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& GRUPOS DE SAÚDE NA ATENÇÃO BÁSICA:

Relato de Experiência

Experiências de Enfermeiras Residentes


Luana Carine Maron1
Patricia Caprini Guzzo2
Tamara Grando3

Resumo:

O trabalho de grupos na Atenção Básica é uma alternativa para as práticas educativas. A ação educativa estabelece-se a partir de programas que
permitem trocas de experiências entre os membros envolvidos, além de ações de promoção da saúde e prevenção de doenças na comunidade,
indivíduos ou grupos sociais. O objetivo da pesquisa é relatar a experiência das ações desempenhadas pelos profissionais enfermeiros nos
espaços de atividades grupais. Trata-se de um estudo descritivo e consiste em um relato de experiências vivenciadas por três enfermeiras
residentes em Saúde da Família. As atividades foram realizadas em domicílio, com finalidade educativa, e em salões comunitários, com ação
terapêutica. Nos grupos domiciliares foram promovidas rodas de conversa com temas diversos. Já nos grupos terapêuticos, utilizou-se de
oficina com trabalhos manuais. Acreditamos que as atividades grupais constituem-se em uma importante ferramenta para a conscientização
crítica dos indivíduos a respeito de seu meio social e suas condições de vida e saúde. Além disso, o trabalho em grupo é um instrumento
essencial para a promoção e educação em saúde na comunidade.

Palavras-chave: Educação em saúde. Atenção Básica. Prática de grupo.

GRUPOS DE SALUD EN LA ATENCIÓN BASICA: EXPERIENCIAS DE ENFERMERAS RESIDENTES

Resumen:

El trabajo de grupos en la atención básica es una alternativa para las prácticas educativas. La acción educativa se establece a partir de pro-
gramas que permiten cambios de experiencias entre los miembros involucrados, así como, acciones de promoción de la salud y prevención
de enfermedades en determinada comunidad, individuos o grupos sociales. El objetivo del estudio es relatar la experiencia de acciones
desempeñadas por los profesionales enfermero en los espacios de actividades grupales. Se trata de un estudio descriptivo y un relato de
experiencia vivido por tres enfermeras residentes en Salud de la Familia. Las actividades fueron realizadas en domicilios con finalidad educa-
tiva, en salones comunitarios, con acción terapéutica. Mientras tanto, en los grupos terapéuticos, se utilizó de talleres de trabajos manuales.
Creemos que las actividades grupales se constituyen en importante herramienta para la concientización crítica de los individuos al respecto
de su medio social, y sus condiciones de vida y salud. A más de eso, el trabajo en grupo es un instrumento esencial para la promoción y
educación en salud en la comunidad.

Palavras-clave: Educación en salud. Atención Básica. Práctica de grupo.

1
Enfermeira formada pela UFSM/Cesnors. Especialista em Saúde do Trabalhador pela Faculdade América Latina (Uninter). En-
fermeira residente no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família oferecido Unijuí/Fumssar. luana.maron12@
hotmail.com
2
Enfermeira. Formada pela UFSM/Cesnors. Especialista em Saúde da Família pelo Programa de Residência Multiprofissional em
Saúde da Família oferecido pela Unijuí/Fumssar. [email protected]
3
Enfermeira formada pela URI Campus Santo Ângelo. Enfermeira da Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul, atuante
na 14ª Coordenadoria Regional de Saúde em Santa Rosa/RS [email protected].

