Manual Técnicas Terapia Esquema: DE EM DO
Manual Técnicas Terapia Esquema: DE EM DO
DE TÉCNICAS
EM TERAPIA DO
ESQUEMA
S396 Schütz, Natanna Taynara.
Manual de técnicas em terapia do esquema / Natanna
Taynara Schütz. — Novo Hamburgo : Sinopsys Editora, 2023.
352 p. ; 23 cm.
ISBN 978-65-5571-109-7
CDD 616.891425
2023
© Sinopsys Editora e Sistemas Eireli, 2023.
Leonardo Wainer
Membro da diretoria executiva da Sociedade
Internacional de Terapia do Esquema (ISST)
Sumário
INTRODUÇÃO..................................................................................................... 23
Como aplicar o Manual de técnicas em terapia do esquema...........................27
Alguns cuidados na aplicação e na adequação de técnicas...............................29
As bases da terapia do esquema......................................................................30
Perfis de pacientes e cuidados relevantes.........................................................36
Sempre existirão mais técnicas e meios...........................................................41
1 Esquema de abandono/instabilidade.................................................47
4 Esquema de defectividade/vergonha..................................................92
4.1 Compreendendo a origem do meu esquema de defectividade/vergonha... 93
4.2 Evidências para meus cuidadores na infância........................................95
4.3 Representando a mim mesmo ..............................................................97
4.4 Tentativas de superar o esquema de defectividade/vergonha..................98
4.5 Combatendo a supergeneralização dos erros..........................................99
4.6 Construindo uma reação alternativa diante dos erros..........................100
4.7 Combatendo a esquiva do esquema de defectividade/vergonha............ 102
4.8 Diálogo mental com quem está infringindo meus direitos.................. 103
4.9 Meu valor em evidência......................................................................104
4.10 Avaliação das minhas qualidades........................................................106
4.11 Aceitando o amor das outras pessoas..................................................107
6.10 Exposição aos meus medos para desenvolver mais coragem................ 141
8.7 Desenrolando.....................................................................................168
11.11 O que eu posso fazer para ter uma vida mais saudável?.......................220
12 Esquema de subjugação...................................................................225
12.11 Lembrando-me!..................................................................................238
13 Esquema de autossacrifício..............................................................239
13.1 Excesso de responsabilidades..............................................................240
13.2 Falando o que eu sentia......................................................................242
13.3 Eu mereço receber empatia.................................................................243
13.4 O que eu precisava dos outros?...........................................................244
13.5 Comportamentos perigosos nas minhas relações................................. 245
13.6 Vantagens e desvantagens do meu autossacrifício................................247
13.7 Fazer tudo pelo outro não é assertivo..................................................249
13.8 Rompendo com a hipercompensação..................................................250
13.9 A vida é uma troca............................................................................. 252
13.10 Evitando ressentimentos dos outros.................................................... 253
13.11 Usando comigo..................................................................................254
15 Esquema de negativismo/pessimismo..............................................275
16.2 Autoexpressão....................................................................................293
18.3 Defendendo-me.................................................................................324
Crianças e pais...........................................................................................337
Adolescentes...............................................................................................338
Famílias......................................................................................................340
Casais.........................................................................................................340
Grupos.......................................................................................................342
CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................344
REFERÊNCIAS...................................................................................347
INTRODUÇÃO
A
psicologia, assim como a ciência como um
todo, passa por grandes transformações e ino-
vações à medida que se avança na qualidade dos
métodos, no preenchimento de lacunas, no refinamento do
conhecimento. A terapia cognitivo-comportamental (TCC)
clássica, tendo Aaron Beck como principal fundador, passou a ser altamente
reconhecida e promovedora de grandes avanços na área desde sua fundação, na
década de 1960 (Beck et al., 2017). Entretanto, esse modelo clássico da TCC
coloca pouco foco em questões relacionadas à vida significativa, o que parece ser
cada vez mais um interesse da sociedade moderna (Hayes & Hofmann, 2020a).
Além disso, como um processo natural, já foram evidenciadas inúmeras ques-
tões sobre o papel da psicologia e dos fenômenos-alvos.
Hoje, um novo movimento, considerado a terceira onda (ou geração) das
terapias de orientação cognitivo-comportamental, vem focando nas funções que
os pensamentos, os sentimentos e as ações das pessoas desempenham em deter-
minados contextos, conforme Koerner (2020), considerando cada vez mais um
olhar abrangente para variáveis e fenômenos envolvidos no sofrimento humano,
bem como na busca por bem-estar. Nesse sentido, parece inviável que uma úni-
ca linha psicoterapêutica consiga dar conta de satisfazer toda a complexidade
e a amplitude que se almeja alcançar em saúde mental, fortalecendo-se, assim,
a perspectiva de integração de conhecimentos e linhas psicoterapêuticas. Essas
mudanças estão apontando cada vez mais para um declínio de terapias nomea-
das (Hayes & Hofmann, 2020a) e o fortalecimento das integrações.
Dentro dessa terceira onda e integrações possíveis entre elas, temos a te-
rapia do esquema (TE), a terapia de aceitação e compromisso (TAC), a tera-
pia focada na compaixão, a terapia comportamental dialética (DBT, do inglês
24 Introdução
Young et al. (2008) — para dar mais propriedade às nuances envolvidas em cada
um dos EIDs e principalmente para a compreensão das motivações e dos objetivos
por trás das técnicas construídas.
