Coletânea de Procedimentos Marinheiros: Marinha Do Brasil
Coletânea de Procedimentos Marinheiros: Marinha Do Brasil
COLETÂNEA DE
PROCEDIMENTOS
MARINHEIROS
FI-DIAsA-P-002
2a Edição - 1998
OSTENSIVO
MARINHA DO BRASIL
CENTRO DE ADESTRAMENTO
ALMIRANTE MARQUES DE LEÃO
1998
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
MARINHA DO BRASIL
CENTRO DE ADESTRAMENTO
ALMIRANTE MARQUES DE LEÃO
1998
FINALIDADE: NORMATIVA
2a EDIÇÃO
OSTENSIVO I 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
SUMÁRIO
PÁG.
Folha de Rosto ........................................................................................................... I
Sumário ...................................................................................................................... II
Prefácio ...................................................................................................................... XI
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO
1.1 GENERALIDADES ................................................................................................. 1-1
OSTENSIVO II 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
CAPÍTULO 11 - REBOQUE
11.1 GENERALIDADES............................................................................................... 11-1
11.2 DISPOSITIVOS DE REBOQUE PARA NAVIOS DE GUERRA........................... 11-2
11.3 COMPONENTES DO DISPOSITIVO DE REBOQUE........................................... 11-3
11.4 DISPOSITIVOS DE REBOQUE TÍPICOS............................................................. 11-6
11.5 PREPARAÇÃO DA FAINA, APROXIMAÇÃO E PASSAGEM DO
DISPOSITIVO........................................................................................................ 11-9
11.6 TRÂNSITO DO TREM DE REBOQUE................................................................. 11-14
11.7 PROCEDIMENTO PARA TÉRMINO DO REBOQUE........................................... 11-15
11.8 COMUNICAÇÕES................................................................................................. 11-16
11.9 REBOQUE DE SUBMARINO................................................................................ 11-17
11.10 REBOQUE DE EMBARCAÇÕES MIÚDAS.......................................................... 11-19
OSTENSIVO IV 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
OSTENSIVO V 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
CAPÍTULO 21 – NAVEGAÇÃO
21.1 PROPÓSITO ......................................................................................................... 21-1
21.2 GENERALIDADES .............................................................................................. 21-1
21.3 SISTEMA DE POSICIONAMENTO POR SATÉLITE ......................................... 21-2
21.4 ROTINA DIÁRIA DE NAVEGAÇÃO .................................................................. 21-3
21.5 VIAGEM AO EXTERIOR .................................................................................... 21-4
21.6 EQUIPE DE NAVEGAÇÃO ................................................................................. 21-5
21.7 NAVEGAÇÃO EM ÁGUAS RESTRITAS ............................................................ 21-12
21.8 FUNDEIO DE PRECISÃO .................................................................................... 21-18
21.9 NAVEGAÇÃO EM CANAL ................................................................................. 21-22
21.10 NAVEGAÇÃO EM BAIXA VISIBILIDADE ........................................................ 21-23
OSTENSIVO VI 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
CAPÍTULO 25 - DOCAGEM
25.1 GENERALIDADES .............................................................................................. 25-1
25.2 PROVIDÊNCIAS ANTES DA DOCAGEM .......................................................... 25-1
25.3 MANOBRAS DE ENTRADA E SAÍDA DO DIQUE ............................................ 25-3
25.4 PRECAUÇÕES DE SEGURANÇA DURANTE A PERMANÊNCIA DO NAVIO
NO DIQUE ............................................................................................................ 25-3
25.5 PROVIDÊNCIAS ANTES DA SAÍDA DO DIQUE ............................................... 25-4
CAPA: Reprodução de aquarela do Almirante Trajano de Carvalho, representando a Primeira Esquadra partindo do
Rio de Janeiro para combater as forças portuguesas sediadas na Bahia, durante a Guerra da Independência,
em 1o de abril de 1823. À frente a Nau “Pedro I”, onde o Almirante Cochrane , Primeiro Almirante da
Marinha Imperial Brasileira tinha seu pavilhão; segue-se a Fragata “Piranga”, a Corveta “Maria da Glória”,
a Corveta “Liberal” e o Brigue-Escuna “Real”. A esta Força juntar-se-iam, mais tarde, o Brigue “Guarani”
e a Fragata “Niterói”. Em 4 de maio de 1823, a Esquadra Brasileira entraria pela primeira vez em combate.
PREFÁCIO
OSTENSIVO IX 2a Edição
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Marinheiros
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO
1.1 - GENERALIDADES
A vida a bordo apresenta peculiaridades que a tornam singular. As atividades que
compôem o dia-a-dia do marinheiro, seja com o navio atracado ou no mar, apresentam
características específicas e obedecem a procedimentos próprios.
Uma dessas características é que a atividade das tripulações se processa num dos mais
perigosos ambientes de trabalho, considerando-se não só a diversidade dos materiais
existentes a bordo, como combustíveis e explosivos, mas também a grande quantidade
de equipamentos localizados em espaços exíguos.
Além disso, o navio está sempre sujeito às condições do tempo e do mar e à
possibilidade das colisões e encalhe, bem como, quando em operações de guerra, às
situações de emergência decorrentes do combate.
Torna-se necessário, portanto, que as tripulações sejam capazes de, em qualquer
circunstância, responder às exigências da operação de um navio de guerra.
O requisito básico para esta capacitação é o adestramento individual e o adestramento
de equipe. Entretanto, o apoio direto e mais próximo ao pessoal para tal adestramento -
a literatura técnico-profissional - por vezes não está disponível a bordo de nossos navios.
A grande diversidade de publicações que tratam desses assuntos, muitas das quais
controladas e em outros idiomas, não permite, por vezes, que as dúvidas sejam
solucionadas facilmente. Além disso, vários assuntos do nosso dia-a-dia não estão
respaldados por documentação específica.
Resta a transmissão, em diversos níveis, da experiência e conhecimento pessoais, nem
sempre baseados nos fundamentos profissionais e na tradição marinheira.
Isto pode ser constatado durante a realização de várias inspeções nas unidades da
Esquadra, ocasiões em que é verificado se o nível de adestramento do navio o capacita
a realizar, de forma segura e eficiente, as tarefas que podem ser atribuídas a um navio
em Fase III do Ciclo Básico de Adestramento.
Nessas ocasiões são encontrados variados padrões de adestramentos e, em
determinados setores, reduzido conhecimento dos procedimentos básicos, fato que
poderia ser evitado com a existência de uma publicação abrangente que abordasse os
principais aspectos das atividades e fainas marinheiras.
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CAPÍTULO 2
APRESENTAÇÃO MARINHEIRA
2.1 - GENERALIDADES
Os homens do mar, há muitos séculos, vêm criando nomes para identificar as diversas
partes dos navios e suas ações, que pela repetição tornaram-se costumes.
Naturalmente, muitas particularidades e expressões da tradição naval lembram, às vezes,
aspectos da vida doméstica ou de atividades em terra firme.
Pertencemos, todos nós que abraçamos a carreira do mar, a uma fraterna classe de
costumes e tradições comuns. Ao marinheiro, não passará despercebido que a vida nas
marinhas do mundo inteiro é parecida. Encontramos semelhanças no uniforme, nos
costumes, nas palavras, nos gestos e no modo de agir. É que os homens do mar, por
enfrentarem o mesmo tipo de vida e por se ajudarem mutuamente, passaram a constituir
uma classe de espírito muito forte.
As exigências quanto à apresentação marinheira dos navios, e também de seus homens,
não estão ligadas apenas a razões estéticas, mas, principalmente, a razões de ordem
prática. O bom aspecto interno e externo de nossos navios constitui uma das mais nobres
das tradições navais, que sempre distinguiu a Marinha do Brasil em relação às demais
instituições nacionais e às Marinhas estrangeiras.
OSTENSIVO 2- 1 2a Edição
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Marinheiros
Tal tradição extrapola ao próprio navio, pois, como diziam ilustres chefes navais do
passado, as embarcações miúdas são o espelho da unidade a que pertencem, servindo
como cartão de visita aos que as vêem navegando ou atracadas. Hoje, tal tradição
também deve ser estendida às viaturas, que também levam longe a imagem da OM a que
pertencem.
De maneira geral, despende-se muito tempo a bordo corrigindo falhas relacionadas com a
apresentação do navio, as quais se manifestam de maneira repetitiva.
É comum que ocorram as “viradas” às vésperas de eventos importantes, sacrificando-se
desnecessariamente a tripulação.
Além disso, observa-se que, muitas vezes, exige-se do subordinado coisa que ele não
sabe ser sua obrigação realizar, ou que não tem conhecimento suficiente para fazê-la
corretamente; e que há padrões diferentes de aceitabilidade quanto ao nível de limpeza e
apresentação.
Principalmente nos navios com comissões freqüentes, a degradação da apresentação
mostra-se quase como inevitável. Assim, há necessidade de educar-se a tripulação para
que as metas almejadas quanto à boa apresentação marinheira sejam alcançadas com
eficiência, através de um engajamento de todos a bordo.
Recomenda-se, portanto, que o programa de adestramento interno inclua o assunto
“apresentação marinheira”.
2.2 - ORIENTAÇÕES BÁSICAS
Entre outros aspectos, devem ser consideradas as seguintes orientações:
a) no porto, o Oficial de Serviço, o Mestre e o Sargento-Polícia farão freqüentes
inspeções para assegurar que o navio esteja limpo e com boa apresentação
marinheira;
b) em viagem, o Mestre, o Contramestre de Quarto e o Sargento-Polícia exercerão, no
que couber, essas atribuições;
c) os sinais de rotina, como os de rancho, de uniforme etc., deverão ser executados por
apito, com correção;
d) não se admite que um tripulante suje o navio ou não colabore com a manutenção
de sua limpeza. Não é demérito para nenhum militar de bordo, qualquer que seja a sua
antigüidade, abaixar-se para recolher um trapo, um resto de cigarro ou outro detrito
que algum descuidado deixou cair no piso e levá-lo à lixeira; e
e) nem mesmo o fato de o navio encontrar-se em PMG justifica que a degradação na sua
apresentação assuma um nível indesejável;
O sumário a seguir exprime o resultado de observações sobre falhas freqüentes no
aspecto marinheiro, as quais depôem desfavoravelmente quanto à apresentação de
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OSTENSIVO 2- 3 2a Edição
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m) Partes altas do navio desarrumadas; bem como roupas, trapos e outros objetos
estendidos nas bordas e lugares semelhantes.
n) Bandeira Nacional, do Cruzeiro, Pavilhões e Flâmula de Comando não-atopetados
ou enroscados nos respectivos mastros e adriças. O rondar do vento ou o rabeio do
navio não isentam o Oficial de Serviço, o Contramestre e o Sinaleiro, da
responsabilidade pelo mau aspecto.
o) As bandeiras e galhardetes são colocados nas adriças para serem içados e retirados
tão logo arriados. Não se admite a colocação da Bandeira Nacional e a do Cruzeiro
amarfanhadas na base de seus mastros, aguardando o içamento; a manutenção do
galhardete “Prep” e das “substitutas” panejando presos às adriças, após cessado o
motivo de sua utilização; ou, por ocasião do Cerimonial, a Bandeira Nacional tocar o
convés, ou ser portada amarfanhada ou nos ombros do militar responsável por seu
1
içamento. Recomenda-se indicar um militar para participar do Cerimonial de 0800 ,
içando o Pavilhão Nacional, que será portado pelo Ronda.
p) Torneiras e chuveiros pingando e mangueiras e tomadas de recebimento de água
vazando demonstram desleixo e desperdício dos recursos da Marinha. A bordo,
além disso, os vazamentos podem causar limitações operativas ao navio em viagem.
q) Cabos elétricos e afins passados sem cuidado, não respeitando as rotas. A
passagem de cabos, por ocasião do acréscimo de novos equipamentos e de
adaptações, deve observar o mesmo padrão de construção do navio, seguindo as
rotas adequadas. Não se deve admitir cabos coloridos ou passados fora do
alinhamento das rotas. As instalações provisórias, como iluminação de festa, cabo
telefônico de conexão a tomada em terra, cabo de energia de terra etc, também
merecem cuidado quanto ao aspecto marinheiro.
r) Serviços que sujam ou machucam o convés, como faina de óleo, recebimento de
gêneros, preparo de tinta e outros, devem ser feitos em cima de plásticos, lonas,
papel, ou outra proteção. O convés deve ser protegido por tábuas ou folhas de
compensado quando por ele for transitar material pesado. Não se deve admitir a
realização de tais fainas sem a precaução de se defender o convés.
s) Do mesmo modo, o costado deve ser protegido quando da atracação de batelão,
chatas e outras embarcações que utilizam pneus como defensas e que,
conseqüentemente, sujarão a pintura. É oportuno lembrar que as defensas de bordo
deverão ser ajustadas à altura da embarcação que irá atracar, bem como poderá
haver necessidade de ajustá-las ao longo da faina de carga ou descarga, em função
de variação do calado da embarcação atracada.
OSTENSIVO 2- 4 2a Edição
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Marinheiros
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) REVISTA PASSADIÇO. Uma FI de Apresentação Marinheira. Rio de Janeiro: CAAML, ano
IX, número XVI, 1996.
1
Sugere-se designar o Cabo-Auxiliar de 00-04 para este fim.
OSTENSIVO 2- 5 2a Edição
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C AP Í T U L O 3
SEGURANÇA DA TRIPULAÇÃO A BORDO
3.1 - GENERALIDADES
A preocupação com a segurança envolve um amplo espectro, desde o projeto do
ambiente de trabalho, ou seja, o navio, à sinalização apropriada (como, por exemplo,
placas indicando que o compartimento adjacente é um paiol de munição etc); da
utilização de material de consumo aprovado às técnicas de manutenção e estocagem
apropriadas; do controle de ruído ambiental à educação dos tripulantes, de modo a
possibilitar a adoção de normas e procedimentos capazes de criar e manter condições de
trabalho saudáveis e seguras a bordo.
Como regra geral, o projeto de um navio incorpora a experiência acumulada ao longo
dos anos, no que se refere à melhoria das condições de trabalho. Neste campo, é
reduzida a capacidade de manobra de um Comandante. Mas a atividade é ampla no que
se refere à manutenção das condições de segurança, tanto pela preservação das
características de construção, quanto pela adoção coletiva de procedimentos
apropriados, de modo a tornar as precauções de segurança parte do cotidiano da
tripulação.
Diversos capítulos desta coletânea, em uma abordagem específica, apresentam
aspectos que influenciam diretamente a manutenção da segurança do pessoal e do
material a bordo, sem, entretanto, esgotar o assunto.
A segurança do pessoal e do material merece atenção especial, seja durante a
realização de uma faina, adestramento, ou simplesmente nos eventos de rotina em um
navio atracado ou em viagem. Qualquer um que constatar que a segurança está ou pode
vir a ser ameaçada deve comunicar o fato imediatamente ao mais antigo presente, para
que tome as providências cabíveis, que podem significar, até mesmo, a interrupção da
faina, até que a situação de perigo seja afastada.
Chama-se a atenção, em especial, para fainas como: de munição, transferência de
combustível, transferência de carga, reboque, operações aéreas, exercícios de tiro
etc.Todas devem ser precedidas de “briefings”, onde os principais aspectos de
segurança sejam enfatizados. Após cada evento, realiza-se uma reunião de crítica
(“debriefing”), onde os acertos são realçados e os erros apontados. Deste modo, colhem-
se ensinamentos que aprimorarão a execução de tais fainas no futuro.
Outra recomendação importante: Todo o material a ser empregado ou que possa ser
empregado em uma faina deve ser rigorosamente verificado e testado antes de seu
início, bem como ser posicionado de modo a estar à mão quando for necessário.
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c) Os homens, que trabalham por fora da balaustrada de segurança, devem usar cinto
de segurança.
d) O nadador deve vestir a roupa de neoprene e a sua palamenta completa ( sling,
colete salva-vidas inflável, faca, nadadeiras, máscara e esnorquel ).
e) O nadador reserva deve estar com a palamenta completa, pronto a entrar em ação
caso necessário.
f) Por ocasião de recolhimento noturno, o nadador deve possuir um “cyalume” preso ao
“sling”, pela parte posterior, próximo ao engate do gato do cabo de recolhimento (se
possível, também uma lanterna estroboscópica fixada ao punho, para auxiliar na
sinalização para a estação).
g) Usar cabo de recolhimento de flutuabilidade positiva (polipropileno).
h) Em situação de guerra, no caso de recolhimento de inimigo, manter homens
armados postados em local elevado e próximo à estação de recolhimento, de modo
a prevenir-se contra eventual ação adversa (não esquecer de revistar os náufragos
rigorosamente, tão logo cheguem a bordo, independentemente do estado de saúde
aparente).
OSTENSIVO 3- 4 2a Edição
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d) para que possa ter acesso ao navio, com segurança e comodidade, o Prático não
deverá subir menos que 1,5 m e nem mais que 9 metros;
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casos, flutuando (exemplo: serviços sob o convôo, no costado do NAeL Minas Gerais),
circunstâncias em que o mantenedor deve se manter seguro através de cinto de segurança.
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estreito, mas de alta potência. Quando a energia é absorvida por um “alvo”, produz
calor.
Os sistemas atuais oferecem risco à visão, pois podem causar danos ao globo ocular.
Os efeitos podem ser agravados se o raio for potencializado através de binóculos ou
dispositivos semelhantes.
A segurança do pessoal é assegurada mantendo-se as tripulações bem-informadas dos
riscos e das precauções necessárias, como o uso de filtros e equipamentos de
proteção individual.
OSTENSIVO 3- 12 2a Edição
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X) se a ferida for do tipo profunda com área pequena, o médico deverá fazer uma
incisão de modo a permitir sangramento, a fim de facilitar a lavagem e limpeza da
ferida.
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e) os tanques e espaços vazios devem ser mantidos com seus acessos fechados ou
isolados quando não há faina em andamento.
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OSTENSIVO 3- 29 2a Edição
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) BRASIL. Centro de Instrução Almirante Wandenkolk. Sistemas de Antenas de
Comunicações de Bordo. Rio de Janeiro, 1980.
e) EUA. Naval Education and Training Program Development Center. Naval Safety
Supervisor. Washington, D.C., 1985.
f) ____.Office of the Chief of Naval Operations. Navy Occupational Safety and Health
(NAVOSH). Washington, D.C., 1989.
OSTENSIVO 3- 30 2a Edição
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CAPÍTULO 4
REGRAS DE TRÂNSITO A BORDO
4.1 - GENERALIDADES
Nas situações de guarnecimento do navio para fainas gerais ou de emergência como
postos de combate ou postos de abandono, quando toda a tripulação do navio se move
a um só tempo, há necessidade de que obedecer a regras de trânsito que permitam um
deslocamento rápido e seguro.
Para que as regras de trânsito sejam cumpridas com correção nas situações de
emergência, é necessário que se tornem um hábito rotineiro. Cumpre obedecê-las
sempre, no mar ou no porto.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
OSTENSIVO 4- 1 2a Edição
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CAPÍTULO 5
PREPARAÇÃO PARA SUSPENDER E PREPARAÇÃO PARA O COMBATE
5.1 - GENERALIDADES
O navio, mesmo em época de paz, está sujeito a avarias por diversas causas, como
colisão, encalhe, incêndio, explosão, alagamento, “crash” de aeronave no convôo, ou
avarias causadas pelo mar. Em combate, acrescentem-se as avarias causadas por ação
inimiga. Desta forma, o navio tem que estar sempre pronto a limitar a extensão dessas
avarias e a minimizar os seus efeitos, se vierem a ocorrer.
Em situação de paz, essa prontidão é parcialmente obtida pela “Preparação para
Suspender”, e pela “Preparação para Mau Tempo”, ou a preparação do navio para
enfrentar o mar e navegar com segurança, através do estabelecimento da condição de
fechamento do material adequada, da melhoria da estabilidade do navio e da peiação do
material volante.
Em combate, a prontidão é alcançada pela “Preparação para o Combate” que, além dos
itens acima citados, inclui outros como a preparação do material de CAV, preparação de
sistemas e equipamentos, retirada de bordo de material inflamável. Essa preparação
visa aumentar a capacidade do navio em resistir a danos, elevar a segurança de sua
operação e do pessoal e manter sistemas e armas no estado máximo de aprestamento.
OSTENSIVO 5- 1 2a Edição
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Providências de última hora sempre se tornarão mais difíceis, com riscos para o
pessoal e o material. Por exemplo, uma faina para a peiação de material em conveses
abertos, já navegando em mar ruim, coloca em risco a vida dos homens envolvidos.
OSTENSIVO 5- 2 2a Edição
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OSTENSIVO 5- 3 2a Edição
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Além dos já citados para a preparação para suspender, a preparação para mau tempo
inclui:
a) cumprimento rigoroso da condição de fechamento do material, principalmente nos
acessórios que dão acesso a conveses abertos;
b) peiação reforçada das balsas, lanchas e outros objetos existentes em conveses
abertos;
c) hangaragem das aeronaves; e
d) adaptação do cardápio, de modo a prover alimento de fácil preparação e digestão.
OSTENSIVO 5- 4 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
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OSTENSIVO 5- 5 2a Edição
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III) retirada de parte do material de rancho (para cerca de 7 dias) dos paióis de
gêneros e sua armazenagem em locais acima da linha d’água, para o caso de
alagamento desses paióis (atenção à correta peiação do material);
IV) retirada do óleo dos fritadores elétricos; e
V) preparação dos sistemas substitutos, de modo a reduzir o tempo de
indisponibilidade em caso de avaria nos sistemas principais.
OSTENSIVO 5- 6 2a Edição
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- uso de material não-apropriado como, por exemplo, latas de lixo plásticas, de madeira
ou de papelão;
- trapos sujos de óleo ou graxa a garra;
- acúmulo de gordura nas telas e dutos de extração de cozinhas;
- listas de verificação de compartimentos inexistentes ou incorretas;
- compartimentos e acessórios do CAV, sem classificação, identificação e/ou numeração;
- sistemas de CAV sem marcação ou com marcação incorreta;
- acessórios estanques inexistentes, avariados ou emperrados;
- acessórios estanques operando incorretamente quanto à ajustagem de grampos,
atracadores e mecanismos de fechamento rápido;
- condição de fechamento do material incorretamente estabelecida e/ou cumprida;
- mangueiras mal conectadas às tomadas de incêndio;
- redes com a manobra de válvulas incorreta em relação à condição de prontidão para a
ação estabelecida;
- instalações elétricas deficientes;
- cabos de força em avaria avariados, aduchados incorretamente, ou faltando nos
cabides;
- tomadas e cabos de força em avaria em curto ou com baixa de isolamento;
- acessórios dos sistemas de CAV deficientes e/ou inoperantes;
- material de CAV faltando ou abaixo do mínimo permissível para operar;
- dotação de CAV dos reparos incompletas; e
- iluminação de emergência deficiente ou inoperante.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
o o
a) BRASIL. Comando do 1 Esquadrão de Fragatas. NORFRAG-1 N 10-02A. Manual de
Procedimentos. Rio de Janeiro, 1997.
OSTENSIVO 5- 7 2a Edição
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CAPÍTULO 6
ATRACAÇÃO E DESATRACAÇÃO
6.1 - GENERALIDADES
Este capítulo apresenta procedimentos básicos para a preparação do navio para
atracação e desatracação, suspender com o quarto de serviço e suspender em postos
de combate, no que se refere à Manobra.
Instruções sobre as fainas de atracação e desatracação devem fazer parte dos
"brieffings" de navegação, principalmente quando se tratar de portos que não se está
acostumado a freqüentar.
O planejamento para as comissões deve incluir a análise dos locais de atracação, de
modo a permitir a preparação antecipada das estações envolvidas. Aspectos a serem
verificados: altura, profundidade e qualidade do cais, variação de maré, existência ou
não de defensas, qualidade das defensas, tipo de amarração empregada, pontos
disponíveis para a amarração, espaçamento entre cabeços, disponibilidade de prancha,
necessidade de se empregar amarreta e demais informações normalmente disponíveis
no Roteiro.
OSTENSIVO 6- 1 2a Edição
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j) o centro de giro do navio (ponto em torno do qual o navio gira ao evoluir) está
situado, em geral, mais à proa do que à popa. Por isto, convém lembrar que:
- o rabeio da popa é maior que a guinada de proa;
- recomenda-se observar a variação de posição da popa para verificar se o navio
está guinando; e
- quando se evolui em águas restritas a popa merece maior cuidado.
k) utilizar a maré, a corrente e o vento, se possível, em proveito das manobras a
serem executadas;
l) ter sempre em mente a situaçào de máquinas (o conjugado utilizado);
m) em águas restritas, ao passar junto a navios fundeados, procurar fazê-lo pela popa
destes;
n) a resposta à manobra de um navio é tanto mais lenta quando menor for o seu
seguimento;
o) na aproximação para atracação, não fique olhando somente para a proa, pois
poderá perder a noção de velocidade e ser obrigado a dar máquinas atrás em
emergência;
p) ao se aproximar do cais ou em qualquer manobra, para observar se há abatimento
ou guinada do navio, pode-se fazer o alinhamento de um ou dois objetos do navio
com um ponto fixo de terra;
q) nas atracações, normalmente para navios do porte de uma fragata e com maré e
ventos nulos, recomenda-se parar máquinas (estando com máquinas adiante 2/3
há cerca de 300 jds do local da atracação;
r) todos no Passadiço tem que saber claramente quem está com a manobra; e
s) a contínua atenção e a agilidade de raciocínio são condições fundamentais ao bom
Oficial de Manobra.
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Na figura 6.1 a seguir, vemos as espias usualmente empregadas num navio atracado.
As que se amarram nas extremidades do navio, as de vante orientadas para vante e
as de ré dizendo para ré, chamam-se LANÇANTES. As espias 1 e 3 (lançantes de
proa) e 5 e 7 (lançantes de popa) devem ser amarradas em cabeços bem afastados do
navio, respectivamente, para vante e para ré, pois têm como finalidade principal, evitar
o movimento do navio ao longo do cais. Pode haver dois lançantes na proa e dois na
popa, saindo de bordo pela mesma buzina e amarrando-se a dois cabeços diferentes
no cais, ou saindo por buzinas diferentes e amarrando-se ao mesmo cabeço no cais,
ou ainda saindo por buzinas diferentes e amarrando-se a cabeços diferentes.
Figura 6.1
As espias 2 e 6 da figura 6.1, chamam-se ESPRINGUES (do Inglês “spring”). Os
espringues são espias que, ao contrário dos lançantes, se saírem da proa dizem para
ré e se saírem da popa dizem para vante. Os espringues concorrem com os lançantes
para evitar que o navio se mova ao longo do cais ou para fora.
A espia que sair de bordo perpendicularmente ao cais, sem dizer nem para vante nem
o
para ré, chama-se TRAVÉS; na figura 6.1, temos um través a meia-nau (n 4) e um
o
través de popa (n 8). Os traveses são usados para evitar que o navio se afaste do
cais por efeito do vento ou da corrente. Os traveses nem sempre podem ter o
comprimento suficiente para agüentar bem o navio na subida e na descida da maré.
Eles devem ser evitados, exceto em caso de emergência ou de mau tempo.
Além de seus nomes, as espias devem ser designadas por números, que representam
a posição relativa em que são amarradas a bordo. Note-se que não são os cabeços de
bordo que têm números, mas as espias é que são numeradas conforme sua posição
relativa. Em cada amarração o mesmo navio pode usar um número maior ou menor de
espias e, neste caso, os algarismos variam.
A designação das espias por números é muito importante, pois evita confusões,
principalmente nas manobras de atracar e desatracar. Quando o navio se move para
vante ou para ré com espias passadas, um lançante pode se tornar espringue e vice-
versa. Os nomes podem ser usados quando o navio estiver atracado, pois então o uso
e a direção de cada espia se tornam definitivos.
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Quando um navio precisa manter seguimento junto ao cais para chegar a posição, as
espias têm que ser mudadas de cabeço em cabeço.
As espias são de muita eficiência no auxílio às manobras de atracar e desatracar, mas
têm que ser usadas com habilidade. Principalmente na atracação é necessário ter
atenção à situação de cada uma, de modo a evitar que ordens desencontradas as
façam “brigar” umas com as outras, em vez de auxiliar a manobra.
Na popa, tem que ser constantemente colhido o brando, para que as espias não sejam
aspiradas pela corrente de sucção dos hélices em movimento.
Nem a espia sozinha, nem o cabrestante podem parar o seguimento, pois não foram
feitos para isto. Portanto, a máquina deve ser manobrada adequadamente para
quebrar o seguimento do navio.
No caso de ter que utilizar máquinas com as espias passadas, é melhor que elas
sejam dobradas antes, para não sofrerem esforço demasiado.
Nos navios dotados de hélice de passo controlado durante a experiência de máquinas
em preparação ao suspender (“basin trial”), ainda com a amarração dobrada, e
prancha retirada, o comportamento das espias fornecerá indicação se o passo “zero”
está corretamente ajustado.
“SOLECA A ESPIA”:
Dar um brando à espia, aliviando o esforço.
“COLHE O BRANDO”:
Colher o excesso de espia, deixando-a sem brando.