REVISTA CONTEXTO & SAÚDE IJUÍ EDITORA UNIJUÍ v. 14 n. 27 JUL./DEZ. 2014 p. 81-86
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A motivação para a realização deste relato par- profissionais de saúde realizam no âmbito das uni-
tiu das aulas semanais do Núcleo de Enfermagem dades, no domicílio, em outras instituições e nos
do Programa de Residência Multiprofissional em espaços comunitários.
Saúde da Família, juntamente com os preceptores
de campo e colaboradores. Neste espaço, são dis- Vale ressaltar ainda que para obter sucesso, um
cutidas e fomentadas as atividades comuns realiza- grupo depende diretamente de seus participantes e
das pelo profissional enfermeiro, assim como casos coordenadores. O coordenador, além de ter conheci-
clínicos e temas previamente escolhidos e trazidos mento acerca do assunto tratado e sobre a clientela,
para estudo. deve ser sensível, empático, acolhedor e, ao mesmo
tempo, ter firmeza e agilidade para o estabelecimen-
Dessa forma a Enfermagem tem, na ação
to de limites (Frison et al., 2011). Deste modo, é
educativa, um de seus principais eixos norteado-
fundamental saber ouvir e acatar opiniões, a fim de
res. Essas ações acontecem em vários espaços de
que o grupo consiga criar um vínculo de confiança.
práticas de enfermagem, especialmente no campo
da saúde pública, podendo desenvolver-se em for- Na visão de Zimerman (2007), o ser humano é
mas de grupos nas comunidades, serviços de saúde gregário e só existe ou subsiste em virtude de seus
vinculados à Atenção Básica, escolas ou em outros inter-relacionamentos grupais. Assim, somente após
locais (Acioli, 2008). o estabelecimento de inter-relações o homem con-
Os grupos são vistos como um espaço no qual segue desenvolver e aprimorar suas capacidades e
são trabalhadas as diferentes faces do ser huma- habilidades, numa constante troca de conhecimen-
no, no que diz respeito aos seus aspectos sociais, tos e experiências, que o tornarão apto a vivenciar
subjetivos e biológicos (Silva et al., 2006). Desta diferentes situações, a fim de conhecer o seu pro-
forma, as atividades em grupo configuram-se como cesso saúde-doença e estimular o autocuidado.
fundamentais, tanto para o indivíduo quanto para a
comunidade em que este se encontra inserido. Neste relato são fomentadas reflexões e discus-
sões sobre o referencial de grupo terapêutico e do-
De acordo com Zimerman (2007) e Minicucci miciliar, consequentemente, ampliação dos conhe-
(2001), o grupo não corresponde unicamente a um cimentos acerca da importância deste para a prática
somatório de indivíduos, mas sim compreende um do cuidado. Tem como objetivo relatar a experi-
conjunto de pessoas interdependentes, movidas por ência das ações desempenhadas pelos profissionais
necessidades semelhantes que se reúnem na tentati- enfermeiros nos espaços de atividades grupais.
va de realização de objetivos comuns.

O trabalho de grupos na Atenção Básica é uma


alternativa para as práticas educativas. Estes es-
paços favorecem o aprimoramento de todos os Metodologia
envolvidos, não apenas no aspecto pessoal como
também no profissional, por meio da valorização Trata-se de um estudo descritivo e consiste em
dos diversos saberes e da possibilidade de intervir um relato de experiência, vivenciado por três pro-
criativamente no processo de saúde-doença de cada fissionais enfermeiras inseridas em Estratégias de
pessoa (Dias; Silveira; Witt, 2009). Saúde da Família e integrantes do programa de Re-
Ainda segundo estes autores, a ação educativa sidência Multiprofissional em Saúde da Família,
estabelece-se a partir de programas que permitem oferecido pela Universidade Regional do Noroes-
trocas de experiências entre os membros envolvi- te do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), em
dos, além de ações de promoção da saúde e pre- parceria com a Fundação Municipal de Saúde de
venção de doenças na comunidade, indivíduos ou Santa Rosa/RS (Fumssar). A participação no grupo
grupos sociais, permeando as atividades que os não contou com nenhum parâmetro para a coleta

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de dados, apenas constituiu-se na participação das Os grupos operativos podem ser de ensino-
profissionais nos grupos mediante o dispositivo de -aprendizagem (grupos de reflexão), institucionais
observação. (empresas, escolas, igrejas, exército, associações,
etc.), e comunitários (grupos de saúde). Os grupos
As atividades grupais foram realizadas em três
terapêuticos podem ser trabalhados no formato de
Estratégias de Saúde da Família (ESF), no municí-
autoajuda ou psicoterápicos propriamente ditos (Zi-
pio de Santa Rosa/RS, das quais duas na área ur-
merman, 2007).
bana e uma na área rural. Os encontros relatados
realizaram-se em julho de 2013, semanalmente, O primeiro insere-se na área médica em geral
totalizando a participação das residentes em quatro (diabéticos, reumáticos, idosos, etc.) e na área psi-
encontros. Em duas ESF, urbana e rural, as ativida- quiátrica (alcoólicos anônimos, pacientes boderline,
des foram voltadas para o grupo terapêutico e em etc.). Já o segundo envolve a base psicanalítica, o
outra para o grupo na comunidade, mais precisa- psicodrama, a teoria sistêmica, o cognitivo com-
mente em domicílio. portamental e a abordagem múltipla (Zimerman,
2007).
A vontade em desenvolver o grupo domiciliar
surgiu das práticas diárias na unidade de saúde, em A base teórica dos grupos operativos foi cons-
que durante muitos momentos, percebe-se a carência truída por Pichon-Rivière, tendo como referências
de informações apresentada pelos usuários. Assim, estudos acerca da Psicanálise e da dinâmica de
surgiu a ideia de proporcionar a essa população um grupos. O psicanalista adverte que o grupo operati-
pouco mais de conhecimento para poderem melhor vo se dá a partir da relação que seus componentes
cuidar de sua saúde, bem como prevenir demais mantêm com a tarefa, a qual pode ser a aquisição
agravos. Ao invés de os usuários irem até a unidade da cura, no caso de um grupo terapêutico, ou a ob-
de saúde, profissionais foram até eles. tenção de conhecimentos, se este compreender um
grupo de aprendizagem, como é o caso dos grupos
O grupo terapêutico, nas duas unidades re-
domiciliares (Osório, 2003).
latadas, já estava acontecendo, e se trata de uma
intervenção da unidade de saúde para o acompa- Ressalta-se a existência dos grupos terapêuticos
nhamento e possível reabilitação de mulheres que por Farah (2009) como o tipo de atividade que é
apresentam algum distúrbio psíquico. capaz de reunir pessoas diferentes, considerando
Cada encontro teve duração de aproximadamen- em cada um deles o jeito próprio de ser e seus po-
te uma hora, tendo como participantes a comunida- tenciais, limitações, facilidades e dificuldades. Aos
de em geral; já o grupo domiciliar realizou-se com poucos, conforme o grupo vai acontecendo, as for-
temas previamente escolhidos pelos participantes, mas peculiares dos membros de interagirem com o
tendo como local de realização o domicílio dos usu- mundo vão sendo reveladas.
ários. Por sua vez, as atividades grupais com finalida- Para os encontros realizados no grupo terapêuti-
de terapêutica foram realizadas no pavilhão da igreja co, foram utilizados trabalhos manuais e o diálogo
evangélica e na unidade de saúde, em uma sala na como instrumento de aproximação entre coordena-
qual também são realizadas as reuniões de equipe. dor e participantes. Cada participante pôde optar
pelo trabalho com o qual teve mais afinidade, como
crochê, confecção de guirlandas, trabalhos com pa-
pel Etil Vinil Acetato (EVA), pintura e decoupage
Resultados e Discussão em panos de prato, chaveiros com fuxico, entre ou-
tros, ou ainda somente por meio da interlocução
As atividades grupais dividem-se em dois gran- entre os atores. É importante ressaltar que além da
des ramos: os operativos e os terapêuticos, cuja conversa os trabalhos manuais estimulam a auto-
classificação se dá com base na finalidade a que se estima e o convívio entre as pessoas que possuem
propõe o grupo. algum tipo de sofrimento, como a depressão. Par-

