez a Marinha
Segunda Guerra Mundial foi a perda do Cruzador Bahia, no dia tornar-se bem mais profissional.
4 de julho de 1945. Essa tragédia foi exacerbada pelo A terceira foi a oportunidade da Marinha “sentir o odor do
conhecimento dos terríveis sofrimentos dos náufragos, combate”, participar de ações de guerra e adquirir
abandonados no mar durante muitos dias, por experiências da refrega, das adversidades, do medo e da dor
incompreensível falha de comunicações. com a perda de navios e companheiros. Essa experiência de
Três infortúnios e cerca de 486 mortos, incluindo os combate foi fundamental para forjar os futuros almirantes,
falecidos em outros navios e em navios mercantes afundados, oficiais e praças da Marinha, acostumados com a vida dura da
mais que os mortos brasileiros em combate na Força guerra antissubmarino e da monotonia e do estresse dos
Expedicionária Brasileira que lutou na Itália. comboios.
Pouco discutida é a atuação da Quarta Esquadra Norte- A quarta conclusão é a percepção de que a logística ocupa
Americana, subordinada ao Vice-Almirante Jonas Ingram. lugar de importância na manutenção de uma força combatente
Figura notável que teve o mérito de congregar forças operando eficientemente. Esse tipo de percepção refletiu-se na
heterogêneas em um comando unificado, eficiente e coeso, construção da Base Naval de Natal e outros pontos de apoio
auxiliado pelos Almirantes Oliver Read e Soares Dutra, logístico do nosso litoral. Nisso os Estados Unidos foram os
comandantes das principais forças-tarefas. grandes mestres.
Essa força norte-americana compreendeu, em seu maior A quinta foi a nossa aproximação com os norte-
efetivo, seis cruzadores, 33 contratorpedeiros, diversas americanos. Essa associação nos alinhou diretamente com
esquadrilhas de patrulha, bombardeiros e dirigíveis, além de suas doutrinas e com uma exacerbada ênfase na guerra
caça-submarinos, patrulheiros, tênderes, varredores, antissubmarino. Essa percepção só foi mudada a partir da
auxiliares e rebocadores. denúncia, em 1977, do Acordo Militar assinado com esse país
Um dos principais pontos desse relacionamento Brasil – em 1952. Com esta denúncia, optamos por uma tecnologia
Estados Unidos foi a integração operacional entre as duas relativamente autóctone.
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E, por fim, a guerra no mar mostrou-nos que, no caso do Militar faz com que seu emprego, mesmo indireto, possa
Brasil, em uma conflagração generalizada, as nossas linhas de excitar reações em países observadores. Tais reações podem
comunicação serão os alvos prioritários em nossa defesa, pois simplesmente resultar de excitação acidental ou refletir
ainda somos dependentes do comércio marítimo. resultados intencionalmente desejados por quem exerce esse
emprego indireto do Poder Militar, chamado de persuasão
Emprego Permanente do Poder Naval armada.
Como a paz é relativa, a persuasão armada não exclui nem
Poder Naval na Guerra e na Paz o uso da força, de maneira limitada, desde que entendido como
Sem o Poder Naval não haveria este Brasil que herdamos simbólico pelo país agredido. As grandes potências
de nossos antepassados. Toda vez que alguém utilizou a força internacionais, como os Estados Unidos da América, a Rússia e
para impor seus próprios interesses encontrou a oposição de outros utilizam permanentemente seus poderes militares.
um Poder Naval que defendeu com eficácia o território e os Dos componentes do Poder Militar, o Poder Naval pode ser
interesses que possibilitaram a formação do Brasil. empregado para exercer persuasão armada, em tempo de paz,
Cabe observar que, em geral, o que qualquer nação mais no que se denominou, na década de 1970, de “emprego político
deseja é a paz. Mesmo os países que promoveram as guerras do Poder Naval”. Ele pode ser empregado em condições
do passado queriam alcançar a paz. A paz, porém, da forma que inigualáveis com outros poderes militares, graças a seus
desejavam, impondo aos outros o que lhes convinha. atributos de: mobilidade, versatilidade de tarefas, flexibilidade
A Alemanha mandou seus submarinos afundarem os tática, autonomia, capacidade de projeção de poder e alcance
navios mercantes brasileiros porque não queria que o Brasil, geográfico.
apesar de ser ainda neutro na Segunda Guerra Mundial, Concorre para isso o conceito de liberdade dos mares, que
continuasse a fornecer matérias-primas para seus inimigos. possibilita aos navios de guerra se deslocar livremente em
Algumas dessas matérias-primas eram muito importantes águas internacionais, atingindo locais distantes e lá
para o esforço de guerra deles. O interesse do Brasil era permanecendo, sem maiores comprometimentos, em tempo
continuar comerciando com quem desejasse e transportando de paz.
as mercadorias livremente em seus navios, mas isto não era Antes da invasão do Afeganistão em outubro de 2001, por
bom para os alemães, que precisavam vencer a guerra para exemplo, os americanos deslocaram para águas
alcançar a paz da forma que desejavam, o mais breve possível. internacionais, próximas do local do conflito, uma poderosa
Na paz que a Alemanha queria, suas conquistas territoriais força naval. Influíam assim nos países da região, sinalizando
deveriam ser reconhecidas pelos outros países e sua expansão, apoio aos aliados, dissuadindo as ações dos que lhes eram
julgada por ela importante para o futuro dos alemães, imposta hostis e favorecendo o apoio dos indecisos, em suma, criando
aos povos vencidos. intencionalmente uma variedade de reações.