“RONDA A ESPIA”:
Exercer tração em uma espia até que esta fique portando.
“ALIVIA A ESPIA”:
Folgar a espia pouco a pouco.
“DAR UM SALTO”:
Folgar de forma rápida uma espia que se encontra agüentada ou sob tensão.
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“DOBRAR A AMARRAÇÃO”:
Duplicar o número de pernadas das espias que amarram um navio ao cais ou a
outro navio. Uma espia pode ser dobrada pelo seio ou passando-se outra alça
para o cabeço.
“ ENCAPELAR”
Passar a alça da espia pelo cabeço determinado.
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Observa-se que o vento agirá no “V” formado pelas duas proas, abrindo-as rapidamente
e fazendo, em conseqüência, que as popas se aproximem. Por outro lado, se o ângulo
de aproximação for muito agudo, a ação do vento se fará pela bochecha oposta ao bordo
da aproximação, fazendo com que a proa seja jogada contra o navio fundeado. É
o
importante, portanto, passar rapidamente a espia n 1 e manobrar com máquinas para
manter o navio paralelo ao outro até que sejam encapeladas as demais espias.
Evite forçar demais com máquinas as espias, pois o fato de se agüentar um espringue ou
lançante poderá dar seguimento a vante ou a ré ao outro navio, o que normalmente
dificultará a atracação.
o
Caso a espia n 1 seja rondada muito rapidamente, as proas se aproximarão, ao mesmo
tempo em que as popas abrirão.
OSTENSIVO 6 - 10 2a Edição
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amarras. A figura 6.2 indica as posições onde serão largados os ferros. Deverão estar a
50 jardas em cada lado da linha de centro perpendicular ao cais; e a linha de
aproximação a cerca de 260 jardas do cais. Isto permitirá um espaçamento de 9 jardas
entre o navio e o cais, ao término da manobra.
OSTENSIVO 6 - 11 2a Edição
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próximo o bastante, a popa passa as espias, que são colhidas até que o navio esteja em
posição.
As espias de popa serão passadas cruzadas a fim de evitar movimentos laterais. A
atracação estará completa após colher, lentamente, o excesso das amarras, de modo a
obter o correto posicionamento do navio e impedir a aproximação da popa ao cais. As
amarras serão tesadas, a fim de evitar caimento a ré e o contato do espelho de popa
com o cais, caso o vento sopre do setor de proa.
O método alternativo de aproximação para atracação mediterrânea é mostrado na figura
6.3.
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b) FONSECA, CMG Maurílio Magalhães. Arte Naval. 4. ed. Rio de Janeiro: EN, 1985.
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CAPÍTULO 7
SUSPENDER E FUNDEAR
7.1 - GENERALIDADES
A manobra de fundear um navio é uma faina que requer estreita coordenação entre a
Estação de Manobra, a Estação da Proa e as Equipes de Navegação do Passadiço e do
COC.
Deve ser organizada de maneira que seus integrantes constituam uma equipe
homogênea, adestrada e capaz de realizar não só seu trabalho específico, mas também
possuir o conhecimento necessário sobre as atividades conduzidas pelas demais
estações, a fim de bem compreender a manobra em seu conjunto.
O aparelho de fundear e suspender é constituído pelo conjunto do ferro, amarras,
máquina de suspender e todos os acessórios das amarras como as manilhas, escovéns,
gateiras, mordentes, boças etc.
A amarra, normalmente ligada ao ferro por uma manilha, é constituída por diversos elos
e dividida em quartéis. As amarras possuem normalmente, 120 braças de comprimento
(219 metros), divididos em oito quartéis de 15 braças (27,5 metros), ligados entre si.
Alguns navios possuem amarras de 185 metros, divididas em 5 quartéis de 37 metros
cada um.
O chicote do último quartel da amarra passa por um arganéu chamado paixão e é fixo ao
paiol da amarra através de uma manilha ou gato de escape denominado braga, presa ao
teto ou antepara do paiol; o outro chicote fica talingado no anete do ferro.
A máquina de suspender consta de um motor elétrico ou sistema eletro-hidráulico,
acionando um cabrestante ou molinete. No cabrestante (ou molinete) há uma coroa de
barbotin, por onde a amarra é rondada, permitindo içar o ferro.
7.2 - COMUNICAÇÕES
As comunicações entre o passadiço e a proa devem funcionar perfeitamente, pois são
muito importantes para a coordenação da manobra com o ferro. Não há nada que
prejudique mais uma manobra do que mensagens enviadas de forma truncada ou
errada. As mensagens devem ser transmitidas de forma clara e utilizando a fraseologia
padrão. O telefone da proa tem que ser guarnecido por um telefonista bem adestrado.
Podem ser utilizados outros meios de comunicações em paralelo ao circuito telefônico
interno, entre o passadiço e a proa, tais como: megafones, sinais preestabelecidos e
transceptores portáteis (apenas para emergência ou falha no circuito principal).
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7.3.2 - Fundeio
Quando se aproximando do ponto de fundeio, o navio deve ser mantido com
seguimento suficiente para permitir o governo. Mas este seguimento não deve ser tão
grande que dificulte parar o navio sobre o ponto. Deve-se evitar esforço demasiado e
tranco na máquina de suspender, quebrando o seguimento antes de largar o ferro.
Não se larga o ferro com o navio totalmente parado, pois a amarra vai se empilhar
sobre o ferro, sendo quase certo que se enrosque nele. Adicionalmente há maior
dificuldade para o ferro unhar. Larga-se o ferro com um pequeno seguimento para ré.
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Este seguimento deve ser o menor possível, o suficiente para possibilitar que a amarra
corra e fique a pique de estai.
O fundeio é, à primeira vista, uma manobra simples, mas se certos cuidados não
forem tomados, e algumas regras não forem cumpridas, podem ocorrer surpresas
desagradáveis.
Do filame da amarra, do peso e tipo do ferro e da qualidade do fundo, dependerá a
maior ou menor segurança no fundeio. Um ferro nunca unha com a amarra na vertical.
Esta deverá possuir sempre uma catenária, que amortecerá os choques do navio
sobre o ferro. Relembra-se que o navio é mantido no ponto de fundeio pelo peso da
amarra e não apenas pelo ferro unhado no fundo.
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ferro unhou. A informação de que o ferro unhou deve ser transmitida para a
“Manobra”, que soa o apito correspondente, alertando as unidades próximas de que
o navio fundeou, e possibilitando que as demais estações do navio executem as
faina de arriar a lancha, arriar a escada de portaló, disparar o pau de surriola e
manobrem com as bandeiras.
f) Os homens que guarnecem o freio do cabrestante, o controle do cabrestante e a
patola portam capacetes e óculos protetor.
7.3.5 - Filame
É a quantidade de amarra fora do escovém com o navio fundeado. No mar fortemente
cavado (arfagens e caturros violentos) um longo filame torna-se ainda mais
necessário, porque, quando o vagalhão suspender a proa, não tesará a amarra em
virtude do grande brando que ela estiver apresentando. Conseqüentemente, não
haverá tranco.
Deve-se ter em mente que é mais fácil, manobrando a tempo, impedir que o ferro
garre, do que fazê-lo unhar depois de ter começado a garrar.
O filame a ser largado para um fundeio é função da profundidade, características da
amarra e do ferro, e condições meteorológicas reinantes, como vento, corrente e
estado do mar.
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Determinação do Filame
A quantidade ideal a ser arriada é aquela que permite a formação de uma catenária,
que faça com que a componente horizontal de esforço sobre o ferro seja bem maior
que a componente vertical (que tende a içá-lo).
Para águas abrigadas (em estadias pequenas), com profundidades de até 30 metros,
adota-se a seguinte regra prática para determinar a quantidade de filame: multiplicar
por 5 a 7 vezes a profundidade local (ferro sem cepo: o ferro patente, por exemplo) e 4
vezes a profundidade local (ferro tipo almirantado).
Em locais de fundeio sujeitos a ventos e correntes ou com mau tempo, deve-se
consultar a tabela para se determinar a quantidade de filame.
Não se deve largar um filame maior que o indicado, a título de aumentar a segurança,
pois tal prática poderá ocasionar esforços adicionais na amarra, seja por seu peso,
seja por ficar presa em algum obstáculo do fundo, ocasionando a sua ruptura.
A informação de filame transmitida da proa para a manobra é baseada na observação
das marcas dos quartéis pintadas na amarra.
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7.4.2 - Utilização
Para largar o ferro é preciso primeiramente abrir o mordente respectivo (haste de ferro
que comprime os elos da amarra de encontro à abertura da “gateira”). Em seguida,
folga-se o freio da “coroa de barbotin”. Ao ser aberta a patola, o ferro cai pelo próprio
peso. A velocidade com que a amarra sai poderá ser controlada pelo freio mecânico.
(Aliás, é aconselhável que, ao desengrazar a coroa, aperte-se esse freio, a fim de
haver maior segurança contra uma corrida prematura do ferro, caso falhem o mordente
e a patola).
Quando se usa o cabrestante para entrar um cabo qualquer, a coroa fica
desengrazada (dando assim livre giro à madre que faz girar o tambor do cabrestante)
e com o seu freio apertado, para não ser arrastada pelo giro do tambor do cabrestante.
Quando o ferro está sendo içado e se para o movimento, é conveniente passar o freio
mecânico para reforçar o freio elétrico, pois estando a coroa engrazada nessa
ocasião, o seu freio atuará também na madre do cabrestante.
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Assim que o ferro sair da água, informa-se “pelos cabelos”. O ferro também deve ser
lavado até que não apresente nenhum sinal de lama.
Quando se empregam cabrestantes elétricos, percebe-se o instante em que o ferro é
arrancado pela diminuição da corrente elétrica, indicada no amperímetro de controle.
Em determinadas classes de navio, oficiais de manobra experientes são capazes de
sentir o instante em que o ferro arranca pela variação na vibração que chega ao
passadiço, decorrente dos elos da amarra passando por sobre o escovém.
Alguns oficiais, com o intuito de abreviar a manobra, começam a manobrar com
máquina tão logo o ferro arranque. Tal medida pode causar problemas, uma vez que o
navio poderá deslocar-se por águas rasas, e o ferro roçar o fundo, prendendo ou, até
mesmo, danificando instalações submersas (cabos elétricos, canalizações).
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- Arrancou - Quando o ferro deixa o fundo, o que se verifica por ficar a amarra
vertical e sob tensão.
- A olho - Quando surge o anete do ferro à superfície da água.
- Pelos cabelos - Quando a cruz do ferro está saindo d’água.
- Em cima - Quando o anete do ferro chega ao escovém.
- No escovém - Quando o ferro está alojado no escovém.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) BRASIL. Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão. DIAsA-CAV-004. Lista de
Verificação de Exercícios Operativos. Rio de Janeiro, s.d.
c) FONSECA, CMG Maurílio Magalhães. Arte Naval. 4. ed. Rio de Janeiro: EN, 1985.
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CAPÍTULO 8
EMBARCAÇÕES MIÚDAS
8.1 - GENERALIDADES
Neste capítulo, serão abordados alguns aspectos relativos às embarcações miúdas
existentes a bordo.
Figura 8.1 - Baleeiras são embarcações com a proa e popa semelhantes, finas e elevadas. Em
razão de sua forma, são muito seguras para o mar.
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8.3 - PROPULSÃO
Conforme a propulsão empregada, as embarcações miúdas podem ser:
- a motor,
- a vela, ou
- a remos.
Normalmente, as embarcações utilizadas nos navios são de propulsão a motor, que
pode ser fixo (localizado no interior da embarcação) ou removível (localizado fora da
embarcação, como o motor de popa dos botes). Os motores fixos podem ser centrais,
caso em que se acoplam ao hélice através de um eixo longo; ou “de rabeta”, instalados
no interior do casco, na popa. Neste último caso, a embarcação não possui leme, e as
mudanças de rumo são obtidas mediante o giro do conjunto do hélice em torno de um
eixo vertical (à semelhança dos motores de popa).
Figura 8.2 - Embarcação de casco semi-rígido. Note-se que a propulsão emprega motor de
rabeta, dispensando o uso de leme.
Existem outros tipos de propulsão que não são de uso freqüente nas embarcações
miúdas encontradas a bordo, como a propulsão a jato de água (idêntico ao utilizado
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em “jet ski”) ou com o hélice sobre a embarcação, girando no ar, como o sistema
utilizado nos “hovercraft” e nas embarcações de fundo chato empregadas em áreas
pantanosas.
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- manter o motor de popa em uma base segura, peiado de maneira que o jogo do navio
não ocasione danos ao equipamento; e
- manter o material livre de sujeira, corrosão e ferrugem.
Figura 8.3: Exemplos de guindastes utilizados para içar e arriar embarcações miúdas
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Figura 8.4: Turco do tipo rolante. No desenho, observa-se o emprego de cabos guia (“sea
jackstay”) fixados no costado do navio. Tais cabos servem para atenuar o
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chama-se a atenção para a limpeza dos coletes salva-vidas, dos tênis brancos e
dos caxangás).
c) O proeiro e o popeiro observam os seguintes itens:
- verificam se estão a bordo as boças reservas;
- quando a embarcação estiver tocando a água e os cabos de aço solecados,
mediante ordem do patrão, retiram os gatos das catarinas dos arganéis da
2
embarcação e recolhem as boças, sendo que o popeiro o faz em primeiro lugar ; e
- o proeiro larga a boça de viagem (após ser largada, a boça fica pendurada por um
cabo, em uma altura safa para ser recolhida pelo proeiro, quando a lancha
aproximar-se para atracar).
d) O motorista (MO) observa os seguintes itens:
- verifica o nível de óleo e combustível a bordo;
- verifica os equipamentos de combate a incêndio;
- verifica o kit de ferramentas;
- parte o motor da lancha; e
- cumpre as determinações do patrão da lancha em relação ao regime de
máquinas a ser conduzido.
Durante a faina de arriar a embarcação, todo o pessoal embarcado na mesma
guarnece os andorinhos.
2
Nesta fase, a lancha é mantida em posição pela boça de viagem.
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3
Na situação descrita, o navio encontra-se com seguimento a vante ou fundeado, quando normalmente teremos
corrente.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) BRASIL. Diretoria de Portos e Costas. Manual do Tripulante. Rio de Janeiro, 1972.
b) EUA. United States Naval Institute. The Bluejackets’ Manual. Annapolis, 1950.
c) FONSECA, CMG Maurílio Magalhães. Arte Naval. 4. ed. Rio de Janeiro: EN, 1985.
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CAPÍTULO 9
AMARRAR À BÓIA
9.1 - GENERALIDADES
A manobra de amarrar à bóia divide-se em duas etapas: aproximação à bóia e
amarração propriamente dita. É uma faina que requer a mais estreita coordenação
entre as estações de manobra e da proa.
A amarração à bóia pode ser uma manobra fácil e rápida ou longa e difícil, dependendo
em parte da destreza da faxina do mestre e da guarnição da lancha mas, muito mais,
da habilidade de quem manobra, ou seja, o modo com que a proa do navio é levada
para a bóia e mantida nessa posição, até o término da passagem do dispositivo.
O principal é demandar quase que diretamente a bóia (Figura 9.1), com marcha
reduzida, considerando-se os efeitos do vento e da corrente (Figura 9.2). Para isto, é
necessário conhecer a direção e a velocidade de ambos, lembrando que o vento faz o
navio abater e arribar, enquanto a corrente produz abatimento. A bóia deve ser
posicionada na bochecha de sotavento, onde normalmente possa ser avistada do
passadiço.
Com vento forte, não havendo a presença de corrente, o rumo ideal para demandar a
bóia é o que deixa a linha do vento na bochecha, a 30 graus da proa, e a bóia no outro
bordo, na mesma marcação polar; o que se pretende é ter a bóia posicionada a
sotavento, próximo ao escovém, quando o navio ficar parado. Convém ter atenção ao
abatimento e ao caimento para sotavento, que se acentuam quando o navio perde
seguimento ou quando está com máquinas atrás.
OSTENSIVO 9- 1 2a Edição
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Figura 9.3
9.3 - PROCEDIMENTO PARA AMARRAR À BÓIA
a) Com o navio demandando à bóia, a cerca de 700 jardas de distância arria-se a
lancha, que conduz dois homens para a bóia, de modo a facilitar a passagem do
cabo mensageiro pelo arganéu.
b) A cerca de 150 jardas da bóia, a lancha recebe, pela bochecha do navio, o
mensageiro do cabo de ala e larga, o qual vai ser conduzido, passado pelo arganéu
e recorrido pelos dois homens que se encontram na bóia, até que o retorno do
chicote do cabo de ala e larga retorne para bordo, sendo passado no cabeço da
proa.
c) Após o navio ter sido amarrado à bóia pelo cabo de ala e larga, através de um cabo
guia é arriada a amarra, para talingá-la no arganéu da bóia, ou passar seu seio pelo
arganéu (o cabo de ala e larga facilita a manobra de passagem da amarra ou
virador, pela Faxina do Mestre, pois auxilia na aproximação do navio à bóia,
mantendo-o nesta posição até a passagem da amarra ou virador; o cabo guia fixado
no chicote da amarra ou virador facilita a sua colocação no arganéu).
d) Após isso, é solecado o cabo de ala e larga até que o navio fique portando pela
amarra ou fiador. Recomenda-se manter o cabo de ala e larga passado, de modo a
facilitar a manobra de largar a bóia, quando após destalingar a amarra ou liberar o
OSTENSIVO 9- 2 2a Edição
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fiador, os homens são recolhidos da bóia, bastando a partir daí liberar um dos
chicotes do cabo de ala-e-larga e recolhê-lo para que o navio largue da bóia.
Figura 9.4
9.4 - COMUNICAÇÕES
As comunicações entre Manobra e Proa devem funcionar perfeitamente, porque são de
primordial importância para a manobra. Utilizam-se prioritariamente os circuitos de
comunicações interiores, reservando-se os transceptores portáteis como alternativa, em
caso de falha ou em emergência, e para comunicações entre a lancha e o navio. As
mensagens devem ser claras e obedecer à fraseologia padrão, empregando-se os
termos usuais referentes à faina.
Não há nada que atrapalhe mais uma manobra do que mensagens truncadas ou
utilizando fraseologia incorreta.
OSTENSIVO 9- 3 2a Edição
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apenas pelo cabo de ala e larga, bastando apenas para seu recolhimento que se solte
o chicote preso por um dos bordos, deixando-o correr, recolhendo-o pelo outro bordo
através do cabrestante.
9.6 - RECOMENDAÇÕES
a) Os homens escalados para irem à bóia utilizam coletes salva-vidas de flutuabilidade
permanente, tênis ao invés de sapatos, capacete de fibra, luvas e cinto de
segurança.
b) Não movimentar as máquinas quando o navio estiver amarrado à bóia pela amarra
ou apenas pelo cabo de ala e larga. Se for indispensável, fazê-lo muito lentamente.
c) Não tracionar o cabo de ala e larga pelo cabrestante com os homens em cima da
bóia.
d) A lancha não deve se interpor entre o navio e a bóia durante a faina.
e) O material de pronto uso, necessário para efetuar o corte da amarra ou do virador
em caso de emergência, deve estar disponível na proa.
f) Recomenda-se que o passadiço, a proa e a lancha possuam um transceptor portátil
para facilitar a coordenação das ações da lancha e dos homens que trabalham sobre
a bóia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) BRASIL. Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão. DIAsA-CAV-004. Lista de
Verificação de Exercícios Operativos. Rio de Janeiro, s.d.
c) FONSECA, CMG Maurílio Magalhães. Arte Naval. 4. ed. Rio de Janeiro: EN, 1985.
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CAPÍTULO 10
O Oficial de Comando Tático (OCT) determina rumo e velocidade para o navio controlador,
levando em consideração a altura e direção das vagas, e as condições do vento. O rumo e
velocidade selecionados para a faina devem permitir que os navios mantenham a posição
com um mínimo de esforço para o dispositivo.
A velocidade ideal para a faina pode variar de 12 a 16 nós. Velocidades menores que 8 nós
não são recomendadas, pois reduzem o efeito do leme. Velocidades acima de 16 nós
podem ser utilizadas, caso o estado do mar permita, mantendo-se, neste caso, uma
separação lateral maior que a usual.
10.2- PRINCÍPIOS BÁSICOS (DEFINIÇÕES E RESPONSABILIDADES)
Para que haja uma perfeita coordenação nas fainas de transferência entre dois navios, é
de suma importância que haja uma clara definição das responsabilidades de cada um.
OSTENSIVO 10 - 1 2a Edição
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a) navio controlador
- manter o rumo e a velocidade de transferência;
- içar e executar os sinais previstos para fainas de transferência pelo canal BA; e
- içar o sinal internacional de manobra restrita pelo bordo de fora da faina ou em uma
adriça na linha de fé do navio ( à noite, somente acender o sinal luminoso de manobra
restrita se necessário à segurança da navegação ou na presença de contatos
estranhos, e somente no navio controlador ou fornecedor) desde o momento em que o
aproximador inicia a aproximação até o momento em que desengaja.
b) navio aproximador
- executar a aproximação e manter sua posição em relação ao navio controlador;
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- içar e executar os sinais táticos previstos para fainas de transferência pelo canal BA ;
e) navio guarda
OSTENSIVO 10 - 3 2a Edição
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10.3 - COMUNICACÕES
Durante a faina de transferência no mar, as comunicações são executadas pelo método
ótico, utilizando as bandeiras ROMEO, BRAVO e o galhardete PREP, com os seguintes
significados:
PREP - Içado na adriça, no bordo oposto do dispositivo, ou onde melhor seja visível.
OSTENSIVO 10 - 4 2a Edição
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me para
recebê-lo no
bordo em que
a bandeira
está içada.
No navio re- Estou pronto Estou inician- Cabo men-
cebedor: no para ir para do a aproxi- sageiro
bordo onde seu mação. recebido.
se realizará a contrabordo.
faina.
OSTENSIVO 10 - 5 2a Edição
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ZERO BANDEIRA R
• A MEIO NO RECEBEDOR X
• ATOPETADA NO FORNECEDOR
DOIS BANDEIRA R
• ATOPETADA NO RECEBEDOR 4
SETE BANDEIRA R
• ARRIADA 4
OSTENSIVO 10 - 6 2a Edição
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6) Caso esteja governando pela agulha magnética, o navio aproximador deve estar
atento a variações induzidas pelo controlador ;
OSTENSIVO 10 - 7 2a Edição
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10) Considerar o efeito da área de sucção criada entre os navios pelo aumento da
pressão da água nas seções de ré e de vante do casco, com conseqüente
decréscimo a meio-navio. Este efeito variará de acordo com a distância entre navios,
velocidade de reabastecimento, profundidade local e diferença de comprimento entre
os navios.
b) posicionamento
O posicionamento do navio recebedor em relação ao navio fornecedor é realizado através
do alinhamento entre as estações, que serão sinalizadas por painéis, indicando para o
navio recebedor o local por onde sairá todo o dispositivo e o tipo de material a ser
transferido .
Figura 4 - Pombal
OSTENSIVO 10 - 8 2a Edição
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OSTENSIVO 10 - 9 2a Edição
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envolvidos;
d) manutenção da distância
As distâncias a serem mantidas pelo navio recebedor em relação ao navio fornecedor,
durante a passagem de carga, água ou óleo são previstas em tabela, variando de
acordo com o tipo de transferência e o tamanho dos navios envolvidos:
BURTON
HOUSEFALL
HOUSEFALL MOD
OSTENSIVO 10 - 10 2a Edição
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TENSIONADO)
Observacões
(2)Em mau tempo a distância máxima para o método STREAM é de 300 pés.
OSTENSIVO 10 - 11 2a Edição
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e) procedimentos gerais
1) Disseminar por fonoclama a ordem de "PREPARAR O NAVIO PARA FAINA DE
TRANSFERÊNCIA DE __________. NAVIO FORNECEDOR POR BB/BE __________.
NAVIO RECEBEDOR POR BB/BE ___________.”
OSTENSIVO 10 - 12 2a Edição
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2) O navio controlador exibirá as luzes de contorno (duas luzes azuis com setor de 135
graus a partir da popa, no bordo da faina, posicionadas à altura do início e do final da
seção do bordo da faina paralela à quilha). Caso o navio controlador seja maior que
183m, exibirá uma terceira luz de contorno a meio entre as outras duas.
OSTENSIVO 10 - 13 2a Edição
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FUZIL LANÇA-RETINIDA
RAQUETES DE SINALIZAÇÃO
FUZIL LANÇA-RETINIDA
OSTENSIVO 10 - 14 2a Edição
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1) dois conjuntos formados por 3 lâmpadas vermelhas espaçadas entre si de 15,2 cm,
dispostas verticalmente e separadas entre si de 3,6m, delimitando a área aberta
para transferência ;
OSTENSIVO 10 - 15 2a Edição
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c) luzes de contorno
e) luzes de acessórios
OSTENSIVO 10 - 16 2a Edição
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OSTENSIVO 10 - 17 2a Edição
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1 - retinida/rebolo;
O cabo de sustentação ao ser recebido pelo navio recebedor será talingado no olhal
próprio existente na estação e será mantido tesado manualmente pelo navio fornecedor.
OSTENSIVO 10 - 18 2a Edição
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PESO
OSTENSIVO 10 - 19 2a Edição
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12) O recebedor traz o trolley para sua estação através do cabo de vai-e-vem externo;
13) O recebedor retira a carga e devolve o trolley ao fornecedor, que entra o cabo de vai-
e-vem interno;
OSTENSIVO 10 - 20 2a Edição
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OSTENSIVO 10 - 21 2a Edição
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2) ROBB
3) PROBE
OSTENSIVO 10 - 22 2a Edição
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1) descrição geral
Esse sistema é mais indicado quando o navio fornecedor é bem maior que o
recebedor. Nesse sistema a linha de mangotes é sustentada por meio de cabos de
manilha fixados às selas, passando por moitões talingados a um guindaste, lança
ou pau de carga.
Ao receber a retinida, o navio recebedor entrará com a mesma, até chegar a bordo
o cabo mensageiro do cabo de leva. Logo que o chicote deste chegar a bordo, será
passado na patesca. A seguir o navio recebedor continuará entrando o cabo
mensageiro até chegar a bordo o cabo de retorno do cabo de leva, o mensageiro do
cabo de distância/telefônico interpassadiço e o cabo telefônico interestações.
OSTENSIVO 10 - 23 2a Edição
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3) devolucão do dispositivo
As selas serão atopetadas pelo fornecedor, que entrará com os cabos das selas e o
cabo de recolhimento. O cabo de recolhimento trará a linha de mangotes de volta
para a estação do fornecedor. O recebedor devolverá então o cabo auxiliar da sela
externa (caso passado) e o cabo telefônico interestações.
OSTENSIVO 10 - 24 2a Edição
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1) descrição geral
Nesse sistema, usa-se um cabo de sustentação de aço (SPAN-WIRE), projetado
para sustentar uma linha de mangotes de 96 m (315 pés) de comprimento.
OSTENSIVO 10 - 25 2a Edição
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OSTENSIVO 10 - 26 2a Edição
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3) devolução do dispositivo
OSTENSIVO 10 - 27 2a Edição
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Em substituição aos sinais visuais com raquete, serão utilizados painéis (substituídos à
noite por lanternas), conforme a tabela a seguir apresentada:
OSTENSIVO 10 - 28 2a Edição
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Simultaneamente com a entrada do dispositivo, o navio recebedor deverá avançar, até que
a 2ª bóia, bóia de posição (FIG.21), esteja posicionada à altura da sua estação. A
finalidade dessa bóia é auxiliar à manutenção da posição do navio recebedor em relação
ao navio fornecedor. A posição do navio recebedor em relação à bóia variará (podendo
ficar à altura do passadiço, por exemplo), conforme cada classe de navio.
OSTENSIVO 10 - 29 2a Edição
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Para a proteção do mangote de óleo contra o atrito, o navio deverá possuir na estação o
ROLLER ASSEMBLY (FIG. 24).
o
O ângulo ideal de entrada do mangote a bordo é 90°. Ângulo maior que 90 (dizendo para
vante), causará esforços desnecessários sobre o mangote e ângulo menor que 90°
(dizendo para ré) fará com que o mangote chicoteie na água. O ROLLER ASSEMBLY
permite uma variação de 15 graus no ângulo de entrada do mangote.
O recebedor colherá o dispositivo (cabos e bóia) na borda , deixando-o pronto para ser
devolvido.
Após ter sido devolvido todo o dispositivo na seqüência inversa ao da entrada, o navio
então abrirá lentamente para bombordo até estar safo do dispositivo de modo a poder
manobrar livremente.
OSTENSIVO 10 - 30 2a Edição
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OSTENSIVO 10 - 31 2a Edição
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OSTENSIVO 10 - 32 2a Edição
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- quando um dos navios apresenta uma avaria de máquinas, que afete sua capacidade
de manter o rumo e a velocidade de reabastecimento;
OSTENSIVO 10 - 33 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
Normalmente o sinal de perigo (pelo menos cinco apitos curtos) será soado pelo navio
que está iniciando os procedimentos, para alertar os navios nas proximidades.
b) material para desengajamento
Pelo menos as seguintes ferramentas devem estar prontas na estação de transferência :
- 1 machado;
- 1 machadinha de mão;
O navio fornecedor enviará junto com os primeiros cabos uma cópia do procedimento de
desengajamento em emergência para o navio recebedor, exceto nas fainas de
reabastecimento de óleo pela popa.
d) procedimentos para o desengajamento
1) Durante a passagem do dispositivo, colher todos os cabos no convés no sentido em
que trabalham, de forma a poderem correr livremente.
