TCC
TCC
Florianópolis
2022
Ana Paula da Silva Bastiani
Florianópolis
2022
Ana Paula da Silva Bastiani
Este Trabalho Conclusão de Curso foi julgado adequado para obtenção do Título de “Bacharel
em Ciências Biológicas” e aprovado em sua forma final pelo Curso de Graduação em
Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina.
________________________
Profª. Drª. Daniella Cristina de Toni
Coordenador do Curso
Banca Examinadora:
________________________
Prof. Dr. Edmundo Carlos Grisard
Orientador
UFSC
________________________
Prof.ª Dr.ª Patricia Hermes Stoco
Avaliadora
UFSC
________________________
Prof. Dr. Rafael Diego da Rosa
Avaliador
UFSC
Este trabalho é dedicado ao meu avô que infelizmente não verá o
fim desse ciclo e a minha avó que me deixou cedo demais.
AGRADECIMENTOS
Agradeço inicialmente ao meu orientador Dr. Edmundo Carlos Grisard por ter me
aceitado no laboratório lá no final de 2019 enquanto eu estava perdida sem saber que área da
biologia seguir. Desde o início me incentivou a ser uma pessoa curiosa e buscar os porquês das
coisas, sempre acreditando no meu potencial e no meu trabalho.
A minha família que, em nenhum momento, me criticou por eu ter escolhido cursar
biologia, que sempre me ajudou a ter um ensino de qualidade e me incentivou a correr atrás dos
meus alvos, não importasse o que eu escolhesse. Aos meus pais por me ajudarem a me manter
durante esse período de graduação para que eu pudesse focar nos meus estudos. Ao meu irmão
que fez e faz de tudo por mim e me ajudou a montar um cantinho de estudos onde eu passei
horas e horas fazendo resumos e estudando para as provas. A minha prima Kauany que sempre
acreditou mais em mim do que eu mesma e sempre teve confiança de que tudo o que eu fizesse
iria dar certo (e deu mesmo!). A minha vó Nilva (em memória) que infelizmente me deixou
cedo demais, mas sempre me apoiou e ajudou nos meus estudos. A minha avó Lena que sempre
me mimou e me ajuda em tudo que precisar e meu vô Fabiano (em memória) que sempre se
interessou em saber como estava indo a faculdade e me apoiou em tudo, mas infelizmente me
deixou antes de me ver concluir essa etapa.
Aos meus professores do IFSC, em especial o Prof. Marcelo de Biologia que, sem
perceber, me ajudou a decidir a área em que eu queria seguir. Aos amigos que o IFSC que me
acompanham desde 2013. Em especial a Julia, Nara, Ricardo e Rodrigo que sempre foram bons
amigos e me proporcionaram muitas risadas e belos momentos que deixaram o dia-a-dia do
IFSC mais leve. Este pequeno parágrafo não faz jus ao quanto vocês foram e são especiais na
minha vida. Também quero agradecer a Ádila, Luana e Millena que conheci durante o ensino
médio e apesar de não nos falarmos muito ultimamente vocês me proporcionaram muito
momentos bons.
A minha amiga Tiffany que sempre esteve disposta a me ouvir falar sobre meus
problemas e ansiedades e que me ajuda a passar por momentos difíceis. Ao meu amigo Matheus
por sempre proporcionar conversas profundas e conversas interessantes sobre ciência. Esses
dois sempre me deram apoio por acreditar em mim e são responsáveis por muitos momentos
felizes que eu vivi. A minha amiga Luana que sempre me proporciona muitas risadas e que me
faz muitas perguntas biológicas. E a Carmem, que é uma segunda mãe para mim por sempre se
preocupar comigo e me dar bons conselhos.
Ao meu namorado Vini que passou a estar presente em um dos momentos mais
conturbados da minha vida e se manteve firme do meu lado nas minhas crises de ansiedade não
me deixando desistir em nenhum momento. Ele sempre me ajudou, até mesmo indo comigo no
laboratório no final de semana me fazer companhia enquanto eu terminava meus experimentos
e em todos os momentos me apoia, tanto nos meus estudo quanto nos meus projetos pessoais.
Ao meu quarteto fantástico que se formou durante esses anos de graduação. Só tenho
a agradecer a Denise, Iasmin e a Laura por todo companheirismo e amizade. Obrigada por
sempre depositarem confiança em mim e por acreditarem no meu potencial, por tornarem as
aulas (principalmente de Zoologia) divertidas, por me ajudarem a ser uma pessoa melhor, por
todas as horas de conversas e risadas que tivemos e por sempre vibrarem com as minhas
conquistas. Com certeza sentirei saudades de encontrar vocês nos corredores do MIP e esse
pequeno texto não é nada comparada a tudo que a gente já viveu na UFSC.
Ao João Victor que conheci no laboratório, mas que me acompanhou em algumas
disciplinas, tornando-as mais leves. Aos meus colegas de turma que sempre fizeram ótimos
questionamentos nas aulas me ajudando a aprender cada vez mais.
Aos meus antigos e atuais colegas de laboratório Caibe, Natália, Viviane, Thais,
Vanessa, Guilherme, Vilmar, Ana Claudia, Marilene, Giovanna, Luisa, Luiza, Maria e Lucy
que tornaram os dias no laboratório mais divertidos. Em especial a Beatriz que por um tempo
fez parte desse projeto comigo, a Carol que tornou a viagem a Caxambu mais divertida e sempre
almoça comigo, a Amábilli que sempre está disposta a me ajudar, almoça comigo e juntas
desabafamos sobre nossos problemas, a Carime que me ajudou e me ensinou muito no início
do meu projeto, a Adriana que forneceu o plasmídeo que utilizei neste projeto. Também a
Laryssa e a Bibiana que foram de extrema importância para a realização e construção deste
projeto, me ajudando em diversos experimentos e tirando muitas dúvidas, com certeza sem elas
eu não teria conseguido fazer metade do que fiz.
Ao Prof. Dr. Ricardo Toshio Fujiwara e a Dra. Luiza Almeida de Figueiredo que
forneceram a proteína quimérica, essencial para a realização deste trabalho.