A guerra resulta de conflitos de interesses. Ela ocorre O sentido indireto da palavra persuasão é significativo,
porque não há um árbitro supremo para resolver pois é através da reação dos outros que ela se manifesta. Então,
completamente as questões entre os países. Existem é essencial que eles percebam o emprego das forças navais,
organizações internacionais, como a Organização das Nações modificando seu ambiente político e, consequentemente,
Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), afetando suas decisões, por se sentirem apoiados, dissuadidos
por exemplo, que muito ajudam para evitar a violência e ou mesmo compelidos a uma reação específica. Exerce-se,
manter essas questões no campo da diplomacia. Verifica-se, no portanto, a persuasão armada estimulando resultados que
entanto, que o poder delas é limitado, porque as nações são dependem de reações alheias, políticas e/ou táticas, às vezes
zelosas de sua soberania. Cada país precisa se precaver, conflitantes e em princípio imprevisíveis. Existe sempre a
cuidando da defesa de seus interesses, para que os outros possibilidade de se configurarem situações inesperadas, até
nunca pensem em empregar meios violentos para resolver os pelo resultado, não intencional, da excitação de terceiros. Daí
conflitos. a importância de uma permanente avaliação em qualquer ação
Não seria lógico pensar que alguém possa empregar a de emprego político do Poder Naval.
violência sem que imagine ter uma boa probabilidade de êxito,
sofrendo apenas perdas aceitáveis. Cabe ao Poder Militar de Classificação
um país – do qual o Poder Naval é também um dos Os tipos de persuasão naval específicos ao emprego do
componentes – criar permanentemente uma situação em que Poder Naval em tempos de paz, podem ser classificados
seja inaceitável, para os outros, respaldar seus interesses quanto aos modos em que os efeitos políticos se manifestam,
conflitantes com o emprego de força. Isto é, o nosso Poder sendo estes de sustentação, dissuasão e de coerção.
Militar deve permanentemente desencorajar os outros países - Na sustentação e na dissuasão, a persuasão se manifesta
de usar a violência e é, consequentemente, o guardião da paz – comportamentalmente em termos de se sentir apoiado ou
daquela paz que nos interessa, evidentemente. contrariado em suas intenções, de acordo com o próprio
No caso do Brasil, por exemplo, na paz que desejamos, a significado dos termos empregados. Os aliados se sentem
Amazônia é território nacional; o comércio internacional deve apoiados e quem é oponente desiste de sua atitude.
ser livre, assim como o uso do transporte marítimo nas rotas - Já a coerção tem a intenção de afastar a ação e fazer com
de nosso interesse; a maior parte do petróleo continua sendo que o hostil se sinta inibido de agir, portanto ele é dissuadido.
extraída do fundo do mar, sem ingerências de outros países; a A coerção, pode ser ainda positiva ou compelente, quando uma
enorme área compreendida pela Zona Econômica Exclusiva e ação já iniciada é forçada a uma determinada linha de ação e
pela Plataforma Continental brasileira, chamada de Amazônia se modifica, ou negativa, também chamada de deterrente,
Azul, é controlada pelo País; não ocorrem exigências anormais quando inibe uma determinada atitude, impedindo-a que seja
no pagamento de nossa dívida externa; entre outras coisas. A tomada.
dissuasão é, portanto, uma das principais formas de emprego
permanente do Poder Militar em tempo de paz. Como exemplo, podemos citar, a chamada Guerra da
Na paz, ou no que se denomina paz no mundo, o confronto Lagosta que aconteceu durante a crise da década de 1960,
entre os países, resultante de conflitos de interesses, ocorre onde a França enviou navios de guerra, em tempo de paz, para
evitando, ao máximo, o uso da violência, porém, disputando proteger seus barcos de pesca, que capturavam lagostas na
politicamente, economicamente e em todas as outras plataforma continental brasileira.
manifestações da potencialidade nacional. Nesse contexto, o Como resposta o governo brasileiro determinou que
potencial ofensivo intrínseco dos instrumentos do Poder diversos navios da Marinha do Brasil se dirigissem para o local
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da crise, demonstrando que o País estava disposto a defender em que dominava os mares, fazia questão de manter o seu
seus direitos, e se necessário usaria o emprego da força. No prestígio.
entanto, logo os navios franceses retornaram e o conflito de O Cruzador russo Askold, por exemplo, era o único navio
interesses voltou para o campo da diplomacia – de onde nunca de cinco chaminés do mundo e, em 1902, visitou o Golfo
deveria ter saído. Pérsico. Sua visita causou profunda impressão, devido à
A persuasão naval exercida pelo emprego do Poder Naval percepção de potência mecânica que o número de chaminés
brasileiro foi de coerção deterrente, porque inibiu o apoio transmitia.