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ticiparam do grupo, tanto na área rural quanto na De modo geral, o grupo terapêutico possibilita o
urbana, aproximadamente dez mulheres, a maioria compartilhamento de experiências entre os partici-
idosas. pantes, propicia escuta, orientação e construção de
Projetos Terapêuticos condizentes com as necessi-
Nos grupos terapêuticos realizados não houve
dades dos sujeitos. Ao mesmo tempo, a vivência
discrepâncias quanto à faixa etária e sexo, os par-
em grupo favorece maior capacidade resolutiva, por
ticipantes dos grupos tinham entre 50 e 80 anos de
possuir vários olhares direcionados para um proble-
idade e todas do sexo feminino. Isso condiz com o
ma em comum (Benevides et al., 2010).
papel da mulher como cuidadora pela sociedade na
condição de mãe, avó e aposentada. Diferentemente das atividades terapêuticas, a as-
sistência domiciliar compreende a atenção à saúde
Os encontros aconteceram semanalmente e
na residência do paciente, podendo também ser de-
contaram com a participação de toda a equipe da
finida como “atendimento ou cuidado domiciliar”.
unidade de saúde, de modo que em cada atividade
Baseia-se na plena interação do profissional com o
dois dos profissionais eram os responsáveis. As ati-
usuário e sua família. Deste modo, constitui-se em
vidades grupais também contaram com o apoio do
um conjunto de atividades de caráter informativo,
terapeuta ocupacional (TO), que participava uma
programadas e continuadas, desenvolvidas em do-
vez ao mês, visando a auxiliar no gerenciamento
micílio (Dias; Silveira; Witt, 2009).
do grupo.
Os grupos realizados com a comunidade, mais
Em estudo realizado com trabalhadores da saúde
precisamente no domicílio dos usuários, acontecem
de um Hospital-Dia (HD) em Fortaleza-CE, estes
uma vez na semana. Foram realizadas rodas de con-
descrevem como é o funcionamento do grupo tera-
versa e discutidos temas diversos, como apneia do
pêutico. Os encontros são realizados em um con-
sono, incontinência urinária, osteoporose, varizes
texto grupal, no qual as atividades são desenvol-
e seus devidos cuidados, hipertensão arterial, dia-
vidas pelos profissionais da Terapia Ocupacional e
betes, alergias, labirintite, ácido úrico, entre outros.
incluem: pintura, colagem, modelagem, trabalhos
Cada participante do grupo teve a possibilidade de
com sucata, papel reciclado e carpintaria. Este es-
expressar seu pensamento, dar sua opinião, seu pon-
tudo corrobora com instrumentos utilizados para
to de vista ou seu silêncio. Participaram de cada
a realização do grupo terapêutico relatado, reafir-
encontro uma média de dez usuários, de diferentes
mando que as atividades manuais são importantes
idades e de ambos os sexos. Durante a atividade
no decorrer dos encontros (Benevides et al., 2010).
houve troca de saberes, levando-se em considera-
Além disso o mesmo estudo destaca, por meio ção toda e qualquer forma de expressão, pois como
das narrativas dos profissionais, que as atividades afirma Paulo Freire (1987, p. 68), “não há saberes
terapêuticas grupais desenvolvidas no HD propor- mais ou menos, há saberes diferentes”.
cionaram um sentimento de prazer, de entusiasmo
O autor ressalta ainda, a importância de as devo-
e de satisfação para os usuários. Também eviden-
luções acontecerem de forma progressiva durante o
ciaram que houve satisfação e interação por parte
andamento do grupo, ou seja, as trocas de experiên-
de alguns usuários; outros já não foram tão ativos,
cias. Como na maioria dos relacionamentos, as ati-
mas deram suas contribuições na dinâmica grupal.
vidades iniciam-se com um contato mais superficial
Essas atividades desempenham um papel importan-
que, a partir da criação do vínculo e da manutenção
tíssimo para a reabilitação do paciente (Benevides
do grupo, vai se aprofundando, permitindo trocas
et al., 2010). Dessa mesma forma acontece no gru-
mais frequentes e intensas (Freire, 1987).
po terapêutico relatado: as mulheres que participam
sempre se mostraram interessadas nas atividades Durante os encontros domiciliares alguns par-
desenvolvidas e, a partir de conversas, foi possível ticipantes expressaram suas vivências e outros sa-
compartilhar necessidades, problemas e anseios, a naram muitas dúvidas que tiveram até então. Esta
fim de ajudá-las da melhor forma possível. prática mostrou que as ações educativas em saúde