Aos integrantes banca que aceitaram avaliar e fazer suas contribuições para este
trabalho.
Por fim, a CNPq, CAPES, FINEP, LAMEB e a UFSC pelo apoio financeiro e
estrutural para a realização deste trabalho.
A ciência nunca resolve um problema sem criar pelo menos outros dez. (SHAW,
George Bernard, 1930)
RESUMO
Chagas disease is caused by the protozoan Trypanosoma cruzi and Leishmasiases (the set of
diseases called Leishmaniasis) are caused by different species from the genus Leishmania, both
affecting approximately 7-8 million people in the world. The prevention and control of these
disease are still primarily based in vector control, and available drugs present high toxicity and
low efficacy. In this study, we sought to develop a vaccine strategy based on the use of non-
pathogenic trypanosomatids (L. tarentolae e T. rangeli) expressing a chimeric protein,
produced with genes encoding conserved immunogenic epitopes that are present in different
pathogenic trypanosomatids. Preliminary infection tests in mice previously immunized with the
purified protein revealed a reduction in parasitaemia by T. cruzi and a reduction of lesions and
parasite load in animals infected by L. amazonensis, L. mexicana and L. infantum. In the present
study, we transfected L. tarantolae promastigotes and T. rangeli epimastigotes with the plasmid
FlagGPI_pROCK containing the chimeric protein gene. During the selection of the
transfectants with geneticin (G-418), the plasmid presence was verified through PCR and the
expression of the chimeric protein was evaluated indirectly by detection of mNeonGreen
expression. For L. tarentolae, after seven weeks of selection, the parasites showed altered
motility and morphology (rounded shapes) and a punctate fluorescence pattern, not progressing
in culture. T. rangeli transfectants are still under selection process, initially showing
mNeonGreen punctiform expression 48 hours after transfection. Regarding initial passages, we
observed parasites showing morphology, motility, and division patterns like those displayed by
wild parasites, with fluorescence in increasing intensity. the control parasites transfected with
the base plasmid (FlagGPI_pROCK Neo), in addition to revealing biological parameters similar
to those found in wild parasites, also presented a dispersed fluorescence pattern in the
cytoplasm. Western blot assays using an anti-chimera antiserum will be performed with these
populations in order to confirm the expression of the protein chimera.
% Porcentagem
µg Micrograma
µl Microlitro
anti-IgG Anti imunoglobulina G
BCG Bacilo de Calmette e Guérin
BHI Do inglês Brain Heart Infusion
BSA Albumina bovina sérica
CI50 Concentração de inibição em 50%
cm Centímetros
DAPI 4',6'-diamino-2-fenil-indol
DNA Ácido desoxiribonucleico
dNTP Desoxirribonucleotídeos tri fosfatados
EDTA Ácido etilenodiaminotetracético
g Grama/força de gravidade
G-418 Geneticin
GPI Glicosilfosfatidilinositol
HCl Ácido Clorídrico
KCl Cloreto de potássio
kDa Kilodalton
l Litro
LB Meio Luria Bertani
LC Leishmaniose cutânea
LIT Do inglês Liver Infusion Tryptose
LMC Leishmaniose mucocutânea
LV Leishmaniose visceral
mg Miligrama
Mg²+ Magnésio
ml Mililitro
mM Milimolar
mNG mNeonGreen
MPLA Monofosforil-lipído A
NaCl Cloreto de Sódio
ng Nanograma
nm Nanômetro
o
C Graus Celsius
p p-valor
pb Pares de base
PBS Tampão fosfato salino
PCR Reação em cadeia da polimerase
pH Potencial hidrogeniônico
pmol Picomole
SBF Soro bovino fetal
SDS Dodecil Sulfato de Sódio
SDS-PAGE Do inglês Dodecyl Sulfate - Polyacrylamide Gel Electrophoresis
SUS Sistema Único de Saúde
Tris Tris(hidroximetil)aminometano
Tween 20 Polyethylene glycol sorbitan monolaurate
U Unidade
UFSC Universidade Federal de Santa Catarina
V Volts
X-gal 5-bromo-4-cloro-3-indolil-β-D-galactopiranosídeo
α Alfa
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 15
1.1 Doença de Chagas.................................................................................................. 15
1.2 Leishmanioses........................................................................................................ 17
2 Metodologia .......................................................................................................... 26
2.1 Parasitos ................................................................................................................. 26
4 CONCLUSÃO ...................................................................................................... 51
5 Perspectivas .......................................................................................................... 51
REFERÊNCIAS ................................................................................................... 52
15
1 INTRODUÇÃO
1.1 DOENÇA DE CHAGAS
A doença de Chagas ou tripanosomíase americana é uma doença causada pelo
protozoário Trypanosoma cruzi (CHAGAS, 1909), pertencente à família Trypanosomatidae e
a classe Kinetoplastea. Atualmente estima-se que esta doença acomete cerca 6-7 milhões de
pessoas no mundo, causando todo ano 30.000 novos casos e 12.000 mortes (DNDi, 2022).
Antigamente ela era restrita apenas em áreas rurais da região das Américas, mas a mobilidade
populacional fez com que muitas pessoas infectadas fossem morar em áreas urbanas,
proporcionando um novo ambiente de transmissão. Assim, nos dias de hoje a doença de Chagas
é encontrada em países da América do Norte, Europa e África, mas sua maior incidência é em
21 áreas endêmicas da América Latina, incluindo o Brasil. Acredita-se que aproximadamente
75 milhões de pessoas no mundo correm risco de infecção (WHO, 2022), sendo que, no Brasil,
2.740 casos de infecção foram registrados no período de 2010-2020 (BRASIL, 2022).