intencionalmente os franceses pretendiam dar a seus de pesca. Em resposta, os britânicos desviaram o Cruzador HMS
No passado, muitas vezes as nações detentoras de Poder Amphritite para Mascate (capital de Omã). Para eles, a disputa
Naval utilizaram seus navios de guerra e suas forças navais de prestígio com a Rússia no Oriente era importante. Seu
com o propósito de sustentação ou de dissuasão. E a simples comandante providenciou mais duas chaminés de lona para
existência de um Poder Naval preparado para a guerra pode seu navio, totalizando seis e restaurando o prestígio local da
fazer com que aliados se sintam apoiados em suas decisões Marinha Real.
políticas nas relações internacionais e que inimigos sejam Possivelmente, a percepção mais importante do emprego
dissuadidos de suas intenções agressivas. político de uma força naval não está na aparência da força em
Evidentemente, os efeitos da persuasão armada podem se si, nem no prestígio da Marinha a que pertence, mas na
manifestar em diferentes níveis de intensidade. A relação percepção do quanto é realmente importante o objetivo
entre as forças empregadas para a persuasão naval e a pretendido para quem aplica a persuasão armada. A
intensidade dos efeitos que elas estimulam não é nem direta e disposição de usar a força e de sofrer as perdas consequentes
nem proporcional. deste ato é essencial e deve ser claramente perceptível.
A resultante final da persuasão depende da integração das A percepção da capacidade de alcançar o objetivo pela
inibições e incitações provocadas pela ameaça ou apoio, que é força também é muito importante. Pode ocorrer que não exista
por sua vez, função de decisões tomadas sob pressões essa capacidade, ou que não se possa alcançar o objetivo sem
políticas, condicionadas por fatores psicossociais e culturais e um sacrifício superior ao seu valor, ou basta que assim seja
pela interação entre os líderes e a opinião pública. Neste avaliado pelo país alvo, para que os resultados não sejam
sentido a percepção, além de ser relativa, é essencial à análise atingíveis através do emprego político do Poder Naval.
da persuasão. É interessante observar que, atualmente, os mísseis-ar
superfície e superfície-superfície colocaram países
A Percepção do Poder Naval relativamente fracos em condições de causar danos
consideráveis a uma força naval próxima a suas costas. Tal
A percepção do Poder Naval depende das capacidades que fato, porém, não impede que uma força naval possa exercer
são visíveis ao observador e esse observador deve estar persuasão, porque não é sua capacidade absoluta que importa,
embebido num contexto político, doméstico, regional e mas sim o que ela significa como representante do Poder Naval
internacional, que não apenas molda suas reações, mas que e da vontade de seu país de alcançar o objetivo suportando as
também influi na própria percepção. perdas prováveis, se tal for assim percebido.
Enquanto numa guerra preponderam as qualidades reais Na crise provocada pelos mísseis que a União Soviética
dos meios empregados, que decidem os resultados das ações pretendia instalar em Cuba, em 1962, a Marinha dos Estados
militares, em situação de paz ou conflitos de natureza limitada, Unidos mostrou determinação suficiente para que os
as ameaças são medidas em termos de previsões e soviéticos decidissem que os navios que transportavam os
comparações. Essas previsões se baseiam nos dados mísseis deveriam regressar.
quantitativos e qualitativos ao Treinamento de fuzileiros Foi portanto uma ação de coerção deterrente do emprego
alcance do observador, de sua capacidade de perceber, político do Poder Naval americano, pois modificou uma ação
portanto. que já estava em andamento, em face de terem percebido que
Os países desenvolvidos têm, em geral, maior capacidade os americanos estavam dispostos a usar a força para não ter
para avaliar as verdadeiras ameaças resultantes do Poder seu território ao alcance dos mísseis de Cuba.
Militar, inclusive do Poder Naval, que é um de seus Considerando o conflito pela posse das Ilhas Falklands/
componentes e sabem utilizar seus meios de comunicação Malvinas, em 1982, os argentinos deixaram de ser dissuadidos
para divulgar notícias que valorizam a capacidade de seus pelo Poder Naval britânico e invadiram as ilhas, porque
armamentos. julgaram que o valor daquelas ilhas não compensava o esforço
O mesmo não ocorre com países em desenvolvimento, que de projetar o poder da Marinha da Grã-Bretanha àquela
podem até ter sua percepção bastante influenciada por essas distância no Atlântico Sul, em face das perdas humanas e
notícias, tendo em vista suas próprias limitações de análise. materiais que provavelmente teria.
Em vista disso as avaliações das forças navais podem levar a Por seu turno, a ocupação militar das ilhas falhou porque o
conclusões bastante distorcidas em relação à capacidade real governo britânico levou a questão ao ponto de defesa da honra
de combate, mas, em tempo de paz, são estas avaliações do Reino Unido.
subjetivas que importam e que produzem resultados. O ambiente doméstico do país que é alvo da persuasão é
São “invisíveis” aos leigos em guerra naval, por exemplo, a básico no contexto político das decisões que governam sua
complexidade sistêmica dos navios modernos, necessárias às eficácia. É fundamental que os líderes desse país aceitem
respostas rápidas e eficazes, quando em combate. Por outro serem persuadidos e até cooperem, servindo de
lado, são “visíveis” os mísseis, os canhões e o próprio porte e intermediários com a opinião pública, para que o objetivo da
aspecto externo do navio. Na realidade, é importante que o persuasão seja considerado uma necessidade imposta e a
navio tenha suficiente flexibilidade para possibilitar seu atitude tomada como pragmática.