5) Fornecedor entrar rapidamente com a carga que estava sendo transferida (ou com o
mangote, após desconectado, em caso de transferência de óleo).
OSTENSIVO 10 - 34 2a Edição
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2) Capacetes de fibra por todos na estação, com jugular passada e observando as cores
previstas no NWP-14(B).
4) Lanternas individuais vermelhas presas ao colete por todos nas fainas noturnas.
OSTENSIVO 10 - 35 2a Edição
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7) Trapear o cabo de sustentação por fora do trolley para arriar a carga no convés em
segurança.
10) Manter um socairo de 2m nos cabos passados por patescas, cunhos, olhais etc..
d) realizacão de briefing
OSTENSIVO 10 - 36 2a Edição
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f) silêncio na estacão
2) As ordens para deixar correr ou alar cabos são dadas por apito marinheiro.
k) preparação da estacão
OSTENSIVO 10 - 37 2a Edição
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3) Defender arestas vivas com borracha ou sisal, evitando que mangotes e cabos ali
cocem.
9) Nas fainas de transferência de óleo, manter a estação guarnecida por pessoal do CAV,
com equipamentos de CBINC (linha de espuma).
11) Manter a estação guarnecida por um enfermeiro com kit de primeiros socorros.
14) Manter atualizados os testes de carga dos olhais e acessórios da estação submetidos a
esforços, conforme os planos do navio e o NWP-14 (B).
2) O pessoal que desejar assistir à faina formará no local determinado pelo Imediato,
divulgado por fonoclama.
2) Essa função não é cumulativa com a do Oficial que supervisiona a faina, que é
conduzida pelo Mestre.
OSTENSIVO 10 - 38 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
2) Nas fainas de transferência de óleo são proibidos corte e solda, sendo estas proibições
disseminadas por fonoclama em intervalos regulares ao longo de toda a faina.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) GRÃ-BRETANHA. Ministry of. Defence. Admiralty Manual of Seamanship. London, 1979.
c) EUA. United States Navy. NWP-14 (B) – Replenishment at Sea. Washington, 1982.
OSTENSIVO 10 - 39 2a Edição
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CAPÍTULO 11
REBOQUE
11.1- GENERALIDADES
De maneira geral, qualquer navio de guerra está sujeito a rebocar ou ser rebocado em
situação de emergência. Portanto, deve estar preparado para este tipo de faina. O êxito de
um reboque depende em muito da prática de quem dirige a manobra. Mas, como em toda
faina marinheira, o grau de prontidão da unidade, tanto quanto ao pessoal (adestramento
rotineiro e “briefing” antes de iniciar a manobra) como em relação ao material, é
fundamental para seu sucesso.
É recomendável que a faina de reboque seja realizada com o navio guarnecido em Detalhe
Especial para o Mar.
Este capítulo aborda o assunto sob o enfoque específico dos navios da Esquadra, como,
por exemplo, navios-de-desembarque, fragatas, contratorpedeiros, corvetas e submarinos.
Maiores detalhes quanto ao tema, principalmente quanto às fainas planejadas, como as
realizadas por rebocadores de alto-mar, são encontrados no ComOpNav-323 – Fainas de
Reboque.
Também não serão abordados os reboques de curta duração realizados em manobras
portuárias. Quanto ao assunto, entretanto, faz-se um lembrete importante: é conveniente
que nos planejamentos das comissões, particularmente quando envolverem visita a porto
estrangeiro, se verifique a disponibilidade e as características dos rebocadores do porto,
bem como o tipo de amarração que utilizam e como os práticos costumam empregá-los.
Rebocadores de porto podem ser encontrados com características diversas: alguns
empregam cabos de aço; outros possuem máquina de reboque (na proa ou na popa, ou em
ambas) e são capazes de administrar o comprimento do cabo como necessário à manobra;
por vezes são antigos e de manobra difícil; alguns amarram sua proa no través; outros
empurram com muita máquina, danificando o costado; em alguns lugares fornecem os
cabos de reboque, em outros utilizam os cabos do próprio navio.
O “briefing” que antecede a atracação deve prever tais peculiaridades, de modo a evitar
avarias que não ocorreriam se medidas preventivas tivessem sido adotadas em tempo
hábil.
OSTENSIVO 11 - 1 2a Edição
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OSTENSIVO 11 - 2 2a Edição
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OSTENSIVO 11 - 3 2a Edição
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outra é colhida no convés, onde será talingada à mão do cabo de reboque, o que facilita
o recebimento do dispositivo pelo rebocador (figura 11.6).
c) fusível - um cabo de reboque de náilon que, ao sofrer um esforço, estenda-se por mais
do que 25% de seu comprimento inicial, poderá sofrer uma perda permanente de sua
capacidade de tração. Para indicar a aproximação a este limite, utiliza-se um fio fusível
em cada extremidade do cabo. Os viradores de náilon também utilizam fusíveis com a
mesma finalidade.
d) cabo mensageiro - é utilizado para passar o cabo de leva de um navio para o outro. São
utilizados cabos de 1 ½ pol.
e) cabo de leva – é utilizado para passar o cabo de reboque para o rebocado. São
utilizados cabos de 3 pol; o cabo de leva pode ser talingado ao mensageiro através de
um “clip inglefield”.
i) tornel - dispositivos mistos que empregam cabos de aço e sintético utilizam um tornel na
união entre eles, pois tais cabos tendem a descochar em sentido inverso. É comum sua
utilização nos dispositivos de reboque de alvo.
OSTENSIVO 11 - 4 2a Edição
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SIMBOLOGIA :
FCN- Fragatas classe “Niterói”
FCG- Fragatas classe “Greenhalgh”
CCI- Corvetas classe “Inhaúma”
CTCP- Contratorpedeiros classe “Pará”
NE- NE “Brasil”
NDD- NDD classe “Ceará”
NDCCDC- NDCC “Duque de Caxias”
NDCCM- NDCC “Mattoso Maia”
Tran- método de construção trançado
Tor- método de construção torcido
MC – método de construção
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OSTENSIVO 11 - 6 2a Edição
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Este tipo de configuração não é usual na MB. Podem ser identificadas algumas vantagens na
sua utilização, principalmente quando o navio a ser rebocado não dispuser de energia, o que
dificultaria a passagem do dispositivo de reboque. Além disso, é de se esperar que o uso
desta configuração abrevie a faina, considerando, entre outros aspectos, que a preparação do
dispositivo pode ser iniciada a partir do instante em que o Comandante do navio avariado
decida pedir auxílio; e realizada enquanto se aguarda a designação e a chegada do navio-
rebocador. Neste caso, a preparação do navio-rebocador limita-se ao indicado na figura 11.6.
OSTENSIVO 11 - 7 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
a) Navio-rebocador
1) Providências a serem tomadas pelo Oficial de Quarto :
• estabelecer comunicações com o rebocado, obtendo informações úteis ao
planejamento do reboque (utilizar como modelo o questionário do rebocado,
constante do anexo A do COMOPNAV-323);
• mandar guarnecer o DEM (guarnecimento específico para reboque) e estabelecer a
condição ZULU de fechamento do material do 1º convés acima da linha d’`agua para
baixo;
• verificar o guarnecimento e a prontificação da estação de reboque, através do circuito
telefônico apropriado; e
• determinar o vento real e o ângulo de permanência do rebocado.
2) Providências a serem tomadas pelo Departamento de Armamento :
O Chefe do Departamento de Armamento determina ao Mestre do navio a montagem do
dispositivo para reboque na popa e verifica a preparação e o guarnecimento da estação
de reboque pelo pessoal detalhado em Tabela-Mestra.
OSTENSIVO 11 - 8 2a Edição
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O cabo de leva é talingado à mão do cabo de reboque (que estará aduchado na popa). O
cabo mensageiro é talingado ao cabo de leva e abotoado ao longo do costado pelo bordo
de aproximação, até as proximidades da proa. A aproximação será feita por barlavento
do rebocado, desta forma o dispositivo será passado por sotavento do navio-rebocador.
A retinida será lançada da proa, permitindo novas tentativas de passagem caso não
tenha sucesso na primeira tentativa, reduzindo desta forma a possibilidade de perda da
aproximação.
OSTENSIVO 11 - 9 2a Edição
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Caso seja empregado dispositivo com cabresteiras, não havendo cabeços estruturais
disponíveis:
• reforçar os cabeços que serão utilizados para encapelar as alças das cabresteiras,
ligando-os por meio de cabo de aço a soco de canhão ou cabrestante.
OSTENSIVO 11 - 10 2a Edição
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4
Para a determinação desta distância, considerar o giro do navio a ser rebocado, o que é função do número de quartéis
pago por aquela embarcação.
OSTENSIVO 11 - 11 2a Edição
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OSTENSIVO 11 - 12 2a Edição
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Os cabos sintéticos, assim como os de fibra, requerem cuidados especiais quando são
empregados como cabo de reboque, devido à baixa resistência ao atrito. As partes de
tais cabos sujeitas a atrito devem ser protegidas (engaiadas, percintadas, forradas com
seções de mangueiras usadas etc). Tais proteções devem ser mantidas sob vigilância
durante a faina.
b) O Comandante do navio-rebocador deve escolher uma derrota que não ofereça perigos
ao trem de reboque, considerando, entre outros aspectos, os calados de ambos os
navios, os perigos à navegação, as profundidades (baixas profundidades poderão fazer
com que o dispositivo toque ou mesmo fique preso ao relevo do fundo) e a situação
meteorológica e de mar (navegar a capa poderá ocasionar esforços excessivos ao
dispositivo de reboque), períodos diurnos e noturnos etc. Isto significa que, nem
sempre, o caminho mais curto será o escolhido.
5
O conjunto navio-rebocador e rebocado é denominado trem de reboque.
OSTENSIVO 11 - 13 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
OSTENSIVO 11 - 14 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
dispositivo é pago pelo rebocado, até que seja totalmente recolhido pelo navio-
rebocador.
e) Quando se emprega cabresteiras, o rebocado entra com o cabo de leva, aliviando o
esforço sobre as cabresteiras, que são retiradas dos cabeços e devolvidas ao navio-
rebocador.
f) A manobra de reboque só estará encerrada quando o navio-rebocador tiver recolhido o
cabo de reboque.
g) Caso o dispositivo pertença ao rebocado, este recolherá o dispositivo, se tiver condições
para fazê-lo.
h) O procedimento de emergência consiste em liberar do gato de reboque o cabo de
reboque no rebocador. O rebocado recolhe sua amarra e o cabo de reboque.
i) O cabo de reboque deve ser posto a secar, estendido no convés, antes de ser guardado.
O tempo dispendido para secar o cabo, normalmente, também permitirá a sua
recuperação, pois um cabo sintético submetido a um esforço de tração elevado estica-se
e tende a retornar ao comprimento original após retirada a carga. Se o cabo for
ensarilhado logo após a faina, fará a recuperação no sarilho, apertando as voltas.
11.8- COMUNICAÇÕES
As comunicações entre o passadiço e a estação de reboque (proa ou popa) tem que ser
confiáveis, sendo feitas através do circuito telefônico auto-excitado de manobra e de
transceptores portáteis de VHF-FM (para emergência).
A radiotelefonia é um canal eficaz para comunicações entre um navio a ser rebocado e o
navio-rebocador, especialmente nas fases de preparação, aproximação e passagem do
dispositivo. Se necessário, enviar tranceptores portáteis para o navio avariado.
Nas estações de reboque de ambos os navios, deve haver um homem exercendo a função
de sinalizador (raqueteiro), durante a passagem do dispositivo.
Durante o trânsito do trem de reboque, levando em conta que os navios estarão à curta
distância, poderão ser utilizados canais de comunicações dos meios ótico e acústico.
OSTENSIVO 11 - 15 2a Edição
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OSTENSIVO 11 - 16 2a Edição
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OSTENSIVO 11 - 17 2a Edição
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) BRASIL. Comando de Operações Navais – ComOpNav 323 – Fainas de Reboque. Rio de
Janeiro, 1985.
d) EUA. Department of the Navy.US NAVY TOWING MANUAL. Washington D.C., Navy Ship
Systems Command, 1971.
e) FONSECA, CMG Maurílio Magalhães. Arte Naval. 4. ed. Rio de Janeiro, EN, 1985.
OSTENSIVO 11 - 18 2a Edição
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CAPÍTULO 12
HOMEM AO MAR
12.1 - GENERALIDADES
Qualquer navio que se faz ao mar deve estar pronto para recolher um tripulante que tenha
caído n’água.
- quem vir um homem cair pela borda, ou já no mar, deve dar o brado de “homem ao mar
por BB ou BE”, procurando lançar-lhe uma bóia salva-vidas ou qualquer outro material
para marcar o local e apontar na direção em que o avista; adicionalmente, acionar o
“alarme de homem ao mar” mais próximo (nos navios equipados com este alarme);
- o brado deve ser transmitido de boca em boca e por todos os meios de comunicações
existentes, até se ter certeza que o Oficial de Quarto tomou conhecimento; e
- todo o pessoal em conveses abertos deve apontar para o homem que caiu no mar.
- avisar pelo fonoclama “Homem ao Mar por (BE) ou (BB)” – “Guarnecer Detalhe de
Homem ao Mar”, informando o método e o local do recolhimento, se pela estação de
recolhimento por BE ou BB, pela lancha, pelo bote ou por helicóptero;
- se estiver operando com outros navios, disseminar o sinal tático adequado pela PMTA; e
OSTENSIVO 12 - 1 2a Edição
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12.2.2 - Sinaleiro
- Içar a bandeira OSCAR pelo bordo da queda (durante o dia) ou acender as luzes de
homem ao mar (à noite, duas luzes vermelhas pulsantes em linha vertical com as
o
seguintes características: visíveis nos 360 , 2 milhas de alcance, pulsando 50 a 60
vezes por minuto);
- se a situação tática permitir, à noite, acender o holofote, mantendo seu facho próximo
ao homem; e
12.2.3 - Vigilância
12.2.4 - CIC/COC
- Assim que receber a informação que o homem caiu no mar, dar início à plotagem,
registrando a posição geográfica, a hora e o vento real no momento da queda;
- manter pelo menos 1 display ou repetidora em escala curta, compatível com a distância
atual do homem;
OSTENSIVO 12 - 2 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
- atualizar a posição do homem com base nas informações recebidas da vigilância e das
alças óticas.
OSTENSIVO 12 - 3 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
II) O pessoal detalhado, assim que for chegando à estação, inicia sua preparação para
o recolhimento.
IV)A manobra deve ser conduzida de forma a deixar o homem a sotavento, a cerca de
10 metros da estação de recolhimento, quando então um militar previamente
escalado lança, o mais próximo possível do náufrago, uma bóia salva-vidas com
cabo preso a bordo.
V) Embora a Manobra informe com antecedência o bordo por onde pretende recolher o
homem, a estação deve estar pronta para fazê-lo por ambos os bordos.
VIII) Içamento:
OSTENSIVO 12 - 4 2a Edição
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Para executar o recolhimento, o helicóptero tem que estar equipado com o “hoist”, bóia
salva-vidas e fumígeno, e com os dois mergulhadores/NATSALVO a bordo.
OSTENSIVO 12 - 5 2a Edição
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OSTENSIVO 12 - 6 2a Edição
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Figura 12.1
- quando estiver no final do giro (próximo ao rumo inicial), a cerca de 450 jardas do
homem, manobrar com as máquinas para quebrar o seguimento próximo ao ponto
de recolhimento; e
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Figura 12.2
- carregar todo o leme para o bordo de queda do homem até variar 70 graus do
rumo inicial, quando então deve-se inverter o leme;
Figura 12.3
OSTENSIVO 12 - 8 2a Edição
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Esta manobra apresenta maior dificuldade para sua execução por parte de
navios com planta a vapor.
Figura 12.4
OSTENSIVO 12 - 9 2a Edição
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Figura 12.5
Esta curva deve ser usada quando o náufrago estiver no visual e bem “safo”
da popa. Esta manobra só deve ser feita em boas condições de visibilidade
e da seguinte maneira:
OSTENSIVO 12 - 10 2a Edição
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Figura 12.6
OSTENSIVO 12 - 11 2a Edição
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Figura 12.7
a) NAVIOS EM COLUNA
O último navio da coluna normalmente recolherá o homem, a não ser que o OCT
determine diferentemente. Entretanto, se algum outro navio melhor posicionado tiver
OSTENSIVO 12 - 12 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
condições para recolhê-lo com segurança, deve fazê-lo, informando aos demais
navios as suas intenções.
O navio que perdeu o homem deve manobrar como for necessário para recolhê-lo,
evitando guinar para cima dos outros navios, a menos que possa fazê-lo com
segurança.
Se contudo o próprio navio que perdeu o homem puder manobrar com segurança,
ele deve recolhê-lo.
Em qualquer caso, os demais navios manobram como necessário para não interferir
no recolhimento, procurando, se possível, manter a integridade da formatura.
- um navio deve estar em posição de guarda de 500 a 1000 jardas na popa do navio
fornecedor;
OSTENSIVO 12 - 13 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
Se um homem cair ao mar de um navio de grande porte, o navio de pequeno porte que
estiver mais próximo, ou aquele designado pelo OCT, deve recolher o homem, se a
situação tática permitir. Os outros navios devem manter o rumo e a velocidade. Caso
nenhum navio de pequeno porte esteja presente, o OCT decidirá de acordo com a
situação presente.
Se um homem cair ao mar de um navio de pequeno porte, este deve manobrar para safar-
se da formatura e recolher o homem, caso a situação tática permita. Os outros navios
devem manter rumo e velocidade e não interferirem na manobra.
Não sendo possível o recolhimento, em face da situação tática, o local de queda deve ser
registrado na carta, visando ao recolhimento futuro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) BRASIL. Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão. DIAsA-CAV-004. Lista de
Verificação de Exercícios Operativos. Rio de Janeiro, s.d.
d) FONSECA, CMG Maurílio Magalhães. Arte Naval. 4. ed. Rio de Janeiro: EN, 1985.
OSTENSIVO 12 - 14 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
CAPÍTULO 13
OPERAÇÕES AÉREAS
13.1 - GENERALIDADES
As operações aéreas a bordo se caracterizam principalmente pelo risco envolvido, devido
às dificuldades inerentes a operar uma aeronave em uma plataforma pequena, móvel e
que balança. É fundamental que se desenvolva a conscientização para as
responsabilidades individuais e o conhecimento dos diversos procedimentos envolvidos.
Os aspectos inerentes às operações aéreas no NAeL “Minas Gerais” não serão abordados
neste capítulo, devendo ser consultadas as publicações específicas sobre o assunto.
A) COMANDANTE DO NAVIO
O Comandante do navio é o responsável pela condução, com segurança das
operações aéreas a partir de seu navio. As atribuições do Comandante englobam,
mas não se limitam a:
- controle do lançamento e recebimento;
OSTENSIVO 13 - 1 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
OSTENSIVO 13 - 2 2a Edição
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OSTENSIVO 13 - 3 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
E) OFICIAL DE QUARTO
O Oficial de Quarto, no que concerne às operações aéreas é responsável por:
- manter o Comandante e o Imediato informados do andamento das operações;
- informar aos Departamentos interessados quanto às operações de VERTREP;
- manobrar o navio de modo a obter condições de vento adequadas (envelopes de
vento de cada aeronave);
- manter rumo e velocidade constantes durante as operações de engrazamento,
desengrazamento, lançamento e recolhimento, até que a aeronave haja decolado
do navio ou esteja com o arpão passado e devidamente peiada no convés;
- realizar teste de luzes com o convôo e o controle;
- alimentar o sistema de vídeo do convôo;
- cobrar do controle os dados da aeronave (autonomia, almas a bordo e vento p/
pouso monomotor);
- calcular o rumo e a velocidade para pouso monomotor;
- verificar os limites de jogo do navio;
- cobrar o pronto do controle para operações aéreas;
- cobrar o pronto da plataforma de pouso para operações aéreas.; e
- mandar içar a bandeira HOTEL (de dia) ou acender as luzes de aviação (à noite).
Observação: As atribuições listadas não esgotam o assunto e deverão ser ajustadas
e complementadas em função da classe do navio.
OSTENSIVO 13 - 4 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
H) CONTROLADOR AÉREO
É o militar habilitado no Curso Expedito de Controlador Aéreo Tático (C-EXP-CAT),
com qualificação dentro da validade, que controlará a aeronave no cumprimento da
missão atribuída.
Para exercer o controle positivo e seguro da aeronave, é necessário que o
controlador possua contato fonia e radar com a aeronave e que a equipe de serviço
do COC forneça as informações necessárias ao Controlador Aéreo, destacando-se
as seguintes:
- condições meteorológicas locais – (BOWWAVE / METAR) – que deverão ser
atualizadas a cada 30 minutos;
- condições meteorológicas da área de destino da aeronave – (BOWWAVE /
METAR);
- terra mais próxima e aeródromo alternativo;
- vento verdadeiro e vento no convôo;
- Posição e Intenção de Movimento (PIM); e
- rumo de operações aéreas.
OSTENSIVO 13 - 5 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
K) ORIENTADOR
É a Praça especializada em Manobra e Equipamento de Aviação (RV), integrante da
EqMan, responsável pela orientação da aeronave por meio de sinais visuais
apropriados, devendo:
- verificar se a sua equipe está completa e devidamente uniformizada;
- verificar e/ou instalar todo o material empregado pela sua equipe;
- verificar as condições de segurança das redes de proteção e, ainda, colocá-las em
posição para emprego;
- realizar a Patrulha do “DOE” antes e após as operações aéreas;
- manter a porta do hangar aberta apenas um metro e meio;
- instruir toda a sua equipe quanto às operações que serão realizadas com a
aeronave e atribuir individualmente a função de cada elemento;
- dar o pronto da sua equipe ao OLP; e
- demais providências necessárias em face das particularidades de cada navio.
OSTENSIVO 13 - 6 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
NOTA
DEVE SER OBSERVADO UM PERÍODO DE DESCANSO DE OITO (8) HORAS
ININTERRUPTAS PARA A EQUIPAGEM DO HELICÓPTERO TODA VEZ QUE FOREM
COMPLETADOS OS TEMPOS MÁXIMOS NAS CONDIÇÕES DE ALERTA 5 E 15.
OSTENSIVO 13 - 7 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
A) OPERAÇÕES DIURNAS
SINAL SIGNIFICADO
• “ H “ A MEIO • ESTOU PRONTO PARA OPERAR QUANDO AS
CONDIÇÕES DE VENTO FOREM ADEQUADAS.
B) POUSO EM EMERGÊNCIA
Os navios engajados em um pouso em emergência içam os sinais, como se segue:
SINAL SIGNIFICADO
• EMERG - “ H ” A MEIO • ESTOU ME PREPARANDO PARA RECEBER
AERONAVE EM EMERGÊNCIA.
• EMERG - “ H ” ATOPETADA • OPERAÇÃO DE POUSO EM EMERGÊNCIA
EM ANDAMENTO.
• EMERG - “ H ” RETORNOU A MEIO • OPERAÇÃO DE POUSO EM EMERGÊNCIA
APÓS TER SIDO ATOPETADA INTERROMPIDA TEMPORARIAMENTE.
• EMERG - “H“ ARRIADA • POUSO EM EMERGÊNCIA COMPLETADO.
OSTENSIVO 13 - 8 2a Edição
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OSTENSIVO 13 - 9 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
OSTENSIVO 13 - 10 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
B) PEIAMENTO DE AERONAVES
Em virtude do jogo do navio e do vento cruzado na plataforma, torna-se imperativo
que sejam observados métodos adequados de peiamento.
No caso de helicópteros, há que considerar ainda a influência do vento, qualquer que
seja sua direção, sobre as pás dos rotores quando abertas.
Em geral, durante o mau tempo, é perigoso e muitas vezes impossível corrigir a
peiação ou estabelecer a condição adequada.
OSTENSIVO 13 - 11 2a Edição
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OSTENSIVO 13 - 12 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
D) POUSO E DECOLAGEM
A condição ideal para pouso e decolagem é com o navio aproado ao vento
verdadeiro. Nesta condição, o pouso e a decolagem da aeronave podem ser feitos
por BB ou BE, com entrada lateral paralela ao navio (pouso à inglesa).
Para cada tipo de entrada da aeronave para o pouso, o Orientador ocupa posições
definidas na plataforma, de maneira que permaneça sempre no visual do piloto que
efetivamente estiver nos comandos da aeronave.
Na entrada à inglesa, não havendo passagem dos comandos da aeronave, o mesmo
bordo de entrada é o de saída.
Já na entrada cruzada, direta ou americana, isto é, a aproximação da aeronave com
ângulo de 45 graus em relação à popa do navio, são previstas entrada e saída por
bordos opostos. Este tipo de entrada é utilizada quando a aeronave se encontrar
armada ou em fainas específicas, sendo cumprido envelope de vento específico
conforme a classe de navio.
E) JOGO DO NAVIO
Há limites de balanço e caturro para o pouso de cada tipo de aeronave. O Oficial de
Quarto manobrará de forma a atender ao envelope de vento e manter o navio dentro
dos limites de balanço e caturro, só autorizando a abertura do convôo para
pouso/decolagem (luz verde) quando atendidas todas as exigências.
OSTENSIVO 13 - 13 2a Edição
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OSTENSIVO 13 - 14 2a Edição
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4 - A linha de mangueira com aplicador deverá prover uma proteção aos homens da
linha de espuma, mediante uma barreira de neblina de baixa resfriadora.
OSTENSIVO 13 - 15 2a Edição
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C) POUSO DE EMERGÊNCIA
De modo geral, os helicópteros bimotores podem prosseguir em vôo, com certa
segurança, com um só motor. Entretanto, suas possibilidades em realizar vôo librado
nessas condições, para a maioria dos modelos de aeronaves, não são asseguradas.
Desta forma, em caso de emergência, e caso não possua local de pouso alternativo, o
helicóptero deverá ser recolhido com o vento relativo mais apropriado e com a maior
intensidade possível (envelope para pouso monomotor). A manobra de recolhimento
deverá ser executada rapidamente, e a plataforma deve proporcionar a maior área
disponível. Nesta situação, uma arremetida dificilmente poderá ser efetuada pelo piloto,
o qual normalmente só terá uma chance para efetuar a aproximação para o pouso.
Os valores de vento relativo mínimo para pouso a bordo com um só motor deverão
constar das Ordens Internas sobre operações aéreas dos navios, baseado nos gráficos
de performance da respectiva aeronave.
E) ACIDENTE NO MAR
O navio deverá se aproximar do local do acidente a fim de recolher os tripulantes
acidentados. Ao chegar ao local, deverá rapidamente arriar a sua lancha ou bote com o
intuito de agilizar o resgate dos tripulantes que tenham abandonado a aeronave. Após o
resgate de toda a tripulação e posterior remoção para bordo, tanto a lancha como o bote
deverão, se as condições permitirem, resgatar os destroços que porventura estiverem
flutuando para posterior utilização na investigação do acidente aeronáutico.
OSTENSIVO 13 - 16 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
INTENÇÃO OU NECESSIDADE
SINAL VISUAL
DO PILOTO
OSTENSIVO 13 - 17 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
4. NÃO POUSE.
POUSE N’ÁGUA OU SALTE Z Z
NAS PROXIMIDADES DO
NAVIO. - - . . - - . .
5. ALIJAR ARMAMENTO OU Q Q
MUNIÇÃO.
- - . - - - . -
NOTA:
Tais sinais podem ser empregados também para o caso de serem adotadas condições
restritivas de Controle de Irradiações Eletromagnéticas (CIEMA).
OSTENSIVO 13 - 18 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
OSTENSIVO 13 - 19 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
A) PLANEJAMENTO
Todo o pessoal escalado para ser transferido por helicóptero deve se apresentar ao
Oficial de Operações ou Avaliador com 45 minutos de antecedência, a fim de receber
as instruções necessárias (briefing). Não devem ser permitidas transferências de
pessoal que não tenha recebido as instruções necessárias, em face do risco que isto
lhes acarretaria.
Todo material a ser transferido deve ter o seu peso especificado de forma a ser
claramente visível.
OSTENSIVO 13 - 20 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
D) TRANSFERÊNCIA DE PESSOAL
I) Do helicóptero para o navio
Quando o helicóptero estiver sobre a área de transferência, o homem a ser arriado
já deve estar usando a alça de salvamento (sling) e posicionado na porta de
acordo com as instruções do Fiel da aeronave. Este deve arriar o homem até o
convés, continuando a pagar o cabo de forma a evitar que ele seja arrastado pelo
“sling” quando o navio caturrar (antes da faina, a eletricidade estática já deve ter
sido descarregada).
Em hipótese alguma o cabo do guincho pode ser preso a qualquer parte do navio.