Essa doença é caracterizada por possuir uma fase aguda e uma crônica. A fase aguda
se manifesta durante as primeiras semanas ou até dois meses após a infecção, apresentando
elevada parasitemia. A maioria dos casos são assintomáticos e quando apresentam sinais
clínicos, as manifestações são comuns a outras doenças como febre, fadiga, dores no corpo e
entre outros (WHO, 2022). Entretanto, outros sinais podem ser detectados como sinais de
penetração do parasito (chagoma), glândulas/regiões inchadas ou inchaço das pálpebras (sinal
de Romaña) (CDC, 2022). Já a fase crônica pode durar por toda vida da pessoa e na maioria
dos infectados ela se apresenta assintomática. Esta fase é caracterizada pela redução dos
parasitos circulantes na corrente sanguínea, pois eles passam a invadir principalmente células
do cardíacas e do sistema digestivo. Assim, em dez a trinta anos os pacientes portadores da
doença de Chagas podem sofrer complicações cardíacas como, aumento do coração,
insuficiência cardíaca e até parada cardíaca. Além de complicações gastrointestinais, o que
inclui aumento anormal do esôfago (megaesôfago) ou do cólon (megacólon) (CDC, 2022;
DNDi, 2022).
A transmissão da doença de Chagas pode se dar por transmissão congênita, transfusão
de sangue, transplante de órgão, consumo de alimentos contaminados, exposição laboratorial
acidental e principalmente por transmissão vetorial através do inseto triatomíneo ou barbeiro
pertencente à família Reduviidae dos gêneros Triatoma, Rhodnius e Panstrongylus (CDC,
2022). Essa última forma de transmissão caracteriza o ciclo de vida do T. cruzi como
heteroxênico, ou seja, este parasito precisa passar por um hospedeiro invertebrado (barbeiro) e
16
por um hospedeiro vertebrados (mamíferos, incluindo o ser humano) para completar seu ciclo
de vida. Dessa forma, podem ocorrer três ciclos de transmissão sendo eles o ciclo silvestre,
peridoméstico e doméstico. O ciclo silvestre ocorre na natureza onde mamíferos como o tatu,
macaco e veado servem de alimento para os barbeiros. Já o ciclo peridoméstico acontece
quando o ambiente natural é alterado e animais selvagens, como marsupiais e roedores, passam
a visitar as regiões peridomésticas para procurar alimentos, e animais domésticos, com cães e
gatos, passam a visitar ambientes silvestres. Consequentemente, os vetores presentes nas áreas
peridoméstica, podem gradualmente invadir o ambiente domiciliar e assim gerar um ciclo de
transmissão doméstica, no qual o triatomíneo passa a se alimentar do sangue do ser humano
(COURA; DIAS, 2009).
Durante o repasto sanguíneo, em um hospedeiro mamífero infectado, o triatomíneo
ingere formas tripomastigostas que estão no sangue. Alguns desses parasitos podem ser
eliminados no estômago do vetor, os que sobrevivem migram para o intestino se transformam
nas formas epimastigotas (forma somente encontrada no inseto vetor). Essas formas se aderem
a membrana perimicrovilares, secretadas pelas células intestinais do intestino médio posterior,
e se dividem intensamente. Nas partes posteriores do intestino e no reto, os epimastigotas se
desprendem e se transformam em tripomastigotas metacíclicos (forma infectiva para
mamíferos) que são eliminados nas fezes e urina do inseto vetor. Em um novo repasto sanguíneo
em um mamífero, além de se alimentar o barbeiro elimina a forma tripomastigota do T. cruzi
juntamente com suas fezes e urina. No caso dos hospedeiros humanos, as principais vias de
entrada do parasito no corpo são através da lesão da picada ou pela mucosa ocular (SOUZA et
al., 2010).
Assim, uma vez dentro do hospedeiro mamífero, as formas tripomastigotas invadem
células próximas ao local de entrada, como fibroblastos, macrófagos e células epiteliais. A
entrada na célula envolve o recrutamento de lisossomos ou através da invaginação da membrana
plasmática a posterior fusão com o lisossomo (TARDIEUX et al., 1992; ANDRADE;
ANDREWS, 2004) formando o vacúolo parasitóforo. Após um tempo, o parasito lisa a
membrana o vacúolo parasitóforo escapando para o citoplasma celular, onde se diferencia na
forma amastigota possibilitando a replicação do parasito (NOGUEIRA; COHN, 1976;
CARVALHO; SOUZA, 1989). Após isso, a forma amastigota do T. cruzi se diferencia
novamente em tripomastigota que pode romper a célula e ficar livre para infectar novas células,
além disso, podem estar na corrente sanguínea e ao fazer o repasto sanguíneo, o barbeiro pode
se infectar continuando o ciclo (LIMA et al., 2010) (Figura 1).
17
1.2 LEISHMANIOSES
As leishmanioses são causadas por diferentes protozoários do gênero Leishmania que
pertencem a família Trypanosomatidae e a classe Kinetoplastea, assim com o T. cruzi. Essas
doença pode se manifestar de três formas distintas, a leishmaniose visceral (LV), cutânea (LC)
e mucocutânea (LMC). A LV, causada pelas espécies Leishmania (L.) infantum e Leishmania
(L.) donovani, é a forma mais grave podendo levar a morte se não tratada e seus sintomas são
febre, perda de peso e aumento anormal do fígado (hepatomegalia) e do baço (esplenomegalia).
Ocorre de forma endêmica em 76 países, contudo a maior parte dos casos se concentra no Brasil,
África Oriental e na Índia e estima-se que anualmente ocorrem cerca de 50 a 90 mil novos casos
no mundo (WHO, 2022). Na América Latina o Brasil é responsável por 90% dos casos e cerca
de 3.500 pessoas são infectadas anualmente (BRASIL, 2022). A LC causada principalmente
por Leishmania (Viannia) brasiliensis, Leishmania (L.) major, Leishmania (L.) amazonensis e
Leishmania (L.) mexicana, é a manifestação mais comum e menos severa, é caracterizada por
causar lesões na pele iniciando como inchaços ou caroços, podendo resultar em úlceras e
18
geralmente são indolores (CDC, 2022). Ela é endêmica em 87 países, incluindo o Brasil e
acredita-se que todos os anos 600 mil a 1 milhão de pessoas são infectadas no mundo (DNDi,
2022). Segundo o Ministério da Saúde (2022), em 2020 aproximadamente 16 mil pessoas foram
diagnosticadas com LC no Brasil. Por fim, a LMC principalmente associada a L. brasiliensis,
pode se apresentar como uma complicação da LC ocorrendo meses ou anos após a cicatrização
das úlceras cutâneas (DNDi, 2022). Ela leva a destruição das mucosas da boca, garganta e nariz
e 90% dos casos se restringem a Bolívia, Brasil, Etiópia e Peru (WHO, 2022). Dessa forma, a
Organização Mundial da Saúde estima que mais de 1 bilhão de pessoas vivem em áreas
endêmicas e correm o risco de serem infectadas por diferentes espécies de Leishmania sp.
acarretando nas diferentes formas clínicas das leishmanioses.