emprego político, mas a função política de tempo de paz não
deve levar à preparação de um Poder Naval apenas aparente. O Emprego Permanente do Poder Naval
O prestígio de uma Marinha sempre foi um dos atributos
mais importantes para a percepção do Poder Naval. O prestígio A teoria do emprego político do Poder Naval mostra a
está principalmente baseado nas capacidades “visíveis” e pode possibilidade do uso permanente das forças navais em tempo
levar à necessidade de demonstrar permanente superioridade. de paz, em apoio aos interesses de uma nação. Isso é verdade
A Marinha Real da Grã-Bretanha, por exemplo, durante a época tanto para os países desenvolvidos quanto para os países em
desenvolvimento e a intensidade e tipos de emprego são
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apenas funções do ambiente regional onde se situam e das (A) Mudança de posição política dos militares após a
vulnerabilidades que possuem. Guerra do Paraguai, além do crescimento dos movimentos
Para os países mais pobres, o armamento moderno abolicionistas e monarquistas.
possibilita condições excepcionais, em relação ao passado. O (B) Forte pressão dos meios jornalísticos contra o nível de
conflito das Falklands/Malvinas, em 1982, apesar do desfecho exploração dos trabalhadores no país, em especial dos
desfavorável à Argentina, é um exemplo que não pode deixar trabalhadores urbanos.
de ser citado, porque poderia, até, ter outro resultado, se (C) Reformas políticas promovidas pelo imperador (D.
houvesse submarinos argentinos eficazes e suficientes. Pedro II) e o crescimento do movimento abolicionista.
Táticas podem ser descritas para a persuasão naval. Essas (D) Grande fluxo emigratório e organizações dos
táticas são as diversas formas de emprego das forças navais trabalhadores urbanos.
para alcançarem resultados políticos em tempo de paz. Elas (E) Descapitalização dos latifundiários em função das
são: excessivas fugas de escravos e o crescimento do movimento
republicano.
• Demonstração permanente do Poder Naval;
• Posicionamentos operativos específicos; 02. O período monárquico no Brasil costuma ser dividido
• Auxílio naval; em três momentos distintos: Primeiro Reinado (1822-1831);
• Visitas operativas a portos; e Regências (1831 1840) e Segundo Reinado (1840-1889).
• Visitas específicas de boa vontade. Sobre as principais questões que marcaram esses momentos,
assinale a alternativa incorreta.
A demonstração permanente do Poder Naval permite, (A) A Guerra do Paraguai marcou o Primeiro Reinado e foi
através de ações como deslocamentos e manobras com forças, a grande responsável pelo enfraquecimento do poder de D.
inclusive estrangeiras, participação em missões de paz da Pedro I, resultando na Independência do Brasil.
Organização das Nações Unidas; reforços e reduções de nível (B) A primeira etapa da monarquia brasileira teve
de forças; aumento ou redução da prontificação para combate; dificuldades para se consolidar, o Primeiro Reinado foi curto e
e obter efeitos desejados como: aumentar a intensidade da marcado por tumultos e conflitos entre D. Pedro I - que era
persuasão; desencorajar; demonstrar preocupação em crises português com os brasileiros.
entre terceiros; exercer coerção ou apoio de maneira limitada (C) A primeira Constituição Brasileira foi outorgada em
ou restrita, entre outros. 1824, por D. Pedro I.
Os posicionamentos operativos específicos, situando (D) A segunda etapa da história do Brasil monárquico
navios ou forças navais próximo a um local de crise constituem inicia-se em 1831, com a renúncia de D. Pedro I em favor do
apenas um caso especial da demonstração permanente e as filho Pedro de Alcântara, com apenas cinco anos de idade.
ações podem ser semelhantes. (E) O terceiro momento da monarquia no Brasil inicia-se
O auxílio naval inclui a instalação de missões navais, o com o reinado de Dom Pedro II, período marcado pela
fornecimento de navios e o apoio de manutenção. centralização do poder de um lado e pelas disputas político-
As visitas a portos estrangeiros, para reabastecimento, partidárias entre liberais e conservadores, de outro.
descanso das tripulações, ou mesmo, específicas de boa
vontade, no que se denomina “mostrar a bandeira”, podem 03. O Período Regencial (1831-1840) foi marcado por uma
transmitir a imagem do prestígio da Marinha, aumentando a série de revoltas em vários pontos do Brasil. Sobre as revoltas
influência e acumulando vantagens psicossociais sobre o país ocorridas no Período Regencial, indique qual das alternativas
visitado. abaixo está incorreta:
O Poder Naval brasileiro é empregado em tempo de paz de (A) Balaiada, no Maranhão.
diversas maneiras, podendo-se destacar: (B) Sabinada, na Bahia.
- As operações com Marinhas aliadas, como a Operação (C) Inconfidência Mineira, em Minas Gerais.