II) Do navio para o helicóptero
A aeronave efetua vôo librado sobre o local da transferência e arria o cabo, até
que exista uma lazeira de cerca de 2 metros a fim de possibilitar a passagem do
“sling” no homem. O homem a ser transferido deve estar usando um colete salva-
vidas inflável.
III) De feridos do navio para o helicóptero
OSTENSIVO 13 - 21 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
A transferência deve ser feita utilizando-se maca a ser fornecida pelo navio. As
seguintes observações devem ser levadas em conta:
- o responsável pela faina no navio deve certificar-se de que a cabeça do paciente
0
fique com uma elevação de cerca de 30 , e que esta será a primeira parte da
maca a entrar no helicóptero (o comprimento dos estropos será desigual);
- deve ser atado à maca um cabo-guia de 15 metros de comprimento a fim de
evitar oscilações (atado à parte inferior da maca);
- doentes mentais não devem ser transferidos por helicópteros; e
- os doentes devem, sempre que possível, estar acompanhados por um médico.
OSTENSIVO 13 - 22 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
0 0
O vento relativo ideal deve ser de 315 a 330 com intensidade de 15 a 30 nós.
13.6.4 - Reabastecimento em vôo (HIFR)
O reabastecimento em vôo é uma manobra efetuada com o propósito de aumentar a
autonomia da aeronave, quando não for possível o seu pouso e reabastecimento a
bordo.
O vento recomendado para as operações de HIFR com os helicópteros SH-3A e SH-3B é
0 0
de 330 a 355 relativos, com uma intensidade de 15 a 20 nós. Para as aeronaves AH-
o o
11A, observar o vento relativo de 330 a 355 , com intensidade de 10 a 25 nós.
A) FASES DO REABASTECIMENTO
I) FASE DA APROXIMAÇÃO
A aeronave faz a aproximação pela alheta de BE, aproada ao vento relativo, que
deve entrar pela bochecha de BB, posicionando-se sobre o convôo.
II) FASE DO PICK-UP DO MANGOTE
É feito o içamento do mangote de reabastecimento, disposto previamente sobre o
convôo, após a manobra de descarga de eletricidade estática do cabo do guincho.
III) FASE DE REABASTECIMENTO
A aeronave com o mangote já conectado, se desloca lateralmente e se posiciona
de 20 a 30 pés de altura em relação ao nível do convôo, a uma distância superior
a meio diâmetro de rotor, com proa paralela ao rumo do navio sendo, então,
iniciado o bombeamento de combustível para a aeronave.
IV)FASE DA DEVOLUÇÃO DO MANGOTE
A aeronave retorna ao convôo, em vôo librado, e o mangote é arriado e colhido a
bordo pela Equipe de Manobra.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) BRASIL. Comando de Operações Navais. COMOPNAV 273. Manual de Procedimentos
Operativos da Aeronave AH-11A. Rio de Janeiro, 1998.
b) ___.Comando de Operações Navais. COMOPNAV 342A. Manual de Operação de
Helicópteros Embarcados. Rio de Janeiro, 1983.
c) ____.Diretoria-Geral do Material da Marinha. DGMM 3010 (REV.1). Manual de Segurança de
Aviação. Rio de Janeiro, 2000.
OSTENSIVO 13 - 23 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
CAPÍTULO 14
COMBATE A INCÊNDIOS
14.1 - GENERALIDADES
Os procedimentos para combate a incêndios em navios de superfície sofreram mudanças no
ano de 1996 com a publicação da FI-DIAsA-P-001, que coletou normas de CAV empregadas
e experimentadas por outras marinhas e pela MB, esclareceu interpretações equivocadas de
publicações doutrinárias e corrigiu procedimentos desatualizados.
A experiência das marinhas envolvidas em conflitos nos últimos anos, cujos navios sofreram
avarias causadas pelo emprego de armamento inimigo, aliada às lições aprendidas nos
incêndios de grandes proporções, mais uma vez provou a necessidade de que todos a bordo
de navios devem conhecer os procedimentos de CBINC e suas responsabilidades perante o
CAV.
Para que esses propósitos sejam alcançados, é necessário que cada membro da tripulação
tenha conhecimento suficiente sobre ataque inicial a um incêndio, agentes extintores a
serem utilizados, procedimentos gerais para cada classe de incêndio, contenção de
incêndios, limitação de fumaça, manutenção da condição de fechamento do material,
distribuição e localização dos compartimentos dos navios, organização básica e funções dos
componentes das turmas dos reparos de CAV nas fainas de CBINC, transmissão e registro
de informações de CAV, sistema de classificação dos acessórios estanques, uso de
equipamento de proteção individual e noções de primeiros socorros.
Algumas das medidas preventivas contra o surgimento de um incêndio a bordo fazem parte
das próprias normas de construção naval, enquanto outras são intimamente ligadas à
doutrina do CAV, cabendo ao pessoal de bordo zelar pelo seu cumprimento. É de
responsabilidade do Encarregado do CAV, dos Encarregados de Divisão, dos Fiéis de CAV
OSTENSIVO 14 - 1 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
É essencial que não seja deixado nenhum combustível volátil nas proximidades das
aspirações dos compartimentos de máquinas.
OSTENSIVO 14 - 2 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
A armazenagem de líquidos inflamáveis tais como tintas, vernizes, óleos e graxas deve
ser feita em compartimento apropriado, com ventilação (ou extração) forçada.
Pode ser alcançada pela realização de freqüentes inspeções, de modo a manter os riscos
de incêndio reduzidos ao mínimo possível e pelo contínuo endoutrinamento da tripulação
na necessidade de manter o navio seguro. Pode ser feito através de adestramento
individual, por equipes e para os quartos de serviço, e de notas em plano de dia.
Na fase inicial de uma avaria, um incêndio por exemplo, os navios devem, conforme sua
organização, dar o combate inicial com uma “turma de ataque rápido no mar“ (TAR),
OSTENSIVO 14 - 3 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
Possuir uma turma fixa para o ataque inicial a qualquer avaria, composta por homens em
serviço permanente apresentando as seguintes vantagens:
- há maior eficácia na ação inicial (pois esses homens são constantemente adestrados para
as ações a realizar);
- controla incêndios enquanto estiverem sendo executadas manobras ou fainas críticas, até
que estas terminem, e os Postos de Combate estejam guarnecidos; e
- há maior rapidez na chegada ao local do sinistro, por não sofrerem atrasos devido ao
estabelecimento da condição “Z” de fechamento do material por ocasião dos Postos de
Combate.
Esse grupo pode ser composto pelos artífices de bordo, o fiel do óleo, o fiel da aguada, pelo
menos um eletricista e demais homens necessários ao controle inicial da avaria.
A decisão de guarnecer ou não Postos de Combate com o navio no porto deve levar em
consideração o fato de que, no momento da avaria, homens com funções chave nos
Reparos, cuja ação deve ser imediata para se opor à avaria, podem não estar a bordo por
qualquer motivo.
O grupo de CAV de serviço deve ser constituído da mesma forma que um reparo do navio
quando em postos de combate. As turmas devem ser detalhadas de modo que todas as
funções descritas a seguir, sejam guarnecidas:
OSTENSIVO 14 - 4 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
- homem(s) para investigar a área avariada e as áreas adjacentes em toda sua extensão
(INVESTIGADOR e TURMA DE CONTENÇÃO);
- homens para fornecer e transportar material para a cena de ação: AFFF, máscaras,
ampolas etc. ( TURMA DE SERVIÇOS GERAIS );
- pessoal para desalimentar circuitos elétricos e passar cabos de força em avaria e realizar
fainas de controle de fumaça (ELETRICISTAS); e
OSTENSIVO 14 - 5 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
A informação do incêndio deve chegar a um dos locais do navio que possua controle de
fonoclama, onde será disseminada, devendo ser especificada: a classe do incêndio; o
local, dizendo o nome do compartimento e o número; e a Estação de Reparo a ser
guarnecida, se no porto com parte da guarnição licenciada. Nesta ocasião deverá ser
tocado o alarme geral.
O pessoal que participa do ataque inicial, seja o descobridor ou a turma de ataque, deve
estar vestido de forma apropriada, para sua própria proteção e para permitir um ataque
mais eficiente. É comum, quando da realização de adestramentos, componentes das
turmas de ataque se dirigirem ao local do sinistro com chinelos, calção e camiseta,
pretendendo diminuir o tempo de reação. Os componentes dos grupos de CAV de
serviço, preferencialmente deverão sempre estar vestindo o macacão operativo. Salienta-
se que as estatísticas das grandes marinhas mostram que cerca de 90% dos incêndios
são extintos nos primeiros dois minutos, 5% nos primeiros dez minutos, e os 5%
restantes ultrapassam 5 a 10 horas, sendo metade destes últimos ocorridos em Praças
de Máquinas.
Em um incêndio classe "A" ou "B", caso seja difícil efetuar o ataque inicial com extintor
devido à presença excessiva de fogo ou fumaça, o descobridor deve tentar utilizar a
mangueira mais próxima com neblina, mesmo que sozinho, tentando manter o incêndio
sob controle. Em qualquer situação deve ser mantida uma distância de pelo menos 2
metros do incêndio, evitando o risco de choque elétrico, caso haja algum circuito de
440VAC alimentado nas proximidades do foco do incêndio.
Em um incêndio classe "C", tal ação deve ser evitada, para que não se utilize água em
compartimentos como a Estação Rádio, Compartimento dos Computadores ou COC/CIC,
Compartimento dos Conversores e CDE’s, que podem tornar equipamentos vitais para o
navio inoperantes.
Não sendo possível esse ataque inicial, o descobridor deve pesar a situação e considerar
que, se existe o risco de propagação de incêndio, deve isolar o compartimento. Tal
situação, no entanto, deve ser evitada, pois, após o fechamento da porta, não teremos
OSTENSIVO 14 - 6 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
O pessoal que se encontra realizando o combate inicial só se retira da área após ser
rendido pela turma de ataque, devendo transmitir ainda no local da faina, o máximo de
informações a respeito da origem e localização do fogo, perigos no compartimento, ações
já tomadas etc.
As seguintes ações devem ser implementadas pelo navio, nos instantes iniciais da faina:
1) Os Motoristas (MO) colocam pelo menos duas bombas de incêndio na linha. A seguir
desalimentam os equipamentos em funcionamento no local da avaria, se houver, e
providenciam o isolamento mecânico do compartimento;
- ao ser rendida pela turma de incêndio (ou turma de suporte “A” / “B”), a turma de
ataque reporta as ações já tomadas, e se apresenta ao líder, no local de controle da
faina;
1
Incêndio em Praça de Máquinas: conforme a Doutrina de Combate a Incêndio em Praça de Máquinas, em um
incêndio em Bravo, as extrações permanecem em funcionamento no início da faina.
OSTENSIVO 14 - 7 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
- o Líder da Cena de Ação orienta a faina na área, auxiliado pelo investigador quanto às
contenções, e mantém contato constante com o EncRep, através de transceptor de
VHF portátil, se disponível, ou do mensageiro;
OSTENSIVO 14 - 8 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
- nessa altura da faina, caso o incêndio se verifique num compartimento com Sistema
Fixo de CO2 ou HALON, o Líder deve se certificar se o incêndio pode ser controlado
ou não, e se é passível de causar avarias maiores. Neste caso, pede permissão à
ECCAV para disparar o sistema. O ENCCAV, analisando a situação, pode determinar
ou não a utilização do Sistema Fixo;
- novas tentativas podem ser feitas em melhores condições, ou após o uso de algum
Sistema Fixo, na sua disponibilidade;
2
- a preparação adequada da “Turma de Reentrada” , protegida por roupas de
aproximação, o estudo do acesso mais conveniente ao compartimento a ser utilizado e
a abertura de acessórios para a descompressão (redução da temperatura e pressão
no interior do compartimento), são procedimentos necessários após o lançamento de
agentes extintores dos sistemas fixos (HALON/CO2) e antes da tentativa de reentrada
no compartimento; e
- todos os esforços devem ser envidados para que a avaria seja limitada na sua
progressão.
______________________
2
É chamado Reentrada o reinício do ataque ao incêndio, após a retirada do pessoal do compartimento, seguido ou não
do emprego de sistema fixo e lançamento de espuma, tendo sido o fogo extinto ou não com essas ações.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) BRASIL. Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão. FI DIAsA-P-001.
Procedimentos de Combate a Incêndios em Navios de Superfície. Rio de Janeiro, s.d.
c) ____ Comando de Operações Navais. COMOPNAV 360 (REV A). Normas de Controle de
Avarias. Rio de Janeiro, 1998.
d) EUA. Naval Sea System Command. Naval Ship’s Technical Manual - Firefighting Ship. s.l.,
1990. cap. 555.
OSTENSIVO 14 - 9 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
CAPÍTULO 15
GRUPO DE SOCORRO EXTERNO
15.1 - GENERALIDADES
O Grupo de Socorro Externo (GSE) visa apoiar outro navio ou instalação de terra em caso
de sinistro.
A experiência de incidentes em navios mostra a necessidade do emprego de Grupos de
Socorro Externo nas grandes avarias, como incêndios de porte ou avaria no costado
abaixo da linha d’água. Esse apoio, geralmente, inclui apoio médico, além de pessoal
adicional para auxílio na faina e de equipamentos como: bombas portáteis para combate a
incêndio e esgoto, máscaras de combate a incêndio, tambores geradores ou ampolas-
reserva, líquido gerador de espuma AFFF, roupas de proteção etc..
OSTENSIVO 15 - 1 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
Na falta de uma coordenação das ações dos GSE dos navios, os grupos permanecem nas
lanchas, pairando nas proximidades do navio a socorrer; ou formados no cais, em local
apropriado, no caso de instalações de terra ou navio atracado, até que seu efetivo
emprego seja determinado. Em princípio, considera-se que o GSE mais apto a prestar
socorro é aquele pertencente a um navio da mesma classe do sinistrado.
Como princípio básico, qualquer GSE só entrará a bordo de um navio ou organização em
sinistro após o mais antigo do grupo haver se apresentado e ter recebido ordem para tal do
Oficial responsável pelo combate à avaria no local sinistrado. O Encarregado, ao se
apresentar, informa o tipo e quantidade de equipamentos e a quantidade de homens
disponíveis.
Os grupos, ao se deslocarem de bordo, devem manter comunicações com seu navio, por
métodos visuais ou radioelétricos (prioritariamente são utilizados transceptores portáteis de
VHF-FM).
No mar, a necessidade de qualquer material extra é passada para o navio-mãe, que
providencia o envio do material através de outra embarcação, pois a primeira lancha
enviada poderá estar envolvida na faina, com o emprego da bomba portátil. Se atracados,
o material extra pode ser levado por qualquer homem, que se apresentará ao
Encarregado do GSE de seu navio, no sinistrado.
A faina de socorro externo é conduzida de maneira ordeira, sem ruído e confusão,
cumprindo as precauções de segurança e evitando o trânsito de pessoal desnecessário no
local de embarque do GSE, divulgando pelo fonoclama as informações referentes à
proibição do trânsito até o término da faina.
No transcorrer da preparação, a Central de CAV e a Manobra serão mantidas
constantemente informadas sobre o andamento da faina.
15.3 - COMPOSIÇÃO DO GSE
O GSE é composto, no mínimo, pelo pessoal listado no anexo, onde são discriminadas as
respectivas funções.
O dimensionamento e a organização dos GSE são feitos em função da classe do navio.
Contudo, alguns aspectos básicos estão presentes em todos eles:
a) o GSE é composto obrigatoriamente por:
- um líder;
- uma turma de incêndio completa ou uma turma de alagamento, composta por no
mínimo quatro homens; e
OSTENSIVO 15 - 2 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
OSTENSIVO 15 - 3 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
OSTENSIVO 15 - 4 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
b) A estação terá disponível para o embarque, aparelhos de força, turcos, redes de carga,
estropos e bolsas em quantidade suficiente, de modo a facilitar a descida do material e
sua arrumação a bordo da lancha, sem desperdício de tempo (exemplo: as redes não
são descarregadas, permanecendo na lancha). A faina de embarque é conduzida pelo
Mestre ou por um dos Contramestres das divisões do Departamento de Armamento,
utilizando apito marinheiro para realizar as fainas de manobra de pesos. O silêncio e a
organização observados no embarque do GSE permitirão realizar a faina de maneira
rápida e segura.
ANEXO:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
d) EUA. Office of the Chief of Naval Operations. NWP 62-1 (D). Surface Ship Damage Control.
Washington, D.C., 1990.
OSTENSIVO 15 - 5 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
ANEXO
COMPOSIÇÃO MÍNIMA DO GSE
NÚMERO
FUNÇÃO DE TIPO DE AVARIA
HOMENS
ENCARREGADO 01 QUALQUER
1
LÍDER DA TURMA DE INCÊNDIO ( ) 01 QUALQUER
2
TURMA DE BOMBAS (bomba portátil p/CBINC) ( ) 03 QUALQUER
SINALEIRO 01 QUALQUER
3
PRIMEIROS SOCORROS ( ) 01 SE NECESSÁRIO
ELETRICISTA 01 QUALQUER
TOTAL 15 ALAGAMENTO
TOTAL 16 INCÊNDIO
NOTAS
1 - O LÍDER DA TURMA DE INCÊNDIO É O RESPONSÁVEL PELA CÂMERA DE IMAGEM
TÉRMICA.
OSTENSIVO 15 - 6 2a Edição
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CAPÍTULO 16
EQUIPAMENTOS DE SALVATAGEM
16.1 - GENERALIDADES
Desde que se lançou ao mar, o Homem passou a conviver com os sinistros, envolvendo
embarcações, navios e, mais recentemente, aeronaves. Por mais sofisticados que sejam
os sistemas de prevenção, por mais rigorosas que sejam as medidas de segurança, jamais
será possível eliminar por completo o risco de acidentes no mar. Torna-se necessário,
portanto, que o pessoal embarcado saiba utilizar os equipamentos de salvatagem
disponíveis para uma eventual faina de abandono e conheça os procedimentos básicos de
busca e salvamento (Search And Rescue - SAR).
Este capítulo apresenta os recursos de salvatagem normalmente encontrados em navios
de guerra (coletes salva-vidas, balsas, lanchas, equipamentos de comunicações e
radiolocalização).
Os conhecimentos relativos ao tema são ampliados nos capítulos 17, 18 e 19 dessa
Coletânea.
16.2 - EQUIPAMENTOS DE SALVATAGEM
16.2.1 - Coletes salva-vidas
Os coletes podem ser infláveis ou de flutuabilidade permanente (tradicionalmente
conhecidos como coletes de paina). São normalmente dotados dos seguintes acessórios:
- apito;
- lanterna;
- ampola de CO2 (colete inflável);
- bateria;
- alça de pick-up (colete inflável);
- faixas adesivas refletoras;
- linha de agregação (colete inflável - utilizado para manter os náufragos reunidos);
- pó marcador (colete inflável).
Os coletes salva-vidas de flutuabilidade permanente devem ser utilizados por todo o
pessoal que guarnece postos em conveses abertos, quando no mar. Esses coletes
oferecem proteção contra estilhaços e proporcionam flutuação instantânea ao homem
que cair na água. Devem ser armazenados nas proximidades das estações a serem
guarnecidas.
OSTENSIVO 16 - 1 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
Cada tripulante possui o seu colete inflável, que deve ser mantido em local de fácil
acesso. Em cruzeiro de guerra, cada homem deve sempre portar seu colete. Quando
dentro da bolsa, o colete deve ser mantido na parte posterior do corpo, que proporciona
proteção, evitando avarias no colete.
É importante que todos os tripulantes saibam utilizar os coletes, para que eles funcionem
corretamente quando se fizerem necessários.
Calças compridas também podem atuar como salva-vidas de fortuna. Para isso, basta
que o náufrago dê um nó na extremidade de cada perna, desabotoe a braguilha e segure
a calça pela cintura, por trás da cabeça; em seguida, com um rápido movimento de trás
para frente em arco por cima da cabeça, mergulhar à sua frente a cintura da calça. O ar
armazenado irá encher as pernas da calça. Para usá-la como salva-vidas, deitar-se
sobre a calça de modo que as pernas infladas fiquem na altura das axilas.
Figura 16.1
OSTENSIVO 16 - 2 2a Edição
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Figura 16.2
OSTENSIVO 16 - 3 2a Edição
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I. Um par de remos.
II. Bujões de vários diâmetros.
III. Coletores de água.
IV. Âncora flutuante.
V. Material de primeiros socorros.
VI. Manta térmica.
VII. Ração sólida, para três dias.
VIII. Ração líquida, para três dias.
IX. Espelho sinalizador diurno.
X. Kit para pesca.
XI. Lanterna sinalizadora com pilhas.
XII. Bomba manual (para recompletar o ar das câmaras).
XIII. Esponjas (para remoção de água do interior da balsa).
XIV. Aro flutuante.
XV. Refletor radar.
XVI. Pirotécnicos (foguetes estrela vermelha com pára-quedas, fachos manuais
vermelhos e fumígenos laranja).
XVII. Facas (com ponta arredondada, para evitar danos à balsa).
XVIII. Instruções para sobrevivência e utilização do kit da balsa.
XIX. Tabela de sinais de salvamento (orientando a utilização dos pirotécnicos).
OSTENSIVO 16 - 4 2a Edição
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I. preparar a área a ser reparada, verificando se a mesma não está contaminada com
óleo, graxa ou outros agentes;
II. lixar o local a ser reparado; em seguida, remover os excessos de borracha lixada; e
III. cortar ao redor do furo e fixar o remendo, aplicando a cola com um pincel.
No caso de balsas e botes, se o furo apresentar dimensões superiores a 20 cm,
haverá necessidade de se aplicar remendos externos e internos. Caso a situação
permita, inflar somente após 24 horas da realização do reparo. Em situação de
emergência, os furos devem ser bujonados.
3) Utilização das balsas salva-vidas
Para utilização, basta calcar o pedal do aparelho hidrostático, que é responsável pela
fixação da cinta que prende a balsa ao berço (tendo antes a preocupação de verificar
se o cabo de disparo está fixo à estrutura do navio).
O cabo de disparo é responsável por acionar a ampola de CO2, que fará com que a
balsa infle; é fornecido com comprimento entre 20 e 25 metros. Entre o cabo de
disparo e a estrutura do navio é instalado um fusível, que é um cabo de menor bitola
responsável por liberar a balsa, caso o navio afunde e a liberação da mesma se der
através de pressão hidrostática, que passa a atuar diretamente no aparelho
hidrostático (a cerca de 5 metros de profundidade). Esse fusível é responsável por
liberar o cabo de disparo da balsa da estrutura do navio.
O cabo de disparo também é utilizado como boça. Após lançado o casulo na água
(são necessários, pelo menos, dois homens), o cabo será colhido, até que seja
encontrada uma certa resistência, quando, então, deverá ser dado um puxão forte
para acionar a ampola de CO2, que inflará a balsa em cerca de 30 segundos.
Se o casulo estiver instalado em um convés muito elevado, maior que o comprimento
do cabo de disparo, este deve ser aumentado, de modo a permitir a chegada do
casulo ao mar sem que ele fique pendurado pelo cabo de disparo.
A balsa que ficar emborcada ao inflar pode ser desvirada, tracionando-se os tirantes
existentes na sua parte inferior e que a cruzam no sentido radial, do seguinte modo
(figura 16.3): um homem sobe sobre os flutuadores das extremidades e, mantendo os
pés apoiados na borda, lança-se para trás, tracionando os tirantes. Para facilitar a
faina, deve-se verificar a direção do vento (desvirar a balsa a favor do vento).
OSTENSIVO 16 - 5 2a Edição
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Figura 16.3
b) LANCHAS
A lancha é o meio de abandono normalmente utilizado pelo Grupo de Salvamento e
Destruição (GSD). É empregada para manter as balsas agrupadas, bem como auxilia
no afastamento das mesmas do navio sinistrado. Em caso de salvamento do navio
pelo GSD, auxilia o reembarque da tripulação. Sempre que as balsas salva-vidas
forem encaminhadas para revisão, o kit de salvatagem das lanchas também deverá
ser enviado para a substituição do material fora de validade.
Uma lancha tem que possuir o seguinte material para o abandono:
I) material para navegação;
II) kit de salvatagem (basicamente o dotado nas balsas salva-vidas, com exceção do
material específico, como bomba e bujões); e
III) equipamentos de comunicações em emergência e de radiolocalização.
Na Tabela-Mestra do navio será escalado o pessoal responsável por transportar para a
lancha o material de navegação e os equipamento de comunicações, assim que
guarnecidos os Postos de Abandono.
O kit de salvatagem da lancha deve ser verificado com freqüência, de modo a estar
sempre pronto para uso.
OSTENSIVO 16 - 6 2a Edição
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Assim como a lancha, os botes pneumáticos podem ser úteis para reunir as balsas
salva-vidas, afastá-las do navio sinistrado e auxiliar o reembarque, em caso de
salvamento do navio pelo GSD.
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Figura 16.4
OSTENSIVO 16 - 8 2a Edição
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Figura 16.5
OSTENSIVO 16 - 9 2a Edição
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) BRASIL. Comando de Operações Navais. COMOPNAV 304. Manual de Sobrevivência no
Mar. Rio de Janeiro, 1988.
o
b) ____.Comando de Operações Navais. COMOPNAVINST N 33-15. Busca e Salvamento
Marítimo. Rio de Janeiro, 1990.
d) FONSECA, CMG Maurílio Magalhães. Arte Naval. 4. ed. Rio de Janeiro: EN, 1985.
OSTENSIVO 16 - 10 2a Edição
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CAPÍTULO 17
17.1 - GENERALIDADES
As situações que levam uma tripulação a abandonar o seu navio são normalmente
decorrentes de avarias impostas pelo inimigo ou por acidentes de grandes proporções
como um incêndio fora de controle, encalhe ou colisão. A preparação para o abandono tem
que ser feita de acordo com procedimentos que evitem a descoordenação e o tumulto.
Este capítulo abordará tais procedimentos, apresentando as diversas ações necessárias
para permitir o desembarque seguro da tripulação, bem como a atuação do Grupo de
Salvamento e Destruição (GSD).
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OSTENSIVO 17 - 2 2a Edição
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) BRASIL. Comando de Operações Navais. COMOPNAV 304. Manual de Sobrevivência no
Mar. Rio de Janeiro, 1997.
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CAPÍTULO 18
SOBREVIVÊNCIA NO MAR
18.1 - GENERALIDADES
Para a sobrevivência do náufrago é mais importante o seu estado psicológico do que a
eficiência do equipamento que possui.
Portanto, o homem deve estar preparado psicologicamente antes da desventura e
perfeitamente familiarizado com todo o equipamento e objetos que podem lhe proporcionar
um maior tempo de vida. Quanto mais o homem souber utilizar o equipamento de
salvamento, mais “tranqüilidade” ele terá para suportar os rigores de um naufrágio.
Através da História, travamos conhecimento de dramáticos depoimentos de náufragos que,
com maior ou menor noção das técnicas de sobrevivência, usando a criatividade e,
principalmente, tendo um fator em comum, “a vontade de viver”, foram resgatados vivos.
OSTENSIVO 18 - 1 2a Edição
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a) proceder uma verificação das condições físicas de todo o pessoal e prestar os primeiros
socorros aos feridos. O médico e os enfermeiros, se disponíveis, devem percorrer todas
as balsas e organizar o atendimento aos feridos; se houver uma balsa específica para
os feridos isto será facilitado. É conveniente que todos procurem limpar os resíduos de
óleo aderidos à pele;
b) se o número de balsas for insuficiente para a acomodação de todos, deve ser previsto o
revezamento dos que estejam em boas condições físicas, de modo que um determinado
número de homens fique na água, preso às linhas-de-vida da balsa através dos cabos
de agregações dos seus coletes. Isso pode ser, porém, um problema bem sério em
águas muito frias. Quando do revezamento, as roupas devem ser postas a secar, para
que os homens que estejam a bordo ds balsas permaneçam sempre com roupas secas;
c) no que diz respeito à temperatura do ar, seus efeitos sobre o pessoal estão intimamente
o
ligados à velocidade do vento. Assim, uma temperatura do ar de cerca de 10 C pode
o o
representar para alguém com as roupas molhadas, 0 C ou -3 C, conforme sopre um
vento de 17 a 35 nós;
d) estabelecer um serviço de vigilância durante as 24 horas do dia, em quartos de duas
horas, se possível. Havendo pessoal disponível, é conveniente estabelecer ao menos
dois vigias por quarto;
e) o vigia deve estar atento a qualquer sinal de terra, de navios que passem ou de
aeronaves em vôo; a quaisquer vestígios ou destroços de naufrágios, à freqüência do
aparecimento de algas marinhas, cardumes de peixes e bandos de aves, às condições
de sua balsa e das demais, enfim, a qualquer coisa que fuja à rotina e que esteja ao
alcance de seus olhos e seus ouvidos. O vigia deve guarnecer sempre o apito, o
espelho refletor e fumígenos (durante o dia) e sinalizadores pirotécnicos (à noite);
f) distribuir tarefas a todos que estejam em boas condições físicas. Entre essas tarefas,
pode ser relacionado: escriturar um diário de bordo; pescar; assistir algum ferido;
manter o interior da balsa seco (usar a esponja); controle d’água e das rações etc;
g) recolher os objetos flutuantes que forem encontrados, visando a uma possível utilização.