A principal forma de transmissão das leishmanioses é através da picada de fêmeas de
flebotomíneo infectadas da subfamília Phlebotominae (BATES, 2007). Assim, como o T. cruzi
as espécies do gênero Leishmania possuem o ciclo de vida heteroxênico, no qual infecta um
hospedeiro vertebrado e um invertebrado para completar seu ciclo.
Ao se alimentarem de um mamífero infectado, as fêmeas de flebotomíneo ingerem
além de sangue, células do sistema fagocitário mononuclear (macrófagos) infectados com
formas amastigotas. Dentro do vetor, o parasito fica envolvido por uma matriz peritrófica
secretada pelo intestino e se transforma em promastigotas procíclicas (forma flagelada com
pouca motilidade), e se replica intensamente durante alguns dias. Depois, migram e se
estabelecem no intestino anterior e médio e retomam sua replicação até que por fim atingem a
válvula estomodeal do flebotomíneo. Neste local, as formas promastigotas procíclicas se
transformam em promastigotas metacíclicas (forma infectiva). Assim, em um novo repasto
sanguíneos as fêmeas de flebotomíneo regurgitam essas formas na lesão formada durante a sua
alimentação, infectando um novo mamífero (BATES, 2007).
Dentro do hospedeiro vertebrado, as formas promastigotas induzem o recrutamento de
neutrófilos nas primeiras horas (MÜLLER et al., 2001; PETERS et al., 2008) e de células do
sistema fagocitário mononuclear, principalmente macrófagos. Essas células fagocitam os
parasitos e esse processo é mediado por receptores presentes na membrana plasmática dos
macrófagos. Neste processo, a Leishmania sp. é internalizada, sendo mantida dentro do vacúolo
parasitóforo onde se transforma em amastigota e se replica (SOLBACH; LASKAY, 1999).
Após se multiplicarem intensamente na forma amastigota provocam apoptose, morte celular e
lise da célula (LÜDER et al., 2001), liberando amastigotas para o meio extracelular que irão
infectar novos macrófagos dando continuidade à infecção (Figura 2).
19
determinadas por L. mexicana e uma proteção significativa com redução na carga parasitária
(73%) das lesões hepáticas nos animais desafiados com L. infantum em relação aos grupos
controle (FIGUEIREDO et al., 2019).
Considerando esses resultados preliminares do seu uso como imunizante, buscamos
adaptar a expressão dessa proteína quimérica em tripanosomatídeos não patogênicos
(Leishmania tarentolae e Trypanosoma rangeli) utilizando vetores plasmidiais que permitam a
apresentação da mesma na membrana celular dos parasitos.
A L. tarentolae pertence ao subgênero Sauroleishmania e é um protozoário parasita
de lagarto que não é infectivo para mamíferos, mas que possui uma maquinaria eucariótica de
expressão proteica similar aos organismos patogênicos para os quais se deseja elicitar uma
resposta imune protetora, possuindo ainda a vantagem de crescer rapidamente in vitro e
produzir grandes quantidades de proteínas recombinantes (KLATT et al., 2019), fato pelo qual
já sendo utilizada em estudos biotecnológicos como organismo vacinal com bons resultados
(ABDOSSAMADI et al., 2017; BRETON et al., 2005). O T. rangeli é um parasito
filogeneticamente próximo do T. cruzi, sendo transmitido pelos mesmos vetores e igualmente
infectivo para o ser humano, porém, não sendo patogênico para seus hospedeiros mamíferos.
Apesar disso, a infecção pelo T. rangeli induz uma resposta imune humoral com elevados níveis
de anticorpos que incorrem em uma reatividade cruzada com o T. cruzi em exames sorológicos
convencionais face ao compartilhamento de cerca de 60% de suas constituições antigênicas
solúveis (GRISARD et al., 1999; STOCO et al., 2014). Ainda que alguns pesquisadores relatem
a indução de proteção contra a infecção pelo T. cruzi em animais previamente infectados pelo
T. rangeli, este parece ser um fenômeno cepa-dependente, apontando somente uma redução não
significativa da parasitemia pelo T. cruzi nos animais desafiados, carecendo de detalhamento
acerca da caracterização dos parasitos utilizados e dos mecanismos pelos quais esta redução da
carga parasitária ocorre (INTROINI et al., 1998; BASSO et al., 2008).
Dessa forma, considerando a relevância médico-social da doença de Chagas e das
leishmanioses e de sua natureza como doenças tropicais negligenciadas, o que limita o
desenvolvimento de novas formas de controle, buscamos expressar a proteína quimérica em
organismos não patogênicos como uma nova estratégia para elicitação de resposta imune contra
os agentes etiológicos destas doenças.
Considerando que a proteína quimérica expressa de forma heteróloga em E. coli gerou
resultados promissores quanto ao curso destas doenças em modelos animais, nossa hipótese é
que realizando a expressão da mesma em organismos filogeneticamente próximos aos agentes
25
1.5 OBJETIVOS
1.5.1 Objetivo Geral
Expressar uma proteína quimérica pan-tripanosomatídeos em Leishmania tarentolae e
em Trypanosoma rangeli como estratégia vacinal para Doença de Chagas e Leishmanioses.