Unitas, com a Marinha dos Estados Unidos e de países sul- (D) Revolta Farroupilha, no Sul do país.
americanos; a Operação Fraterno, com a Armada da República
Argentina; e muitas outras; 04. (CVM - Agente Executivo - ESAF) Atritos
- A participação em diversas missões de paz, permanentes decorrentes de disputas imperialistas,
transportando as tropas ou através de seus fuzileiros navais, profundas rivalidades políticas assentadas em extremado
como em São Domingos, Angola, Moçambique, Nicarágua e nacionalismo e constituição de dois blocos antagônicos de
Haiti; e alianças entre países, a Tríplice Aliança e a Tríplice Entente,
- As viagens de instrução do navio-escola e as visitas a configuram, entre outros aspectos, o quadro histórico que
portos estrangeiros, “mostrando a bandeira”. resultou na:
(A) Segunda Guerra Mundial.
Cabe também ressaltar o apoio que a Marinha do Brasil (B) Guerra Franco-Prussiana
presta a outras Marinhas aliadas (América do Sul e continente (C) Guerra dos Boxers
africano), o quanto a análise do passado demonstra a (D) Guerra Civil Americana
necessidade do emprego permanente do Poder Naval para o (E) Primeira Guerra Mundial
país e o quanto é importante para o Brasil manter um Poder
Naval capaz de inibir interesses antagônicos, uma expressão 05. (PC/MG - Escrivão de Polícia Civil - FUMARC) São
da conservação da paz, como desejado pelos brasileiros. conjunturas que precedem à eclosão da Primeira Guerra
Mundial, EXCETO:
Questões (A) A presença de várias potências europeias na Ásia e na
África fez com que interesses imperialistas se antagonizassem,
01. (IF/AL - Professor-História - CEFET/AL) O período sobretudo, no que se refere ao controle de territórios.
monárquico atravessou um momento de maior decadência (B) A política de alianças produzirá um “efeito dominó”,
a partir de 1870, contrastando com o apogeu do Império até lançando à guerra, uma após outra as nações signatárias dos
1850. Podemos afirmar como fatores constitutivos da acordos.
decadência imperial no período citado: (C) O nacionalismo adquire grande importância na eclosão
da guerra, uma vez que as alianças entre as nações europeias,
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Em 1917 com o triunfo da Revolução Russa, a Rússia como bombas, tanques, rifles de precisão e metralhadoras,
assina um acordo com as Potências Centrais (Império Alemão, transformaram os exércitos.
Império Austro-Húngaro, Bulgária e Império Otomano) que
oficializava a sua saída da guerra. Esse acordo levou o nome As Influências da Primeira Guerra Mundial no Cenário
de Tratado de Brest-Litovsk. Brasileiro
No mesmo ano os Estados Unidos entram no conflito após
ter seus navios mercantes atacados em águas internacionais No início do século XX, após anos de estreita aliança com a
por submarinos alemães. Grã-Bretanha, a República brasileira voltou suas atenções para
O receio de que seus principais parceiros comerciais na os Estados Unidos. Essa radical mudança de eixo em nossas
Europa perdessem o conflito também foi um motivo para a relações exteriores, estabelecida durante a gestão do barão do
entrada estadunidense na guerra. Rio Branco no Itamarati (1902-1912), foi além do plano
Com o desenrolar da guerra, as alianças estavam político-diplomático. Também no tocante às relações
desenhadas da seguinte forma: econômicas internacionais, que envolvem tanto o comércio
como as relações financeiras, os Estados Unidos substituíram
- Tríplice Aliança: antes de iniciar a guerra, reunia a a Inglaterra como principal parceiro do Brasil54.
Alemanha, Austro-Hungria e Itália. Com o início dos conflitos, A eclosão da Primeira Guerra Mundial, em julho de 1914,
O império Turco-Otomano alia-se com a Alemanha em 1914 e não trouxe alteração na política externa brasileira. Desde o
a Bulgária em 1915. início o Brasil declarou sua completa neutralidade, e só quase
- Tríplice-Entente: antes era formada pela Inglaterra, no final da guerra mudou de posição.
França e Rússia. Durante a guerra, mais 24 nações foram Em abril de 1917, um bloqueio naval imposto pela
incorporadas à aliança. Alemanha à Grã-Bretanha, França, Itália e todo o Mediterrâneo
A Itália que antes pertencia a Tríplice Aliança, entra no Oriental levou ao torpedeamento do navio brasileiro Paraná,
conflito em 1915 ao lado dos países da Tríplice-Entente. que navegava nas águas bloqueadas. A consequência imediata
foi a ruptura de relações diplomáticas entre Brasil e Alemanha.
O Final da Guerra Logo a seguir, em maio de 1917, outro navio brasileiro foi
afundado por submarinos alemães.
Após a saída da Rússia e com a entrada dos Estados Unidos Dessa vez, a reação do presidente Venceslau Brás foi ainda
no conflito, a situação da Aliança foi ficando cada vez mais mais severa: enviou mensagem ao Congresso Nacional
crítica. Em março de 1918 os alemães iniciaram mais uma solicitando a encampação dos navios mercantes alemães
ofensiva na frente ocidental, utilizando aviões, canhões e estacionados em portos brasileiros, o que, na prática,
tanques visando conquistar Paris. estabelecia o fim da neutralidade.