Não convém, contudo, que sejam introduzidos a bordo objetos pontiagudos ou
cortantes, ou que ocupem muito espaço. Esses devem ser amarrados e deixados
flutuando, com cuidado para que não venham causar danos às partes externas das
balsas;
h) proteger bússolas, relógios, pirotécnicos e demais objetos que possam estragar-se em
contato com água salgada;
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resultantes de grandes privações muitas vezes conduzem a distúrbios mentais que podem
tomar forma de extenso nervosismo, atividade excessiva e violenta ou de estafa. O melhor
meio de evitá-los é procurar dormir e descansar o máximo possível. Quando não estiver
descansando, mantenha-se em relativa atividade, atendendo às várias tarefas de bordo. A
percepção de miragens não significa estar sofrendo de distúrbios mentais. O ânimo alegre
é um tônico real e que se comunica aos demais. NÃO ECONOMIZE O BOM HUMOR,
porém não exagere nas brincadeiras, a ponto de quebrar a tranqüilidade que deve reinar
no ambiente.
Inicialmente três conselhos importantes referentes à água em balsas ou embarcações de
salvamento:
1) não desperdice energia, pois assim estará aumentando suas necessidades relativas a
alimentos, assim como a transpiração, o que requer maior reposição de água;
2) alimento algum é necessário nas primeiras 24 horas;
3) nas primeiras 24 horas não se deve dar água a homens sãos; somente os feridos e
doentes poderão receber uma ração de água, se estiverem sedentos.
Se dermos água aos homens sãos, por já possuírem em seus organismos a quantidade
de água normal, esta água se tornará excesso e será perdida, expelida como urina. Se
eles são privados de água pelo período inicial de 24 horas, seu organismo fica um
pouco desidratado, e assim ávido de água, que será então integralmente aproveitada
quando ingerida.
OSTENSIVO 18 - 4 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
Como nos trópicos as noites costumam ser frescas, aconselha-se que as roupas que foram
molhadas sejam colocadas para secar ao pôr-do-sol, para que sirvam de abrigo à noite.
Observe as nuvens e esteja prevenido para qualquer chuva que possa cair. Tenha sempre
ao seu alcance algum meio para coletar e guardar a maior quantidade possível de água da
chuva. Se o coletor e a cobertura da balsa se encontram impregnados de sal, lave-os com
água do mar, a qual, misturada à água da chuva em pequena quantidade, pouco é
percebida pelo paladar e não causa transtorno fisiológico algum quando ingerida. Em mar
agitado, é difícil obter água doce que não venha contaminada com água salgada.
A água da chuva nem sempre satisfaz a sede; nela faltam os minerais necessários ao
corpo humano, além de desagradar um pouco ao paladar. Sempre que chover, beba água
o máximo que puder.
Nunca beba água salgada, porque em vez de matar a sua sede, você irá aumentá-la.
A água do mar pura, não pode ser absorvida pelo organismo humano. A própria água do
mar misturada com água doce é prejudicial ao organismo, pois o sal ingerido deve ser
expelido através da urina e para isso o corpo humano tem que ceder água para dissolvê-lo
e permitir sua passagem pelos rins; as células que perdem essa água morrerão, o mesmo
acontecendo com todo o organismo, caso o processo de desidratação não seja
interrompido.
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bordo de uma aeronave podem avistar o brilho do espelho, ou do pedaço de metal, antes
que os náufragos possam avistar a aeronave. Por isso não deixe de fazer brilhar o espelho
para o lado em que for ouvido o ruído característico de motor, mesmo que ainda não seja
possível avistar a aeronave; depois de avistá-la, continue a sinalizar.
Opere o rádio de emergência a intervalos freqüentes e conforme as instruções particulares
de cada um. Quando utilizar equipamento do tipo alimentado por energia elétrica gerada
pelo esforço manual (transceptores de balsa), procure manter um nível constante de
produção de corrente no gerador. Seja econômico quando fizer uso dos transceptores
acionados a bateria.
Utilize os sinais pirotécnicos à noite, ao escutar ruídos de aeronaves ou avistar luzes de
unidades de superfície. Faça uso do fumígeno laranja, quando de dia. Mantenha bem seco
o material pirotécnico. Não esbanje, mas use-o com critério. Tenha o máximo cuidado para
que esse material não ocasione incêndio a bordo.
As balsas dispõem de luz externa que deve ser mantida acesa durante todo o período
noturno. Quaisquer luzes adicionais disponíveis, tais como lanternas de mão, devem ser
acionadas quando percebida a presença de alguma unidade de busca.
À noite ou com nevoeiro, o apito é utilizado para atrair a atenção de unidade de superfície
ou de outras balsas.
Se houver disponibilidade de refletor-radar, estes devem permanecer armados durante
todo o tempo, exceto na ocorrência de temporais. Refletores-radar podem ser
improvisados com latas vazias e outras chapas metálicas disponíveis. CUIDADO PARA
NÃO ATINGIR A BALSA COM PARTES METÁLICAS DOTADAS DE ARESTAS
AGUÇADAS E CORTANTES.
OSTENSIVO 18 - 6 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
Comendo açúcar, cerca de 0,15 litros de água do corpo deixa de ser despendido, sendo
conservada; por isso as rações modernas, são em sua maioria, compostas com açúcar.
Nenhum alimento açucarado deve ser liberado nas primeiras 24 horas. Após isso, é
fornecida a cada homem a ração diária (no kit da balsa há rações para 3 dias).
Alguns tipos de algas e sargaços encontrados em alto mar podem ser comidos. Quando
frescas, essas algas não possuem odor algum, são maciças e sem asperezas. Não coma
algas ásperas, pois poderão conter substâncias que irritarão as mucosas do aparelho
digestivo. Verifique se as algas contêm minúsculos organismos, que lhe irão picar e que
devem ser retirados antes de comê-las. Deve-se ter cuidado em não comer algas e
sargaços sem haver reserva extra de água, que compense o sal ingerido com elas.
Quase todas as espécies de peixes de alto mar são comestíveis e representam um
precioso reforço ao cardápio do náufrago. Como é praticamente impossível fazer fogo para
cozinhar a bordo das balsas e mesmo das lanchas, os peixes devem ser comidos crus.
Isso poderá ser difícil para muitas pessoas e, em caso de náuseas, é melhor não insistir. A
carne dos peixes deve ser chupada, sorvendo-se o líquido altamente nutritivo que contém,
jogando-a fora a seguir.
Além dos apetrechos de pesca (kit de pesca) constantes da dotação das embarcações de
salvamento, a improvisação poderá suprir diversos meios para pescaria. É possível
transformar em anzóis objetos, tais como: clips de lapiseira, prego dos sapatos, espinhas
de peixe, ossos de pássaros etc. A linha pode ser facilmente tirada das próprias roupas,
torcendo-se vários fios para maior resistência.
Durante o dia, os peixes são, em geral, atraídos pela sombra da balsa. Improvise um arpão
para pegar os peixes maiores.
Projete pela água adentro (à noite), o facho de luz de sua lanterna elétrica de mão, ou
então, por meio de um espelho, reflita a luz da lua para dentro d’água. A luz atrairá os
peixes. À noite, poderá acontecer que os peixes de determinadas espécies, especialmente
os peixes voadores, caiam dentro da balsa.
Não utilize linhas de pesca muito fortes e anzóis grandes, o que poderá trazer dificuldade
no caso de fisgar um peixe muito grande. Não amarre linhas fortes em partes frágeis da
balsa ou no próprio corpo.
Evite deixar os pés e as mãos para fora, pois algum peixe - não necessariamente um
tubarão - poderá abocanhá-los.
OSTENSIVO 18 - 7 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
Peixes de maior porte devem ser capturados sem que haja riscos. Mate-os com uma
pancada na cabeça ou com a faca antes de puxá-los para o interior da embarcação. Não
procure fisgar ou arpoar tubarões ou peixes muito grandes.
A quase totalidade dos peixes impróprios à alimentação vive em águas pouco profundas.
Quase todos são da família do baiacu, tem o corpo arredondado, com pele dura parecendo
crosta, ou cobertos de placas ósseas ou espinhas. Não é aconselhável também comer
vísceras de peixes e aves, bem como ovas de peixes desconhecidos. Essas partes serão
mais úteis se empregadas como iscas. Não procure, em circunstância alguma, examinar
ou comer medusa, águas vivas ou caravelas. São difíceis de pegar e podem produzir
queimaduras e intoxicação por vezes fatais.
Peixes venenosos: peixe-escorpião, peixe-porco-espinho, baiacu, peixe-pedra e peixe-
zebra.
Todas as aves constituem alimentos em potencial. Podem ser capturadas por meio de
laços ou mesmo com a mão, dependendo da habilidade de cada um. Utilizar como isca os
pequenos peixes ou pedaços de metal brilhante em formato aproximado de peixe.
Muitas aves são atraídas pelas embarcações como ponto de pouso e descanso. Quando
as avistar, conserve-se imóvel, pois algumas delas ou mesmo todas do bando podem vir
pousar na balsa ou até sobre alguém. É possível agarrá-las logo que tenham fechado às
asas.
Apenas duas, entre as 225 ou 250 espécies de tubarões conhecidos, são dignas de
confiança. As demais são constituídas de carnívoros predadores, dos quais doze podem
ser considerados como verdadeiras e constantes ameaças ao homem.
Não há certeza do que pode exatamente levar um tubarão a atacar um ser humano. A
existência de sangue na água é inegavelmente o principal estímulo, assim como o fato de
o tubarão estar excepcionalmente faminto. Em outras situações, porém, o fato do tubarão
atacar ou não atacar parece condicionado a causas pouco definidas.
Até agora, ninguém pode estabelecer o que realmente deve ser feito para desencorajar o
ataque de um tubarão. Gritar com a cabeça dentro d’água, bater com os pés e as mãos na
água, golpeá-lo no focinho são ações recomendadas em várias ocasiões, que podem dar
certo em alguns casos e em outros não; é provável até que o tubarão se enfureça quando
se tentar intimidá-lo. Por outro lado, se ele não fizer qualquer movimento declarado de
ataque, uma retirada (se possível) tranqüila ou uma atitude calma e imobilidade podem ser
suficientes para que ele se afaste.
OSTENSIVO 18 - 8 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
Se ocorrer o ataque por um tubarão solitário, contra-atacar pode ser o último recurso, e
uma faca ou um bastão de madeira representam uma possibilidade a mais de dissuadi-lo.
Os repelentes de tubarão têm uma longa história de fracassos, inclusive aqueles utilizados
pela Marinha Americana durante a Segunda Guerra Mundial. Em alguns casos, os
repelentes parecem atuar sobre os tubarões solitários; em outros casos, os tubarões
chegaram mesmo a comê-los. Diante de grupos de tubarões excitados nada deu certo até
agora.
OSTENSIVO 18 - 9 2a Edição
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
a) BRASIL. Comando de Operações Navais. COMOPNAV 304. Manual de Sobrevivência no
Mar. Rio de Janeiro, 1988.
OSTENSIVO 18 - 10 2a Edição
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CAPÍTULO 19
O SISTEMA MARÍTIMO GLOBAL DE SOCORRO E SEGURANÇA E
BUSCA E SALVAMENTO MARÍTIMOS
19.1 - GENERALIDADES
Em 1899, foi instalado o primeiro sistema de radiocomunicações a bordo de um navio.
Nesse mesmo ano, foi registrada a primeira utilização da telegrafia sem fio para o
salvamento de vidas humanas no mar. Em 1912, o desastre do “TITANIC”, onde mais de
1500 pessoas perderam a vida, obrigou que medidas fossem tomadas para evitar a
repetição de tal acidente.
Assim, em Londres, no mesmo ano, realizou-se a Conferência Internacional de Radioco-
municações onde foram examinadas e modificadas as freqüências de socorro, as
especificações dos equipamentos rádio dos navios e as condições para a expedição de
certificados aos radiotelegrafistas de bordo. Em 1914, também em Londres, realizou-se a
Conferência Marítima Internacional sobre a Segurança de Vida Humana no Mar (SOLAS),
ocasião em que foi determinado que alguns navios, dependendo de suas características,
deveriam ter instalações de radiotelegrafia.
As comunicações continuavam a progredir. Tais avanços foram sistematicamente acom-
panhados por conferências da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e da
Organização Consultiva Marítima Intergovernamental (IMCO).
Em 1988, em Londres, durante a Conferência dos Governos Contratantes da Convenção
SOLAS, foi aprovada a introdução do SISTEMA MARÍTIMO GLOBAL DE SOCORRO E
SEGURANÇA (GMDSS – Global Maritime Distress and Safety System) naquela Con-
venção.
Convenções internacionais também dividiram o globo em áreas de responsabilidade para a
Busca e Salvamento (SAR). A área de responsabilidade do Brasil é apresentada no
subitem 19.5.2.
O tema é abordado neste capítulo sob o enfoque marítimo. Salienta-se que, como as
normas internacionais são integradas, as emergências aeronáuticas são tratadas de forma
idêntica, utilizando recursos semelhantes e a mesma filosofia de emprego.
OSTENSIVO 19 - 1 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
1
Este procedimento permanecerá em vigor até a implantação definitiva do GMDSS (1º de fevereiro de 1999).
OSTENSIVO 19 - 2 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
2
Em 1983, a IMCO alterou sua denominação para Organização Marítima Internacional (IMO).
3
COSPAS - Sigla, em russo, para Sistema Espacial para Busca de Navios em Perigo.
4
SARSAT - Sigla, em inglês, para Sistema de Busca e Salvamento por Rastreamento de Satélite
OSTENSIVO 19 - 3 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
OSTENSIVO 19 - 4 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
b) Subsistemas
I) INMARSAT
O Sistema Internacional de Comunicações Marítimas por Satélite (INMARSAT),
possui três componentes principais: os satélites, as Estações Costeiras Terrenas
(CES) e as Estações Terrenas de Navios (SES).
São quatro satélites operacionais, em órbita geoestacionária, a cerca de 36000 Km
acima do Equador, distribuídos sobre os oceanos Atlântico, Índico e Pacífico,
provendo uma cobertura entre os paralelos 70ºN e 70ºS.
As comunicações comuns no sentido satélite-navio são feitas entre 1530 e 1545
MHz. A faixa de 1544 a 1545 MHz é reservada exclusivamente às comunicações
de socorro e avisos de perigo. As comunicações comuns no sentido inverso são
realizadas na faixa de freqüências de 1626,5 a 1646,5 MHz. A faixa de freqüências
de 1645,5 a 1646,5 MHz é reservada exclusivamente às comunicações de socorro
e avisos de perigo.
As comunicações entre as Estações Terrenas Costeiras e os satélites são
realizadas através da faixa de 4 a 6 GHz.
Em virtude da órbita estacionária de seus satélites, o sistema INMARSAT não
calcula a posição de um navio. Essa posição tem que ser transmitida pela Estação
Terrena de Navio (que está acoplada ao GPS) ou introduzida na EPIRB do
equipamento. Essa EPIRB emite sinais na freqüência de 1,6 GHz. Para os navios
equipados com equipamento INMARSAT (SES), enviar um alerta de perigo é
bastante simples e seguro. A ação envolve somente o ato de pressionar um botão
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II) COSPAS-SARSAT
O Sistema COSPAS-SARSAT, criado em 1979, é um programa internacional para
detecção e localização de incidentes aeronáuticos e marítimos. Estados Unidos,
Rússia, Canadá e França são os países membros. O sistema dispõe atualmente de
quatro satélites (dois COSPAS e dois SARSAT). São satélites de órbita polar, baixa
altitude (850 Km a 1000 Km) com um tempo máximo de cem minutos entre
passagens sucessivas, capazes de receber os sinais de socorro nas freqüências de
121,5 MHz, 243 MHz e 406 MHz, transmitidos pelas radiobalizas portáteis.
As radiobalizas fornecem as seguintes informações: tipo de usuário (embarcação,
aeronave, pessoa); país de registro do usuário; identificação do tipo de emergência
existente e identificação do usuário.
Existem três tipos de radiobalizas:
- ELT (emergency locater transmiter - transmissor localizador de emergência), que
emite sinais analógicos em 121,5 MHz, e é normalmente utilizado em aeronaves;
OSTENSIVO 19 - 6 2a Edição
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OSTENSIVO 19 - 7 2a Edição
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Terra com cerca de 2500 Km de raio). Quando a EPIRB está fora do “visual”, os dados
emitidos em 406 MHz são armazenados pelo satélite e retransmitidos para a primeira
LUT que entrar na cobertura do satélite. Tal facilidade não está disponível para as
freqüências de 121,5 e 243 MHz que, adicionalmente, registram incidência razoável de
alarmes falsos (principalmente em 121,5MHz).
Além disso, as EPIRB apresentam vantagens sobre os seus similares do Sistema
INMARSAT, como tempo de vida de 48 horas ao invés de 40 minutos e precisão de
cerca de 2 milhas náuticas. Em futuro próximo as EPIRB terão acopladas um
transmissor de 121.5 MHz, para “homing” de aeronaves.
OSTENSIVO 19 - 8 2a Edição
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OSTENSIVO 19 - 9 2a Edição
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Esse serviço foi projetado para disseminar Boletins Meteorológicos, Avisos aos
Navegantes, mensagens de perigo e socorro, além de outras informações de
interesse do navegante nas áreas A1 e A2 (o alcance desse serviço é de cerca
de 400 milhas). O equipamento de recepção é um receptor denominado receptor
NAVTEX, que recebe na freqüência de 518 KHz (em países tropicais, inclusive o
Brasil, é permitida a transmissão em 4209,5 KHz). Um dispositivo seletivo de
bloqueio de mensagens incorporado nesse receptor permite ao navegante
somente receber as mensagens de seu interesse. Esse dispositivo não impede a
recepção de mensagens relativas à segurança, tais como Avisos aos
Navegantes, Boletins Meteorológicos e informações sobre Busca e Salvamento.
Os horários de transmissão são estabelecidos pela Organização Marítima
Mundial (IMO).
IV)OUTRAS FACILIDADES
Nas áreas servidas pelo Sistema INMARSAT, as transmissões terra-navio e vice-
versa podem ser feitas através de satélite ou através de transceptores5 de VHF,
MF, MF-HF ou HF. Fora dessas áreas, esses transceptores são os únicos meios
de comunicações terra-navio e navio-terra.
Assim, no sentido de dar um melhor desempenho a esses transceptores, foi
anexado a cada um deles um dispositivo denominado DSC (Digital Selective
Calling), que é um sistema de chamada baseado na tecnologia digital. Esse
sistema permite a transmissão e recepção de mensagens de alerta de socorro e
segurança, bem como mensagens de rotina terra-navio, navio-terra e navio-navio
(evita o uso de voz e com isso impede o congestionamento do canal). Permite
também chamadas para grupos ou para navios em uma determinada área
específica. Da mesma forma que o EGC, o DSC apresenta um “display” visual e
uma impressora para o recebimento das mensagens. O receptor DSC mantém
escuta permanente nas seguintes freqüências:
- na faixa de VHF - 156,525 MHz (canal 70);
- na faixa de MF - 2187,5 KHz; e
- na faixa de HF - 8414,5 KHz (no mínimo).
Foram designadas as seguintes freqüências na faixa de HF: 4207,5, 6312, 12577
e 16804,5 KHz. As estações costeiras deverão escolher uma das quatro para
OSTENSIVO 19 - 10 2a Edição
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VI) MMSI
O número de identificação MMSI (Maritime Mobile Service Identity Number) é
utilizado em radiobalizas (EPIRB) e em equipamentos digitais de comunicações
dotados de chamada seletiva digital (DSC) para identificação dos usuários. Consiste
5
Entenda-se como transceptores os equipamentos com esta denominação e os conjuntos transmissor/receptor.
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MRCC
Principal
MRCC
Regional
RSC
Recursos SAR
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ANEXO:
Procedimentos de Comunicações SAR.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) Comando de Operações Navais. COMOPNAV 304. Manual de Sobrevivência no Mar. Rio de
Janeiro, 1988.
c) CRUZ, CMG (RRm) Alfredo Costa da. O Sistema Marítimo Global de Socorro e Segurança.
Rio de Janeiro: DTM (Página INTRANET), 1997.
d) FONSECA, CMG Maurílio Magalhães. Arte Naval. 4. ed. Rio de Janeiro: EN, 1985.
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Marinheiros
ANEXO
PROCEDIMENTOS DE COMUNICAÇÕES SAR
1) SINAIS DE PERIGO
O Regulamento Radio da União internacional de Telecomunicações (UIT) considera a
exibição ou emprego dos seguintes sinais como indicação de perigo ou necessidade
de auxílio:
a) tiro de canhão ou qualquer outro sinal explosivo, feito em intervalos de cerca de
um minuto;
b) som contínuo produzido por qualquer sinal de cerração;
c) foguetes ou granadas que lancem lágrimas encarnadas, uma de cada vez, a
pequenos intervalos;
d) sinal radiotelegráfico, ou por qualquer outro método, composto pelo grupo SOS
(... _ _ _...) do código morse;
e) sinal radiotelefônico “MAYDAY” (mêidei);
f) sinal de perigo “NC”, do código internacional de sinais;
g) sinal visual composto de uma bandeira quadrada que tenha, por baixo ou por
cima, uma esfera ou algo semelhante a uma esfera;
h) chamas a bordo da embarcação (barril queimando óleo, alcatrão etc.)
i) pára-quedas ou bastão luminoso de cor encarnada;
j) sinal de fumaça de cor laranja;
k) movimentos laterais de braço até o alto da cabeça, e daí de volta até o lado do
corpo, lentos e repetidamente;
l) sinal de alarme radiotelegráfico (série de doze traços de quatro segundos de
duração, a intervalos de um segundo);
m) sinal de alarme radiotelefônico (dois tons de áudio transmitidos alternadamente,
nas freqüências de 2.200 hz e 1.300 hz, com duração de 30 segundos a um
minuto); e
n) sinais transmitidos por radiofaróis (balizas) de emergência indicadores de
posição (semelhante ao sinal de alarme radiotelefônico ou uma série de tons
singelos na freqüência de 1.300 hz).
OSTENSIVO 19 - 16 2a Edição
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b) Chamada de Socorro
Radiotelefonia
(156,8 MHz ou 2182 KHz) Radiotelegrafia (500 KHz)
• O sinal de socorro MAYDAY, • O grupo SOS, transmitido três
transmitido três vezes; vezes;
• A expressão “THIS IS” (ou o grupo • O grupo DE;
DE, soletrado (DELTA ECHO), em • O indicativo internacional da
caso de dificuldades de idioma; estação em perigo.
• O indicativo internacional ou outra
identificação da estação em perigo.
Exemplo:
MAYDAY MAYDAY MAYDAY THIS IS Exemplo:
XPTZ SOS SOS SOS DE XPTZ
c) Mensagem de Socorro
6
O GMDSS não prevê tráfego em radiotelegrafia (morse). Entretanto, o código morse pode ser útil em
comunicações visuais ou mesmo, nesta fase de transição, em comunicações radioelétricas.
OSTENSIVO 19 - 17 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
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Exemplo:
MAYDAY MAYDAY MAYDAY THIS
o
IS XPTZ. POSITION 005 18’ N
O
015 05’ W. I HAVE FIRE ON
BOARD AND REQUEST
ASSISTANCE.
Observações:
(1) Nos casos de dificuldade de idioma, deve ser utilizado o Código “Q”. Tal código
é particularmente útil para reduzir o tamanho das mensagens radiotelegráficas.
OSTENSIVO 19 - 18 2a Edição
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3) SILÊNCIO RÁDIO
As freqüências SAR também servem para
as chamadas de rotina nos diversos
circuitos do Serviço Móvel Marítimo. Como
as comunicações relacionadas com a
salvaguarda da vida humana no mar têm
prioridade sobre qualquer outra
transmissão, qualquer estação que
identificar a ocorrência desse tipo de
Figura 19-A1
tráfego interrompe imediatamente qualquer
comunicação que possa interferir com o mesmo. Obviamente, as mensagens de
socorro têm precedência sobre as de urgência e estas sobre as de segurança.
Também considerando o fato de tais freqüências serem usadas para chamada, a
legislação internacional estabeleceu dois períodos de silêncio, com a duração de três
minutos, em cada hora, para as freqüências de 500 KHz e 2.182 KHz, conforme
indicado na figura 19-A1. Esses períodos são os ideais para se transmitir com um
transceptor de balsa.
A estação em perigo, ou outra estação controladora de tráfego, pode impor silêncio
nas comunicações que interfiram com o tráfego de socorro, através do código “Q”
(grupo “QRT”, seguido de SOS), ou da expressão “SEELONCE MAYDAY”.
4) SINAIS DE ALARME
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Radiotelefonia Radiotelegrafia
OSTENSIVO 19 - 20 2a Edição
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CAPÍTULO 20
MANOBRA DO NAVIO EM GRUPAMENTOS OPERATIVOS
20.1 - GENERALIDADES
Desde a Antigüidade os navios de guerra têm se feito ao mar em conjunto, compondo
grupamentos operativos. Já naquela época era percebida pelos comandantes navais a
necessidade de dispor esses grupamentos de forma organizada, a fim de prover maior
segurança durante o trânsito, eficiência no combate, apoio mútuo contra uma determinada
ameaça, ou inúmeros outros propósitos.
A evolução dos sistemas de propulsão e de comunicações dos navios permitiu que, ao
longo do tempo, as forças navais pudessem assumir formaturas, dispositivos e coberturas
cada vez mais elaborados, o que veio a exigir grande padronização dos sinais táticos e dos
procedimentos para assumir e manter posição. Assim, a capacidade de manobrar navios
quando incorporados a grupamentos operativos, passou a ocupar lugar de destaque entre
os conhecimentos dos profissionais das marinhas de guerra, sendo vista, ainda hoje, como
respeitável qualidade marinheira.
Os fundamentos da manobra, ou seja, os efeitos do leme e dos hélices, as curvas de giro
do navio e as influências do vento, corrente e do estado do mar, não serão abrangidos
neste capítulo. Procurar-se-á enfocar apenas o problema da manobra do navio na
presença de outras unidades próximas, portanto, com a permanente possibilidade de
interferência mútua. Ainda assim, foram incluídas aqui algumas recomendações e regras
básicas destinadas à segurança e manobra individual do navio, já que estas mesmas
regras aplicam-se, com igual ou até maior propriedade, às manobras de navios em
conjunto.
As situações em que um navio é instado a manobrar, envolvendo não raramente riscos
diversos, dependem de circunstâncias que variam caso a caso. A tentativa de se
estabelecer, para tais situações, regras padronizadas e inflexíveis, pode implicar em sério
comprometimento. Por esta razão, a presente coletânea apresenta, basicamente, normas e
orientações gerais para balizar as análises e as decisões dos responsáveis pelas
manobras. Os casos específicos, que ilustram esta coletânea, são reproduções fiéis de
documentos doutrinários em vigor na Marinha.
OSTENSIVO 20 - 1 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
Marinheiros
20.2 - DESENVOLVIMENTO
Normalmente, o Passadiço e o COC/CIC estão diretamente envolvidos em qualquer
manobra do navio. O perfeito entrosamento entre essas estações é requisito fundamental
para o sucesso da referida manobra. Independentemente das qualificações individuais do
pessoal envolvido, um grau satisfatório de entrosamento só será alcançado a partir do
adestramento constante. Excessiva troca de informações entre estações, cobrança de
informações que não foram transmitidas oportunamente, e soluções discordantes para um
mesmo problema revelam precário entrosamento e, conseqüentemente, adestramento
inadequado.
As manobras do navio devem atender aos seguintes parâmetros que, em síntese,
representam os princípios básicos para a manobra de navios em grupamentos operativos :
- segurança,
- precisão, e
- rapidez.
A segurança da manobra compreende a eliminação de riscos de colisão ou, pelo menos, a
manutenção deste risco dentro de limites aceitáveis. A estação da Manobra é normalmente
responsável pelo atendimento deste parâmetro, cabendo ao COC/CIC acompanhar o
desenvolvimento da manobra e alertar o passadiço, com antecedência, quanto a qualquer
situação de risco.
A precisão diz respeito à qualidade marinheira da manobra que, embora fundamente-se
nas características do navio e nas velocidades e ângulos de leme utilizados, manifesta-se,
verdadeiramente, através da habilidade do Oficial de Manobra. O rumo e velocidade
corretos para a entrada em posição são obtidos a partir de um problema de composição
vetorial, resolvido sobre uma “Rosa de Manobra”. A estação COC/CIC tem a incumbência
de atender ao parâmetro precisão na resolução do problema; entretanto, a
responsabilidade de posicionar corretamente o navio recai sobre a Manobra,
especialmente na fase final da manobra, quando a avaliação visual da situação e o
conhecimento das características do navio (curva de giro; aceleração/ desaceleração)
tornam-se preponderantes.
A rapidez diz respeito ao tempo da manobra, elemento fundamental nas ações táticas,
sendo, desta forma, um parâmetro de particular interesse para os escoltas. A rapidez aqui
considerada não é sinônimo de “pressa”, mas sim a mobilidade adequada para executar
uma ação. A estação da Manobra é normalmente responsável pelo atendimento deste
parâmetro, ainda que sejam empregadas velocidades fixas para a evolução. A escolha da
OSTENSIVO 20 - 2 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
Marinheiros
derrota para assumir posição vai depender do compromisso entre a mais direta possível e
a que não ponha em risco a segurança, no juízo do Oficial responsável pela manobra.