2 METODOLOGIA
2.1 PARASITOS
O cultivo da forma promastigota de Leishmania tarentolae da cepa P10 foi realizada
em meio BHI (Brain Heart Infusion) suplementado com hemina a 25 mg/ml, 50 U/ml de
penicilina e 50 μg/ml de estreptomicina (Cultilab) a 26,5 °C. O cultivo de formas epimastigotas
de Trypanosoma rangeli foi realizado em meio LIT (Liver Infusion Tryptose) suplementado
com 50 U/ml de penicilina e 50 μg/ml de estreptomicina (Cultilab) e 10% de soro bovino fetal
(Sigma-Aldrich) a 26,5 °C. Estas cepas foram mantidas através de passagens semanais em seus
respectivos meios e encontram-se criopreservadas no Laboratório de Protozoologia
(MIP/CCB/UFSC).
plasmidial por protocolo padrão de lise alcalina (SAMBROOK; RUSSEL, 2001), sendo o
material obtido dosado por espectrometria a 260 a 280 nm em equipamento Picodrop P100 e
estocado a -20 oC.
Para a subclonagem do gene codificante para a quimera em vetor de expressão
adaptado a tripanosomatídeos, foram desenhados iniciadores específicos quimera senso (5’
GGT ACC TTA CAG AAT CTG CAC GGT GCT 3’) e quimera antissenso (5’ AAG CTT
ATG GCC CTG CTG GAA CTG C 3’), os quais foram acrescidos de sítios de restrição para as
enzimas KpnⅠ e HindⅠⅠⅠ nas suas extremidades 5' (sublinhado/negrito), respectivamente. A
amplificação do gene codificante para a quimera foi realizada via PCR utilizando 1 U da enzima
Taq DNA polimerase no tampão do fabricante (Invitrogen), 2 mM de dNTP (Invitrogen), 10
pmol de cada iniciador e 50 ng de DNA molde. O perfil térmico de amplificação consistiu em
uma etapa de desnaturação a 95 ºC por 2 minutos, seguida por 35 ciclos contendo uma etapa de
desnaturação (95 ºC por 1 minuto), uma etapa de ligação dos iniciadores (62 °C por 30
segundos) e uma etapa de elongação do DNA pela polimerase (72 ºC por 2 minutos). Por fim,
uma etapa da reação à 72 °C por 10 minutos foi adicionada para elongação das cadeias. Os
produtos de amplificação foram visualizados através de resolução por eletroforese em gel de
agarose 1% corado pelo brometo de etídio (10 mg/ml), sendo os resultados registrados
digitalmente. Na sequência, realizou-se a purificação do fragmento de 1789 pb da amplificação
excisando-o do gel e utilizando o kit GFX PCR DNA and gel band purification (GE Healthcare),
segundo as especificações do fabricante.
O fragmento da quimera foi inicialmente subclonado no vetor pGEM®️-T Easy
(Promega), seguindo-se as recomendações do fabricante. Após a transformação em bactérias E.
coli Top 10, conforme descrito anteriormente, a suspensão celular foi plaqueada em meio LB
(10 g/L triptona, 5 g/L extrato de levedura, 0,17 mM NaCl contendo X-gal (20 µg/ml), IPTG
(40 µg/ml) e ampicilina (100 µg/ml)) e mantida por 12 h a 37 oC. A ligação do inserto no vetor
foi verificada primariamente pela coloração branca das colônias, as quais foram selecionadas
para confirmação através de PCR utilizando-se iniciadores dirigidos as sequências do vetor que
flanqueiam o sítio de clonagem e também iniciadores dirigidos para o gene da quimera,
descritos acima. Os iniciadores dirigidos ao plasmídeo pGEM®️-T Easy foram o M13 senso (5’
CGC CAG GGT TTT CCC AGT CAC GAC 3’) e o M13 antissenso (5’ TAC CAC AGG AAA
CAG CTA TGA C 3’). Em seguida, os fragmentos amplificados foram resolvidos através de
eletroforese em gel de agarose 1% corado com brometo de etídio, conforme descrito acima.
28
para extração dos plasmídeos. Por fim, foram dosados por espectrofotometria a 260 e 280 nm
em equipamento Picodrop P100 e estocados a -20 oC.
Figura 3 - Mapa do plasmídeo FlagGPI_pROCK Neo utilizado para expressão proteica em
tripanosomatídeos.
Esses valores foram determinados pela regressão não linear da curva a dose resposta
com transformação de x para log (x) e log (inhibitor) vs normalized response – variable slope.
As médias das CI50 foram submetidas a análises estatísticas. Para a avaliar a normalidade dos
dados utilizou o teste de Shapiro-Wilk e para a identificação de outliers os dados foram
submetidos ao teste de outliers de ROUT. Para análise paramétrica foi usado análise de
variância simples (one-way ANOVA) com teste múltiplo de Tukey’s com valores de p<0,05
considerados significativos.
NaCl; 25 mM EDTA pH 8,0; 1% Dodecil Sulfato de Sódio - SDS) suplementados com 2,5 µl
de proteinase K a 20 mg/ml (Sigma-Aldrich), os lisados foram incubados a 42 ºC por 12 horas.
A extração dos ácidos nucleicos foi realizada utilizando-se o método padrão de
fenol/clorofórmio (GREEN; SAMBROOK, 2012) sendo o material extraído tratado com 200
μg/ml RNAse A (Sigma-Aldrich) por 1 h à 37 ºC. Após a avaliação da concentração, pureza e
integridade do DNA por espectrofotometria a 260 e 280 nm em equipamento Picodrop P100 e
eletroforese em gel de agarose 1% corado por brometo de etídio conforme descrito no item 2.2
o DNA extraído foi estocado a -20 oC.
Após a extração, o de DNA, foi utilizado em reações de PCR com o intuito de detectar
a presença do plasmídeo Quimera_FlagGPI_pROCK Neo nos parasitos transfectados. Estas
reações foram realizadas conforme descrito no item 2.2, utilizando os iniciadores quimera senso
e quimera antissenso direcionados ao gene da quimera proteica e os iniciadores HX1 senso e
mNG antissenso direcionados ao plasmídeo.
foram lavados duas vezes em PBS pH 7,4 a 2000 X g por 10 minutos a temperatura ambiente.
