Papers by Luiz Felipe de Alencastro
Jornal de Resenhas, 1995
João Francisco Lisboa escreveu Partidos e Eleições no Maranhão" em 1862, após o fiasco de sua car... more João Francisco Lisboa escreveu Partidos e Eleições no Maranhão" em 1862, após o fiasco de sua carreira na política maranhense. Na sequência, viajou para a corte e para Portugal a fim de pesquisar documentos sobre o Brasil, dentro do projeto imperial que desemboca na edição da História Geral" de Varnhagen.
Cahiers du C.R.I.A.R. n* 4, pp.119-156, 1984
Les recensements de 1849 et 1872 réalisés à Rio de Janeiro, ainsi que la correspondace diplomatiq... more Les recensements de 1849 et 1872 réalisés à Rio de Janeiro, ainsi que la correspondace diplomatique portugaise et les journaux brésiliens de la période permettent d'étudier de près la concurrence au sein du marché du travail urbain dans la capitale brésilienne après la fin de la traite d'esclaves africains et le début de l'immigration portugaise vers Rio de Janeiro
Sein Fel war die Welt - Johann Moritz von Nassau-Siegen (1604-1679), Gerhard Brunn, Cornelius Neutsch, 2008
Johann Moritz von Nassau-Siegen (1604-1679), New Holland and the Slave Trade between Brazil and A... more Johann Moritz von Nassau-Siegen (1604-1679), New Holland and the Slave Trade between Brazil and Angola
Cahiers des Amériques Latines, 2022
Entretien avec Luiz Felipe de Alencastro
Olivier Compagnon et Luiz Felipe de Alencastro
Ler História, 2022
Este ensaio revisita os propósitos, o argumento e o contexto de produção de meu livro sobre a fo... more Este ensaio revisita os propósitos, o argumento e o contexto de produção de meu livro sobre a formação do Brasil no Atlântico Sul, e faz um balanço do seu impacto e recepção ao longo dos últimos 20 anos. A historiografia brasileira está geralmente vinculada a um paradigma territorial resumido por um falso axioma: a história colonial do Brasil desenrola-se no território colonial do Brasil. Os meus estudos na França, quando os Annales ainda propugnavam a historia global de Braudel e seus discípulos, ajudaram-me a escapar deste viés na altura em que se aprofundavam os estudos sobre o comércio atlântico de africanos.

O SUL DO SUL, - GEOPOLÍTICA, MERCADORIAS E ATORES NOS MARES DO SUL. O RIO DA PRATA NO SÉCULO XVIII, 2022
O livro de Maria Veronica Secreto vem demonstrar a pertinência do conceito de história sul-atlânt... more O livro de Maria Veronica Secreto vem demonstrar a pertinência do conceito de história sul-atlântica ao analisar o contexto que precedeu e sucedeu a criação do vice-reinado do Rio da Prata. No ano do Bicentenário, a publicação de O Sul do Sul-O Rio da Prata no século XVIII, lança luzes sobre o vice-reino platino que se transforma em país independente, as Províncias Unidas do Rio da Prata, e depois se divide para formar a Argentina, Uruguai e Paraguai, em contraste com o processo que manteve a unidade do vice-reino do Brasil e do Império após a Independência. Na historiografia sobre o Brasil, o Atlântico Sul recebeu pouco destaque. Único vice-reino ibérico que se manteve unificado, única monarquia e país lusófono das Américas, o Brasil gerou uma forma de excepcionalismo que induz a uma historiografia autocentrada. Celso Furtado atribuía também o autocentrismo dos autores brasileiros à precoce definição, inédita noutros países americanos, da coesão territorial da América portuguesa elaborada no contexto do Tratado de Madri (1750) por Alexandre Gusmão e seus seguidores, entre os quais se achava José Bonifácio de Andrada. Nesta perspectiva, resenhando em 1948 na prestigiosa revista Annales dois livros de Caio Prado Junior (Formação do Brasil Contemporâneo e Historia Econômica do Brasil), Fernand Braudel notava o viés que levava os estudiosos brasileiros a interpretar a historia do país numa perspectiva territorialista, "de dentro para fora", conforme sua expressão. Deste modo, ele se surpreendia com uma lacuna importante na obra do grande historiador paulista: Por mais atento que Caio Prado esteja à vida desse vasto conjunto... limita-se muitas vezes ao horizonte brasileiro. Esse, de tão amplo, torna-se uma prisão para o historiador. Como é possível que