Como regra geral, independentemente de sugestão do COC/CIC, ao ser determinada uma
manobra, o Oficial de Manobra adotará um rumo inicial na direção geral da manobra e
ajustará a velocidade como apropriado; em seguida, com auxílio do COC/CIC, fará o ajuste
do rumo.
As respectivas responsabilidades não excluem a participação conjunta das duas estações
no acompanhamento da manobra até o seu final. Em termos mais amplos, pode-se dizer
que o Passadiço executa a manobra com o assessoramento do COC/CIC, desde sua
idealização até o seu término.
20.3 - ASPECTOS TEÓRICOS E CONCEITOS
Um dos aspectos que caracterizam a manobra do navio em grupamentos operativos é o
movimento relativo. A solução dos problemas do cálculo da derrota do navio, para executar
uma manobra qualquer, é obtida a partir de composição vetorial, em um modelo de Rosa
de Manobra. O vetor referência para estes cálculos, normalmente, é dado pelo rumo e
velocidade do Guia, ou do navio em relação ao qual o nosso assumirá posição. A noção de
movimento relativo, ou seja, de como nosso navio se comporta em relação aos demais, é
essencial para o desempenho de qualquer função ligada à manobra, tanto no Passadiço
como no COC/CIC.
Se o nosso navio fosse manobrar de uma posição A para uma posição B, como ilustrado
na figura 20.1 e, ao chegar em B, pudesse assumir instantaneamente qualquer rumo e
velocidade, o cálculo da manobra seria o mais simples e direto possível (situação a).
B B
A . A .
(a) (b)
Figura 20.1
OSTENSIVO 20 - 3 2a Edição
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Como isto não ocorre, o navio deve iniciar a guinada em um ponto G, antes de B, de forma
a atingir este último ponto, já estabilizado no rumo e velocidade desejados (situação b). A
curva descrita pelo navio durante a guinada (GB) é retirada das suas curvas de giro.
Quando diversos navios, ainda que de classes diferentes, manobram simultaneamente, é
estabelecido um Diâmetro Tático Padrão, a fim de garantir que todos os navios descrevam
a mesma curva.
O problema teórico da manobra consiste, portanto, no cálculo de uma derrota inicial que
leve o navio até o ponto G; na execução da guinada para o rumo desejado; e no ajuste da
velocidade. São muitas as dificuldades para a execução prática dessa manobra, tais como
a interferência mútua representada por outros navios manobrando nas proximidades; o fato
do problema ser resolvido em movimento relativo; a precisão na determinação do ponto G;
o cálculo da aceleração/desaceleração; e as correções para compensar eventuais efeitos
de vento e corrente.
Deve-se ter sempre em mente que são raras as ocasiões em que determinada manobra é
executada exatamente como foi concebida, mesmo quando esta ocorre sem a interferência
de navios próximos. Pequenos ajustes no rumo, no ângulo de leme e na velocidade do
navio são perfeitamente aceitáveis e demonstram que as estações envolvidas estão
acompanhando adequadamente os movimentos do navio, durante a manobra.
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O navio que tem o direito de passagem deve manter o rumo e a velocidade constantes
enquanto o outro navio manobra para evitar o risco de colisão. No entanto, o navio que
tem a preferência poderá manobrar para evitar a colisão, tão logo lhe pareça que o
navio obrigado a manobrar não o está fazendo apropriadamente. Na realidade, o
problema de evitar uma colisão no mar pertence aos dois navios; as regras definem
quem deve manobrar primeiro mas, se tal não ocorrer, ou se ocorrer de forma
insuficiente, o navio com direito de passagem também tem a obrigação de manobrar
para evitar a colisão.
OSTENSIVO 20 - 7 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
Marinheiros
. .
RU M O DA
FO R M AT UR A
. CO RRE T O INC O RR E TO .
. .
(a) G U IN A D A S IN IC IA IS
OSTENSIVO 20 - 8 2a Edição
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Marinheiros
CORRETO
. . INCORRETO .
Figura 20.2
Direção do avanço
2000 jardas
2000 jardas
Figura 20.3
OSTENSIVO 20 - 9 2a Edição
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Marinheiros
. .
POSTO 4 620 JARDAS 600 JARDAS
040º / 12,8 NÓS
. POSTO 2
.
163º / 9,8 NÓS
POSTO 6
14 NÓS
.
.
Figura 20.4
OSTENSIVO 20 - 10 2a Edição
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Durante uma conversão, não há razões para alterações de velocidades, desde que
todos os navios, independentemente de suas classes, cumpram o diâmetro tático em
vigor.
A noção de movimento relativo, durante a guinada, é um atributo essencial para o oficial
de manobra, pois evita que este se oriente por indicações pouco precisas, como a
esteira do matalote de vante, por exemplo.
0
30
0
30
0
30
0
15
Figura 20.5
A primeira situação apresenta uma conversão de 30 graus para boreste. Tão logo o NAe
inicia a guinada, o navio guarda guina para bombordo, governando em um rumo cerca
de 30 graus a bombordo de seu rumo original, até chegar às proximidades de sua
OSTENSIVO 20 - 11 2a Edição
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posição final, ocasião em que guinará para o rumo do guia. Os ajustes de leme e de
velocidade são indispensáveis, principalmente, quando o valor da conversão for muito
elevado.
No caso do NAe executar uma conversão para bombordo, o navio guarda guina para
boreste, mas em um ângulo igual à metade do valor da conversão; ao chegar próximo
de sua posição final, assume o rumo do guia.
NAVIOS EM COLUNA
OSTENSIVO 20 - 12 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
Marinheiros
. . . . .
Figura 20.6
Figura 20.7
.
.
. LINHA PONTILHADA = PRIMEIRO A MANOBRAR
.
Figura 20.8
NAVIOS EM FORM D
OSTENSIVO 20 - 13 2a Edição
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1 . 1 . 1 .
2 . . 3 2 . . 3 2 . . 3
4 . 4 . . 4
6 . . 5 6 . . 5 6 . . 5
7 . 7 . 7 .
LINHA PONTILHADA = PRIMEIRO A MANOBRAR
LINHA CHEIA = SEGUNDO A MANOBRAR
Figura 20.9
OSTENSIVO 20 - 14 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
Marinheiros
vez, a adoção de uma distância de segurança é recomendável, quer seja durante o dia
ou, com maior razão, à noite ou em condições de baixa visibilidade.
Esses problemas, naturalmente, podem ser resolvidos pela Rosa de Manobra, tomando-
se o cuidado de considerar as curvas de giro do navio e os tempos de guinadas.
Quando o Oficial responsável pela manobra sentir-se inseguro para executá-la de uma
só vez é aconselhável que manobre o navio para o setor de ré da coluna para depois
investir para a posição final.
A figura 20.10 ilustra as três possibilidades já apresentadas, com as derrotas sugeridas.
SETOR
DE VANTE
GUIA
DISTÂNCIA DE
SEGURANÇA
SETOR
DE TRAVÉS
G
.
G
B POSIÇÃO
FINAL
TERCEIRO
NAVIO
SETOR
DE RÉ
Figura 20.10
OSTENSIVO 20 - 15 2a Edição
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APROXIMAÇÃO
RUMO 100 0/20 NÓS
A
RUM
O 34
0 /14
0
NÓS
PONTO DE INÍCIO G
DA GUINADA 0
100 /1730
JARDAS X GUIA
GF - DISTÂNCIA PERCORRIDA
PELO GUIA DURANTE A
GUINADA
FE - DISTÂNCIA CORRESPONDENTE
À PERDA DE VELOCIDADE
DURANTE A GUINADA
ED - AVANÇO / RELATIVOS A
DC - AFASTAMENTO / GUINADA DE 120º B POSIÇÃO
CB - DISTÂNCIA DE SEGURANÇA FINAL
C
TERCEIRO
E NAVIO
0 1000 2000
D
JARDAS
OSTENSIVO 20 - 16 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
Marinheiros
- se a distância a “cair” for maior, o navio pode optar pela realização da curva de giro de
360 graus utilizando-se de dados de tabelas específicas, caso um dos bordos esteja
safo;
- a terceira possibilidade é conhecida como “fishtail” e consiste em carregar o leme para
um dos bordos até que o navio altere a sua proa de um determinado valor, a seguir
inverte-se o leme do mesmo valor para o bordo oposto e volta-se ao rumo original,
repetindo-se a manobra, como necessário. Existem gráficos que auxiliam a execução
desta manobra, embora a nossa Marinha não as adote, como a apresentada na figura
20.12, retirada de uma publicação da Marinha Inglesa.
MANOBRA DE FISHTAIL
USANDO 25º DE LEME
ALTERAÇÃO INICIAL
DE PROA
80º
40º
20º
DISTÂNCIA A “CAIR”
OSTENSIVO 20 - 17 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
Marinheiros
ANEXO
OSTENSIVO 20 - 18 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
Marinheiros
OSTENSIVO 20 - 19 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
Marinheiros
s) EVITE PASSAR BORESTE COM BORESTE, À CURTA DISTÂNCIA - O outro navio pode
avaliar a situação como roda-a-roda e guinar para passar pelo seu bombordo, causando uma
situação de risco de colisão. É mais seguro guinar para boreste o mais cedo possível e passar
bombordo com bombordo.
t) À NOITE, USE SEMPRE O BINÓCULO PARA AVALIAR SITUAÇÕES - Por melhor que seja o
seu “olho marinheiro”, o sentimento de distância, à noite, fica completamente comprometido,
devido à falta de referências (horizonte, por exemplo). O binóculo permite uma melhor
avaliação das distâncias e do ângulo do alvo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) EUA. North Atlantic Treaty Organizations Military - Agency for Standardization ATP 1(C). Allied
Maritime Tactical Instructions and Procedures. Washington, D.C., 1983. v.1.
c) FONSECA, CMG Maurílio Magalhães. Arte Naval. 4. ed. Rio de Janeiro: EN, 1985.
OSTENSIVO 20 - 20 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
Marinheiros
CAPÍTULO 21
NAVEGAÇÃO
21.1 - PROPÓSITO
Este capítulo apresenta os procedimentos de navegação a serem seguidos pelos navios de
superfície da Esquadra, em complemento às publicações doutrinárias em vigor.
21.2 - GENERALIDADES
Existem três tipos de navegação, a saber:
- navegação oceânica,
- navegação costeira, e
- navegação em águas restritas.
Como noção geral do tipo de navegação a ser utilizada, podemos seguir o quadro da
tabela 21.1.
O tipo de navegação a ser realizada varia com a situação apresentada e será decisão do
Comandante, assessorado pelo Navegador. Contudo, após ter sido decidido qual o tipo de
navegação a ser utilizada, a precisão requerida e o intervalo entre observações não deve
ser maior que aquele constante da tabela a seguir.
DISTÂNCIA AO INTERVALO
TIPO DE PROFUNDIDADE PRECISÃO
PERIGO MAIS ENTRE
NAVEGAÇÃO MÉDIA REQUERIDA
PRÓXIMO OBSERVAÇÕES
NAVEGAÇÃO CADA 2
MENOR QUE MENOR QUE 20 ± 50 JDS
EM ÁGUAS MINUTOS
3 MN METROS
RESTRITAS
NAVEGAÇÃO 20 A 200 10 A 30
3 A 50 MN ± 200 JDS
COSTEIRA METROS MINUTOS
NAVEGAÇÃO PELO MENOS
SUPERIOR A SUPERIOR A 200 ± 2 MN
OCEÂNICA TRÊS VEZES AO
50 MN METROS
DIA
Tabela 21.1
OSTENSIVO 21 - 1 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
Marinheiros
Toda vez que for obtida uma posição, independente do tipo de navegação realizada, traça-
se, a partir dela, o rumo do navio e plota-se duas posições estimadas. Ao determinar uma
nova posição, deve-se calcular a corrente e estabelecer o rumo na superfície e a
velocidade, a fim de percorrer a derrota desejada.
Sempre que ocorrer uma das seguintes situações, uma posição estimada deve ser plotada:
- nas horas cheias ou ½ horas;
- nas ocasiões de mudança de rumo;
- nas ocasiões de mudança de velocidade;
- nos momentos que for traçada uma Linha de Posição (LDP); e
- nos momentos que for determinada uma posição observada .
Tendo em vista que o uso de papel vegetal pode dificultar a visualização de perigos à
navegação, uma carta náutica não deve ter qualquer tipo de papel sobre ela, independente
do tipo de navegação realizada.
Em qualquer tipo de navegação, deve-se utilizar, sempre, a carta de maior escala
disponível.
Sempre que for determinada a posição do navio, por qualquer método, devem ser feitas
verificações com outras informações disponíveis, tais como profundidade, alinhamentos
etc.
Todos os auxílios à navegação devem ter confirmadas suas características, de acordo com
o contido nas publicações em vigor (Ex.: Lista de Faróis). As anormalidades devem ser
anotadas para comunicação à DHN o mais rápido possível.
Devem ser feitas comparações de agulhas (magnética e giroscópica) nas meias horas e
preenchido o livro correspondente. Tal verificação somente terá valor, caso seja analisada
pelo Oficial de Quarto à vista da declinação magnética e da curva de desvios, concluindo-
se pela exatidão ou não das informações da agulha giroscópica.
O submarino só utiliza a agulha magnética quando na superfície.
Todos os riscos traçados a lápis na carta náutica devem ser leves, utilizando lápis macio. A
borracha deve ser igualmente macia. O compasso deve estar com os comprimentos
corretos das pontas seca e molhada, e corretamente apontado. A régua paralela deve
estar constantemente limpa.
OSTENSIVO 21 - 2 2a Edição
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Este sistema é muito preciso, contudo, por ser um sistema de posicionamento eletrônico,
não é infalível e exige acompanhamento constante de sua operação.
As facilidades por ele oferecidas atualmente são muito grandes, sendo assim, sempre que
possível, ele deve ser usado como método auxiliar de navegação, isto é, usado para
confirmar a posição obtida por outros métodos de navegação (comparação com a posição
obtida pelo método visual, por exemplo).
Entre as diversas maneiras de se utilizar o Sistema de Posicionamento por Satélite,
podemos destacar:
− inserir “way-points” (pontos intermediários da derrota), indicando o caminho a percorrer
em um canal varrido;
− comparação com a posição obtida por algum método de navegação;
− inserir o ponto para o fundeio de precisão e comparar com o ponto de fundeio real;
− comparar o rumo e velocidade no fundo obtidos por cálculo entre posições observadas,
com aqueles informados pelo satélite; e
− inserir “way-points” correspondentes aos pontos de mudança de rumo da derrota, entre
outros.
Quando realizando navegação costeira ou oceânica, a posição satélite deve ser plotada na
carta sempre que for obtida uma posição empregando meio diferente deste; já na
navegação em águas restritas, ela deve ser plotada a, pelo menos, cada três posições
obtidas empregando recurso que não seja satélite, permitindo assim a comparação entre
essas posições.
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OSTENSIVO 21 - 4 2a Edição
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Nos navios da Esquadra, o Encarregado da Navegação não pode executar todo o serviço
de navegação sozinho, quando o navio estiver navegando em águas restritas. Para auxiliá-
lo, nesta situação, os navios possuem as equipes de navegação do passadiço e CIC/COC,
que devem ser devidamente detalhadas nas tabelas mestras.
Toda vez que o navio navegar em águas restritas, a Equipe de Navegação deve estar
guarnecendo seus postos.
Normalmente, existem seis postos na Equipe de Navegação do Passadiço, além do
Encarregado da Navegação: Plotador, Anotador do Livro do Ponto, Observadores dos
Pelorus de BB e BE, Operador Radar e Operador do Ecobatímetro.
Na Equipe de Navegação do CIC/COC existem Oficial de Navegação Indexada, Oficial
Encarregado da Navegação, Plotador, Anotador do Livro de Ponto, Anotador do Livro do
Ponto Radar e Operador Radar.
De acordo com a disponibilidade de pessoal, um militar pode acumular mais de um dos
postos da Equipe de Navegação.
Como pode ser observado no parágrafo anterior, existem postos nas Equipes de
Navegação do CIC/COC e Passadiço com a mesma denominação. Toda vez que se referir
a um desses postos, sem especificar se é do passadiço ou do CIC/COC, subentende-se
que se esteja referindo ao componente da Equipe de Navegação do Passadiço.
A navegação precisa é essencial para a segurança de um navio. O Encarregado de
Navegação deve ser sempre um oficial experiente; no entanto, qualquer oficial deve estar
apto a conduzir a navegação, quando solicitado para tal.
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- comparar a profundidade da carta com aquela indicada no ecobatímetro, toda vez que
for obtida uma posição;
- preparar a navegação paralela indexada; e
- preparar os croquis da carta náutica a serem utilizados pelo Oficial de Quarto,
Observadores dos Pelorus e Operador Radar.
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OSTENSIVO 21 - 11 2a Edição
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9
Quando a carta náutica for usada em um ambiente com luz predominantemente vermelha, que impeça a visualização da
linha de perigo traçada em vermelho, o traçado da mesma deve ser reforçado a lápis.
OSTENSIVO 21 - 12 2a Edição
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a) “Briefing” de Navegação
O “briefing” de Navegação deve ser realizado toda vez que o navio for realizar
navegação em águas restritas.
Ele deve ser realizado pelo Encarregado da Navegação e assistido por todos
envolvidos na navegação a ser realizada.
Durante o “briefing”, o Encarregado da Navegação deve apresentar as cartas,
devidamente preparadas, a serem utilizadas e a derrota a ser percorrida. Nele, devem
ser ressaltados os perigos à navegação, bem como os nomes e referências utilizadas
para cada ponto de navegação, entre outros assuntos julgados importantes pelo
Encarregado da Navegação.
O anexo “A” mostra um exemplo de “briefing” (porto fictício). Este exemplo contém o
mínimo de informações necessárias; contudo, o Encarregado da Navegação pode
colocar mais informações que aquelas contidas no referido modelo, caso julgue
necessário.
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15 NÓS
10 NÓS
5 NÓS
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OSTENSIVO 21 - 15 2a Edição
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marcados. Tal croqui deve ser uma réplica da carta utilizada, contendo as informações
necessárias para cada uma daquelas funções.
a) Informações transmitidas pelo Navegador e CIC/COC ao Comandante e Oficial de
Quarto
Quando o navio estiver navegando em águas restritas, o Navegador deve passar as
seguintes informações para o Oficial de Quarto e Comandante, assim que for obtida
uma posição:
A - qualidade da posição obtida;
B - hora;
C - navio dentro ou fora do canal (margem esquerda/direita) ________ jardas;
D - navegação sugere rumo ________;
E - __________ jardas para a próxima guinada;
F - às __________ navegação sugere rumo __________;
G - perigo mais próximo à __________ (nome, marcação e distância);
H - ecobatímetro indica _________, de acordo /desacordo com a carta;
I - corrente __________; e
J - informações de acordo/ em desacordo com CIC/COC (caso só um item esteja em
desacordo com a informação do CIC/COC, deve ser mencionado qual o item em
desacordo) (não aplicável aos submarinos).
O item J é informado somente pelo Navegador.
Exemplo:
A - baseado em uma boa posição;
B - às 1302 (ou no minuto 02);
C - navio fora do canal pela margem direita 50 jardas;
D - navegação sugere rumo 355;
E - 500 jardas para a próxima guinada;
F - às 1316 (ou minuto 16) Navegação sugere rumo 010;
G - perigo mais próximo casco soçobrado pela bochecha de BE, 800 jardas;
H - ecobatímetro indica 25 metros, de acordo com a carta; e
I - corrente no rumo 340 veloc. 1 nó/ Informações de acordo com o COC.
I) qualidade da Posição
A fim de possibilitar ao Comandante e Oficial de Quarto saberem se está sendo
realizada uma navegação segura, toda vez que forem transmitidas as informações
padrões, para ambos, deve ser informada a qualidade das posições.
OSTENSIVO 21 - 16 2a Edição
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OSTENSIVO 21 - 17 2a Edição
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- efeitos do vento;
- existência de áreas proibidas ou inconvenientes para o fundeio (cabos submarinos,
oleodutos, meio de canal etc);
- baseado no seu conhecimento sobre a Equipe de Navegação, o Navegador deve
estimar qual é o tempo de atraso e informar ao Comandante;
- escolher ponto alternativo para o fundeio, tendo em vista a possibilidade do ponto
escolhido estar ocupado;
- tença;
- se for prevista a movimentação de lanchas do navio para terra, o ponto de fundeio
escolhido deve estar o mais próximo possível do local de atracação das lanchas;
- se o ponto de fundeio for escolhido por autoridade superior e o Encarregado da
Navegação, após analisar os fatores a serem considerados na sua seleção, julgar que
a posição não é segura para o fundeio, deve sugerir ao Comandante que solicite novo
ponto;
- a partir da linha de perigo, construir uma série de arcos de raios igual ao comprimento
do navio mais o filame a ser utilizado. A área externa a esses arcos será, então, uma
área segura na qual se pode fundear;
- transmitir, com a antecedência necessária, as informações de tença, profundidade,
filame e hora prevista do fundeio ao Mestre e Encarregado do Convés; e
- traçar o círculo de giro do navio em torno do ponto de fundeio, amarrando os limites do
círculo a pontos notáveis através de marcações (pelorus) e distância radar e verificar
se passa sobre o círculo de giro de outros navios. Para tal, o Navegador deve conhecer
o ponto de fundeio dos outros navios, bem como o filame utilizado por eles. Para
facilitar a verificação da posição do navio, pode-se confeccionar uma tabela com os
valores esperados de marcação e distância dos pontos escolhidos.
Uma vez escolhido o ponto de fundeio e obtida a aprovação do Comandante, passa-se ao
traçado da derrota, na carta náutica.
Neste traçado, deve-se:
- traçar o rumo final com um ponto notável pela proa ou pela popa e de modo que haja
outro ponto notável próximo ao través, quando o navio alcançar o ponto de fundeio;
- definir os pontos notáveis a serem utilizados;
- traçar o círculo de largar o ferro;
- traçar círculos concêntricos, a partir do círculo de largar o ferro, de modo a poder, a
qualquer instante, monitorar a distância que falta navegar até o ponto de fundeio.
OSTENSIVO 21 - 18 2a Edição
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Esses círculos devem ser traçados a cada 100 jardas10, até a distância de 1000 jardas
e, então, a 1200, 1500 e 2000 jardas;
- a partir do ponto de fundeio, traçar linhas de marcação a cada 100, a partir da direção
da aproximação. Essas linhas e arcos permitem ao Navegador fazer sugestões sem
interferir com as posições que estão sendo plotadas;
- escolher as velocidades e os ângulos de leme a serem utilizados, nos diversos trechos
da derrota; e
- traçar a marcação para largar o ferro, em relação a um ponto notável e, a partir deste
mesmo ponto, traçar marcações para as distâncias de 300, 200 e 100 jardas do ponto
de fundeio.
Na navegação paralela indexada, deve-se indicar as distâncias correspondentes ao
círculo de largar o ferro e demais círculos concêntricos citados anteriormente.
O comprimento da derrota sobre o rumo final varia de acordo com o tamanho do navio,
mas não deve ser menor que 600-1000 jardas. Quanto maior for esta distância, maiores
serão as chances de se realizar um bom fundeio.
10
Dependendo da escala da carta, pode ser a cada 200 jardas.
OSTENSIVO 21 - 19 2a Edição
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do passadiço, para permitir analisar se o navio está garrando. Além disso, deve marcar o
contorno da costa, com lápis cera na superfície da VRC da repetidora radar, a fim de
servir como auxílio à esta análise.
A Equipe de Navegação deve determinar uma posição precisa com, pelo menos, quatro
LDP, para permitir, posteriormente, ao Oficial de Quarto e OSCIC/OSCOC verificar se o
navio está garrando.
Além do mencionado anteriormente, deve ser verificado o erro do fundeio, para permitir
uma avaliação do fundeio realizado. Deve ser considerada a seguinte tabela, no tocante à
avaliação da precisão do fundeio, para navios menores de 600 pés:
Para navios maiores que 600 pés, deve ser considerada a seguinte tabela:
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ANEXO A
MODELO DE “BRIEFING” DE NAVEGAÇÃO
Porto: Fictício
1.0- Horários:
Guarnecimento da Equipe de Navegação: 0815O
DEM: 0815O
Suspender: 0845O
Postos de Suspender e Fundear: 0915O
3.0- Previsão do Tempo: céu quase encoberto com pancadas isoladas de chuva leve. Vento
NW/SW 11 a 16 nós com rajadas. Mar de sul com vagas de 1.0 a 1.5 metros, 03 a 04 segundos,
0
estado do mar 3/4. Visibilidade 02 05 MN. Temperatura estável, variando de 25 a 30 C, seguida
de ligeiro declínio.
4.0- Maré: (coloca-se as amplitudes da maré nas horas de preamar e baixamar e outros dados
julgados de interesse)
0109 1.0M
0704 0.4M
1206 1.0M
1913 0.2M
A maré na Baía de Meza tem características de desigualdades diurnas, com o nível médio
69 cm acima do nível de redução das cartas.
Nesta época do ano, a velocidade da corrente de maré varia entre 0,2 e 1,1 nó.
6.0- Tráfego: esperado tráfego de moderado para intenso, incluindo embarcações pesqueiras e
barcas entre as cidades de Astúrias e Meza.
a) 2511;
b) 2512.
OSTENSIVO 21 - 25 2a Edição
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10.0- Comunicações (anota-se os recursos de que podem ser úteis durante a atracação)
A solicitação de prático deve ser confirmada, com a administração do porto, com 06 horas
de antecedência através do equipamento VHF (chamada no canal 16 e tráfego canal 14)
ou por contato telefônico.
Telefones úteis:
- Capitania dos Portos: 216-5319
- Administração Portuária: 233-4985/516-1336
13.0- Diversos (colocar as informações de interesse que não foram englobadas nos outros itens)
O navio poderá ter que fundear ao largo da Ilha Charlie para aguardar a chegada do
prático. A profundidade nesta área é de 50 metros; sendo assim, haverá necessidade de
arriar o ferro com a amarra engrazada.
É proibido o fundeio numa área de 4000 jardas em torno da Ilha Charlie, tendo em vista a
existência de cabos submarinos.
Será tocado postos de continência ao largo da Ilha Bravo.
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ANEXO B
Modelo de Gráfico da Maré Prevista
OSTENSIVO 21 - 27 2a Edição
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ANEXO C
SUMÁRIO DAS LEGENDAS UTILIZADAS EM NAVEGAÇÃO
DESCRIÇÃO DADOS EXEMPLO
0905
Reta de Altura Isolada Hora e nome do astro
SOL
R = 090o
Derrota Rumo e velocidade vel = 16’
8
Posição Determinada Símbolo, hora e hodômetro
0805
1236.0
0805
Posição Radar Símbolo, hora, hodômetro 1236.0
2100
Posição Carteada Símbolo e hora
1700
Posição Estimada Símbolo, hora e hodômetro 0448.0
•
o
090
Marcação de Segurança Símbolo e marcação
7
A publicação “Normas para Navegação dos Navios da MB - DN 11” determina escrever rumos e marcações com quatro dígitos, e a
velocidade com três dígitos, com aproximação a décimos para esses casos. Em função das peculiaridades dos navios da Esquadra, a
escrituração dos rumos, marcações e velocidades nas cartas náuticas não deve ser aproximada a décimos (rumo e marcações - 3 dígitos; e
velocidades - 2 dígitos).
8
O símbolo da posição determinada depende do método utilizado para se obter a posição (astronômica, observada etc).
OSTENSIVO 21 - 29 2a Edição
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ANEXO D
SÍMBOLOS E ABREVIATURAS USADAS NORMALMENTE EM NAVEGAÇÃO
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OSTENSIVO 21 - 31 2a Edição
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ANEXO E
GLOSSÁRIO DE NAVEGAÇÃO
Abatimento (1) - é o ângulo entre o rumo na superfície e o rumo no fundo. É contado para BE ou
BB, a partir do rumo na superfície.
Abatimento (2) - é o caimento do navio para o bordo contrário da guinada, no início da evolução,
medido na direção normal ao rumo inicial.
Afastamento - é a distância medida na direção perpendicular ao rumo inicial, desde o ponto que o
leme foi carregado até a proa atingir o novo rumo.
Águas Mortas - ver Maré de Quadratura.
Águas Rasas - são aquelas em que a profundidade local é menor ou igual ao calado máximo do
navio mais dois metros.
Águas Vivas - ver Maré de Sizígia.
Altitude - distância vertical entre o ponto considerado e o nível médio do mar.
Altura da Maré - distância vertical entre o nível do mar e o Nível de Redução, em um certo
instante.
Altura das BM Média de Sizígia - altura média, deduzida de uma longa série de observações,
das alturas das BM de sizígia. É o nível adotado pela DHN como Nível de Redução (NR).
Altura das PM Média de Quadratura - altura média deduzida de uma longa série de observações
das alturas das PM de quadratura.
Altura das PM Média de Sizígias - altura média, deduzida de uma longa série e observações,
das alturas dos PM de sizígia.