Após as lavagens os parasitos foram acrescidos de tampão de lise (50 mM NaCl, 200 mM Tris-
HCl pH 8,0, 1% de Triton X-100) previamente aquecido à 95 ºC, acrescido de 1 μl de coquetel
de inibidores de proteases (Merck), homogeneizados vigorosamente e mantidos em banho de
gelo.
A concentração de proteínas nos extratos totais foi mensurada pelo método de Bradford
(BRADFORD, 1976), utilizando uma curva padrão de 0 a 4 µg/µl albumina bovina sérica
(BSA) como controle para a mensuração por absorbância a 595 nm em espectrofotômetro
Tecan® Modelo Infinite M200. Na sequência os extratos foram adicionados ao tampão de
amostra na proporção 1:5 (20% glicerol, 0,5% azul de bromofenol, 0,5 M Tris-HCl pH 6,8,
4,4% SDS e 2% β-mercaptoetanol), aquecidos a 95 ºC por 5 minutos e submetidos à separação
eletroforética em gel SDS-PAGE 5 % de concentração e 10 % separação, a 100 volts (V) por
aproximadamente 3 horas. Após a separação, as proteínas foram então transferidas para
membranas de nitrocelulose Hybond-ECL® (GE Healthcare) conforme descrito por Towbin et
al. (1979). Após a transferência, as membranas foram coradas com Ponceau (Serva) para
verificar a eficiência da transferência. Depois, as membranas foram bloqueadas com leite
desnatado 5% diluído em tampão de blotting (25 mM Tris-HCl, pH 7,4; 150 mM NaCl e 0,1%
Tween 20) durante 1 hora, lavadas e incubadas com anticorpo anti-flag ou com soro policlonal
anti-quimera (gentilmente cedido pelo Dr. R.T. Fujiwara da UFMG) por 1 hora à temperatura
ambiente sob agitação. Após as lavagens, a membrana foi incubada com anticorpo secundário
anti-IgG de camundongo conjugado à peroxidase (Sigma-Aldrich) nas mesmas condições. A
detecção foi realizada utilizando-se o reagente Pierce® ECL Plus Substrate (Thermo Scientific)
sendo o resultado revelado utilizando o fotodocumentador Chemidoc MP® BIORAD®.
34
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 SUBCLONAGEM DA QUIMERA PROTEICA EM VETOR DE EXPRESSÃO PARA
TRIPANOSOMATÍDEOS
A abordagem inicial para subclonagem do gene da quimera no vetor de expressão em
tripanosomatídeos constituiu na excisão do gene de interesse do plasmídeo pUC57 através de
digestão com as enzimas de restrição HindIII e KpnI, uma vez que possibilitavam uma
clonagem direcional e em correta fase de leitura no plasmídeo FlagGPI_pROCK Neo.
Após a digestão inicial do plasmídeo pUC57 e verificação da excisão do inserto por
eletroforese em gel de agarose 1%, o mesmo foi purificado e ligado no plasmídeo
FlagGPI_pROCK Neo utilizando-se a enzima DNA ligase, o qual havia previamente sido
digerido com as mesmas enzimas.
Após diversas tentativas de subclonagem utilizando-se a estratégia acima, não obtemos
nenhum resultado positivo. As tentativas infrutíferas utilizaram diferentes marcas de enzimas
de restrição e de ligação, diferentes tampões, tempos de reação de restrição e ligação,
proporções de inserto:vetor e linhagens bacterianas. Cabe salientar ainda que foram testados
ensaios de co-digestão assim como de digestão sequencial, sendo igualmente infrutíferas as
tentativas de ligação, ainda que controles realizados passo-a-passo utilizando-se outros
plasmídeos como o próprio pUC57 apontassem o funcionamento das enzimas.
Devido a isso, utilizamos uma nova abordagem que envolveu uma etapa intermediária
de subclonagem em vetor pGEM®️-T Easy dos produtos de amplificação por PCR do gene da
quimera proteica a partir do plasmídeo pUC57 utilizando-se os iniciadores quimera senso e
quimera antissenso. Esse é um vetor comercial pré-linearizado com uma timina extra na região
3’- terminal de ambas as fitas, permitindo a ligação de forma direta de produtos de PCR
(PROMEGA, 2021).
Com base nesta estratégia, obtivermos diversas colônias positivas na seleção
azul/branco em meio de cultura, sendo selecionadas aleatoriamente quatro delas para realizar
uma PCR confirmatória. Conforme descrito no item 2.2, utilizamos iniciadores direcionados ao
plasmídeo e a sequência da quimera, confirmando a presença e a correta orientação do inserto
em duas colônias (Colônias 1 e 2) e gerando o plasmídeo Quimera_ pGEM®️-T Easy (figura 4).
35
Fonte: Autora.
* Gel agarose 1% corado com brometo de etídio. PCR da ligação do gene da quimera no vetor pGEM®️-T Easy.
1= Marcador molecular (Fago Lambda digerido com a enzima PstI), 2= Controle negativo (Sem DNA), 3= Colônia
1 (iniciadores quimera senso e antissenso), 4= Colônia 2 (iniciadores quimera senso e antissenso), 5= Colônia 3
(iniciadores quimera senso e antissenso), 6= Colônia 4 (iniciadores quimera senso e antissenso), 7= Marcador
molecular, 8= Controle negativo (Sem DNA), 9= Colônia 1 (iniciadores plasmídeo M13 senso e antissenso), 10=
Colônia 2 (iniciadores plasmídeo M13 senso e antissenso), 11= Colônia 3 (iniciadores plasmídeo M13 senso e
antissenso) e 12= Colônia 4 iniciadores plasmídeo M13 senso e antissenso). Tamanho esperados para a PCR com
iniciadores da quimera proteica 1.789 pb. Tamanho esperado para a PCR com os iniciadores do vetor: 2.023 pb.
Fonte: Autora.