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podem capacitar indivíduos e grupos na constru- Compreendemos a importância do trabalho em


ção de novos conhecimentos, conduzindo a uma grupo como sendo um instrumento fundamental
prática consciente de comportamentos voltados à para a promoção e educação em saúde nas comu-
prevenção ou promoção da saúde. Os encontros nidades. A experiência do trabalho em grupo pode
domiciliares, igualmente, permitem conhecer a re- facilitar a produção coletiva de conhecimento e a
alidade e as potencialidades do meio, o que facilita reflexão acerca da realidade vivenciada pelos seus
o trabalho no campo da educação em saúde (Souza membros, valorizando a troca de conhecimento e os
et al., 2005). saberes técnicos e científicos, oportunizando, ainda,
aos participantes, novas estratégias de enfrentamen-
Durante as atividades de grupo, domiciliares
to dos desafios que, muitas vezes, fazem parte das
ou terapêuticos, houve a valorização e a criação do
suas situações de vida.
vínculo, da fala e da escuta. A construção do víncu-
lo com o decorrer do tempo favorece a expressão de Nesse sentido, a qualidade de vida é uma pre-
sentimentos, como angústias, tristezas e conquistas, ocupação constante do ser humano, portanto, para
e é nesses momentos que o coordenador consegue que isso ocorra deve-se priorizar na atividade gru-
se inserir como interlocutor das conversas, estimu- pal os valores de cada indivíduo, abrangendo suas
lando o bem-estar e a qualidade de vida de todos condições biológicas, psicológicas e culturais. Além
os membros. disso, deve instigar o interesse do usuário pelas
ações que ampliam as possibilidades de controle
Assim sendo, atuar na perspectiva da promoção das doenças, manutenção da saúde, de reabilitação
da saúde, em grupos na comunidade, implica mo- e de tomadas de decisão individuais e coletivas.
dificações nos modelos técnico-assistenciais. Desta
forma, abrem-se as portas para a construção e a con- As atividades grupais constituem-se em uma
solidação de novos referenciais teóricos e práticos, os importante ferramenta para a construção crítica
quais visam a uma melhor qualidade de vida e saúde dos indivíduos quanto ao seu meio social, suas
da população, a partir de uma assistência diferen- condições de vida e de saúde. Nessa perspectiva,
ciada e da compreensão do processo saúde-doença, é fundamental que o tema “grupo” seja abordado e
ocasionando assim uma maior autonomia do sujeito. discutido durante o planejamento das atividades nas
ESFs, para que os profissionais se empoderem desta
Desta forma, o trabalhar em grupo na Enfer- prática de forma eficaz e transformadora.
magem, em suas distintas abordagens, vem trazer
novas perspectivas de promoção à saúde, as quais
têm como objetivo reafirmar a relevância desta ati-
vidade para os profissionais da área, em especial Referências
quando se adota a visão de estratégia, com a cons-
trução coletiva do conhecimento por meio da troca ACIOLI, S. A prática educativa como expressão do
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Recebido em: 14/1/2014


Aceito em: 17/10/2014

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