Amplitude da Maré - distância vertical entre uma PM e uma BM consecutivas.
Ângulo de Deriva - é o ângulo formado, em qualquer ponto da curva de giro, entre a tangente a
essa curva e o eixo longitudinal do navio.
Apartamento - é o comprimento, em milhas náuticas, do arco de paralelo subentendido por dois
meridianos.
Avanço - é a distância medida na direção do rumo inicial, desde o ponto em que o leme foi
carregado até a proa ter guinado para o novo rumo. O Avanço é máximo quando a guinada é de
90°.
Azimute - é o ângulo horizontal entre o meridiano e a direção a partir de um local. Primariamente,
utilizado para determinar a direção de um corpo celestial em navegação astronômica.
OSTENSIVO 21 - 32 2a Edição
OSTENSIVO Manual de Procedimentos Marinheiros
Carta - é uma representação de parte da superfície terrestre, especialmente traçada para ser
usada em navegação.
Círculo de Giro do Navio - círculo centrado na posição do ferro do navio, cujo raio é igual a soma
do comprimento do navio mais o filame.
Círculo de Giro do Passadiço - círculo centrado na posição do ferro, cujo raio é igual a soma do
filame mais a distância do escovém aos peloros, que ficam, normalmente, situados no passadiço.
Durante o fundeio, qualquer posição determinada do navio, que esteja fora do CGP plotado, indica
que o navio garrou.
Círculo de Largar o Ferro - é um círculo traçado em torno do ponto de fundeio de raio igual à
distância horizontal entre o escovém e o equipamento usado para se obter a linha de posição. Por
este motivo, o Círculo de Largar o Ferro pode ser diferente para o passadiço e CIC/COC.
Círculo Máximo - é a linha que resulta da interseção de um plano que contenha o centro da Terra
com a superfície terrestre.
Círculo Menor - é a linha que resulta da interseção de um plano que não contém o centro da
Terra com a superfície terrestre.
Curva de Giro - é a trajetória descrita pelo centro de gravidade de um navio numa evolução de
360°, com determinada velocidade e ângulo do leme.
Declinação Magnética - é a diferença angular entre o meridiano magnético e o meridiano
verdadeiro, causada pelo magnetismo terrestre. Caso o meridiano magnético esteja a oeste do
meridiano verdadeiro, a variação é dita oeste e caso esteja a leste a variação é dita leste.
Desvio da Agulha - é a diferença angular entre o eixo norte-sul da agulha e o meridiano
magnético, causada pelas propriedades magnéticas do navio. Caso a agulha esteja posicionada a
oeste do meridiano magnético, o desvio é dito oeste e caso esteja a leste o desvio é dito leste.
Diâmetro Final - é o diâmetro do arco de circunferência descrito na parte final da trajetória pelo
navio que girou 360° com ângulo de leme constante. É sempre menor que o diâmetro tático. Se o
navio continuar a evolução além de 360°, com o mesmo ângulo de leme, manterá sua trajetória
nessa circunferência.
Diâmetro Tático - é a distância medida na direção perpendicular ao rumo inicial, numa guinada
de 180°. Ele corresponde ao afastamento máximo.
Direção - é o ângulo formado por uma linha que liga dois lugares com uma linha de referência.
Eixo Terrestre - é a linha em torno da qual a Terra executa o seu movimento de marcação.
Enchente - intervalo de tempo durante o qual o nível do mar se eleva.
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OSTENSIVO 21 - 35 2a Edição
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Meridianos - são círculos máximos que passam pelos pólos terrestres. Cada meridiano contém o
eixo da Terra e é dividido pelo eixo da terra em duas metades; a que contém o observador é
denominado meridiano e a outra é denominada antimeridiano.
Milha Náutica - comprimento do arco de um minuto de círculo máximo. Equivalente a 1852
metros.
Navegação Eletrônica - é o ramo da navegação que estuda a aplicação de instrumentos
eletrônicos na determinação do rumo, velocidade do navio e posição do navio.
Navegador - denominação usada para designar o Encarregado de Navegação de um navio.
Nível de Redução - nível a que são referidas as alturas das águas e as sondagens constantes
nas cartas náuticas.
Nível Médio - valor médio em torno do qual a maré oscila.
Nó - unidade de velocidade. Um nó equivale a uma milha náutica por hora.
Ortodromia - é qualquer segmento de um círculo máximo da esfera terrestre. Sendo assim, é a
distância mais curta entre dois pontos da Terra.
Paralelos - são círculos menores cujos planos são paralelos ao equador terrestre. Seus raios são
sempre menores que o raio do Equador.
Plano Equatorial - é o plano perpendicular ao eixo de rotação da Terra e que contém o seu
centro.
Pólos - são os pontos em que o eixo terrestre intercepta a esfera terrestre.
Posição Astronômica - é a posição obtida pela observação dos astros.
Posição Carteada - é a posição que se prevê que o navio ocupará em horas futuras, podendo ser
considerada ou não a corrente.
Posição Determinada - posição obtida pelos métodos de navegação astronômica, visual ou
eletrônica.
Posição Estimada - posição obtida pela aplicação, a partir de uma posição conhecida, de
vetores definidos pelo rumo do navio e a distância percorrida em relação à superfície, em um
período considerado, não se levando em conta os efeitos de corrente e vento.
Posição Estimada Corrigida - posição obtida pela aplicação, a partir de uma posição conhecida,
de vetores definidos pelo Rumo no fundo e distância percorrida em relação ao fundo, em um
período considerado.
Posição Observada - posição obtida pelo cruzamento de linhas de posição decorrentes de
observação visual.
OSTENSIVO 21 - 36 2a Edição
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Posição Radar - posição obtida pelo cruzamento de linhas de posição em que pelo menos uma
delas é formada por segmento de círculo de distância radar.
Primeiro Meridiano - é o meridiano que se adota como origem de contagem das longitudes. O
meridiano adotado no Brasil é o de Greenwich.
Profundidade - distância vertical entre o nível da água e o fundo do mar no local considerado.
Radionavegação - é a parte da navegação eletrônica que utiliza ondas do espectro rádio.
Reta de Segurança - reta traçada na navegação paralela indexada para indicar a menor distância
que se pode chegar de um perigo à navegação (pedras, canais, linhas de perigo etc).
Rumo - ângulo horizontal entre uma direção de referência e a direção para a qual aponta a proa
do navio. As três direções de referência mais utilizadas em navegação são norte verdadeiro (ou
geográfico), norte magnético e norte da agulha.
Rumo Prático - é o rumo que o navio governa para manter-se fora de perigos, quando navegando
em rios, canais estreitos ou águas confinadas.
Rumo da Corrente - é a direção para onde flui a corrente.
Rumo na Superfície - ou, simplesmente, Rumo, é o ângulo entre o norte verdadeiro e a direção
na qual governa o navio (em relação à superfície).
Rumo no Fundo - é o ângulo entre o caminho efetivamente percorrido pelo navio (projetado
sobre o fundo do mar) e o Norte verdadeiro.
Sistemas Eletrônicos de Navegação - são os sistemas que utilizam meios eletrônicos para
obtenção de informação.
Sistemas Visuais de Navegação - são os sistemas que utilizam meios visuais para obtenção da
informação.
Sondagem - distância vertical entre o Nível de Redução e o fundo do mar em um certo instante.
Sondagem Real - ver Profundidade.
Tempo de Atraso - Tempo decorrido entre o instante determinado para se obter a posição
(“marque”) e o instante que a mesma é obtida. É baseado na experiência da equipe de
navegação, entre outros fatores.
Triângulo de Incerteza - figura geométrica formada pelo cruzamento de três linhas de posição.
Caso a posição seja obtida por mais de três linhas de posição, esta figura poderá ser um polígono.
Variação da Agulha - ver Declinação Magnética.
Vazante - intervalo de tempo durante o qual o nível do mar abaixa.
Velocidade da Corrente - é o feito provocado pelo estado do mar e do vento, mau governo,
diferenças de RPM, banda e trim, entre outros, em uma hora sobre o caminho percorrido pelo
OSTENSIVO 21 - 37 2a Edição
OSTENSIVO Manual de Procedimentos Marinheiros
navio. O termo é também empregado para indicar isoladamente o deslocamento de massa líquida
por ação exclusiva das correntes marítimas, ou em águas restritas, pela ação conjunta das
correntes marítimas e correntes de maré.
Velocidade de Avanço - é a velocidade com que se pretende progredir ao longo da derrota
planejada.
Velocidade de Segurança - é aquela que toda embarcação deverá navegar, de forma a lhe
possibilitar a ação apropriada e eficaz para evitar colisão, bem como para ser parada a uma
distância apropriada às circunstâncias e condições predominantes.
Velocidade do Navio - ou simplesmente velocidade, é a distância percorrida, em milhas, no
período de uma hora, pelo navio na superfície.
Velocidade no Fundo - é a distância percorrida em uma hora pelo navio em relação ao fundo.
Velocidade Segura - ver velocidade de segurança.
Vertical do Lugar - é o raio da esfera que passa pelo lugar em questão, definido,
aproximadamente, pela direção do fio de prumo.
BIBLIOGRAFIA:
a) BRASIL. Diretoria de Hidrografia e Navegação. DN 11- Normas para Navegação dos Navios da
MB. Niterói, 1996.
c) EUA. Naval Education Training Command. Operations Specialist 3 & 2, vol 1. Washington,
D.C., 1982.
d) MALONEY, Elbert S. Dutton’s Navigation and Piloting. 13. ed. Annapolis, Maryland, EUA,
Naval Institute Press, 1978.
MIGUENS, Altineu Pires. Navegação: a Ciência e a Arte. Rio de Janeiro: DHN, 1996.
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OSTENSIVO Manual de Procedimentos Marinheiros
CAPÍTULO 22
DISTRIBUIÇÃO DE RANCHO EM POSTOS DE COMBATE
22.1 - GENERALIDADES
A faina de Distribuição de Rancho em Postos de Combate é uma faina especial, realizada
quando o navio permanece por longo período em Postos de Combate, situação em que todo
o pessoal está envolvido, inclusive os cozinheiros, com a prontidão para o navio enfrentar
ameaças. Dessa forma, a confecção de um rancho normal não é possível, por diversos
motivos.
A finalidade dessa faina, portanto, é a confecção, em curto espaço de tempo, de um rancho
de fácil elaboração, para sua posterior distribuição a todos os homens a bordo, a um só
tempo, no momento que o comandante julgar mais conveniente, em face das ameaças
existentes.
Essa faina visa ainda diminuir o tempo que o pessoal teria que passar fora de seus postos
para confeccionar o rancho ou para se alimentar.
Durante Postos de Combate prolongados é aconselhável, ainda, que nas proximidades das
estações existam reservatórios com água potável, assim como que todos tenham em seu
poder alimentos com bastante calorias e de rápida ingestão, como biscoitos e chocolates,
para se saciarem enquanto não for possível um rancho reforçado.
22.2 - DESENVOLVIMENTO
22.2.1 - Confecção do rancho
A Divisão "I" é responsável pela confecção do rancho, que deve ser, preferencialmente,
de fácil cocção e digestão.
Ao ser decidida pelo Comandante a distribuição de rancho em Postos de Combate, é
disseminado em fonoclama, pela ECCAV, a seguinte ordem:
“PREPARAR PARA A DISTRIBUIÇÃO DE RANCHO EM POSTOS DE COMBATE"
Após disseminada esta ordem, está autorizada a dispensa do pessoal necessário à
confecção do rancho (cozinheiros, rancheiros, Mestre D’Armas e paioleiro de
mantimentos).
Esse pessoal deve pertencer ao reparo de CAV próximo à cozinha. A dispensa do
pessoal dos reparos, o trânsito na área e a abertura dos acessórios estanques,
porventura necessária para a retirada do material, são coordenados pela ECCAV, e só
OSTENSIVO 22 - 1 2a Edição
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podem ser feitos após sua autorização. Esses homens deixam os reparos, concentram-se
na cozinha, providenciam a retirada do material dos seus locais de guarda e preparam os
ranchos individuais, que são acondicionados em sacolas plásticas ou caixas de material
descartável (tipo “lunch box”). Deve ser previsto rancho em excesso para cada estação
(cerca de 10%), de modo a garantir que não haverá falta. Estas sacolas devem ser
agrupadas por estações em sacos plásticos maiores.
OSTENSIVO 22 - 2 2a Edição
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É então iniciado o rancho, que deve durar o menor tempo possível, para não degradar
por tempo excessivo a condição de prontidão do navio. Os homens são autorizados a
relaxar o uniforme de combate, com a retirada das luvas e capuz antiexposição.
As estações efetuam revezamento entre o pessoal, de forma que metade do pessoal
esteja ranchando e metade mantendo o guarnecimento da estação, evitando uma
degradação total da prontidão do navio para a ação.
Após terminado o rancho, cada estação dá o “pronto” à sua estaçào de controle, e esta
informa à Manobra o pronto do seu setor.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
a) BRASIL. Comando de Operações Navais. COMOPNAV 307. - Procedimentos de Controle de
Avarias. Rio de Janeiro, 1983.
OSTENSIVO 22 - 3 2a Edição
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CAPÍTULO 23
GRUPO DE VISITA E INSPECÃO A NAVIO MERCANTE E GUARNICÃO DE PRESA
23.1 - INTRODUCÃO
Este capítulo aborda os procedimentos básicos a serem adotados por ocasião das visitas e
inspeções a navios mercantes e de apresamento daqueles que apresentarem
irregularidades. O assunto é complementado pela FI-DIASA-P-003.
Estas fainas serão executadas pelo Grupo de Visita e Inspeção a Navios Mercantes e pela
Guarnição de Presa, conforme previsto nas organizações administrativas dos navios, com
a seguinte missão:
23.2 - GENERALIDADES
a) Decidida a realização da visita e inspeção, o navio reforçará seu guarnecimento normal
do CAV e do armamento em Condição III;
b) A faina de visita e inspeção não se caracteriza como uma ação ofensiva, tendo o GVI
uma postura defensiva, não-ameaçadora ao NM, que, em princípio, está exercendo o
direito de passagem inocente, até que seja constatada alguma irregularidade;
c) A postura do GVI tem que ser firme, uma vez que exerce o direito de parada,
abordagem e inspeção de NM estabelecido no Direito Internacional, porém cordial, sem
degradar o nível de atenção necessário à manutenção de sua segurança;
d) Os maiores riscos ao GVI ocorrem durante a aproximação e retirada da lancha, e
durante a inspeção, demandando elevado grau de adestramento de seus componentes
OSTENSIVO 23 - 1 2a Edição
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OSTENSIVO 23 - 3 2a Edição
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- último porto;
- porto de origem;
- próximo porto;
- carga;
- EEI a obter no NM;
- possíveis ameaças;
- regras de comportamento;
- códigos;
- sinais e procedimentos de emergência;
- procedimentos para experiência-fonia; e
- ações em caso de incêndio, alagamento ou baixas a bordo do NM.
As seguintes providências e verificações são executadas durante a fase de preparação:
- apresentação pessoal dos componentes do GVI;
- equipamento individual dos componentes do GVI (Anexo A);
- kit de material do GVI a ser embarcado na lancha (Anexo A);
- registro da posição do navio (o Sinaleiro, antes de formar, obtém a posição do navio,
entregando-a ao Comandante do GVI);
- o Comandante do GVI conduz um brieffing para os componentes do GVI, transmitindo
as informações obtidas no brieffing com o Comandante do navio, e repassando os
procedimentos de visita e inspeção, especialmente as precauções de segurança;
- o Sargenteante-Geral e os Sargenteantes de Departamento comparecem ao reunir,
efetuando as trocas de serviço necessárias para substituir componentes do GVI de
serviço no horário; e
- o Escoteiro controla o material fornecido ao GVI, devendo este material estar sempre
pronto na Escoteria.
OSTENSIVO 23 - 4 2a Edição
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OSTENSIVO 23 - 5 2a Edição
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evolução da faina e intimidando alguma reação por parte da tripulação do NM, através de
ostensiva exibição de armamento próprio ou portátil transportado por atiradores
embarcados na aeronave13. Caso a situação escale, a aeronave poderá empregar seu
armamento conforme as regras de comportamento em vigor e as determinações do
Comandante do navio.
Efetuado o embarque no NM, o Comandante do GVI dirigir-se-á ao passadiço,
acompanhado do Escrevente, do Sinaleiro e de um homem do Subgrupo de Reunião e
Revista de Pessoal, guiados por um tripulante do NM. O Ajudante do GVI e demais
militares do Subgrupo de Reunião e Revista irão para o local de reunião da tripulação do
NM, também guiados por tripulante do NM, e compelindo tripulantes encontrados no
caminho a se concentrarem no local de reunião (sempre um convés aberto).
Chegando ao passadiço, o Comandante do GVI se apresentará ao Comandante do NM,
quando disseminará os procedimentos a serem cumpridos na inspeção e solicitará a
colaboração do Comandante e de sua tripulação, requisitando a entrega das armas
existentes a bordo. Neste primeiro contato e ao longo da faina, o Comandante do GVI
deverá ser cordial, procurando obter a colaboração espontânea dos inspecionados, sem,
entretanto, fazer concessões que impeçam o cumprimento de sua missão. Em paralelo,
o Sinaleiro e o militar do Subgrupo de Revista inspecionarão a estação-rádio do NM,
antes anotando as freqüências que estavam sendo utilizadas nos equipamentos de
comunicações. Caso necessário, mediante ordem do Comandante do GVI, a estação
rádio será lacrada. A seguir, o Comandante do GVI solicitará ao Comandante do NM o
Rol de Equipagem e a Relação de Passageiros, que serão enviados para o Ajudante do
GVI, levados pelo Sinaleiro e o outro militar daquele subgrupo, a que se incorporarão. No
passadiço, permanecem o Comandante do GVI e o Escrevente, onde efetuarão a
verificação de documentos.
A verificação de documentos compreende um exame da documentação do NM e uma
verificação dos documentos da tripulação e passageiros. Os documentos a serem
o
examinados constam da NORMESQ N 30-06B. Os seguintes pontos serão observados
na verificação de documentos:
- rasuras e omissões de carga;
- existência de carga de valor militar e itens destinados a Embaixadas;
13
Atenção: O uso de armamento portátil a bordo de um helicóptero pode colocar em risco a aeronave, devido
à ejeção das cápsulas deflagradas, bem como pela possibilidade de que os disparos atinjam o rotor. Por
este motivo, só pode ser empregado armamento apropriado e manuseado por pessoal habilitado.
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- 1 MN-QSA.
São as seguintes as tarefas deste grupo:
- reunir e revistar tripulação e passageiros;
- operar equipamentos de convés;
- montar dispositivo de segurança da GP;
- verificar a existência e arrecadar armamento e munição; e
- verificar condições das embarcações do NM.
23.8 - SERVIÇOS DA GP
Tendo assumido o controle do NM, o Comandante da GP estabelecerá um detalhe de
serviço. A composição mínima da GP apresentada permite formar dois quartos de serviço
com os seguintes postos:
- oficial de quarto;
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- timoneiro;
- supervisor MO; e
- 2 sentinelas.
São ainda previstos os seguintes serviços permanentes:
- supervisor eletricista;
- enfermeiro; e
- rancheiro.
23.9- REFORÇO À GP
Os NM modernos possuem uma gama variada de sistemas e equipamentos, a maioria
diferentes daqueles encontrados a bordo dos navios de guerra. Desta maneira, a missão
da GP, no que se refere a conduzir o NM pelos seus próprios meios, será bastante
dificultada, pelo desconhecimento dos sistemas e equipamentos dos NM. Assim, sempre
que possível prever um apresamento com razoável antecedência, deverá ser solicitado o
embarque de pessoal, para reforçar a GP em termos de conhecimento técnico sobre os
sistemas a operar. Caso tal reforço não esteja disponível e a GP tenha dificuldade em
operar os sistemas do NM, se não contar com a colaboração de sua tripulação, poderá ser
feito o reboque do NM, a critério da autoridade que determinou o apresamento.
ANEXOS:
A) Instruções iniciais e informações a serem obtidas com o navio mercante; e
B) Equipamento Individual e Kit de equipamentos do GVI/GP.
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ANEXO A
INSTRUCÕES INICIAIS E INFORMACÕES A SEREM OBTIDAS COM O NAVIO MERCANTE
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ANEXO B
EQUIPAMENTO INDIVIDUAL E KIT DE EQUIPAMENTOS DO GVI/GP
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3) KIT DE MATERIAL DA GP
- kit de navegação com: régua paralela, compasso, lápis, borracha, almanaque náutico,
sextante, cronógrafo, starfinder, modelos para navegação astronômica, carta de navegação
e calculadora Tamaya.
- água
- alimentos
- transceptor portátil - para o CHEMAQ da GP
- kit de primeiros socorros
- dicionário de Inglês
- Bandeira Nacional
- kit de sinalização com: lâmpada aldis, semáforas e binóculos
- material de higiene pessoal
- numerário no valor estabelecido pelo Imediato
- máscaras EBD para toda a GP
- pilhas para lanterna
- baterias extra para transceptor
- pranchetas
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
a) BRASIL Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão. DIAsA-004. Lista de
Exercícios Operativos - Setor Convés. Rio de Janeiro, s.d.
o
b) ____. Comando de Operações Navais. Carta de Instrução N 005 (CONFIDENCIAL). Rio de
Janeiro, 1993.
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CAPÍTULO 24
PROCEDIMENTOS E FRASEOLOGIA PADRÃO PARA ORDENS DE LEME/ EMPREGO DO
TELÉGRAFOS DE MANOBRA E DE ROTAÇÕES
24.1 - GENERALIDADES
O presente capítulo apresenta as normas e procedimentos para a transmissão de ordens
de leme e emprego do telégrafo de manobra/rotações utilizados a bordo dos navios da
Esquadra.
24.2 - PROCEDIMENTOS
As ordens envolvidas na manobra de um navio de guerra devem ser atendidas com
exatidão e presteza. Isto demanda a existência de uma fraseologia padrão, capaz de
eliminar quaisquer dúvidas ou ambigüidades.
As ordens para o Timoneiro e Sota-Timoneiro são transmitidas de maneira firme, com boa
dicção, na mesma cadência e tom de voz, e sempre na fraseologia padrão.
As ordens para o leme são precedidas do vocativo “TIMONEIRO” e as para o telégrafo de
manobra/rotações, do vocativo “SOTA-TIMONEIRO”.
Além da fraseologia prevista, as ordens de leme e máquinas obedecem a uma seqüência
padrão. Após o vocativo, o primeiro item da ordem de leme é o bordo da guinada: “LEME A
BE (ou BB)”; em seguida, a quantidade de graus de leme: “10 (ou 5, 20, 25, etc) GRAUS”;
caso se deseje estabilizar em um determinado rumo, o próximo e último item será
o
“GOVERNAR EM (n de graus, expresso em três algarismos)”.
Da mesma forma, as ordens à máquina obedecem a seqüência: primeiro o eixo (ou eixos)
objeto(s) da ordem: “MÁQUINAS”, quando a ordem se destinar a ambos os eixos (será
sempre a expressão usada para navios de um único eixo), “BE” ou “BB”, quando se
destinar somente a um dos eixos; o segundo item indica a direção desejada: “ADIANTE” ou
“ATRÁS”; o último item expressa a quantidade de força a ser empregada pela máquina:
“UM TERÇO”, “DOIS TERÇOS”, “PADRÃO”, “TODA FORÇA”.
Pode-se identificar uma lógica, tanto na seqüência das ordens de leme quanto nas ordens
para a máquina. Elas são capazes de responder a seguinte seqüência de “perguntas”:
- O QUÊ ? (LEME; MÁQUINAS; BE ou BB);
- PARA ONDE ? (A BE; A BB; ADIANTE; ATRÁS); e
- QUANTO ? (5 GRAUS; DOIS TERÇOS; TODA FORÇA etc).
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ocasião da ordem.
9) “MARQUE A PROA”
Ler, imediatamente, o rumo indicado pela linha de fé e informá-lo sem prejuízo da
manobra que estiver sendo executada.
10) “ATENÇÃO”
Ficar de sobreaviso para receber uma ordem.
11) “BOM GOVERNO”
Governar com cuidado, manter-se firme no rumo ordenado. Constitui-se em uma
chamada de atenção ao timoneiro quanto ao seu mau desempenho.
o
12) “LEME A BE (ou BB), GOVERNAR EM (n de graus )“
o
Carregar o leme 15 para o bordo determinado, levando a proa ao rumo indicado.
13) “COMO DIZ O LEME?”
Informar o bordo e de quantos graus está carregado o leme.
14) “QUAL A TENDÊNCIA DO LEME?”
Informar o número de graus a BE (ou BB) de que necessita manter carregado o leme
para manter o rumo ordenado.
15) “DAR UM TOPE EM ( )” ou “DAR UM TOPE”
Timoneiro transmite “TOPE, TOPE, TOPE” no momento em que a linha de fé estiver
praticamente parada sobre o rumo indicado para o “TOPE”, ou no rumo de governo
se não for indicado um rumo.
16) “CIENTE”
Dada somente por quem manobra, ao receber alguma informação ou pronto do
cumprimento de ordem pelo Timoneiro. Esta expressão nunca é empregada pelo
Timoneiro, que deve sempre repetir a ordem recebida, para confirmar que foi
corretamente compreendida.
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OSTENSIVO 24 - 4 2a Edição
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24.5 - OBSERVAÇÕES
a) A passagem do serviço de Timoneiro ou Sota-Timoneiro é feita de acordo com o
seguinte procedimento:
I) o Timoneiro (ou Sota-Timoneiro) que vai assumir o serviço inteira-se de toda a
situação de governo (e máquinas) do navio;
II) quando este estiver pronto a assumir o serviço, o Timoneiro (ou Sota-Timoneiro) que
sai pede permissão para passar o serviço a quem estiver com a manobra,
participando a este as seguintes informações:
- Timoneiro: “NAVIO NO RUMO ( ___ ); RUMO MAGNÉTICO ( ___ ); GOVERNO
PELO PASSADIÇO (ou CCM, ou Máquina do Leme); SISTEMA DE GOVERNO
PRINCIPAL (ou por ângulos, ou piloto automático, ou manual proporcional, etc);
CANAL DE BE (ou BB, ou 1, ou 2); BOMBA DE BE (ou BB)”;
- Sota-Timoneiro: “NAVIO COM MÁQUINAS (ou BE, ou BB) (especificar se adiante,
paradas, atrás; posição do telégrafo de manobra ou número de rotações, DESSI,
os
etc); MOTORES (ou CALDEIRAS, ou TURBINAS A GÁS, etc) N (especificar quais
os motores, caldeiras ou TG’s na linha); CONTROLE PELO CCM (ou PASSADIÇO);
b) O Timoneiro (ou Sota-Timoneiro) que assumir o serviço, da mesma forma, pede
permissão a quem estiver com a manobra e repete as mesmas informações acima.
Estas também são repetidas pelo Timoneiro ou Sota-Timoneiro, por ocasião da
passagem de serviço do Oficial de Quarto (ou de quem estiver com a manobra).
c) Durante manobra em águas restritas, quando forem dadas ordens para o leme, o Sota-
Timoneiro informa a situação de máquinas; ao serem dadas ordens de máquinas, o
Timoneiro informa a situação do leme.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
0
a) BRASIL. Comando-em-Chefe da Esquadra. NORMESQ N 30-21A. – Fraseologia - Padrão
para Ordens de Leme. Rio de Janeiro, 1994.
OSTENSIVO 24 - 5 2a Edição
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CAPÍTULO 25
DOCAGEM
25.1 - GENERALIDADES
Denomina-se docagem a faina de colocar uma embarcação a seco no interior de um dique
seco ou flutuante, em um elevador de navios ou carreira. As normas em vigor prevêem
Períodos de Docagem de Rotina (PDR) e Períodos de Docagem Extraordinários (PDE),
visando à execução de serviços em que seja necessário ter as obras vivas fora da água.
Eventualmente, situações de urgência poderão obrigar a realização de docagem.
OSTENSIVO 25 - 1 2a Edição
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
o
a) BRASIL. Base Naval do Rio de Janeiro. Ordem Interna N 10-09A. Docagem de Navios da
MB. Rio de Janeiro, 1992.
o
b) ____. Comando-em-Chefe da Esquadra. NORMESQ N 40-07. Prevenção de Acidentes em
Navios durante os Períodos de Manutenção. Rio de Janeiro, 1987.
OSTENSIVO 25 - 4 2a Edição
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c) ____. Estado Maior da Armada. EMA 420. Normas Gerais para Manutenção. Brasília, 1997.
OSTENSIVO 25 - 5 2a Edição
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C AP Í T U L O 2 6
CABOS E ESPIAS
26.1 - GENERALIDADES
Os cabos de uma maneira geral podem ser classificados segundo a matéria-prima de
que são confeccionados em:
a) cabos de fibra
Confeccionados com as fibras do caule ou das folhas de algumas plantas têxteis,
tais como: manilha, sisal, linho cânhamo, linho cultivado, coco, juta e algodão, que
são normalmente mais utilizados a bordo.
b) cabos de arame
Confeccionados principalmente com fios de arame de aço, podendo ser utilizado o
ferro na confecção de cabos de qualidade inferior; e também usado, para fins
especiais, o bronze fosforoso.
c) cabos especiais
Nesta categoria, incluímos os cabos de procedência animal (cabos de couro), ou de
fibra sintética (cabos de nylon).