* Gel de agarose 1% corado em brometo de etídio. PCR de colônia para confirmar a ligação do gene da quimera
no vetor FlagGPI_pROCK Neo. 1= Marcador molecular (Fago Lambda digerido com a enzima PstI), 2= Controle
negativo, 3-15= Colônias de 1 a 13. Tamanho esperado: 1.789 pb.
Figura 6 - PCR com diferentes iniciadores para confirmar a presença do gene da quimera no
plasmídeo FlagGPI_pROCK Neo.
Fonte: Autora.
* Gel de agarose 1% corado em brometo de etídio. PCR de colônia para confirmar a ligação do gene da quimera
no vetor FlagGPI_pROCK Neo. 1= Marcador molecular (Fago Lambda digerido com a enzima PstI), 2= Controle
negativo, 3= Colônia 2 com iniciadores HX1 senso e quimera antissenso, 4= Colônia 5 com iniciadores HX1 senso
e quimera antissenso, 5= Colônia 6 com iniciadores HX1 senso e quimera antissenso, 6= Colônia 2 com iniciadores
quimera senso e mNG antissenso, 7= Colônia 5 com iniciadores quimera senso e mNG antissenso e 8= Colônia 6
com iniciadores quimera senso e mNG antissenso. Tamanho dos fragmentos esperado para os iniciadores HX1
senso e quimera antissenso e para os iniciadores quimera senso e mNG antissenso de 2.018 pb e 1.899 pb,
respectivamente.
Com base nos resultados obtidos nas PCR com as diferentes combinações de
iniciadores, a colônia 5 apresentou os perfis desejados, indicando a correta inserção do gene da
37
Fonte: Autora.
* Alinhamento das sequências realizado no sortware Clustal Omega. Os asteriscos indicam que os nucleotídeos
são iguais entre as duas sequências e os traços indicam que não há nenhuma correspondência. Toda a região com
asterisco corresponde a sequência consenso 1. Os retângulos laranja cobrem toda a sequência correspondente ao
gene da quimera, que foi ocultada em função de estar protegida por registro junto ao INPI (Processo BR 10 2018
002228 8).
39
Fonte: Autora.
* Alinhamento das sequências realizado no software Clustal Omega. Os asteriscos indicam que os nucleotídeos
são iguais entre as duas sequências e os traços indicam que não há nenhuma correspondência. Toda a região com
asterisco corresponde a sequência consenso 2. Os retângulos laranja cobrem toda a sequência correspondente ao
gene da quimera, que foi ocultada em função de estar protegida por registro junto ao INPI (Processo BR 10 2018
002228 8). Em vermelho indica a região do plasmídeo contendo parte da sequência 3xFlagTag.
40
Fonte: Autora.
* Os dados não se apresentaram normais pelo teste de normalidade de Shapiro-Wilk e não foram detectados
outliers pelo teste de ROUT. Os valores de CI50 foram analisados pelo teste one-way ANOVA e teste de
41
múltipla comparação de Tukey´s, os valores foram considerados p>0,05, logo a média foi efetuada utilizando
os três valores de CI50 obtidos. A linha indica horizontal no percentual de mortalidade em 50%.
Fonte: Autora.
* Gel agarose 1% corado pelo brometo de etídio. PCR da extração de DNA de Leishmania tarentolae transfectada
com plasmídeo Quimera_Flag_GPI_pROCK Neo, utilizando os iniciadores direcionados ao gene da quimera. 1=
42
Marcador molecular (Fago Lambda digerido com a enzima PstI), 2= parasitos não transfectados (WT), 3=
Transfecção 1 com plasmídeo Quimera_Flag_GPI_pROCK Neo, 4= Transfecção 2 com o
Quimera_Flag_GPI_pROCK Neo, 5= Transfecção 1 com o plasmídeo Flag_GPI_pROCK Neo 6= Controle
positivo (Quimera_pUC57) e 7= Controle negativo (Sem DNA). Tamanho de fragmento esperado para a
amplificação dos transfectados com o plasmídeo Quimera_Flag_GPI_pROCK Neo e o controle positivo: 1.789
pb.
Fonte: Autora.
* Gel agarose 1% corado pelo brometo de etídio. PCR da extração de DNA de Leishmania tarentolae transfectada
com plasmídeo Quimera_Flag_GPI_pROCK Neo, utilizando os iniciadores direcionados ao gene da quimera. 1=
Marcador molecular (Fago Lambda digerido com a enzima PstI), 2= parasitos não transfectados (WT), 3=
Transfecção 1 com plasmídeo Quimera_Flag_GPI_pROCK Neo, 4= Transfecção 2 com o
Quimera_Flag_GPI_pROCK Neo, 5= Transfecção 1 com o plasmídeo Flag_GPI_pROCK Neo 6= Controle
positivo (Quimera_pUC57) e 7= Controle negativo (Sem DNA). 8= parasitos não transfectados (WT), 9=
Transfecção 1 com plasmídeo Quimera_Flag_GPI_pROCK Neo, 10= Transfecção 2 com o
Quimera_Flag_GPI_pROCK Neo, 11= Transfecção 1 com o plasmídeo Flag_GPI_pROCK Neo. Tamanho do
fragmento de amplificação esperado para a reação com os iniciadores da quimera é de 1.789pb e para a reação
com os iniciadores do plasmídeo 2.118 pb.
poliestireno de 25cm2 com tampa contendo filtro, a qual foi mantida sob agitação leve no
agitador Titer Plate Shaker (Lab-Line) a 26,5 ºC. Após duas semanas, comparando os parasitos
crescidos em garrafa e em tubo, não foram observadas diferenças na morfologia entre os dois
tratamentos, tendo sido descontinuado o cultivo em garrafas de cultura.
Em todas as semanas de cultivo dos parasitos transfectados em presença de G418,
observamos as culturas em microscópio de fluorescência, pois como ilustrado na figura 3, o
plasmídeo FlagGPI_pROCK Neo possui em sua estrutura o gene mNeonGreen que permite a
detecção de expressão de produtos plasmidiais. De forma global, somente os parasitos de
morfologia alterada (formas arredondadas) apresentavam um padrão de fluorescência
puntiforme, não sendo o mesmo observado nas raras formas promastigotas livre-natantes. Além
disso, os parasitos de morfologia alterada formavam grandes agrupamentos em cultura,
relembrando divisão de formas amastigotas (figura 12).