Caio Prado não tenha sido mais atento à história do Atlântico Sul? 1. Braudel dava pouca atenção à África e ao tráfico de africanos, e ao mencionar o Atlântico Sul se referia, muito certamente, ao Rio da Prata e à obra recém-publicada de Alice Canabrava, sua aluna da USP. 2 De fato, analisando na mesma revista e no mesmo ano O Comércio Português no Rio da Prata 1580-1640 (1944) Braudel invoca a filiação direta do livro à sua escola historiográfica: "Alice Piffer Canabrava, formada e orientada, posso assegurar, pela leitura e conhecimento de nossos Annales, acaba de escrever um livro, seu primeiro livro. Com satisfação, posso dizer que se trata de um livro de grande importância". 3 No que concerne a vertente africana do Atlântico Sul, nesta mesma
Ensaios de história das ciências no Brasil: das Luzes à nação independente. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2012., 2012
Prefácio ao livro KURY, Lorelai; GESTEIRA, Heloisa (Orgs.). Ensaios de história das ciências no B... more Prefácio ao livro KURY, Lorelai; GESTEIRA, Heloisa (Orgs.). Ensaios de história das ciências no Brasil: das Luzes à nação independente. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2012.
in Portuguese Oceanic Expansion, 1400-1800, BETHENCOURT, Francisco; CURTO, Diogo Ramada (eds.) New York, Cambridge University Press, 2007, pp.109-137 , 2007
Adauto Novaes (org.), Mutações: Ensaios sobre as novas configurações do mundo, Edições SESC, São Paulo, 2017,pp. 345-354, 2017
A história dos povos e dos indivíduos flui, muda sempre, como um curso d’água em caudal contínuo.... more A história dos povos e dos indivíduos flui, muda sempre, como um curso d’água em caudal contínuo. Ninguém vê duas vezes a mesma cena ou vive várias vezes os mesmos eventos. “Não é possível mergulhar duas vezes no mesmo rio”, escreveu o filósofo grego Heráclito no final do século VI a.C.
Todavia, a mutação nem sempre é percebida na sua dimensão. O peso das tradições, a contingência dos fatos e a abrangência das rupturas embacia o sentido das transformações da vida das pessoas e da sociedade. Refletindo sobre estes temas, Fernand Braudel, num texto que se tornou um clássico das Ciências Humanas, distingue os três arcos concêntricos do tempo histórico.

Veja, 2022
Como é ensinado há quase dois séculos nos colégios, as turbulências que sacudiam Portugal e a Eur... more Como é ensinado há quase dois séculos nos colégios, as turbulências que sacudiam Portugal e a Europa se refletem na mudança da Corte para o Rio de Janeiro, na Independência e na instauração da monarquia no Brasil. A ruptura com a metrópole europeia é atribuída a vários fatores, mas se dá pouca ênfase à etapa seguinte: Por que o espaço colonial português foi o único agregado territorial europeu nas Américas que não se fragmentou ao se tornar independente? Como a América portuguesa permaneceu unida? A resposta a esta pergunta ajuda a entender os acontecimentos de 1822, a Independência e a fundação do Império. Terá sido a existência de uma língua comum que manteve o país unificado desde então? Esta não é uma razão suficiente. Falava-se espanhol da Patagônia até a Califórnia, em largas extensões das Américas, nos quatro vice-reinos espanhóis mais tarde transformados em quase duas dezenas de países distintos.
Aracy A. Amaral e Regina Teixeira de Barros (Curadoria e texto de apresentação) Moderno onde? Moderno quando? A Semana de 22 como motivação. Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, S.P., 2021, pp. 19-30, 2021
A Semana de Arte Moderna transcorre na convergência de duas mudanças decisivas na história brasil... more A Semana de Arte Moderna transcorre na convergência de duas mudanças decisivas na história brasileira. Uma na esfera sul-atlântica, outra no âmbito do território nacional. A primeira mudança, relativa à emergência da Argentina como concorrente e eventual modelo do “progresso à americana”, repercute no Rio de Janeiro e em São Paulo. A segunda, derivada das migrações do Nordeste para o Centro-Sul – simultaneamente ao declínio da entrada de imigrantes no Brasil –, tem como teatro central a capital paulista e o estado de São Paulo, mas transforma o país inteiro.