Este manual conta com cinco partes, sendo que cada parte corresponde a
uma necessidade emocional preconizada pela TE. Foram divididos dentro de cada
uma dessas partes um dos EIDs inerentes à necessidade tratada no capítulo. Os
capítulos apresentam 10 técnicas específicas para o EID ali identificado, com uma
variação de três níveis, começando por técnicas que trabalham questões ligadas
às origens do EID, seguindo para conscientização do EID e a sua ligação com as
queixas dos pacientes, e, por fim, no último nível de técnicas, são sugeridos exer-
cícios ligados a mudanças comportamentais. Recomenda-se que a maioria das téc-
nicas sejam aplicadas em sessão, visto que tratam de conteúdos densos, fazendo-se
necessária a explicação e a condução de um profissional habilitado no assunto.
Além das técnicas, foram feitas considerações sobre o atendimento de pessoas com
o EID apresentado em cada capítulo e propostas sugestões de tarefas de casa que
se encaixam como continuidade das técnicas trabalhadas em sessão.
Uma outra orientação relevante consiste na utilização do Questionário de
Esquemas de Young — versão breve (YSQ-S3, do inglês Young Schema Ques-
tionnaire — Short form 3), de Pinto Gouveia et al. (2005), validado para uso no
Brasil como uma ferramenta relevante para avaliação e identificação dos EIDs
de cada paciente. Por isso, em cada capítulo de técnicas para o EID são elencadas
as frases que identificam possíveis tendências do paciente a ter ou não deter-
minado EID com base no questionário proposto por Young. Todas as técnicas
foram elaboradas considerando as bases da TE, bem como estratégias integrado-
ras de outras linhas psicoterapêuticas de orientação cognitivo-comportamentais,
buscando agregar e adaptar estratégias tradicionais e atualizadas, considerando
a experiência prática e conhecimentos da autora.
Apesar da divisão por EIDs, em cada conjunto de técnicas, um profissio-
nal com conhecimento em TE pode realizar adaptações das técnicas de um EID
para outros EIDs caso julgue apropriado, uma vez que o manual foi construído
em bases flexíveis e adaptáveis. Além disso, cada uma das técnicas pode ser
adaptada visando a melhor compreensão e adesão de cada perfil de paciente,
sendo esta uma importante habilidade do psicoterapeuta — tornar as técnicas
Manual de Técnicas em Terapia do Esquema 29
algumas coisas podem não parecer tão claras, afinal as pessoas podem estar re-
signando seus EIDs — o que deixa mais claro a identificação —, mas também
podem estar evitando ou hipercompensando seus EIDs — o que pode confundir
alguns sinais. Por isso, é fundamental que o psicoterapeuta faça a identificação
tanto dos EIDs quanto dos estilos de enfrentamento utilizados diante deles, a fim
de evitar confusões diagnósticas que podem comprometer a escolha de técnicas e
a condução assertiva das intervenções. Um exemplo é quando o paciente tem um
EID de abandono/instabilidade, mas adota o estilo de enfrentamento de evitação,
fazendo parecer que não se importa com relacionamentos, sendo que, na verdade,
trata-se de uma estratégia de proteção para evitar o abandono.
Outra questão é que, por vezes, as pessoas podem hipercompensar um
EID com outro EID, como nos casos de um paciente com EID de defectividade/
vergonha que hipercompensa com arrogo/grandiosidade. É importante perceber
isso justamente para elencar as prioridades, que, nesse caso, sugere-se começar
pela defectividade/vergonha, a fim de enfraquecer a necessidade de hipercom-
pensar com arrogo/grandiosidade, fortalecendo, no lugar desse EID, o modo
adulto saudável.
Aliadas à consciência psicológica, são trabalhadas estratégias de intervenções
cognitivo-comportamentais, vivenciais/emocionais e interpessoais, visando a enfra-
quecer os esquemas e fortalecer o que chamamos de modo adulto saudável, neutra-
lizando os modos disfuncionais na interação com a realidade (Young et al., 2008).
Para esses objetivos, explora-se bastante estratégias de reparentalização limitada e
confrontação empática por meio da relação terapêutica ao longo das intervenções.
O impulso reparentalizador já está presente desde os primórdios das psico-
terapias, porém por meio de outras estratégias que foram evoluindo ao longo do
tempo. Reparentalizar é fornecer ao paciente, dentro dos limites terapêuticos, o
suprimento de suas necessidades emocionais não atendidas (Young et al., 2008).
Como um subtipo de reparentalização, a confrontação empática consiste em
estabelecer um diálogo honesto sobre padrões disfuncionais do paciente, porém
com compreensão das suas necessidades (Young et al., 2008). Basicamente, não
se apoia determinados comportamentos e padrões disfuncionais, mas se tem
empatia pelas necessidades por trás deles, construindo, a partir disso, junto com
o paciente, outros caminhos mais saudáveis para o suprimento das necessidades.
Manual de Técnicas em Terapia do Esquema 33
Paciente
Intervenções
Necessidades cognitivas
Temperamento emocionais
Intervenções
vivenciais/
emocionais
Memórias
Intervenções
comportamentais
EIDs ligados às necessidades
Autonomia e
Desconexão Limites Direcionamento Supervigilância
desempenhos
e rejeição prejudicados para o outro e inibição
prejudicados
Intervenções
Estilo de enfrentamento interpessoais
Modos de funcionamento