Nesse momento, com a ajuda dos Estados Unidos, os O ministro das Relações Exteriores, Lauro Müller, devido à
alemães foram obrigados a recuar e a partir desse momento sua ascendência alemã, foi substituído por Nilo Peçanha. Não
começaram a perder aliados até o ponto de a situação ficar se deve esquecer também que os Estados Unidos, principal
insustentável. aliado do Brasil em questões internacionais, haviam recuado
Neste momento da guerra o povo alemão sofria com a de seu isolacionismo inicial e declarado guerra à Alemanha em
fome, devido a um bloqueio naval. A escassez de alimentos abril de 1917. Afinal, em 27 de outubro o Brasil proclamou o
levou a população a fazer uma manifestação pedindo o a saída estado de guerra contra o Império Alemão.
da guerra. A participação militar brasileira na Primeira Guerra
A população de Berlim, em novembro de 1918, conseguiu Mundial foi modesta e tardia. Além de uma equipe médica, que
tirar do poder o imperador Guilherme II e implantou então um se estabeleceu na França, foram enviadas divisões navais
governo provisório, sob a liderança do Partido Social- incumbidas de se juntar às forças britânicas e americanas para
Democrata, que assinou um acordo de paz com os Aliados, dar proteção às rotas do Atlântico. Uma parte dessas divisões
terminando assim, a Primeira Guerra Mundial foi contaminada em Dacar pela gripe espanhola, e o restante
chegou a Gibraltar um dia antes da declaração de armistício.
Consequências A delegação brasileira à Conferência de Paz de Paris,
Com a rendição dos países que formavam a Tríplice realizada entre 1919 e 1920, foi chefiada por Epitácio Pessoa.
Aliança, um acordo foi assinado nas proximidades de Paris, em Sua participação se limitou, de modo geral, a seguir o voto da
que apenas os países vencedores participaram. Pelo acordo, a delegação norte-americana. Mas foi signatária do Tratado de
Alsácia-Lorena voltava a pertencer a França. Versalhes, que estabeleceu as condições de paz entre os
Este tratado também impôs fortes punições à Alemanha Aliados e a Alemanha, e representou o Brasil como membro
que foi obrigada a pagar uma indenização aos países fundador da Liga das Nações.
vencedores. Além disso, parte de sua frota mercante, suas O principal órgão deliberativo da Liga era o Conselho
locomotivas e reservas de ouro também foram entregues à Executivo, composto de membros permanentes (Grã-
Entente. Bretanha, França, Itália e Japão) e membros provisórios,
Seu exército foi reduzido, assim como sua indústria bélica. eleitos para um mandato de três anos. O Brasil foi eleito
Esse tratado, assinado em junho de 1919 levou o nome de membro provisório para dois mandatos sucessivos, em 1921 e
Tratado de Versalhes, pois foi assinado na sala dos Espelhos 1925. Entretanto, uma mudança de rumo na política das
do Palácio de Versalhes. potências europeias em relação à Alemanha, por volta de 1925,
A Primeira Guerra Mundial, deixou um legado de fez com que fosse vista com bons olhos a integração do antigo
aproximadamente 10 milhões de mortos, e quase o triplo de inimigo no Conselho Executivo da Liga, na condição de
feridos. Campos e indústria foram destruídos, além dos membro permanente.
prejuízos estruturais nas áreas de conflito. O Brasil deixou claro que apoiaria uma ampliação do
O conceito de guerra mudou a partir da Primeira Guerra Conselho, desde que também fosse incluído como membro
Mundial em que o modelo aristocrático que caracterizou as permanente. A ausência de apoio à reivindicação brasileira,
guerras de Napoleão, não existia mais. O uso de novas armas, tanto da parte das grandes potências como dos países latino-
americanos, gerou um impasse que resultou no veto brasileiro
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à entrada da Alemanha, logo seguido da retirada do Brasil do grande e bem preparado, impondo aos alemães derrotas
Conselho Executivo. Ambos os gestos foram determinados vexatórias.
diretamente pelo presidente Artur Bernardes e seu ministro (B) O processo de Imperialismo, promovido pelas grandes
das Relações Exteriores, Félix Pacheco, e foram cumpridos potências capitalistas da Europa, principalmente França,
apesar da oposição do então do chefe da delegação brasileira, Inglaterra e Alemanha, gerou conflitos e até confrontos pela
Afrânio de Melo Franco. disputa de territórios, ao ponto de desencadear a 1ª Guerra.
Por fim, o Brasil comunicou oficialmente sua retirada da (C) Temendo uma ofensiva alemã, Japão, Inglaterra e
Liga, em junho de 1926, por intermédio de nota dirigida à França formaram a Tríplice Aliança.
Secretaria Geral onde era duramente criticada a atuação das (D) O início da Guerra se deu quando as tropas alemãs
grandes potências. invadiram a Polônia, apresentando ao mundo a famosa Guerra
Relâmpago, deixando marcas desastrosas para os poloneses.
Questões
Gabarito
01. (ABIN - Oficial de Inteligência – CESPE – 2018) A
respeito da Primeira Guerra Mundial, julgue o item 01.B / 02.B / 03.B / 04.A / 05.B
subsequente.
O Czar Nicolau II retirou a Rússia da guerra em 1917, na SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
tentativa de conter a Revolução Bolchevique que estava em
andamento no país. A Segunda Guerra Mundial ocorreu entre 1939 e 1945 e
(A) Certo assim como a Primeira Guerra, ganhou esse nome por não ficar
(B) Errado confinada apenas ao continente europeu. Foi a maior guerra
vista na história da humanidade, com número de mortes que
02. (ABIN - Oficial de Inteligência – CESPE – 2018) A variam de acordo com as fontes, entre 55 e 80 milhões de
respeito da Primeira Guerra Mundial, julgue o item pessoas55.
subsequente.