Jornal do Brasil , 1986
Há 35 anos, em 19 de outubro de 1986, Samora Machel, primeiro presidente de Moçambique e herói da... more Há 35 anos, em 19 de outubro de 1986, Samora Machel, primeiro presidente de Moçambique e herói da guerra anti-colonial, morria num acidente de avião provavelmente provocado pelo regime de Apartheid sul-africano. Morreu também no mesmo acidente o grande líder goense, Aquino de Bragança, ambos eram amigos próximos de Miguel Arraes e admiradores do povo brasileiro. Escrevi na época, no Jornal do Brasil, este artigo sobre a morte de Samora
Le Monde 24 avril 1981, 1981
Mgr Evaristo Arns, archevêque de Sao-Paulo, a de nouveau pris position en faveur des syndicaliste... more Mgr Evaristo Arns, archevêque de Sao-Paulo, a de nouveau pris position en faveur des syndicalistes de la plus grande ville industrielle d'Amérique latine, dirigés par M. Luiz Inacio da Silva, dit " Lula ". Ce dernier, déjà condamné par un tribunal militaire de Sao-Paulo, est de nouveau jugé cette semaine pour " délit de grève ".
Correspondência intelectual de Celso Furtado 1949-2004, 2019
As cartas e a biografia de boa parte dos personagens que aparecem neste volume desenham os dramas... more As cartas e a biografia de boa parte dos personagens que aparecem neste volume desenham os dramas e a resiliência de toda uma geração numa etapa conturbada e decisiva da história contemporânea. Nos textos selecionados por Rosa Freire d’Aguiar a partir da vasta correspondência de Celso Furtado com amigos, intelectuais e atores políticos, desponta o pós-guerra, o ressurgimento da democracia e a criação de uma nova ordem internacional, na qual se destacam as atividades e as expectativas geradas pela Cepal. Porém, duas décadas depois da vitória Aliada contra o fascismo, irrompem novas ditaduras, dramas e exílios encerrados por uma redemocratização que Celso Furtado e vários de seus interlocutores latino-americanos viveram intensamente.
.“Um estadista do Império”, in L. Dantas MOTA, Introdução ao Brasil – Um banquete nos tropicos, São Paulo, 1999, pp. 113-131. , 1999
"Um Estadista do Império" escrita por Joaquim Nabuco e publicada entre 1897-1899, retrata a vida... more "Um Estadista do Império" escrita por Joaquim Nabuco e publicada entre 1897-1899, retrata a vida de seu pai o senador e ministro Império José Thomaz Nabuco de Araujo. É também um livro que consagra a análise do parlamentarismo monárquico no Brasil.
REVISTA BRASILEIRA VII (28) 2001, pp. 108-113, 2001
Tentarei abordar estas questões a partir do tema do meu livro, “O trato dos viventes – Formação d... more Tentarei abordar estas questões a partir do tema do meu livro, “O trato dos viventes – Formação do Brasil no Atlântico Sul”. Juntando um verso de Fernando Pessoa, “minha língua é minha pátria”, e o título de um livro do historiador francês Emmanuel Le Roy Ladurie, O território do historiador, penso que o território do historiador brasileiro é o espaço intercontinental abrangido pela documentação portuguesa da Época Moderna, pela expansão ultramarina lusitana.

Folha de S. Paulo 23/04/2006 , 2006
CONSTITUCIONALISMO À BRASILEIRA Encoberta pelos sobressaltos da crise, a prática democrática evo... more CONSTITUCIONALISMO À BRASILEIRA Encoberta pelos sobressaltos da crise, a prática democrática evolui e se define. Resgatando-se do processo de descivilização imposto pela ditadura, o país se dotou de uma Constituição fundada no voto popular e conheceu mudanças inéditas: eleições em dois turnos, o impeachment de Collor (1992) e a reeleição de FHC (1998). Cada uma destas etapas suscitou um reequilíbrio de poderes entre a presidência e o Congresso, tema candente nas atuais discussões sobre o impeachment de Lula."