OSTENSIVO 26 - 1 2a Edição
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26.3 - NOMENCLATURA
As fibras, torcidas em certo número sobre si mesmas, num só sentido, formam os fios
que, no cabo, tomam o nome de fios de carreta. Estes, torcidos também em certo
número, mas em sentido contrário ao anterior, formam os cordões do cabo. Três ou
quatro, torcidos todos juntos e em sentido inverso no anterior, formam um cabo. O cabo
assim confeccionado chama-se de massa; é sempre formado de três ou quatro
cordões, qualquer que seja sua bitola.
Na confecção de um cabo, a ação de torcer os vários elementos que o constituem
chama-se cochar; as torcidas assim feitas chamam-se de cochas; cochas são também
os intervalos entre os cordões de um cabo. Os cabos mais usados são os de três
cordões, mas os cabos de maior bitola podem ter quatro cordões, os quais são sempre
cochados em torno de outro cabo já confeccionado, mais fino que os cordões, e que
toma o nome de madre do cabo. A madre não aumenta a resistência do cabo, porque,
sendo de menor bitola que os cordões, não possui a mesma elasticidade destes;
entretanto, dá mais flexibilidade.
Em alguns tipos, especialmente nos cabos finos, os cordões são trançados, em vez de
cochados; isto faz desaparecer a tendência para a coca, isto é, a dobra que o cabo
toma no seio, mas diminui a elasticidade. Os cabos trançados têm um número variado
de cordões.
OSTENSIVO 26 - 2 2a Edição
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CONTAMINAÇÃO - Por ferrugem que pode ser reconhecido pela cor característica
marrom avermelhada para preto mesclado com marrom. Normalmente, manchas de
ferrugem aparecem em áreas localizadas do cabo, decorrentes do contato com aço
corroído. A ferrugem não manchará o polipropileno, nem reduzirá apreciavelmente a
resistência do poliéster. Manchas que são removidas com sabão e água em outros
cabos de fibra que não sejam de poliéster não têm efeitos adversos na resistência do
cabo. Porém, manchas persistentes que se estendam para dentro da seção reta da
fibra natural e da fibra de nylon podem diminuir a sua resistência. Por graxa ou óleo,
embora não tenha de imediato efeitos danosos sobre o cabo, põe em risco a sua
operação e manuseio.
OSTENSIVO 26 - 6 2a Edição
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Para emprego como espia, o nylon apresenta vantagens adicionais: quando molhado,
retém 85% a 95% de sua resistência de quando seco; imerso na água, pesa somente
11% de seu peso no ar.
As características que um cabo de nylon apresenta, demonstrando que está próximo
ao limite da resistência, é o seu esticamento e a diminuição do seu diâmetro. Os
“ruídos de protesto” que os cabos de fibra apresentam, quando por demais
tensionados, só ocorrem nos cabos de nylon, enquanto os cordões se reajustam.
Um aumento de 33% do seu comprimento é normal e um aumento de 40% representa
o seu ponto crítico. Porém o cabo só se partirá, com uma forte chicotada, ao esticar
de cerca de 50%.
Trabalhando-se com cabos de nylon sob volta, deve-se tomar cuidado com a fusão de
suas fibras devido ao calor gerado pelo atrito.
Há muitos outros cabos de matéria plástica, com as mesmas características do nylon,
de nomes diferentes patenteados pelos fabricantes.
Tem-se notícia de que a Marinha norte-americana já utiliza espias de nylon com
madre de Kevlar, material muito resistente à tração, porém muito vulnerável à
umidade. A principal vantagem é o amortecimento da chicotada em caso de
rompimento.
a) matéria-prima dos cabos de fibra sintética
Dentre as matérias-primas utilizadas nos cabos de fibra sintética, distinguem-se as
seguintes:
I) nylon
É a mais forte das fibras sintéticas e apresenta uma alta capacidade de absorção
de energia, além de excepcional resistência a sucessivos carregamentos.
O teste convencional de abrasão mostrou que os cabos de nylon têm vida útil
superior aos outros do grupo das fibras sintéticas.
O comportamento dos cabos de é superior a todos os outros produtos feitos com
resinas termoplásticas, com propriedades similares, mas de composições
químicas diferentes, destacando-se os seguintes aspectos:
Absorção de água - A quantidade de água absorvida pelos cabos de nylon
equivale a 20% do seu peso. Os cabos de fibra poliamídicas, como o nylon,
sofrem pequena ou nenhuma transformação com a absorção deste líquido. E,
mesmo após longo contato com água, até mesmo em regiões muito frias, os
mesmos cabos se mantêm flexíveis e de fácil manuseio.
OSTENSIVO 26 - 7 2a Edição
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OSTENSIVO 26 - 8 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
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A figura a 26.1 mostra um fusível disposto numa espia de fibra sintética (sem tensão e
com tensão).
Figura 26.1
OSTENSIVO 26 - 9 2a Edição
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Figura 26.2
Figura 26.3
Figura 26.4
OSTENSIVO 26 - 10 2a Edição
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Figura 26.5
MÉTODO DE RESISTÊNCIA A
CARGA DE RUPTURA ELASTICIDADE
CONSTRUÇÃO ABRASÃO
Torcido baixa melhor alta
Trançado duplo alta pior baixa
Trançado média média altíssima
RESISTÊNCIA A
MATERIAL CARGA DE RUPTURA ELASTICIDADE
ABRASÃO
NYLON alta melhor alta
POLIÉSTER média boa baixa
(DA CRON)
POLIPROPILENO baixa pior média
Observações:
- Em outras aplicações a elasticidade é uma vantagem. Quando o cabo está sujeito
a cargas súbitas, como quando rebocado, quanto mais elástico o cabo melhor ele
OSTENSIVO 26 - 11 2a Edição
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OSTENSIVO 26 - 12 2a Edição
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Marinheiros
Alar aos puxões, com os intervalos necessários para que o pessoal mude a posição
das mãos ao longo do cabo. Nesta manobra é preciso que um homem agüente o
socairo, que é a parte do cabo que vai sobrando e se vai colhendo. Para agüentar
o socairo dá-se volta singela em uma peça fixa, nada se deixando voltar do que se
alou. Lupada é cada um dos puxões dados.
e) alar de mão em mão
Alar o cabo seguidamente, sem o pessoal sair do lugar, pegando-o alternadamente
com uma ou outra mão; também neste caso, fica agüentado o socairo numa peça
fixa.
f) aliviar um cabo, um aparelho
É folgá-lo pouco a pouco.
g) amarrar a ficar
Dar um nó ou volta firme, de modo a não se desfazer por si. Diz-se principalmente
ao se dar volta às manobras, ou ao amarrar uma embarcação miúda para passar a
noite.
h) amarrilhos
Fios ou linhas com que se amarram os diversos objetos a bordo. Dá-se
especialmente este nome aos cabos com que se amarram os toldos nos
vergueiros.
i) arriar um cabo
Largar, aos poucos, um cabo que suspende ou agüenta qualquer peça.
j) arriar um cabo sob volta
Consiste em não desfazer totalmente as voltas, podendo ser agüentadas quando
preciso. Para arriar sob volta, em geral deixa-se um ou duas voltas redondas no
cabo.
k) beijar
Fazer encostar duas peças quaisquer. Diz-se de uma adriça quando chega ao seu
lugar; de uma talha quando, içando, seus poleames se tocam; de uma escota,
quando o punho toca o gorne; atopetar.
l) boça
Pedaço de cabo ou corrente empregado para aboçar.
m) brandear
Folgar um cabo, uma espia, uma amarra, etc; tornar brando um cabo; dar seio a
um cabo que esteja portando.
OSTENSIVO 26 - 13 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos
Marinheiros
n) coçado
Diz-se de um cabo que está ferido em conseqüência do atrito.
o) colher o brando
Alar um cabo que esteja com seio até que fique sem folga; rondar um cabo.
p) colher um cabo
Arrumá-lo em aduchas.
q) coseduras
Botão que se dá nas alças do poleame, nas encapeladuras, nos estais, etc.
r) dar salto
Arriar repentinamente parte de um cabo de manobra.
s) desabitar a amarra
Tirar a amarra da abita
t) desaboçar
Desfazer a boça do cabo.
u) desbolinar um cabo
Tirar-lhe as cocas;
v) desencapelar
Tirar as encapeladuras; tirar um aparelho de onde está amarrado.
w) desgurnir
Tirar os cabos de laborar dos lugares em que estão trabalhando; desfazer talhas,
teques e estralheiras.
x) desengastar
Tirar um corpo estranho que o poleame tenha engolido com o cabo que nele
labora, ou desfazer uma coca que tenha mordido no gorne.
y) dobrar a amarração
Aumentar o número de pernadas das espias para amarrar um navio ao cais, ou a
outro navio.
z) encapelar
Lançar as encapeladuras nos lugares respectivos. Diz-se ainda encapelar um
aparelho, quando o coloca-se no lugar.
aa)encapeladuras
São as partes extremas dos cabos fixos dos mastros, que ficam alceadas nos
mastros, mastaréus etc.
bb)engaspar
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Marinheiros
ll) recorrer
Folgar. Deixar que arriem os cabos ou amarra o quanto for necessário para aliviá-
los. Diz-se também de um cabo ou amarra que arria sob a ação do próprio peso ou
do esforço que agüenta. Um nó ou volta pode recorrer.
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Marinheiros
mm)rondar
É alar um cabo, ou o tirador de uma talha até que fique portando.
nn) safar cabos
Colher os cabos nos seus respectivos lugares depois de concluída a manobra, para
desembaraçar ou safar o navio; deixar os cabos claros à manobra.
oo) socairo
É a parte do cabo depois do cabrestante que o está alando; é agüentada por um
homem postado junto ao cabrestante para manter o atrito das voltas sobre a saia;
no tirador de uma talha, ou quando se está alando à mão, é a parte que se alou, a
qual deve ficar agüentada em um cunho ou malagueta sob volta, com um homem
ao chicote. Diz-se que o homem está agüentando o socairo.
pp) solecar
Dar um brando ao cabo, arriando-o um pouco; aliviar o peso ou esforço; dar mais
folga ou seio.
qq) tesar
Esticar o cabo.
rr) tocar uma talha, um aparelho
Diz-se quando se recorre o tirador aliviando as voltas das pernadas, para estender
a talha ou para melhor trabalho dos cadernais
ss) virador
É um cabo grosso, em geral de arame, empregado para reboque, atracação, ou
mesmo para fundear com ancorote.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
o
a) BRASIL. Diretoria de Engenharia Naval. ENGENALMARINST N 20-13. Aterramento do
casco de embarcações de casco metálico da MB quando atracadas. Rio de Janeiro, 1992.
b) EUA. Naval Education and Training Program Developmente Center. Boatswains’s Mate 3
& 2. Washington, D.C., 1981
c) FONSECA, CMG Maurílio Magalhães. Arte Naval. 4. ed. Rio de Janeiro: EN, 1985.
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CAPÍTULO 27
USO DO FONOCLAMA
27.1 - GENERALIDADES
O presente capítulo apresenta os principais aspectos envolvidos na utilização do fonoclama
a bordo dos navios da Esquadra, bem como lista os toques, sinais e mensagens
usualmente empregados neste circuito de comunicações interiores.
27.3 - UTILIZAÇÃO
Os transmissores de fonoclama possuem, normalmente, chaves seletoras que permitem a
disseminação de mensagens para todo o navio ou apenas para setores específicos, como
conveses abertos, compartimentos de oficiais, praças de máquinas, etc. Essas chaves
devem ser utilizadas sempre que aplicável, a fim de evitar que sejam transmitidas, para um
setor do navio, mensagens que não sejam do interesse do pessoal que ali guarnece ou
habita.
O fonoclama é operado, dependendo da classe de navio, através de unidades remotas em
um ou mais dos seguintes compartimentos: Portaló, Passadiço, Centro de Controle da
Máquina (CCM), Central de CAV, Abrigo do Comando, entre outros. Em regime de porto,
somente a unidade remota situada nas proximidades do portaló é utilizada, ficando a do
passadiço apenas para os sinais referentes ao Cerimonial da Bandeira. Em regime de
viagem, as mensagens relacionadas com as fainas e exercícios do navio são transmitidas
do Passadiço; as transmissões do portaló limitam-se àquelas ligadas ao cumprimento da
OSTENSIVO 27 - 1 2a Edição
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27.4 - PROCEDIMENTOS
Toda ordem ou informação transmitida pelo circuito de fonoclama deve ser precedida pelo
nome do navio.
- Exemplo: “Defensora” (pausa) “Sr. Comandante para bordo”.
Sempre que aplicável, são utilizados os toques previstos na Ordenança de Apitos, que
preterem as mensagens em linguagem clara.
Os toques transmitidos segundo a Ordenança de Apitos e os sinais de alarme não devem
ser interpretados, podendo, entretanto, ser complementados.
- Exemplo: “Paraná” (pausa) (toque de parada).
“União” (pausa) (toque de faxina) “exceto para quem fez o quarto de zero hora
às quatro”.
As mensagens transmitidas por fonoclama devem ser claras, concisas e precisas. É
recomendável que os textos longos sejam previamente escritos, a fim de que sejam
evitados erros ou hesitações.
As mensagens de exercício são precedidas pela expressão “isto é um exercício, isto é um
exercício”.
Individualmente, os oficiais são chamados pela função exercida e as praças pelo número de
bordo (exceto o Mestre do Navio, que é chamado pela expressão “Sr. Mestre do Navio”).
Observações: - A chamada individual é considerada como um recurso de última instância,
só efetivada com a autorização do Oficial de Serviço.
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CAPÍTULO 28
CONDIÇÕES SANITÁRIAS E HIGIENE
28.1 - GENERALIDADES
Neste capítulo, abordaremos aspectos importantes para o homem embarcado, pois estão
relacionados diretamente à qualidade de vida, à sua saúde e à manutenção da prontidão
para o combate. Para muitos, considerando a idade em que se iniciam no mar, pode
parecer perda de tempo lembrarmos cuidados básicos de higiene pessoal, da necessidade
de tratar um simples resfriado ou de evitar doenças venéreas, da necessidade de uma
dieta balanceada ou de se manter uma boa postura. Mas o fato é que existem diferentes
padrões de educação, e as pessoas não param para pensar quanto aos hábitos rotineiros
adquiridos antes do ingresso na Marinha.
A higiene pessoal é muito importante para o homem do mar, porque na Marinha se vive por
muito tempo em um espaço restrito. Assim, a saúde de um homem passa a ser um
problema coletivo.
O assunto pode ser visualizado por dois enfoques distintos: aspectos de responsabilidade
da administração do navio e os relacionados ao comportamento individual.
Obviamente, ambos os enfoques estão relacionados, na medida em que uma das
atribuições da administração é a instrução da tripulação; e um homem comprometido com
o tema, no seu comportamento individual, contribuirá diretamente para o bom
desempenho de seu navio.
No enfoque da administração do navio, as necessidades relacionadas com a conservação
de boas condições sanitárias e a saúde da tripulação fazem parte do planejamento das
comissões, que deve considerar locais de arribada para uma evacuação médica,
necessidade de medicamentos, política do consumo de água, qualidade dos gêneros e da
água a serem recebidos nas escalas, endemias ou epidemias existentes nos portos
visitados, necessidade de vacinação, programação das atividades recreativas para atender
às necessidades psicossociais da tripulação, etc.
É importante que o Médico do navio ou, na sua falta, o Enfermeiro-Chefe, alertem
imediatamente o Comando quando da ocorrência de patologias relevantes, particularmente
as infecto-contagiosas, a fim de que as medidas corretivas e preventivas sejam tomadas
tempestivamente.
OSTENSIVO 28 - 1 2a Edição
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a) Limpeza
A limpeza de um navio, além de servir como cartão de visita, exprime os cuidados e a
dedicação que a tripulação devota à sua unidade e propicia um ambiente mais
agradável de convivência.
Mas manter um navio permanentemente limpo é uma tarefa bastante complexa, que
exige um programação capaz de abranger todos os elementos organizacionais e
compartimentos, bem como as necessidades da tripulação.
Recomenda-se a adoção de uma programação semelhante ao Sistema de
Manutenção Planejada (SMP), considerando atividades diárias, semanais, mensais
ou com periodicidade maior.
Exemplos de atividades a serem contempladas em uma rotina de conservação:
ASSIFICAÇÃO
OSTENSIVO 28 - 2 2a Edição
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CLASSIFICAÇÃO
ROTINA
(Sugestão)
DIÁRIA Inspeção visual das incumbências e correção de
discrepâncias. Varrer e recolher o lixo.
DIÁRIA Inspeção de Rancho.
SEMANAL Limpar telas e dutos de extração das cozinhas e copas.
(DOMINGO)
SEMANAL Trocar e lavar a roupa de cama da coberta XXX*.
SEMANAL Limpar e dar regime especial nas cozinhas e copas.
SEMANAL Inspeção de Rancho (passagem de rancheiros).
MENSAL Limpar luminárias.
MENSAL Lavar e limpar tetos e acessórios nele instalados.
MENSAL Limpar geladeiras e filtros.
MENSAL Arejar o regimento de sinais.
MENSAL Faxina geral na Enfermaria.
BIMENSAL ou Arejar a roupa de cama e colchões da coberta XXX, com
MENSAL faxina geral no local *.
TRIMESTRAL Mostra de pessoal.
QUANDO Inspeção de armários.
CONVENIENTE
QUANDO Inspeção de compartimentos habitáveis.
CONVENIENTE
QUANDO Desbaratização *.
CONVENIENTE
Observações:
I) As rotinas podem ser subdividas por áreas, compartimentos ou incumbências.
Assim, a rotina “Lavar e limpar tetos e acessórios nele instalados”, pode ser
distribuída ao longo das semanas do mês, como necessário, de modo a abranger
todo o navio no período.
II) Algumas rotinas devem ser coordenadas, como, por exemplo, as indicadas por
asterisco (*).
Considerando as constantes movimentações dos navios da Esquadra, dificilmente
um planejamento de médio prazo para essas atividades será executado com
fidelidade. Entretanto, as rotinas previamente identificadas balizarão a programação
do Imediato, dos encarregados e contramestres de divisão, de modo que se tenha
como resultado um navio sempre asseado e com alto padrão de higiene.
Das faxinas, ressalta-se a necessidade de empenho na “faxina geral de
compartimentos habitáveis”, que deve incluir o arejamento ao sol de colchões,
cobertores e travesseiros, limpeza interna do mobiliário de uso individual e coletivo, e
a remoção da poeira de tetos e respectivos acessórios.
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Atenção:
As fainas de desbaratização e desratização devem ser realizadas com as precauções
apropriadas, pois os produtos utilizados são tóxicos para o homem. Durante essas
fainas, o material de rancho deve ser retirado de seus armários e coberto, sendo
lavado antes de ser novamente guardado. O rancho deve ser realizado em outra OM.
Podem existir outros vetores de doenças a bordo (por exemplo, há registro de
transmissão de conjuntivite a partir de binóculos e sextantes). O Médico deve estar
atento para os indícios que permitam identificar o vetor de transmissão de doenças,
de modo a subsidiar o Comando quanto às providências para a erradicação do
problema.
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OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
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d) Aguada
(a) Grupos destilatórios
Nos navios que permanecem no mar por longo tempo, como é o caso das
unidades da Esquadra, a existência de grupos destilatórios em plenas condições
de operação deve ser uma meta a ser perseguida com empenho, pois um bom
suprimento de aguada é fundamental para a manutenção das condições de
higiene e conforto.
(b) Manutenção dos equipamentos
Não admitir torneira e conexões vazando, pois isso pode causar restrições
operativas aos navios em viagem. Uma simples torneira pingando equivale ao
consumo de 46 litros de água por dia, o que é suficiente para o banho demorado
de uma pessoa.
OSTENSIVO 28 - 7 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
(c) Recebimento de água nos portos (as providências a seguir são genéricas, e a
sua adoção deve ser pesada caso a caso):
- ao planejar a comissão, procurar obter dados quanto à disponibilidade e
qualidade da água do porto a ser visitado (tais registros serão importantes
para o controle do consumo ao longo da travessia até este porto);
- se possível, analisar a água antes de receber (ao menos, inspecione
[aspecto e odor] o líquido);
- deixar correr uma boa quantidade de líquido, antes de recolher a amostra
para análise ou antes de iniciar o recebimento (tal providência visa remover
a água parada na ramificação da rede do porto que vai ser utilizada, pois
esta pode estar estagnada; tal precaução é mandatória nos terminais pouco
freqüentados); e
- na dúvida quanto à qualidade da água, não recebê-la; se for imprescindível
fazê-lo, não a misturar com a água já existente a bordo, recebendo-a em
tanques separados, a fim de possibilitar a cloração (se necessário, adotar
medidas que impeçam que a água contaminada, ou que se suspeita
contaminada, seja ingerida pela tripulação).
OSTENSIVO 28 - 8 2a Edição
OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
fechados os recipientes que guardam gêneros de pronto uso, como açucareiros, potes de
biscoitos, etc.) e executando corretamente as tarefas relacionadas ao bem estar da
tripulação que lhe forem confiadas.
O homem embarcado tem que estar convencido de que determinados problemas de saúde
podem afetar toda a tripulação, e orientado para procurar o Médico, caso observe sintomas
que indiquem que está com algum problema de saúde.
28.3.1 - Postura
A maneira com que uma pessoa se mantém em pé, senta ou anda afeta a saúde. A
postura adequada não apenas contribui para a boa apresentação do militar, mas também
melhora o tônus (resistência e elasticidade) do corpo, ao auxiliar a circulação sangüínea
e o funcionamento dos órgãos internos.
Atenção:
O banho a bordo não pode ser demorado. Em um navio, a água doce é um bem
precioso e limitado. Por estes motivos tem que ser poupada.
b) Higiene bucal
OSTENSIVO 28 - 9 2a Edição
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A limpeza pessoal inclui cuidados com os dentes e a boca. A utilização do fio dental e
o hábito de escovar os dentes após as refeições, além de uma visita periódica ao
dentista, são fundamentais para uma perfeita saúde bucal..
A escovação vai impedir a formação de placa bacteriana, que é a principal causa da
cárie e da gengivite (inflamação das gengivas), responsáveis pela perda dos dentes.
O bochecho vigoroso com água complementa escovação de rotina, removendo
pedaços soltos de placas e resíduos que se desprendem dos dentes e da gengiva.
A placa bacteriana não removida vai se acumulando na base dos dentes, se
transformando em um depósito endurecido (tártaro), que só pode ser removido pelo
dentista. Se o tártaro não for removido, novas placas podem se formar sobre ele,
causando eventualmente a destruição dos dentes e das gengivas.
A visita regular ao dentista é necessária, pois ele poderá identificar doenças dentárias
em formação, ajudando a prevenir a perda de dentes.
É bom lembrar que os dentes apresentam consistência para durar toda a vida. Mas,
para que isto ocorra, precisam ser bem cuidados.
Completando a escovação, é conveniente, ainda, bochechar com um antisséptico
(como, por exemplo, o FluorPrev, produzido pelo Laboratório Farmacêutico da Marinha
(LFM)), principalmente após a escovação noturna, antes de dormir. A ação detergente
do produto contribui para a remoção dos resíduos alimentares. Sendo um produto com
propriedades antissépticas e alcalinas (antiácida), ele também neutraliza a ação dos
ácidos bucais causadores da cárie e do mau hálito.
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OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
As roupas de baixo devem ser trocadas diariamente. Como, algumas vezes, enfrenta-se
restrição de aguada, o homem do mar precavido deve possuir um bom sortimento de
roupas “de baixo” como cuecas, camisetas e meias, para uso nas grandes travessias.
Na Marinha, se fica calçado a maior parte do tempo. Por este motivo, é importante utilizar
sapato confortável. Produtos antissépticos são úteis para evitar o surgimento de frieiras e
fungos (principalmente entre os dedos), pois os pés são sujeitos à sudorese (suor)
significativa, facilitando o aparecimento deste tipo de problema.
28.3.4 - Alimentação
A boa alimentação é provida por uma dieta balanceada constituída de proteínas,
gorduras, açúcares, sais minerais, vitaminas e água.
Esses elementos são encontrados na carne, leite, frutas, legumes e cereais. Não é boa
regra de higiene alimentar adotar regimes exclusivos, animal ou vegetariano. É preferível
o regime misto, com o qual se torna possível levar ao organismo os materiais plásticos e
energéticos indispensáveis.
Nos climas quentes, devem ser evitadas substâncias gordurosas, bem como bebidas
alcoólicas, porque ambas produzem elevado número de calorias que aumentam
sensivelmente o calor interno, o qual, somado ao calor externo, pode causar
perturbações de saúde.
A bordo, a administração do navio sempre procurará prover uma dieta balanceada. Fora
do navio, o homem de bordo deve colaborar de modo a ingerir alimentos que
contribuam para a sua saúde.
Os alimentos a serem ingeridos merecem cuidados, pois inúmeros parasitas, em
diversos estágios de vida (ovos, embriões, larvas) podem penetrar no organismo por via
digestiva (e também pela pele [penetração cutânea]), através da ingestão de frutas mal
lavadas, legumes crus, alimentos contaminados, etc. Outro perigo: resíduos tóxicos
decorrentes da aplicação de veneno na lavoura, os quais se concentram, principalmente,
na casca das frutas e superfície de folhas e caules, que necessitam ser bem lavados ou
descascados, antes de consumidos.
Nos portos, deve-se tomar as precauções apropriadas, principalmente onde se observam
condições deficientes de higiene.
Algumas vezes, visita-se locais com culinária bastante diferente daquela que se está
acostumado. Nestas ocasiões podem ocorrer problemas decorrentes da inadaptação do
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28.3.5 - Poluição
Ao trabalhar em locais poluídos utilize equipamentos de proteção.
O ar contaminado pode ser fonte de doenças respiratórias, conjuntivites e infecções; a
água poluída é responsável por diversas infecções bacterianas e virais.
Quando há frio, existe a tendência de se fechar os difusores de ventilação com o
propósito de aumentar a temperatura ambiente; tais difusores são esquecidos fechados,
contribuindo para uma redução na renovação de ar e, conseqüentemente, de sua
qualidade. Tal prática se torna nociva à saúde da tripulação.
O ruído elevado (poluição sonora) acarreta problemas auditivos e até mentais.
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OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
tripulante poderá ver-se em dificuldade pela falta do produto. No exterior, pode ser difícil
obtê-lo ou descobrir-se um equivalente.
Mesmo nestes casos, a aplicação de medicamentos deve ser realizada mediante
prescrição médica, bem como o portador de doença crônica deve informar o fato ao
Médico do navio.
a) Cancro mole
Ulcerações que ocorrem nos órgãos genitais após cerca de cinco dias da relação sexual,
causada pelo bacilo de Ducrey. O quadro é acompanhado de gânglios múltiplos na
virilha.
b) Sífilis
_
Doença crônica é aquela que se manifesta por longo tempo, como: hipertensão arterial, diabetes,....
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OSTENSIVO Coletânea de Procedimentos Marinheiros
Doença causada pelo micróbio Treponema Pallidum. O primeiro sintoma é o candro duro,
geralmente uma única ferida na região genital, que se manifesta, em média, 3 a 4
semanas, após o contágio sexual (período primário). Se não for tratada, a doença
evolui para o período secundário, que é a fase de generalização da moléstia através
da corrente sangüínea, o que é caracterizado pelo aparecimento de múltiplas manchas
no corpo e outros sintomas. Após alguns anos sem tratamento, a doença evolui para o
período terciário, com danos irreversíveis para o sistema cardiovascular e neurológico.
Uma mãe contaminada pela sífilis dará a luz a um bebê com problemas graves de
saúde.
c) Gonorréia
O Gonococo causa a gonorréia ou blenorragia, infecção numérica que sobrevém após
1 a 7 dias de incubação e se localiza primeiro na uretra (uretrite purulenta), daí pode
propagar-se a outros órgãos do aparelho urinário (cistite, pielite) e genital (orquite,
apidimite, prostatite), gerando complicações mais graves.
Mães contaminadas dão a luz a bebês com conjuntivite gonocócica.
Um tratamento mal executado faz com que a doença se torne crônica.
d) Linfogranuloma venéreo
Causado pela bactéria Clamídia Trachomatis. Inicia-se com uma discreta lesão nos
órgãos genitais, a qual, na maioria dos casos, nem é percebida. Gera uma grande
íngua na virilha (bubão), que tende a se romper em múltiplos orifícios. Sua evolução é
muito lenta e pode causar elefantíase (aumento acentuado da genitália).
OSTENSIVO 28 - 14 2a Edição
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Infecção viral causada por herpesvirus, que pode ficar aguda, com pequenas vesículas
agrupadas, ou permanecer latente, situação em que o hospedeiro pode transmitir a
doença sem apresentar sintomas.
g) Condiloma acuminado
Infecção viral que se caracteriza pelo aparecimento de múltiplas verrugas na região
genital.
OSTENSIVO 28 - 15 2a Edição