Estabelecida logo após o fim da guerra, a Sociedade das Antecedentes
Nações foi bem-sucedida em promover o desarmamento e a
paz mundial ao longo da década de 30 do século XX. Com o final da Primeira Guerra Mundial e com o Tratados
(A) Certo de Versalhes, nações como a Alemanha entraram em uma
(B) Errado profunda crise social e econômica. A década de 1920 que
começava a se recuperar do ponto de vista econômico, volta a
03. (ABIN - Oficial de Inteligência – CESPE – 2018) A piorar com a quebra da bolsa de Nova York em 1929. Essa
respeito da Primeira Guerra Mundial, julgue o item situação gera um grande descontentamento em relação ao
subsequente. liberalismo norte-americano.
Muitas inovações tecnológicas foram utilizadas nessa Nesse cenário surgem movimentos em diversos países da
guerra, considerada pela historiografia uma guerra total: os Europa - principalmente Alemanha e Itália – que resultam em
aviões foram decisivos para a vitória da Entente, que então governos totalitaristas:
gozava de grandes vantagens tecnológicas frente aos países - Em 1922, Benito Mussolini chega ao poder na Itália,
aliados. iniciando uma ditadura do Partido Fascista.
(A) Certo - Na Alemanha, em 1932 o Partido Nazista vence as
(B) Errado eleições alcançando maioria de parlamentares eleitos
colocando Adolf Hitler em posição política influente a ponto
04. (PC/MG - Escrivão de Polícia Civil – FUMARC) São de ser nomeado chanceler.
conjunturas que precedem à eclosão da Primeira Guerra Com o objetivo de expandir seu território e ter de volta
Mundial, EXCETO: regiões que lhe foram tiradas pelo Tratado de Versalhes, o
(A) A presença de várias potências europeias na Ásia e na governo Alemão, desafiando as medidas estabelecidas no
África fez com que interesses imperialistas se antagonizassem, mesmo, volta a produzir armamentos e a aumentar sua força
sobretudo, no que se refere ao controle de territórios. militar.
(B) A política de alianças produzirá um “efeito dominó”, Em 1935, a Itália dá início ao seu processo de expansão,
lançando à guerra, uma após outra as nações signatárias dos anexando a Etiópia e logo depois a Albânia. Na Alemanha, esse
acordos. processo começa em 1938 quando anexam a Áustria e a
(C) O nacionalismo adquire grande importância na eclosão Tchecoslováquia.
da guerra, uma vez que as alianças entre as nações europeias,
no período que precede o conflito, nortearam-se * Itália e Alemanha já haviam assinado um acordo de apoio
fundamentalmente, por questões étnicas. mútuo, em 1936, chamado de Eixo Roma-Berlim.
(D) A escalada inflacionária, o desemprego e o ódio racial Posteriormente – 04 anos depois – o Japão adere ao mesmo
favoreceram a subida ao poder de partidos totalitários como o acordo.
Partido Nacional dos Trabalhadores Alemães. Antissemitismo
e expansionismo territorial faziam parte da política desses Nações como a França e a Inglaterra só interviram nas
partidos, o que acabou determinando a guerra. ações desses países, quando em 1939, após ter assinado um
pacto de não agressão com a União Soviética – Pacto
05. (Prefeitura de Betim/MG – Professor PII - História Ribbentrop-Molotov – a Alemanha invade a Polônia, que
- Prefeitura de Betim – MG) É coerente com as razões que deveria ter seu território dividido pelo mesmo acordo.
levaram à 1ª Grande Guerra Mundial: Dois dias após a invasão, França e Grã-Bretanha, seguindo
(A) Um dos fatos que contribuiu para o final do confronto um acordo de intervenção que haviam assinado com a Polônia
foi a entrada da Rússia na Guerra, pois tinha um exército no caso de invasão deste país, declararam guerra à Alemanha.
segunda-guerra-mundial-em-n%C3%BAmeros/a-50212146.
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O Brasil também cedeu bases militares aéreas e navais. A alemão em quatro zonas de influência, a entrega de Dantzig
principal foi a base militar da cidade de Natal (RN) que serviu para a Polônia e a divisão da Prússia Oriental entre Polônia e
de local de abastecimento para os aviões dos Estados Unidos. União Soviética.