como se fossem uma coisa só. A confusão vem do Império e dos anos 1961-1963, quando vigorou o regime parlamentar. Todavia, os exemplos paradigmáticos da Inglaterra e dos EUA-, e os textos constitucionais brasileiros-, demonstram que as duas instituições são distintas. Parlamento se relaciona aos regimes parlamentaristas e Congresso aos regimes presidencialistas. De verdade, a Constituição de 1988 diz que o Legislativo é exercido pelo Congresso,
Rio de Janeiro, Bahia et le Nouvel Ordre Colonial 1808-1860 », in Jeanne CHASE, Géographie du Capital Marchand aux Amériques, École des Hautes Etudes, Paris, 1987, pp.131-150., 1987
D'ordinaire l'indépendance des pays latino-américains est présentée comme une période de transiti... more D'ordinaire l'indépendance des pays latino-américains est présentée comme une période de transition entre le colonialisme ibérique et le néo-colonialisme britannique. À l'évidence, cette transition n'est pas uniforme à l'échelle du sous-continent.

Revista Brasileira de Ciências Sociais, 1991
Em outubro de 1648, sob o comando de Raposo Tavares, algumas dezenas de bandeirantes à caça de ín... more Em outubro de 1648, sob o comando de Raposo Tavares, algumas dezenas de bandeirantes à caça de índios deixam São Paulo e levam avante uma das mais fantásticas expedições dos tempos modernos: a 'bandeira dos limites'. Adentrando atrás de cativos pelos sertões do Paraguai e da Bolívia, pelo Mamoré, o Madeira e o Amazonas, os bandeirantes arribam em 1651 em-Belém do Pará. Raposo Tavares retomou por mar a São Paulo, onde, segundo a tradição, chegou tão desfigurado que 'não foi reconhecido pela família'. Mas alguns de seus companheiros permaneceram em Belém. Lá, encontrou-os em 1653 o padre Antônio Vieira. As observações sobre a 'bandeira dos limites', escritas pelo grande orador sacro e estadista luso-brasileiro, merecem reflexão: "Verdadeiramente foi uma das mais notáveis (viagens) que até hoje se tem feito no mundo, muito digna fora de se saberem (que) alturas e por que rumos a fizeram, mas só destes instrumentos (astrolábio e bússola) iam faltos, e assim não sabem dizer coisa certa". “Não sabem dizer coisa certa”, História e pluridisciplinaridade, Revista Brasileira de Ciências Sociais, nº 16, ano 6, junho de 1991, pp. 61-65.
PIAUÍ, 2007
"Elite da Tropa" integra a linha da continuidade histórica que sai da escravidão, passa pela foto... more "Elite da Tropa" integra a linha da continuidade histórica que sai da escravidão, passa pela foto "Todos Negros" e chega a um relatório de 2006, da ONU: 70% dos jovens assassinados no Brasil são negros
FOTO: LUIZ MORIER_AJB_1983
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Todavia, a mutação nem sempre é percebida na sua dimensão. O peso das tradições, a contingência dos fatos e a abrangência das rupturas embacia o sentido das transformações da vida das pessoas e da sociedade. Refletindo sobre estes temas, Fernand Braudel, num texto que se tornou um clássico das Ciências Humanas, distingue os três arcos concêntricos do tempo histórico.
como se fossem uma coisa só. A confusão vem do Império e dos anos 1961-1963, quando vigorou o regime parlamentar. Todavia, os exemplos paradigmáticos da Inglaterra e dos EUA-, e os textos constitucionais brasileiros-, demonstram que as duas instituições são distintas. Parlamento se relaciona aos regimes parlamentaristas e Congresso aos regimes presidencialistas. De verdade, a Constituição de 1988 diz que o Legislativo é exercido pelo Congresso,
FOTO: LUIZ MORIER_AJB_1983
Todavia, a mutação nem sempre é percebida na sua dimensão. O peso das tradições, a contingência dos fatos e a abrangência das rupturas embacia o sentido das transformações da vida das pessoas e da sociedade. Refletindo sobre estes temas, Fernand Braudel, num texto que se tornou um clássico das Ciências Humanas, distingue os três arcos concêntricos do tempo histórico.
como se fossem uma coisa só. A confusão vem do Império e dos anos 1961-1963, quando vigorou o regime parlamentar. Todavia, os exemplos paradigmáticos da Inglaterra e dos EUA-, e os textos constitucionais brasileiros-, demonstram que as duas instituições são distintas. Parlamento se relaciona aos regimes parlamentaristas e Congresso aos regimes presidencialistas. De verdade, a Constituição de 1988 diz que o Legislativo é exercido pelo Congresso,
FOTO: LUIZ MORIER_AJB_1983