Fonte: Autora.
* Cada linha representa uma transfecção diferente de L. tarentolae com o plasmídeo Quimera_FlagGPI_pROCK
Neo e as duas primeiras colunas mostram o campo em que a foi tirado a foto, a última coluna é a sobreposição das
duas primeiras.
45
Após quatro semanas de seleção com G418, a morfologia dos parasitos em cultura não
apresentou qualquer alteração, sendo observada uma baixa divisão celular, uma motilidade
reduzida nas formas arredondadas e a presença de raros promastigotas apresentando baixa taxa
de divisão celular e motilidade normal.
Considerando que tal fenômeno possa estar relacionado à pressão de droga seletiva e
ou à expressão da quimera, dentre outros fatores, realizamos duas passagens dos parasitos em
meio sem a adição de G418. O acompanhamento destas culturas ao longo de três semanas, de
forma comparativa aos parasitos selvagens e aos transfectados mantidos na presença de G418,
não revelou nenhuma alteração na morfologia dos parasitos, havendo uma baixa quantidade de
formas promastigotas não fluorescentes e grande quantidade de formas arredondadas com
motilidade reduzida, as quais mantinham uma fluorescência como a apresentada na figura 10.
Uma vez que ao fim de sete semanas de cultivo as culturas não apresentavam diferenças visíveis
(figura 10) realizamos a extração de DNA das mesmas a fim de verificar da presença do
plasmídeo nos parasitos por PCR, sendo que todas as passagens foram criopreservadas no
criobanco do Laboratório de Protozoologia para análises futuras da expressão da quimera por
Western blot.
Devido aos parâmetros morfológicos e de crescimento in vitro de L. tarentolae
transfectadas com os plasmídeos Quimera_FlagGPI_pROCK Neo e FlagGPI_pROCK Neo
permanecerem alterados durante sete semanas, resolvemos descontinuar momentaneamente os
cultivos e iniciar o processo de transfecção desses plasmídeos em T. rangeli, sendo este um
segundo objetivo originalmente traçado para este trabalho.
Em relação à mudança morfológica de L. tarentolae da forma promastigotas para uma
forma arredondada similar à forma amastigota, acreditamos que a proteína quimérica possa
apresentar toxicidade ou alterar algum outro parâmetro biológico de L. tarentolae não
compreendido por nós. Considerando que a proteína quimérica é formada pela junção de 66
epítopos distintos dando origem a uma proteína sintética não natural e inexistente em
organismos vivos, sua expressão pode favorecer a formação de agregados proteicos e de corpos
de inclusão (MARKOSSIAN; KURGANOV, 2004). Esse efeito foi observado quando
Figueiredo (2019) expressou a proteína quimérica em bactéria E. coli, na qual apresentou baixo
rendimento e uma característica insolúvel. Em L. tarentolae pudemos observar em microscopia
de fluorescência uma fluorescência verde puntiforme, podendo indicar a formação de corpos
de inclusão contendo a proteína quimérica. Esta observação pode ser corroborada pois
observamos a expressão de fluorescência, ainda que tênue, relacionada com a alteração
46
Fonte: Autora.
* As duas primeiras linhas representam a primeira transfecção em T. rangeli com o plasmídeo
Quimera_FlagGPI_pROCK Neo e FlagGPI_pROCK Neo, respectivamente. As duas últimas representam a
48
*A) campo escuro, pontos representa a fluorescência puntiforme proveniente da expressão de mNeonGreen. B)
campo claro, representando os parasitos .
Fonte: Autora.
* Western blot com extratos totais de proteína de L. tarentolae transfectada com o plasmídeo
Quimera_FlagGPI_pROCK Neo para verificar a expressão da proteína quimérica. Membrana de nitrocelulose a
esquerda com amostras de 1-4 reveladas com anticorpo anti-Flag. 1= Padrão massa molecular para proteínas (BIO-
RAD), 2= Extrato total de proteínas de L. tarentolae selvagem, 3= Extrato total de proteínas de L. tarentolae
transfectada com FlagGPI_pROCK Neo, 4= Extrato total de proteínas de L. tarentolae transfectada com
Quimera_FlagGPI_pROCK Neo. Membrana de nitrocelulose a direita com amostras de 5-8 reveladas com
anticorpo policlonal anti-quimera. 5= Padrão massa molecular para proteínas, 6= Extrato total de proteínas de L.
tarentolae selvagem, 7= Extrato total de proteínas de L. tarentolae transfectada com FlagGPI_pROCK Neo, 8=
Extrato total de proteínas de L. tarentolae transfectada com Quimera_FlagGPI_pROCK Neo. Tamanhos esperados
para Flag+Quimera 99,43 kDa e para Flag 33,13 kDa.
O grupo colaborador da UFMG está em fase final de produção de novo antissoro anti-
quimera, o que será utilizado na repetição destes ensaios com as populações de T. rangeli
selvagem, transfectadas com Quimera_FlagGPI_pROCK Neo e com FlagGPI_pROCK Neo.
51
4 CONCLUSÃO
De forma geral, a estratégia de subclonagem com os plasmídeos FlagGPI_pROCK
Neo e Quimera_FlagGPI_pROCK Neo em promastigotas Leishmania tarentolae não
apresentou um bom desempenho tendo os parasitos apresentado alterações de crescimento,
motilidade e morfologia em relação à cepa selvagem. Entretanto, a transfecção com os
plasmídeos FlagGPI_pROCK Neo e Quimera_FlagGPI_pROCK Neo em epimastigotas de
Trypanosoma rangeli apresentou um bom desempenho no qual as características biológicas de
crescimento e divisão celular iguais à população selvagem do parasito.
5 PERSPECTIVAS
Apesar de não obtermis evidência direta da expressão da proteína quimérica
em Leishmania tarentolae e Trypanosoma rangeli, novos ensaios serão realizados com extratos
52
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