Foi importante também a participação da marinha A Alemanha ainda deveria pagar uma indenização de 20
brasileira, que realizou o patrulhamento e a proteção do litoral bilhões de dólares para a União Soviética, França, Inglaterra e
nacional, fazendo também a escolta de navios mercantes Estados Unidos.
brasileiros para garantir a proteção contra ataques de
submarinos alemães. Consequências da Guerra
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As Transformações da Condição Feminina depois da 2ª 03. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE – 2018)
Guerra Mundial A Segunda Guerra Mundial, na verdade, trouxe soluções, pelo
menos por décadas. Os impressionantes problemas sociais e
Em 1º de setembro de 1939, com a invasão da Polônia econômicos do capitalismo na Era da Catástrofe
pelos alemães, a Segunda Guerra Mundial foi oficialmente aparentemente sumiram. A economia do mundo ocidental
declarada, e novamente as mulheres foram convocadas a entrou em sua Era de Ouro; a democracia política ocidental,
trabalhar. A experiência da Primeira Guerra foi aproveitada e apoiada por uma extraordinária melhora na vida material,
intensificada, e, já em 1940, o número de mulheres ficou estável; baniu-se a guerra para o terceiro mundo. Por
empregadas nas fábricas atingiu a capacidade máxima. outro lado, até mesmo a revolução pareceu ter encontrado seu
A quantidade de órgãos militares praticamente dobrou e, caminho para a frente. Os velhos impérios coloniais
em todos os cantos do mundo, elas apareceram como desapareceram ou logo estariam destinados a desaparecer.
soldadoras, enfermeiras, pilotos de aviões, motoristas, Eric Hobsbawn. Era dos extremos: o breve século XX. Cia
secretárias, datilógrafas, etc.57 das Letras: São Paulo, 2005, p. 59
As funções femininas eram específicas em cada país. Na Tendo como referência inicial o texto precedente, julgue (C
maioria dos países aliados, as mulheres eram convocadas para ou E) o seguinte item, relativo às causas e aos desdobramentos
todas as frentes de trabalho, desde o setor industrial até os da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
exércitos. Já a Alemanha, manteve por muito tempo centros Para a Itália, a derrota na Primeira Guerra Mundial e a sua
onde as mulheres serviam como “reprodutoras e instabilidade política na década de 20 foram motivos decisivos
perpetuadoras da raça pura” – os lebensborn. para a adoção do fascismo após a crise de 1929.
Apesar das diferenças, todos eles tinham algo em comum: (A) Certo
as mulheres não tinham a permissão para atuar na linha de (B) Errado
frente, como combatentes.
Entretanto, na URSS aconteceu o contrário e houve 04. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE – 2018)
registros de mulheres combatentes desde o século XIX. A Considerando a célebre frase de Karl Clausewitz: “A guerra é a
franco-atiradora Lyudmila Pavlichenko e Marina Raskova, continuação da política por outros meios”, julgue (C ou E) o
pilotos bombardeiros, são sempre lembradas quando se fala item a seguir, a respeito da participação brasileira no Teatro
da participação de mulheres na Segunda Guerra Mundial. da Guerra ao longo de sua história.
Raskova também liderou um dos esquadrões de Os preparativos para a participação das tropas brasileiras
bombardeio noturno, apelidado pelos alemães de Bruxas da na Segunda Guerra Mundial restringiram-se à formação dos
Noite, tamanha a destreza dos pilotos nos ataques aéreos. combatentes e aos contratos de fornecimento de material
Muitas foram condecoradas como heroínas de guerra. bélico por parte dos Estados Unidos da América.
No Brasil, a participação das mulheres se deu por meio do (A) Certo
envio de 73 enfermeiras para ajudar a Força Expedicionária (B) Errado
Brasileira (FEB), em missão na Itália.
Com o fim da Guerra em 1945, as mulheres retornaram 05. (SJC/SC – Agente de Segurança Socioeducativo –
mais uma vez, ao ambiente doméstico. A maioria dos órgãos FEPESE) Analise o texto abaixo:
militares, exclusivamente femininos, voltou a surgir somente “A internacionalização dos direitos humanos constitui,
no final do século XX. assim, movimento extremamente recente na história, que
surgiu a partir do pós-guerra, como resposta às atrocidades e
Questões aos horrores cometidos durante o nazismo. […] No momento
em que os seres humanos se tornam supérfluos e descartáveis,
01. (Prefeitura de Salvador/BA – Professor – no momento em que vige a lógica da destruição, em que
FGV/2019) Considerando a participação brasileira na cruelmente se abole o valor da pessoa humana, torna-se
Segunda Guerra Mundial (1939-1945), assinale a afirmativa necessária a reconstrução dos direitos humanos, como
correta. paradigma ético capaz de restaurar a lógica do razoável. […]
(A) Ficou restrita ao monitoramento do espaço marítimo Diante dessa ruptura, emerge a necessidade de reconstruir os
do Atlântico Sul pela FAB. direitos humanos, como referencial e paradigma ético que
(B) Foi provocada pela retaliação ao alinhamento aproxime o direito da moral.”
brasileiro aos países do Eixo. PIOVESAN, 2013, p. 190
(C) Foi o resultado da reavaliação político-ideológica do O texto de Flávia Piovesan se refere ao processo de
governo brasileiro, previamente alinhado às potências do Eixo. internacionalização dos direitos humanos no cenário global e
(D) Foi motivada por uma represália ao rompimento de sua reconstrução a partir do final da:
relações diplomáticas do Brasil com os países da Aliança (A) Guerra Fria.
Ocidental. (B) Revolução Francesa.
(E) Foi fundamental para a obtenção do assento (C) Revolução Americana.
permanente na Organização das Nações Unidas (ONU), no pós- (D) Primeira Guerra Mundial.
Guerra. (E) Segunda Guerra Mundial.
57 http://pre.univesp.br/as-mulheres-na-guerra#.WKbyUW8rKM8.
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